História Um alguém especial - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Em Família
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa tarde meninas, agradeço de coração todos os comentários e quero dizer que adoro as teorias que vcs criam sobre as possíveis situações que se apresentam...obrigada pela interação, isso é o que nos move para melhorar sempre ....Bem, vamos ao capítulo. Boa leitura.

Capítulo 13 - 13


 

 

ALGUMAS HORAS ANTES:

  

        CLARA’S POV

       Estou em minha casa num descanso merecido. E quando falo em descanso merecido não me refiro apenas ao meu trabalho no hospital que toma boa parte de meu tempo. Incluo também minha noiva que anda cada vez mais cismada e atenta, tenho quase certeza que isso é reflexo da volta de Marina. Samantha tem ficado literalmente no meu pé. As vezes isso é sufocante. Eu preciso de um tempo pra pensar e ela falando incessantemente na Marina não vai ajudar que eu a esqueça. Pra ser bem sincera não sei se isso é mais possível afinal ela ocupa boa parte de meus pensamentos deste que resolveu voltar pra Parati. A Samantha não é boba. Sabe que há algo no ar e seus atritos com Marina sempre foram recorrentes. A verdade é uma só. Desde de crianças essas duas não se topam. A bem da verdade quando conheci Marina a Samantha já era minha amiga pois estudávamos na mesma sala e tenho consciência que nem todos tinham a paciência necessária com Sam. Apesar do jeitinho diferente dela com todos o que poderia ser entendido como nariz empinado ela sempre foi legal comigo, não tenho o que me queixar mas bastou eu colocar meus olhos em Marina e minha vida virar do avesso. Me encantei de imediato por tudo que ela representava. Seu modo de falar, de sorrir, sua impulsividade e porque não também pelo seu jeito doidinho de levar a vida. Como era difícil manter as duas longe de confusões. Era eu virar as costas e as duas já se estranhavam. E assim foi quase toda nossa infância e juventude. E o estopim foi quando resolvi assumi meu amor por Marina e de certa forma deixar a Samantha de lado. Coitada. Como sofreu e de sofrimento eu entendo. Ela nunca escondeu seu amor por mim e ficou muito magoada com minha escolha. Me senti triste por ela mas no coração a gente não manda né?? O bom de tudo que ela foi compreensiva e mesmo assim se manteve minha amiga apoiando minha escolha. Se fosse outra pessoa poderia me virar as costas mas não Samantha. Se manteve solidária mesmo depois de tudo que a Marina aprontou comigo. Amigos assim não existem mais. Ah!! Samantha... ela é tão especial pra mim e de forma alguma quero magoa-la. Deus!!! Porque não consigo esquecer a Marina e dedicar todo meu amor a Sam. São essas dúvidas e questões que me atormentam agora dia e noite com a presença constante daquela maluca. Isso não é fácil. Sim...minha vida não tem sido nada fácil de uns tempos pra cá.  Uma coisa é certa nisso tudo. Esses meus constantes “encontros” com Nina não tem ajudado. Mas é uma cidade pequena eu queria o que? – Suspiro. Bem que o destino podia me dar uma folga né? Assim já é muita maldade. Enfim, a noite está chuvosa e com ela me traz mais lembranças ainda de tudo. Sei que isso é errado, deveria estar pensando em Samantha, minha noiva, que por sinal tem plantão hoje. Samantha....Samantha...como é complicado isso. Seu carinho por mim é indiscutível e me mostrou que a Marina realmente não tinha tanto amor assim por mim. Talvez por eu ser uma apaixonada e assim não reconhecer os sinais. Ela sempre tentou me alertar que Marina não era confiável e precisou chegar ao ponto de eu ter que ver com meus próprios olhos. Nisso agradeço a Samantha que como uma boa amiga me mostrou o quanto eu estava equivocada com os sentimentos de Marina. Aquela foi a gota final. Traição.  Por que quem ama não faz sofrer como ela me fez. Me vem à mente a nossa discussão na porta do hospital quando a Marina se acidentou. Ela na sua educação e fineza me pedindo que a acompanhasse até o estacionamento. Apesar de seu sorriso nos lábios diante de nossos colegas de trabalho eu sabia que viria chumbo grosso, enfim fui assim mesmo afinal devia ela uma explicação. Mas antes que eu pudesse abrir a boca ela disparou:

       — Clara Fernandes você poderia me explicar o que está acontecendo?

