História Um Futuro Escrito em Gelo e Fogo - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Alys Karstark, Arya Stark, Benjen Stark, Brandon "Bran" Stark, Brienne de Tarth, Catelyn Stark, Cersei Lannister, Daenerys Targaryen, Davos Seaworth, Eddard Stark, Euron Greyjoy, Gendry, Howland Reed, Jaime Lannister, Jon Snow, Jorah Mormont, Lord Edric "Ned" Dayne, Lyanna Stark, Lysa Arryn, Meera Reed, Melisandre, Olenna Tyrell, Personagens Originais, Petyr Baelish, Rhaegar Targaryen, Robert Baratheon, Roslin Frey, Samwell Tarly, Sandor Clegane, Sansa Stark, Theon Greyjoy, Tyrion Lannister, Yara Greyjoy
Tags Aventura, Daenerys Targaryen, Épico, Jon Snow, Jonerys, Lyanna Stark, Rhaegar Targaryen, Romance, Sansa Stark
Visualizações 1.479
Palavras 7.123
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Magia, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Tão sentindo o cheirinho de capítulo novo por aí? Boa leitura!

Capítulo 14 - Cicatrizes


Fanfic / Fanfiction Um Futuro Escrito em Gelo e Fogo - Capítulo 14 - Cicatrizes

Daenerys sentou-se, terrivelmente impactada pelo que acabara de escutar.

― Envenenada? A adaga estava envenenada? ― ela perguntou, ainda incrédula.

― Sim, Majestade. A ferida do Rei e os sintomas que ele sofre me fazem crer que utilizaram veneno na lâmina. ― Garth, o meistre de Jardim de Cima, lhe respondeu.

Sentiu-se enjoada ao escutar aquilo. Se Jon não a tivesse salvo, seria Dany deitada inconsciente e cheia de dores; ele estava em estado crítico por culpa dela, vivenciando um terrível pesadelo por conta de inimigos que sequer eram seus. Ter aquela compreensão a fez ser tomada pelo remorso e seu coração encolheu-se no peito devido o terrível pesar que aquilo lhe causava.

― Que tipo de veneno utilizaram? ― a Targaryen indagou.

― Acônito. É feito a partir de uma erva bastante comum aqui na Campina e é utilizado quando se deseja envenenar alguém por meios que não envolvam a ingestão direta. ― o meistre explicou.

― É fatal? ― Davos, que estava em pé e encarando o homem vestido de cinza, perguntou.

Garth suspirou pesadamente antes de responder.

― Sim. O acônito mata a pessoa em até três dias.

O corpo de Daenerys estremeceu ao escutar as palavras do velho estudioso, e provavelmente, se não estivesse sentada, cairia no chão. Aquilo não poderia estar acontecendo com ela, não de novo. Sentiu a agonia e a angústia crescerem em seu peito, a ponto de fazê-la perder o ar, tal como sentiu quando seu amado Drogo estava às portas da morte após o ferimento que recebeu na altura do peito gangrenar. Estaria ela amaldiçoada a causar a morte de todos aqueles por quem se apaixonava? Não, não, não. Não poderia deixar aquele inferno se repetir. Não permitiria que Jon tivesse o mesmo fim que o seu sol e estrelas.

Ela levantou-se da poltrona em que jazia e encarou o meistre.

― Então tem três dias para salvá-lo. Use os meios que forem necessários, faça o que for preciso, mas salve o Rei. ― Daenerys lhe disse, em seu tom mais régio ― Faça uma lista dos ingredientes e ferramentas que utilizará, eu mesma providenciarei tudo que for necessário e que estiver em falta.

O meistre assentiu com a cabeça.

― Farei imediatamente, Majestade. ― ele disse, antes de dar meia volta e deixar os aposentos.

Davos encarou Daenerys, assim como Tyrion, que estava ao seu lado.

― Tenho que informar a Winterfell o que aconteceu com o Rei. As Princesas merecem tomar conhecimento do estado do irmão. ― o cavaleiro disse ― Se Vossa Majestade me der licença.

Dany apenas assentiu, abatida demais para falar qualquer coisa.

Assim que Davos os deixou a sós no cômodo, Tyrion se pôs a fitá-la, como se fizesse uma profunda análise sobre a pessoa da Rainha.

― O que está sentindo agora? ― ele indagou ― O que sente ao saber que talvez Jon Snow morra?

Mesmo acostumada com a franqueza cortante que era característica do seu Lorde Mão, Daenerys ficou chocada ao ser questionada de forma tão direta. Não conseguia raciocinar depois de escutar as palavras de Meistre Garth, que lhe contou que a adaga estava envenenada e que os três próximos dias decidiriam se Jon viveria ou não.

― Estou arrasada. ― Dany confessou, cansada demais para tentar simular uma indiferença que não sentia ― Meu coração está em frangalhos por saber que posso perdê-lo antes mesmo de termos qualquer coisa, por existir a possibilidade dele morrer antes que eu possa lhe dizer que estou apaixonada.

Sentiu-se extremamente vulnerável ao pronunciar aquelas palavras. Detestava externar seus sentimentos e fazer-se alvo fácil de análises, principalmente aquelas que eram feitas por pessoas sagazes – como era o caso de Tyrion. Mas não possuía mais forças para negar o que sentia, nem para si, tampouco para os outros.

― Jon tem uma prometida com quem se casará em breve... Isto é, se ele sobreviver ao acônito. ― Tyrion lhe disse.

Daenerys sentiu um amargor tomar conta de sua boca ao escutar aquilo, e ela não sabia ao certo se era pelo lembrete do compromisso que Jon havia firmado com outra mulher ou por sua eventual morte.

― Acha que não sei disso? Sei muito bem que ele possui deveres e que um deles consiste em casar com a garota Karstark. ― Dany tremia ao falar aquilo ― Mas também não posso evitar o que eu sinto, não posso fazer meu coração parar de doer com a probabilidade de...

