História Um estudo em vermelho - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Assassinatos, Baeriboom - Bts, Detetive, Sherlock, Taegi, Teenlock, Vmin, Yoonmin
Visualizações 44
Palavras 4.793
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OIEOIE VOLTAY!
Loguinho vou responder os comentários lindos de vocês, don't worry.
Apesar desse ser um capítulo mais levinho e meio ponte-yoonmin, espero que seja do agrado de vocês. E a partir do próximo... PRONTOS PRO NOSSO YOONMIN DECOLAR??? PORQUE EU NÃO TÔ, PQP! SOS
Enfim, aproveitem e deixem seus comentários que eu amo todos eles ~~<3

Capítulo 10 - Pista X


Fanfic / Fanfiction Um estudo em vermelho - Capítulo 10 - Pista X

Jimin olhou para trás com certa hesitação, um pouco triste em deixar o St. Bartholomew, mesmo que fosse por alguns dias – ao menos ele esperava que não levasse tanto tempo para tudo se resolver. O pai ainda dirigia em silêncio e a mãe roía as unhas no banco da frente, esperando o filho caçula se pronunciar depois da notícia repentina por parte dele sobre o suicídio de Myungjun. O garoto havia se despedido do colega de quarto, ainda um pouco chocado com as informações recentes sobre Jeongguk, mas disposto a continuar ajudando, visto que Yoongi lhe deixara seu número.

Olhou para o papel em suas mãos com uma letra rabiscada e rápida, mas bonita. Colocou–o de encontro ao peito, um pouco sonhador, mas então percebeu que poderia parecer um gesto estranho, tratando de sacudir a cabeça e gravar o número no próprio celular. Então voltou–se finalmente aos pais, um pouco avoado e estranho em deixar o colégio, pigarreando para chamar a atenção.

– Jiminie, não nos assuste desse jeito – a mãe reclamou com o nervosismo visível na voz. – Por que não nos contou sobre isso antes?

– De que adiantaria, mãe? – o garoto suspirou, olhando para a paisagem do lado de fora. – Foi um suicídio. O colégio já está sob alerta e o Sr. Jung vai tomar todas as medidas possíveis para evitar que nada do tipo aconteça novamente.

– Mas e a reputação do St. Bartholomew? – Jimin revirou os olhos ouvindo a primeira e principal queixa da mãe. Não a segurança ou saúde dos alunos, mas a reputação dos formandos. Ou melhor, a sua própria. – Um suicídio no currículo significa também que os alunos podem não ter a melhor estrutura disponível, ou que o currículo não é tão bom assim e quem estuda no St. Bartholomew está propenso a esse tipo de condição. E o seu futuro, Jiminie? Como as faculdades vão enxergar alguém que veio do St. Bartholomew se isso se espalhar?

O garoto não quis responder, queria apenas esquecer daquilo por enquanto e se jogar em sua própria cama. Dormir até o dia seguinte e fingir que os pais não estavam ali.

– Por que não nos falaram nada antes? – o pai perguntou para qualquer um que quisesse responder.

– Na verdade o Sr. Nam disse que haveria um anúncio formal em breve, mas que estava tudo bem, eram apenas algumas melhorias na segurança – a mãe se prontificou a responder.

Jimin suspirou mais uma vez, não querendo falar ou pensar no assunto. Encostou a cabeça no vidro, distante, mas as palavras da mãe o chamaram para a realidade de repente.

– Sr. Nam? – o ruivinho arqueou as sobrancelhas em dúvida, levantando a cabeça em curiosidade. – Quem é Sr. Nam, mãe?

A Sra. Park apenas dera de ombros, parecendo saber tanto quanto o filho.

– Eu não sei, só disse que era o coordenador e que o Sr. Jung estava afastado por um tempo por problemas de saúde.

Jimin mordeu o lábio inferior, confuso e ao mesmo tempo curioso. Não sabia sobre o afastamento do diretor, embora fosse bastante compreensível, mas o que mais lhe intrigava era o fato de nunca ter sido apresentado a nenhum Sr. Nam. Nem mesmo no comunicado oficial sobre o suicídio de Myungjun, no ginásio, ele estivera presente. Ora, sendo o tal Sr. Nam aquele a substituir o diretor temporariamente, ao menos sua presença deveria ter sido notada.

