História U (Until We Die Like Bonnie And Clyde) - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Haechan, Mark
Tags Markhyuck
Visualizações 96
Palavras 3.722
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Luta, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ahh, eu estava tão ansiosa pra postar essa fanfic, não só porque é markhyuck, mas porque eu amo aMo AMO aMO bonnie&clyde!au e também é justamente por isso que recomendo fortemente bonnie n clyde do cantor kwon hyuk, aka dean, aka fluenza, aka rei da porra toda que serviu de inspiração pra mais uma estória nesse projetin.

Enfim, boa leitura.

Capítulo 1 - 1 em 100


“O nosso amor é um sinal de perigo,  mas assim como a sua arma favorita, eu estarei ao seu lado”

Roupas coloridas, cabelos longos, amor e sexo livre, consumo de drogas. Essa é a imagem perpetuada da juventude dos anos 1960. Haechan e Mark se encaixavam perfeitamente nesse cenário, eles eram a notícia principal no horário nobre, ao vivo na televisão, como um quebra-cabeças necessário.

Lee Minhyung começou não querendo dinheiro. Ele desejava ouro e prata, mas não como os ladrões comuns que visavam apenas acumular riquezas. Ele os desejava porque brilhavam e eram puros. Ele não aceitava as regras da sociedade em que vivia porque tais regras o condenariam a uma vida inadequada para uma pessoa como ele, alguém de extraordinária inteligência. Minhyung se recusava a viver pelas regras estabelecidas por outros, regras que o amaldiçoariam a uma vida frustrada. Esperto, ambicioso e facilmente agressivo, embora se sentisse atraído pela adrenalina de roubar algo valioso, não era realmente um criminoso.

Isso antes de conhecer Donghyuck.

Os exemplos de pessoas que foram para o mau caminho tem o efeito de nos afetar de alguma forma. Uma notícia de primeira capa como “Princesa Diana descobre traição de Príncipe de Gales” gera uma violação no papel social das pessoas envolvidas, e isso tende a afetar um público em grande escala. No entanto, é esperado que um garoto de oito anos seja treinado por traficantes de uma gangue no norte de Jeju para entregar mercadorias ilícitas. É comum. Ele cresceu brincando em ruas perigosas de um bairro esquecido pela polícia local onde a segurança se conquista com armas. A sua vida é um lembrete do mundo real, das gangues e da violência, de como ao se meter no território de outra gangue, sua vida não vale nada.

Em uma ficção gostamos dos personagens quando eles se comportam como esperamos e perdemos a empatia quando fazem o oposto. Imagine um policial que dirigiu um carro sob ataque de balas para salvar seu parceiro ferido em um tiroteio. Esse mesmo homem passou vinte anos salvando a vida de mulheres que eram agredidas violentamente por seus maridos do tráfico. Três vezes por semana dava aulas como professor em uma academia de polícia nos subúrbios da cidade. Era famoso nos círculos policiais. Em termos profissionais, sua reputação era praticamente a melhor possível. Fazia parte do seu cotidiano oferecer drogas a homens em troca de sexo.

Conclusão: pessoas reais não correspondem às expectativas.

Lee Donghyuck era um indivíduo real, mas as pessoas queriam que fosse parte de uma ficção. A sociedade queria que ele se transformasse em outra pessoa, uma pessoa melhor, com ética. Mas aquele garoto não tinha vez aqui. Aquele garoto terminou seus dias morrendo de fome em um beco imundo da grande Seul. Ele morreu. Aquele garoto não podia voltar.

Ele se tornou alguém para intimidar o próprio diabo no inferno – não havia pecado que não cometeria pelo preço certo. Estatura média, olhos afiados, bom com armas pesadas, a sua presença emitia alarmantes toques de perigo. O seu rosto estampava uma máscara de rebeldia, a boca era tão cruel quanto as palavras que saiam dela. Não temia a polícia, nem a sociedade, nem Deus, nem o inferno, como também não temia nem amava seus semelhantes. Mas resolveu escolher e amar Minhyung.

