História Two Shadows - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Short Fic
Exibições 14
Palavras 1.148
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Misticismo, Romance e Novela, Violência
Avisos: Drogas, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá ~
Originalmente era para ser uma one-shot, mas devido o contexto dele precisar ser mais elaborado, então farei dela uma short fic. Não poderei dizer com exatidão quantos capítulos, mas estou certa que serão bem poucos. Espero que gostem, boa leitura!

Capítulo 1 - Nobody


Fanfic / Fanfiction Two Shadows - Capítulo 1 - Nobody

Eu gosto muito da sacada do meu apartamento. Na realidade ela não tem nada demais além de ser a vista de todos os residentes do décimo terceiro andar, da para observar mais alguns prédios e um pequeno parque, que na minha perspectiva é intrigante. Todos os dias, humanos passam ali repetidas vezes e nem reparam que as plantas que preenchem o local estão morrendo, eu poderia dizer que é literalmente uma natureza morta se não fosse uma paisagem. Talvez não seja adepto à conceitos artísticos, mas basicamente acredito que dá para entender somente com tal visão.

Retirei do bolso de trás da minha calça um maço de cigarro, que infelizmente é um dos vícios mundanos que acabei adotando. Se você é uma criança que está lendo isso aprenda, não fume faz mal para seu pequeno pulmão. Geralmente deixo um isqueiro dentro do maço, mas eu sou muito acostumado com meus "dedos inflamáveis", digamos assim. Estiquei o indicador de minha mão e coloquei na ponta do cigarro, uma chama fraca surgiu e acendeu, assim que baixei o dedo a chama se apagou. Levei aos lábios e traguei, enquanto me acomodava no parapeito para apreciar o amanhecer.   

Esse momento é um dos meus favoritos, geralmente é a hora em que as pessoas são quem elas são, mas como disse geralmente, algumas preferem a noite, o que eu particularmente odeio. São facilmente conduzidas para distrações momentâneas e digo isso pois muitas vezes me vi obrigado à isso. É um tanto irônico, até porque estou me distraindo com um objeto que me leva à nada.

"Na realidade, sempre somos conduzidos para o nada e o vazio".

Cocei minha cabeça, enquanto observava uma dupla no parque, provavelmente se encaminhando para o trabalho. Dos maiores clichês da vida, esse é um. É um homem e uma mulher. Ela todo dia chega antecipadamente e senta em um dos bancos o aguardando, ela leva consigo dois lanches sendo um provavelmente para si. Quando ele se aproxima, ela fica meio constrangida, seus movimentos são hesitantes, acredito que em momentos entre as falas ela passa a gaguejar. Mas para variar, ele somente está se aproveitando. Ele a trata bem, ao menos aparenta, mas muitas vezes a "joga" no canto de refúgio dela, ou seja o próprio silêncio. A tarde ela passa por esse caminho sempre sozinha, e ele a noite rendido à uma distração.

Acho estranho como a distração vale para algo consideravelmente bom como ruim, lembro do meu antigo cargo... eu o odiava. Na realidade ainda odeio, mas não tanto quanto a mim por tantas ações e decisões que tomei. A cada conquista, era recompensada com algo, muito fui chamado para participar de joguinhos fraudulentos, encerrar-se em bares de quinta categoria, e o pior dos passatempos, render-se à luxuria por algumas horas.

"No entanto, ainda acho que alguns humanos não estão distantes de serem demônios".

- Razihel! - Acompanhado de algumas batidas na porta.

Traguei o cigarro e logo em seguida o joguei chão, pisoteando. Meu cigarro, acaba de se tornar um nada e inútil, só mais um no amontoado de bitucas que havia ali. Por incrível que pareça, também acho que somos mero passatempos de alguém maior. Passei pela porta de vidro, atravessei a sala em poucos passos, até chegar a porta de entrada, não demorei para atender.

Assim que abri a porta de madeira, dei de cara com um dos meus vizinhos e alunos. Ah sim, em alguns momentos quando estou disposto eu passo algumas técnicas de pintura, é meu ganha pão e uma forma de acalmar a fúria que se concentra e inacreditavelmente se acumula dentro de mim. Ele é um tanto quanto mais baixo que eu, franzino olhos castanhos e cabelos loiros. Não sei sua idade, mas suponho que esteja na faculdade.

- Desculpe incomoda-lo... é que a fumaça do seu cigarro, estava invadindo meu quarto...

- E você está com dificuldade para respirar. Tudo bem garoto, já terminei de qualquer forma.

- Na realidade... - ele parecia se encabular - estou com visita, ele não quer que o cheire impregne nas roupas.

Olhei para a mesa de canto, onde geralmente deixo algumas correspondências, as chaves e alguns trocados e outros detalhes inúteis que queremos só largar quando chegamos. Fui no vaso cheia de moedas, peguei um punhado com a mão, nem olhei a quantia.

- Tome, deve dar para lavar a roupa.

- Mas é muito eu não posso aceitar... eu tenho dinheiro!

- Tenho certeza que dá para comprar outras coisas... a noite foi brilhante ontem, mesmo as mais brilhantes podem acabar com o brilho em breve... Acho que não preciso entrar em detalhes.

O garoto se preencheu em vermelhidão, ele é honesto, gosto disso nele, mas ainda sim tem muitos problemas em lidar com alguns assuntos. Ele então antes de sair para a sua residência, retirou do bolso do casaco algumas cartas e me entregou, logo então partiu de cabeça baixa. Por força do hábito, eu coloquei a cabeça para fora olhando o corredor silencioso. Um fato de sentir ser observado, é que no meu caso é literalmente verdade. Por questão de segurança eu sempre mantenho um pé atrás.

Fechei a porta a trancando novamente, apesar que na realidade a tranca só dá uma falsa segurança, um pontapé ou alguém mais habilidoso escalaria o prédio sem dificuldade, fora que nosso porteiro nem está trabalhando, acho que é algo relacionado à licença, não sei explicar bem o que é isso. De qualquer forma, não é algo que tenho muito interesse em saber, até porque ele não passa de um alcoólatra cleptomaníaco. Sei disso pois diversas vezes, já o flagrei roubando algumas encomendas.

Larguei a correspondência junto as outras, não estou interessado, minha manhã tem sido agradável e inspirável. Na realidade eu pretendia me acomodar em meu sofá, afinal o que seria meu quarto virou uma bagunça harmoniosa. Isso no caso serve para mim, um visitante que permitisse a entrada se perderia ali dentro.

Indo então até meu cômodo, abri a porta revelando um quarto se iluminando aos poucos pelos feixes de luz que escapavam das cortinas. O cheiro de tinta e madeira antiga era muito fortes aqui, eu realmente gosto disso. Logo no vão da porta dava de cara com meus solitários cavaletes encostados na parede. O chão está manchado de tons escuros, variantes do vermelho, verde e azul. Meu criado mudo, estava transbordando tinta pelas gavetas não fechadas, em sua superfície era uma desordem de pinceis. No entanto eu sabia onde estavam para quando precise. Mas hoje meus dedos estão em sintonia com os sons, eles querem ser agraciados pelas teclas gastas do meu piano. Quando estou aqui eu consigo me desvincular de mim, eu consigo ser quem sou e me sinto livre, ainda mais pela manhã.

"Afinal, para mim, as manhãs são o começo de outro dia, e um outro dia que posso recomeçar e tentar de novo".

(...)


Notas Finais


Espero que tenham gostado, mesmo não tendo acontecido, creio eu, nada demais. É mais para conhecer o personagem.
Até o próximo capítulo. ~


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