História Twilight - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Saga Crepúsculo
Personagens Alice Cullen, Bella Swan, Carlisle Cullen, Charlie Swan, Edward Cullen, Emmett Cullen, Esme Cullen, Jasper Hale, Rosalie Hale
Visualizações 15
Palavras 8.899
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela, Sci-Fi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - First Meet


FIRST MEET

POV Bella

Nossa mãe nos levou ao aeroporto com as janelas abaixadas. Estava fazendo 24°C em Phoenix, o céu estava um azul perfeito e sem nuvens. Uma clara afronta, deveria estar chovendo e com o tempo fechado. Jasper dirigia ao som de algum instrumental que ele adorava, Emmett estava com a sua bola autografada pelo time principal de Boston e eu estava com a minha camiseta preferida que estampava a cidade Phoenix. Era uma despedida silenciosa.

Na Península Olímpica, no noroeste do estado de Washington, nos Estados Unidos, existe uma cidadezinha chamada Forks e, por alguma desavença com o sol, estava quase sempre coberta com nuvens. Era, basicamente, um ovo de tão pequena, e chovia mais que qualquer outro lugar do país. Esse foi o principal motivo de minha mãe ter saído comigo, Emmett e Jasper de lá. E desde então, por amor ao nosso pai, íamos todos os verões, mas nunca deixava de ser extremamente tedioso.

Agora, porque mamãe estava com um novo casamento, íamos dar um tempo para ela e Phill.

— Meninos... - minha mãe nos disse pela milésima vez. - Vocês não precisam fazer isso.

Jasper e eu trocamos olhares rápidos. Emmett estava pegando nossos milk-shakes.

Mamãe, Rene, parece-se comigo, mas sua versão masculina era meu irmão mais velho, exceto pelo cabelo curto e pelo rosto risonho. Senti uma determinação ao encarar os olhos infantis e bem abertos dela, o que enganavam leigos como Phill. Ela tinha uma vida dupla, como eu, meus irmãos e meu pai, mas ela sempre priorizou a vida normal mais que suas obrigações. Talvez tenha sido isso que a fez deixar meu pai, sem ao menos um bilhete, para trás. Ela gostava de ser normal, mesmo que no fundo não fosse. Ela era a assistente social do bairro, uma mulher bem sucedida com ONGs e algumas lojas bem sucedidas, e ela tinha o prazer de cuidar disso no tempo que lhe sobrava.

E agora tinha Phill... não poderíamos não dar essa folga a ela.

— Não se preocupe, mamãe. – Jasper disse usando sua ótima lábia. – Iremos ficar bem, e queremos ir. – sorriu muito mais confiante do que a mim.

Sempre fui uma péssima mentirosa e se tentasse, ela ficaria ainda mais paranoica para que ficássemos.

Emmett retornou com nossas bebidas e rapidamente sorriu para ela e a abraçou girando no ar.

— Eu sentirei saudades. – ele disse sorrindo e expondo suas covinhas.

— Mandem um ‘oi’ para seu pai. – ela disse rindo. – E se comportem. – ela nos advertiu e pisco. – Matem alguns por mim.

Emmett sorriu e Jasper piscou. Eu apenas rolei os olhos, eu as vezes também odiava a minha vida não tão normal assim.

— Pode deixar. – eu afirmei segura dando um último abraço nela. Sentiria muitas saudades também.

— Verei você logo - ela insistiu baixo em meu ouvido. – Podem voltar pra casa quando quiserem. Virei assim que vocês precisarem.

Fingi um sorriso. Ela falava obrigada, mas eu não estava exatamente triste por isso.

— Não se preocupe conosco – eu pedi – Vai ser ótimo. Amo você, mãe. 

Ela nos abraçou fortemente e então entramos em nosso voo de quatro para Seatle.  Durante a espera para o voo até Port Angels vimos cerca de quatro a seis deles. Jasper sorria para todos de forma sombria, apenas para vermos os olhos com lentes deles brilharem em medo. Então quando finalmente pousamos em PA, Charlie estava fardado e esperando nos 3. O sorriso dele era incrivelmente brilhante, genuinamente feliz que nos iriamos morar com ele quase que permanentemente pela primeira vez. Parecia tanto Emmett quando possível. Mesmo sendo mais baixo que meu gêmeo.

Como o bom pai que ele sempre foi, já tinha matriculado a mim e a Emmett na escola municipal de Forks e feito todo o possível para que Jasper pegasse as aulas de biologia da escola. Claro, que precisou utilizar alguns pequenos contatos importantes da vida secreta de meu pai, mas nada que fosse muito comprometedor. Aceitar um trabalho de mestrado do professor da escola não era realmente algo grande. Ele garantiu que não iriamos precisar de transportes, já tinha reservado nossos carros. Nada que nos mostrasse, afinal éramos apenas os filhos do oficial de polícia de Forks. Pelo menos era o básico que os moradores sabiam.

— Bom ver vocês, meus meninos. - ele disse sorrindo e indo até nossas malas. Ele pegou as com os nossos brinquedos facilmente. – Vocês não mudaram em nada. Jasper você está a cara de sua mãe. – ele disse olhando orgulhoso para o filho mais velho.

Jasper parecia nossa mãe. Os olhos eram da cor dos dela, um verde misturado com um castanho. Seu rosto tinha os traços dela. E o cabelo era da mesma tonalidade, um castanho claro cortado na orelha e sem penteado. Ele era alto, magro e musculoso. Muito inteligente, tanto que era formado em biologia com vinte anos, mas parecia ter a minha idade.

— Ele parece mulher. – Emmett brincou e meu pai foi até ele dar um “abraço de macho”.

— E você toma esteroides. – eu ri. – Está treinando?

— Todos os dias. – Emm disse orgulhoso de si mesmo.

Ele pousou os olhos em mim e ficaram num tom de chocolate quente derretido.

— E a minha menina está cada dia mais linda. – afirmou e eu senti o sangue correr até minhas bochechas. – Que tal irmos?

Entramos no carro patrulha de papai, e Jasper pediu para dirigir e poupar nosso pai de ficar uma hora no volante. A nossa bagagem tinha ido uma semana antes, claro. Eram coisas pesadas e importantes demais para que transportássemos de forma civil. Emmett se empolgou com os botões da viatura, e então papai precisou repreende-lo para não mexer no rádio.

— Comprei carros para vocês. Um presente de boas-vindas. – papai disse meio sem graça e nós três sorrimos. – Jasper e seu amor por motos, então pedi que sua mãe mandasse a sua.

Pude notar que Jasper lambeu os lábios animado e eu rolei os olhos. Charlie, nosso pai, não ficava confortável ao expressar suas emoções em voz alta (eu herdei isso dele), então eu sabia que aquele gesto era o seu jeito de dizer que estava feliz em nos ver.

— Isso foi muito legal, pai, obrigada. Fico muito agradecida. – Sorri olhando para ele.

— É coroa, muito legal. – Emmett disse levemente sonolento.

