História Um chamado para o coração - Capítulo 33


Escrita por: ~

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Categorias One Piece
Personagens Coby, Donquixote Rosinante "Corazón", Eustass Kid, Jewelry Bonney, Monkey D. Garp, Monkey D. Luffy, Nami, Portgas D. Ace, Sabo, Sanji, Trafalgar D. Water Law, Trafalgar Law
Tags Lawlu, Monkey D Luffy, One Piece, Romance, Sanami, Trafalgar Law, Yaoi
Visualizações 123
Palavras 6.209
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura, espero que gostem!

Capítulo 33 - Help


Fanfic / Fanfiction Um chamado para o coração - Capítulo 33 - Help

Kid franziu o cenho ao ouvir as batidas mais uma vez, suspirando irritado. – Não, ele não estava sonhando. Ele podia ouvir seu pai xingando no quarto ao lado também. Realmente tinha algum desgraçado batendo em sua porta a merda das duas horas da manhã.

Sem outra escolha, ele escorregou o corpo para fora da cama, preguiçosamente. Agora levantado, procurando por um agasalho para o recente frio que sentiu ao abandonar a cama e os cobertores, vestindo apenas uma regata branca fina e uma cueca de listras azuis velha.

Envolvido num casaco meio fino e que estava fedendo a um pouco de suor ele fez seu caminho para fora do quarto. - Ele não tinha mais empregados ou alguma disposição para cuidar de suas roupas sujas, então quando a lavanderia do outro lado da esquina estava fechada, não o restava muitas opções.

 Kid se dirigiu a passos lentos à porta de seu apartamento. Uma vez que aberta a porta, o ruivo sentiu seu corpo e seu rosto estático diante da visão com que fora recebido.

— Ajuda. – Foi o que Nami conseguiu dizer, as palavras sussurradas entre os dentes, seus joelhos falhando assim como os de Luffy, indicando que a tarefa de chegar até ali não fora muito fácil. Os dois apoiando um semiconsciente Law pelos braços, cada um deles apoiado nos ombros de Nami e Luffy.

 

                                                        ...

 

— Vamos lá, Torao. Você tem que entrar no banho. – Luffy tentou de novo, enquanto puxava o maior em direção à banheira.

Não, não. Para. – Law murmurou, as palavras saindo fracas enquanto ele tentava fugir do banheiro, sem muitas forças para fazer mais do que arrastar os pés e os braços no azulejo branco, sem na verdade, sair do mesmo lugar em que estava parado. Contudo, ainda dando trabalho para Nami e Luffy que estavam tentando fazer com que ele tirasse pelo menos as calças para entrar na banheira.

— Eu disse que não quero! – Law birrou mais uma vez, a voz embriagada meio rouca. Ele ficou zangado quando viu os dedos de finos de Nami puxarem a lateral de sua camiseta, tentando arrancar a peça de seu corpo.

— Vamos logo, Law. Você está fedendo a vômito! – Nami cismou e Luffy apenas conseguiu franzir o nariz em concordância. Depois que Kid abriu a porta para eles e ajudou a levar Law até seu banheiro a primeira coisa que ele fez foi se botar de joelhos em frente a privada e vomitar, pelo que parecia, a refeição do dia inteiro.

Depois da viagem com Law em Paris ele havia o contado que tivera que lidar com Luffy bêbado também e Luffy apenas conseguiu se sentir envergonhado com aquela lembrança. – Ele estivera assim também? Na frente de Law?

— Vamos, Law. Se você entrar na água o Luffy vai te dar um banho! Isso não parece interessante? – Nami ofereceu, deduzindo que aquilo iria despertar o interesse de Law em algum lugar.

Nami! – Luffy rangeu os dentes.

Mas fora apenas o momento em que os olhos de Luffy tornaram de voltar a Law que ele sentiu as maçãs do rosto quentes: Law olhou pra ele de volta com a boca aberta em silêncio, os olhos sérios, como se estivesse avaliando um diamante em uma vitrine, parecendo considerar o que Nami havia dito.

— Tudo bem. – Law concordou para o desagrado de Luffy, que estremeceu e apertou mais forte a toalha branca em suas mãos.

— Nami, eu não posso... – Luffy começou, sentindo seu rosto esquentar mais quando de repente, as memórias do que havia acontecido na última vez que ele e Law estiveram perto de uma banheira. Ah, sim. Isso também.

Luffy balançou a cabeça, tentando espantar aquilo de seus pensamentos e tentando se concentrar na figura suja e malcheirosa de Law em sua frente.

É claro. Ele definitivamente precisava de um banho e Luffy queria ele melhorasse logo, mas... Luffy engoliu em seco por um breve momento enquanto continuava a fitar Law apreensivamente. – Mesmo que bêbado aquela proximidade ainda era um pouco estranha para ele de lidar. Ainda mais depois do que ele o havia dito no parque.

