História Types of blood - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Miyavi, The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Miyavi, Reita, Ruki, Uruha
Tags The Gazette, Uruki
Visualizações 13
Palavras 4.227
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oe tudo bom? Eu voltei...
Sinto muito pela semana passada. Mas tendo um compromisso de última hora, e fora que eu não tinha terminado o capítulo. Peço desculpas. >,<

Boa leitura ^^ e até as notas finais!

Capítulo 3 - Entre conversas e mudanças.


 

  Acordado no dia seguinte, não havia nada para fazer, nem a televisão estava ajudando. Morrer de tédio era a única opção, o que é o caso de agora. Não gostava de ficar sozinho, na verdade nunca gostei. Eu era aquela criança que ficava o dia inteiro com a mãe, fazendo qualquer coisa em sua presença.

  Eu sabia que precisava falar para alguém o que sentia, porque todos sabem que se ficar guardando os sentimentos pra si mesmo, uma hora você vai surtar. E eu sinto que já estou pronto pra fazer esse tipo de coisa, e o ruim é que eu não sei o que vou fazer se isso acontecer. Claro, que, eu tenho o Yuta, mas... É estranho falar coisas desse tipo com ele. Tipo ele nunca passou pelo que eu passei, então é difícil ele me compreender certo?

  Não que eu esteja falando que ele é um péssimo amigo, nem nada. Posso ser idiota, mas criticar ele, nem ferrando. Agradeço muito aos deuses, por ter dado ele como melhor amigo, eu sei, é muito clichê, mas é a realidade.

  O que eu mais detesto em mim é a ansiedade e medo. Se eu quero alguma coisa e não consigo fazer, é uma brecha para a ansiedade atacar. Ele atacando, o medo aparece me ferrando duas vezes mais, me deixando apreensivo. Como estou agora nesse exato momento. Na minha cabeça tá uma confusão do tipo: “Vai para casa do seu amigo e conversa com ele cara!” e “É melhor nem ir... É certeza que vai acontecer alguma coisa e você vai quebrar a cara no final...”.

  Fiquei pensando e repensando, se ia ou não ia, e decidi que iria para o apartamento do moreno. O lance das escadas, eu estava descendo uma por uma, na mínima velocidade possível para ter a certeza de que vou falar com ele. Quando cogitei a ideia de voltar, percebi que já estava em frente à porta, com o dedo esticado próximo a campainha, apertando-a.

  Já percebendo que não tinha mais volta, permaneci ali, ereto, sem nenhuma expressão facial se quer e totalmente tenso. Estava demorando tanto pra atender que, acreditei não ter ninguém lá, me fazendo soltar um grande suspiro, mas acabei escutando um barulhinho de destranca de porta e voltei a ficar daquela maneira.

  Atrás da porta tinha um moreno com um sorriso aberto, mostrando as covinhas que ele mal gostava e com as bochechas levemente rosas. Quando ele percebeu que era eu, abriu mais ainda o seu sorriso e berrou meu nome:

 

—TAKA! Que milagre você por aqui! Qual é a honra? –Perguntou surpreso.

 

  Sua porta do apartamento era bem em frente à sala, o que dava a visão de quase tudo. Com isso, antes de responder, notei que havia um cara, com uma lata de cerveja numa das mãos e a outra com um cigarro aceso, olhando para a porta. A única diferença era a expressão do rapaz. Não era de curiosidade, nem de surpresa, nem de raiva, apenas uma expressão amena. Não vou fugir do desejo da minha carne. O rapaz era muito bonito por sinal. Quando percebi que eu estava encarando muito o rapaz, acordando do transe, tinha um moreninho do meu lado estalando os dedos e me chamando de forma frenética, irritante, devo acrescentar.

   Lembrando que tinha que responder, acabei falando qualquer coisa que vinha na mente:

 

—Ah, você está com visita... Outra hora eu venho. –Sorri.