       Tentei inutilmente me fingir de desentendida.

      — Como assim querida, não estou entendendo?

       Senti seus olhos me fuzilarem e mantendo a classe de sempre ela disparou de forma insana.

       —Clara não tente se fazer de sonsa. Desde que aquela garota voltou para Parati você está diferente, estranha, sempre aérea. Não estou te entendendo. Por acaso esqueceu do quanto ela te fez sofrer? Tudo o que ela fez e principalmente da forma que ela te deixou destruída emocionalmente. Ela brincou com seus sentimentos. Te tratou como um brinquedo e depois descartou sem o mínimo de consideração.

       Abaixo a cabeça consternada e magoada com essas palavras mas no fundo sei que ela tem razão e lembro mais uma vez da importância de Samantha e o seu papel no redirecionamento da minha vida. Respondo de forma quase inaudível.  

     — Não Sam, eu não me esqueci.

Sei que ainda vou ouvir e muito mas não tenho forças pra argumentar.

     — Olha Clara, sabe o quanto te amo e me preocupa essa aproximação constante da Marina em nossas vidas. Sabe que falo isso pro seu bem. Só de lembrar aquele dia em que você viu com seus próprios olhos a mulher que você tanto amava se entregando pro seu melhor amigo lá na praia, isso depois que você toda feliz tentou assumir um compromisso mais sério e o que ela fez??? Hein Clara, me diz??? O que ela fez?? Te humilhou na frente de todos e desfez do seu amor. E por fim sem explicação nenhuma foi embora e nem se deu o trabalho de te avisar. Sem falar que já estava de malas prontas pra faculdade e nem isso te contou. A mim ela nunca enganou.  Sempre foi fútil e inconsequente e não merece o seu carinho. 

            Eu continuava de cabeça baixa, não tinha forças pra rebater nenhum de seus argumentos. Afinal ela tinha razão. Como eu podia achar que eu era especial pra Marina. Ela nunca me deu provas de seu amor por mim, ao contrário de Samantha que mesmo me amando e eu não correspondendo sempre esteve ali por mim. Seu carinho sempre esteve presente.

        — É você tenha razão. A Marina não é confiável. Eu não deveria me importar mais com ela.

         E por fim Samantha soltou o que realmente a incomodava.

       — Então se você sabe disso porque arriscou sua vida pra tentar salvá-la??? E mais ainda por que a acompanhou nessa aventura num mar agitado??? Se ela quer se matar que faça isso sozinha e não arraste você com ela. Essa inconsequência dela sempre é o que me revolta porque sempre arruma uma forma de tentar te prejudicar. Quando vai entender que eu sou a pessoa que mais te ama e que a Marina não te merece. Não deixe que ela te destrua novamente meu amor porque tenho certeza que na primeira oportunidade ela te trairia novamente. Ela é egoísta e fútil e não vai mudar nunca. Se afaste dela. Ela é nociva e consegue destruir tudo que está a sua volta. Não é a toa que até a mãe dela foi embora sem olhar pra trás.

A bem da verdade não gostei dessa forma de Samantha se expressar mas entendi seu lado afinal sabia o efeito que Marina causava em mim mesmo que eu tentasse disfarçar. E antes que eu respondesse qualquer coisa ela de uma hora pra outra se jogou nos braços e me deu um beijo de tirar o fôlego. Confesso que não entendi sua atitude. Uma hora estava me chamando a atenção e brigando comigo e de repente me agarra do nada com se não estivéssemos discutindo. Ai Deus!!! Não entendo mais nada. Bem, pelo menos parou de falar na Marina. Marina....Marina...como eu gostaria de entender o que se passa em sua cabeça e principalmente entender o porque de suas atitudes comigo. E neste momento me faço uma promessa que da próxima vez que a encontra-la (que a Samantha não nos ouça) vou querer explicações do que ela fez comigo....com a gente. Eu preciso disso. Preciso fechar esse ciclo de minha vida deixando a minha história com a Marina no passado que é onde ele deve ficar e só ai então me dedicar a ser feliz ao lado de Samantha, minha noiva. Sim, isso é o mais sensato a se fazer.

