História Um alguém especial - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Em Família
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa tarde meninas, estamos novamente aqui.... quinta feira e quero registrar neste momento o meu pesar por essa semana que começou um tanto escurecida pela dor de um pais que está se solidarizando com as vitimas fatais do trágico acidente. Confesso que pra mim ainda é difícil de falar a respeito e como todo e qualquer ser humano me senti atingida também. Acima de tudo independente de time a solidariedade é pelas pessoas que ali estavam e principalmente pelas famílias que precisam de nosso conforto neste momento. Orações e boas vibrações são necessárias nessa hora e conto com vcs pra que permaneçam em vigília e orações pelas vidas que se foram para um plano superior.....Desculpe se não me expressei bem mas ainda estou em choque. A dor da perda nos deixa assim. Sem mais delongas vamos ao capítulo. Boa leitura.

Capítulo 14 - 14


E lá vamos nós encher a cara Nas Costas do Padre. Sim, vou beber até cair. Eu sei, minha palavra não anda valendo muita coisa ultimamente. Mas entenda, eu preciso muito esquecer.

Chegamos ao boteco e Guilherme reservou a melhor mesa do lugar. Dá para assistir ao show e estamos a centímetros do bar. Não tem essa de precisar laçar o garçom, qualquer coisa, pedimos diretamente ao barman.

A noite cai para dentro assim como litros de chopp. Não sei se estou alucinando, mas acho que Van e Guilherme estão dançando no meio da pequena pista. Olho para o lado e vejo Espírito trocando uma ideia e também telefones com um cara que conheço de vista.

Só então me dou conta de que estou sozinha na mesa.

De repente sinto um tremendo vazio, um incômodo depressivo. Compreenda, estou feliz por meus amigos terem se dado bem, mas a solidão é algo que me apavora e, pela primeira vez na minha vida, tenho a sensação de que ficarei para titia.

Certo, não tenho tia, o que isso quer dizer então?

Sinto um bafo alcoólico em meu ouvido esquerdo. Apesar de enxergar borrões, sei que se trata de Espírito. Ele pergunta se eu gostaria de voltar para a pousada, já que resolveu dar uma esticada com o bonitinho dos cabelos compridos. Não sei como respondi, mas ele entendeu o que eu disse, tanto que me deu um beijo na testa antes de ir embora.

Na pista de dança, Van e Guilherme estão na maior pegação. Mãos bobas, línguas soltas, mordidas no pescoço… ah, isso está parecendo filme pornô de péssima categoria, não que exista algum de nível.

Enfim, essa é minha deixa.

Levanto-me e a cadeira cai para trás. Um tanto cambaleante, puxo o troço pelo encosto, tentando inutilmente firmar as pernas. Respiro fundo uma, duas, três vezes. E então, aceno para Van que agora se aproxima, alarmada.

— Onde pensa que vai? – ela interpela. – E cadê o Espírito?

— Relaxe. – estou com o riso frouxo. – Aproveite a noite, vou para a pousada desmaiar.

— Sozinha?

— Eu estou bem, lindona, já disse para relaxar. – eu deveria ser atriz, meu quatro com as pernas é perfeito, mesmo com tanto álcool na cabeça. – Deixarei a porta aberta, caso volte antes do amanhecer.

Indecisa, Van olhe para Guilherme que a chama para o meio da pista. Então, volta seu olhar apreensivo na minha direção. Sua preocupação com o meu bem estar é uma dádiva que só amigas de verdade compartilham.

— Já disse, estou bem. Vá para a pista com o gostosão do Gui, curta a noite. – aconselho.

— Ai, Nina, tem certeza?

— Absoluta. – dou-lhe um beijo na bochecha sardenta. – Se voltar para a pousada sem ter levado esse cara para a cama, juro que lhe dou uns tapas.

— Ok, combinado.

 

                                                                           ≈≈≈

 

Tropeçando nas próprias pernas, desisto de voltar à pousada. Se meu pai ou meus avós me virem nesse estado, estou ferradíssima. Nesse caso, caminho a esmo pelas ruas, equilibrando-me como posso.

Essa solidão está me esmagando e o vazio se mostra um tremendo buraco negro, sugando o pouco de energia que me resta. Sinto um desânimo se aninhando em meu peito, uma sensação horrível e pegajosa de amargura.

