História Última Chance - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Anshi

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Taekook
Exibições 33
Palavras 4.796
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


AYO, SWEET BULLETS!
Eu nem vou comentar minhas outras fics, digo apenas que essa fic é dedicada a Giulia e que eu estava devendo uma TaeKook pra ela há muuuuuuuuuito tempo.

LESGO!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Última Chance - Capítulo 1 - Capítulo Único

É começo de inverno e eu estou o seguindo novamente. Eu esqueci minhas luvas dentro do meu armário da escola e minhas mãos estão congelando, mas eu ignoro isso e continuo o seguindo nas sombras.

Eu não queria ser um stalker, mas foi tudo o que me restou depois que meu pai saiu de casa para viver com outra mulher e minha mãe caiu na depressão. Como o bom filho que sou, tentei animá-la, mas apenas estava sendo tragado por sua tristeza. É por isso que não quero ficar em casa, prefiro passar o dia seguindo o garoto que mora no fim da rua.

Taehyung vai para o trabalho depois da escola, é uma loja de conveniência, eu fico na cafeteria em frente o observando, nunca tive coragem de entrar onde ele trabalha... Na verdade, nunca tive coragem de falar com ele. Se sei o seu nome é porque ouvi seus colegas falarem.

Enquanto o observava arrumar a prateleira de doces, me perguntei como eu acabei por me afeiçoar tanto a um desconhecido. Taehyung mora no mesmo bairro que eu, na mesma rua a duas casas de distância e estuda na mesma escola, mas em uma turma diferente da minha. Ele é mais velho e desde a primeira vez que eu o vi me encantei, não sei exatamente o que foi, mas ele sempre capta minha atenção como ninguém.

Eu nunca fui popular, na verdade, tenho um pouco de medo do convívio social. O motivo não é um trauma ou coisa do tipo, eu apenas... Apenas prefiro minha própria companhia e tenho medo do desconhecido, mas ao ver Taehyung, pela primeira vez, eu quis falar com alguém, quis conhecer outra pessoa. Mas eu tinha muito receio.

Porque eu sou uma página em branco e ninguém se interessaria por isso.

Então, eu apenas o seguia com o olhar quando íamos para a escola, durante o intervalo e na volta. Até que ele começou a trabalhar e semanas depois meu pai saiu de casa... Desde então, eu o sigo todos os dias. Gosto de pensar em mim como seu anjo da guarda, apesar de nunca fazer nada para protegê-lo. Bom, não é como se Taehyung precisasse de proteção, mas eu fico o vigiando e desejando seu bem.

O expediente de Taehyung acabou junto com minha segunda xícara de cappuccino, paguei a moça do caixa que me olhava com curiosidade e saí atrás de Taehyung mantendo uma distância segura. E apesar disso, quando meu telefone tocou, quase engoli minha língua de susto.

Ninguém nunca me ligava.

– Alô? – Atendi baixinho.

– Jeongguk? – Era a voz de minha mãe.

– Sim, omma. Algum problema?

– Eu só quero saber se você está voltando para casa, preciso falar com você.

Alguma coisa estava muito errada, despedi de minha mãe e quando cheguei ao ponto de ônibus, Taehyung já tinha ido para casa. Fiquei lá esperando a próxima condução, enquanto assoprava em minhas mãos para tentar esquentá-las. Não parei de pensar no telefonema que recebi um minuto sequer, minha mãe ultimamente falava muito pouco. A cada minuto eu ficava mais preocupado, até que finalmente cheguei em casa.

– Esqueceu suas luvas? – Minha mãe perguntou assim que entrei na sala.

– Esqueci, o que a senhora quer falar comigo?

Minha mãe suspirou e uniu suas mãos sobre suas pernas.

– Eu falei com a sua tia que mora em Busan e vamos nos mudar de volta para lá daqui a um mês.

Por um momento, minha mente se tornou um vácuo total e em seguida um rosto apareceu. Taehyung.

Fora ele, eu não tinha muitos motivos para continuar em Daegu, mas ele era motivo suficiente para me fazer querer ficar.

O que eu faria da minha vida se não fosse segui-lo?

– Por quê? – Foi tudo que consegui perguntar.

– Lá sua tia pode me arrumar um emprego e quando morávamos lá você tinha amizades, não é?