Luffy mordeu os lábios, como se aquilo de alguma forma ia fazê-lo impedir de pensar. Não. Não havia razão pra pensar naquilo, certo? Ele estava bêbado. Law havia dito um monte de coisas sem sentido naquele momento. Que razões teria Luffy pra levar suas palavras a sério? O garoto simplesmente não podia imaginar Law matando ninguém. Era impossível. Law estava completamente fora de si quando disse aquilo. Deus, ele até estava considerando se matar.

Nami estreitou os olhos para o modo como Luffy estava encarando Law por algum tempo. – Ele esteve o olhando dessa forma desde que eles saíram do parque. Suspeito, receoso.

Por fim, Luffy desviou o rosto do mais velho, tentando se acalmar um pouco. - O Law da boate e o Law do parque ainda não haviam saído da sua mente. Ele ficava um pouco temeroso em pensar qual viria depois que o médico estivesse sóbrio novamente.

Nami suspirou. Agora não era hora. – Foi o que pensou, já puxando a camiseta suja de Law pelo pescoço dele, sem resistência dessa vez. Law estava apenas ali parado obedientemente.

— O que você acha de eu chamar o Kid pra ajudar então? – Nami sugeriu para Luffy, ardilosamente, a provocação passeando pelos seus lábios quando o fez.

Não! – Luffy respondeu, quase que automaticamente.

Em seguida, Luffy corou , franzindo o cenho e engolindo em seco por alguns segundos, como se tivesse se dado conta do que havia acabo de falar apenas naquele momento.

Nami sorriu sem dentes com o seu feito.

— Não se preocupe. Vamos ser rápidos, tudo bem? Não é como se ele estivesse muito acordado pra prestar atenção nisso. – Ela falou, agora se agachando pra puxar as calças de Law para baixo, enquanto ele seguia os movimentos da ruiva com os olhos.

Luffy acenou com a cabeça em concordância, tentando não prestar muito atenção na imagem do que Nami estava fazendo com Law naquele momento. Era estranho.

— Ei. – A voz grave e rouca de Kid soou audivelmente do outro lado da porta, acompanhada de leves batidas. — Eu voltei.

Depois de terminar de chutar as calças de Law para um canto do banheiro, Nami foi em direção à porta e a abriu. O pai de Kid estava em casa dormindo e apenas por precaução, Kid os aconselhou a deixarem a porta trancada. Eventualmente, ele teria que explicar a história toda com Law no dia seguinte quando ele se levantasse, mas ver dois estranhos despindo o “ex” de seu filho não é exatamente algo que você quer se dar o luxo de esbarrar com no meio da noite.

Alguns minutos atrás, Kid havia saído com o carro buscar algumas coisas que ele havia dito que iriam “curar” Law. Luffy não entendeu muito bem o que ele havia querido dizer com aquilo, mas ele esperava o que quer que ele tivesse trazido fosse o suficiente para ajudar Law.

— Oh. – Kid murmurou tediosamente ao desviar seu rosto para eles, não parecendo muito afetado quando observou Luffy e então Law, apenas em suas roupas intimas parado no meio cômodo, Nami mais próxima a sua frente. — Vocês ainda não deram um banho nele? É melhor se apressarem.

— Law está dando um pouco de trabalho. – Nami explicou, aproximando-se mais ainda de Kid, espiando o conteúdo dentro das sacolas que ele estava segurando.

— As melhores curas pra ressaca no mundo. – Kid disse, como se estivesse respondendo a pergunta nos olhos da ruiva ao inspecionar alguns frascos e garrafas de vidro nas mãos. — Eu trouxe alguns remédios também em caso de... – Nami e Luffy travaram o olhar nele e um silêncio tenso se pairou no banheiro por um breve momento. Kid não precisava terminar a sentença. Eles sabiam por si sós. Caso Law tivesse ingerido algum tipo de droga.

Por fim, ele retomou, parecendo levemente desconfortável:

— Bem, nós vamos ver. Assim que vocês terminarem aí.

— Você precisa de ajuda? – Nami ofereceu, erguendo o queixo para encarar Kid enquanto devolvia as coisas de volta à sacola de mercado.

— Seria bom, mas você não está ocupada? – Kid perguntou, voltando os olhos a Luffy, que agora estava guiando Law em direção à banheira.

Nami olhou para Luffy de relance, por cima do ombro.

— Eu volto já, Luffy. Você pode se cuidar sozinho por uns cinco minutos, não pode? – Nami deu um sorrisinho para o garoto.

Os lábios de luffy se uniram em uma linha tênue, pensativo e seu rosto se franziu, mas não houve tempo pra resposta uma vez que Nami já havia deixado o banheiro, arrastando Kid para longe da porta junto com ela.

Kid ergueu uma sobrancelha para o ato da ruiva, caminhando em conjunto com ela até a cozinha. Nami e ele se acomodaram perto da pia. Kid retirou as garrafas e remédios de dentro das sacolas, apontando para dois dos vidros, ele orientou Nami:

— Você pode começar com aqueles dois. Junte eles e misture até ficarem amarelo.

Nami assentiu, já buscando por uma colher para fazer a mistura.

— Não sabia que você também era químico.

