História Um Idiota Pra Chamar de Meu - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Hetero, Homossexual, Romance, Trote
Exibições 55
Palavras 2.331
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi gente depois do 50 fatos sobre mim podemos voltar para a história normal.

Capítulo 10 - Cheddar da discórdia...


Levanta. – falei cutucando o ombro do Lipe.

- Não, Luck. Me deixa deitado.

- Logicamente que vou deixar, não aguento te levantar. Do contrário não estaria te chamando.

Ele gemeu, e não moveu um músculo.

- Olha, eu vou até o restaurante. Dar uma olhada nas coisas.

- Saiu alguma notícia? Encontraram algo? – perguntou ele subitamente.

- Não. Nossos pais estão por aí, se empaturrando de coisas gostosas e curtindo as férias deles. Não há nada que ser encontrado. Daqui um tempo eles estarão passando por aquelas portas. Ok? – beijei ele na bochecha e já fui me levantando, uma vez que me agachei ao lado da cama para poder olhar em seus olhos.

- Tudo bem. Obrigado por ser tão forte.

- Não me agradeça.

- Espera que eu vou com você. – disse ele saindo da cama e vestindo uma calça. Ele só dorme de cueca, assim como eu.

- Ah, não. Pega. – falei jogando uma toalha que estava em cima da cadeira da escrivaninha. – Não vi você tomando banho ontem. Sua cueca deve estar imunda. Tome um banho de gente. Eu te espero lá embaixo enquanto procuro algo para comermos.

- Palhaço. – ele riu e jogou a cueca que estava usando em mim assim que se enrolou na toalha e a tirou por baixo. – Tomo banho em cinco minutos.

- Nojento! Se ontem não tivesse acontecido tudo isso eu diria que só tem restos reprodutores nessa cueca. E banho de cinco minutos uma ova. Se lave direito!

Saí do quarto dele e desci até a cozinha.

Nada começar uma manhã de forma tão harmoniosa.

***

- Então, os fornecedores das bebidas chegam sempre nesses dias? – perguntei ao Ricardo enquanto segurava uma tabela com todas as informações referentes à entrega das bebidas.

- Sim, senhor. – respondeu o Ricardo automaticamente.

- Para de coisa mecânica. "Sim, senhor" é a redução do seu salário.

Ele riu descontraidamente.

- Me desculpa. Não estou acostumado com isso.

- Eu sei que minha presença aqui é um pouco difícil de engolir, mas queria que tivesse um pouco de paciência comigo. Quer dizer, conosco. – falei e olhei em direção à cozinha.

- Não é nada disso. Só que vocês nunca apareciam. Não tem nada a ver com "difíceis de engolir". Falando em engolir, né...

- Lipe, nós não estamos na casa da vovó Theresa. Larga esse espírito de sem teto e me ajuda com o Ricardo! – exclamei de onde estava e ele escutou, tampando rapidamente a panela que estava sendo vítima da sua gulodice. Todos instantaneamente começaram a rir de nós dois.

- Oi, Ricardo! – cumprimentou o meu irmão assim que foi chegando perto de nós. Lambendo os dedos ¬¬

- Oi, Felipe! Tudo bem?

- Caminhando. E aí, o que há?

- Há tudo, graças a Deus. O estoque está bem abastecido, as contas estão estáveis e a clientela também está no nível de presença normal. Eu estava falando com o Ricardo que nós vamos vir mais aqui. Pelo menos duas vezes na semana.

- Ótimo. Quais os dias que a gente vem?

- Duas vezes na semana, cada um.

- Vixe.

- É "vixe" mesmo. Se fizermos assim vamos cobrir um número maior de dias e logo vamos aprender as coisas na prática.

- Tudo bem, então.

- Então, é isso, Rick. Eu vou indo nessa porque ainda tenho que colocar algumas coisas da faculdade em dia.

- Certo. Boa tarde para vocês.

Sim, já era tarde. O tempo havia passado tão rápido que acabamos almoçando no restaurante mesmo. Tinha me esquecido de como era bom ajudar no negócio da família. Me sentia responsável.

Entramos no carro do Lipe e fomos para casa.

***

"Don't you worry, don't you worry, child. See heavens got a plan for you…"

- Eita, despertadozinho do meu abuso! – xinguei passando o dedo na tela tentando desligar a música.

Me levantei, fiz todo aquele ritual matinal, e logo estava pronto para a minha linda e empolgante faculdade.

Arrumei meu café e o do Lipe (na realidade, coloquei o despertador para despertar ((nãaao, coloquei o despertador para fazer uma coreografia)) meia hora antes do habitual, pois eu sabia que se dependesse da coragem do Lipe, eu e ele iríamos morrendo de fome para a faculdade, e eu sou do tipo que não consigo pensar só em mim nesse tipo de situação).

- Luck!

- Cozinha!

Ele veio até mim, me beijou na bochecha e se sentou para comer enquanto eu pegava a faca serrilhada de cortar o pão na gaveta.