         Saio de meus pensamentos conflituosos e percebo que o tempo lá fora não está ajudando. A chuva continua caindo de forma persistente. Sento no meu sofá predileto e tento me distrair lendo um livro nessa noite solitária. Abro o livro e as palavras se embaralham a minha frente. Não consigo me concentrar e num instante meus pensamentos flutuam novamente em mais um encontro inesperado com Marina. Sério!!! Isso tá ficando muito recorrente pro meu gosto esses constantes “encontros”. O que eu não esperava era a revelação de Marina que foi interpelada por Samantha por essa questão de esbarrarmos a toda hora. Apesar de tudo Samantha não pode culpar Marina por uma situação que nenhuma de nós tem controle. E como havia me prometido, aproveitei que a livrei de um momento de perigo graças as minhas aulas de aikido que comecei a praticar especialmente pra me ajudar a lidar com tanta raiva acumulada e joguei na sua cara a traição. Isso me atormentou uma vida inteira e enfim encontrei a oportunidade de ouro. Dessa vez ela não iria fugir. Eu merecia uma resposta a respeito desse fantasma que me assombra até hoje. O porquê??? Simples assim...sem rodeios...a queima roupa. E pra meu espanto sua alegação que me traiu com medo de ser abandonada é algo que ninguém entenderia, então por que eu deveria??? Seus argumentos foram surreais como tudo ligado a Marina. Sua explicação é bem ....Marina. Sem pé nem cabeça e diante do turbilhão de emoções revivido nesse momento sou indiscreta e solto o que guardo no fundo da minha alma. O que venho tentando negar ao longo desses 10 anos de afastamento abrupto. O meu amor por ela. Tentei me enganar todos esses anos. Me entreguei a Samantha na van tentativa de esquecer Nina mas a verdade é uma só. Eu a amo, eu nunca deixei de amá-la e diante da minha tentativa de consertar minha declaração tenho em resposta a maluca pulando em meu pescoço e me beijando de forma voraz. Nossa!!! Que saudade dessa boca macia, deliciosa. Seus lábios parecem desenhados especialmente para os meus. Esqueço de tudo e aprofundo o beijo. Não quero que acabe. Ela laça minha cintura com suas pernas e eu tento fundir ainda mais o contato de nossos corpos pra que se prolongue essa sensação. Quantas recordações mágicas aquela boca me traz. Em questão de segundos sou arremessada ao nosso primeiro beijo um tanto desastroso mais inesquecível e por fim a nossa primeira vez. São flashes que parecem passar feito um filme em câmera lenta e eu não quero que acabe mas em meio a pensamentos o rosto de Samantha surge em minha mente e de uma hora pra outra a realidade cai como um raio destruindo nosso momento único de felicidade. Me afasto de Marina e vejo em seus olhos o sentimento de culpa também. Deus!!! O que estou fazendo??? A Samantha não merece que eu faça com ela o que a Marina fez comigo. Devo a ela lealdade e respeito. Estou numa batalha interna e só consigo pensar que não sei mais nada. Estou perdida. Agora sim tenho certeza disso. Vou me casar com Samantha mais meu coração pertence a Marina. Mais uma vez o sentimento de culpa me corrói o ser. O que me resta é deixa-la em casa e a partir de agora evitar uma aproximação maior que poderia resultar Deus sabe lá em que.  E pro meu azar a reencontro no bar do Gui. Céus!!! Assim fica impossível. Me limito apenas a cumprimenta-la de longe e me entreter com sua amiga Vanessa, que segundo Espírito é uma espécie de irmã pra ela. Acho que nem precisava falar isso porque pelo tempo que conversamos de cada dez palavras nove ela incluía o nome de Nina. Acho que ela está no papel dela ajudando a amiga sabe-se lá em que. Ela como melhor amiga deve saber tudo sobre nossa história e principalmente como terminou. Não há a mínima possibilidade de haver nada entre nós, mesmo porque sou comprometida. Olho pra Marina enquanto está distraída e sou pega nessa observação. Marina me encara e desvio o olhar. Não posso....simplesmente não posso...preciso manter o foco e pra minha sorte o telefone toca me informando de um plantão. Graças a Deus...salva pela obrigação. Posso sair sem precisar dar muitas explicações. Quanto a seu Guilherme, vim pra me desabafar sobre a proximidade constante da Marina e ele me apronta essa. Sei que ele não aprova meu relacionamento com Samantha, mesmo porque ninguém aprova. Sei que a Samantha tem um gênio difícil, nem todos gostam dela mas enfim é a mulher que escolhi pra estar a meu lado para o resto da vida.