 - Bem, então, de nada. - ele murmurou, envergonhado com o nosso agradecimento.

Ao som dos roncos de Emmett, meu pai e Jasper engajaram numa conversa sobre a organização e eu me pus a observar os arredores. Era lindo, claro, não podia negar isso. Forks é um planeta ET verde. Suspirei. Muito musgo, muita umidade.

Uma merda.

E eu só gostei quando chegamos na casa de nosso pai. A mansão Swan continuava a mesma de sempre. Dois andares, numa cor branca, o portão era o mesmo, mas agora era eletrônico, o que dizia que meu pai tinha posto para reformar. Quando estacionamos, Emmett foi o primeiro a ser agarrado por Dolores, a nossa baba de quando éramos bebes, uma senhora gentil e amorosa. Jasper logo foi o próximo alvo dos beijos e quando ela chegou em mim, sorriu amorosamente, como uma mãe que a tempos não vê seus filhos.

Nossos presentes estavam estacionados ao lado da viatura. A moto de Jasper estava ali, encostada, papai certamente tinha envidado para uma boa limpeza. O jipe, que obviamente era de Emmett, era vermelho grande, o de Jasper era um sedan que eu não conhecia o modelo, preto, discreto lindo e moderno. E por fim, eu soube que era a minha, uma caminhonete Chevy dos anos 50, totalmente restaurada. De um vermelho desbotado brilhante.

Era o típico carro que eu adorava, 100% americano, e era F.D.P, ou melhor, feito pra durar.  

— Uau, pai, adorei! Obrigada! – exclamei sorrindo e indo analisar de perto minha nova camionete.

— Fico feliz que você tenha gostado. - Charlie disse, envergonhado de novo.

Só precisou uma viagem para levar todas as nossas (novas) coisas para o andar de cima. Fiquei com o quarto que tinha a sacada para o grande quintal da frente. O quarto tinha mudado, mas ainda assim me era familiar, já que era meu desde o nascimento. O chão de madeira de lei, as paredes azul-claros, o teto branco com a borda em gesso, a cortina era nova, de algodão branco, indo do teto ao chão. Era um pouco nostálgico. As únicas mudanças que meu pai tinha feito eram simples, ao lado da minha cama de casal, tinha uma pequena escrivaninha já com meu notebook instalado e eu sabia que tinha acesso à rede wi fi da casa. O guarda-roupas estava reformado na mesma madeira do chão, e ia até o teto e ao lado dele, estava uma porta que eu sabia que era o banheiro.

Papai entrou, mas não estava prestando atenção. Eu sabia que minhas coisas já estavam aqui, mas onde?

— Eu fiz umas... mudanças. – me fez virar para ele. Papai me sorriu e foi em direção ao guarda-roupas com portas de correr.

Ele abriu uma delas, a parte onde ficava minhas coisas de higiene/beleza. O espelho era de um tamanho considerável, rodeado com prateleiras vazias e tinha um balcão de madeira que servia de apoio para os perfumes, mas foi quando meu pai apertou um pequeno botão que a mágica aconteceu, o espelho foi para trás, e a prateleira onde estavam os meus perfumes se abriu, os derrubando (Charlie fez uma careta de desculpas para mim, mas eu não estava ligando), e então uma plataforma subiu e ali estavam meus nenéns.

Gavetas se formaram do bloco de madeira que parecia apenas uma mesa para se maquiar, e lentamente elas foram se abrindo se dividindo entre as categorias: armas de fogo, armas brancas e então as espadas – minhas preferidas.

— Em baixo da sua cama, tem mais, nos baús, só abrem com a sua digital. – papai explicou. – Ainda está em treinamento, então só tem acesso a armas que lhe são autorizadas.

Eu assenti e sorri para ele. O bom de Charlie era que ele não ficava em cima, tentando te agradar. Um contraponto a minha mãe. Então não foi surpresa para mim quando ele saiu pela porta de meu quarto depois de me dar um beijo silencioso na testa, me deixando só para aproveitar um pouco da melancolia e absorver que amanhã eu começaria numa escola nova.

A Escola de Forks tinha o total de apenas trezentos e cinquenta e sete - agora cinquenta e nove - alunos. Só no meu ano, lá em Phoenix, havia mais de setecentos alunos. Isso já era entediante por si só, e só tornava-se pior quando eu analisava que todos se conheciam, todos tinham crescido juntos, adicionando ao fato de que era uma cidade pequena, resultava na conclusão eu e meus irmãos seriamos os novatos da cidade grande. Uma curiosidade, uma aberração.

Emmett se daria bem com a atenção, era o capitão do time de futebol de Phoenix, e seria o capitão do time precário de Forks. Jasper era levemente vaidoso, então gostava de ser o centro das atenções, mas eu... eu tinha pele branca apesar do sol constante, sem nem ter a desculpa de ter olhos azuis ou cabelos ruivos. Eu tinha um corpo atlético, mas não era atleta e preferia ficar quietinha com minhas músicas e livros.

Depois de checar se tudo estava ok, fui para o meu banheiro. Era simples, mas moderno, porcelanato branco com azulejos pretos. Eu gostava desse monocromático, o box era confortável, todo de vidro e a banheira era convidativa. Olhei para meu rosto no espelho enquanto penteava meu cabelo embaraçado e úmido. Talvez fosse a luz, mas eu já parecia mais pálida, pouco saudável. Minha pele poderia ser bela, mas tudo dependia da cor, e eu não tinha isso.

Eu tive que adimitri que estava um pouco temerosa com os novos ares, eu não lidava bem com pessoas no modo geral e me apegava com muita... dificuldade, era diferente de Emm, pois ele era explosivo e eu quieta, dois polos opostos, então me enturmar seria difícil nessa cidade melancólica e chuvosa. E amanhã seria só começo.

Não dormi bem naquela noite, mesmo depois de ter tomado um remédio para dor de cabeça. O barulho constante da chuva e do vento no telhado não saiam da minha mente. Dormi por exaustão quando o relógio marcava.

O que tínhamos pela manhã era uma cerração linda que te dava a sensação de estar numa prisão feita para uma longa sessão de tédio. Mas, levantei da cama e, sem muito entusiasmo, me arrumei rapidamente.

— Bom dia, querida irmã. – Jasper estava ao pé da escada com seu típico sorriso confiante e sua voz melodiosa. – Vejo que está animada.

— Na verdade, não. – rimos juntos. – Mas é o que temos pro agora.

Caminhamos até para a cozinha, onde um Emmett com cara de sono estava sentado a mesa, todo arrumado, tirando seu cabelo. Papai já tinha ido embora para trabalhar, mas deixou um bilhete na geladeira desejando boa sorte a todos nós. O café-da-manhã com meus irmãos foi um evento silencioso. Dolores nos desejou sorte na escola, saindo logo depois de nos servir para cuidar da casa. Eu agradeci, sabendo que as esperanças dela eram inúteis. Boa-sorte tinha a tendência de nos evitar, ainda mais quando se tinha 3 vampiros se passando por adolescente estudiosos na escola.

