História Um conto que conta - Capítulo 1


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Categorias A Menina Que Roubava Livros
Personagens Personagens Originais
Tags Escrita, Romance
Exibições 3
Palavras 689
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Uma quase escritora.

Capítulo 1 - Um conto que conta


Não era boa na prosa, mas todas as noites, em companhia de seu travesseiro e do barulho de ventilador, imaginava histórias das mais envolventes que, certamente, muito fossem apreciadas por leitores menos exigentes. É certo que esses enredos nunca seguiam o caminho do papel, porém contavam com os componentes suficientes para existir, como personagens bastante previsíveis, e não por isso menos cativantes ou atrativos àqueles que não possuem grandes problemas a se ocupar.

Havia, nessas tramas, sempre uma protagonista. Moça independente, bonita, muito discernida e instintivamente ingênua. Para o que se pode chamar de coprotagonista, havia um rapaz, por sua vez, sujeito bem feito, inteligente, muito boa pessoa e involuntariamente fraternal. Dessas duas figuras, variavam, mesmo que pouco, cenário e problemática. Contexto sócio histórico, nunca. As características físicas, essas dependiam, exclusivamente, das paixões que acometiam a autora naquele período.

Caso não dormisse, haviam finais felizes. Porém, na maior parte das vezes adormecia em meio ao clímax da história, por azarada e desconhecida razão. Com este fenômeno pouco se importava, ao passo que sobre outro mais curioso, gastava o cérebro buscando fundamento.

Ocorre que, boa de verso, não imaginava poesia, por certo. Com destreza, pegava o lápis e tornava real. Habilidade semelhante à de sua cabeça numa fronha. Entretanto, havia um rapaz, tão palpável quanto um caderno, e do qual não fantasiava, muito menos versava. Não que se negasse, inclusive, muito desejava. Simplesmente, não conseguia. Nunca. Nada. Nem um réstia de sol sobre sua alma literária ele brilhava.

Ora, que coisa mais esquisita.

Logo ele que parecia ter vindo do Vale Mágico do Abecedário, trazendo consigo os mais variados arranjos de letras para oferecer àquela capacitada em fazer boas combinações.

Logo ele que, com sua complexidade de espírito, exigiria maior pré-disposição intelectual dos imaginários leitores para o próximo enredo imaginário, elevando, assim, a qualidade da obra, como também os batimentos cardíacos da mocinha.

A situação que antes se fazia incompreensível, tomara dias depois configuração absurda. Deu-se que, após um encontro regado a beijos demorados e riso solto, chegou em casa e não pôde escrever mísera frase de agrado ao rapaz. As palavras pareciam ter lhe fugido da mente. Com raiva desse bloqueio estúpido, deitou-se e, após inútil esforço, não conseguiu visualizar cena alguma ao mentalizar desesperadamente era uma vez.

Na manhã seguinte, se animou em fazer um verso sobre a beleza daquele céu azul, o máximo que obteve parecia mais ter saído do jornal que ouvia de longe: “tempo limpo, sem previsão de chuva”. Já, das folhas secas que voavam leves pela calçada de sua casa registrou, quase de maneira mecânica: “é necessário varrê-las”. Pois bem. Apesar da cômica, porém não menos trágica incompetência lírica e, por este motivo, notória frustração, fechou os olhos num gesto otimista, dado que ainda lhe restava a mágica do dia anterior, e assim, a esperança de não ter se tornado um calculadora com cabelos. Que disparate! No lugar de um mar alvo e tranquilizante, viu-se na borda de uma piscina vazia e encardida. Seria, por deus, possível terem lhe tirado a criatividade literimaginária? Tal possibilidade soava tão ridícula que ria. Ria de nervoso sentada no meio fio.

Não havendo outro jeito, fingiu-se de conformada e, assim, passou um longo verão sem verso nem imaginação. Curvando-se do peso entre o peito e o cérebro, tanto que tinha a expressar. Do contrário, fez-se calar, quando numa despretensiosa caminhada de fim de tarde, agarrada a mão ao seu par, ouviu-lhe dizer: “ainda que nossa história não tenha destino, não acha que damos um bom poema?”. Um largo sorriso, então, lhe iluminou o rosto, como se tivesse descoberto a cura de todos os males da Terra. Sem pronunciar uma única palavra, despediu-se com um doce beijo no canto da boca e saiu em disparada, sentindo o vento esvoaçar seu vestido.

Pelas duas horas que seguiram, escreveu algumas páginas do que chamou de conto. Não inventara nada, a não ser uma palavra que, em verdade, desconfiava de sua simpatia. O fato é que, para primeira história gerada no mundo concreto, achou mais seguro usar a memória, que não lhe dava um final e mesmo assim, já se fazia feliz.



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