—Quando você fala que outra hora vem, nunca vem. Depois dá a desculpa de que estava cansado e dormiu, sendo que ninguém fica dormindo 24 horas inteiras! –Debateu sorrindo mais ainda.

—Fica aí sossegado com a sua visita. Depois eu venho é sério... –Continuei insistindo.

—Só vou ficar sossegado, quando você entrar e sentar no sofá... –Persistiu determinado.

—Não vou fazer você mudar de ideia, acertei? –Ri com a pequena discussão e o outro assentiu. Suspirei e dei por vencido, entrando no estabelecimento tirando os sapatos.

 

  Como havia falado anteriormente, sua sala era de frente á porta de entrada, tendo a fácil localização dos cômodos. Sentando-me no sofá de frente ao sujeito, dando um mínimo sorriso tímido, sendo retribuído da mesma forma, fiz um contato visual com o cara da minha frente e Tanabe começou a falar.

  Mesmo ele não sabendo do meu passado, sabia que naquele momento que me encontrou nas terapias, havia um motivo bem grave pra estar lá, dando uma única opção de ser o “B”. Depois de tantos anos de amizade, ele sabia que momento eu me interesso pelo sujeito, minhas emoções, incluindo a parte de agressão e entre outras muitas coisas. Então, tenho a certeza de dizer, que ele começou a falar para interromper meu o contato visual com o outro. Tipo um sinal de alerta para afastar do inimigo. Quase uma mãe.

 

—Taka, o que faz aqui? É tão raro você apertar aquela campainha... Aconteceu alguma coisa? –Perguntou de forma preocupada.

—Hm... –Resmunguei assentindo. —É complicado de falar... –Abaixei os olhos.

 

  Quando terminei a fala, o rapaz se levantou e dirigiu um sorriso para Yuta e se pronunciou:

 

—Kai, preciso ir embora. Uma cliente apareceu lá, fazendo uma algazarra e ninguém do salão tá conseguindo acalmá-la... Até. –E saiu.

 

  Entreolhamo-nos sérios, ouvindo um som peculiar de porta se fechando. Não vou me esquecer de que o carinha o chamou de “Kai”, o que me fez estranhar um pouco. Se eu dissesse que estava confuso, era pouco. Era falta de educação uma pessoa sair sem se despedir de um desconhecido sem antes de se apresentar. Mas aquilo era o de menos, o que estava dentro de mim, era pior que a repentina saída do outro. Quando abri a boca pra falar, um desespero veio com tudo, me fazendo querer chorar.

 

—Tem... Tem uma coisa que está me matando por dentro e sinto que preciso falar pra alguém se não vai acontecer alguma coisa... –Comecei, e a expressão do moreno do meu lado, que até então estava em pé, se tornou preocupado.

—VOCÊ COMEU VENENO? TÁ LOUCO? QUER MORRER?! –Exclamou mais preocupado ainda.

—Não, não, nada a ver! –Ri com a preocupação exagerada e continuei. —Acho que é uma coisa pior... É sobre o que passei, antes de te conhecer... –Só pude perceber a mudança repentina de seu semblante, de preocupado, para sério.

 

  Suspirei tomando coragem para finalmente desabafar e ele se proferiu:

 

—Não precisa ficar com medo e apreensivo. Vou estar do seu lado custe o custar. Não vou te julgar e muito menos rir da tua cara se algo for ridículo... Mas primeiro, respire, coloque as situações no lugar, e aí comece. Tenho todo o tempo do mundo para te ouvir, te ajudar e te encher o saco... –Sorriu, passando confiança.