Olhando para a paisagem do lado de fora e vendo o dia nublado aos poucos ir se abrindo por trás das nuvens escuras, Jimin crispou os lábios e ficou em silêncio, pensativo. Era tudo tão surreal e estranho o suficiente para fazê–lo se sentir como dentro de um filme de mistérios. Será que havia algo muito maior permeando o St. Bartholomew do que os adultos do colégio e alunos daquele ranking tinham coragem de contar? Ele não sabia. Mas mentalmente guardou aquele nome, pensando que logo teria que ligar para Yoongi a fim de inquiri–lo sobre o assunto.

Não hoje, porém.

Quem sabe lhe fizesse bem... Ficar ao menos alguns dias longe de Min Yoongi.

 

 

Sunyoung abraçou o irmão com força assim que o mais novo chegara, checando seu corpo e rosto como se tivesse recém saído de um hospital. Sabia que a mãe não aguentaria chegar até em casa para contar sobre a história do suicídio e se arrependia de não ter inventado alguma outra desculpa ou adiado um pouco mais aquilo. Era um saco ter que aguentar toda aquela atenção sufocante.

Por outro lado, Jimin também se sentia bem em estar de volta ao lar, mesmo que os visitasse sempre aos finais de semana. Era diferente saber que não voltaria assim que a semana acabasse – ou ao menos ele achava que assim seria. Estava no meio dela, em plena quarta–feira, e já sentia que coisas muito importantes poderiam acontecer até que o final de semana chegasse mais uma vez.

Cansado de tanta atenção e perguntas, o Park caçula subiu as escadas até seu próprio quarto, sentindo–se em casa ao ver os pôsteres no mesmo lugar, junto ao seu cobertor recheado de planetas e estrelas, presente de Sunyoung. O garoto largou a mala no chão e se atirou na própria cama, abraçando o travesseiro e ficando feliz em descansar o corpo que parecia pesar uma tonelada depois de tantas coisas acontecendo em tão pouco tempo. Como digerir tudo aquilo?

–Toc toc – a voz da irmã soou divertida ao pé da porta, escorada no batente.

O adolescente apenas sorriu de leve e voltou a fechar os olhos, deixando silenciosamente que a mais velha entrasse e sentasse ao pé da cama, dando tapinhas leves em sua bunda.

– Desculpe a euforia com a sua chegada, eu fiquei realmente preocupada.

– Tudo bem – ele murmurou com a boca grudada ao travesseiro. – Mas não se preocupe, foi uma fatalidade, não é culpa de ninguém.

Era difícil repetir aquilo em voz alta quando ele sabia que não era verdade.

Fora proposital.

– Pois é... – a garota balbuciou e um silêncio se instalou, fazendo Jimin ter o ímpeto de se ajeitar no colchão, virando e sentando–se, encostado à grade da cama.

Olhou para o rosto da irmã, vendo–a com um biquinho nos lábios, quase pensativa.

– Sunyoung, posso te fazer uma pergunta?

Falar do colégio o fazia lembrar de coisas ruins no momento, então que ficasse para depois. Ele precisava tirar outro problema de sua cabeça naquele instante.

– É claro, faça – a jovem deu de ombros, virando–se de frente para o irmão e cruzando as pernas sobre o colchão macio.

– Você... – começou, fazendo um gesto com as mãos, sem saber ao certo como formular a questão. – Quer dizer, como você soube que gostava da Jihyun? Ou quando, sei lá?

Sunyoung arqueou as sobrancelhas, desconfiada, e por um momento Jimin ficou com medo das perguntas ou piadas que poderiam vir com aquele questionamento.