- Cadê a mussarela?

- Não tem. Só cheddar.

- Ah, não. Quero mussarela.

- Você vai comer cheddar.

- Não. – disse largando o prato e cruzando os braços fazendo birra. Cheguei perto da mesa segurando a faca em sua direção, sem pronunciar uma só palavra. – Pois é, né. Li em um lugar que cheddar é ótimo para aumentar a disposição matinal.

- Uhum. Sei. – olhei de canto para ele e logo me virei indo em direção à pia para que pudesse rir silenciosamente.

Realmente, as coisas poderiam ser levadas com calma e sem que fosse preciso passar por um caos diário sem a presença dos nossos pais.

Nós saberíamos cuidar de nós mesmos. Nós mandamos em nós mesmos, certo?

Acho que pensei alto demais, porque o Lipe falou: - Acho que sim. Menos no coração.

- Até parece. – respondi rindo e logo meu sorriso se desfez.

Eita, merda. Nicholas.

***

- Vai querer que eu te espere?

- Não, Lipe. De boa. Vou com o pessoal.

- Tudo bem. Qualquer coisa manda mensagem ou me liga. – disse ele ativando o alarme do carro e indo em direção ao seu bloco de aulas, que era no sentido oposto ao meu.

Começo a andar e aos poucos vou percebendo e ouvindo pequenos cochichos, direcionados, pra variar, em minha direção.

Poucos passos depois uma garota, usando a farda de Administração, parou em minha frente e tentou puxar assunto comigo. Fomos conversando coisas bestas, e eu só usando respostas monossilábicas (que eu odeio usar, pois também odeio que usem comigo) pois estava querendo fugir da conversa, uma vez que ela é filha do dono de um dos jornais da cidade, ou seja, ela estava à procura de novas informações. Eu estava conseguindo levar a chatice dela numa boa, até que ela chega no limite.

- E então, já acharam seus pais? – assim que ela perguntou eu parei.

- Então, essa aproximação toda só para saber isso?

- Como você e seu irmão estão? – eu comecei a perceber que sua mão não saíra de dentro da bolsa desde que ela me abordou. Mas, eu não iria explodir. Eu precisava ser forte. Eu prometi isso a mim mesmo. Se eu estourasse, o Lipe acabaria sabendo, e isso seria como se eu disse involuntariamente que estava sensível, vulnerável, e isso está fora de cogitação. Por outro lado, eu também não podia dizer para a Bárbara (nome do projeto de jornalista) a mesma coisa que havia dito para o Lipe ontem pela manhã. Seria bem pior.

- As buscas ainda estão sendo realizadas. Mais cedo ou mais tarde eles voltarão para casa. Eu e meu irmão estamos bem. Comemos cheddar hoje no café. Bacana, não acha? – dei um abraço (nada falso) nela e saí rumo à minha sala.

Mas, parece que o destino, ou melhor, o cosmos, não estava de bem com a minha cara essa manhã. A cada dois metros que eu andava, uma pessoa vinha e me dizia palavras de luto. E o pior que iam se aglomerando atrás de mim à medida que eu andava. Se eu quisesse fazer um flash mob, tava tudo certo.

A situação seria até engraçada, caso eu não estivesse ficando irritado com aquilo. Pêsames para quê se meus pais não estão mortos? Eu estava beirando o limite da paciência quando meus amigos surgiram com o Nicholas bem à frente vindo em minha direção.

- Pessoal, obrigado pela preocupação. Vamos cuidar dele. – disse a Rebeca simpaticamente enquanto a Beatriz agarrava meu braço me puxando dali.

- Não esqueçam que ele estará na chapa que vai concorrer ao Diretório Acadêmico. Votem nele! – emendou o Oliver fazendo com que o pessoal dispersasse.

- Bom dia para vocês também. – cumprimentei-os.

- Sem essa. Tu ia falar um monte de merda se a gente não tivesse aparecido.

- Que história mais ridícula.

- Seus olhos estão mais escuros.

- Merda. – me emburrei sentindo-me derrotado pelo conhecimento dos meus amigos sobre mim mesmo.

Acontece que, quando eu fico com muita raiva, meus olhos mudam de tonalidade, ficando em um azul mais escuro. Essas criaturas do meu agrado acabaram percebendo isso e aí pronto, até minha raiva tentam regular. Se bem que essa ajuda deles já evitou que algumas coisas acabassem... ah, vocês sabem... quebradas.

Eles riram de mim, menos o Nicholas que parecia meio pensativo.

Não percebi que ele percebeu que eu o notava (girou tudo agora). – Luck, vamos na biblioteca comigo?

- Tenho que ir pra sala.

- É rápido.

- O que tu vai fazer lá? – perguntei e logo todos olharam para mim. – O que foi? Só porque ele vai à biblioteca é obrigatório pegar livro?

- Pois é. Mas, vou sim.

