História Ugly Love→ Destiel ← - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Castiel, Chuck Shurley, Dean Winchester, Naomi, Personagens Originais, Sam Winchester
Tags Bottom!cass, Bottom!dean, Casdean, Castiel, Dean, Destiel, Jensen Ackles, Misha Collins, Supernatural
Visualizações 317
Palavras 5.254
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


CHEGUEI MAIS RÁPIDO QUE... QUE EU. ASHUASHUASHUAHSUA.
* DESVIANDO DAS PESSOAS REVOLTADAS QUE VÃO SE VOLTAR CONTRA MIM DEPOIS DESSE CAPÍTULO *
Gente, eu queria que vocês ( para aqueles que não sabem ou favoritaram) favoritassem Crossfire pois amanhã vou postar um novo capítulo. SIM FINALMENTE, eu já estou acabando de escrevê-lo.

Mais uma vez, não me matem.

Boa leitura. ( em nome de jesus).

Capítulo 13 - Capítulo 13


Fanfic / Fanfiction Ugly Love→ Destiel ← - Capítulo 13 - Capítulo 13

‘’ Eu quero o seu amor

E eu quero a sua vingança

Eu quero o seu amor

Eu não quero que sejamos amigos

 Eu quero o seu amor

E eu quero a sua vingança

Você e eu poderíamos escrever um romance mau’’

 

 

 

Dean: Seis anos atrás


 

Meu pai fala que precisa conversar conosco.

Ele pede que chame Dominic e encontre com ele e Darya na mesa de jantar. Digo que sim, e que também precisamos conversar com eles.

A curiosidade surge em seus olhos, mas apenas por um rápido segundo. Ele pensa em Darya novamente e deixa de ficar curioso.

O tudo dele é Darya.

Vou até o quarto de Dominic e digo ao meu tudo que eles querem falar conosco.

Todos nos sentamos à mesa de jantar.

Sei o que vai dizer. Vai contar que a pediu em casamento.

Não queria me importar com isso, mas me importo. Me pergunto por que ele não me contou primeiro. É algo que me deixa triste, mas só um pouco. Nada disso vai importar depois que falarmos o que temos pra contar.

— Eu pedi a Darya em casamento — diz ele.

Darya sorri pra ele. Ele sorri para ela.

Dominic e eu não sorrimos.

— Então nos casamos — diz Darya, mostrando o anel.

Então.

Nos.

Casamos.

Dominic arqueja baixinho.

Eles já estão casados.

Parecem felizes.

Estão nos olhando, esperando alguma reação.

Darya está preocupada. Não gosta de ver Dominic tão chateado.

— Querido, foi algo espontâneo. Estávamos em Las Vegas. Nenhum de nós queríamos uma festa grande. Por favor, não fique com raiva.5

Dominic cobre o rosto com as mãos e começa a tremer.

Abraço Dominic. Quero consolar  Dominic. Quero beijar Dominic. Quero tranqüilizar Dominic.

Meu pai e Darya não compreenderiam.

Preciso contar para eles.

Meu pai parece confuso por Dominic está tão chateado.

— Achei que não ligariam — diz ele. — Vocês dois vão para a faculdade daqui alguns meses.

Ele acha que estamos com raiva deles.

— Pai? — começo, mantendo o braço em volta de Dominic. — Darya?

Olho para os dois.

Arruíno o dia deles.

Arruíno.

— Dominic está grávido.

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

SILÊNCIO ENSURDECEDOR.

Darya está chocada.

Meu pai está consolando Darya. Seu braço está ao redor dela, e ele está massageando suas costas.

— Você nem tem namorado — exclama Darya, exaltada.

Dominic olha para mim.

Meu pai se levanta. Agora ele está com raiva.

— Quem é o responsável? — grita. Olha para mim. — Me conte quem é, Dean. Que tipo de rapaz engravida um garoto e não tem a coragem de estar perto dele quando ele dá a notícia para a própria mãe? Que tipo de rapaz deixa o irmão do garoto dar a notícia?

— Não sou o irmão dele — protesto.

Não sou.

