História Um Amor Bem Guardado - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 11
Palavras 4.288
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Colegial, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oie! Sei que eu deveria estar postando um novo capítulo da minha outra fanfic, mas eu não consegui resistir quando tive inspiração para escrever isso!
Já vou avisando que o capítulo é extenso (como de costume meu).

Ah, quase esqueci de algo muito importante! Vocês irão perceber que os personagens da história são inominados, então vocês podem dar para eles o nome (e a aparência) que vocês quiserem!

Espero que gostem e Boa Leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


  Ele gostava dela. Ela gostava dele. Mas nenhum dos dois sabia disso. Sempre pensaram que seu amor fosse completamente não correspondido e que nunca passaria de amizade. Como estavam enganados...

  Ele amava sua inteligência, sua coragem e sua habilidade impressionante de ser uma boa amiga. Para ele, ela era simplesmente maravilhosa.

  Já ela amava sua gentileza, sua habilidade de conversa e sua lealdade sem tamanho. Para ela, ele era simplesmente fantástico.

  Mas como eu já disse, nenhum dos dois sabia disso. Nenhum dos dois sequer pensou que, além de estar sofrendo com um amor não correspondido, também estava fazendo outra pessoa sofrer pela mesma causa. Mas a amizade deles nunca fraquejou. Desde o momento em que se conheceram naquele dia chuvoso em que nenhum dos dois pôde sair da escola por falta de guarda-chuva. Naquele dia em que ambos descobriram uma pessoa com a qual tinham muito em comum. Uma pessoa na qual podiam confiar.

  Infelizmente, tudo o que é bom tem que acabar um dia. Nesse caso, quarta-feira da última semana de aula do nono ano. O fim do ensino fundamental.

 

  - Você vai... embora?

 

   Essa foi a primeira coisa que ele conseguiu dizer após quase dois minutos de silêncio. A causa do silêncio foi a notícia de que ela passaria dois anos fazendo intercâmbio. Dois anos longe dele.

 

  - Vou... é a oportunidade perfeita que eu venho esperando desde sempre! Você... você sabe como é importante para mim...

 

  - E... você vai me deixar aqui? Sozinho?

 

  - Você não vai estar sozinho! Você tem outros amigos além de mim, sei que vai ficar bem! E além do mais, eu vou voltar!

 

  Essa afirmação foi feita com tanta certeza que ele não ousou questionar. Pelo menos não em voz alta. Em sua cabeça, milhares de pensamentos o confundiam. Continuariam amigos depois de dois anos distantes? Ela continuaria sendo sua melhor amiga? Provavelmente essa seria sua última chance para se declarar para ela...

  Mas ele não conseguiu. O último dia de aula chegou e, como sempre, quase nenhum aluno havia comparecido. Nada importante seria passado para eles naquele dia, o ano havia acabado, ninguém via necessidade em ir à aula. Ninguém exceto ele, ela, e mais quatro alunos que foram obrigados pelos pais a assistir a última aula do ano. Mais um último dia de aula como em todos os anos. Só que muito mais infeliz...

  Mas algo estava diferente naquele dia! Havia na mesa do garoto um recado. Uma pequena folha de papel rosa-claro com simples dizeres em tinta vermelha:

 

"Alguém gosta de você mais do que você imagina, mas você nunca saberá quem é."

 

  Não havia assinatura. Claro, se ele nunca poderia saber quem era a pessoa, era óbvio que o recado não estaria assinado. Quem teria escrito aquilo para ele? Quem poderia gostar dele? Seria ela? Esse pensamento feliz se dissipou de sua mente quando ele se lembrou de que a garota não faria esse tipo de coisa. Escrever recados.

  Ele passou o bilhete para a amiga, perguntando se ela tinha alguma ideia de quem poderia ser sua enigmática admiradora.

  A expressão da garota ficou completamente neutra por alguns segundos, mas logo depois se abriu em um sorriso.