– Hmm, eu não sei – ela começou, olhando para cima por alguns segundos, como se realmente pensasse sobre o como. – Eu acho que sempre me considerei um pouco diferente das meninas da minha idade, que só queriam saber de beijar garotos, fazer festas do pijama e dietas. Embora isso não seja uma regra, a maioria era assim. Sempre tão chatas... Eu gostava mesmo era de confeccionar minhas próprias roupas, vestir minhas bonecas, jogar handball com as meninas do esporte e esse tipo de coisa. Meninos? Eca.

Jimin riu de leve, achando a reação da irmã deveras engraçada.

– Nada contra você, é claro, mas garotos são nojentos – a mais velha sorriu também com o divertimento do irmão. – Já Jihyun... – seu olhar parecera muito apaixonado e sonhador, distante, ao falar da namorada. – Ela é maravilhosa, Jimin. No início éramos apenas amigas, mas foi tudo muito rápido. De repente éramos também inseparáveis e eu sentia coisas muito diferentes quando estava perto dela.

Jimin mordeu de leve o lábio inferior, colocando o travesseiro sobre o colo.

– Coisas tipo o quê? – ele questionou e torceu para que a irmã o respondesse antes de qualquer comentário para rir dele.

– Eu a achava muita linda e perfeita – Sunyoung respondeu com um brilho nos olhos. – Quando estava perto dela, meu coração disparava, a respiração se alterava, e então os olhos dela encontravam com os meus e era como se uma onda de eletricidade atravessasse todo o meu corpo. Eu queria tocá–la mais, estar perto dela, ser a melhor amiga e esse tipo de coisa. Por sorte, eu não era a única e Jihyun também tinha uma queda por mim. Só sei que é bom, Jiminie. É muito bom quando nos apaixonamos, mas ao mesmo tempo também é confuso. Sabe... Amar uma menina é tão igual a amar um menino, mas as reações das pessoas se tornam tão diferentes.

– Eu entendo – o menino torceu os lábios numa expressão triste e compreensiva pelos sentimentos da irmã.

– Mas por que está perguntando isso?

O que ele poderia responder? Que achava estar sentindo aquelas coisas também? Que talvez, no fundo, ou nem tão mais fundo assim, estivesse apaixonado?

– Eu só... – tentou pensar em algo menos revelador, mas era Sunyoung no fim das contas, não adiantava tentar esconder algo. – Só acho que talvez eu esteja confuso com relação a isso. Quer dizer... essa coisa de sentimentos e afins.

Então a irmã mais velha cobriu a boca com as duas mãos, abafando um grito eufórico. Era quase como uma fã histérica encontrando o ídolo ao vivo. Era a comparação mais próxima à reação da primogênita da família diante da resposta do irmão.

– Aaaah Park Jimin, você está mesmo apaixonado? – ela tentou gritar mais baixo e o garoto fez uma cara de assustado, pedindo para que ela falasse ainda mais baixo do que aquilo.

– E–eu não sei, por isso estou te perguntando – ele respondeu com as bochechas levemente ruborizadas, que foram apertadas pela irmã.

– Seu bobão, desde quando está confuso com isso?

– Sei lá, talvez há algumas semanas...

Então o sorriso de Sunyoung se alargou ainda mais e a jovem jogou a franja de lado, que crescera em sua testa no último mês, para trás.

– Jimin, você por acaso está apaixonado por Min Yoongi?

O ruivinho abriu a boca em descrença e arregalou os olhos, sem saber ao certo o que dizer diante daquela quase afirmação tão certeira.

– Eu estou certa! – ela apontou de forma acusatória, porém divertida, para o rosto do irmão, que abaixou o dedo indicador da irmã, envergonhado.

– Como pode ter tanta certeza? – ele inquiriu, emburrado.

– Por que não está negando?

Touché.

– Jiminie, você está tão vermelho, eu sabia desde o começo – a mais velha cruzou os braços, sorridente e convencida de si. – “Min Yoongi tem talentos dedutivos incríveis, Min Yoongi isso, Min Yoongi aquilo, você precisa acreditar em mim”... Ah Jimin, você está tão caidinho por ele que chega a dar dó.