Quando estávamos sozinhos na cozinha americana de nossa casa, eu me pus a observar as fotos que eram, e fiz uma careta (que Jasper sabiamente percebeu) ao notar que eram todas nossas. Estavam coladas com imãs aos armários de aço inoxidável. A primeira era uma do casamento de Charlie e de nossa mãe em Las Vegas, uma deles três no hospital quando Jasper nasceu, e então mais uma com um Jasper banguela olhando para dois pacotes, uma maior (Emmett) e um menor (eu), e, em cima do armário, em quadros bonitos, uma procissão de fotos escolares nossas até o último ano – formatura de Jasper, ele ingressando na faculdade aos 15, o primeiro troféu de Emmett no campeonato estadual quando ele e eu tínhamos sete, seu dente estava torto e seu nariz sangrava. As fotos seguiam pela sala, como um bom pai orgulhoso quer era (pescaria com Jasper, futebol na clareira com Emmett e uma na praia de La Push comigo). Uma foto com mamãe na última reunião do conselho e da graduação dos Bronze).

— Papai não... esqueceu mamãe. – meu irmão mais velho disse um pouco desconfortável, ajeitando seu grosso suéter azul que realçava seus olhos.

Era impossível, mesmo depois das reformas que com certeza aconteceram, não concordar com ele. Charlie nunca tinha superado nossa mãe.

— Vamos? – Emmett perfurou o silêncio estranho que tinha se instalado. – O coroa disse que temos vampiros na escola...

— Ah, sim. – eu resmunguei tomando mais da minha xicara de leite com chocolate. – Três deles, e mais dois na cidade. Fingem que são uma família, o patriarca do clã é médico e a esposa é... o que mesmo, Jazz?

— Dona de uma boutique de roupas. – explicou. – Eu li nos arquivos, são inofensivos, e nossos batedores suspeitam que alguns tenham poderes.

Emmett sorriu como uma criança.

— Iremos mata-los.

— Não, não iremos. – Jasper riu. – Só caçamos quem nos trás problemas, esses? Nunca tivemos problemas com os Cullens, muito civilizados. Papai disse que é até amigo do médico.

— Um vampiro médico... – eu ri. – Isso é tão... irônico.

— Sim, mas, devemos ir, minha querida irmã. – Jazz se levantou fechando o jornal que lia sem muito interesse. – Eles são vegetarianos, Emm, por isso não há mortes por aqui.

Vesti meu casaco – grande e volumoso, como uma daquelas roupas de apicultor – e sai para a chuva, com Jazz e Emm ao meu enlaço. Ainda chuviscava, mas não o suficiente para me molhar muito enquanto andávamos para nossos carros (por decisão de sermos... discretos, iramos no meu). O barulho das minhas novas botas à prova d'água era irritante. Sentia falta do barulho normal de cimento quando caminhava. Não pude parar para admirar minha nova caminhonete como queria. Emmett estava insistindo em irmos logo para tocar o terror na escola. Dentro da caminhonete estava seco e bom graças ao couro que tinha sido reformado.

— Papai sempre te mima, Bella. – Emmett resmungou.

— Ele te deu um jipe. – ri e apontei.

— Sim, mas o seu carro é um clássico, deve ter custado uma pequena fortuna para reformar essa chevy.

— Deixe ele mimar a única menina, Emmett, nós temos os carros modernos. – eu rolei os olhos enquanto entrava na cabine.

Meus irmãos me seguiram, com o brutamontes do meu gêmeo atrás, mas logo vi seu braço alcançar o rádio multimídia que estava instalado para então dar o play.

Músicas pré-programadas? Jasper.

E eu nem precisei perguntar, quando meu irmão viu meu olhar ele sorriu como se desculpasse e deu os ombros. Liguei, manobrei, e fui para a pequena estrada de carros até o portão que dava de saída para a propriedade.

Achar a escola não foi difícil, Jasper me indicava todoo caminho. Ele tinha vindo para cá se ajeitar nas férias: transferência, entrevistas, e coisas para formalidades. Não era obviamente uma escola, foi o painel, onde dizia "Escola de Forks". Parecia uma coleção de casas geminadas, construídas com tijolos marrons. Havia tantas árvores e moitas que não pude perceber seu tamanho logo no início.

— Onde está a aparência de lugar público? – Emmett perguntou distraidamente. – Onde estão as cercas e os detectores de metais? – rimos de sua pequena palhaçada. Ele estava tão incomodado com esse ovo quanto eu.

— Estacione em frente ao primeiro prédio, Bells. – Jazz orientou. Era o prédio onde havia uma pequena placa que dizia "secretaria". Estacionei na placa com o nome de meu irmão.

Saímos da caminhonete quentinha e fomos por um caminho de pedra circundado por uma sebe escura. Jasper segurou a porta para entrarmos. Lá dentro estava bem iluminado e bem mais quente do que imaginava. A secretaria era pequena, com uma pequena sala de espera com cadeiras dobráveis, carpete laranja, avisos e prêmios abarrotados pelas paredes e um grande e ruidoso relógio. A sala era partida ao meio por um grande balcão, cheia de cestas de arame repletas de papéis e anúncios coloridos colados na parte da frente. Havia três mesas atrás do balcão, uma delas ocupada por uma mulher ruiva e grande, usando óculos. Ela vestia uma camiseta roxa, que imediatamente me fez sentir com roupas demais. A ruiva olhou para Jasper enquanto Emmett ia para a prateleira de troféus.

— Posso ajudá-la?

— Sou Jasper Swan, e esses são meus irmãos, Isabella e Emmett Swan. – eu ri do quando o rosto da mulher enrubesceu com a voz melódica de meu irmão e então seus olhos demonstrarem reconhecimento imediato.

Éramos esperados, para o meu completo desgosto. Seriamos tópico de fofocas, com certeza. Os filhos da ex-mulher do chefe de polícia finalmente retornam à casa.

— Claro, professor Swan. - ela disse, um pouco surpresa. Jasper sorriu galante. Ela percorreu uma pilha precária de documento em sua mesa até achar os que procuravas, depois de retribuir os galanteios de meu irmão . – Os horários de seus irmãos e o seu, e um mapa da escola. - Ela trouxe várias folhas até o balcão para mostrar a Jasper, eu apenas fiquei ouvindo atentamente, e mesmo não parecendo, Emmett estava atento a tudo.

Quando ela olhou para mim, disse todas as aulas e então chamou Emmett e fez o mesmo com ele, nos mostrou no mapa a melhor maneira de chegar até as salas, e nos deu um papel para que todos os professores assinassem, que deveríamos trazer de volta no fim do dia. Ela sorriu para mim e para Emmett e nos desejou, como Charlie, que eu gostássemos de Forks. Sorri de volta da maneira mais convincente possível.

— Tenho que ir a sala dos professores. – Jasper nos disse na porta. – Preciso conhecer a escola, mas encontro vocês na aula e no refeitório.

— Pode lanchar conosco? – Emmett sorriu arteiro.