Kid reprimiu um riso, enquanto manuseava alguns remédios em suas mãos.

— Só um cara com um histórico de ressaca tão fudido quanto o de Law, mas se você prefere esse nome...

Nami sorriu de lado.

Eles ficaram mais alguns segundos em silêncio, apenas trabalhando até que Kid de repente, virou o rosto para Nami, mas ainda checando a bula dos remédios com o canto dos olhos, uma vez ou outra.

Ei, Você pode me explicar agora como exatamente vocês encontraram o Law?

Tudo havia acontecido de maneira muito rápida. Uma vez que Law apareceu chapado e sendo arrastado na sua porta, o resto não pareceu importar mais. Naquele momento, havia prioridades, mas, agora, enquanto parado no meio de sua cozinha, com a cabeça mais limpa, aquela situação toda merecia uma explicação melhor.

— Não é nada que você está pensando! – Nami reprimiu, parecendo meio ofendida, enquanto mexia com a colher. — Luffy me levou até o parque de Law durante a madrugada. Por algum motivo, ele tinha certeza que ele estaria lá e pra minha surpresa, ele realmente estava. Com uma garrafa de bebida barata na mão e parecendo com um mendigo, mas estava. Tivemos sorte!

Kid franziu o cenho, parecendo pensativo.

— Por que ele iria para um parque?

— Eu não sei. Poética de bêbado? A propósito, ele estava com um frasco de pílulas perto dele. É por isso que eu quis vir te ajudar. – Nami deixou a colher de lado e moveu as mãos em direção a seu casaco fino, retirando a pequena capsula de lá e a entregando nas mãos de Kid, que parou o que estava fazendo para segurar o frasco.

— Eu não sei ler nada disso, mas Luffy acha que ele estava tentando se matar. Eu imaginei que você saberia o que é. – Ela disse, seriamente, atraindo um olhar mais intenso de Kid em sua direção antes de ele voltar os olhos para o vidro em suas mãos.

Nami apenas imaginou que um médico como Kid saberia dizer tão bem quanto Law do que se tratava o conteúdo dentro do frasco. E, pelo modo como ele olhou para ela, ele parecia saber perfeitamente.

— Certamente. – Ele murmurou entre os dentes, parecendo um tanto tenso por si só com a confirmação. — Esse medicamente é pura droga. Se Law queria se matar, ele não precisaria fazer mais do que misturar um ou dois comprimidos com bebida. Seria suficiente, mas algo me diz que ele estava pensando numa overdose. Ou talvez... Até as duas possibilidades. Se ele levou um frasco inteiro e uma garrafa...

— Pare de falar. – Nami cruzou os braços e cerrou os olhos por um breve momento, sentindo seu peito pesar ao imaginar na ideia de seu amigo morrendo de uma forma tão horrível. O que diabos estava passando na cabeça de Law?

— Não é agradável pra mim também. – Kid lamentou. — Mas pensar que Law realmente faria algo assim, mesmo que bêbado... Significa que isso é sério o suficiente.

Nami engoliu em seco, abrindo os olhos e fitando de volta nos castanhos duros e firmes de Kid.

— Eu liguei para o hospital quando cheguei em casa. – Kid disse, de repente, atraindo a curiosidade e surpresa de Nami quando ele enfim terminou a frase. — Parece que Corazon já está bem o bastante para receber visitas.

— Sério? Ele acordou? – Ela perguntou, com recente agitação em sua voz.

Kid assentiu.

— Mas vamos ver sobre isso amanhã, certo? Primeiro, eu preciso fazer check-up em Law e descobrir se não tem nada de muito nocivo no corpo dele, especialmente essa droga. – Ele disse, batendo no frasco levemente com os dedos, como se reafirmando.

— Certo. – Nami concordou lentamente.

 

                                                         ...

 

Sentado sob a beirada do colchão, Luffy passou a mão pela bochecha do rosto de Law mais uma vez enquanto o assistia dormir em silêncio. Agora limpo e vestido com roupas emprestadas de Kid: Uma camiseta simples azul clara e calças de moletom, suas feições leves, bonitas e um tanto machucadas eram destacadas de forma graciosa pela luz amarela do abajur pequeno apoiado numa escrivaninha ao lado da cama.

Para a surpresa de Luffy, o banho não havia sido uma tarefa tão complicada de realizar quanto ele imaginou. Law esteve com a cabeça abaixada, cochilando e murmurando coisas sem sentido na maior parte do tempo. – Afinal, todas aquelas boates e bebidas o dia inteiro. Seria estranho se ele não estivesse cansado.

Nami não demorou a voltar para ajudar e então, depois de dado o banho, os dois cuidaram de vestir Law. Kid o examinou rapidamente apenas para certificar-se que não havia nada errado com ele. E, para o alívio de todos eles, tudo parecia certo com Law. Kid disse que ele não havia ingerido nenhuma droga, o que fez com que ele ficasse livre para dar a Law às coisas que ele havia trazido. Depois disso ele tratou dos machucados no rosto e no corpo de Law, por fim, deixando para com que Nami e Luffy o levassem para o único quarto de visitas de Kid, que ficava próximo a sua própria suíte.