Dany não conseguiu completar a frase. O ar escapou de seus pulmões naquele momento, e o simples pensamento de perder Jon de forma definitiva lhe causava mal estar.

― Tentei arranjar um casamento entre vocês, sabe disso. Quem seria melhor partido para uma Rainha que um Rei? ― Tyrion suspirou pesadamente ― Mas as coisas não deram certo e Jon escolheu casar-se com a Senhora Karstark.

― Então não aprovaria caso nós decidíssemos ficar juntos? ― Daenerys lhe perguntou.

― Muito pelo contrário, eu mesmo a levaria até o altar e lhe entregaria a Snow se fosse necessário. ― o Lannister se defendeu ― Mas como eu já disse, existem empecilhos agora, e por isso eu acho melhor que Vossa Majestade tomasse um pouco mais de cuidado ao demonstrar os seus... Afetos.

Daenerys explodiu em gargalhadas ao escutar aquilo.

― Não acredito que estou escutando isso logo de você, Lorde Tyrion. Desde quando virou tão pudico?

― Odeio puritanismo, sabe bem disso. Mas Vossa Majestade é uma Rainha, e pessoas adoram fofocar sobre a realeza, tenho conhecimento pessoal da causa. ― ele respondeu.

― As pessoas já falam sobre mim. ― Daenerys o encarou, novamente séria ― Ou acha que não sei que dizem que sou a filha do Rei Louco e que posso ficar igual a ele? Ou que sou uma estrangeira que não entende nada sobre Westeros? As pessoas fofocam mesmo quando não há motivos.

― Mas motivo agora. ― o anão rebateu.

― E eu não me importo. ― a Rainha deu de ombros ― Vou até os aposentos de Jon e só sairei de lá quando ele estiver curado do envenenamento.

Um sorriso de cansaço formou-se nos lábios de Tyrion.

― É tolice tentar domar um dragão e sabe que não tenho vocação para ser um tolo. ― ele falou ― Faça o que seu coração manda, e desde que isto não a prejudique de alguma forma, ficarei do seu lado em qualquer decisão que tomar.

Dany sorriu.

― Obrigada. ― ela caminhou até a saída do quarto, mas refreou-se ― Quase eu ia esquecendo. Mande investigar quem foi o responsável pelo envenenamento de Jon, pois como a vítima pretendida era eu, precisamos descobrir quem deseja me matar para que paremos com isto de uma vez por todas.

Tyrion aquiesceu e depois fez uma reverência. Dany saiu do quarto com o coração pesado, com medo do que encontraria ao ver Jon. Deu alguns passos e adentrou na porta que ficava ao lado dos seus aposentos.

Encontro-o ainda desacordado, estirado na grande cama que lhe fora providenciada. Aos pés desta, como se estivesse aguardando seu mestre retornar, o lobo gigante albino dormia. Dany caminhou até Jon e sentou-se na cadeira que estava ao lado do dossel.

Ele estava visivelmente pior em relação à da última vez que o encontrou. Era possível ver sobre a pele, que estava ainda mais pálida, gotículas de suor escorrerem a ponto de fazer os grossos cachos negros aderirem à tez esbranquiçada. A fina película que cobria os lábios de Jon estava rachando, lhe fazendo lembrar as terras dos desertos que desbravou em Essos.

Dany passou os dedos sobre a testa de Jon para retirar o cabelo que ali estava grudado e dar-lhe mais conforto, e percebeu que o rapaz ardia em febre. Sua respiração era irregular e espaça, sendo possível notar que era dificultoso manter um ritmo constante.

― O que fizeram com você? ― Dany sussurrou a Jon, sem ter certeza se ele seria capaz de lhe escutar ― O que eu fiz com você?

Sentia-se terrivelmente culpada pela situação toda. A Targaryen era o alvo da tentativa de assassinato, e não Jon. Era ela quem deveria estar no lugar dele, sofrendo todas as suas dores.

Vê-lo daquela maneira, tão frágil e debilitado, a fez lembrar de Drogo. Assim como Jon, o seu falecido marido era um guerreiro forte e fora abatido por um pequeno ferimento em seu peito que gangrenou. Relembrou da dor que sentiu quando seu sol e estrelas morreu, o terrível sentimento de perda que se abateu sobre sua vida. Lágrimas brotaram em seus olhos e seu coração afundou em seu peito ao pensar que passaria por aquele doloroso processo novamente.

A história de Dany e Jon mal havia começado, e seria uma tremenda injustiça – e até mesmo ironia – por parte dos deuses tomá-lo dela de forma tão trágica. Não, de novo não. Não suportaria ter que enterrar novamente um homem por quem seu coração ardia.

As horas passavam de maneira arrastada e o tempo parecia correr contra os desejos de Daenerys. Meistre Garth saia e entrava do quarto com frequência para verificar o estado de Jon e trocar os emplastos que cobriam a ferida. Quando a Rainha viu a pele, que tinha a aparência de uma queimadura, sentiu-se pior ainda. O pequeno ferimento causado pela adaga, que tinha a metade do tamanho do dedo mindinho da garota quando foi feito, agora tinha a espessura de um palmo inteiro, e se Dany não soubesse o motivo por trás dele, pensaria que havia sido causado por uma brasa em chamas posta contra a pele de Jon.

Não conseguia dormir, não conseguia comer e desejava apenas ficar ao lado dele até que finalmente acordasse. Missandei tentou lhe trazer alguma comida, mas o estômago de Daenerys se revirava com a ideia de ingerir qualquer coisa. A lua descera do céu, sendo substituída pelo sol e os únicos companheiros constantes da Rainha eram o corpo inerte de Jon e Fantasma, que parecia tão persistente quanto a Dany na ideia de permanecer no quarto.

De tempos em tempos a dificuldade de Jon em respirar parecia se acentuar a ponto do peito subir e descer em movimentos bruscos e irregulares, como se fosse um grande esforço para ele sugar o ar para dentro dos pulmões; aquilo fazia a culpa que Dany sentia crescer ainda mais, e ela tinha que se esforçar para não chorar ao vê-lo naquela situação.