Quando Mark apresentou Haechan pela primeira vez aos seus parceiros, disse: ele é um de nós. Haechan gostava daquela palavra. Nós. Uma palavra sem divisões ou fronteiras. Parecia cheia de esperança. Na época, ele já tinha seus vinte e poucos anos e era cheio de paixão e coragem. Perigosamente precoce. Queria conhecer Mark, mesmo sabendo que se tratava de um assaltante. E Mark sabia que se apaixonaria pelo mais jovem com apenas algumas conversas – ele tinha mais vida e brilho do que qualquer pessoa que já conhecera. Ele também era o único homem no mundo que podia fazer Mark ficar nervoso; era como uma força da natureza e sem autocontrole. Tinha de ser manejado tão cautelosamente como uma dinamite.

Eram jovens criminosos e amantes, mesmo quando sabiam que o que faziam abrira as portas do inferno para eles. Costumavam rir sobre a morte, mesmo no fundo sabendo que muito em breve estariam deitados sobre o mesmo chão. Sim. Eles morreriam nos braços um do outro, mas antes disso levariam alguns antes deles. “Precisamos ter uma boa recepção no inferno” brincava Haechan. E eles sabiam que se tornariam muito famosos antes disso acontecer. Bem como as circunstâncias que os levariam a isso seria por conta de um dos assaltos a banco mais bem-sucedidos da Coréia.

E Mark ainda era capaz de ouvir as explosões conforme os feixes de dinamite estouravam, um após o outro, abrindo um cofre depois do outro. Em todos os assaltos, ele garantia: “temos uma chance em cem” e isso era o suficiente para a dupla de criminosos.

Infelizmente, na última tentativa de crime, algo deu errado.

Um amigo inexperiente de Haechan, apesar de já ter cometido outros crimes de pena maior, havia estacionado o carro, enquanto Mark e Haechan entraram para assaltar o banco. A dificuldade em tirar o carro da vaga, deu tempo para que um dos funcionários do banco acionasse a polícia local, que estava a 300 metros de distância do banco. Não vendo alternativa, Haechan decidiu ficar para trás, voltando para dentro do banco, para distrair os policiais enquanto Mark fugia com o dinheiro.

Em quase três anos ao lado de Haechan, criando planos tarde da noite, roubos impossíveis, trabalhos clandestinos, refeições apressadas de batatas fritas enquanto corriam de um lado a outro, essa tinha sido a primeira vez que Mark cogitou sentir medo.

Todos tinham sonhos, mas ele tinha planos. E quando conseguiu uma maneira de se comunicar com Haechan dentro da prisão, ele fez uma promessa de que livraria o amante das grades. O plano que os dois criavam para roubar os grandes bancos da cidade era ousado, mas o plano para tirar Haechan da prisão se tornou audacioso, talvez até insano. Eles não apenas revelariam sua presença a equipe de segurança, como também esfregariam na cara deles a verdade por tanto tempo ignorada: Mark e Haechan se tornariam alguém de quem se lembrariam.

Mais uma vez os dois arriscariam a vida um pelo outro e mais uma vez armas estariam envolvidas, mas agora a margem de erro teria de ser ainda menor. Assim que o plano de invadir o presidio de segurança se deu por finalizado, Mark refletiu sobre seus sentimentos, esperando encontrar cautela, medo, mas o único sentimento que encontrou era o de estar pronto.

De volta ao carro na quase completa escuridão, Mark escutou tudo começar. O som das armas, os pedidos de reforços, gritos distantes. Um alarme. A explosão estúpida de uma bomba. Um muro a 500 metros cedendo ao chão. Poeira encobrindo o grande plano. O barulho de galhos de árvores quebrando, estraçalhando. Mais gritos distantes. Mais tiros.

O som das sirenes e balas sendo disparadas não assustavam Mark. Na verdade, ele tinha ouvido um monte de sons do mesmo tipo ao longo de sua vida. Ele estava acostumado com isso na medida em que os sons alarmantes tornavam-se música para os seus ouvidos, atraindo-o para uma melodia harmoniosa perfeitamente elaborada.