Assim que o corpo de Law encontrou com o colchão e com as cobertas macias, fora apenas uma questão de menos de cinco minutos para que ele adormecesse na cama. Luffy ficou segurando sua mão até o momento em que seus olhos se fecharam por completo.

Luffy desceu seus dedos para o lábio levemente machucado de Law.

Apesar de Nami já ter o tido para ir dormir faz tempo. Ele não queria deixar o seu lado tão cedo. Talvez fosse porque ele soubesse que uma vez que Law acordasse sua expressão não estaria tão calma e serena quanto agora. Ou talvez porque eles teriam lidar com tudo aquilo de novo e talvez ainda mais.

Eles iriam passar aquela noite na casa de Kid. Eles não podiam levar Law para a casa de Nami enquanto os irmãos de Luffy estivessem lá. Aquilo estava fora de questão. E levar Law para sua própria casa poderia ser mais problemático ainda. Então, eles acabaram ali. Um sofá e um cobertor para cada um na sala. – Nami o havia dito que ele deveria ficar grato por Kid não ter sugerido que eles dormissem no chão. Não que ele estivesse reclamando. Luffy não precisava se deitar no sofá de couro pra saber o quão mais confortável ele era do que todas as camas que ele já tivera em sua vida. E com o fogo quente da lareira, a noite não seria tão ruim. Além do mais, Luffy também estava bem cansado. Ele, na verdade, poderia dormir no chão. Pelas olheiras que se acumulavam embaixo de seus olhos, aquilo não seria um problema.

Por fim, Luffy soltou um suspiro, movendo as mãos para longe de Law vagarosamente, levantando-se e fazendo seu caminho para fora do quarto. Amanhã seria outro dia longo e ele deveria estar descansado suficientemente para lidar com ele.

Quando ele chegou à sala, não demorou para Luffy sentir o calor confortante que pairava no ar envolvê-lo. Luffy moveu os olhos para a lareira instalada na parede, abaixo da tevê. De uma cor amarelo clara, ela parecia ser bem moderna. Havia alguns retratos de Kid com seu pai em cima dela, mas antes que Luffy pudesse reparar mais sua atenção fora desnorteada.

— Você não está com a cara de quem salvou alguém.

Luffy virou o corpo para fitar a amiga; deitada com as costas apoiadas no braço do sofá preto, seu corpo envolvido em uma coberta lilás e felpuda. Nami sorriu gentilmente pra ele, mas também parecia haver certa preocupação em seus olhos.

— Durma um pouco.

Luffy assentiu com um singelo movimento de lábios, deitando-se no outro sofá na sala e puxando a coberta sob suas pernas.

— Eu não salvei ninguém. – Luffy murmurou, mais que para si mesmo do que para a ruiva que o encarava de forma curiosa. — Não realmente.

Nami ainda estava com os olhos sob Luffy quando ele se virou de costas para ela e envolveu mais a coberta ao redor do corpo, antes de cair no sono.

 

                                                                   ...

 

Naquela tarde, Luffy fora acordado por vozes. Ele não abriu os olhos de imediato, seu corpo estava cedendo devagar.

— Você tem certeza que está se sentindo bem? Talvez Kid deveria te examinar de novo.

Nami. A voz suave e cuidadosa parecendo um pouco distante.

— Pare de encher o saco dele, Nami. Ele já disse que está bem, você não entende? Só o deixe respirar um pouco. – Kid. A voz vibrando mais alta que a de Nami.

— Está tudo bem, eu só... – Uma terceira voz, soou mais baixa.

— Bem, ele tem que pelo menos comer! Quando foi a última vez que você comeu?

— Eu não estou com fome...

Espere.

Os olhos de Luffy foram abrindo-se levemente. Luffy ergueu o tronco de seu corpo, franzindo o cenho ao sentir sua barriga doer quase de imediato. Comida. - Luffy precisava de comida. Aquilo era incomum para ele, mas ontem ele havia passado quase o dia inteiro sem ter uma refeição apropriada. Era óbvio que seu corpo iria reclamar alguma hora, mas ele não estava pensando naquilo no dia anterior.

Luffy empurrou a coberta para longe, levantando-se lentamente do sofá. Uma vez que de pé no meio da sala, o cheiro quente e fresco de frango frito rapidamente invadiu suas narinas. Lufy inspirou mais forte, sentindo a boca salivar. Quase que automaticamente, seus pés seguiram em direção ao corredor, seguindo o cheiro que estava fazendo seu estômago girar. As vozes se tornavam mais claras conforme ele se aproximava.

— Está tudo bem. Eu estou falando sério. Minha cabeça só está doendo um pouco.

Os pés de Luffy pararam no meio do caminho e ele se encontrou atônito por alguns segundos.

— Um pouco de café seria bom pra começar, você sabe?