 

  - Hey, parece alguém gosta de você! - ela disse, dando um soco amigável no ombro do amigo e devolvendo-o o pedaço de papel.

 

  - Não me diga! - ele desdenhou.

 

  O resto da aula passou de forma vazia para os dois amigos. Ele pensava em quem teria escrito o bilhete. Ela pensava na possibilidade do garoto descobrir sua ridícula tentativa de declaração antes do fim do dia.

  Os minutos se passaram rapidamente com o incessante tic-tac do relógio. Quando se deram conta, ele e ela já estavam do lado de fora da escola, passando seu último momento juntos antes de dois anos de separação. Estava chovendo e, exatamente como no dia em que se conheceram, eles não tinham guarda-chuva. Só podiam esperar que o tempo abrisse um pouco e possibilitasse a saída deles.

  O silêncio era agonizante, mortal. Queriam dizer alguma coisa, mas não sabiam como traduzir seus pensamentos em palavras.

 

  - Você... vai ficar bem sozinho? - ela perguntou para quebrar a tensão.

 

  - Acho que vou. - ele respondeu, evitando olhar para a garota tão querida ao seu lado. Não queria cometer o crime de chorar. Não quando estava lutando para combater as lágrimas. - Como você disse, eu tenho outros amigos...

 

  - Mas você não vai se esquecer de mim?

 

  Ele se virou espantado para a garota. Ela não estava chorando, não era do tipo de pessoa que chorava facilmente. Mas sua expressão era de pura infelicidade. Na cabeça dela, tudo o que se passava era a solidão que enfrentaria pelos próximos dois anos. Não suportaria a ideia de que seu melhor amigo a esquecesse quando ela voltasse.

 

  - Claro que não! - ele respondeu desesperadamente. - Você é minha melhor amiga, eu nunca te esqueceria nem que você passasse cem anos fora!

 

  - Que bom. - ela disse, um sorrisinho de alívio se abrindo suavemente em seu rosto. - Também prometo que nunca vou te esquecer! Ah, espera!

 

  Ela imediatamente teve uma ideia. Abriu a mochila e pegou um longo pedaço de fita de seda vermelha (que guardava ali sem motivo específico) e uma tesoura. Cortou a fita no meio e em seguida pediu o pulso do amigo. Amarrou metade da fita ali, e pediu que ele fizesse a mesma coisa para ela com a outra metade.

 

  - Pronto! - ela falou observando animadamente a fita vermelha bem atada ao seu pulso. - Com isso, acabamos de fazer um trato: nunca nos esquecermos um do outro!

 

  Ele sorriu. Os dois prometeram mentalmente que nunca tirariam as fitas.

  Algum tempo se passou enquanto eles conversavam ali, esperando a chuva passar, sem dizer o que realmente queriam dizer. A garota só queria que aquilo durasse para sempre. Mas não durou. Só durou até a chuva rarear e o pai da jovem ligar, avisando que era melhor ela voltar para casa logo.

 

  - Bem... tchau. - ela disse com um sorrisinho triste, se virando para andar até em casa. Ela queria que o garoto fizesse alguma coisa. Queria que ele segurasse seu braço e dissesse que não queria que ela fosse. Queria dizer para ele que o amava. Ela nem fazia a menor ideia de que ele queria fazer exatamente isso, mas não tinha coragem. Ele só assistiu a amiga caminhar para longe até ela virar uma esquina e desaparecer. Ela não ousou olhar para trás até estar bem distante. Ela se sentia completamente idiota, e ele, imbecil.

  Eu disse que esse era o último momento deles juntos antes do intercâmbio dela, não disse? Bem, na verdade não era. É verdade que os amigos, por suas razões, evitaram se encontrar nas semanas que se passaram. A menina estava muito ocupada se organizando para viajar e permanecer em um internato por dois anos, e o menino...  não estava fazendo nada, só não queria atrapalhar o trabalho da amiga. Os dois só vieram a ter seu real último momento no aeroporto, faltando uma semana para a volta às aulas. A garota iria antes para confirmar sua inscrição e fazer tudo o que tinha que fazer antes das aulas começarem.