Ele ignora meu comentário.

Agora, está andando de um lado para o outro na cozinha. Odeia a pessoa que fez isso com Dominic.

— Pai.

Levanto-me.

Ele para de andar. Vira-se e olha para mim.

— Pai...

De repente, não me sinto mais tão confiante quanto estava quando me sentei aqui.

Eu consigo.

— Pai, fui eu. Fui eu que o engravidei.

Ele está achando difícil digerir minhas palavras.

Darya está olhando para Dominic e para mim. Ela também não consegue assimilar o que estou dizendo.

— Não é possível — exclama meu pai, tentando afastar todos os pensamentos que dizem que é possível.

Espero a ficha cair.

Sua expressão muda de confusão para raiva. Olha para mim como se eu nem fosse seu filho. Olha como se eu fosse o rapaz que engravidou seu novo enteado.

Ele me odeia.

Ele me odeia.

Ele realmente me odeia.

— Saia dessa casa.

Olho para Dominic. Ele agarra minha mão e balança a cabeça, implorando silenciosamente para que eu não vá.

— Saia — repete.

Ele me odeia.

Digo a Dominic que é melhor que eu vá.

— É por pouco tempo.

Ele implora para que eu não vá. Meu pai dá a volta na mesa e me empurra. Ele me empurra na direção da porta. Solto a mão de Dominic.

— Vou para a casa do Sam — digo para Dominic. — Amo você.

Está na cara que essas palavras são demais para o meu pai, pois seu punho se lança imediatamente para cima de mim. Ele afasta a mão e quase parece tão chocado quanto eu por ter acabado de me dar um soco.

Saio, e meu pai bate a porta.

Meu pai me odeia.

Vou até meu carro e abro a porta. Sento-me no banco do motorista, mas não ligo o motor. Olho no espelho. Meu lábio está sangrando.

Odeio meu pai.

Saio do carro e bato a porta. Volto para dentro de casa. Meu pai vem correndo até a porta.

Estendo as palmas da mão. Não quero bater nele, mas bateria. Se ele encostar a mão de novo em mim, eu bato nele.

Dominic não está mais à mesa.

Dominic está no quarto.

— Me desculpe — digo para os dois. — Não queríamos que acontecesse, mas aconteceu, e agora precisamos lidar com isso.

Darya está chorando. Meu pai abraça-a. Olho para Darya.

— Eu o amo — digo. — Estou apaixonado pelo seu filho. Vou cuidar dos dois.

Vamos conseguir.

Darya nem consegue me olhar.

Os dois me odeiam.

— Começou antes mesmo que eu conhecesse você, Darya. Conheci Dominic antes de saber que você e meu pai estavam juntos, e tentamos parar.

Isso é meio que uma mentira.

Meu pai dá um passo à frente.

— O tempo inteiro? Isso estava acontecendo o tempo inteiro desde que ele se mudou pra cá?

Balanço a cabeça.

— Está acontecendo desde antes dele se mudar pra cá.

Agora ele me odeia ainda mais. Quer me bater de novo, mas Darya está o segurando. Fala para meu pai que eles vão pensar em alguma coisa. Diz que consegue "resolver" o assunto. Diz que tudo vai ficar bem.

— É tarde demais para isso — conto para Darya. — Ele já está grávido há tempo demais.

Não espero meu pai me bater novamente. Me lanço pelo corredor e vou até Dominic. Tranco a porta após entrar.

Ele me encontra no meio do caminho, joga os braços ao redor do meu pescoço e chora na minha camisa.

— Bem — digo. — A parte mais difícil já passou.

Ele ri enquanto chora. Diz que a parte mais difícil ainda não passou. Diz que a parte mais difícil vai ser fazer o bebê sair.

Eu rio.

Eu amo tanto você, Dominic.

Eu amo tanto você, Dean. — sussurra.

 

 

Castiel

 

 

Sinto tanto falta de você, Dean.

É por causa de pensamentos como esse que estou afogando as mágoas no chocolate. Faz três semanas que ele me trouxe para casa.