Luffy imediatamente apressou seus passos, de uma maneira que em um instante, ele já se encontrava na cozinha. Ele nem sequer prestou muita atenção no ambiente ou até mesmo na cesta de frango frito que o atraiu inicialmente, posicionada tentadoramente sob a bancada.

Seus olhos também ignoraram as figuras de Nami e Kid paradas de braço cruzado em frente a Law. Os dois agora voltados em sua direção, o encarando surpreendidos pela sua intromissão repentina.

Sentado sob uma cadeira giratória preta com um cobertor o envolvendo. Não parecendo muito diferente de ontem, tirando pelos machucados cicatrizados, os cabelos bagunçados e o curativo sob o nariz continuavam os mesmos. Ele estava vestindo um roupão escuro agora. Sua atenção fora imediatamente direcionada a Law assim como a de Law para ele, que abriu a boca, desconcertado pela presença de Luffy. Os olhos castanhos e cinzas se encontraram, atentos e demorados um sob os outros, fazendo com que o ambiente subitamente ficasse pesado demais para as outras duas pessoas restando dentro da cozinha.

Luffy de repente, não sabia o que dizer. Havia um nó em sua garganta e um aperto incomum em seu peito.

— Me desculpe. – Ainda que hesitantes, os olhos de Law não desviaram dos dele quando ele disse as palavras de forma cautelosa, seu tom de voz não muito firme, mas nem muito frouxo.  — Nami e Kid me contaram...

Luffy puxou um pouco de ar, seu rosto tomando uma expressão leve, quase que sentida.

— Não se desculpe. – Luffy o interrompeu, mordendo os lábios por um breve momento, sentindo-se afligido. — Não parece certo.

Encaram-se em silêncio por mais um minuto até que a voz de Kid irrompesse qualquer outra coisa que eles tivessem em mente para dizer.

— Ok, vocês dois podem resolver isso depois. Vamos voltar para o importante, podemos?

— Kid! – Nami chiou em repreensão. Será que o ruivo não entendia o que estava acontecendo ali?

A feição dura e fechada de Kid não mudou, de maneira que ele arqueou os braços levemente.

— Me desculpe se eu não estou me sentindo tão emocional quanto o resto de vocês hoje, mas eu também tive uma noite bastante agitada pelo que se pode dizer. Então, quanto mais cedo resolvermos isso, eu acho que melhor pra todo mundo, certo?

Nami suspirou. - Áspero e afiado como sempre. Isso quando não estava zombando dos outros. Ele não podia tirar uma pausa, podia?

— O que Kid está tentando dizer é que seria ótimo saber um pouco mais do que aconteceu com você nas últimas horas, Law. O máximo que você conseguir lembrar para que possamos entender melhor a noite passada. – Nami disse, as palavras saindo suavemente.

Antes que Law tivesse a oportunidade de responder, a barriga de Luffy roncou em alto e bom som, fazendo com que todos voltassem sua atenção a ele. Luffy fez uma careta e moveu as mãos para o próprio estômago, em dor.

— Você precisa comer. – Nami aproximou-se dele rapidamente, preocupada. Ela segurou em seus ombros, o guiando em direção à cesta de frango frito na bancada. — Vamos. Kid os acabou de pedir. Estão fresquinhos.

Luffy não precisou ser dito mais de uma vez para agarrar duas coxas de frango na mão e começar a devorá-las como se não houvesse amanhã. Ele realmente estava com muita fome. Nami tirou as mãos de seu ombro e se afastou dele.

Por alguns minutos, o som dos dentes de Luffy trabalhando sobre o frango fora o único barulho que era ouvido dentro da cozinha além dos saltos de Nami ecoando contra o chão quando ela se movia de uma extremidade para outra extremidade da cozinha, preparando um café para Law. Os dois médicos aguardavam em silêncio.

— Aqui. – Nami disse, quando enfim entregou a caneca nas mãos de Law.

— Obrigado. – Ele murmurou baixinho e Nami sorriu curtamente em resposta. – Depois de toda aquela confusão, era bom ver ele com uma caneca de café nas mãos ao invés de uma garrafa de bebida.

Terminado o último pedaço de frango que restava em suas mãos, Luffy largou o osso sobre a pia e se aproximou mais do círculo em volta de Law.

— Então... – Kid começou, os olhos sob Law. — Por onde você quer começar?

— Eu... – Law voltou os olhos para o baixo, parecendo culpado. — Eu sei que eu já disse antes, mas eu peço desculpas por todo o problema que eu dei vocês e pelas coisas que eu disse... Eu nunca tive a intenção de dizer nada daquilo.

— Bem, você claramente queria dizer algo pra gente. – Kid ergueu as sobrancelhas, atraindo o olhar de Law e de Nami, que o fitou em repreensão. Ele era inteligente o suficiente para saber que todas aquelas palavras não vieram do nada. Law ainda guardava mágoa dele, talvez de todos eles. — Mas é bom que você tenha botado tudo aquilo pra fora.

— Está tudo bem, Law. – Nami disse serenamente, voltando-se para o moreno. — Não se preocupe com isso agora.