 

  - A gente pode conversar pela internet de vez em quando, se você quiser. - ela disse. Só estava tentando se controlar para não se debulhar em lágrimas.

 

  - Isso seria ótimo. - ele respondeu, também tentando evitar lágrimas. Não queria que ela fosse, mas sabia que esse internato era o sonho da amiga, e não iria atrapalha-la com suas infantilidades. Só precisava admitir o quanto gostava dela enquanto ainda havia tempo. Mas ele não conseguia...

 

  - Seria... eu vou voltar para o último ano, então é melhor você me esperar! - ela sorriu. Também queria dize-lo quanto gostava dele. Mas ela não conseguia...

 

  O tempo de espera do avião pareceu uma eternidade. Uma eternidade angustiante na qual os dois amigos lutavam internamente para dizer uma pequena frase de três palavras. "Eu te amo", por que era tão difícil?

  A hora de embarcar chegou afinal, e a jovem seguia para o avião... ela então olhou para trás e, por impulso, voltou correndo para abraçar seu melhor amigo.

 

  - Vou sentir saudade... - ela disse, as lágrimas finalmente descendo.

 

  - Também vou. - o jovem respondeu retribuindo o abraço apertado. - Você vai voltar, e eu vou esperar por você. Porque eu... - ele hesitou. Era sua última chance... - eu vou sentir muita saudade...

 

  - É... - a garota secou os olhos e sorriu. Era sua última chance, precisava dizer logo... - Eu... eu vou voltar e vou te contar sobre tudo!

 

  - Ok...

 

  Ela finalmente se afastou e, acenando entusiasticamente para ele, embarcou. Rumo ao seu sonho. Rumo a uma nova vida em um novo país. Rumo a dois anos imprevisíveis. Deixava para trás seu melhor amigo, mas, ela pensou enquanto mexia distraidamente na fita presa em seu pulso, tudo ia dar certo. Eles iriam se reencontrar no último ano. Ela só queria ter contado a ele...

  Na mesma coisa pensava o garoto. Dois anos... eles mudariam tanto em dois anos... mas ainda seriam amigos! Ele só queria ter contado a ela...

****

   Então se passaram dias. Os dias viraram semanas. As semanas viravam meses. E os meses acabaram virando dois longos anos. Ambos cresceram muito, aprenderam muito. Ela viveu seu grande sonho e fez bons amigos no internato. Mas, pensou ela, nenhum tão bom quanto ele.

  Ele também passou bem esses dois anos. Ficou mais tempo com seus outros amigos, e havia até sido divertido. Mas nenhum dos amigos era tão bom para ele como ela fora.

  Foi com esse pensamento que o garoto esperou, feliz e impaciente ao mesmo tempo, o avião de sua melhor amiga pousar. Talvez devido ao mau tempo, a aeronave estava se atrasando. Depois do que lhe pareceu uma década, ele viu uma garota muito familiar se aproximando alegremente. Havia no pulso da garota uma fita de seda vermelha muito desgastada, como se nunca tivesse sido tirada durante dois anos. Isso encheu o coração dele de alegria.

  Antes que o garoto pudesse perceber, ele já estava sendo sufocado em um abraço apertado.

 

  - SENTI TANTO A SUA FALTA, VOCÊ NÃO FAZ IDEIA!  - ela gritou, atraindo os olhares das pessoas à sua volta.

 

  - FAÇO, SIM, SENTI MAIS SAUDADE QUE VOCÊ! - ele também gritou, retribuindo o gesto sem ligar para a atenção que estavam atraindo.

 

  - Não sentiu não! - ela disse brincalhona ao pegar sua mala e rumar com o amigo para a saída do aeroporto.

 

  - Senti sim!

 

  Os dois riram e conversaram por um bom tempo dentro do carro e, como se não bastasse, ainda ficaram até tarde da noite conversando pelo telefone. Nenhum dos dois cabiam em si de felicidade. Depois de dois anos, eles finalmente se reencontraram! A melhor dupla de amigos estava junta novamente! Amigos...

