História Um caso perdido (Hopeless) -- Norminah - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Dinah, Fifth Harmony, Normani, Norminah
Visualizações 289
Palavras 2.010
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Segunda-feira, 27 de agosto de 2016, 16h47.


 

 

Após guardar as compras, encho a mão com os chocolates que comprei, enfio-os no bolso e saio pela janela. Levanto a vidraça de Lauren e entro em seu quarto. São quase 17 horas, e ela está dormindo, então vou nas pontas dos pés até sua cama e me ajoelho. Lauren está de viseira, e o cabelo negro grudou na bochecha, pois ela baba muito enquanto dorme. Eu me aproximo o máximo possível do rosto dela e grito:

— LAUREN! ACORDE!

Ela se levanta bruscamente e com tanta força que não tenho tempo de sair da sua frente. Seu cotovelo agitado acerta meu olho, e acabo caindo para trás. Na mesma hora, tapo com a mão a vista que está latejando e me espalho no chão do quarto de Lauren. Viro o olho ileso para ela e vejo que está sentada na cama segurando a própria cabeça, fazendo uma cara feia para mim.

— Você é uma vaca — diz ela gemendo.

Lauren joga as cobertas para longe, sai da cama e vai direto para o banheiro.

— Acho que vou ficar com o olho roxo por sua causa — resmungo.

Ela deixa a porta do banheiro aberta e senta-se no vaso.

— Ótimo. Você merece. — Ela pega o papel higiênico e chuta a porta para fechá-la. — Acho bom que tenha me acordado por um motivo válido. Passei a noite inteira sem dormir arrumando as malas.

Lauren jamais gostou de acordar cedo e, pelo jeito, também não fica muito alegre de tarde. Para ser bem sincera, também não fica muito contente durante a noite. Se tivesse de adivinhar em qual horário Lauren fica mais agradável, eu diria que é quando está dormindo. Vai ver é por isso que ela odeia tanto acordar.

O senso de humor e a personalidade sincera de Lauren são fatores importantíssimos para nos darmos tão bem. Garotas empolgadas e falsas me irritam para caramba. Acho que empolgação nem faz parte do vocabulário de Lauren. Só faltam as roupas pretas para ela ser a típica adolescente melancólica, apesar, de ela ter algumas delas. E falsa? Impossível ser mais direta que ela, independentemente se a pessoa está a fim de ouvir aquilo ou não. Lauren não tem nada de falso.

— Acho que vai ficar feliz por eu ter acordado você. — Saio do chão e vou para sua cama. — Hoje aconteceu algo monumental.

Lauren abre a porta do banheiro e volta para a cama. Ela se deita ao meu lado e puxa as cobertas por cima da cabeça. Depois, rola para longe de mim, afofando o travesseiro até ficar confortável.

— Deixe eu adivinhar… Andrea assinou uma TV a cabo?

Giro para ficar de lado e me aproximo de Lauren, colocando o braço ao seu redor. Apoio à cabeça no seu travesseiro, e ficamos de conchinha.

— Tente de novo.

— Você conheceu alguém no colégio hoje, engravidou e vai se casar, mas não vou poder ser madrinha do seu casamento porque vou estar lá do outro lado dessa porcaria de mundo?

— Chegou perto, mas não. — Batuco com os dedos no seu ombro.

— Então o que foi que aconteceu? — pergunta ela, irritada.

Eu me deito de costas e suspiro fundo.

— Vi uma garota no mercado depois do colégio e, puta merda, Lauren. Ela era linda. Assustadora, mas linda.

Lauren rola imediatamente para ficar de frente para mim, conseguindo bater com o cotovelo justo no mesmo olho que golpeou alguns minutos atrás.

— O quê?! — grita ela bem alto, ignorando que eu esteja com a mão no olho, gemendo mais uma vez. Ela se senta na cama e afasta minha mão do rosto. — O quê?! — grita ela outra vez. — Sério? Ouvi bem? Uma garota?

Continuo deitada de costas e tento mandar a dor do meu olho latejante para o fundo da mente.

— Pois é. Assim que olhei para ela, foi como se meu corpo inteiro tivesse derretido no chão. Ela era… uau.