– Eu não estou “caidinho” por ele, para com isso – o menino pediu, afundando–se na cama. – Eu só... Não sei.

– O que você ainda não sabe, garoto? Seu rosto está vermelho, você não negou que está apaixonado e ainda está caidinho por ele, o que mais há para se descobrir?

O adolescente suspirou, pensando se falava do resto ou não para a irmã. Apesar de dividir praticamente toda a sua vida com ela, era estranho começar a falar de relacionamentos e paixões com Sunyoung. Ele nunca havia feito isso em 18 anos de vida e ela com certeza reparava, mas nunca falara nada. Talvez até mesmo já soubesse que Jimin poderia estar confuso quanto à sua sexualidade.

– É que tem mais umas coisas...

Sunyoung fez um gesto com as mãos para que ele continuasse.

– Basicamente – ele respirou fundo, tentando despejar tudo da forma mais rápida possível, com o intuito de se livrar daquele peso que lhe corroía por dentro. – Eu acho que realmente estou apaixonado pelo Yoongi, mas ele também teve um caso com outro garoto muito bonito, o Taehyung, e esse outro garoto muito bonito queria que eu fosse até o quarto dele, e eu acabei dando uns amassos com ele, mas não beijei ele, foi mais um negócio meio... sei lá, mas aí eu acabei gostando, só que também não era exatamente por causa do Taehyung, porque eu acabei imaginando o Yoongi e depois eu comecei a pensar no Yoongi daquele jeito meio quente, e agora eu estou confuso porque isso nunca me aconteceu antes e eu não sei mais se estou exatamente apaixonado ou se quero fazer essas coisas com o Yoongi por causa da experiência com o Taehyung.

O garoto finalmente parou de falar, ofegante pela rapidez com que jogara tudo, enquanto Sunyoung permanecia catatônica, tentando absorver tanta informação de uma vez só.

– Você pegou o ex do garoto por quem está apaixonado? – a irmã tentou entender, com o cenho franzido. – Mas então percebeu que não era exatamente ele quem você queria, e sim o Yoongi, mas não tem certeza se... Meu Deus, Jimin, você deu um nó na minha cabeça.

O ruivinho suspirou, se preparando para tenta explicar de forma mais clara.

– É que eu sentia “algo” pelo Yoongi antes de fazer qualquer coisa com o Taehyung, certo? – a irmã concordou, mostrando que estava acompanhando. – Mas não era um algo tão... Sabe? Era puramente mais... doce e amigável, e agora eu não quero só isso. Entende? Mas ao mesmo tempo, Taehyung é que é todo... assim, meio... erótico. E depois de ser... enfim, depois de ir ao quarto do Taehyung, eu fiquei imaginando que Yoongi também poderia me fazer sentir como o Taehyung fez. Acho que é por isso.

– Você não beijou esse Taehyung? – ela perguntou cautelosamente.

O ruivo negou de forma vigorosa com a cabeça.

– Você... transou com ele?

– Não! – o Park caçula tapou o rosto, tremendamente envergonhado para falar sobre o assunto em voz alta com sua irmã mais velha. – Nós só...

– Se... tocaram?

– Hmm talvez, é... um pouco.

– Ok... – Sunyoung assentiu devagar, mostrando que tinha compreendido e ainda estava pensando. – E em algum momento você já sentiu por Taehyung o que sentia pelo Yoongi antes de ser tocado por esse garoto?

O caçula negou com a cabeça.

– Taehyung só tem esse ar provocativo que afeta qualquer pessoa.

– E Yoongi?

– Yoongi? – o ruivinho repetiu mais para si mesmo do que para a irmã, refletindo. – Ele... Ele é inteligente, atraente, sincero, excêntrico e tem aquele ar de superioridade que Taehyung também tem, mas com um brilho diferente nos olhos. Yoongi tem alguma coisa de frágil, mesmo que negue isso. Ele é carinhoso, paciente quando quer e finge que não se importa, mas quando eu viro o rosto ele está lá, me observando. Min Yoongi é um mistério que eu queria muito resolver. E agora quero muito tocar nele também, ficar mais perto ainda, e de repente começo a me sentir tão estranho e quero saber se ele se sente assim também, mas nunca sei ao certo.