— Sim, pelo menos ninguém disse que eu tinha tarefas na hora do lanche. – ele piscou e fechou a porta da secretária na nossa cara.

— Quanta educação. – eu resmunguei ironicamente ouvindo a risada de meu gêmeo.

Quando chegamos de volta na caminhonete, outros alunos começavam a chegar. Fui atrás do tráfego, contornando a escola. Fiquei feliz ao ver que a maior parte dos carros eram velhos como o meu, nada muito chique, porém não eram reformados. Em Phoenix morávamos num dos muitos bairros de classe alta que estavam incluídos no Distrito Paradise Valley. Era comum ver um Mercedes ou Porsche novo no estacionamento dos alunos. O carro mais legal aqui era um brilhante Volvo, que se sobressaia.

— Qual sua primeira aula? – Emmett me perguntou assim que saímos da caminhonete.

— Literatura, e a sua?

— Matemática. – fez uma careta.

Olhei para o mapa, o memorizando agora, para que não fosse precisar andar com ele colado no nariz o dia todo e então o cedi para Emm, para que ele fizesse o mesmo. Enfiei tudo dentro da mochila, coloquei a alça sobre o ombro e respirei bem fundo. Eu e meu irmão trocamos olhares confiantes. Ninguém ia me morder... a não ser os 3 vampiros. Ergui o queixo e ajustei minha postura, Emm, como sempre, tomou minha mochila de mim, e me segurou pela mão.

Eu quase o bati se os rostos olhando para nós não fossem tão... mortificados e divertidos. Eles eram de uma cidade pequena, eu entendia, mas assim como quase todos os irmãos gêmeos do mundo, eu e o grandão tínhamos uma relação muito próxima, graças ao nosso trabalho, as vezes sentíamos a dor um do outro. Trocávamos selinhos inocentes, que nem as namoradas de Emm ou os meus ligavam. Mas para um lugar como Forks, isso era mal visto.

Assim que chegamos no refeitório era fácil de ver o prédio três. Um grande "3" estava pintado num quadrado branco no casto leste do prédio.

— Bloco 3 o seu? – ele me perguntou dando a minha mochila.

— Sim, e o seu?

— Quatro. – fez uma careta e então sorriu mostrando suas covinhas. – Tchau maninha. - trocamos um selinho com olhares sobre nós e ele foi confortavelmente para a sua sala.

Eu não liguei para os olhares assim que entrei na pequena sala de aula. Ouvi alguns cochichos, e isso me fez rir. Segui duas pessoas com as mesmas capas de chuvas que eu. As pessoas na minha frente pararam assim que entraram na sala para pendurar seus casacos numa longa fileira de ganchos. Fiz o mesmo. Eram duas garotas. Uma loira com pele de porcelana, outra, também com a pele clara, tinha cabelos castanho claro.

Levei o papel para o professor, um homem alto e calvo. Sua mesa tinha uma placa que o identificava como Sr. Mason. Ele ficou me olhando assim que leu meu nome, o que me fez sorrir amigavelmente. Ele não pediu para que eu me apresentasse, o que foi gentil de sua parte, mas me mandou sentar numa mesa vazia no fundo da sala. Era mais difícil para meus colegas ficarem me encarando enquanto eu estava no fundo da sala, mas de alguma forma eles conseguiam. Fixei meu olhar na lista de leitura que o professor tinha me dado. Era bem básica: Brontë, Shakespeare, Chaucer, Faulkner. Já tinha lido todos. Isso era reconfortante... e chato. Jasper tinha trazido minha pasta com trabalhos antigos?

Ele é um professor, Bella, óbvio que não.

Quando bateu o sinal, um garoto meio desajeitado, alto, com problemas de pele e cabelo preto como carvão se encostou no batente da porta para falar comigo.

— Você é Isabella Swan, não é? – ele fazia o típico garoto nerd do clube de xadrez que sempre era muito prestativo.

— Bella – corrigi. Todo mundo em volta se virou para me olhar, santo Deus.

— Onde é sua próxima aula – ele perguntou. Sim, muito prestativo.

— Hm, Governo, com o professor Jefferson, no prédio seis. – Não havia para onde olhar sem encontrar olhos curiosos.

— Estou indo para o prédio quatro, posso te mostrar o caminho... – eu sorri amigavelmente. – Sou Eric. - Ele adicionou.

— Obrigada.

Pegamos nossos casacos e saímos para a chuva, que tinha ficado mais forte. Eu sabia que aconteceria, mas as pessoas nas nossas costas estavam ali só para ouvir a conversa, o que me fez rir internamente.

— Então, aqui é bem diferente de Phoenix, hein? – ele perguntou.

— Muito.

— Não chove muito lá, não é?

— Três ou quatro vezes por ano.

— Uau, como será que é isso? – ele ficou imaginando.

— Ensolarado. – eu lhe disse tentando não rir dele.

— Você não parece bronzeada.

— Minha mãe é parte albina.

Ele analisou meu rosto com apreensão e eu suspirei. Prestativo lerdo. Alguns meses disso aqui e eu esqueceria como se usa sarcasmo. Andamos de volta ao redor do refeitório, em direção aos prédios que ficavam no sul, ao lado do ginásio. Eric me levou até a porta, apesar de estar bem claro que aquele era o prédio.

— Bem, boa sorte. – Ele disse enquanto eu alcançava a maçaneta. – Talvez tenhamos outras aulas juntos. – Ele soava esperançoso. Sorri vagamente para ele e entrei.

O resto da manhã passou dessa forma, entediante.

Meu professor de trigonometria, o Sr. Varner, a quem eu detestaria de qualquer forma por causa da matéria que ensinava, foi o único que me fez ficar na frente da turma e me apresentar, o que contou muitos pontos para ser o professor que eu odiaria. Depois de duas aulas, comecei a reconhecer muitos dos rostos em cada uma delas. Sempre havia aqueles que eram mais corajosos e vinham se apresentar e me perguntar se estava gostando de Forks. Tentei ser diplomática, mas o que mais fiz foi mentir bastante. Uma garota sentou do meu lado em ambas Trigonometria e Espanhol, e foi comigo até o refeitório na hora do almoço.

Ela era bem baixinha, com vários centímetros do que os meus 1,65m, mas o cabelo escuro e encaracolado ajudava a balancear nossa diferença de alturas. Seu nome era Jessica, mas eu não estava ligando muito para o que ela falava, então eu sorria e balançava a cabeça enquanto ela discorria sobre os professores e sobre as aulas. Não tentei acompanhar a conversa.

Sentamos no final de uma mesa cheia dos amigos dela, os quais ela me apresentou. Mike, Taylor, Ângela, Lauren... e mais alguns que não consegui guardar os nomes. O garoto do Inglês, Eric, acenou para mim do outro lado do refeitório. E eu olhei a cabeça de Emmett apontar na fila da cantina.

Foi ali, sentada no refeitório, tentando conversar com vários estranhos curiosos, que eu os vi pela primeira vez. Eles estavam sentados num canto do refeitório, o mais longe possível de onde eu estava. Eram três.