- Qual?

- Um esquematizado de Pedro Lenza.

- Eu tenho em pdf.

- Mas eu gosto de sentir o livro. De fazer anotações.

- Você não pode riscar livro da biblioteca.

- É que eu vou xerocar.

- Vai logo! – disse o André me empurrando rumo à biblioteca.

Fomos caminhando silenciosamente pelo pavimento até que ele resolve falar.

- Então, tudo bem?

- Sim.

Ele se calou por um instante. Acho que pensou que eu falaria algo. O que se confirmou quando ele falou novamente.

- Não vai me perguntar como eu estou? – brincou ele fazendo-me olhar em sua direção. Os raios de sol que atravessavam as árvores ao nosso redor batiam em seu rosto, fazendo aquele infeliz ficar muito lindo, principalmente quando os raios deixavam sua barba e cabelo um pouco mais claros.

Olhei para ele tipo "¬¬" e novamente ele se calou. E novamente foi só por um instante, porque ele falou de novo.

- Eu poderia dizer que você não está querendo conversar comigo. – e riu.

- Olha só, parece que você está começando a me conhecer, Nicholas.

- Eu só quero ficar numa boa contigo.

- Sério? – ri em deboche, o que o deixou meio que, sei lá, irado.

Já estávamos quase na entrada da biblioteca, mas ele agarrou meu braço com força e me puxou até a lateral do prédio.

- Tá me machucando.

E ele nem aí.

- Ô!!

E ele nem aí.

- Hey, Shrek! Tu tá arrastando a pessoa errada. Tua Fiona tá em Manaus! – rebati bem no momento que ele bateu minhas costas na parede lateral do prédio.

- O que você disse? – perguntou ele com um olhar furioso nos olhos. O mesmo olhar de alguns dias atrás.

- Você realmente tem problemas para entender as coisas, não é?

- Eu só queria falar contigo numa boa. Não me provoca...

- Senão o que? Vai repetir a cena daquela noite? Porque todos os elementos já estão aqui. Seu olhar de raiva e você me machucando. A diferença é que hoje você está me machucando fisicamente, e naquele dia você me feriu com palavras.

Ele se tocou da situação e afrouxou o aperto.

- Me desculpa. Eu não deveria ter dito aquilo.

- Você se lembra de tudo que disse?

Ele assentiu tristemente.

- Então, lembra que me chamou de viado, imundo e por aí vai?

- Eu lembro e estou pedindo desculpas! Isso não serve?

- Desculpas não fazem eu me esquecer daquilo, Nicholas! Palavras ditas não voltam mais!! Eu me decepcionei com você! Você. Me. Machucou.

- Luck, por favor... Tava nascendo uma amizade tão legal.

- E tu matou ela!

- Não posso perder um amigo como você. Eu estou sozinho nessa cidade.

- Tua prima está aí.

- Mas, ela vai embora daqui uns dias.

Respirei fundo, olhei para todos os lugares que pude e olhei para ele.

- Olha, Nicholas. Eu realmente não pensei que tivesse de passar por uma situação dessas um dia, e me refiro ao fato de perder uma amizade, porque sempre fui bom em construí-las e preservá-las. Não dá para continuar da mesma forma. Só que eu não posso negar que vou te ver todos os dias, e exatamente por te ver todos os dias, a lembrança do que aconteceu vai sempre voltar à minha mente. Portanto, de hoje em diante, somos Luciano e Nicholas, colegas de sala.

- Não... – começou ele e seus olhos foram ficando mais brilhantes.

- Você me pede um assunto, eu repasso. Você tem uma dúvida, eu indico um monitor. Simples assim. Minha bondade ultrapassa tanto a normalidade que eu vou deixar você ficar com meus amigos.

- Mas, eu quero você como amigo.

- Não, você quer alguém idiota o bastante para assumir a culpa pela ida da Gabriela. E você já fez isso comigo.

- Eu já entendi, Luck. Eu entendi tudo. Eu não vou mais me martirizar por isso. Pra mim já passou.

- Pena que você entendeu a situação tarde demais, não é, Nicholas?

- Me desculpa. – seus olhos já estavam marejados. Olhei para o seu rosto. O hematoma do soco que eu havia dado ainda estava lá, só que mais claro. Já estava sumindo.

- Esquece de tudo, Nicholas. Será bem mais fácil. Para nós dois. – disse isso e fui saindo dali.

- Mas eu quero reparar o erro.

- Não há como.

- Há sim. – me virei em sua direção por um momento esperando qual a solução que ele mostraria.

Dei um suspiro e a medida que me virava novamente para sair eu falei: - Eu sabia que não tinha nada que --

E a frase foi interrompida no exato momento que senti a mão dele segurar meu pulso e me puxar em sua direção, bloqueando todos os meus pensamentos com um beijo.


Notas Finais


Esse beijo esta tão tão repentino que parece mais falso que a amizade da Taylor e da Katy Perry


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