Faz três semanas que não o vejo. O Natal chegou e foi embora, mas mal percebi, porque estava trabalhando. Duas quintas-feiras de jogo em que Dean não apareceu. O Ano-Novo chegou e foi embora.

Mais um semestre de aulas começou.

E Castiel ainda sente falta de Dean.

Pego as gotas de chocolate e o leite achocolatado e vou para a cozinha escondê-los da pessoa que está batendo à porta.

Já sei que não é Dean, porque são Alec e Magnus. Os únicos amigos que fiz aqui de tão ocupado que estou, e só são meus amigos porque estamos no mesmo grupo de estudos.

E é por isso que estão batendo à minha porta agora.

Abro-a, e Alec está parado sem Magnus.

— Onde está Magnus?

— Foi chamado para cobrir um plantão. Não vai poder vir.

Abro mais a porta para que ele entre. Assim que dá um passo para dentro, Dean abre a porta do apartamento do outro lado do corredor. Ele congela quando nossos olhares se encontram.

Prende-me ao seu olhar por vários segundos até desviar os olhos por cima do meu ombro e parar em Alec.

Olho para Alec, que olha para mim e ergue a sobrancelha. Pelo jeito, percebeu que tem muita coisa acontecendo, então se retira respeitosamente para o interior do apartamento.

— Vou para seu quarto, Castiel.

É muito gentil da sua parte, Alec, se oferecer para me dar privacidade com o rapaz do apartamento vizinho. No entanto, avisar que ia esperar no meu quarto provavelmente não foi o respeito que Dean queria ver, porque agora ele está entrando de volta em sua casa.

Seus olhos vão até o chão antes de ele fechar a porta.

A expressão que havia neles fez com que eu sentisse pontadas de culpa na barriga. Preciso lembrar a mim mesmo de que foi ele quem escolheu isso. Não preciso sentir culpa de nada, mesmo que esteja interpretando mal a situação que acabou de ver ao abrir a porta de casa.

Fecho a porta e me junto a Alec no quarto. A conversa silenciosa que tive comigo mesmo para me animar não diminuiu em nada a culpa. Sento-me na cama, e ele senta-se na cadeira perto da mesa.

— Aquilo foi estranho — comenta, me olhando. — Agora estou com medo de sair daqui.

Balanço a cabeça.

— Não se preocupe com Dean. Ele tem problemas, mas eles não são mais meus.

Alec assente e não pergunta mais nada. Abre o guia de estudos e o põe no colo enquanto apóia os pés na cama.

— Magnus já fez anotações para o capitulo dois, então, se você fizer para o capitulo três, posso fazer para o quatro.

— Combinado.

Recosto-me ao travesseiro e passo a próxima hora preparando as anotações do capítulo três, mas não faço idéia de como consigo me concentrar, pois a única coisa em que consigo pensar é no olhar no rosto de Dean logo antes de ele fechar a porta. Deu para perceber que o magoei.

Acho que agora estamos quites.

.

.

.

 

Depois que Alec e eu trocamos nossas anotações e respondemos às perguntas de estudo no final de cada capítulo, faço cópias na minha impressora. Percebo que três pessoas dividirem três capítulos e compartilharem suas respostas é trapacear, mas quem diabos se importa? Nunca disse que era perfeito.

Após terminarmos, acompanho Alec até lá fora. Dá para perceber que está um pouco nervoso depois de ter visto o olhar de Dean mais cedo, então espero até que entre no elevador antes de fechar a porta de casa. A verdade é que eu também estava um pouco nervoso por ele.

Vou até a cozinha e começo a preparar um prato de comida que sobrou. Não faz sentido cozinhar, pois Miguel só vai chegar tarde da noite. Antes de terminar de colocar comida no meu prato, a porta da frente se abre com alguém batendo.

Dean é a única pessoa que abre a porta e bate ao mesmo tempo.

Acalme-se.

Acalme-se, acalme-se, acalme-se.

Acalme aí, Castiel!

— Quem era aquele? — pergunta Dean, atrás de mim.