Tyrion também aparecia esporadicamente no quarto, tanto para checar o estado de Jon quanto para tentar demover Daenerys de permanecer ali, argumentando que estava em tempo de voltar para seus deveres reais. Mas nada, nem mesmo o Trono de Ferro, com o qual sonhara desde que se tornou a última de sua linhagem, lhe faria mudar de ideia.

Ao final do segundo dia e início do terceiro, sentiu que as coisas não corriam como esperava. Jon não dava sinais de melhora mesmo que Dany lhe sussurrasse ao ouvido, pedindo para que voltasse para ela.

― Será questão de tempo, Majestade. Não creio que o Rei sobreviverá. ― Meistre Garth decretou.

Dany sentiu que seria menos doloroso se o meistre cravasse uma estaca em seu peito. Não estava preparada para escutar aquelas palavras e tampouco as aceitaria. Fantasma pareceu tão inquieto e inconformado quanto a Rainha, e então ela se sentiu menos solitária; ao menos outro ser vivo parecia tão pertinaz quanto ela no que dizia respeito ao estado de saúde de Jon.

Ela era Daenerys Targaryen, afinal de contas. Havia trazido dragões de volta ao mundo e derrubado toda uma ordem social que reinava há séculos em Essos, e não desistiria fácil dos seus desejos. Começou a rezar para os Deuses Antigos e Novos, para o Senhor da Luz, para o Deus de Muitas Faces... Algum deles haveria de lhe escutar. Sussurrava para Jon, lhe pedindo para que retornasse para ela, na esperança de que a escutasse e a tirasse daquele horrível pesadelo no qual vivia.

 

***

 

Jon sentia-se terrivelmente estranho. Sua cabeça parecia mais pesada que o usual e seu corpo era desengonçado, quase como se pertencesse a outra pessoa. Caminhava por uma trilha cheia de neve, solitário e com dores que se espalhavam ao longo de sua espinha dorsal e que faziam seu estômago revirar-se em protesto. Avistou Winterfell e então começou a correr, mesmo que as pernas latejantes ardessem pelo esforço. Demorou a chegar ao castelo, mas quando o fez, sentiu-se aliado, pois estava em casa. Esperava ver Arya ou Sansa (ou as duas) lhe esperando no átrio, mas não eram as irmãs que ali estavam.

O coração de Jon disparou no peito e as lágrimas começaram a acumular em seus olhos ao ver Lorde Eddard Stark, o senhor seu pai, que o observava com o rosto longo e ar sério que lhe eram característicos. Os olhos azuis-acinzentados fixaram-se aos de Jon e então ele começou a caminhar em direção ao filho.

― É bom vê-lo novamente, Jon. ― ele lhe disse.

A voz que saiu da boca de Ned era idêntica à que estava gravada na mente do bastardo, tão grave e solene como nos dias nos quais ainda tinha a cabeça sobre os ombros.

― Quero que me conte sobre suas experiências na Patrulha. É tudo aquilo que esperava ou está decepcionado? ― uma fina linha formou-se nos lábios do Stark, com um discreto sorriso que evidenciava suas rugas.

Jon então reparou que trajava o manto e os trajes negros da Patrulha da Noite, como fazia antes de abandonar a ordem.

― É o senhor, pai? Realmente o senhor? ― o rapaz perguntou, num misto de surpresa e incredulidade.

― Quem esperava que fosse? ― Ned colocou a mão direita sobre o ombro de Jon ― Vamos entrar, os outros estão lhe esperando. Robb e Arya mal conseguiram dormir enquanto lhe esperavam e Bran Rickon estão loucos para escutar sobre suas aventuras Para-Lá-Da-Muralha.

O estômago de Jon ardeu mais ainda ao escutar os nomes de Robb e Rickon. Sabia que, assim como o pai, os irmãos pereceram nas mãos dos inimigos da Casa Stark, portanto aquela situação não fazia sentido. Beliscou-se para ver se estava sonhando ou alucinando, mas tudo parecia tão verdadeiro...

― A minha mãe... Você disse que conversaríamos sobre minha mãe da próxima vez que nos víssemos. ― Jon declarou ― Aqui estamos, pode falar agora.

Instantaneamente, a tensão transpareceu na expressão e no corpo de Ned.

― Não prefere ver seus irmãos e forrar a barriga antes? Deve estar faminto e...

Agora. ― Jon decretou com firmeza.

Um longo e pesado suspirou escapou dos lábios de Ned.

― Tudo bem, pode me perguntar qualquer coisa, menos o nome dela.

― Mas o nome é tudo que eu mais quero saber! Como pode não querer me contar algo tão importante? ― Jon protestou.

― Eu fiz uma promessa e não posso quebrá-la. ― o pai lhe contou ― É isso ou nada, a escolha é inteiramente sua.

Jon mordeu os lábios, frustrado pela imposição do pai. Entretanto, não poderia perder aquela preciosa oportunidade de descobrir a verdade sobre sua origem.

― Era uma prostituta ou garota de uma taverna qualquer com quem se deitou no calor da guerra? ― o rapaz perguntou.

― Não. Sua mãe era uma nobre e de elevada estirpe, não havia nada de baixo e sujo nela. ― Ned respondeu, quase que com devoção.

― O senhor a amava?

Ned deu alguns passos e pegou a mão dos filhos, segurando-a entre as próprias.

― Eu a amava mais que tudo nesta vida e faria qualquer coisa por ela. ― o Stark lhe disse, enquanto fitava o filho ― Sua mãe foi uma das pessoas mais importantes da minha vida e até hoje a amo profundamente. Não há um dia que se passe sem que eu não deixe de pensar nela.