Sim, sou melodramática, mas sempre mantive meu astral lá no alto. Talvez por esse motivo, eu esteja tão consternada com os inúmeros sentimentos ruins que me abatem. Tenho vontade de gritar e falar todos os palavrões que conheço. Não o faço. Tiro as rasteiras e afundo os pés na areia fria, pedindo aos céus que me deem forças, que recarreguem minhas baterias.

Vou espalhando areia conforme passo. Minha cabeça tomba para trás e fito as estrelas piscantes. Começo a viajar na maionese, perguntando-me se esse pisca-pisca não seria um código Morse, um aviso de que a vida é mesmo uma merda.

Nesse instante, contrariando todas as possibilidades existentes no universo, eis que meus olhos descortinam o impossível. Não sei se devo rir ou chorar, mas independentemente do que farei a seguir, sussurro para o vento:

— Caraca destino, isso é golpe baixo.

Clara está sentada na areia, acompanhada apenas por uma garrafa de vinho que ela bebe diretamente do gargalo. Se percebeu a minha presença, ainda não esboçou qualquer reação.

 

                                                                                  ≈≈≈

 

          Estou aqui sentada nessa praia que tantas vezes já estive por momentos felizes, momentos esses que estive com ela. Marina....Nina meu eterno amor. Nosso primeiro beijo, afobado, desengonçado e com expectativas de minha parte que foram atrapalhadas por um Marina mais atrapalhada ainda e o que dizer da nossa primeira vez. Céus!!! Que mulher complicada. Achava que também era de sua vontade. Pelo menos os sinais passados por ela indicavam isso. Enfim, aconteceu e foi tão bom. Ai meu Deus!!! Como eu amo aquela maluca. O que eu faço??? Não sei como agir. Ela me confunde, sempre fez isso. – suspiro profundamente.  Clara!!!!você sabe, ela não é confiável. Não viu ontem o que ela fez??? A tentou seduzir e iriar utilizar o símbolo do até então nosso amor eterno. Nossas alianças. Como ela pode fazer isso???? Não pensou no quanto olhar pra aquelas alianças me fariam sofrer novamente. Marina....Marina...porque faz isso comigo? Por que maltrata tanto este coração que te ama incondicionalmente. Não basta o estrago que já fez??? Não quero mais sofrer....não posso mais sofrer... mas como tirá-la de meus pensamentos ....de meu coração. – dou um sorriso triste. Aquela maluca tem o dom de me incendiar só de olhar pra ela. Ontem, vestida daquela forma....linda. Quase perdi a cabeça de vez. Bem, se sua intenção era me desestabilizar. Parabéns!!! Conseguiu seu intento e agora???? O que eu faço??? Não sei....honestamente essa é a única certeza que tenho que neste momento. Não sei o que fazer. Acho que vou enlouquecer de vez. Por que voltar agora depois de tanto tempo longe? Minha vida já tinha um rumo definido e agora ela chega com a força de uma tempestade destruindo toda a consistência de meus pensamentos, me tirando do plumo como sempre fez sem que precisasse mover um dedo sequer, pelo simples fato de existir e conseguir me desestruturar com um simples olhar ou um sorriso de tirar o folego.

 

                                                                                        ≈≈≈

 

Clara...Clara...o que tanto pensa minha linda??? Acho que não preciso ser vidente pra adivinhar. Tenho feito de sua vida uma montanha russa de emoções e se você se sente perdida como penso que está é mais uma vez culpa minha. Céus!!! Por que sou assim?? Porque não posso ser normal como todo mundo??? Continuo a olhando de longe e noto que seu olhar está perdido no horizonte, onde dois navios de cruzeiro estão ancorados, com centenas de luzinhas acesas. Está pensativa e eu adoraria ter o poder de ler mentes pra saber exatamente o que pensa neste momento.

Titubeio. Como ela ainda não me viu, posso muito bem dar as costas e voltar para o lugar de onde vim. Mente e corpo começam a digladiar e não faço ideia de quem sairá vencedor nessa batalha.

Ah, merda, ela me viu.

Eu já estava recuando, pronta a dar as costas. Foi quando Clarinha ergueu a cabeça e me encarou, como se soubesse exatamente onde eu me encontrava. Meu corpo todo pinicou ao toque dos seus olhos e não tive coragem de simplesmente deixá-la ali, tão sozinha e linda.

Hesitei de puro charme. Ficamos nos encarando, numa troca de olhares elétricos, completamente absorvidas e, porque não, embevecidas de nossas figuras. Quando comecei a ficar incomodada, resolvi caminhar em sua direção.