 

  Naquele momento que ele falou aquilo, fiquei com uma vontade enorme de chorar. Limpei a garganta e comecei já pronto pra dizer:

 

—Bem... Ontem, estava sozinho lá em casa e do nada me lembrei do que aconteceu quando estava fazendo as terapias. E nesse meio tempo, desencadeou outro assunto relacionado a isso. Mas é tão complicado que... É difícil falar. –Coloquei as mãos no meu rosto e suspirei pesadamente, em seguida continuando. —A maioria das vezes que saia dos tratamentos foi, sim, por pura pirraça, mas a o por cento que tinha, era pelo motivo de não aguentar aquela pressão que todos os “normais” atacavam. Passei meus quatro anos no psicólogo, aturando aqueles imbecis sem dirigir nenhuma palavra, porque sei que se eu mostrasse que estava sendo atingido, iria continuar e ia piorar a cada hora que passava. No terceiro ano que eu estava frequentando aquele lugar, na hora da saída tive que sair primeiro porque minha mãe tinha passado mal. Mas no momento em que eu pisei porta a fora, uma cara me pegou pelas costas e colocou a sua mão na frente da minha boca para abafar os meus gritos. Naquela hora foi tão desesperador que a única maneira de me soltar foi morder sua mão. Na primeira tentativa consegui. Fugi, corri tanto, que mesmo cansado continuei correndo, até que entrei numa loja cheia de gente. –Parei de contar, para o outro digerir a estória que estava contando. Dando pra ver a sua face de choro.

 

“Na primeira, consegui. Mas na segunda vez, já foi impossível. Colocaram um tipo de sacola no meu rosto e amarraram meu pulso para trás e me levaram para um lugar que nem sabia que existia na cidade, um lugar no meio do nada, um lugar que tinha apenas uma casinha, e nada mais. Não preciso te dizer o que fizeram comigo né? Assim que terminaram seus afazeres, me largaram no meio daquele nada e disseram que iriam voltar. Mesmo fraco, me levantei e eu digo, por graça á Deus, achei a rua principal. Era muito longe da minha casa, porém ali era a única e última salvação...”.

“Eu simplesmente não queria ir mais para as terapias porque sei que se eles voltassem e não me encontrassem naquele local, saberiam onde eu estava. Tentei conversar com meus pais, mas eu sou tão tolo que não consigo ir contra eles, principalmente meu pai. Por mais que ele tenha dito várias e várias vezes que eu era um menino mal criado e sem educação, ele me amava mais do que tudo. Havia a opção de contar a eles o ocorrido. Mas se meus pais soubessem aquilo que fizeram comigo? Não sei o que se passa na cabeça dele, nunca soube. Ele poderia simplesmente me matar, me condenar, me maltratar... Se Naquela época eu não aguentava os desconhecidos falando, imagina uma pessoa que me criou, cuidou de mim, me amou e acima de tudo, daria a vida para m manter vivo?”

“Era tanto medo, que não consegui falar não para eles. Era tanto medo, que deixei o medo de lado e continuei indo... Passaram-se quase um mês. Tudo estava calmo e tranquilo, nem me lembrava mais do ocorrido, até que um dia, na volta pra casa, as portas e janelas estavam quebradas e arrombadas. Só pude ouvir um barulho de tiro e minha mãe gritando “—QUERIDO!”, eu tinha certeza que aquele tiro havia acertado meu pai. Se eu não estivesse corrido com medo, tinha certeza que minha mãe estaria viva agora.”

“Passou três dias que minha única família morreu. Não havia mais nada. Ninguém para me torturar, ninguém para me sequestrar, nada. Apenas eu e só eu. Ali naquela casa...”

 

  Eu estava tão dolorido contando aquela estória, que lágrimas caíam sem parar, os soluços iam aumentando para gritos. Nunca na minha vida tinha chorado tanto quanto aquele dia. Como consolo, Tanabe me abraçou com força dizendo que estava tudo bem, que ia ficar tudo bem. Queria acreditar naquelas palavras. Mas a dor...

  Não parava de chorar, não parava de soluçar, não parava de ficar desesperado, não parava de lembrar cada detalhe da minha adolescência, não parava, não parava por nada. Por mais que eu quisesse, não conseguia. Engasgava com os gritos e choro.

  Até que adormeci...

 

          XxX         

 

—Pera... Você quer que eu mude de aparência? –Perguntei para o meu amigo moreno indignado e assentiu. —Não estou bom assim não? –Perguntei novamente.