— É só que... – Luffy reprimiu os lábios quando viu Law mover uma das mãos para o cabelo, os olhos ainda voltados para o chão. – Ele estava nervoso.

— Depois que eu encontrei meu tio desmaiado na sala... Eu estava tão... Eu me senti tão inútil e idiota. Como quando meus pais morreram. Eu senti que estava acontecendo tudo de novo. – Os olhos de Law brilharam em dor.

Nami e Kid continuavam a ouvir atentamente. Luffy engoliu em seco.

— Torao...

— Eu não sabia o que fazer, eu não sabia pra onde ir. Eu não queria ficar no hospital. E se eu o visse morrendo bem na minha frente? Eu não conseguiria aguentar... – A voz de Law saiu presa.

Os olhos de Nami tremeram com pesar quando ela o interrompeu:

— Seu tio está bem. – Ela disse, de repente, atraindo os olhos surpresos de Luffy e Law. Kid apenas contraiu os lábios em silêncio. — Kid ficou sabendo que ele acordou ontem à noite. Ele já pode receber visitas. – Um sorriso vacilante se plantou em seus lábios. — Então, nós podemos ir lá quando-

— Nami. – Kid a cortou. O sorriso se esvaziou de seu rosto e Nami encarou Kid em confusão até que ele deu um aceno de cabeça na direção de Law que ainda não havia movido os olhos do chão. Ele parecia um pouco pasmo e Nami engoliu qualquer outra palavra que ela tinha em mente para dizer. Ela entendeu a mensagem de Kid. – Law ainda está absorvendo a informação, vá com calma.

— Eu entendo... – Law enfim ergueu os olhos para eles, ainda parecendo meio atônito. — Eu não sei se eu estou pronto pra ver ele ainda...

— Isso é perfeitamente compreensível. – Kid disse, em conforto.

Law tomou mais um gole do café enquanto eles ainda aguardavam em silêncio.

— Depois que o incidente com Sabo aconteceu e eu deixei o hospital, eu realmente me senti como se eu não valesse nada. Eu comecei a pensar em todas as coisas que eu fiz e como tudo começou a dar errado pra mim. E então, eu fiz a conclusão de que eu merecia aquilo. Merecia todo o estrago. Eu já estava detonado, então por que não me afogar mais? – Ele explicou, soando um pouco conturbado. — Não importava como, mas eu tinha esquecer. Tinha esquecer tudo que havia acontecido.

— Então você foi pra aquele lugar maluco. – Kid completou e Law engoliu em seco. — Eu não condeno você. Eu faria o mesmo.

Law suspirou e franziu o cenho levemente, fechando os olhos por alguns segundos antes de dizer:

— Na verdade, eu liguei para Bonney.

Nami, Kid e Luffy partilharam do mesmo sentimento de choque quando se voltaram para Law, boquiabertos.

— Você fez o quê...? – Nami foi a primeira a se manifestar, as palavras saindo lentamente uma atrás da outra, como se ela ainda estivesse digerindo aquilo.

 Luffy o encarou nervosamente e Kid apenas franziu mais o cenho.

— Por que você ligaria pra ela quando você tinha nós? – Nami indagou, cuidadosamente, ainda que a mágoa fosse facilmente reconhecida em sua voz.  Law recuou um pouco na cadeira.

— Me desculpe, Nami. Eu... – Law mordeu os lábios, aflitamente. — Me desculpe. Eu pensei que vocês todos tinham se cansado de mim. Nada estava fazendo sentido naquele momento. Na minha cabeça, ela era a única pessoa que eu podia recorrer. – Law tentou explicar e Nami apenas inspirou profundamente em resposta.

— E então? – Kid recuperou a discussão facilmente. Pela expressão em seu rosto, não era dúvida que a noticia não o agradou, mas ele ainda parecia muito melhor que o resto deles.

Law suspirou, dando uma pausa por alguns segundos antes de falar novamente:

— Ela me levou para o Crocodile. Disse que iria me ajudar a melhorar e que não era pra eu procurar por vocês ou ela iria contar tudo.

A expressão de Nami passou de indignação para raiva de forma muito rápida. Ela abriu a boca e seus olhos brilharam enfurecidos.

— Eu vou matar aquela mulher! Qual diabos é o problema dela?!

— Se acalme, Nami. – Kid apoiou uma mão em seu ombro, tentando tranquilizá-la.

— Você não está bravo também?! Ela nos fez de idiota! Agora eu sei porque ela ficou com aquele sorriso de cadela no rosto o tempo inteiro! Quando eu encontrar com ela de novo, eu-

Se acalme. – Ele pediu de novo, agora encontrando com os olhos tempestuosos de Nami. — Não podemos fazer nada se perdemos a cabeça.

Nami fitou Kid de volta. Ela baixou os olhos lentamente e puxou uma lufada de ar, tentando suavizar a expressão em seu rosto.

— Bonney é uma mulher muito inteligente e manipuladora. – Kid disse, chamando a atenção de todos. — Ela provavelmente fez isso pensando na forma que te atingiria. – O ruivo voltou seu olhar para Luffy dessa vez, que o encarou de volta atentamente.