Não estou tão bêbada quanto gostaria. Paro ao seu lado e ela não diz nada, apenas puxa minha mão para baixo e eu me sento. Oferece o vinho e não recuso, afinal, toda garrafa de bebida traz uma boa dose de coragem embutida.

E como estou precisando!

Ficamos ali, dividindo o vinho direto no gargalo, absortas no momento, fitando o horizonte estrelado. Nenhuma palavra é dita, apenas o som de nossas respirações quebra o silêncio.

Mas então, para meu total pavor, ela resolve começar a falar. E o que diz, olhos nos olhos, eleva minha pulsação às alturas. Sei que não adianta retrucar, nada transmutará a imagem e a opinião que ela tem sobre mim.

— Você muda de ideia como quem troca de roupa, Nina. Disse que parou de beber, mas chegou trançando as pernas. Como posso confiar em qualquer coisa que saia da sua boca?

— Você tem razão. – lamento.

— O afogamento não foi suficiente para você se tocar de que há algo errado? Não valeu de nada?

– ela faz uma pausa tensa. – As pessoas costumam mudar drasticamente após uma experiência dessas. E não tenho certeza de que você levou a sério o aviso que a vida lhe deu.

— Acha que foi um aviso? – murmuro, tristemente.

— Toda experiência de quase-morte é um aviso. – ela afirma e bebe a última golada da garrafa. Silêncio aterrador.

Não acho que Clara esteja certa, o aviso da vida não passou batido como ela afirma. Estou mais introspectiva, traçando planos a longo prazo, revendo minhas atitudes e até pensando com mais clareza.

E eu disse a ela o que sinto, abri o jogo. Eu a amo e sempre amei. Ontem, na sua casa, deixei o orgulho de lado e escancarei essa coisa que me consome. Tudo bem que minha palavra vale o mesmo que um monte de merda de vaca.

Mas pô, é a mais absoluta verdade!

Clara se remexe ao meu lado e levanta-se, decidida. Segura a garrafa vazia com uma mão e a outra estende na minha direção.

— Eu a acompanho até a pousada. Não conseguirei ficar em paz sem saber se chegou inteira.

— Por que se importa? – metralho.

— Diferente de você, eu não vivo numa eterna crise existencial e realmente me importo com o bem estar dos que me rodeiam. Vamos lá, me recrimine. – ela incita, mas ao invés de discutir, me calo.

Aquela mão enorme continua suspensa no ar, aguardando. Depois de muito deliberar com meus botões, aceito sua ajuda e me levanto, totalmente zonza. Elimino o excesso de areia do vestido e lado a lado, seguimos para a pousada.

Mantemos o silêncio por boa parte do trajeto. Estamos distantes por alguns centímetros e vez ou outra acabo tombando de lado, esbarrando em seus braços malhados e sinto seu perfume inconfundível.... ai que perdição, que Deus me ajude.

— Sua amiga já voltou para São Paulo? – ela finalmente diz alguma coisa.

— Não. Ela está com o Gui.

— O cara não perde tempo. – seus lábios desenham a linha de um sorriso incrédulo. – Avisou a ela dos perigos?

— Fui bem clara. – afirmo, categórica.

Então, num arroubo ensandecido, seguro seu braço e paramos de caminhar. Meu olhar se joga para dentro daqueles olhos verdes translúcidos e faço a pergunta que me corrói até a alma:

— Por que a Samantha?

— Está me sacaneando? Essa pergunta não pode ser séria.

— Você poderia ter a mulher que desejasse, por que ela? – há raiva no meu tom de voz.

— Porque a mulher que eu realmente queria não estava disponível. – ela massacra e depois cospe na carcaça. – A Samantha pode ser o que for, mas ela me ama, Nina.

— E a recíproca é verdadeira? – provoco.

— Isso não vem ao caso. Quer discutir? Eu posso atirar na sua cara uma porrada de coisas, o Espírito sempre me manteve a par dos seus relacionamentos destrutivos.

— Ele manteve, é? – estou tremendo de ódio. – E o que você tem a ver com isso?

— Exatamente. Eu não tenho nada a ver com isso então, por favor, pare de falar da Samantha.

— Ah, quer saber? Volte para os braços daquela engomada. Aposto que quando vocês transam, ela nem tira a roupa! – explodo e saio andando.

— Ela tira a roupa sim! – ela grita às minhas costas e então, baixa o tom de voz e remenda: – Pelo menos na maioria das vezes.