Quando seus olhos encontraram os de Sunyoung, Jimin a viu sorrindo de forma suave, até bagunçar–lhe os cabelos, como se sua confusão fosse adorável demais.

– Você acabou de soar como uma pessoa extremamente apaixonada, Jimin – ela respondeu com convicção. – Taehyung é ok, pode até te deixar excitado, se quiser colocar dessa forma, mas é Yoongi quem você quer de verdade, não é?

Jimin suspirou, pensando que era muito óbvio de repente.

– Não parece tão difícil quanto eu imaginava – balbuciou e fez a mais velha rir.

Taehyung o tocara, sim, mas ele queria ser tocado como qualquer adolescente com os hormônios à flor da pele e só acabara de ter sorte por alguém tão atraente quanto Kim Taehyung querer fazê–lo. Mas não era pelo loiro que ele nutria aqueles sentimentos tão estranhos a si, era? Não, não era por Taehyung.

Era por Yoongi.

Min Yoongi era aquela mistura de doçura com atratividade e tensão, e ele queria muito um pouco de tudo aquilo. Talvez não quisesse admitir para si até o momento, mas era exatamente aquilo que sentia, se fosse bem sincero consigo mesmo. Por que Sunyoung precisara colocar em palavras para que ele pudesse perceber? Era tão difícil assim admitir?

– Você ainda está confuso? – Sunyoung perguntou, acariciando as costas da mão direita do caçula.

– Acho que não muito – o garoto esboçou um sorriso, sentindo–se mais aliviado. – Só me sinto... sei lá, como se ainda faltasse algo. Eu queria muito que Yoongi estivesse aqui, mas ao mesmo tempo tenho medo que ele não sinta a mesma coisa. Achei que eu não pudesse sentir algo por Taehyung e Yoongi ao mesmo tempo, mas aconteceu de serem duas coisas diferentes.

– E está tudo bem se sentir assim – a irmã sorriu, o tranquilizando. – Agora admita... você quer muito dormir com o Yoongi, não quer?

– Sunyoung! – Jimin ralhou, com o rosto ainda quente e o coração um pouco acelerado por ter que tocar naqueles assuntos. – Não fale essas coisas.

– Não tem nada de mais nisso, Jimin, você já tem 18 anos – ela riu. – Quer falar sobre isso?

– Não, agora não – o ruivo abaixou a cabeça e Sunyoung riu mais uma vez, dando–lhe tapinhas carinhosos nos ombros.

– Tudo bem – ela afirmou. – Mas quando quiser conversar é só falar, ok?

O caçula assentiu e lhe transmitiu um esboço de sorriso, sentindo–se melhor em poder falar com a irmã sobre aquelas coisas tão difíceis e complicadas.

– Então agora vamos fazer algo juntos, ‘tá legal? – Sunyoung perguntou com animação e se levantou da cama, pegando na mão de Jimin. – Mais tarde tenho um presente pra você!

 

 

– Eu não lembrava que isso ardia tanto! – Jimin reclamou enquanto a irmã pintava seu cabelo depois de descolorir. O cabelo dela já estava penteado para trás, com a tinta fazendo efeito.

Ambos passaram quase a tarde inteira assistindo filmes e comendo pipoca enquanto a mais velha fazia questão de deixá–lo curioso quanto ao tão esperado presente.

– Vamos ficar ainda mais parecidos agora – ela sorriu com animação, enquanto o irmão não conseguia evitar ficar tão feliz quanto.

Sunyoung comprara dois potes de tinta para dividir com o caçula, decidindo com o consentimento dele que ambos seriam loiros – segundo ela, “cabelos loiros e quase dourados”.

– Não sei como você consegue me convencer a essas mudanças – o garoto comentou, se olhando no espelho enquanto a irmã terminava os últimos retoques com o pincel

– Eu é que não sei como você consegue viver sem mim, Jiminie boy – a mais velha lhe deixou um beijo pegajoso na bochecha e o viu limpar o local com uma falsa expressão de nojo.