—Quer mesmo que eu responda? –Respondeu e eu assenti. —Takanori, você tá lindo, maravilhoso. Me dá um autógrafo! –Ironizou.

—Nossa como você é legal... Nem percebi o seu tom de ironia. –Revirei os olhos.

—Para de ser chato, tenho certeza que vai gostar do resultado. –Sorriu convencido. —Vamos?

—Hm... –Respondi.

—Não entendi. Vamos logo! –Insistiu.

—Hmmmm... –Com um bico aceitei.

 

  Meus cabelos estavam nas alturas dos ombros de coloração preta, sem absolutamente nada de diferente e como eu havia levado uma vida maçante, eu deixei, completamente de lado, a minha imagem. Apenas roupas simples e nada de maquiagem, apenas cremes de hidratação e apenas isso. Yutaka sempre falava pra mim que eu tinha que mudar o meu estilo de vida, e acima de tudo, a minha imagem, sempre dizendo que o “eu de antes” era melhor do que o “eu de agora”.

  Sempre falava que não precisava disso, que, o que eu tenho agora já estava bom e que o importante é me sentir bem com o que tinha e estava. Mas acho que o moreno não entendia isso; Sempre fingia não ouvir e continuava a falar aquilo que sempre me tirava do sério.

  Pra quem pergunta, meu estilo era totalmente diferente, meio rebelde, como dizia meus pais. Eu tinha cinco alargadores na orelha direita e meu cabelo era repicado e sempre com uma cor nova, tendo vários estilos de cabelo, desde os mais simples até os arrepiados que usavam um quilo de laquê; Fora que as maquiagens que eu usava. Não eram exatamente AQUELAS maquiagens, mas eram basicamente as bases, corretivos para esconder as pintas horrorosas que eu tenho no rosto, sombras e delineador. As maquiagens que normalmente pessoas que gostam de se maquiar, tem em casa.

 

Depois que Yutaka me fez coloca um tipo de combinação de roupa como: uma blusa comprida fina na cor preta, uma camisa larga também na cor preta, com algum tipo de símbolo e um tênis All Star de cano médio, na cor vermelha. E vou dizer para você que, esse tênis estava no fundo do guarda roupa esquecido, como se ele não existisse mais na minha casa. Não me venha falar que Yuta está muito intrometido e ele diz que já tem a total liberdade para a minha casa... Não vou me extrapolar, porque eu confio muito nele e sei que ele não faria nada de mal na minha casa.

  Quando saímos de lá, não vou precisar falar que ele optou usar a minha moto Kawasaki z8001 laranjado¹... Estava com dó de utilizá-la porque tinha acabado de lavá-la e de poli-la. Imagina se sujar com alguma coisa, e depois ficar horas limpando para deixar a moto como estava antes. Um sacrifício do caramba!

  Mas enfim, saímos. Primeiro ele disse que iria torrar o limite do cartão de crédito com roupas, sapatos, maquiagens, acessórios e por fim eu. Na sinceridade extrema, eu fazia de tudo para ele desistir de mim e voltarmos pra casa, mas aquele moreninho estava ligado nos 220 volts e fora que se ele tem algo na mente, é preciso 10 séculos pra convencer o contrário, ou seja, impossível.

  Fomos de loja em loja, sempre perguntando qual é a que eu mais gostava, sempre me fazendo escolher querendo ou não. Sabe o que é fica 3 horas inteiras dentro de uma só loja de sapatos escolhendo desde os coturnos até os chinelos... Desnecessário, dizia na minha mente. Mas acho que ele nunca se tocava, ou ele não queria dar ouvidos. Possibilidades.

  A tão esperada última hora, lembrando que eu era o alvo para essa esperada hora, fomos a um cabeleireiro que, diz o moreno, ser muito bom e muito famoso. Não era necessário falar não, porque, obviamente, o outro não iria dar ouvido e continuaria a terminar sua missão. Entrando no salão, começou a falar:

 

—Ah! Qual é Takanori, não quer pelo menos fingir que está se divertindo comigo? –Esperneou frustrado com a minha falta de interação cm ele.