Na verdade, eu nunca tive amizades em lugar algum. Mas eu não queria dar mais preocupações para minha mãe.

– É.

– Então, pode começar a se preparar, daqui a um mês estamos de partida.

Um mês...

Minha mãe e eu jantamos, depois tomei banho e me deitei, mas nada tirava aquelas duas palavras da minha cabeça.

Um mês...

Eu tinha apenas mais um mês para observar Taehyung... Um mês apenas observando parecia um desperdício tão grande, porque poderia ser a última vez que eu o via. Foram três anos apenas o observando, seria isso o que eu faria no nosso último mês? Vê-lo de longe sem ele nem saber que eu existo? Ele que sempre esteve tão presente no meu cotidiano e nem sabe quem eu sou.

Aquilo tudo estava me angustiando, era como se eu tivesse vivido por nada. Eu sei que a maioria dos meus colegas nem sabem se eu estou lá ou não, mas aquela pessoa, aquela única pessoa. Eu quero que ele saiba.

E mesmo assim, o meu receio é enorme.

Passei boa parte da noite simulando como falaria com Taehyung, mas acho que nenhum assunto interessante poderia sair de mim. Eu não leio jornal, não assisto televisão, apenas uso a internet para fazer pesquisas, não entendo muito de música...

Ah, Jeongguk! O que você fez durante toda a sua vida?

No dia seguinte eu cumpri a mesma rotina de seguir Taehyung até a escola, observa-lo durante o intervalo e ir para a cafeteria depois da escola. Mas vê-lo sabendo que era meu último mês apenas me angustiou mais e eu tomei coragem para finalmente falar com Taehyung.

Paguei pela minha xícara de cappuccino, a moça me olhou com curiosidade novamente, coloquei as alças da mochila sobre meus ombros e as segurei procurando coragem. Respirei fundo ao deixar a cafeteria, atravessei a rua e pela primeira vez naquela loja ouvi o barulho de sinos anunciando um cliente. Taehyung me olhou e sorriu para mim, mas eu conhecia bem seu padrão como funcionário, ele sempre fazia o mesmo.

Eu passei olhando pelas prateleiras, procurando alguma coisa que indicasse um gosto pessoal meu, alguma coisa que me marcasse, que fizesse ele me notar, mas nada parecia bom o bastante para chamar a atenção de Taehyung.

– Precisa de ajuda? – Eu me assustei com a proximidade da voz de Taehyung, ele estava a centímetros do meu rosto. Não consegui raciocinar nada para dizer – Eu te assustei? – Ele perguntou sorrindo.

Eu me obriguei a dizer alguma coisa.

– Não, imagina... É só que... Eu entrei aqui sem saber bem o que comprar e há tanta variedade que estou confuso.

Eu me arrependi de ter falado tanto, mas Taehyung não pareceu se importar.

– Nesse frio eu te aconselho a comprar um chocolate quente – Taehyung saiu andando e eu o segui por puro hábito, sem saber se era o certo, seu cabelo cor de chocolate sempre me foi muito convidativo – Esse daqui – ele disse me mostrando uma latinha preta – ainda é novidade e por isso está barato, mas eu bebi ontem e gostei muito, não é doce enjoativo, sabe?

Taehyung falava comigo com uma naturalidade que me surpreendia e me encantava.

– Sei, gosto de coisas assim.

Tudo o que eu dizia parecia idiotice aos meus ouvidos.

– Sim, eu também – ele colocou o indicador sobre o lábio inferior e olhou para a loja – Ah! Se você tiver fome, eu aconselho aquele macarrão instantâneo de picanha, juro, é muito bom!

O sino tocou indicando outro cliente, Taehyung me pediu licença e foi atendê-lo. Eu fiquei olhando o que ele havia me indicado, decidi comprar um chocolate quente pra mim e um para ele... Óbvio que eu morreria de vergonha, mas iria justificar que foi por sua ajuda. Também peguei um chiclete de canela porque eu realmente gostava e não tinha em muitos lugares.

Coloquei o que queria comprar no caixa, Taehyung me olhou e meu sangue parou, cobri o que podia do meu rosto com meu cachecol.

– Você estuda na Hwa Yang Yeon Hwa?

– Estudo, estou no segundo ano.

– Ah! Você é meu hoobae, eu também estudo lá.

Era agora o meu momento, para fazer valer dezessete anos de vida e três de observação.