  Esse era um pensamento que poderia agradar mais. É claro que estavam animados por terem mantido essa amizade. A garota havia reparado, quando pulara no amigo para abraça-lo no aeroporto, que ele ainda usava no pulso a velha fita vermelha que ela ali amarrara há tanto tempo atrás. Mas ela ainda se sentia incomodada... nunca havia confessado seus sentimentos para ele e, por mais que tentasse se convencer do contrário, ela ainda o amava.

  O mesmo valia para ele. Tentara conhecer outras garotas e se convencer de que era melhor esquecer um amor não correspondido. Mas ele não podia. Ainda a amava.

Foi assim que, no dia seguinte (quando as aulas começaram), eles se viram conversando longamente, evitando o assunto do que sentiam verdadeiramente.

  Mas era quase impossível. Eles mudaram tanto, mas ao mesmo tempo não mudaram nada. Ela, aos olhos dele, continuava sendo doce, inteligente, corajosa e ótima amiga. A diferença era que, agora, ela estava mais sociável e parecia mais disposta a sorrir. "Algum tempo de felicidade", ele pensou.

  Enquanto isso, ele, aos olhos dela, continuava sendo gentil, compreensivo, bom em sustentar conversas e muitíssimo leal (algo constatado pelos dois anos usando a fita vermelha). A diferença era que, agora, ele também estava mais sociável e parecia mais seguro de si mesmo do que era antes.

  Essas pequenas coisas, juntas com pequenos atos (como o ato dele de sempre defende-la quando alguém a incomodava, ou o ato dela de sempre ajuda-lo com suas dificuldades escolares) faziam com que eles se apaixonassem novamente ao passar do ano.

  Mas o problema era sempre o mesmo: a falta de coragem para dizer "eu te amo".

 

  Assim, o ano (no qual ela se sentiu mais em casa do que nunca) se passou alarmantemente rápido e, devemos dizer, feliz. Sei que, da forma como digo, parece que o ano nem começou e já está no fim. Mas assim é a vida! É chegada a hora em que começamos a contagem regressiva de uma semana para a formatura do terceiro ano. Formatura a qual seria coroada com o famoso "baile de fim do ano letivo".

  Por mais que os professores tentassem fazer seus alunos se focarem nas últimas matérias que seriam ensinadas antes da faculdade, seus alunos mantinham a cabeça nas nuvens. Imaginavam como seria o futuro. Com futuro, quero dizer dali a uma semana, no baile. A classe repentinamente se encheu de casaizinhos felizes que não desperdiçavam suas juras de amor. Somente ela e ele se sentiam constrangidos com isso tudo? Provavelmente sim... mas o que fazer? Ele deveria convida-la para o baile? Talvez sim...

 

  - Então... - ele tentou puxar assunto enquanto os dois andavam pelo pátio da escola durante o intervalo.

 

  - Pois é... - ela respondeu. Também queria arranjar uma forma de convida-lo antes que mais alguém o fizesse.

 

  - Assim... parece que o único assunto do momento é o tal baile, né?

 

  - Pois é, o pessoal não cala a boca sobre isso...

 

  - Sim... mas... você vai? - os dois pararam repentinamente, ela encarando-o avidamente sem saber que e estava destruindo o pouco resquício de coragem que ele tinha. - Digo... com certeza alguém já te convidou, não é?

 

  - Na verdade não. - ela confessou. Só havia uma pessoa com quem queria ir para o baile, e essa pessoa definitivamente não a chamara. - Mas aposto que muitas garotas já te convidaram, não é?

 

  - Na verdade não... então... se você quiser ir, tenho certeza de que podemos ir como amigos...

 

  - Como amigos... - ela cogitou. Logo em seguida, um sorriso radiante se revelou em seu belo rosto. - Claro! Por que não?