—Se eu não fosse obrigado a vir, eu estaria totalmente empolgado... –Respondi com indignação encarando o meu amigo de forma estressada.

—Se não quisesse vir, não teria respondido “Hmmmm”, afirmando com a cabeça. –Contrabateu a minha resposta.

—Queridão, se você insistisse mais eu ficaria estressado e a última coisa que eu quero fazer é brigar contigo. Fora que mesmo eu falando não, você me levaria á força... –Faltava muito pouco pra eu extrapolar de vez.

 

  Mas uma pessoa entrou no meio e quebrou a nossa discussão.

 

—A sua sorte Kai, é que o salão está vazio. Se não eu ia te bater... –Sério, comentou.

—Uruha! Eu ia te chamar agorinha! –Sorriu meigo e foi em sua direção.

—Teu rabo que ia... Você estava discutindo. –Ainda sério respondeu.

—Ah é! Taka, esse é Takashima Kouyou, mais conhecido como Uruha por todos, também é o carinha que estava ontem de tarde lá em casa. Uruha, esse é Matsumoto Takanori... Sem apelido. –Sorriu quando falou a última frase.

 

  Fiz uma reverência e o outro fez o mesmo, sorrindo aberto dizendo:

 

—Prazer em te conhecer, Matsumoto-san. Pode me chamar de Uruha mesmo. E... –Antes de terminar de falar, Tanabe o cortou.

—Bem, eu lembrei que precisava fazer algo muito importante... Uruha o deixo em suas mãos! Deixe-o lindo tá? –Tanabe por sua vez, falou e saiu porta a fora, me deixando com muitas sacolas nas mãos, e ainda por cima, na companhia de um cara que eu mal conheço e falo.

—Pode deixar Kai! –Respondeu animado e riu a pressa do amigo.

—O filho da puta me obriga a vir e ainda me deixa na mão... Que vacilão da porra! –Exclamei irritado.

 

  Eu estava achando que ele estava se divertindo com a situação, porque o sorriso que ele estava fazendo depois do, suposto nome, “Kai”, sair, aparentava isso, logo me sentindo desconfortável. Acho que o meu desconforto era tão visível, que o altão bonito do meu lado, começou a se pronunciar:

 

—Mil desculpas por ter saído daquela maneira ontem, sem antes me apresentar... Estou realmente envergonhado por isso. –Curvou-se, me mostrando seu profundo arrependimento.

—O que é isso, imagina! Não precisa se curvar. Imprevistos acontecem... –Sorri nervoso e abanei as mãos em sinal de negação. Vendo o outro se erguer e sorrir.

—Menos mal. Agora que minha consciência está limpa... O que quer fazer? –Perguntou direto.

—Oi? –Foi tão de repente que nem entendi a pergunta, me deixando confuso.

—O cabelo, eu perguntei o que quer fazer com ele...

—Você não tem nada agendado, tipo, nenhuma cliente agora? –Perguntei receoso.

—A noite é mais para a cliente que não tem agenda, então... Se não tem ninguém agora é a sua vez. –Respondeu de forma simples e rápida. —Então o que quer fazer com o seu cabelo?

—Eu não sei... Yuta me arrastou até aqui, e... Achava que ele falaria o que, provavelmente, você faria no meu cabelo. Mas como ele não está às coisas ficaram difíceis. –Respondi massageando as têmporas.

—Você não tem ideia? –Questionou e eu assenti. —Não tem algum corte, cor de cabelo ou alguma coisa que já tenha feito ou queria fazer? –Novamente perguntou.