— Você falou com ela? Pegou o telefone dela? Ela a convidou para sair? Sempre soube que era lésbica.

Nunca vi Lauren tão entusiasmada. Está ficando animada demais para meu gosto, não sei se aprovo isso.

— Caramba, Lauren. Calma aí.

Ela baixa o olhar e franze a testa.

— Normani, faz quatro anos que me preocupo com você, achando que isso jamais aconteceria. Por mim não teria problema algum se você for lésbica. Nem se só gostasse de caras magros, baixinhos e nerds. Até se só se sentisse atraída por homens bem mais velhos e enrugados, com pênis ainda mais enrugados, eu não veria problema algum. Só me preocupava que você nunca experimentasse a luxúria. — Ela volta a se deitar, sorrindo. — Luxúria é o melhor dos pecados capitais.

Eu rio e balanço a cabeça.

— Discordo. Luxúria é um saco. Acho que você tem exagerado sua importância durante todos esses anos. Ainda considero a gula o melhor de todos. — Após dizer isso, tiro um pedaço de chocolate do bolso e o coloco na boca.

— Preciso saber os detalhes.

Chego mais para trás até encostar na cabeceira.

— Não sei como descrever. Depois que olhei para ela, não queria mais parar. Podia ter passado o dia inteiro a encarando. Mas aí, quando ela olhou para mim, fiquei apavorada. Ela me olhou como se estivesse furiosa só por eu ter percebido sua presença. Em seguida, me seguiu até o carro e fez questão de saber meu nome. Parecia até que estava com raiva de mim. Como se eu a estivesse incomodando. Perdi a vontade de lamber seu rosto e passei a querer sair em disparada para longe dela.

— Ela seguiu você? Até o carro? — pergunta ela ceticamente.

Confirmo com a cabeça e conto todos os últimos detalhes da minha ida ao mercado, inclusive o fato de ela ter esmurrado um carro.

— Caramba, que bizarro — comenta ela, quando termino de falar. Ela se senta e fica na mesma posição que eu, encostada na cabeceira. — Tem certeza de que ela não estava dando em cima de você? Tentando conseguir seu telefone? Garotas podem ter uma maneira diferente de chegar nas outras. Fala sério, já vi como você fica perto dos garotos, Normani. Você sabe fazer o joguinho mesmo quando não está interessada no cara. Ok... agora por uma garota. Sei que você sabe interpretar o que os garotos querem, mas acho que por ser uma garota e você ter ficado atraída por ela, talvez isso tenha atrapalhado sua intuição. Não acha?

Dou de ombros. Pode ser que Lauren tenha razão. Talvez eu tenha interpretado as ações dela da maneira errada, e minha própria reação negativa tenha feito com que desistisse de me convidar para sair.

— Pode ser. Mas independentemente do que era, se deteriorou com a mesma rapidez. Ela desistiu do colégio, é temperamental, esquentada e… simplesmente… é um caso perdido. Não sei qual é meu tipo de garota, mas sei que não quero que Dinah faça meu tipo.

Lauren aperta minhas bochechas, espremendo-as, e vira meu rosto para ela.

— Você acabou de dizer Dinah? — pergunta ela, com a sobrancelha extremamente bem-feita arqueada de curiosidade.

Meus lábios estão esmagados, pois ela continua apertando minhas bochechas, então faço que sim com a cabeça em vez de responder com palavras.

— Dinah Jane Hansen? Cabelo Loiro? Ardentes olhos castanhos? Tão esquentada que parece ter saído do Clube da luta?

Dou de ombros.

— Parexe xer ela xim — digo, com as palavras praticamente inaudíveis graças ao aperto em meu rosto. Ela me solta, e repito o que tinha dito: — Parece ser ela sim. — Levo a mão à face e massageio as bochechas. — Você a conhece?

Ela se levanta e joga as mãos no ar.

— Por que, Normani? De todas as garotas que poderia achar atraentes, por que diabos Dinah Jane?

Ela parece desapontada. Por que está tão desapontada? Nunca a ouvi falar de Dinah. Por que diabos parece que isso deixou de ser algo empolgante para se tornar algo… muito, muito ruim?

— Preciso saber os detalhes — digo.