Isso deveria soar cômico, mas não. Finco os dentes no lábio só de pensar naquela mimada na cama com ela. Estou tão irada, tão fora de mim, que giro nas tamancas e fuzilo:

— Ela não tem peitos! – exalto-me.

— Mas também não tem celulite.

O Quê?????????????

Ela está dizendo que eu tenho? Que não sou perfeita para ela? Ah, essa garota acaba de cutucar, com palito de fósforo, um monstro adormecido que cospe fogo.

— Está querendo dizer o que com isso, doutora Clara? – estou tão puta, que a pergunta arranha a minha garganta.

— Nina, eu não quero brigar. – ela amansa. – Para dizer a verdade, eu não saberia identificar essa tal de celulite porque isso realmente não importa pra mim.

E o monstro que cospe fogo volta para seu soninho da beleza. Agora não se importar, brincadeira né??? Olha o corpo escultural dessa mulher. Quem iria encontrar algum resquício de celulite ali.

— Você me conhece, Nina. Sabe que não me ligo no exterior das pessoas. E se nesses dez anos você tiver ganhado umas celulites, é bem provável que eu ache extremamente charmoso.

Ah, Deus, como ela consegue ser tão fofa? Acaba de calar a minha boca, numa boa. Resolveu um conflito que poderia ter terminado muito mal, de forma inteligente.

— Desculpe. – baixo a cabeça, constrangida.

— Está tudo bem. – ela se aproxima e ergue o meu queixo.

Neste instante, o mundo deixa de existir. Sinto formigas passeando pelos braços, morcegos famintos batendo asas no meu estômago, uma sensação de impotência perante o fato de estar perdidamente, enlouquecidamente, absurdamente apaixonada por essa mulher. Nada que seja novidade, mas a intensidade me assusta.

Clara se aproxima, vagarosamente. Posso ler o que se passa em sua mente conforme aprofundo o meu olhar. Algo me diz que esse beijo não acontecerá e terei que ser forte, suportar a rejeição. Ela fecha os olhos por alguns segundos e então, hesita.

— Eu não posso, Nina.

— Eu sei. – colo meus lábios em sua bochecha, demorando-me mais tempo do que o necessário. Clara inspira meus cabelos e se afasta. Noto que está travando uma luta interna, daquelas que podem enlouquecer uma pessoa. Não quero ser a causadora disso, não pretendo de forma alguma fazê-la infeliz. Minha cota nessa vida já fez um estrago dos grandes.

— A pousada é logo ali, posso ir sozinha.

— São quase vinte metros até a entrada e sendo você, tudo pode acontecer até lá. – ela satiriza meu lado desastroso. – Ficarei aqui, só para garantir.

— Boa noite, Clarinha.

— Boa noite, Nina.

Dou às costas a ela, sentindo-me queimar. Seguro-me para não girar o pescoço e olhar para trás. Meus passos são indecisos, meu corpo está louco para tomar as rédeas, mas resisto bravamente. Quando chego à porta da pousada, olho para ela e aceno. E então, com lágrimas nos olhos, sumo de suas vistas.

Demoro-me algum tempo na recepção, entretida em pensamentos confusos, sentimentos insanos sobre uma vida que parece ter sido um tremendo desperdício. É difícil e até embaraçoso chegar à conclusão de que nada valeu a pena.

Cansada das minhas próprias lamentações, arrasto-me para casa. Boa parte da pousada está às escuras, mas conheço o caminho como a palma da mão. Quando entro na varanda da casa do meu velho, levo um puta susto. Ele está se agarrando com uma mulher, no banco de madeira pintado pela minha mãe. Quem essa vadia pensa que é?

— Pai? – ergo a voz.

— Nina! – meu pai afasta a mulher e seus olhos estão esbugalhados.

Antes que eu pergunte qualquer coisa, meus lábios se entreabrem, perplexos. A respiração falha, o coração bombeia alucinado e se eu não estivesse vendo com meus próprios olhos, diria se tratar de um boato de muito mau gosto. Nesse instante, a causa do meu choque ganha voz:

— Mãe?


Notas Finais


Por hoje é só. Espero que tenham gostado. Até semana que vem. Um bom fim de semana.
Ps.: Eu tinha a intenção de postar terça feira mas não tinha estrutura pra isso então semana que vem posto 2 capitulos. Ate terça que vem....
Um beijo no coração de todas vezes e desse povo maravilhoso que se une quando é necessário... Que Deus abençoe a todos nós.
Fuuuuiiiiii


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