—Se bem que... Eu já tenha feito muitos cortes, tinha um cabelo que eu era apaixonado quando era adolescente, mas nunca pude fazer, porque tinha que descolorir os fios e ninguém aprovaria isso. Fora que muitas pessoas me chamariam de gemada, incluindo o Yuta... –Falei e, Uruha, me olhou de forma pensativa. —Sim, Yuta é o “Kai”. –Fiz aspas com as mãos, ouvindo um “Ah, fez sentido” bem baixinho vindo da pessoa ao meu lado.

—Tem foto? –Perguntou novamente.

—Desculpa, não entendi. –Perguntei e repetiu a pergunta. —Sim , pera aí vou procurar o celular.

 

  Não recordava onde tinha enfiado o meu celular, só lembrava que estava numa dessas diversas sacolas. Indo na direção do cantinho onde não iria atrapalhar ninguém, coloquei as lindas e gigantes sacola no chão e comecei a procura-la no meio delas, não encontrando. Frustrado, procurei na minha bolsa e nada. Pedi licença para o rapaz e tive que passar por duas ruas até chegar ao estacionamento e ver se o meu celular está debaixo do banco da moto, que óbvio, não estava.

  Voltei no local e sorri envergonhado dizendo para esperar mais um pouquinho para encontrar o bendito celular e quando fui agachar, senti um incômodo na região da cintura e quando coloquei a mão lá, senti o celular. Quando tirei o celular do local onde não poderia estar, me virei para o bonitão e sorri envergonhado.

 

—Achei... –Mostrei o celular e me amaldiçoei na mente, pensando em como não consegui sentir aquela porrinha ali, naquela região. —Antes de tudo, posso deixar minhas sacolas ali, naquele canto?

—Claro. Mas se não eu não for muito intrometido, foi ele que comprou tudo isso? –Olhou as sacolas e sorriu incrédulo.

—ELE escolheu as roupas, porque pagar... –Apontei pra mim mesmo revirando os olhos, com um sorriso nos lábios.

—Fez sentido... –Riu com a minha resposta e continuou. —Como era o corte que queria?

 

  Mostrei a foto e ele foi a cara de pau de concordar com a minha afirmação anterior sobre a gemada. Foi foda a maneira como ele segurou o riso quando viu o corte de cabelo, me deixando frustrado e vergonhoso. Não é legal um conhecido que mal conversa tirando sarro da sua cara só por causa de um corte de cabelo... É desagradável.

 

—Você confia em mim?

—Não...? –Respondi de forma desconfiada.

—Não se preocupe. É sobre o cabelo... –Sorriu animado.

—Eu sei, mas... Eu tô' com dó do meu cabelo sabe? –Coloquei uma mecha do cabelo atrás da orelha e sorri mínimo.

—Se eu fizesse um corte no seu cabelo e uma coloração que combinaria muito contigo, você toparia confiar em mim? –Em um tom sugestivo e eu aceitei.

 

  No começo, eu meio que travei, porque nunca mais tive a vontade nenhuma de cortar, pintar, enfim, mudar drasticamente o meu cabelo; Assim sendo, eu sentei na cadeira e ele me virou para que eu não visse ou espiasse pelo canto dos olhos, o resultado ou como estava ficando. Meio que fazendo um suspense.

  Demora. É a única palavra que descrevo a minha situação. O jeito que ele lavou meus cabelos, o jeito que ele estava cortando o cabelo era o mais lento, lembrando que ele fazia a questão de me mostrar o tamanho que cortou os meus fios pretos, falando que aquilo ia para o lixo rapidinho. Que lógico é só pra me irritar. Terminando de cortar, ele perguntou que cor quer que ele pinte.

  Sou tão cara de pau que escolhi a cor mais sem graça das amostrar. Vou falar que, sim, eu estava começando a gostar da minha final aparência, drástica vamos dizer. Mas sabe aquela insegurança de se arrepender depois e não querer jogar a culpa no ser, porque foi muito generoso contigo? Então, minha cabeça estava entre não gostar e gostar.

  Ainda mais que, eu estava ansioso para ver como eu estava. Porque não é a minha cara sair do salão com a metade do cabelo curto na cor mais vibrante possível. Seria a última coisa que eu faria antes de morrer, vamos combinar, sou estranho, mas nem tanto.