 

  - S-sério? - ele tossiu e tentou esconder a repentina vermelhidão em suas bochechas. Ela confirmou com um aceno de cabeça. - ah, bem... então eu te vejo nesse fim de semana?

 

  - Claro!

****

  Ela se mirava no espelho com admiração. Seu vestido lilás de saia rodada combinava perfeitamente com seus sapatos da mesma cor. Seus cabelos estavam presos em um penteado simples que a mãe insistiu que ela fizesse. A maquiagem suave destacava seus olhos cheios de entusiasmo. Iria ao baile com o amor de sua vida, que, por acaso, era seu melhor amigo.

  Desviou-se então do espelho e pôs-se a esperar por seu acompanhante do lado de fora. A noite estava estrelada e fria. Talvez fosse hoje que ela finalmente encontraria a coragem para dizer...

  Dez minutos se passaram e nada de ele aparecer. Quinze minutos... vinte... depois de meia-hora, quando ela estava prestes a seguir sozinha para a escola, ele apareceu.

 

  - Desculpe o atraso... - ele disse em um tom culpado. Tinha um sorrisinho bobo em seu rosto. - Eu... eu tive que fazer umas coisas...

 

  - Sei. - ela o olhou com uma expressão impaciente, mas não pôde conter um sorrisinho ao ver como ele parecia feliz. - Então... vamos?

 

  - Vamos!

 

  Eles seguiram silenciosamente pela noite. Aquela seria a noite perfeita!

 

  - Ah, espera! - ele segurou o braço da garota quando ela estava prestes a entrar. - Tenho uma coisa para você!

 

  Ele então tirou uma flor ligeiramente amassada do bolso do paletó preto e a colocou nos cabelos da garota. Esta teve que abaixar a cabeça para esconder o quanto estava corada.

 

  - O-obrigada... - ela gaguejou. Logo em seguida, os ouvidos dos dois foram invadidos por toda a zueira da festa: música alta, pessoas conversando (ou melhor, gritando)... toda aquela balbúrdia insuportável das festas...

 

  Os amigos, depois de lutarem para chegar a uma mesa, optaram por ficarem conversando com alguns amigos em um canto mais isolado. Um comportamento não tão atípico para eles, já que preferiam ficar só com pessoas mais próximas em eventos de grande interação social.

  "Aquela noite seria perfeita", foi o que eu disse, certo? Bem, na verdade não tão perfeita assim.

 

  - Hey idiota! - um garoto arrumado com cara de rico veio importuna-los. Estava rodeado de mais cinco meninas, e abraçava a mais bonita e patricinha pelos ombros. - Que bom que arranjou alguém para vir com você, parece que ninguém te queria!

 

  - Não liga para ele. - ela sibilou para o amigo, que se sentiu incomodado, mas prefiriu ignorar o rapaz.

 

  - Não que você tenha escolhido muito bem. - aquele antipático continuou. - Digo, com tantas garotas na escola você tinha que pegar a nerd mais brega e avacalhada?

 

  - Escuta aqui... - ele se levantou da mesa e ameaçou partir para cima do outro, mas sua amiga segurou o pulso de seu paletó.

 

  - Eu disse para não ligar! - ela repetiu, mesmo que um pouco envergonhada.

 

  - É, escute sua amiguinha! - o mais arrumado debochou, agora parecendo realmente entretido. - É melhor você não fazer idiotices, ou ela pode ir embora de novo! Você viajou para que mesmo? - ele se virou para ela e, soltando sua namoradinha, segurou o queixo da garota e se aproximou muito. - Se foi para se formar na escola dos fracassados, eu diria que você obteve sucesso. Mas você ainda é bonitinha... quem sabe nós dois...

 

  - NÃO OUSE! - ele realmente perdeu a calma. Não ia admitir aquilo!

 

  De repente, toda a atenção dos que estavam por perto se voltou para os dois garotos se socando violentamente. A menina que era defendida se sentia agora assustada e enraivecida. Não só fora deliberadamente xingada por um pervertido panaca como também fora claramente ignorada por seu amigo, que agora brigava como um idiota. Para fechar com chave de ouro, ela agora sentia algo molhado e gelado em suas pernas.