Três vampiros.

POV Edward

Essa era a hora do dia em que eu desejava poder dormir.

Segundo grau era de fato um purgatório eterno para mim. Eu tinha que barganhar com Deus, quando eu me fosse, para que o tempo gasto nessa tediosa rotina contasse como pontos positivos. Tédio não era uma coisa com a qual eu me acostumei; cada dia parecia mais impossivelmente monótono do que o último.

Eu não estava num dia particularmente bom, mesmo que hoje essa rotina fosse mudar. Eu olhei para as rachaduras no gesso no canto mais distante do refeitório, imaginando padrões por dentro deles que não estavam lá. Essa era a única forma de desconectar as vozes que tagarelavam como o jorro de um rio dentro da minha cabeça.

Alice me tirou de minha distração. Os novos alunos.

Eu estava tentando evitar minha irmã ultimamente. Alice via o futuro e sabia que não ficaria sozinha. Porém a visão desse... pretendente sempre era borrada, sem foco. Até ontem à noite, quando ela estava mexendo no meu piano de forma despreocupada, e então aconteceu. Seus olhos desfocaram, e ela olhava para o nada, minha cabeça foi preenchida pela imagem de um quarto, com instrumentos variados pendurado as paredes, Alice estava deitada numa cama de casal, e um homem, mais alto que ela, com o corpo atlético estava pegando violão.

Ele sentava ao lado dela e tocava uma música que eu conhecia bem: Bohemian Rhapsody. O rosto estava nítido. Seria o homem que Alice já amava e nunca tinha se quer visto o rosto? Eu não sabia, mas foi o suficiente pra ela ficar forçando seu dom para vê-lo de novo.

Alice já o AMAVA sem nunca se quer ter o visto.

Várias centenas de vozes (que eu ignorava por pura chateação) me trouxeram de volta para minha triste realidade. Hoje, todos os pensamentos estavam sendo consumidos com o drama comum de duas adições ao pequeno corpo estudantil daqui. Não levou muito tempo para ouvir todos eles. Eu havia visto os rostos se repetindo em pensamento após pensamento sob todos os ângulos. Só uma garota e um garoto normais. A excitação pela chegada deles era cansativamente previsível – como dois brinquedos brilhante para uma criança. Metade do corpo estudantil masculino já estava se imaginando apaixonado por ela e isso se seguiu com a metade feminina. A outra metade estava tendo orgasmos com o novo professor de Biologia.

Mas hoje eu tinha uma nova voz no refeitório. E foi uma suave canção para me tirar do tédio.

Eu quero fritas... hummm... esse chesseburger está com uma cara boa. Jasper disse que viria comer conosco, será que conto que vi duas vampiras?

Eu demorei para processar o que essa voz tinha dito. Meus olhos se arregalaram rapidamente e meu corpo ficou rígido. Alice me olhou franzindo o cenho, e Rosalie saiu de seu celular para me olhar. Eu estava sem palavras, olhando para o nada, focando especialmente nessa voz.

Oh, ela está ali, a loira vampira. Se não fosse um monstro, eu faria de tudo para ter ela em minha cama... E então ele imaginou como seria uma rodada de desejo carnal com Rosalie... no fim ela o mordia. Provavelmente eu seria morto em segundos.

Olhei para minha irmã... quem era esse cara? Virei meu corpo até encontrar um rapaz de 17 anos, ele parecia um armário de tão alto e com músculos fortes. Um brinco de prata estava numa de suas orelhas, e ele sorria para dois garotos que eu não conhecia. Estava com a jaqueta do time de Forks, o que me dizia que era do time de futebol. Eu não sei porquanto tempo olhei, mas me vi olhando para seus olhos castanhos chocolate.

Será que ele é que tem o dom de ler mentes? Talvez... ei, vampiro, pisque se tiver me ouvindo.

E mecanicamente eu fiz.

Uou, isso é legal. Sou um caçador... Aprendiz, mas caçador.

E então sua mente vagueou pelas lembranças: a primeira morte de um vampiro por suas mãos, o treino de um caçador. E eu rapidamente estremeci. Eles realmente matavam os vampiros.

— Edward? – ouvi Alice rapidamente. – O que está acontecendo?

— Um caçador, provavelmente o que Carlise disse que viria para Forks. – falei rápido demais para um humano processar. Eu estava concentrado nos seus passos, que pararam.

Hum... ele deve ter sido pego lendo minha mente. Pai disse que os vampiros são como... irmãos, desculpe, sr. Vampiro, mas sua irmã é uma coisa de perder a linha.

Meu santo Deus.

Eu tenho que contar para a Bella.

Alice me olhou mortificada. Estudantes? Assenti brevemente.

— Caçadores? – Alice perguntou um pouco alarmada. – Eles são caçadores?

— Sim. – disse um pouco travado. – Mas nós estamos protegidos. – disse sem muita convicção. – O brutamontes ali... – acenei com os olhos e Alice rapidamente virou seus olhos, Rosalie estava em silêncio, olhou pelo canto do olho. – Parece ser o filho do Chefe Swan, que já declarou nossa família como inofensiva.

Então ele é mesmo um caçador... Sua mente foi para a aula de matemática onde o adolescente sentou-se ao lado dela. O cheiro rapidamente perfurou suas narinas, e o desejo de sangue quase lhe tomou conta. Mas ela piscou e o olhou por uma fração de segundos. E o caçador estava com os olhos nela, sorriu. “Você é muita linda pra ser uma vampira” foram suas palavras.

Em nosso mundo, fazia sentido haver regras, mas antes dos caçadores, massacres de vampiros eram muito frequentes. Carlise disse que eles surgiram do nada – humanos com habilidades suficientes para nos matar. Alguns diziam que eram seres mandados por Deus, outros que eram como nós, mas mortais, o que eu não duvidava. Afinal nós éramos monstros certo? Criados para o mal, fazia sentido, se existisse um Deus (como eu acreditava que existia), criar algo para proteger seus humanos.

Eu pensei que essa seria a única emoção do dia, mas eu estava errado. O refeitório logo ficou alvoroçado com a entrada do  novo professor de biologia. Alice olhava para a janela distraidamente, tentando verificar o futuro com terna paciência e descobrir quem era seu guitarrista loiro.

Ele é tão charmoso... ouvi um resmungar erótico vindo da mente de Lauren alguma coisa...

— Ah, não... – praguejei quando vi o rosto do professor de biologia novo. Olhei rapidamente para Alice, que virou o rosto em câmera lenta bem no momento em que esse professor – que pensava numa das músicas de Chopin – passou por nossas mesas.

Alice travou. Merda. É ELE. Sua mente eufórica gritou. O sorriso que se estampou em sua face era quase que infantil. Até mesmo Rosalie questionou com os olhos a mudança em nossa irmã.

— Bells, Emm. – ouvi ele dizer e até mesmo as alunas. – Garotas... Posso roubar meus irmãos, por gentileza?