A franqueza de Ned era visível e Jon soube que o pai estava falando a verdade. Sentiu-se bem ao escutá-lo falando aquilo, talvez um pouco menos bastardo. Saber que não era fruto de um erro ou de simples luxúria fazia com que a obscuridade e vergonha de seu nascimento pesassem menos sobre sua cabeça e seu coração.

Jon sabia o que perguntar em seguida, mas temia a resposta. Não sabia o que faria se tivesse uma negativa.

― Ela está viva?

Ned hesitou por um instante antes de responder.

― Não, morreu há muitos anos. ― por fim disse.

― Morreu como?

Mais uma vez o pai titubeou, desta vez como se escolhesse de forma cuidadosa as suas palavras.

― Morreu pouco tempo após lhe dar a luz. ― Ned apertou mais ainda a mão do filho ― Sinto muito, Jon.

Por mais que de certa forma esperasse aquela resposta, Jon ficou atordoado. Caiu de joelhos no chão coberto de neve, sentindo a perda da mãe que jamais conhecera e que jamais conheceria fazer seu peito arder. Sentiu o pai largar sua mão e então levou-a ao rosto, tentando evitar que as eminentes lágrimas transbordassem, mas não conseguiu; sentiu-as rolar sobre suas bochechas, sendo empurradas pelos ventos gelados do Norte.

Esfregou os dedos nos olhos, tentando estancar o choro, pois não queria que o senhor seu pai o visse daquela forma. Contudo, ao erguer a cabeça, tanto Eddard Stark quanto Winterfell e toda sua neve haviam sumido. Estava agora em outro lugar, em um quarto no qual nunca havia estado antes na vida.

O cômodo era a completa antítese do átrio do castelo nortenho, sendo pequeno e terrivelmente abafado. Jon sentiu um calor enorme, talvez a maior temperatura que seu corpo acostumado ao frio havia experimentado. Levantou-se e virou, até ver uma mulher parada, com o rosto virado em direção a uma pequena janela que deixava a luz do sol escaldante invadir a saleta.

Ela usava roupas leves de seda azul, compatíveis com o clima temperado do ambiente, e os longos cabelos negros pendiam em suas costas presos em uma trança que ia até a altura da cintura. A moça era baixa e poderia se passar por uma criança se não fosse o ventre inchado e protuberante, no qual repousavam de forma protetora as duas pequenas e alvas mãos.

Jon deu alguns passos em direção a ela, e à medida em se aproximava, a luz do sol que vinha da janela lhe cegava ainda mais. Não conseguia enxergar o rosto da mulher, mesmo que se esforçasse; estavam próximos, a menos de dois metros de distância, mas o rapaz conseguia apenas ver a silhueta próxima à ventana.

A mulher virou seu rosto, e mesmo que Jon não pudesse ver seu semblante, ela pareceu lhe enxergar.

― Filho? É você, Jon? ― uma voz trêmula e quase infantil lhe perguntou.

Instintivamente, ele soube que aquela era sua mãe. Não conseguia vê-la, mas seu coração lhe disse que se tratava da mulher que lhe dera a vida. Sem hesitar, de forma quase automática, correu até ela, ansiando obter o toque materno que desejou por toda sua vida. Havia tantas coisas que desejava lhe dizer, tantas palavras presas em sua garganta ao longo dos anos...

Mas quando finalmente a tocou, a barriga crescida havia desaparecido e os longos cabelos negros transmutaram-se em um prateado que reluzia e quase faiscava sob a intensa luz solar. Olhos de um violeta líquido lhe encaravam e então ele sentiu Daenerys lhe envolver em um abraço apertado. Ele a abraçou de volta e aspirou o cheiro de ervas que vinha do cabelo alvo da moça.

Ela quebrou o abraço e colocou as mãos entre o rosto de Jon e pôs-se a beijar-lhe a bochecha repetidamente, distribuindo os beijinhos pela pele até chegar à boca. Os lábios macios de Daenerys colaram aos seus de forma intensa, mas rápida. Ela então o fitou diretamente nos olhos, com uma expressão de sofrimento cobrindo as finas e delicadas linhas de seu rosto.

― Volte para mim, por favor! Não me deixe, eu preciso de você! ― ela implorou.

Após pronunciar aquelas palavras, Daenerys sumiu, assim como o pequeno quarto abafado e os raios quentes de sol. Num piscar de olhos, Jon viu-se cercado por uma escuridão que tampava sua visão e privava todos os outros sentidos. Já estivera naquela situação antes, quando foi traído pelos seus irmãos juramentados. O frio do vazio e do nada lhe engolia, e mesmo tentando resistir, seu corpo não colaborava. O estômago de Jon revirava e parecia ser consumido por brasas vindas diretamente do inferno, assim como sua boca, que era tão seca e árida como um deserto. Seu corpo também parecia queimar, atravessado por lâminas que se fincavam cruelmente em sua carne.

A dor era terrível e Jon sabia que não seria capaz de resistir, pois fazê-lo servia apenas para acentuar o sofrimento ao qual estava sujeito. O corpo, que se debatia fervorosamente, de repente cedeu e Jon deixou-se levar pela escuridão. Em breve acabaria e quem sabe ele encontraria alguma paz em sua mente esvaziada... Mas então, o rosto de Sansa surgiu diante dele, os cabelos cobres e os olhos azuis acabando com a supremacia da escuridão que lhe rodeava; depois, foi a vez da face de Arya brotar defronte seus olhos, e era tão parecida com a sua, com o rosto alongado e os olhos acinzentados tão escuros que pareciam negros, que por algum instante pensou estar em frente ao espelho. Contudo, a força só lhe voltou de vez quando viu o prateado e o violeta invadirem o vácuo e ofuscar as trevas que o abarcava. Daenerys, com suas linhas requintadas e quase divinas, lhe observava com uma expressão de tristeza, e sussurrava algo que Jon não sabia se era capaz de compreender.