– Eu sei... Na verdade, você mora na mesma rua que eu.

Taehyung terminou de passar minhas compras e me olhou surpreso.

– Sério? Eu nunca te vi – ele disse meio que se culpando.

– Eu sou muito tímido.

– Ah, entendo, mas não padeço desse mal – disse sorrindo e eu o acompanhei.

Paguei pela minha compra e lhe dei um chocolate quente.

– É para retribuir você ter me ajudado a escolher.

– Ah, não precisa, é praticamente minha função.

– Eu sei, mas... Por favor, aceite.

Ele sorriu de um jeito que eu nunca tinha visto antes e eu fiquei sem ar com a visão.

– Muito obrigado... – Ele olhou a plaquinha com meu nome presa ao uniforme – Jeongguk.

Eu saí daquela loja me sentindo a mais incrível das pessoas por ter vencido uma limitação minha, mas ao mesmo tempo me sentia estranho e não sabia como seria dali para frente e não há nada que eu tema mais do que o desconhecido. Por isso eu passei o resto do dia em uma crise insuportável de ansiedade, minha concentração era quase nula e eu não tinha foco para terminar uma tarefa sequer. E é por isso que eu odeio o desconhecido.

No dia seguinte estava com olheiras por ter dormido mal e minha roupa estava um pouco amassada, mas não dei importância. Saí de casa e me deparei com Taehyung na porta de sua casa, ele parecia procurar alguém e então me viu e começou a acenar. Eu realmente precisei olhar para trás e não ver ninguém para confirmar que o aceno era pra mim.

– É você mesmo, Jeongguk – ele disse sorrindo e andando na minha direção.

– Seonbae...

– Você disse que morava na mesma rua, esperei para ver se te encontrava. Você não parece ter dormido bem.

Ao ouvir aquilo, eu me enchi de falsas esperanças e quis pedir para que ele não fosse tão atencioso comigo.

– Ontem eu não dormi bem, eu meio que saí da rotina e isso me fez ficar ansioso.

Eu realmente precisava controlar o que dizia perto de Taehyung.

– Saiu da rotina?

– Eu falei com você, como disse, eu sou muito tímido e geralmente não falo com ninguém, mas ontem eu mudei isso e por não saber como seria hoje fiquei ansioso. E eu acho que estou falando demais.

Taehyung sorriu e passou um braço pelo meu ombro.

Eu travei completamente, não estava preparado para um contato tão próximo.

– Fico honrado por saber que você saiu da rotina por mim e não acho que você fala demais. Se depender de mim vamos ser amigos daqui pra frente, o que me diz?

Em primeiro lugar, eu queria dizer que meu coração estava quase saindo do peito, mas isso seria bem inadequado.

– Se depender de mim também.

Depois disso ele recolheu seu braço e começou a me fazer várias perguntas até que chegamos à escola e ouvi algo que há muito tempo não ouvia.

– Te vejo no intervalo, Jeongguk.

Eu achei que era por mera educação, mas por volta da metade do intervalo ele apareceu na minha sala me chamando para dar uma volta com ele.

– É impressionante como ninguém aqui te conhece. Você é um fantasma? – Pelo tom de Taehyung eu não sabia se ele estava brincando ou falando sério, mas para provar que eu era humano, cumprimentei a professora de biologia e ela respondeu com um: “Bom dia, Jeongguk”.

E então Taehyung viu que eu era humano.

– Bom... Isso torna sua impopularidade ainda mais estranha.

– Não é impopularidade, é só que... Eu não sei bem, mas eu tenho medo de me relacionar com as outras pessoas. Pra mim é uma tortura iniciar uma conversa, eu me pego imaginando o que a outra pessoa pensa de mim, do que eu disse, da minha voz e isso me faz ficar ansioso.

Taehyung sorriu novamente, acho que para ele eu era uma comédia ambulante.

– Acho que isso é normal, Jeongguk, mas conforme a gente vai conversando mais, isso fica menos torturante. Mas estou curioso, você não fica ansioso falando comigo?

Ele perguntou isso olhando pra mim, eu fiquei muito mais que ansioso. Eu praticamente explodi.

– Eu fico, mas... É complicado, seonbae, tenho algumas circunstâncias que me levaram a falar com você.

– Que circunstâncias?