  Olhando para baixo, ela constatou que estava encharcada com algum líquido desconhecido. Ao olhar para cima, viu a garota patricinha que acompanhava o menino arrumado segurando um copo virado de cabeça para baixo. Obviamente, era dali que o líquido havia caído.

 

  - O que você pensa que está fazendo? - ela perguntou indignada, pegando o máximo de guardanapos que podia para tentar secar seu vestido.

 

  - Dando um jeito no seu vestido. - a patricinha respondeu. - Estava precisando.

 

  - A sua cara também está precisando de um jeito, mas eu não estou derramando suco nela, estou?

 

  Satisfeita por ter tirado aquele sorrisinho ridículo da cara da patricinha, a garota simplesmente continuou a limpar seu vestido. Pelo jeito, não havia salvação...

 

  - Olha aqui, nerd: por que você não volta para o seu intercâmbio e passa mais uma eternidade lá, já que ninguém te quer por aqui?

 

  - Você sabe que não está me afetando em nada, não sabe? - ela debochou, agora se levantando para ir até o banheiro e tentar tirar aquela mancha.

 

  No momento seguinte, a garota tropeçou e foi de encontro com um garçom que passava. Ela e todo o conteúdo na bandeja do garçom caíram no chão, provocando uma onda de risos. A garota levantou os olhos e viu que a menina patricinha e todo o seu grupinho estavam se acabando de rir.

 

  - Qual é o problema de vocês? - a jovem enlambuzada perguntou, tentando se levantar.

 

  - Olha, acho que agora vocês dois combinam perfeitamente! - o garoto idiota comentou, mas foi calado com outro soco do seu rival.

 

  - Você é mesmo uma fracassada! - a patricinha riu enquanto a outra finalmente se erguia. - Até usa lixo no pulso!

 

  Ela segurou o pulso da garota e analisou a fita vermelha ali amarrada. Ao tentar puxar seu braço de volta, a adolescente viu, para seu horror, que não devia ter feito aquilo. A fita, desgastada pelo tempo, se partiu e caiu no chão. O tempo parou para a nossa protagonista: ela simplesmente coletou o esfarrapo do chão e saiu correndo do local, idiferente às risadas alheias.

  Com os olhos marejados, a jovem seguiu para fora da escola e saiu andando sem rumo. A fita que representava sua maior amizade, que representava que nunca se esqueceria de seu amigo nem em cem anos, estava agora rasgada.

  Ela continuaria andando para sempre se um miado não a tivesse despertado de seus devaneios. Ela teria prestado mais atenção para ver de onde vinha o som, mas tarde demais: tropeçara em um gato (que em seguida corria desembestado noite afora) e quase caira. Quase.

  Alguém a havia segurado pela cintura. Ela voltou seus olhos para seu salvador e viu que era ele.

 

  - O que foi que o gato te fez? - ele perguntou rindo e soltando a amiga.

 

  - C-como... Como... - ela se perguntou confusa como ele havia chegado ali tão rápido.

 

  - Eu te segui depois que você saiu correndo. - ele respondeu, parecendo ler sua mente. Em seguida, ele guiou a amiga para um banco público que havia na rua, e os dois se sentaram. Um silêncio tenso irrompeu entre os dois como não fazia há anos.

 

  - Desculpa... - ela disse em um cochicho, sobressaltando o amigo. Em seguida o mostrou a fita rasgada. - eu não queria quebrar esse nosso juramento...

 

  - De que nunca nos esqueceríamos um do outro? - ele completou. - A fita é só material. O que importa é que realmente não nos esquecemos!

 

  - É...