E, finalmente, se passaram os minutos. Ele se curvou para a buzina e apertou fazendo soar o típico som fino e irritante. Este é o plano. Ouvir as armas, deixar passar três minutos e inclinar-se para a buzina para que pudessem encontrar o caminho até o carro. Apertou novamente, dessa vez com ainda mais força, como se cada músculo pudesse fazer o tempo acelerar junto com a adrenalina.

Um homem loiro e alto que Haechan tinha dito que ajudaria no resgate, chegou no carro primeiro. Apesar dos cães de caça já estarem à procura, fugitivos sempre sabem exatamente para onde correr. Quando o primeiro homem entrou, as silhuetas dos outros apareceram entre as árvores e Mark deu a partida. Os dois homens chegaram, Winwin, um chinês imigrante ilegal, e um traficante de armas chamado Doyoung, se conseguia se lembrar. Um deles sangrava manchando o uniforme por causa dos tiros que alguém conseguiu mirar em seu braço. Também podia ver Taeil, preso por tentativa de homicídio e também conhecido como o melhor criador de bombas caseiras da Coreia. Mark o conhecia de quando estava lá dentro. E um ladrão chamado Ten preso vezes o suficiente para ter um ótimo mapa mental de todos os presídios que já passara.

— Não tem espaço para todo mundo. — Um dos fugitivos disse ao entrar no carro, era o homem alto e loiro que se apresentou à Mark como Hansol, Haechan tinha dito que ele ficaria responsável por proteger a guarda dos outros criminosos quando a rebelião começasse, já que sua mira era muito precisa.

Mark se virou para trás, fitando o homem que achava que estava em posição de opinar sobre as coisas e disse: — Então acho que teremos que te deixar para trás.

— O quê? Haechan nunca me deixaria. Eu ajudei com o plano.

— É uma pena para você que eu não seja o Haechan, então. — Mark voltou a retrucar, dessa vez esticando o corpo para fora da janela enquanto continuava a falar. — Este carro é meu, eu cuido disso. Vocês quatro podem entrar.

Ninguém vai ser deixado para trás. Não enquanto Mark Lee está dirigindo e há espaço no carro.

No entanto, em um Mercury clássico de 1954, o espaço não foi exatamente projetado para cinco adultos se sentarem com conforto, mas ninguém reclamou, ao invés disso Winwin, Ten, Taeil e Doyoung subiram nele. Era um carro de quatro portas com assento único e um pouco de espaço atrás, lotado de roupas e itens necessários para a fuga. Mas Mark não ocupava muito espaço com apenas 1m74 de altura e pouco mais de 56 kg, assim como Haechan – não que isso fosse um problema quando apenas os dois estavam no Mercury. Então, havia espaço para mais pessoas sem nenhum problema.

— Acho que nós cinco podemos nos ajeitar aqui — disse Winwin, as pernas longas sendo dobradas em cima do banco para que ele conseguisse se encaixar.

Enquanto os criminosos se ajeitavam com esforços atrás do velho Mercury, Mark acendia um cigarro com uma mão para afastar o frio inesperado que tinha pegado a cidade de surpresa naquela semana e conferia suas facas com a outra, recitando em voz baixa o nome de cada uma como sempre fazia. Era um hábito prático, mas um conforto também. As lâminas eram suas companheiras, ele gostava de saber que elas estariam prontas para qualquer coisa que a noite trouxesse. Afinal, Haechan estava voltando.

Você tem que conseguir Donghyuck, Mark sussurrava para si mesmo, vamos lá, uma chance em cem, lembra?

Foi Doyoung quem quebrou o silêncio.

— Passei cada minuto de cada miserável dia desejando sair daquele lugar — disse ele com os braços tremendo debilmente ao passar duas compressas de Gaze sobre o braço baleado de Winwin. — Então por que agora sinto falta dele?

Ten que tentava inutilmente se ajeitar entre o colo de Hansol e Taeil, respondeu: — Talvez porque já sinta que os nossos cérebros irão congelar.

Fora do Mercury havia um mundo branco e cinza, interrompido por matas de árvores com galhos negros e aglomerados de rochas que pareciam surgir do nada. Dentro do carro, exceto por Mark que estava vestido adequadamente para o inverno, o restante dos criminosos ainda vestia os macacões desgastados da prisão e tremiam para afastar o frio; o último suspiro de inverno antes de a primavera começar de verdade.