“Volte para mim”. As palavras de repente ecoaram na cabeça de Jon, de maneira repetitiva e incessante, e sempre na voz de Daenerys. “Volte para mim”, como um mantra entoado pelas mulheres quando rezam à cabeceira de algum enfermo. “Volte para mim”, que crescia em sua mente cada vez mais, assim como o púrpura dos olhos Targaryen que lhe encaravam. “Volte para mim”, da maneira que Jon sabia que deveria fazer e regressar àquelas que eram a razão de se manter de pé e lutando por todo aquele tempo.

De repente, mesmo sem saber que estava de olhos fechados, os abriu. Notou então que, apesar da visão estar turva e dolorida, a escuridão havia desparecido, assim como os rostos das irmãs. Contudo, percebeu que Daenerys, mesmo que ainda desfocada, permanecia defronte de si.

― Jon? Você consegue me escutar? ― ela indagou com a voz nervosa e trêmula.

O rapaz abriu a boca para responder, mas sua língua enrolou. Sua garganta ardia e não conseguia falar.

Fechou os olhos e após alguns instantes, sentiu a mão de Daenerys sobre seu queixo e algo ser colocado em sua boca. A água verteu sobre seus lábios e Jon a bebeu de maneira voraz, sentindo-a revitalizar a faringe que parecia estar morta. Escutou a voz de Daenerys escoar pelo quarto, gritando e repetindo as palavras “ele acordou” de forma alvoroçada.

Jon escutou passos rápidos e então abriu os olhos, se vendo cercado por várias pessoas. Davos, e alguns de seus homens, Tyrion, a dama de companhia da Rainha e a própria Daenerys lhe encaravam atônitos. Fantasma abriu espaço entre eles e subiu na cama, se colocando sobre as pernas doloridas de seu mestre.

― Consegue falar, Majestade? ― um homem, que Jon não conhecia, mas imaginou ser um meistre devido às correntes enroladas em seu pescoço, lhe perguntou.

― S... Sim... ― o Rei respondeu, com dificuldade.

Todos pareceram aliviados ao escutarem suas palavras e Jon perguntou-se o motivo. Por que estavam todos ali? Por que ele se sentia tão mal?

― É um milagre que esteja vivo. ― o meistre disse ― Mas preciso examiná-lo para ver se existem sequelas.

Sequelas de quê? O que havia acontecido?

O homem evacuou o quarto e apenas Daenerys e Fantasma permaneceram ali. Pôs-se a examinar Jon da cabeça até os pés, fazendo testes cujo propósito Jon era incapaz de compreender. O meistre retirou a faixa que cobria seu peito e então o rapaz pôde ver a grande ferida que estava na altura de suas costelas; estava praticamente em carne viva e a presença de alguns pontos de pus revelava que a coisa tinha sido séria. Jon não conseguia recordar como conseguiu se machucar de uma forma tão feia.

― Externamente está tudo bem e creio que não haverá consequências permanentes para a saúde de Vossa Majestade, mas deverá permanecer em repouso e teremos que cuidar do ferimento para que não gangrene. ― ele decretou ― Farei alguns emplastos e aplicarei sobre sua pele para acelerar a cicatrização.

― Obrigada, Meistre Garth. ― Daenerys agradeceu, e Jon podia notar que ela genuinamente parecia grata.

― Não há razões para agradecimentos, fiz apenas o meu trabalho. ― o homem respondeu ― Deixarei Vossas Majestades descansarem agora, com licença.

O tal Garth deixou o quarto e então Daenerys sentou-se ao seu lado e entrelaçou seus dedos aos de Jon.

― Não sabe o quanto eu sofri ao vê-lo preso nesta cama... Estou tão feliz agora que poderia sair pulando pelo castelo. ― um lindo sorriso brotou em seus lábios.

― O que... O que aconteceu? ― as palavras ainda pareciam difíceis na boca de Jon.

― Lembra-se da tentativa de assassinato que sofri, mas que você impediu quando tomou a facada por mim? Pois bem, Meistre Garth descobriu que a lâmina da adaga estava envenenada. Você ficou desacordado por três dias e quase morreu. ― Daenerys lhe explicou, com uma expressão séria e cansada.

Só então Jon reparou que haviam bolsas sob os olhos violetas e que os cabelos desgrenhados pareciam não ter sido penteados recentemente.

Não conseguia compreender como alguém teria coragem de tentar tirar a vida de Daenerys. Apesar dela representar a tomada de poder e provável mudança dentro da hierarquia que Westeros conhecia, a Targaryen tinha um lado doce que desarmaria qualquer um que a conhecesse melhor.

― Você está... Bem? A feriram? ― ele perguntou.

― Não aconteceu nada comigo, estou bem graças a você. Salvou a minha vida, Jon. ― Daenerys respondeu ― Eu sinto muitíssimo que isto tenha acontecido. Você sofreu tanto, colocou a si próprio em risco por mim...

― Faria... De novo. ― Jon precisou inspirar um pouco de ar antes de continuar ― O que importa... O que importa é que você está... Bem.

Daenerys pressionou seus dedos contra os de Jon e inclinou-se em sua direção. Com a mão que estava desocupada, ela afastou os cachos que estavam grudados na testa do rapaz e aproximou-se até as duas bocas se tocarem. Daenerys tinha o mesmo gosto do qual Jon se recordava, tão bom que o fazia se esquecer das dores que tomavam conta de seu corpo. A única coisa que importava naquele momento era manter o ritmo do beijo que fazia sua alma despertar de vez para o mundo. Mesmo fraco, Jon teve forças para levar a mão até o rosto macio dela e puxá-la para mais perto de si. Havia escapado da morte pela segunda vez, e agora se agarraria à vida – ou ao que de bom ela lhe trazia – com o máximo de força que tivesse.

 

***

 

Duas semanas após a tentativa de assassinato, as coisas estavam progredindo de uma maneira positiva. Tyrion deixara a Campina em direção a Rochedo Casterly e o que sobrara do exército Tyrell treinava pesado para enfrentar o que restava da força Lannister e da frota de Euron Greyjoy. Daenerys recebeu dias atrás a notícia de que agora a usurpadora se voltava em direção a Dorne, tentando acabar com um dos alicerces da aliança que traria paz e prosperidade para Westeros.