            Sou tirada de meus pensamentos com batidas insistentes na porta. Mas quem seria debaixo de um temporal desses. Fecho o livro em minhas mãos e levanto pra atender a porta e pra minha surpresa é Nina vestida de forma impecável, linda como sempre mas toda molhada e trazia em mãos uma certa caixinha vermelha de veludo muito conhecida que pode passar mil anos eu nunca vou esquecer. Ela a esconde da melhor forma possível mas mesmo assim já é tarde. A peço que entre....

 

                                                                                               ≈≈≈

 

Estou me acabando de tanto chorar e odeio isso. Vanessa me deu um banho quente, eu não conseguia nem ficar de pé. Estamos deitadas na minha cama e minha melhor amiga faz tranças nos meus cabelos úmidos. Conto tudo a ela, despejo toda a carga que se acumula em meus ombros. Ela me chama de dramática umas quinhentas vezes, mas isso não vem ao caso.

— O que acontecerá agora? – questiono.

— Não faço ideia. Só espero que Clara não pense que você está apenas se vingando da baranga.

— Do jeito que sou sortuda, é claro que ela pensará isso. – mortifico-me. – Van, por mais que eu diga que a amo, ela não acreditará. Eu mesma duvido!

— Duvida porque é uma dramática sem noção. – ela bufa, indignada. – Eu vejo nos seus olhos e Nina, esse amor é tão forte que chega a ser palpável. As sensações e sentimentos que descreve, não são de conhecimento da maioria da população humana, garanto isso a você. Aliás, nunca me senti dessa maneira.

— Eu achei que pudesse viver sem ela, sem o fantasma de outro abandono. Escondi meu amor, me enfiando em relacionamentos podres, na vã tentativa de provar a mim mesma que sou errada, que não mereço a felicidade.

— Dramática. – com essa afirmação, são quinhentas e duas vezes.

— Me mate, agora. – ergo os punhos, sustentando os braços no ar.

— Cale a boca. – Van dá um tapa em minhas mãos, encarando-me com profundidade. – Independente do que aconteça a partir de agora, pelo menos você tentou. Contra sua vontade, foi lá e disse o que sente. Não se arrependa de nada, não há motivos para isso.

— Obrigada, Van, de verdade.

 

                                                                                                 ≈≈≈

 

Após uma noite tenebrosa, o dia despertou com um sol escandaloso.

Meus avós me liberaram dos afazeres na pousada, mas só até Vanessa voltar para São Paulo. Mal comecei a trabalhar e já estou de férias, o que me leva a pensar que minha vida não é tão horrível assim.

Estamos na Praia do Pontal, no centro de Paraty. Vanessa está a fim de torrar ao sol e eu tento me esconder do astro, mergulhando debaixo do guarda-sol. O garçom trás espetinhos de camarão e desisti desse negócio de parar de beber. Mas é só uma batida de coco, nada surreal.

A última imagem de Clara corrói o meu sistema nervoso, dando curto-circuitos, destruindo os poucos neurônios que tenho. Já que ficarei sem cérebro, então beberei a isso.

— O Guilherme me ligou hoje cedo, quando você estava no banho. – os olhos de Van estão bem escondidos debaixo dos óculos de sol e não sei para onde ela está olhando nesse momento.

— E quando pretendia me contar?

— Estou contando agora, pô. – ela estressa.

— E? – faço minha melhor cara de paisagem.

— Ele nos convidou para ir ao bar hoje. Vai rolar uma banda eclética por lá.

— O que você respondeu?

— Eu disse que falaria com você. – Van aguarda e como não digo nada, ela questiona: – Vai comigo, não é?

— Está a fim dele? – ah, que pergunta óbvia. – Bem, você já é grandinha e sabe onde está se metendo. – aproximo-me, tocando seu braço febril. – Eu irei com uma condição.

— Peça o que quiser.

— Saia desse sol agora, você está fritando.

— Demorou! – ela puxa a cadeira para debaixo do guarda-sol e comemora, efusiva. – Valeu mesmo, Nina.

— E para não ficar de vela, levarei o Espírito comigo.

 


Notas Finais


Por hoje é só. Espero que tenham gostado. Até semana que vem. Um bom fim de semana e até quinta feira.
Bjos
Fuuuuiiiiii


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