Seria risível, se não fosse extremamente trágico. Emmett era caçador, logo Isabela Swan também... e o professor disse "irmãos". Vasculhei sua mente, pois Alice estava em pânico, o sorriso eufórico tinha sumido de seu rosto. Um caçador? Mas a mente daquele homem estava na música Something Just Like This, como se quisesse tocar ela agora mesmo.

O caçador mais velho trocou poucas palavras com os dois irmãos. Algo sobre o pai não voltar hoje à noite para casa, e saiu, eu virei rapidamente o rosto para o lado da janela. Mas eu sabia que quando se dirigia para a saída, seus olhos se pousaram em nos.

Eu podia ver que ele demorou mais em Alice, e ofereceu um sorriso amigável, mas perigoso. Tudo isso em frações de segundos.

Os vampiros nos reconheceram. Intrigante. Aquela baixinha me olhou como se me conhecesse...

— O caçador sabe que sabemos deles. – Rosalie afirmou. – O que houve, Alice?

Alice estava rígida. E eu me senti compadecido. Ela tinha tantas expectativas para essa visão e esse homem, mas não esperava que ele fosse um caçador de vampiros. Era uma versão bizarra de Romeu e Julieta, mas ainda assim dramática. Tomei sua mão rapidamente e ela me olhou com sorriso fraco.

Eu...

— Ele é o homem das visões dela? – Rosalie perguntou baixo e eu assenti. – Merda.

Edward Cullen. Reação por reflexo. Eu me virei com o som do meu nome sendo chamado, apesar de ele não estar sendo chamado, só pensado.

Meus olhos se prenderam por uma pequena fração de segundo com um grande par de olhos humanos, cor de chocolate num rosto pálido, com formato de coração. Eu já conhecia o rosto, apesar de nunca tê-lo visto até esse momento. Ele esteve em quase todas as cabeças humanas hoje. A nova estudante, Isabella Swan. Filha do chefe de polícia da cidade (que para mim era o comandante de Ordem da Rosa Sangrenta, a Ordem dos Caçadores), trazida para viver aqui por uma nova situação de custódia e era, também, uma caçadora. Bella. Ela corrigia todo mundo que usava o seu nome inteiro... Eu desviei o olhar, enfadado. Eu levei um segundo para me dar conta de que não fora ela quem pensou no meu nome.

É claro que ela já está se apaixonando pelos Cullen, eu ouvi o primeiro pensamento continuar. Agora eu reconhecia a "voz". Jéssica Stanley (era uma menina irritante). Foi um alívio quando ela se curou da sua paixão por mim. Era quase impossível escapar dos seus constantes e ridículos sonhos diurnos. Eu desejei, naquele tempo, poder explicar exatamente o que teria acontecido seu os meus lábios, e os dentes atrás deles, chegassem a algum lugar perto dela. Isso teria silenciado aquelas fantasias incômodas. O pensamento da reação dela quase me fez sorrir.

Grande bem que vai fazer para ela, Jessica continuou. Ela não é nem bonita. Eu não sei por que Eric está olhando tanto pra ela... Ou Mike. Ela suspirou mentalmente no último nome. A nova paixão dela, o capitão do time fraco de Forks High School, Mike Newton, era completamente inconsciente dela.

Aparentemente, ele não era tão inconsciente sobre a garota nova, mas ele mal sabia o que ela era. Ele a via como uma nova e tocante novidade, mas eu sabia que, por de trás daqueles olhos curiosos e desafiadores, ela poderia matar Mike Newton de um jeito fácil.

Hoje todos estão olhando pra mim também, Jessica mentiu para si mesma. É uma sorte que Bella tenha duas aulas comigo... Eu aposto que Mike vai perguntar o que ela... Eu tentei bloquear a tagarela antes que a mesquinharia e a insignificância me deixassem louco.

— Jessica Stanley está falando de nós para a caçadora. – eu disse brevemente para Rosalie e Alice. – Nenhuma fofoca até agora.

E ela? O que essa caçadora está pensando de nós? O que os caçadores estão pensando de nós? Perguntou Rosalie e eu tentei escutar o que essa nova garota, Bella, estava pensando das histórias de Jéssica. O que ela via quando olhava para a estranha família com peles pálidas que era universalmente evitada?

Era meio que a minha obrigação saber a reação de todos. Eu agia como um espião, por falta de uma palavra melhor, para a minha família. Para nos proteger. Se alguém começasse a suspeitar, eu podia nos dar a chance de ter um aviso prévio para nos retirarmos facilmente. Com eles seria diferente. Eles sabiam o que nós éramos. Eles nos caçavam quando quebrávamos as regras estabelecidas com todos os vampiros. Era um dever eu saber o que eles pensavam de nós, para que pudéssemos nos preparar caso eles fossem nos atacar.

Eu não ouvi nada, apesar de ouvir onde a tagarelice frívola de Jessica continuava jorrando ali perto. Era como se não houvesse ninguém sentado ao lado dela. Que peculiar, será que a caçadora tinha ido embora? Não parecia provável, já que Jessica continuava fofocando com ela. Eu olhei pra cima para checar, me sentindo meio desequilibrado. De novo, os meus olhos se prenderam naqueles mesmos grandes olhos marrons, que estavam curiosos, eu observei como um vouyer sua sobrancelha negra se arquear.

Olhei para Alice, que me encarava com expectativa. O que eu diria? Que ela não tinha pensamentos? Seria algum poder de caçador? Mas Carlise disse que as habilidades deles eram mais físicas... olhei novamente.

Ela estava sentada lá exatamente como antes, olhando pra nós, uma coisa natural a se fazer, pois além de ter uma tagarela ao lado falando sobre nós (a velha história que eu e Alice éramos gêmeos adotados por Carlise e que Rose era uma órfã que o casal Cullen tinha herdado dos falecidos irmãos), ela era uma caçadora, uma aprendiza muito provavelmente, então seria normal ela pensar em nós.

Averiguei seu irmão, ele estava observando nossa troca de olhares com profunda curiosidade.

Fique longe dela, sanguessuga, eu lhe corto a cabeça. Não me preocupei com sua ameaça. Eu não ouvia nem um sussurro vindo daquela caçadora, e isso sim era preocupante. Um sorriso minúsculo enfeitou sua boca, os olhos brilhando em desafio. Ela parecia... satisfeita... com a minha curiosidade.  Eu senti um momento de incomodo. Isso não era uma coisa pela qual eu já tinha passado antes. Havia algo errado comigo? Eu me sentia exatamente do jeito que me sentia sempre. Preocupado, eu tentei escutar mais.

Eu abri minha mente para as vozes que tanto me chateavam e elas explodiram como se eu tivesse em algum show de rock. ...me pergunto de que música ela gosta... Talvez eu possa mencionar aquele CD novo..., Mike Newton estava pensando, a duas mesas de distância - fixado em Bella Swan.