Depois do que pareceu uma eternidade, o garoto enfim pôde tomar seu banho em paz e deixar Sunyoung tomar o dela, contente com a nova cor de cabelo. Secou os fios ainda de toalha e remexeu no loiro brilhante que parecia combinar muito mais com ele do que o antigo ruivo alaranjado. No fim das contas, sua irmã tinha bom gosto.

Já de dentes escovados e pijama, o caçula entrou debaixo dos cobertores e suspirou, pensando em um milhão de coisas. Encarou o teto por alguns minutos, sem muito sono, até lembrar do celular sobre o criado–mudo ao seu lado, parecendo chamá-lo. Encarou a tela, fitando o número de Yoongi na agenda e pensando se era uma boa ideia mandar algum "oi, tudo bem?" ou se poderia soar idiota demais.

Será que ele poderia mesmo mandar algo ou era melhor esperar? Quem sabe acabasse incomodando; talvez Yoongi estivesse ocupado ou simplesmente dormindo, embora ele não tivesse muito sono na maior parte do tempo. Até pensar em algo tão simples quanto uma mensagem fazia seu estômago revirar no momento. Quando estava mais confuso em relação ao que sentia, tudo parecia muito mais fácil de lidar, com uma desculpa de “não sei”. Agora, porém, não tinha mais como escapar de si mesmo.

– Você é um idiota, Park Jimin – suspirou ao se repreender. – Não consegue nem ao menos mandar uma mensagem.

O garoto poderia ficar ali a noite toda, se lamentando por ser daquele jeito e não ter nem ao menos a coragem de tentar. Contudo, a sorte parecia querer dar um empurrãozinho quando o aparelho vibrou em suas mãos e a tela mostrou uma nova mensagem recebida. Seu coração quase saltou pela boca ao ler o nome de Yoongi e a prévia da mensagem na tela, com um singelo "oi". Jimin abriu a caixa de mensagens e mordeu o lábio inferior, finalmente digitando depois de esperar um minuto.

 

[Jimin, 21:34]

Oi, hyung! Como você está?

 

[Yoongi, 21:35]

Normal, Jimin, você me viu hoje de manhã...

 

Tão típico de Min Yoongi.

 

[Yoongi, 21:35]

Queria dizer que estou com algumas coisas suas. No fim acabei arrumando sua gaveta sozinho, lembra? Você esqueceu completamente.

 

[Jimin, 21:36]

Meu Deus, é verdade!

 

[Jimin, 21:36]

Mil desculpas por fazer você arrumar tudo sozinho.
 

[Yoongi, 21:36]

Tudo bem.

 

[Yoongi, 21:36]

Mas... hey, Jimin.

 

[Jimin, 21:36]

Hmm?

 

[Yoongi, 21:36]

O que era aquela coisa na sua gaveta? Aquela coisa pesada que parece um cinzeiro grande com defeito?

 

Jimin franziu o cenho por um momento até entender do que o mais velho estava realmente falando.

 

[Jimin, 21:37]

Ah está falando daquela coisa estranha? Eu encontrei no dia em que Myungjun morreu, quando estava voltando da biblioteca.

 

Vários minutos se passaram sem resposta, então o loiro decidiu continuar.

 

[Jimin, 21:42]

Por que, hyung?

 

[Jimin, 21:42]

Alguma coisa errada?

 

[Jimin, 21:42]

Ia mostrar, mas acabei esquecendo também...

 

[Yoongi, 21:43]

Foi só algo que eu pensei de repente.

 

[Yoongi, 21:43]

Posso ficar com ele?

 

[Jimin, 21:43]

Claro.

 

[Yoongi, 21:43]

Ok.

 

Jimin deduziu que a conversa havia terminado e não pôde evitar um biquinho nos lábios, um pouco decepcionado. Tentar puxar assunto com Min Yoongi pelo celular não devia ser uma boa ideia. No fim das contas, talvez ele estivesse lendo mais um livro ou fazendo outro de seus experimentos. Quem sabe até mesmo os dois ao mesmo tempo. Contudo, o celular decidiu vibrar mais uma vez assim que o garoto o largara sobre o criado–mudo.