― Vá para Pedra do Dragão. Solte os dothrakis e deixe que eles acabem com minha irmã na terra e use a perspicácia de Yara Greyjoy para derrotá-los no mar. ― Tyrion lhe aconselhou antes de partir para as Terras Ocidentais.

Daenerys pretendia seguir a estratégia proposta por seu Lorde Mão, mas apenas após a total recuperação de Jon. Cersei demoraria a reagrupar suas forças quebradas, e a deserção do seu irmão-amante lhe atrasaria mais ainda; portanto, parecia óbvio priorizar a saúde do homem que arriscara a própria vida para salvá-la – e que, porventura, era o mesmo pelo qual estava apaixonada.

Preferindo priorizar a saúde de Jon, Dany não insistiu em ter a conversa que fora adiada pelo terrível incidente, mas agora que o nortenho estava em franca melhora, não viu motivos para postergá-la ainda mais.

Cruzou o corredor e foi até o quarto que Jon ocupava em Jardim de Cima, e era tão natural que fosse até lá cuidar da ferida que cicatrizava que sequer fora parada pelos homens que guardavam a porta do Rei do Norte. Entrou sem ser anunciada e ficou surpresa ao deparar-se com Jon em pé, trajando uma calça de couro e prestes a colocar sozinho uma fina camisa de linho.

― Vejo que está bem melhor. ― Daenerys comentou ― Fico feliz em finalmente vê-lo fora desta cama.

Ele enfiou a camisa pela cabeça e soltou um gemido baixo de dor.

Dany correu até ele, preocupada.

― Não está completamente recuperado, deve descansar mais um pouco. ― decretou a Rainha.

― Estou há duas quinzenas deitado nesta cama como um inválido, prefiro a dor de mil ferimentos a permanecer nela por mais tempo. ― Jon retrucou, contrariado.

A irritante teimosia que Tyrion defendia ser típica dos Stark transpareceu no timbre e na expressão do rapaz.

― Você é um guerreiro e não poderá ajudar as pessoas caso não estiver plenamente saudável. Será inútil se continuar a ser tão cabeça dura. ― Dany disse.

― Um guerreiro não ajuda as pessoas, ele as mata. ― ele rebateu ― E não é preciso ser muito bom para matar alguém. É possível concluir isto quando um pobre coitado quase acabou com a minha vida sem esforço algum.

― Por acaso seria capaz de matar alguém de forma tão covarde como aquela? De qualquer maneira, parece que Meistre Garth estava enganado quando disse que o veneno não deixou sequelas em você, pois visivelmente o deixou mais rabugento que um velho senhor que vislumbra o fim da própria vida. Com licença.

Daenerys girou os calcanhares preparada para sair do cômodo, quando sentiu a mão de Jon segurar firmemente seu antebraço, fazendo com que os dois ficassem frente a frente.

― Desculpe minha estupidez... Eu não deveria tratá-la desta forma, não depois de tudo que fez por mim... ― ele começou a dizer-lhe ― Mas não sabe o quão frustrado me sinto por...

― Por...?

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Jon e então ele a encarou.

― Houve um momento, quando eu estava desacordado, no qual estava desistindo de lutar... Senti o frio e o vazio da morte envolverem meu corpo e minha mente, até que os rostos das minhas irmãs apareceram para me recordar que existiam razões para que eu não me deixasse vencer pela escuridão. ― Jon lhe disse, enquanto afrouxava a mão em seu antebraço até soltá-la ― Mas foi quando o seu rosto iluminou minha visão e sua voz me pediu para que voltasse que eu tive a certeza de que tinha que lutar e não desistir. Eu voltei por você, Daenerys, e pelos deuses, só eu sei como é difícil tê-la tão próxima a mim e não poder tocá-la do jeito que desejo.

Como um martelo que espanca a bigorna, o coração de Dany massacrou seu peito e sua respiração tornou-se irregular ao escutar aquelas palavras. Quando deu-se conta, seus dedos tocavam a pele branca do rosto de Jon e passavam pelas cicatrizes que ele ganhara nas batalhas durante sua vida.

― Eu rezei para todos os deuses possíveis para que eles lhe trouxessem de volta para mim, pois a ideia de perdê-lo antes mesmo de tê-lo de fato era terrível... Parece estúpido, não é? ― ela indagou, sem ter certeza se falava com Jon ou consigo.

― Se for, eu também sou estúpido. ― ele replicou ― Por que acha que eu me coloquei em frente àquela adaga? Porque o simples pensamento de vê-la sangrando era doloroso demais para suportar... Preferi ter a lâmina cravada em minha própria carne.

A sinceridade de Jon era pungente e fazia com que Dany se sentisse confusa. Por que a rejeitava se tinha o mesmo sentimento que ela? Sabia que a sombra da garota Karstark pairava entre os dois, mas Jon tinha algum tipo de afeição por ela?

― O que sente por sua prometida? ― a Targaryen finalmente perguntou, utilizando-se toda sua coragem.

Jon ficou visivelmente surpreso e mudo por alguns instantes.

― Alys, apesar de ser jovem, passou por muitos perigos e sobreviveu a todos eles. Ela perdeu quase toda a família, mas mesmo assim teve força para reerguer-se e ir atrás de seus direitos... Tenho grande admiração por ela. ― ele respondeu.

― Você a ama?

― Não. ― Jon devolveu, sem titubear ― Tenho afeto por ela, mas não sinto paixão ou amor.

Dany aproximou-se ainda mais e fitou os olhos negros com intensidade.

― Eu gosto de você... Meu coração martela descompassadamente simplesmente porque está perto de mim... ― ela pegou a mão dele e a pressionou sobre seu peito ― Consegue sentir?

Jon encarou a própria mão que estava encostada sobre o seio da Rainha e apenas assentiu.