Nem me dou o trabalho de virar. Continuo preparando a comida como se o fato de ele estar aqui após semanas de silêncio não estivesse fazendo uma tempestade de emoções tomar conta de mim. Sendo raiva a mais forte de todas.

— Ele é da minha turma. Estávamos estudando. —  Senti a tensão dele diminuir, e sequer estou virado para ele.

— Durante três horas?

Eu me viro para ele, mas o palavrões que quero gritar ficaram preso na garganta no instante em que o vejo. Dean está parado na porta da cozinha, segurando o batedor acima da cabeça. Seu cabelo parece estar maior, assim como sua barba que parece estar crescendo desde a ultima vez que nos vimos. Está descalço, e a camisa subiu com os braços, deixando à mostra aquele V.

Primeiramente, fico encarando-o.

Depois é que grito com ele.

— Se eu quiser passar três horas trepando com um cara no meu quarto, bom para mim! Você não tem o mínimo direito de opinar sobre o que acontece na minha vida. Você é um canalha e tem sérios problemas, e não quero mais fazer parte deles.

Estou mentindo. Quero muito fazer parte dos problemas dele. Quero mergulhar nos seus problemas e me tornar seus problemas, mas o certo é ser um homem independente e determinado, que não cede só porque gosta de um cara.

Ele estreita os olhos, e sua respiração está rápida e intensa. Abaixa os braços e vem rapidamente até mim, agarrando meu rosto e me obrigando a olhar para ele.

Seus olhos estão agitados, e saber que ele está com medo de que eu tenha partido para outro é gostoso demais. Ele espera vários segundos antes de falar, deixando que o olhar percorra meu rosto. Os dedos encostam levemente nas minhas maçãs do rosto de um jeito protetor e bom, e odeio imensamente o fato de querer senti-los por todo canto nesse momento. Não gosto da pessoa em que me transformo quando estou com ele.

— Está dormindo com ele? — pergunta, enfim parando os olhos nos meus enquanto procuram a verdade.

Não é da sua conta mesmo, Dean.

— Não — digo por fim.

— Você o beijou?

Continua não sendo da sua conta, Dean.

— Não.

Ele fecha os olhos e expira, aliviado. Abaixa as mãos até o balcão, nas laterais do corpo, e encosta a testa no meu ombro.

Não me pergunta mais nada.

Está sofrendo, mas não sei o que diabos fazer a respeito disso. Ele é o único que pode mudar as coisas entre nós e, pelo que sei, ainda não está disposto a fazer isso.

— Castiel — sussurra, agonizando. Seu rosto move-se até meu pescoço, é uma das mãos agarra minha cintura. — Que droga, Castiel. — A outra mão vai até a parte de trás da minha cabeça, e os lábios apoiam-se na pele do meu pescoço. — O que eu faço? — geme. — Que merda devo fazer?

Fecho os olhos com força, pois a confusão e a aflição na sua voz são insuportáveis. Balanço a cabeça. Balanço-a porque não sei responder a uma pergunta que sequer compreendo. Também balanço a cabeça porque não sei afastá-lo fisicamente.

Seus lábios encostam na área bem abaixo da minha orelha, e quero puxá-lo para perto e empurrá-lo para o mais longe possível. A boca continua movendo-se pela minha pele, e sinto meu pescoço inclinar para que ele encontre ainda mais de mim para beijar. Os dedos emaranham-se no meu cabelo enquanto ele agarra a parte de trás da minha cabeça para me segurar contra a boca.

— Me obrigue a ir embora — implora, com o calor da voz na minha garganta. — Você não precisa disso. —  Ele sobe pelo meu pescoço com beijos, parando para respirar apenas quando fala. — Eu simplesmente não sei como parar de querer você. Me mande embora que eu vou.

Não mando-o embora. Balanço a cabeça.

Não consigo.

Viro o rosto em direção ao seu no instante em que alcança a minha boca. Agarro sua camisa e o puxo para mim, sabendo exatamente o que estou fazendo comigo mesmo. Sei que esta vez não vai terminar de um jeito mais bonito do que as outras, mas continuo querendo com a mesma intensidade. Senão com mais.

Ele para e me olha seriamente nos olhos.