O sinal soou anunciando o final do intervalo e me livrei desse assunto com um “depois falamos sobre isso”. Mas eu não sabia como dizer para Taehyung que eu sentiria que minha vida foi um desperdício se eu não falasse com ele.

Aquilo tudo estava acontecendo tão depressa que eu quase estava ficando tonto. Na hora da saída eu fui com Taehyung até o trabalho dele e disse que gostava de estudar na cafeteria que ficava em frente. Estudar Taehyung, seus hábitos e expressões. Mas naquele dia eu realmente estudei, porque tinha medo que Taehyung me flagrasse o encarando.

Pela primeira vez em muito tempo me entretive estudando e quando dei por mim, havia uma figura esguia me olhando. Era Taehyung quem estava parado a minha frente.

– Você parece ser estudioso – ele disse olhando meu caderno.

– Nem tanto... Seu expediente já acabou?

– Acabou, vamos para casa?

Eu concordei, Taehyung me ajudou a guardar meu material e eu me senti incomodado pelo meu estojo de canetas não estar cem por cento limpo, mas ele nem pareceu ligar. Segui para o caixa com intenção de pagar pelos meus dois cappuccinos e a moça do caixa ficou olhando para mim e para Taehyung, principalmente depois que ele quem pagou minha conta.

– Ei! – Eu disse para Taehyung.

– Que tipo de seonbae eu seria se nem te pagasse isso?

E então ele pegou seu troco e saiu, eu o segui, mas logo estava andando lado a lado com ele. Nós fomos conversando sobre muitas coisas, Taehyung me fazia descobrir coisas sobre mim que nem eu sabia. Ele não “empacava” quando eu dizia que não conhecia alguma coisa ou que não tinha opinião sobre aquilo, apenas contornava a situação e quando falamos sobre um drama, ele me chamou para assistir na casa dele.

– Eu tenho todos os episódios no meu computador, você vai ver como ele é emocionante.

– Sua mãe não se importa se eu for para a sua casa? – Perguntei desconfiado, porque eu nunca havia ido à casa de um colega.

– De forma alguma! Acho até que ela vai te adorar, minha mãe me acha muito espalhafatoso e você é todo contido, o filho dos sonhos dela – Taehyung disse e eu sorri.

Nós continuamos a conversar até que chegamos a nossa rua.

– Jeongguk – Taehyung me chamou e eu me virei – Não pense que eu me esqueci das suas circunstâncias.

Ele apenas disse isso e se virou. E não importa o que ele faça, meu coração dispara.

Eu fui para casa como se caminhasse em nuvens e ao ver algumas coisas já embaladas, foi como se eu despencasse do céu. Eu não queria mais ter apenas um mês com Taehyung, aqueles dias estavam sendo os melhores da minha vida, eu me sentia vivo.

Foi então que eu parei para pensar que se eu tivesse tido a coragem de falar com ele antes, nós poderíamos ser amigos há muito mais tempo. E então, comecei a pensar na enorme quantidade de coisas que eu estava perdendo com medo do desconhecido.

O final de semana chegou rápido e Taehyung bateu a minha porta às oito da manhã para que eu fosse assistir drama com ele.

Jeongguk está? – Ouvi Taehyung perguntar para minha mãe enquanto eu arrumava minha cama.

Está sim, ele acordou há pouco tempo. Você é amigo dele?

Sou sim.

E lá ia meu coração disparar.

Terminei de arrumar meu quarto, me arrumar rapidamente e saí com Taehyung para ir à casa dele. Taehyung estava muito animado, e falando que eu ia amar o drama, então eu vi várias fotos dele com amigos e fiquei curioso.

– Seonbae...

– Hyung, Gukkie, quero que você me chame de Hyung.

– Hyung, eu estou com uma dúvida.

– Diga, ele falou sem tirar os olhos da tela de seu notebook.

Eu estava sentado em sua cama, escorado à cabeceira, comecei a brincar com meus dedos para dissipar meu nervosismo.

– Você parece ter muitos amigos e não me conhece nem há uma semana direito, porque decidiu passar seu final de semana comigo?

Ele me olhou por um momento.

– Você é diferente e chama minha atenção, é bom passar meu tempo com você, me sinto feliz perto de você – ele sorriu e meu coração se aqueceu, mas eu tentei por tudo não me iludir.