― Então acredite quando eu lhe digo que o que sinto por você está me consumindo por dentro... Pelos deuses, quando estava inconsciente naquela cama tive vontade de morrer ao pensar que nunca mais o veria em pé novamente! ― ela colocou as duas mãos sobre a de Jon, que permanecia encostada em seu peito ― Eu deveria estar em Pedra do Dragão agora, reunindo meu exército e minha marinha para o ataque a Porto Real, mas fiquei aqui porque me recusei a abandoná-lo a própria sorte. Acredita em mim?

Não houve uma resposta verbal de Jon; ele apenas a tomou nos braços e beijou-a com urgência, segurando-a pela cintura e movendo os lábios de forma avassaladora e intensa, como se o contato com Daenerys lhe fosse algo vital, de extrema importância. Ela passou os braços ao redor do pescoço de Jon, buscando equilíbrio para que não caísse ao chão, pois sentia-se tonta por tanta felicidade e prazer que lhe invadiam naquele momento.

Sentiu as mãos dele percorrerem seu corpo e, ainda o beijando, começou a suspender a camisa de linho que o Rei usava. Quando percebeu o que ela estava tentando fazer, Jon interrompeu o beijo e por um instante Dany temeu que ele a impedisse e a mandasse embora do quarto, mas o contrário aconteceu; ainda com dificuldade pela ferida que cicatrizava, ele arrancou a fina camisa pela cabeça e voltou a beijá-la intensamente como antes.

Habilmente e apenas com as pontas dos dedos, Jon abaixou as alças do leve vestido de seda que Dany vestia, fazendo com que os seios fartos e desnudos saltassem para fora do tecido. Ela sentiu os gomos dos músculos do abdômen do jovem serem pressionados sobre suas aréolas e uma estranha excitação a tomou por aquilo. Nunca havia estado tão próxima de Jon e desejava ainda mais.

Parou de beijá-lo e afastou-se dele, indo em direção à cama, na qual sentou-se e fez um sinal com a mão, chamando-o para perto de si. Ele a obedeceu e deu alguns passos, indo até Dany e ergueu o queixo dela com as pontas dos dedos e abaixando-se para beijá-la novamente. Contudo, Jon não demorou-se em seus lábios e sua boca desceu até o pescoço de Dany, onde distribuiu mordiscadas e chupões que faziam arrepios surgirem em sua espinha e que se espalhavam ao longo do corpo; depois, foi a vez dos seios, onde ele perdurou mais. Sua língua começou tímida, lambendo as aréolas rosadas de Dany, fazendo movimentos circulares na extensão da epiderme até que ficassem rijos de excitação. Em seguida, Jon abarcou com a boca o máximo de pele que podia e começou a chupar os seios com vigor, sem o mínimo de pudor ou freio, deliciando-se com a farta extensão da área. Era como uma tortura para Dany, mas ao mesmo tempo era tão bom que ela mal conseguia raciocinar...

Os olhos negros a fitavam diretamente e a excitação de Daenerys aumentou ainda mais. Sentindo suas coxas já úmidas, tombou a cabeça para trás e levou as mãos à cabeça, sem conseguir ver quando Jon abaixou o seu vestido, deixando-a completamente nua, mas testemunhou ele afastar suas pernas e ajoelhar-se diante dela, colocando a cabeça entre suas coxas; utilizou sua língua novamente, desta vez para lhe proporcionar o beijo dos deuses que lhe tirou todo o ar dos pulmões, fazendo um gemido abafado escapar de seus lábios molhados. Os arrepios que Dany sentia se intensificaram e caiu de costas na cama, arfando enquanto Jon se servia em suas partes íntimas – ele lambia, mordiscava e chupava a área, fazendo-a se contorcer e implorar mentalmente por mais, como uma criança verde implora pelos prazeres do verão. De repente, sentiu o calor aumentar e a cama diminuir, sendo impossível manter-se parada naquela situação, que mais lhe parecia uma tortura de prazeres a qual não sabia por quanto tempo suportaria. Sentiu a umidade entre as coxas aumentar mais ainda e pensou em reclamar quando ele parou o trabalho com a boca, mas ficou quieta ao escutá-lo sussurrar que precisava tê-la de uma vez.

Jon levantou-se e abaixou a calça que usava, liberando o membro já ereto do peso do couro das roupas. Ele colocou seu corpo sobre o de Daenerys e encaixou-se entre coxas dela, e a garota sentiu quando ele deslizou para dentro de si, preenchendo-a por completo em movimentos de vai e vem que a faziam imaginar que talvez existisse um paraíso, afinal. Jon lhe beijava a boca com devoção, mordiscando o lábio inferior e usando a língua para explorá-la, gemendo enquanto lhe penetrava. Era tão bom sentir o gosto doce dos lábios dele, Dany pensou. Aquele gosto poderia ser o único a sentir pelo resto da vida e mesmo assim não reclamaria. As mãos grossas e firmes seguravam sua cintura, enquanto ela passava as próprias pelas costas de Jon, arranhando-as casualmente enquanto o ritmo acelerava.

Dany sentia saudade daquele tipo de toque, que apenas um homem era capaz de proporcionar, e principalmente ansiava pelo de Jon por todo aquele tempo, e felizmente a espera mostrou-se não ser em vão; tudo era melhor do que imaginava, e enquanto ela sentia seu corpo apertar-se em volta do dele, o prazer de ser tomada pelo Rei superava suas expectativas. Naquele momento, não conseguia sequer lembrar-se dos nomes dos outros homens que passaram em sua vida, e a única palavra fixada em sua mente e em seus lábios era Jon.

Gemidos também saltavam dos lábios do Rei enquanto ele a beijava, mas Dany percebeu que o ritmo das estocadas, que antes aumentava paulatinamente, agora era irregular. A face de Jon denunciava que algo estava errado e a confirmação veio quando ele deslizou para fora de Dany e tombou para o lado.