— Não consigo dar a você mais do que isso — alerta, baixinho. — Simplesmente não consigo.

Odeio-o por dizer isso, mas também o respeito.

Reajo puxando-o até nossos lábios se encontrarem. Estamos agitados, nos puxando, gemendo, agarrando a pele um do outro.

Sexo. Lembro-me. É apenas sexo. Nada além disso. Ele não vai me entregar nenhuma outra parte dele.

Posso repetir isso pra mim o quanto quiser, mas, ao mesmo tempo, agarro, agarro e agarro tudo o que for possível. Decifrando todos os sons que ele faz, todos os toques, tentando me convencer de que o que ele está me dando é muito mais do que provavelmente é.

Sou um imbecil.

Pelo menos eu que sou um imbecil.

Desabotôo sua calça, e ele desabotoa a minha, e, antes mesmo de chegar no quarto, minha blusa já foi tirada. Nossas bocas não se separam enquanto ele fecha a porta e arranca minha calça. Empurra-me para a cama e tira minha boxer, e fica em pé de novo para tirar a sua.

É uma corrida.

Somos Dean e eu contra todo o resto.

Estamos correndo contra nossas consciências, nossos orgulhos, nossos respeitos, contra a vontade. Ele está tentando entrar em mim antes que qualquer uma dessas coisas nos alcance.

Assim que volta para a cama, ele vem para cima de mim e mete em mim.

Vencemos.

Sua boca encontra a minha novamente, mas é tudo o que ela faz. Ele não me beija. Nossos lábios se tocam, e nossas respirações colidem uma contra a outra, e nossos olhos se encontram, mas não há nenhum beijo.

O que nossas bocas estão fazendo é muito mais do que isso. A cada estocada, seus lábios deslizam por cima dos meus, e os olhos ficam mais desejosos, mas ele não me beija nenhuma vez.

Um beijo é bem mais fácil do que o que estamos fazendo. Quando beijamos, fechamos os olhos. Dá para esquecer os próprios pensamentos beijando. Dá para esquecer a dor, a dúvida e a vergonha beijando. Quando fechamos os olhos e beijamos, nos protegemos da vulnerabilidade.

Não estamos nos protegendo.

Estamos nos confrontando. É uma disputa. É um duelo visual. É um desafio, de mim para Dean e de Dean para mim.

Eu desafio você a tentar parar, gritamos, silenciosamente.

Os olhos continuam focados nos meus o tempo inteiro enquanto ele entra e sai. A cada investida, escuto as palavras de apenas algumas semanas atrás que se repetem na minha cabeça.

É fácil achar que sentimentos e emoções são algo que não são, especialmente quando tem contato visual no meio.

Agora compreendo completamente. Compreendo tão bem que quase queria fechar os olhos, porque é bem provável que ele não esteja sentindo o que eles estão mostrando pra mim nesse momento.

— É tão gostoso sentir você — sussurra.

As palavras caem dentro da minha boca, forçando gemidos a saírem como resposta. Ele abaixa a mão direita entre nós, fazendo pressão em mim de maneira que normalmente minha cabeça cai para trás e os olhos se fecharem.

Desta vez, não. Não vou fugir deste confronto. Especialmente quando ele está olhando bem no fundo dos olhos, desafiando suas próprias palavras.

Apesar de me recusar a ceder, deixo-o saber o efeito que está tendo em mim. É inevitável, pois não tenho controle algum sobre minha voz neste momento. Ela foi possuída por um garoto que acha que quer exatamente isso dele.

— Não pare — digo, com um gemido, ficando mais possuído à medida que o tempo passa e ele continua.

— Não pretendo parar.

Ele faz mais pressão, tanto dentro quanto fora de mim. Agarra minha perna por trás do joelho e a puxa entre nós, encontrando um ângulo levemente melhor para me penetrar. Segura minha perna firmemente contra o ombro e consegue entrar ainda mais fundo.

— Dean. Ah, meus Deus.