Taehyung se sentou ao meu lado com o notebook e fomos assistir, a proximidade no começo me deixou nervoso, mas depois de um tempo me acostumei e aproveitei a presença de Taehyung. Não falamos muito, apenas comentamos sobre o enredo e sorrimos de algumas cenas. A história era sobre um homem que sofria de transtorno dissociativo de identidade, era como ter muitas pessoas vivendo em um corpo, havia uma psiquiatra por quem uma de suas personalidades havia se apaixonado e uma lacuna em suas memórias de infância que poderiam ser a chave para desvendar seu transtorno.

A história me cativou bastante, só paramos para almoçar e quando a mãe de Taehyung nos chamou para o jantar nos assustamos por ser tão tarde.

– Eu disse que você iria gostar – ele disse enquanto descíamos as escadas.

A mãe de Taehyung cozinhava muito bem e me tratou com muita gentileza, ela era uma boa pessoa e parecia ser bem tranquila. Eu queria ficar o resto da noite vendo drama com Taehyung, mas achei melhor ficar um pouco na minha casa.

– E se eu dormir na sua casa? – Taehyung me perguntou quando estava me aprontando para sair.

Eu cocei minha nuca.

– Hyung, como já te disse, minha mãe anda meio depressiva, eu não sei se você vai gostar de ficar lá em casa com o clima pesado que está.

– Não dizem que amigos são para a riqueza e a pobreza, a saúde e a doença, a tristeza e a alegria até que a morte os separe?

Eu tive que sorrir.

– Na verdade, hyung, acho que isso é sobre o casamento.

– Pra mim dá no mesmo – ele disse confiante – Posso dormir lá ou não?

– Pode sim.

Ajudei Taehyung a levar sua tralha para a minha casa, minha mãe se surpreendeu bastante por eu levar um amigo para dormir lá, mas isso pareceu alegra-la um pouco.

Eu estava envergonhado, nervoso e constrangido. Perdi as contas de quantas coisas eu me arrependi de não ter feito para que a casa ficasse pronta para receber alguém.

Quando chegamos ao meu quarto Taehyung deixou suas coisas na minha cama e me olhou com uma expressão séria.

– Por que tem tantas caixas lá e baixo?

Oh, eu nem me lembrava das caixas! Oh... Droga!

Eu me sentei na cama, Taehyung afastou suas coisas e sentou-se ao meu lado.

– As circunstâncias que eu te falei... É bem complicado, hyung.

Taehyung segurou minha mão que estava mais próxima dele e eu senti meus olhos se arregalarem.

– Eu não sou de julgar, Gukkie.

E esse é outro motivo pelo qual não tenho amigos... Eu não sei mentir e às vezes, é saudável para uma amizade que se conte uma mentira, ou oculte parte da verdade. Mas eu nunca consegui fazer isso muito bem.

– Faz três anos que eu moro aqui e sei que você mora bem ali, faz três anos que estudo naquela escola e faz três anos que te sigo com o olhar – ele parecia surpreso, uma reação bem normal – Eu me acho bem desinteressante, sabe? Eu... Eu nem sei o que fiz da minha vida até hoje. Mas há poucos meses meu pai deixou a gente, minha mãe ficou depressiva, eu passei a te seguir e – eu tomei um pouco de fôlego e me assegurei de que Taehyung não estava a ponto de correr, mas ele estava ao meu lado, segurando minha mão – E minha mãe quer voltar para Busan.

Taehyung olhou ainda mais surpreso.

– O que? Por que?

– Lá tem minha tia que pode arrumar um emprego pra ela e também vai cuidar dela.

Taehyung apenas olhava nossas mãos juntas.

– Tae? – Ele me olhou – Eu só tive coragem de falar com você porque eu tenho apenas mais um mês aqui e não queria passar meu último mês aqui te olhando de longe como se eu fosse uma assombração.

Taehyung sorriu.

Taehyung sorriu?

Que reação é essa?

– Assombração não. Você está mais pra um bichinho – ele prendeu meu rosto entre suas mãos e apertou – Parece um coelhinho!

Eu tive que rir, mesmo que tenha doído um pouquinho. Ele soltou meu rosto e segurou minhas mãos.

– Gukkie... Por que você demorou tanto pra falar comigo? Eu te acho tão legal, tão fofinho e tão caloroso! Eu nem sei o que pensar... Só tenho mais um mês com você?