— Se alguém sobreviver, garanta que eu tenha um caixão aberto — disse Doyoung enquanto terminava de enfaixar o braço de Winwin. — O mundo merece alguns momentos a mais para apreciar este rosto.

— Quando estivermos longe daqui você pode queimar o dinheiro que vai receber de nós para se manter aquecido — disse Mark. — Agora, fiquem atentos. 

— Vou pagar alguém para queimar por mim. — Retrucou Doyoung.

— Por que não paga alguém para pagar alguém para queimar as notas por você? É assim que os grandes criminosos fazem. — Disse Ten.

Taeil entrou na conversa: — Você sabe o que os verdadeiros chefões fazem? Eles pagam alguém para pagar alguém para...

— Estou começando a achar que Hansol estava certo sobre deixar vocês para trás — disse Mark enquanto mantinha um olho na paisagem fora do Mercury e um ouvido na conversa dentro do carro. — Agora, silêncio.

Lee dava uma longa tragada no cigarro, quando o movimento entre os arbustos chamou sua atenção e ele olhou para longe. Em seguida, seu rosto se iluminou.

Não fazia parte do plano, mas Mark correu para fora do carro, o sorriso ainda maior do que antes, atraindo o olhar dos fugitivos que ficaram apreensivos com o movimento. Ele deixou o cigarro cair no chão e pisou nele ao caminhar em direção ao parceiro, se afastando do grupo como se tivessem deixado de existir, estava tão feliz e distraído que nem mesmo o perigo parecia afeta-lo – se é que um dia chegou.

— Você conseguiu! — Gritou quando pôde finalmente deslizar seus braços ao redor do corpo de Haechan, e mesmo enquanto pressionava seu corpo no dele, parecia nunca poder chegar perto o bastante.

Apesar do turbilhão de adrenalina, pânico e tudo mais chacoalhando seu sistema nervoso, Haechan não podia deixar de sorrir ao ver Mark. O receio evaporou. Seu medo era um medo distante. Ele estava cheio de expectativas. Ele não tinha certeza do que estava por vir, ou quando, mas sabia que alguma coisa ia acontecer e era essencial que estivesse pronto para ela. Talvez fosse bom, talvez fosse ruim. Ele não se importava, na verdade. Seu coração estava livre de preocupações e desejos. Ao ter Mark em seus braços, ele não ansiava por nada, não lhe faltava nada.

Mark e Haechan estavam juntos há mais tempo do que conseguiam se lembrar e claramente confiavam um no outro tanto quanto alguém como eles era capaz de confiar. Haechan continuava sendo o mesmo – sarcástico, rude, imprevisível –, mas, por baixo de toda aquela raiva, havia algo além. Algo que somente aparecia quando Mark era o alvo dos seus olhos.

Haechan se inclinou com um sorriso para sussurrar no ouvido de Mark: — Quantas chances eu disse que tínhamos? — Perguntou ele, inclinando o corpo para encontrar os lábios do mais velho, ele enroscou os dedos nos cabelos tingidos de loiro com mexas laranjas. Ele fechou os olhos e sentiu o gosto do tabaco na língua alheia. Mark soltou um gemido baixo e Haechan sentiu seu coração batendo contra suas costelas.

O rosto de Mark mudou completamente quando ele se afastou, sorrindo. — Uma em cem — respondeu.

Mark não tinha a intenção de colocar o próprio destino nas mãos de homens cuja única qualificação consistia em procurar convencer um grupo de pessoas a votar neles. Mas aceitava colocá-lo nas mãos de alguém que cuidou dele e o protegeu quando os outros atiravam nele. Alguém que acreditava nele. Ele foi sempre a pessoa a quem Haechan dedicou a maior lealdade durante todos os últimos anos.

— Eu prometi fazer de você alguém — disse Haechan, em um sussurro. — Mas foi você quem me tornou alguém. Alguém de quem se lembrarão.