 

[Yoongi, 21:48]

E...

 

[Yoongi, 21:48]

Jimin?

 

[Yoongi, 21:48]

Como estou com o resto das suas coisas, fiquei pensando...

 

[Yoongi, 21:48]

Você gostaria de vir à minha casa?

 

[Yoongi, 21:48]

Meus pais vão tirar uma folga amanhã e preparar o jantar.

 

[Yoongi, 21:48]

Então talvez... sabe?

 

[Yoongi, 21:48]

Você possa ficar para jantar ou até passar a noite aqui.

 

[Yoongi, 21:48]

Podemos conversar melhor sobre o caso.

 

Jimin leu a enxurrada de mensagens com um sorriso contido no rosto até não conseguir mais segurar a risada alta que escapou de repente, tapando a boca logo em seguida. Respirou fundo e tentou não aparentar a enorme alegria que estava sentindo no momento.

 

[Jimin, 21:49]

É claro, hyung.

 

[Jimin, 21:49]

Aqui em casa é mesmo entediante.

 

[Yoongi, 21:50]

Então me passe seu endereço, vou te buscar.

 

[Jimin, 21:50]

Sério?

 

[Yoongi, 21:50]

É claro, Jimin, sou eu que estou convidando.

 

O loirinho balançou a cabeça, pensando em Yoongi parado em frente à porta de sua casa com sua expressão de sempre. Passou o endereço em detalhes e esperou que o outro falasse mais.

 

[Yoongi, 21:53]

Passo aí por volta das 18h, tudo bem?

 

[Jimin, 21:53]

Certo, hyung.

 

[Jimin, 21:53]

Vou esperar você.

 

[Yoongi, 21:54]

Agora vá dormir, você precisa descansar.

 

Era impressionante como Yoongi conseguia ser tão inexpressivo, mas atencioso ao mesmo tempo. Era quase encantador.

 

[Yoongi, 21:54]

É sério.

 

[Jimin, 21:54]

Pode deixar, senhor!

 

[Jimin, 21:54]

Durma bem também.

 

[Yoongi, 21:55]

Boa noite, engraçadinho.

 

E daquela forma, a conversa se encerrara de verdade. Jimin ainda segurou o celular de encontro ao peito, virado de cabeça para baixo, e continuou olhando para o teto com um sorriso de gente boba e apaixonada.

Mas, afinal de contas...

Ele era isso mesmo.

 

 

...

 

 

– Você parece diferente.

Era a voz de Seokjin atrapalhando sua concentração depois de entrar silenciosamente no laboratório a passos lentos. Yoongi, no entanto, não fez questão de tirar os olhos do microscópio, fingindo não ligar para aquela intromissão indesejada.

– Qual foi a última vez em que convidou alguém para nossa casa mesmo? – a voz do mais velho soara de forma irritante às suas costas. – Quando tínhamos 10 ou 11 anos?

Yoongi fizera questão de avisar aos pais sobre Jimin, mas não Seokjin. Ele sempre se intrometia nas conversas que não diziam respeito a ele, o caçula pensava.

Pensava e bufava de irritação.

– Está incomodado com algo? – o menor inquiriu ainda sem sair da posição anterior, debruçado sobre a bancada e sentado no banco.

– É realmente fascinante – o irmão continuou, sem de fato responder à questão anterior. – Os seres humanos são muito parecidos em diversos aspectos, mesmo que alguns insistam em tentar provar o contrário.

– Se está se referindo a mim, devo avisar que não me importo nem um pouco com a sua opinião.

Yoongi sentiu o corpo do outro ao seu lado e o observou pela visão periférica, com os quadris apoiados na bancada e os braços cruzados. Não tencionava levar aquela conversa adiante, então continuou o que fazia, alternando entre anotar os resultados da análise e ajustar o zoom do microscópio.

– Você gosta dele, não é? 