Ela vira a cabeça e põe as pernas para fora da cama. Vai até o armário e pega uma calça jeans de uma caixa, em seguida a veste por cima da calcinha.

— É uma canalha idiota, Normani. Estudava no colégio, mas foi presa assim que as aulas começaram no ano passado. Não a conheço muito bem, mas conheço o suficiente para saber que ela não é para namorar.

Sua descrição de Dinah não me surpreende. Gostaria de dizer que não fiquei desapontada, mas é mentira.

— E desde quando alguém é para namorar ou não? — Acho que Lauren nunca teve um namoro que durou mais de uma noite.

Ela olha para mim e dá de ombros.

— Touché. — Lauren veste uma camisa e vai até a pia do banheiro. Ela pega uma escova de dente, espreme pasta por cima e volta para o quarto escovando os dentes.

— Por que ela foi presa? — pergunto sem ter certeza se realmente quero saber a resposta.

Lauren tira a escova da boca.

— Eles a prenderam por causa de um crime de ódio… bateu numa garota negra do colégio. Tenho certeza de que tinha antecedentes, e isso foi a gota d’água. — Ela coloca a escova de volta na boca e vai até a pia para cuspir.

Um crime de ódio? Sério? Sinto o maior frio do estômago, mas dessa vez não de um jeito bom.

Lauren volta para o quarto após prender o cabelo num rabo de cavalo.

— Que merda — diz ela, mexendo em suas joias. — E se essa for a única vez em que você sentiu tesão por alguém e jamais experimentar isso de novo?

Faço uma careta devido à escolha de palavras dela.

— Não senti tesão por ela, Lauren.

Ela balança a mão no ar.

— Tesão. Atração. É tudo igual — diz ela de um jeito desaforado, voltando para a cama. Ela deixa um brinco no colo e põe o outro na orelha.

— Acho que devíamos estar aliviadas por descobrirmos que ainda há esperança para seu caso. — Lauren estreita os olhos e se inclina na minha direção. Ela segura meu queixo, virando meu rosto para a esquerda. — O que diabos aconteceu com seu olho?

Rio e desço da cama, fugindo do perigo.

— Você aconteceu. — Vou para a janela. — Preciso espairecer um pouco. Vou correr. Quer vir comigo?

Lauren enruga o nariz.

— Hum… não. Divirta-se.

Estou com uma perna por cima do peitoril da janela quando ela me chama.

— Depois vou querer saber todos os detalhes do seu primeiro dia de aula. E tenho um presente para você. Mais tarde passo na sua casa.

                17h25.

Meus pulmões estão doendo; meu corpo ficou dormente faz tempo, na estrada.

Deixei de inspirar e expirar ritmicamente e passei a soltar arfadas descontroladamente.

Costuma ser esse o momento em que mais gosto na corrida. Quando todas as células do meu corpo trabalham para me fazer seguir em frente, permitindo que me concentre apenas no próximo passo e nada mais.

No próximo passo. Nada mais.

Jamais corri até tão longe. Costumo parar quando sei que completei meus dois quilômetros e meio, o que foi há algumas quadras atrás, mas dessa vez não. Apesar do desespero familiar do meu corpo neste momento, não estou conseguindo fazer a mente se desligar. Continuo correndo na esperança de que isso aconteça, mas hoje está demorando bem mais que o normal. A única coisa que me faz decidir parar é o fato de que vou ter de correr exatamente a mesma distância na volta para casa. Minha água também está acabando.

Paro no início de um jardim e me apoio na caixa de correio, abrindo a tampa da garrafa de água. Enxugo o suor da testa com o dorso do braço e levo a garrafa aos lábios, conseguindo tomar umas quatro gotas antes de ela acabar. Já bebi uma garrafa inteira por causa do calor. Eu me repreendo silenciosamente por ter decidido não ir correr pela manhã. Sou a maior molenga no calor.

Temendo ficar desidratada, decido voltar para casa andando, e não correndo. Acho que me forçar e chegar ao ponto da exaustão física não deixaria Andrea muito contente. Só por eu correr sozinha já a deixo nervosa.

Começo a andar quando ouço uma voz familiar atrás de mim.

— Oi, você.



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