Assim que Mark se afastou de Haechan, ainda sorrindo, ele não pôde deixar de notar um movimento pelo canto do olho – uma sombra correndo entre as árvores, um cano apontado na sua direção.

— Abaixa! — Haechan gritou.

Ele atirou, e um corpo caiu no chão.

Depois disso, a cena que se desenrolou diante dos olhos da dupla de criminosos era a de um grupo de homens os cercando com suas armas. E eles não queriam apenas impedir fugitivos de espancarem.

Eles queriam matá-los.

Haechan e Mark começaram a atirar ao mesmo tempo em que corriam para trás das arvores, tentando se proteger. Tiros acertando de raspão e atravessando a neve. Não havia como se aproximar do Mercury que agora também estava sendo alvo de tiros. Mark atirou em dois homens liderando o ataque. Um caiu e o outro rolou para a esquerda e se protegeu atrás de uma rocha. Ele disparou mais três tiros, então correu para perto do carro quando sentiu uma lâmina queimar a carne de sua coxa e seu pé deslizar para o chão. Imediatamente, Haechan se moveu para protegê-lo, levantou o rifle e atirou contra o guarda. Assim que perceberam que quanto mais tentavam se aproximar do carro, mais ataques sofriam, voltaram a recuar para o meio das árvores.

Temos uma chance em cem, Haechan queria lembrar o parceiro ao ouvir ele agonizar de dor, e eu amo você. Mas mesmo se fizesse, Mark não conseguiria escuta-lo através do barulho de tiros e sirenes.

De volta ao Mercury, a experiência de Hansol como ex-franco-atirador do exército coreano foi posta em teste naquele exato momento quando os rápidos estrondos de tiros enchiam seus ouvidos e estilhaços de vidro choviam sobre suas mãos e costas conforme devolvia os disparos contra quem se aproximasse do carro. Ten e Winwin também não ficavam muito para trás com armas em punho. Eles sabiam que a força tática em breve estaria ali para fazer parte da festa, e tinham certeza que não queriam ficar para serem os convidados de honra. Doyoung que havia tomado o banco da frente acelerava em direção da dupla que era mantida como alvo principal, derrubando alguns homens pelo caminho.

Doyoung não se importava. Podia mergulhar através do mar de balas, forçar seu caminho pelo monte de corpos no chão e se banhar em sangue. Mas e depois? Não importava. Não havia tempo para planejamento.

Indo em direção ao Mercury, Mark e Haechan não pararam para descansar. Mark se apoiou nos braços do parceiro e tentou se firmar na ponta de suas botas. Sua perna direita estava praticamente inútil devido ao tiro e ele teve de se erguer os últimos metros com braços trêmulos e coração disparado. A neblina prejudicava a visibilidade, mas era como se seus sentidos estivessem pegando fogo.

— Mark! Haechan!

O grito veio de trás e levou um momento para a dupla perceber que era Doyoung quem os chamavam, colocando a cabeça para fora do carro e acenando. O Mercury se manteve pareado com a dupla em baixa velocidade até que ambos pulassem dentro. Haechan disparou uma série de tiros aleatoriamente, de modo a fazer os guardas de segurança tentarem se proteger atrás das árvores, ele precisava fazer isso até Mark estar dentro do carro em segurança.

Com revólver e rifle sem munição, Haechan já estava com as mãos no Mercury em movimento quando algo se jogou contra ele. Um borrão passou pelo seu campo de visão. No mesmo instante em que o guarda tirava seus pés do chão, ele já estava se curvando para rolar. Ele caiu com força, mas estava de pé em segundos. Apenas um tolo tentaria uma luta corpo a corpo com Haechan. Hansol tentava mirar no alvo, mas o ângulo agora do carro e a movimentação dificultava a pontaria.

Fique parado, Mark implorou mentalmente, sua pistola empunhada tentando mirar o homem que levara seu parceiro ao chão. Mas ele não ficou. Haechan girou o corpo na neve e sua faca golpeou coração, pescoço, baço. O grito do guarda soou distante, e ele o soltou. No mesmo instante, ele voltou a correr na direção do carro com a porta ainda aberta a sua espera.