  Depois de tanto tempo, ele começou a secar os fios com a maior delicadeza, me fazendo pensar que se ele fazia assim com todos; Depois que ele terminou o seu dever, comentou uma coisa que me deixou muito mais ansioso do que antes:

 

—Tampa os olhos, porque o que você vai ver é de se surpreender, e talvez me bater. Sei lá. –Riu e fiz cara de incrédulo tampando os olhos.

—Uau... –Foi a única palavra que consegui dizer.

—O que achou?

—Isso... Isso tá maravilhoso! –Minha empolgação era tanta, que só faltava soltar fogos de artifício. Mexia no cabelo como se fosse a coisa mais incrível do planeta Terra.

—Eu sabia que ia gostar... O instinto falava. –Sorriu aberto.

—Agora, pera aí que já vou pegar o cartão... –Saí da cadeira num pulo e fui em direção às sacolas e procurei o bendito do cartão a achando. Voltando na sua direção, Uruha, estava com uma cara de quem vai aprontar.

 

  Quando o vi com aquele semblante, um sinal de alerta acendeu na mente. Estava na cara que ele estava pensando em alguma coisa, só que não fazia a mínima ideia do que. Até que:

 

—Não se preocupe, Kai vai pagar... Vou fazer questão de fazer isso. –Riu maligno e só pude fazer cara de paisagem, não entendendo nada.

—Não entendi... –Comentei, vendo o sorriso travesso aumentar mais. —Me explica direito, Kai seria o Yuta?

—Sim sim, adoro brincar com ele, e... Fazer isso, pra depois ver a cara dele é divertido. Você vai ver.

—Sério mesmo. Não tá tirando com a minha cara? –Um pouco incomodado com essa situação, resolvi perguntar. Vai saber que ele está brincando comigo? É bem provável...

 

  Recebendo sua afirmativa, guardei o cartão no bolso da calça e olhei para as compras encostadas na parede. Bati na minha testa e pensei em como eu era burro por aceitar facilmente a opção de andar de moto e não o carro, porque não são poucas as sacolas, e vou acrescentar que, vai ser difícil conseguir dirigir um automóvel de duas rodas pouco espaçosa, com várias sacolas em cada braço.

 

  Xinguei mentalmente Tanabe por me abando naquele local, porém  não pude deixar de notar que se fosse deixar a minha filha ali a noite inteira, ia ser uma longa caminhada, tendo que, provavelmente, pegar um metrô para parar mais perto do meu apartamento. Perguntei à Uruha se eu podia deixar ela naquele estacionamento á duas ruas de distância. Eu inquiri aquilo porque nem conhecia aquela rua, então era melhor eu ter perguntado mesmo, logo me respondendo que aquele local é o mais seguro e que não precisava me preocupar.

  Saí daquele local umas 10 da noite, chegando em casa ás 11. A primeira coisa que eu fiz foi jogar as sacolas no chão do quarto, tomar banho e por último me jogar na cama extremamente confortável e espaçosa; Poderia estar pensando em como poderia matar o moreno de covinhas no dia seguinte, mas como o sono e cansaço estavam me ganhando, deixei pra depois e logo me entreguei a sonolência.


Notas Finais


{1} http://imgur.com/gallery/q26Kn3S. Essa moto é dos meus sonhos, então tive que fazer ela aparecer...

Sobre a roupa do Takanori... Só pensei em uma roupa que usava muito, então nem esperem uma foto. Sorry U.u


Se esse capítulo saiu um pouco estranho, me desculpem... Sabe aquele momento em que você tem muitas outras coisas pra colocar no capítulo, mas aí na hora que coloca a mão no teclado ele some? Então, foi o que aconteceu comigo.
Agora sobre o tamanho... No comecinho que escrevi, meio que me empolguei um pouco.

Espero que tenham gostado, e até a próxima...


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