 

  O garoto reparou que sua amiga estava, além de toda suja, com frio, pois esfregava as mãos nos braços con frequência. Ele decidiu então, em um completo ato de clichê e cavalheirismo, cobri-la com seu paletó. O frio da garota pareceu amenizar, mas não a chateação. Sabendo exatamente o que fazer, ele tirou seu celular do bolso, ofereceu um fone para ela e colocou para tocar uma música especial.

 

  - Ainda é sua favorita? - ele perguntou sorrindo ao ver a cara de assombro da garota.

 

  - Você lembra... - ela sorriu. - Pensei que só eu que me lembrava dessas coisas vagas...

 

  - Você se lembra das coisas vagas? - ele riu. - Se você visse as coisas que ainda guardo...

 

  - Como o que?

 

  - Lembra daquele bilhete de declaração que eu recebi no seu último dia? Aquele da pessoa anônima?

 

  - Ah, sim! - ela riu da lembrança. - No final você descobriu quem mandou?

 

  - Na verdade, eu descobri só hoje, quando eu fui analisar melhor o bilhete.

 

  - Hum... e quem foi a desesperada? - ela não se preocupou. Sabia que ele, como sempre, tirara uma conclusão precipitada.

 

  - Você.

 

  Ela levou um susto. Qualquer que fosse a resposta que ela esperava, certamente não era essa. Ela simplesmente ficou encarando o rosto bonito e sorridente do garoto sentado ao seu lado.

 

  - V-você descobriu? - ela perguntou, esperando que a escuridão ali fosse suficiente para esconder o quão corada ela estava.

 

  Repentinamente, o sorriso do jovem desapareceu. Talvez por ter se tocado do que acabara de dizer...

 

  - É... descobri... m-mas de qualquer jeito, foi há muito tempo, aposto que você já não sente mais nada, haha...

 

  - Você... é ridículo. - ela disse, ainda com uma expressão chocada. O garoto sentiu-se pior ainda. - Nunca deixei de sentir.

 

  Realmente, não era essa a resposta que ele esperava. Tal foi seu susto que ele quase caiu do banco. Encarou a amiga. Seus olhos lhe imploravam por alguma resposta. O brilho das estrelas refletido naqueles olhos deu a ele coragem para se aproximar.

 

  - Engraçado... - ele disse. Sinceramente esperava que os batimentos altos de seu coração não fossem ouvidos, estragando o momento. - Sempre pensei que fosse só eu...

 

  Agora ela se aproximava. Os dois corações estavam disparados, ameaçando pular para fora do peito. Ela podia ver claramente a luz da lua refletida em seus olhos escuros. E ele podia ver a luz das estrelas refletida em seus olhos claros...

  Pondo um fim à distância entre si, eles deixaram que seus lábios se tocassem suavemente, logo em seguida dando inicio a um beijo doce e caloroso. Aquela era a melhor sensação da vida deles. Eles não sabiam descrever. Era como se tardes de primavera se passassem a sua volta e deixassem naquele momento toda a sua beleza.

  Ao se separarem, os dois amigos se viram sorrindo. Ele acariciou os cabelos dela com delicadeza, sustentando seu olhar alegre. Ela em seguida deitou-se no ombro dele e fechou seus olhos, tentando aproveitar cada segundo daquele momento que ela queria que durasse para sempre. O mesmo queria o garoto, que continuou a acariciar a cabeça da amiga, aproveitando o melhor momento de sua vida.

 

  Finalmente a coragem para dizer o que queriam dizer há tantos anos se formou. Os dois simplesmente disseram ao mesmo tempo:

 

  - Eu te amo.

 

  Essas três palavras que sempre doeram tanto para sair haviam agora sido ditas com a maior suavidade. Depois de dois anos de separação, o amor não fraquejou, e agora tudo estava certo. Valeu mais do que a pena, os dois pensaram, manter esse amor bem guardado.


Notas Finais


Como eu disse, ficou um pouco extenso... e talvez um pouquinho confuso pela falta de nomes (desculpem por isso). Mas espero que vocês tenham gostado! Eu até que gostei desse meu trabalho...

Então até mais e obrigada por lerem! 💕


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