Mark estendeu o braço para fora sem lógica ou plano.

Haechan o agarrou sem hesitar.

Assim que a porta se fechou com um estrondo, Taeil finalmente se pronunciou: — Fechem os olhos! — seu grito atingiu a atenção de todos e ele se debruçou na traseira do Mercury com o vidro quebrado.

— Você acha que eu tenho um terceiro olho para conduzir essa coisa? — Gritou de volta Doyoung, ainda assumindo a direção do carro.

— Apenas deixe o carro alinhado — retrucou Taeil ajeitando o corpo para fora do carro e ficando de costas para o restante do grupo. — Agora. Fechem os olhos!

E todos fecharam.

Ouviu-se um som estridente e então uma luz brilhante explodiu por trás das pálpebras dos criminosos. Quando se apagou, eles abriram os olhos.

Ao longe, sendo deixados para trás, viram homens tropeçando, cegados pela bomba de luz que Taeil havia detonado, mas dentro do Mercury podia-se ver perfeitamente.

— Não acredito que conseguimos — gritou Ten sobre o barulho dos pneus na estrada, preso em algum lugar entre a adrenalina e o terror. — Nunca achei que diria isso, mas, meu Deus, eu amo você Moon Taeil!

Todos no carro riram.

— Um garoto abre a porta e é atingido por um tiro e você pensa que sou eu? Não, eu sou o que bate na porta. — Respondeu Taeil, era bom no que fazia e confiante o suficiente para fazê-lo. 

Ao atingir os primeiros oitenta quilômetros por hora, Haechan tomou a direção do Mercury e olhou de lado para o parceiro, vendo ele tentar parar o sangramento da perna. Mark devolveu o olhar, notando algo engraçado. — Onde conseguiu o terno? — Perguntou com um sorriso.

Haechan ajeitou a postura ainda com a respiração acelerada. Ele vestia um terno cinza e preto com uma gravata também preta agora suja de neve. De longe, poderia se passar por um executivo facilmente, mesmo com o peso familiar dos revólveres com seus cabos em sua cintura e um rifle nas costas.

— Eu sou um homem de negócios — respondeu fingindo arrogância ao ajeitar a gravata no pescoço, como um executivo faria.

— Você é um ladrão, Haechan — falou Mark.

— Não foi isso que acabei de falar?

O clima no carro tinha um ritmo frenético que surge depois que um desastre quase acontece. A ideia de que talvez nunca mais se vissem, de que alguns deles – talvez todos eles – talvez não sobrevivessem àquela noite, pairava pesada no ar enquanto Mark agora atingia os bons trezentos quilômetros por hora em direção à rodovia principal. Um ex-soldado militar, um criminoso ilegal, um traficante de armas, um homicida, um garoto tailandês que se transformou em assassino, dois assaltantes que fariam história. Haechan olhou para seu estranho bando, descalços e sujos em seus uniformes de prisão manchados de sangue, suas feições delineadas pela luz dourada das estrelas, suavizadas pela névoa que pairava no ar.

Sorriu.

Eles tinham uma chance em cem, e não eram nem um pouco burros para não aproveitar.

 

Um dia, serão mortos juntos

E enterrados lado a lado

Para poucos, tristeza

Para a lei, alívio

Mas essa será a morte

Para Bonnie e Clyde.


Notas Finais


Então, será que alguém presta atenção nos avisos da história hehe; eu sinto que vou ser perpetuada a morte por causa dessa markhyuck, mas não resisti, e quando eles já tiverem virado ahjussis vocês vão me agradecer, tenho certeza.

Alguns comentários random: preferi usar os nomes de stage dos membros como pseudônimo já que no contexto eles são criminosos, fiz hansol ser um asshole por pura diversão, winwin levou um tiro porque perdeu no minha mãe mandou, eu sinceramente amo o nome do mark em coreano /shy, insinuação de sexo com markhyuck pode? taeil homicida sim e já tenho uma os psycho!au pra quem não gostar, o poeminha no final foi escrito pela própria bonnie duas semanas antes de morrer, louco não?

Até o próximo sábado, bjin de luz.


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