Ela foi até ele e colocou a mão sobre o seu peito e viu que ele apertava os olhos e respirava fundo. Quando finalmente os abriu e as íris que tinham cor de obsidiana lhe encararam de volta, ela perguntou:

― A ferida está doendo?

Jon assentiu com a cabeça.

― Na altura da costela. ― ele respondeu, e suspirou pesadamente.

Dany passou os dedos pelos cachos negros que pendiam soltos no topo da cabeça de Jon e começou a beijar-lhe delicadamente a face, indo da testa até as bochechas, do nariz até a boca. Viu que ele sorriu e, sem querer, sorriu de volta. Encostou seus lábios nos dele e beijou-o com mais intensidade, desejando tê-lo novamente dentro de si.

Ergueu o tronco, e com cuidado, passou as pernas sobre Jon e montou-o tal qual montava sua égua Prata na época em que costumava cavalgar pelo Mar Dothraki. Lembrou-se dos ensinamentos de Doreah, que a orientou em como satisfazer Drogo na cama, e, com cuidado para não machucar Jon mais ainda, sentou-se sobre o membro ainda ereto e começou um lento movimento circular com o quadril.

Jon não reclamou de sua ousadia, pelo contrário; mesmo permanecendo em silêncio, sua expressão entregava que ele estava gostando – e aproveitando – o momento. Dany passou os dedos pelas diversas cicatrizes que adornavam o peitoral de Jon e notou que possuíam uma temperatura mais elevada em relação ao resto da pele. Contudo, elas não diminuíam a beleza de Jon, ela pensou; pelo contrário, tornavam-no mais belo e intrigante, e pensar em como ele as havia conseguido causava a Dany uma peculiar excitação.

Começou a subir e descer, em ritmo cadenciado até arrancar alguns gemidos dos lábios de Jon. Vê-lo contorcer-se sob seu corpo lhe dava uma estranha sensação de poder e luxúria, e adorava contemplar os olhos negros ficarem mais escuros ainda pelo desejo evidente que o rapaz sentia por ela. Jon agarrou-a pela cintura, de forma um tanto impaciente, para que ela aumentasse e o ritmo do vai e vem que tanto lhe enlouquecia – e então ela o cavalgou, como se fosse a melhor e mais habilidosa khaleesi que o mundo conhecera e deleitou-se ao notar a respiração descompassada do rapaz. Dany fechou os olhos e, sem perceber, começou a arfar enquanto trotava cada vez mais rápido com o quadril. Sentia suas coxas apertarem-se contra Jon, e a deliciosa fricção que lhe causava tontura e prazer em cada terminação do corpo também fazia sua cabeça girar a ponto de fazê-la tombar para trás quando sentiu a semente de Jon ser despejada dentro de si. Àquela altura, o calor que surgiu no meio de suas pernas se espalhou como um raio pelo corpo desnudo e a fez perder as forças a ponto de cair totalmente zonza ao lado do rapaz. Sentia-se tonta pelo extremo prazer que experimentara e sua visão piscava como se no teto do quarto faiscassem grandes e incontroláveis labaredas de fogo.

Jon passou o braço ao redor de sua cintura e puxou-a para perto de si, depositando um tenro beijo em seus lábios. O gosto dele nunca havia sido tão bom quanto naquele momento, ela pensou.

― Por que não fizemos isto antes? ― ele indagou, lhe encarando e passando os dedos por sua nuca, causando-lhe mais arrepios.

― Você não quis. ― Dany respondeu enquanto se aconchegava nos braços dele.

― Eu sempre quis. ― Jon defendeu-se ― Contudo...

Novamente o “porém” e suas variações, Dany refletiu.

― Contudo nada mais importa... Nada que não seja nós dois. ― ele completou antes de beijá-la novamente e colar novamente seu corpo ao da Rainha.


Notas Finais


Vocês queriam Jonerys? Então toma surra de Jonerys pra vocês! haha
Depois de 84 anos finalmente rolou saliência entre eles e apesar de, como vocês bem puderam ver, eu ser horrível pra escrever cena +18, eu senti que tava na hora já desses dois desencantarem de uma vez por todas. Me digam o que vocês acharam, porfavorzinho!
E por falar nisso, tá tendo/vai ter Jonerys em GoT também, vocês querem @haters? Eu tô amando muito hahahah
E olha, eu tenho que dizer que tô muito feliz porque apesar do capítulo ser enorme, eu não demorei (muito) pra postá-lo. Os comentários que vocês deixaram me alegraram bastante e super me incentivaram a escrever um pouco mais rápido dessa vez e eu agradeço muuuuito por vocês serem tão legais comigo, de verdade! São leitores como vocês que mantêm essa fic sendo atualizada.
Depois de postar o capítulo anterior eu percebi que eu tenho uma base mínima de 600 leitores, então vai um recadinho pra você que é leitor fantasma (os que comentam nem precisam ler essa parte se não quiserem, pois amo vocês e jamais daria esporro nos meus amorzinhos): tem muita gente que simplesmente jamais deixou um comentariozinho sequer aqui mas vem me mandar mensagem privada perguntando porque eu demoro tanto pra atualizar e a resposta é:::::: você. Sim, você leitor fantasma, é um dos principais motivos pra essa demora. Cada capítulo tem mais de 600 visualizações e apenas 13-15 comentários (e inclusive, é até um número alto), e isso me desistimula. Então se você gosta de uma estória, e não falo apenas da minha, mas de outros escritores também, deixe um comentário. Cada palavra de incentivo já ajuda demais, de verdade. Eu escrevo porque eu gosto, mas ter feedback é bom demais e dá um gás a mais na hora de escrever. Não gosto de ser chata, mas eu precisava dizer desabafar.
Ok, chega! hahah Espero que vocês gostem do capítulo e me avisem sobre qualquer errinho que encontrarem, por favor. Beijos e até a próxima!

Tumblr: futurogf.tumblr.com


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