Pela primeira vez, os olhos do mais novo encontraram com os de Seokjin e se demoraram ali, tentando entender onde ele queria chegar com aquilo. Não daria o gostinho ao irmão, porém, e voltou–se ao caderno de anotações, fingindo não ouvir.

– Eu sou tão observador quanto você, ainda que não tão exibido para sair espalhando por aí o que eu vejo – disse, impassível. – Mas é diferente do Taehyung, não é? 

Dessa vez Yoongi largou a caneta sobre a bancada e encarou o irmão com uma expressão que demonstrava, no mínimo, uma raiva contida. Não disse nada, embora quisesse.

– Não sou cego, Yoongi – balançou a cabeça. – O garoto tinha quarto, mas não saía do seu. Perdi a conta de quantas vezes ele passou a noite no 221B.

– Você é meu vigia, Seokjin? Controla cada um dos meus passos? Por que se importa tanto com o que eu faço, com quem faço ou deixo de fazer? Não é da sua conta.

– Só não parta o coração dele. Aquele garoto quer tanto você que é quase palpável.

– Ah agora você se importa?

– Eu sempre me importei!

– Não tente fazer papel de bom irmão agora, Jin, como se tivesse sido assim desde o começo.

– Yoongi...

– Quem eu levo pra minha cama ou não, não é da sua conta!

Ambos pararam, quase congelados. Era uma espécie de confissão e ao mesmo tempo algo constrangedor para se conversar com o irmão. Ele não culpava o mais velho por muitas coisas, realmente, mas tinha a necessidade constante de lembrá–lo que ele não era o máximo e que, com toda a certeza, Yoongi não era o problemático. Ou ao menos não queria ser.

– Não quero mandar na sua vida – a voz do maior soou compreensiva e gentil de uma forma doce e paciente. – Também não espero controlar com quem você... se relaciona ou qualquer coisa do tipo. Mas não diga que não fui capaz de te proteger sempre porque isso realmente me magoa, Yoongi. Não quero viver com a culpa de não ter conseguido te proteger do vício que tem hoje. Só não... seja impulsivo, ok? Eu sei que é maduro o suficiente.

Então ele esboçou um quase sorriso triste, mas não ousou dizer mais nada. Yoongi também não diria. Ele tinha entendido e o outro sabia disso. Às vezes a relação que tinham parecia muito complicada e estranha vista de fora, mas no fundo era até bem simples. O problema é que nenhum dos dois admitiria isso e, por fora, tudo permaneceria igual.

Dois teimosos tentando cuidar um do outro da forma errada.

Em silêncio, Seokjin andou em direção à porta, mas parou quando o caçula decidiu falar.

– Não fui eu quem terminei com o Taehyung, Jin – explicou de súbito, sabendo o que o outro pensava de toda aquela história.

Pôde deduzir muito bem pelo aviso repentino para não partir o coração de Jimin. Seu irmão não era uma pessoa ruim, só nunca sabia muito bem como demonstrar estar preocupado. Só sabia ser irritante. Até demais.

– Me desculpe – foi só o que o Min mais velho falou, virando o rosto para encontrar o olhar sincero do irmão. – Às vezes eu sou mesmo um péssimo irmão.

Yoongi poderia dizer que ele era um péssimo irmão o tempo todo, mas ao invés disso só moveu os lábios e deu de ombros, arrancando um sorriso pequeno do outro. Seokjin não era mesmo um péssimo irmão o tempo todo.

– Boa noite, Yoongi.

– Boa noite, Jin.

O caçula observou enquanto o irmão mais velho fechava a porta do laboratório e suspirou, franzindo o cenho. Seokjin podia até ser observador no que dizia respeito a ele, mas era estranho pensar com tanta convicção que a culpa pelo afastamento de Taehyung era de Yoongi.

No fim, nunca era demais passar algumas coisas a limpo.

Seokjin acabava de entrar na fila como o próximo de sua lista.

 


Notas Finais


Divulguem a ff pros abiguinhos yoonminos também porque yoonmin é vidinha ~~<3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...