História Um Idiota Pra Chamar de Meu - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Hetero, Homossexual, Romance, Trote
Exibições 60
Palavras 2.927
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


...

Capítulo 11 - Para que ta ficando feio amigo!


ERA UMA VEZ ON

Eu me sentia feliz por ter me vingado publicamente do Douglas. Sabe a sensação de dever cumprido? Pois então. Eu sentia exatamente isso.

Consequentemente, meus pais acabaram sabendo da minha opção sexual. Foi toda aquela conversa sobre o preconceito da sociedade, os ataques psicológicos que as pessoas me fariam, mas nunca demonstraram falta de amor por mim, ou muito menos decepção.

Meu irmão... Bem, esse de início não acreditou. Eu tive que ameaçar assustá-lo no meio da noite fazendo alguma safadeza (a qual não vou dizer que envolve a boca) para que o lerdo pudesse acreditar. Mas, isso não fez com que ele não fizesse brincadeiras. Muito pelo contrário. Houve até vezes em que ele quis me apresentar um cara do seu curso que “curtia minhas coisas”. Sim, o Coisa falou desse jeitinho, me fazendo gargalhar bem na cara dele, o que resultou no cancelamento do futuro encontro com o carinha lá.

Em todo caso, ainda havia algo de errado. O que era? Bem, eu estava só. Não digo só no mundo. Afinal ainda tinha minha família. Eu me referia ao fato de estar só no amor. Não amava nem estava sendo amado por ninguém. E isso era horrível para quem já havia se acostumado com uma rotina. Rotina melosa. Mas, não deixava de ser uma.

Eu não trocava mais mensagens bobas, não tinha ninguém para sentir ciúme, não tinha ninguém para implicar ou arrumar confusão por motivos idiotas, enfim, não tinha ninguém para chamar de meu, e aquilo estava me consumindo.

Foi naquele momento que eu decidi que não iria ficar correndo atrás de ninguém. Aconteceria naturalmente.

ERA UMA VEZ OFF

Merda, o beijo estava acontecendo naturalmente.

De início eu tentei relutar. Mentalmente, óbvio. Porque no instante em que seus lábios tocaram os meus, eu engoli os dele. Ok, não foi bem assim, mas foi parecido. A urgência que ele tinha em que eu o perdoasse, era a mesma que eu tinha em tê-lo para mim. Nossas línguas não dançavam. Dançar às vezes não tem sincronia nem arte alguma. E ali era diferente. Havia um encaixe, havia uma sincronia, havia quase uma conversa íntima entre elas.

Se era algo natural, porque eu sentia algo diferente lá no fundo?

Lá no fundo... (A mão do Nicholas que me segurava vai folgando o aperto). Lá no fundo... (Ela vai descendo pelo meu braço). Lá no fundo... (Ela chega à minha cintura)! Achei o que tem de errado no fundo! Simplesmente não tem nada de natural nisso.

- Filho de uma mãe! – exclamei desfazendo o beijo e pedindo a minha mão para fazer uma visita até o rosto dele. Mas, o infeliz a segurou. – Deixa eu te bater!

- Não! O que há de errado com você?? – perguntou ele olhando sério para mim.

A harmonia que antes podia ser sentida entre nós deu lugar a uma tensão palpável. Quem passasse entre nós esbarraria em uma parede invisível de raiva, frustração, e medo.

- Eu ia te perguntar isso depois do tapa!

- Eu estou falando sério! – esbravejou ele.

- E eu também! – gritei na mesma proporção.

- Você queria isso, não é? Você queria me beijar! E agora que beijou está achando ruim.

- Então, essa foi a forma que você achou para que eu te perdoasse por ser um idiota? Adivinha só, você subiu de nível na idiotice! E sim, eu queria te beijar, mas não sob essas circunstancias. Eu queria que houvesse um sentimento.

- E teve!

- Qual? – perguntei na lata.

Um breve silêncio se formou, e essa foi a minha deixa para sair dali.

- Aonde você vai?

- Sair daqui, não percebeu?

- Vai me deixar sozinho aqui?

- Vou te deixar com sua consciência. Já é o bastante por hora.

E saí dali o mais rápido que pude, fervendo de raiva. Como... como... Argh! Como pode um idiota desse beijar tão bem?!

***

Depois de uma manhã cansativa, eu finalmente havia chegado em casa.

Passei todas as aulas evitando olhar para aquele ser. Não foi uma tarefa fácil, confesso. E o pior é que, toda vez que, “acidentalmente” nos olhávamos, ele soltava um sorriso de canto. Eu estava quase jogando minha cadeira nele. Quando a última aula acabou, eu mal me despedi do pessoal e já fui embora. Eu sei que poderia estar mostrando certa fraqueza, mas antes ficar longe dele, do que estar perto e querer fazer besteira. Eu não ia dar o braço a torcer.

Entrei no meu banheiro e me despi. Fiz o que tinha que fazer (que creio eu não precise entrar em mais detalhes) e fui tomar meu relaxante banho.