Com um gemido, digo seu nome e o de Deus e grito até para Jesus algumas vezes. Começo a estremecer debaixo dele, e não sei qual de nós cedeu primeiro, mas agora estamos nos beijando. Estamos nos beijando com tanta força e intensidade quanto as estocadas que ele dá em mim.

Ele está fazendo barulho. Estou fazendo mais ainda.

Estou tremendo. Ele está tremendo mais ainda.

Ele está ofegante. Estou inspirando o suficiente por nós dois.

Ele investe uma última vez e pressiona seu peso firmemente contra o meu corpo, me prendendo no colchão.

— Castiel — murmura meu nome contra minha boca, enquanto o corpo se recupera dos tremores. — Porra, Castiel. — Ele sai lentamente de dentro de mim e pressiona a bochecha contra meu peito. — Puta merda! — exclama, baixinho. — É tão gostoso. Isso aqui. Nós dois. Gostoso pra cacete.

— Eu sei.

Ele rola para ficar de lado e mantém o braço em cima de mim.

Ficamos deitados juntos, em silêncio.

Eu, sem querer admitir que acabei de deixar que ele me usasse mais uma vez.

Ele, sem querer admitir que não foi somente sexo.

Ambos mentindo para nós mesmos.

— Onde está Miguel? — pergunta.

— Vai chegar mais tarde.

Ele ergue a cabeça e olha para mim, franzindo a testa de preocupação.

— É melhor eu ir. — Rola para fora da cama e coloca a calça de novo. — Passa lá em casa mais tarde?

Faço que sim enquanto me levanto e visto minha boxer.

— Pegue minha camisa na cozinha. — peço.

Ele abre a porta do meu quarto, mas não sai. Fica parado na porta.

Está olhando para alguém.

Merda.

Não preciso vê-lo para saber que Miguel está lá fora. Corro imediatamente até a porta para impedir o que quer que esteja prestes a acontecer. Após abri-la mais um pouco, vejo que está na porta do seu quarto do outro lado do corredor, fulminando Dean com o olhar.

Tomo a iniciativa.

— Miguel, antes que diga qualquer coisa...

Ele ergue a mão para que eu cale a boca. Por um instante, seus olhos descem até minha cueca, e ele faz uma careta, como se estivesse esperando que o que escutou não tivesse mesmo acontecido. Ele desvia o olhar, e eu ruborizo imediatamente, envergonhado por ele ter escutado tudo. Olha de novo para Dean, e nos seus olhos há uma mistura de raiva e decepção.

— Há quanto tempo?

— Não responda isso, Dean — digo.

Só quero que ele vá embora. Miguel não tem o direito de questioná-lo assim. É ridículo.

— Um tempinho — admite Dean, envergonhado.

Miguel faz que sim lentamente com a cabeça, assimilando a resposta.

— Você o ama?

Dean e eu nos olhamos. Ele olha de volta para Miguel, como se estivesse decidindo a quem quer agradar com a resposta.

Tenho certeza de que vê-lo fazer que não com a cabeça não agrada a nenhum de nós.

— Mas pelo menos pretende amá-lo? — questiona Miguel.

Continuo estudando Dean como se alguém estivesse perguntando para ele qual o sentido da vida. Acho que quero ouvir essa resposta mais do que Miguel.

Dean expira e balança a cabeça novamente.

Não — sussurra ele.

Não.

Sequer pretende me amar.

Eu já sabia a resposta dele. Esperava por ela. Ainda assim, fiquei magoado pra cacete. O fato de Dean nem mesmo conseguir mentir para não desapontar Miguel prova que o que está fazendo não é um jogo.

É o próprio Dean. Ele não é capaz de amar. Não mais, pelo menos.

Miguel segura o batente da porta e pressiona a testa contra o braço, inspirando lenta e calmamente. Ele olha para Dean, e seus olhos parecem flechas mirando num alvo. Em toda a minha vida, nunca vi Miguel tão furioso.

— Você acabou de comer o meu irmão?

Estou esperando Dean cair para trás com o impacto das palavras de Miguel, mas ele dá um passo em sua direção.

— Miguel, ele é adulto.

Meu irmão dá um passo rápido na direção de Dean.

— Sai daqui.