– Na verdade... Agora são três semanas – eu disse cabisbaixo.

Taehyung e eu ficamos sentados lado a lado com os ombros caídos de descrença, mas internamente eu me sentia feliz por ele estar sentindo o mesmo que eu... Quero dizer, sentir-se mal pelo nosso afastamento.

Mas de súbito ele se levantou da cama e se ajoelhou a minha frente.

– Não se preocupe, dongsaeng, vão ser três semanas muito bem vividas e quando você for... Ah, quando você for a gente resolve quando você for, vamos viver o agora! Serão três semanas memoráveis!

Não tinha como não me empolgar junto com Taehyung, ele tinha uma energia boa que era transmitida para mim. Eu concordei e ele quis saber onde iria dormir.

Depois de alguma discussão e um “Jeongguk, a gente não tem tempo para frescura”, acabamos dormindo juntos no chão. Eu demorei a dormir, porque meu coração não se aquietava, mas logo ouvi a respiração de Taehyung pesar e aos poucos fui sendo embalado por aquele som que amei.

Nós terminados o drama que começamos na casa de Taehyung e eu amei mesmo. Naquelas três semanas, Taehyung e eu nos tornamos inseparáveis, e muito curiosos sobre a vida um do outro. Em três semanas falei o que não havia dito em toda minha vida, mas se Taehyung queria saber, eu diria. Ele me levou a muitos lugares que eu apenas havia ido com meus pais ou sozinho. Fomos ao shopping, cinema, aquário e observatório, sempre caminhávamos por alguma praça e eu me sentia uma criança na manhã de natal.

Taehyung era um presente que valia uma vida.

Com o passar dos dias, Taehyung ficava mais dengoso e se deitava no meu ombro ou segurava minha mão, eu quase podia sentir meu coração derreter. Mas ele também ficou um pouco agressivo e me mordia quando eu dizia algo que o desagradava, como por exemplo, quando eu reclamava da minha aparência.

E talvez eu fosse masoquista, porque olhava as marquinhas que ele deixava em minha pele e sorria. Eu não estava mais podendo esconder de mim mesmo que aquilo tudo que sentia por Taehyung era amor, mas era estranho me imaginar amando um homem. Eu pensava no casamento dos meus pais e era estranho imaginar Taehyung e eu em uma estrutura parecida.

Mas apesar disso, os momentos em que nos tocávamos, mesmo que por acidente, aqueciam meu coração.

Taehyung ficava muito em minha casa e nos ajudou a embalar as coisas aos poucos. Faltando apenas uma semana estávamos embalando as coisas do meu quarto, Taehyung se sentou em frente uma caixa e sorriu, mas com um olhar triste.

– O que foi, Tae?

Ele me olhou e seus olhos pareciam um pouco vermelhos.

– Parece que eu estou cavando minha própria cova.

Eu me sentei ao seu lado e o abracei.

– Como pude me apegar a você tão rápido? – Ele disse me apertando e parecendo se culpar.

– Hyung, não chora.

Ficamos abraçados mais um tempo e então, senti algo úmido no meu pescoço... Taehyung havia passado a língua no meu pescoço e depois mordeu. Todos os meus músculos se contraíram.

Ele se afastou no mesmo instante.

– Eu sinto muito, Gukkie. Eu não quis abusar de você, eu só... Aish!

Ele passou a mão em sua franja tentando fazê-la tampar seu rosto.

– Não tem que se desculpa, hyung – ele me olhou surpreso – Na verdade, eu gostei.

E se aproximou com cautela.

– Você... Gostou?

– Eu não consigo colocar em palavras o que eu sinto por você, hyung. Eu só sei que gosto de te abraçar e pegar a sua mão...

A vergonha secou as palavras e eu fiquei apenas parado olhando o chão. Taehyung se sentou a minha frente e colocou meu rosto entre suas mãos.

– Meu bichinho!

Depois ele se aproximou lentamente e deixou um beijinho em meus lábios. Eu nem quero imaginar o tom de vermelho que coloriu minhas bochechas.

– A gente não precisa rotular o que sentimos, mas... Você é só meu, ouviu?

Eu sorri.

– Ouvi e você também é só meu.

Ele estendeu seu dedo mindinho.

– Temos uma promessa?

– Temos.