Olha ele olhando pra ela. Será que já não é suficiente que ele tenha metade das garotas da escola esperando que ele? Eric Yorkie pensou e eu poderia rir, ele não entendia que eu não achava bom suas amigas humanas me olhando como um pedaço de carne. ...tão nojento. Daria pra pensar que ela é famosa ou alguma coisa assim... Até Edward CULLEN está olhando... Lauren Mallory não me surpreendeu... como sempre fútil e ignorante. E Jessica, ostentando a sua nova melhor amiga. Que piada..., a garota continuou soltando veneno com os pensamentosMulheres eram... estranhas. ...Eu aposto que todo mundo já deve ter perguntado isso a ela. Mas eu gostaria de falar com ela. Eu vou pensar em uma pergunta mais original..., Ashley Dowling meditou. ...Talvez ela esteja comigo em Espanhol..., June Richardson esperou.

...Toneladas de coisas para fazer essa noite! Trigonometria e o teste de inglês. Eu espero que a minha mãe... Angela Weber, uma garota tímida, cujos pensamentos eram anormalmente gentis, era a única na mesa que não estava obcecada com a caçadora, o que era a minha gota de esperança para essas pessoas de pensamento pequeno, mas o importante era que: eu os ouvia, como se eles estivessem falando comigo a 30 centímetros de distância, porém, ao focar minha atenção nela, era como se ela não estivesse ali realmente.

— Quem é o garoto de cabelo avermelhado? – eu também ouvia sua voz perfeitamente, o tom era calmo, e curioso.

— Aquele é Edward. Ele é deslumbrante, é claro, mas não perca o seu tempo. Ele não namora. Aparentemente nenhuma das garotas daqui é bonita o suficiente pra ele. - Ela fungou. Eu virei minha cabeça para esconder um sorriso.

Ah, se ela soubesse a sorte que tinha por eu não estar atraído por ela.

— E a loira? – prestei mais atenção no brutamontes. Eu já beijei vampiras antes...

Olhei para Rosalie rapidamente e ela estava olhando em direção ao brutamontes repentinamente curiosa.

— Rosalie Hale. – Jessica sorriu para o garoto, que retribuiu com a mesma malicia.

Ela não é bonita, mas os irmãos... meu Deus... Jessica estava levemente interessada em Emmett Swan, e ele seguia com os fletes, se divertindo mentalmente.

— Eles são excluídos assim? – Isabela interrompeu a troca nojenta de olhares.

— Deixe eles serem antissociais, Bells. – o irmão sorriu, rindo escandalosamente em pensamentos.

Deve ser uma bosta vir pro ensino médio durante anos, Deus é mais.

Nisso nós podíamos concordar. Ri baixo.

— Edward, eles são uma ameaça? – Alice perguntou um pouco incomodada.

— Não, não são, eles estão curiosos... – eu afirmei baixo, não querendo dizer para eles a verdade. – Ela se chama Isabella e ele Emmett... o professor novo de biologia é Jasper.

Olhei novamente para eles. Mesmo rindo entre si, Isabella estava um tanto quanto incomodada por ser o centro das atenções, o que era compreensivo. Eu podia sentir a sua timidez por debaixo de seu sarcasmo, eu podia notar que ela apertava os braços bem tonificados pelos treinos em sinal de nervosismo, como se quisesse sair dali. E, mesmo assim, eu só podia sentir, só podia ver, só podia imaginar. Não havia nada além de silêncio vindo dessa caçadora humana muito normal.

Eu não conseguia ouvir nada. Por quê?

— Vamos? – Rosalie chamou, interrompendo minha concentração.

Nós nos levantamos da mesa e saímos do refeitório. Rosalie estava fingindo estar no último ano; e ela foi para as aulas dela. Eu e Alice estávamos fingindo ser mais novos do que ela. Fomos, eu e ela para a nossa aula de Biologia do nível médio, preparando a minha mente para o tédio. É a aula dele. Eu ouvi a mente de Alice correr pelo futuro (e de repente lembrei que a aula não seria tão tediosa assim). Nada mudando: ela ainda estava na cama do, agora, caçador. Edward, como está a mente dele? Eu corri rapidamente pelas vozes antes de chegar na aula, e a dele era peculiar.

Agora ela tinha o som de uma das músicas do Coldplay. Hm... Alice e Edward Cullen, interessante. Os olhos deles não são vermelhos porém... será que é por conta da dieta?

— Ele está, assim como os irmãos, curioso sobre nós... – eu disse rapidamente, tendo a certeza que nenhum humano ouvia naquela frequência. – Nada perigoso.

Na sala de aula, eu e Alice nos sentamos e nos preparamos para a aula os nossos livros jogados na mesa – adereços de novo; eles não continham nada que eu já não soubesse. Mas, pela primeira vez, eu estava ansioso com uma aula. A sala foi se enchendo lentamente enquanto os humanos voltavam do almoço. Eu me inclinei na minha cadeira e esperei o tempo passar.

Me diverti com Alice nervosa (ela estava arrumando seus livros e seus dedos batiam na mesa de forma impaciente).

— Você vai acabar quebrando a mesa, Ali. – eu disse carinhosamente.

Edward... um caçador? Eu já o amo!

Bem, isso era muito, mas muito ruim. Ri baixinho e ela me deu um pisão por de baixo da carteira.

Como eu estava me lembrando dos caçadores, quando a mente musical de Jasper ficou um pouco mais clara, eu virei meus olhos para a porta. Alice o fez também, acompanhando cada centímetro de seus passos. Ele abriu a porta para a irmã e Angela Weber, com um sorriso gentil estampado.

Ali estão... Isso vai ser interessante.

Acompanhado aos suspiros femininos de quase todos da sala. Inclusive Alice. Santo Deus eu queria rir disso.

Isso! Mike Newton se virou em sua cadeira para observar a entrada da garota. Ainda, do lugar onde Bella estava, nada. O espaço vazio onde os pensamentos dela deveriam estar me tirou do meu bom humor.

Ela se aproximou, passando pelo corredor ao meu lado para chegar à mesa do professor, irmão, que se virou para anotar seu nome em uma letra bem escrita no quadro branco. Bella estava avaliando suas cadeiras, e seu rosto quase se retorceu quando notou que o único local vago naquela sala era ao lado de Newton.

Quase tenho dó, ele vai tentar canta-la pela próxima aula. Ecoei os pensamentos de Alice.

As coisas aconteceram rápido demais para eu se quer tentar entender. Alice colocou a mão na minha coxa assim que Bella Swan passou pelo fluxo de ar do aquecedor, fazendo com que o cheiro dela viesse em minha direção. E ele me atingiu como um soco. Não há nenhuma imagem violenta o suficiente para encapsular a força do que aconteceu comigo naquele momento. Eu tirei a máscara que eu tentava colocar sobre meu rosto, assumindo meu papel como o predador que eu, de fato, era.

Bella Swan era a minha presa. Eu podia imaginar indo até ela, mordendo seu pescoço na frente de seu irmão, não precisava de Alice para ver a imagem do futuro: ele se quer me deixaria terminar, mas isso não me impediria de tentar. Ela lutaria, obviamente, e a sala se tornaria um banho de sangue. Eu era um vampiro e ela era o sangue mais doce que eu havia cheirado em oitenta anos. Eu podia me ver degustando de seu pescoço como um viciado em álcool.