Dean olha para mim com os olhos pesarosos e cheia de arrependimento. Não sei se é por minha causa ou por Miguel, mas ele faz o que Miguel pede.

Vai embora.

Ainda estou na porta do quarto, olhando para Miguel como se eu pudesse sair voando para o outro lado do corredor e bater nele.

Ele lança um olhar penetrante, tão firme quanto sua postura.

— Não se atreva a me dizer que não tenho o direito de ficar puto.

Ele volta para o quarto e bate a porta.

Pisco rapidamente, contendo lágrimas de raiva por causa de Miguel, de mágoa por causa de Dean e de vergonha por causa das escolhas egoístas que fiz para mim. Recuso-me a chorar na frente de qualquer um deles.

Visto minha calça e vou até a cozinha. Pego minha blusa e a visto enquanto vou até a porta e atravesso o corredor. Bato na porta de Dean, e ele a abre imediatamente. Olha para trás de mim como se esperasse ver Miguel parado ali, e depois dá um passo para o lado, me deixando entrar.

— Ele vai superar.

— Eu sei — concorda, baixinho. — Mas não vai mais ser a mesma coisa.

Dean vai até a sala e senta-se no sofá, então o acompanho e me sento do seu lado. Não tenho nenhum conselho para dar, pois ele tem razão. Sinto-me um lixo por ser a causa disso.

Dean suspira enquanto puxa minha mão para o colo e entrelaça os dedos nos meus.

— Castiel. Desculpe.

Olho para ele, e seus olhos sobem e encontram os meus.

— Pelo quê?

Não sei por que estou fingindo não saber sobre o que ele está falando. Sei exatamente sobre o que está falando.

— Quando Miguel me perguntou se eu tinha a intenção de amá-lo — explica. — Me desculpe por não ter conseguido responder que sim. É que eu não queria mentir nem para você e nem para ele.

Balanço a cabeça.

— Você sempre foi honesto a respeito do que queria de mim, Dean. Não posso ficar com raiva por causa disso.

Ele inspira profundamente enquanto se levanta e começa a andar de um lado para o outro da sala. Continuo no sofá e o observo organizar os pensamentos. Dean acaba parando e juntando as mãos atrás da cabeça.

— Também não tinha o direito de questioná-lo sobre aquele rapaz. Não deixo que questiono a mim ou à minha vida, então não tenho direito de fazer isso com você.

Não vou discutir com essa lógica.

— Só não sei lidar com essa situação. — Ele aproxima-se de mim, e eu me levanto. Põe os braços ao redor dos meus ombros e me abraça. — Não sei qual a maneira fácil ou educada de dizer isso, mas o que falei para Miguel é a verdade. Nunca mais vou amar alguém. Acho que não vale a pena. Mas não estou sendo justo com você. Sei que estou te confundido, e sei que o magoei e peço desculpas. É que eu gosto de ficar com você, mas toda vez que estamos juntos, fico com medo de que você esteja achando que o que temos é mais do que realmente é.

Sei que devia reagir de alguma forma a tudo que ele acabou de dizer, mas ainda estou digerindo suas palavras. Todas aquelas confissões deveriam servir de sinal vermelho, já que foram acompanhadas de dura verdade de que ele não tem a intenção de me amar ou de namorar comigo, mas o sinal vermelho não acende.

O que acende é o verde.

— Sou eu especificamente que não quer amar ou é o amor em geral que não quer sentir?

Ele me afasta do seu peito para me olhar enquanto responde:

— É o amor em geral que não quero, Castiel. Nunca. E é você especificamente que apenas... desejo.

Eu me apaixono e desapaixono e reapaixono por essa resposta.

Estou tão fodido. Era para tudo o que ele falou me fazer sair em disparada, mas, em vez disso, fico com vontade de jogar os braços ao seu redor e entregar tudo que estiver disposto a aceitar de mim. Estou mentindo para ele, estou mentindo para mim e não estou fazendo bem a nenhum de nós, mas não consigo controlar minhas palavras.