Aquela semana foi maravilhosa e eu dei meu primeiro beijo, eu nem fiz questão de perguntar quantas pessoas Taehyung já tinha beijado, porque achei um sofrimento desnecessário. O importante é que dali pra frente ele seria só meu, e foi promessa de mindinho!

E o dia inevitável chegou.

Não havia argumentos, minha mãe estava definhando, não tinha como continuar naquela situação. Taehyung disse que me entendia completamente e no meu lugar faria o mesmo. E foi assim que eu parti.

 

※₪※₪※₪※₪※₪※₪※                

 

É noite e o começo da primavera, há duas primaveras que me mudei de Daegu.

Mas eu estava de volta.

O garoto a minha frente tinha cabelos pretos e caminhava displicentemente pela rua, ele parou olhando uma árvore florida, suspirou e tirou uma foto. Logo meu celular vibrou em meu bolso.

“Seria uma bela noite para ter você aqui ㅜ.ㅜ”

Eu sorri olhando o meu celular e continuei seguindo meu namorado.

Depois que me mudei de Daegu, eu tinha muito medo que Taehyung me esquecesse ou que o tempo e espaço nos afastasse, mas isso não aconteceu. Ele ia para Busan pelo menos uma vez por mês e eu logo tratei de arrumar um emprego para poder visita-lo também.

Minha mãe aos poucos foi se reerguendo e um dia soltou a pérola: “Por que vocês dois não assumem esse namoro logo?”

Eu quis esconder minha cara atrás do sofá, mas Taehyung apenas sorriu e depois discutimos melhor a ideia e não demorou para comprarmos coisas de casal, mas tentávamos manter o mínimo da discrição.

Pouco depois, Taehyung decidiu que faria faculdade em Busan, mas ele não passou no primeiro vestibular que prestou e por isso estava se dedicando bastante para passar neste ano. Eu decidi fazer uma visita surpresa para ele, e não quis perder o velho hábito de segui-lo.

Taehyung entrou em uma loja de conveniência e eu vi a oportunidade perfeita.

Ele olhava as prateleiras e então me aproximei de seu rosto.

– Precisa de ajuda?

Ele me olhou e quase soltou um grito, mas tampou a boca com as mãos.

– Bichinho! – Ele disse me abraçando.

– Sentiu minha falta, Taetae?

– Como sempre! – Ele se aproximou do meu ouvido – Vamos logo para casa que quero te beijar.

Eu deixei escapar um sorrisinho cúmplice e seguimos para a casa de Taehyung. No caminho passamos pela cafeteria onde eu costumava espreitar Taehyung e decidimos entrar. A atendente do caixa era a mesma que sempre me olhava com curiosidade. E novamente ela tinha a dúvida estampada em sua testa.

Se tem uma coisa que eu aprendi, é que o medo do desconhecido só pode ser um empecilho em nossa vida. Depois de ter tido a coragem de me aproximar de Taehyung, eu tentei me aproximar de mais coisas que eu não conhecia, como música e acabei gostando, também me aproximei de algumas pessoas e se eu disser que foi fácil, estarei mentindo. Mas nossa experiência não é construída apenas de coisas boas e sempre que eu me desiludia de uma amizade, eu tinha meu Taetae para me consolar.

– Moça – eu disse à atendente que nos olhava – por que você não pergunta o que quer saber?

Tentei fazer meu tom ser gentil.

– Me desculpem, eu não...

Taehyung riu.

– Pode perguntar, moça – ele incentivou.

– Vocês são... Namorados? – A coitadinha estava vermelha como a blusa que ela usava.

– Nós somos – eu disse.

– Vocês são muito fofos – a moça disse ainda sem jeito.

– Você também é uma fofa – Taehyung disse e saímos da cafeteria.

Fomos apreciando a presença um do outro e conversando. Eu não sei quando poderemos nos ver todos os dias, mas uma coisa é certa! Perto ou longe, eu aproveitarei cada minuto com meu Taetae.

– Ai! Por que você me mordeu?!

– Você deu bola pra ela.

– Ela quem?

– A moça do café.

– Quê?! Claro que não!

– Jeongguk, você não venha me enganar com essa sua cara de bichinho.

– Ciumento.

– Sou mesmo.

– E eu te amo desse jeitinho.

– Awn! Também te amo, bichinho!


Notas Finais


Capas pela linda da Andy ㅅ.ㅅ
Obrigada por ler ㅅ.ㅅ


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