— Se ela queria que você fosse embora antes, é o que faz mais sentido: Tirar vantagem da vulnerabilidade de Law e o colocar numa situação em que você não veria mais nenhuma razão pra ficar ao lado dele.

— Mas... Não seria muito mais simples se ela tivesse me obrigado a ir à força? Eu digo, isso seria fácil pra ela, né? – Luffy perguntou, confuso com toda aquela situação.

— Bonney gosta de joguinhos. – Law respondeu, as palavras saindo amargamente. — E ela não iria querer que eu ficasse bravo com ela de novo. Eu passei dois anos tentando me afastar dela o máximo que eu consegui. A única razão pela qual ela ainda não fez nada assim é porque ela quer ficar em bons termos comigo.

— E que amiga considerativa você tem. – Kid disse, com desgosto em sua voz.

— Posso perguntar por que nós ainda não fomos atrás dela? O que está nos impedindo? – Nami indagou, frustrada.

Law abaixou seu rosto novamente, respirando fracamente. Os olhos de Luffy o seguiram nervosamente.

— Torao... – Luffy chamou. — O que a mulher de cabelo rosa disse que ia contar? – Ele perguntou, com consistência e cuidado em sua voz. — Eu não sei o que está acontecendo, mas... Nós vamos ouvir você. Estamos aqui.

Law engoliu em seco, obrigando seus olhos ao encararem com os de Luffy. Nami e Kid voltaram-se para eles quando sentiram um pouco do que estava acontecendo.

— Law... Você está escondendo mais alguma coisa. – Nami afirmou, cautelosamente, voltando a se aproximar de onde ele estava. — E eu não sei o que é, mas eu posso te assegurar: Nós somos muito mais confiáveis que Bonney.

— Isso não é uma questão de confiança, Nami. Eu não posso. E-Eu... – As palavras se emboçaram em sua língua por um breve momento e Law mordeu os lábios, conflituoso. — Eu não posso envolver vocês nisso... O que eu fiz foi mais de errado. Vocês não-

— É possível que você não tenha entendido até agora? – Kid suspirou, parecendo levemente frustrado. — Nós estamos envolvidos, por nossa própria escolha. E se você quer que eu diga em voz alta, eu vou dizer: Foi, de fato, uma escolha bem estúpida, mas nós a fizemos mesmo assim porque nos importamos com você. Então, por favor, leve isso em consideração.

Os olhos de Law tremeram com as palavras de Kid, o fazendo adotar uma expressão pensativa e nervosa em seu rosto ao mesmo tempo.  Nami apenas assentiu em silêncio. - Por mais duras que elas parecessem, ainda havia algum tipo de afeiçoamento nelas. Ela podia sentir e aquilo quase poderia tê-la feito sorrir se não fosse pela tensão de esperar com que Law dissesse algo. Ela decidiu tomar um passo a frente, então.

— Eu costumava arrancar dinheiro de pessoas velhas e bêbadas em cassinos e namorar caras até que eu tivesse limpado a caixa bancária deles inteira! – Nami falou, de repente, atraindo os olhares curiosos e um pouco julgativos de Kid e Luffy. — Nenhum de nós é perfeito, Law. Todos fizemos algo errado. Olhe para o Kid: Ele costumava bater em paparazzis e ficar com uma pessoa diferente todo dia, não é, Kid? – Nami disse, estendendo a mão dramaticamente para Kid, que estava ao seu lado.

— Muito obrigado, Nami.

Law encarou Nami em silêncio, parecendo receoso.

— O que quer que seja, você pode contar confiar em nós. – Nami falou, sua voz soando convincente e firme o suficiente. — Nós não vamos julgar, eu prometo!

Kid acenou com a cabeça, em concordância e Luffy também, ainda que mais lentamente.

— Três anos atrás. – Ele começou, meio relutante, deixando o café no chão, parecendo se preparar para o que estava pra vir em seguida. — Bonney e eu estávamos... – Ele passeou os olhos por Luffy brevemente quando fez a pausa. — Nós ainda saiamos juntos. E, nós ainda fazíamos o de sempre. As festas, as brincadeiras...

— Ok... – Kid murmurou. — Nós todos sabemos o que vocês faziam.

— Foi alguns dias depois de termos nos esbarrado naquela festa, Kid. Eu estava puto e inconformado. Então, eu me afoguei naquelas festas e toda aquela porcaria. Mas teve um dia em que... – Law desviou os olhos deles, parecendo relutante. — Eu e ela fizemos uma aposta. Eu estava quase morto de bêbado quando ela me desafiou a dormir com duas garotas da festa. Não era uma aposta vazia, elas eram filhas do anfitrião. Mas tinha que haver uma prova que eu ganhei. Eu tinha que fazer um vídeo.

Nami mordeu os lábios, forçando-se a não dizer nada. – Não julgar.  – Ela repetiu pra si mesma, não se atrevendo sequer ao olhar pra Luffy e imaginar o que ele pensava daquilo.