— Consigo lidar com isso se for algo simples. Quando aprontou aquela merda algumas semanas atrás, de ir embora e bater a porta... aquilo não foi nada simples, Dean. São coisas daquele tipo que complicam a situação.

Ele assente, refletindo sobre o que eu disse.

— Simples — repete, sentindo a palavra na boca. — Se você topa o simples, eu topo o simples.

— Ótimo — concordo. — E, quando ficar difícil demais para algum de nós, terminamos de vez.

— Não tenho medo que isso fique difícil demais para mim. Estou preocupado que talvez fique difícil demais para você.

Também estou preocupado comigo, Dean. Mas minha vontade de ficar aqui agora é bem maior do que a preocupação com o efeito que isso terá em mim no final.

Ao pensar isso, percebo repentinamente qual é a minha única regra.

Desde o início, ele teve seus limites, protegendo-se da vulnerabilidade a que me sujeitei.

— Acho que finalmente criei minha regra — conto-lhe, e ele olha para mim, erguendo a sobrancelha e esperando. — Não me dê falsas esperanças sobre o futuro — digo. — Especialmente se seu coração diz que nunca teremos um.

Sua postura se enrijece imediatamente.

— Eu fiz isso? — pergunta, genuinamente preocupado. — Já dei falsas esperanças pra você?

Sim. Uns trinta minutos atrás. Quando me olhou nos olhos durante o tempo em que estava dentro de mim.

— Não — nego, imediatamente. — Só tome cuidado para não fazer nem dizer nada que me faça achar outra coisa. Se não interpretarmos nada errado, acho que vamos ficar bem.

Ele fica me encarando em silêncio por um tempo, me analisando. Avaliando minhas palavras.

— Não sei se é muito maduro para a sua idade ou se está se iludindo.
Dou de ombros, deixando minhas ilusões bem guardadas dentro do peito.

— Tenho certeza de que é uma mistura nada saudável das duas coisas.

Ele pressiona os lábios no lado da minha cabeça.

— É bem bizarro dizer isso em voz alta, mas prometo que nunca vou lhe dar esperança quanto a nós, Castiel.

Meu coração se franze com essas palavras, mas o rosto força um sorriso.

— Ótimo. Você tem sérios problemas, e eles meio que me assustam, então vou preferir me apaixonar algum dia por um homem que seja emocionalmente estável.

Ele ri. Deve ser por saber que probabilidade de encontrar alguém capaz de aturar esse tipo de relacionamento, se é que dá para chamar disso, é extremamente baixa. No entanto, de algum modo, o único garoto que toparia acabou de se mudar para o apartamento vizinho. E ele até gosta dele.

Você gosta de mim, Dean.

.

.

.



— Miguel descobriu — digo, enquanto sento-me no lugar de sempre ao lado de Cap.

— Xiii. O garoto ainda está vivo?

Faço que sim.

— Por enquanto. Mas não sei por quanto tempo.

A porta do prédio se abre, e vejo Niklaus entrar. Ele tira o chapéu e o sacode na parte de trás do corpo enquanto caminha na direção do elevador.

— Às vezes, eu queria que meus vôos terminassem em acidentes — confessa Cap, olhando para Niklaus.

Pelo jeito, Cap também não gosta dele. Estou começando a me sentir meio mal por Klaus.

Ele nos avista um pouco antes de chegar aos elevadores. Cap está se movendo na direção do botão para subir, mas Niklaus o alcança antes dele.

— Consigo chamar meu próprio elevador, velhote — dispara.

Lembro-me vagamente de pensar em Klaus uns dez segundos atrás e de me sentir mal por ele. Agora, retiro o que pensei.

Niklaus olha para mim e pisca.

— O que está fazendo, Castiel?

— Lavando elefantes — digo, sério.

Niklaus olha para mim confuso, competente pedido com minha resposta sem sentindo.

— Se não quer uma resposta sarcástica — diz Cap — não faça uma pergunta estúpida.

A porta do elevador se abre, e Niklaus revira os olhos para nós antes de entrar.

Cap lança um olhar para mim e sorri. Ele ergue a palma da mão, e dou um high-five nele.

 


Notas Finais




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