EDWARD! Ouvi ao longe a mente de Alice gritando em puro terror.

Ela via tão claro quanto eu que seu amado me mataria. Mas a sede queimou a minha garganta como fogo. Minha boca estava torrada e desidratada. Se eu pudesse, estaria salivando. Tudo andava em câmera lenta, meu corpo se preparava para ataca-la.

Tente, Cullen e eu lhe mato.

Essa foi a minha distração. Jasper Sawn me observava com os olhos mais frios que eu já tinha visto. As unhas de Alice encravadas em minha coxa se materializavam. O monstro em mim rugia enquanto Isabella passava e se sentava atrás de mim, na cadeira de Mike Newton. Quando seu cheiro parou de impregnar o ar, eu podia ver as algemas sendo colocadas em seus punhos.

— Bom dia, alunos. – a voz de Jasper não transparecia nada além de uma gentileza. Mas seus pensamentos eram ferozes.

Nós somos doces para eles. Mas essa reação... Bella é a cantante dele, merda, se ele vir nossa trégua com esse clã irá por água abaixo... Jasper já pensava em meios de me caçar.

Edward! Respire. O cheiro dela não está mais no nosso ar. Alice ordenou, e eu o fiz, e isso aliviou um pouco a minha dor.

— Continue me apertando. – eu disse rapidamente. A dor ajudava a minha mente a se manter sã.

A dor de suas mãos quase arrancando o musculo de minha coxa eram o que estavam me deixando são.

Eu podia ouvir Mike Newton começar seu interrogatório de perguntas a ela. E ouvi sua voz gentil responder todas as coisas triviais que aquele humano superficial perguntava. Por um breve momento eu me perguntei como ele conseguia suas conquistas femininas dessa forma.

— Sou Jasper Swan. – o caçador disse, ainda mantendo o sorriso diplomático. – E serei seu novo professor de Biologia.

Ele não vai atacar. Agora pelo menos. Papai estava certo, eles... lutam contra sua natureza, mas até quando.

Ele não entendia que essa batalha eu tinha perdido. Eu sabia que o monstro iria me tentar com a visão de Bella perto de mim, com meus lábios em sua jugular, drenando-a. O cheiro ainda estava estampado na minha cabeça, mesmo com todo o ar entrando e saindo de meus pulmões, limpando meu sistema de seu cheiro saboroso, eu ainda conseguia sentir meu estomago, uma miragem da sede, implorando para ser satisfeito.

— Sou sua cantante. – eu arregalei os olhos ao ouvir sua voz, baixa e clara.

E eu sabia que era pra mim, pois Mike não notou o que ela disse.

— Você não me atacou. – disse de novo naquele tom baixo.

Alice me olhava inquisidora. Cantante?

Eu lembro de quando ouvi o termo. Carlise explicava para mim o que eram os Volturi, e ele disse que esse termo era usado para descrever o que Bella causava. O sangue dela cantava para mim. Ri baixo e sem humor. Então, o que ela faria? E como demônios ela tinha percebido? Talvez fosse meu olhar assassino.

— Saia depois de mim. Eu irei ficar longe das correntes de ar. – Alice me olhava assustada.

Eu também estava. O monstro não gostou disso porém, ele ansiava por sentir novamente o seu cheiro, como um viciado. Mas aquilo serviu para que eu enfrentasse a luta sublime que era vencê-lo. Sua ajuda era bem vinda e humilhante ao mesmo tempo. Demônios, eu não queria ser um monstro, e eu não devia precisar de ajuda para isso. E só essa resolução me deixava com ódio.

Ódio de Bella Swan e seus irmãos, ódio infundado, é claro. Já que a única pessoa que eu deveria odiar de fato era eu mesmo.

Uma hora, só isso e eu estaria livre dela. Alice afrouxou o aperto. O futuro estava mudando com a maior frequência do mundo em sua mente, mas uma certeza era clara.

Isabella Swan e toda uma sala de inocentes ficariam vivos ao final daquela hora.

—*-

— Então é isso, espero que tenham gostado. – Jasper disse e sorriu para o sinal, que tocou em seguida.

Alice suspirou. Ele é bonito.

Isso também ajudou a calar o monstro. Veja, minha irmã parecia uma pequena adolescente apaixonada. O que não era exatamente uma mentira, já que ela era, pelo menos em tese, uma adolescente e estava de fato apaixonada. Porém isso não tornava ela menos irritante ao se imaginar com Jasper Swan.

Era um romance impossível, em nome de tudo que era mais sagrado. Era como agua e óleo. Ele queria me matar!

Não que eu não entendesse seus motivos, sua irmã era uma de suas paixões, e sabendo como me matar, o que impediria ele de fazer isso?

Bella saiu assim que o sinal tocou, e, como o prometido, não se colocou em frente de nenhuma corrente de ar e eu me senti desconfortável, eu teria de agradecer. Mas como agradecer sem que o cheiro dela me deixasse nesse estado novamente?

Jasper olhou para suas costas e eu sabia que ele queria conversar... ou ameaçar. Alice deveria ir, mas ela estava querendo se aproximar do caçador de seus “sonhos”. Eu gostaria de rir.

— Vocês são loucos, ou muito confiantes de si. – ele disse ajeitando seus papeis. – E imagino que um de vocês é o leitor de mentes. Suspeito de Edward, mas não posso afirmar.

— Não vai nos atacar? – Alice perguntou com uma voz calma. Ela sabia que ele não iria.

— Não. – sorriu. – Estou curioso. – Inclinou a cabeça. – Vocês vivem a base de sangue animal. Imagino que isso é como um vegano.

Isso deve alterar o metabolismo e o raciocínio só não se é para melhor ou pior.

— Exatamente. – Eu afirme.

Ele estudou meu rosto.

— Vá para casa. Mas não suma da cidade, Bella e eu daremos um jeito no problema.

Eles... querem... ajudar?

Não tenho a intenção de matar vocês, já se foi o tempo de caça aos vampiros não importando se inocentes ou não.

— Não sou inocente. – disse rapidamente.

Jasper riu.

— Ninguém é, leitor de mentes, mas ainda assim você só segue sua natureza. – explicou. – Foi... um prazer conhecer vocês.

Seus olhos demoraram mais na Alice. Ele não era imune a nossa beleza.

Ela parece me conhecer. Será que tem a ver com Maria?

Eu e minha irmã nos encontramos com uma Rosalie um tanto quanto impaciente no carro. O cheiro de Bella ainda estava em minha cabeça, mas os fatos dos dias silenciaram o monstro.

Mas ele logo foi atiçado, eu ouvi sua voz rindo de uma brincadeira de seu irmão. Quando seus olhos estavam em mim, eu vi um pequeno rubor tingir sua pele. Eu senti a dor da minha garganta latejou.

Merda.



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