— Elas não estavam sóbrias também. – Law constatou, com certo pesar em sua voz. — A única coisa que eu me lembro daquele dia... Foi quando eu acordei e...

Law suspirou e estendeu as suas mãos, olhando para elas e depois, fechando seus os olhos por um momento.

O cheiro da bebida, da maconha e seja lá mais o que tivesse naquele quarto. Era forte, muito forte, mas para seu infortuno, não forte o suficiente para despistar o cheiro de sangue e carne apodrecida. Quando Law abriu seus olhos, a primeira coisa que ele viu foi o corpo pálido e meio roxo da mulher loira ao seu lado na cama. Seu vestido se destacando junto com os cortes em seu braços, cujo sangue já não era mais vermelho como a vestimenta e sim, preto.

Law gritou.

— Law. – Nami chamou, fazendo com que seus olhos se abrissem. — O que aconteceu? – Ela perguntou, preocupada. Law parecia terrivelmente perturbado.

— Ela estava morta. – Ele falou, fazendo com que os outros olhassem para ele nervosamente, um tanto espantados. Law continuou, sua voz estava vacilante. — Tinha cortes nos braços dela, mas eles disseram que ela morreu de overdose... Eu não me lembro do que aconteceu. E-Eu... Eu não sabia o que fazer. E se eu tivesse matado ela? A outra garota tinha sumido. Eu não tive outra opção. Eu liguei pra Bonney e ela cuidou de tudo...  – Luffy respirou pesadamente enquanto fitando a expressão no rosto de Law, perguntando-se se ele iria chorar por um breve momento.

— O que você quer dizer com “cuidou de tudo?” – Perguntou Kid, cuidadosamente.

— Ela ligou pra ambulância depois de um tempo lá. Eu não sei como ela se livrou do vídeo ou dos meus rastros. Eu nunca perguntei e ela nunca fez questão de me explicar. Nós nunca mais falamos sobre isso e eu tentei esquecer... Eu tentei me afastar dela e de tudo aquilo. – Sua voz estava trêmula.

— Mas ela fez te ameaçar. – Nami realçou, sua voz soando grave.

Law ficou em silêncio por um tempo, franzindo o cenho e desviando os olhos da ruiva.

— Ela nunca fez isso explicitamente...

Nami estalou a língua no céu da boca.

— Você não está defendendo ela, está? – Nami soou frustrada. — Eu sei que não deve ter sido a primeira vez. Por quanto tempo ela veem te torturando com isso?

Law engoliu em seco e seus olhos estreitos tremeram.

— Por quanto tempo? – Nami perguntou novamente, erguendo o tom de voz. — Law.

— Desde que aconteceu, mas...  – Ele respondeu apressadamente. —Tudo que ela sempre pediu foi pra que eu ficasse do lado dela.

— Contanto que não tivesse ninguém mais ao seu lado. – Kid concluiu, sua voz saindo áspera. — Eu, Nami e Luffy. Quantas mais pessoas ela afastou de você além de nós? Você é inteligente demais pra não ter reparado nisso. Então, eu acho que você já sabe: A vadia é a porra de uma psicopata.

— Ela me ajudou. Eu poderia estar na cadeia se não fosse por ela. Ela foi minha amiga. – Law argumentou.

— Ela pode ter sido, mas hoje ela é sua pior inimiga. Nós não podemos deixar as coisas desse jeito, Law. – Nami replicou, firmemente.

Law hesitou por um instante e depois olhou para eles com os olhos trêmulos.

— E se ela contar pra Corazon? – Ele indagou de repente, parecendo muito abalado com a ideia. — Ele nunca vai olhar pra mim do mesmo jeito, Nami. E-Eu... – Luffy prendeu a respiração, agora havia rasas gotas de lágrimas se formando no canto de seus olhos. — O que eu vou fazer? Por favor, não conte pra ele, pra ninguém... – Ele pediu aflitamente, sua voz saindo presa.

A expressão no rosto de Nami tensificou-se mais. Ela agarrou as mãos de Law, em conforto.

— Tudo bem... – Ela murmurou fracamente.

Law soltou um suspiro pesado, seu rosto formando uma expressão dolorosa antes de ser ocultado pelas suas duas mãos.

— O que eu vou fazer? – Ele sussurrou aflingidamente, para si mesmo.

A ruiva apoiou uma mão no ombro de Law em conforto, e, Luffy sentiu seu corpo gelar no momento em que viu o olhar afiado e silencioso dos olhos castanhos de Nami para Kid. Naquele momento, Luffy podia jurar nunca ter visto nada mais assustador na sua vida do que aquela troca de olhares.

Law não poderia, mas Nami e Kid sabiam muito bem o que fazer.

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Pessoal, já vou pedindo desculpas que o próximo cap pode demorar um pouco mais do que normal pra sair por motivos de enem(preciso estudar :(! )
Me digam qualquer dúvida nos coments e me deixem saber o que acharam. Estamos cada vez mais perto do final!
Beijinhos!


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