Comecei a me ensaboar, e meu membro não pôde evitar ficar meia bomba quando passei a mão algumas vezes por ele. Seca é uma coisa triste mesmo. Eu mostraria que tenho controle e não ia ceder à vontade. Mas, do nada, a lembrança do beijo do Nicholas veio à minha mente. Assim que olhei para baixo me deparei com um membro rijo de mais ou menos dezoito centímetros, não tinha muitas veias saltadas, cabeça rosada que era mostrada quando recuava o prepúcio, e a virilha que fora depilada uns dias atrás. Resultado, ia sair um mão a mano.

Me encostei na parede e agarrei-o com força, deixando escapar um suspiro quando iniciei os primeiros movimentos. A água quente deixava o box cada vez mais embaçado, e parece que cada gota que caía, era quando a saudade do beijo aumentava mais.

Imaginei suas mãos me segurando firme, como por pouco não o fizera. Imaginei nossas mãos percorrendo simultaneamente o corpo de cada um, procurando memorizar cada parte que tanto hipnotizou um ao outro. A respiração dele ofegante em meu pescoço, misturado ao seu gemido másculo, que me fazia perceber que eu estava conseguindo lhe dar prazer da forma que deveria ser.

A cada vai e vem da minha mão, minha mente produzia novas situações, novas possibilidades, mas sempre o mesmo sentimento. Eu quase não podia acreditar que já me sentia tão preso a ele.

Mas, uma das melhores situações que pude imaginar, foi que ao final de tudo, quando tivéssemos passado um bom tempo juntos, ele finalmente seria capaz de me alegrar ao ponto de me deixar em êxtase. Um êxtase que eu estava quase alcançando. Minhas mãos trabalhavam com rapidez e habilidade, e a única coisa que faltava era imaginar aquela cena. O Nicholas se virando para mim e dizendo o que eu realmente queria ouvir:

- Tô me cagando, aguenta aí! – ouvi a porta do banheiro abrir, seguido do barulho da tampa da privada.

- Que merda, Felipe!! – exclamei de dentro do box. Minha sorte é que o box estava todo embaçado.

- É merda mesmo.

- Você tem o seu banheiro!

- Mas, eu acabei de chegar da faculdade. Vim o caminho inteiro me segurando. Seu quarto fica mais perto da escada que o meu. E eu não achei que você já tivesse voltado. Quando cheguei na porta do banheiro foi que ouvi o chuveiro, e já era tarde pra voltar atrás. Não sei porque o drama.

- Além da integridade da minha saúde, só o fato que você me fez brochar!

- Tu tava batendo uma?

- Não... Tava plantando bananeira.

- Plantando ou descascando?

- Isso é uma droga. Nem uma punheta eu consigo terminar. Dá tudo errado comigo.

- Caramba, isso tudo é por causa de um carinha? Eu já disse que conheço um garoto bacana que --

- Nem vem falar dos boys do teu curso! – falei saindo do box todo ensaboado já enrolado na toalha. – Termina a produção da bomba de Nagasaki aí que eu vou terminar meu banho no teu banheiro. Porco.

- Lindo. – disse ele ainda sentado na privada.

- Lerdo.

- Punheteiro.

- Vá pra merda.

Ele gargalhou alto e eu me toquei da cena. – Ah, esquece.

***

Whatsapp ON

A BAGACEIRA

André: Vamos sair ou não? Acho que 19h é um bom horário.

Beatriz: Eu digo que sim.

Nicholas: Eu também.

Não preciso nem dizer que o pessoal se sentiu na obrigação de acrescentar o Nicholas ao grupo depois do dia em que fizemos a sessão de filmes aqui em casa.

Eu: Tô sem vontade.

Rebeca: Que mentira! Tu não desperdiça uma ida ao Carlitos. Nunca desperdiçou. Tu ama aquele barzinho.

Oliver: É verdade. Além do mais tu está com uma cara de desabrigado que também peraí. Tu precisa sair sim, e você vai nem que seja arrastado no reboque do meu carro.

Beatriz: Gente, no mínimo isso é desilusão amorosa. Qualquer coisa a gente chama aquele gatinho do quinto período de Relações Internacionais. O Luck tá precisando mesmo de uma relação kkkkkkkkkkk.

Rebeca: kkkkkkkk ai amiga.. TOP aquele gato.

Oliver: Ainda tem homens nesse grupo, sabiam? Deixem pra falar disso no privado.

Eu: Tá me chamando de quê, Oliver?

André: Ih, se exaltou!! Kkkkkk

Nicholas: Vai ter ou não??

Eu: Vai, caramba! E eu vou nessa porra. Saco.

Whatsapp OFF

Disse aquilo e joguei o celular em cima da cama.

Provavelmente eles estariam rindo da minha revolta nesse momento. Mas, eu não estava nem aí. Me deitei, e esperei o sono chegar. Mais tarde teria que estar disposto para passar a noite ao lado do Nicholas. Ainda bem que meus amigos estariam também. Isso significava que, assim, ele não tentaria nada. Pelo menos eu queria acreditar que não.

***

- E no primeiro período quando eu fui agradecer o email de um professor e acabei enviando um emotion de apaixonada? – gargalhava a Rebeca ao contar toda a história logo após ter atiçado a curiosidade de todos. – Nessa brincadeirinha, ele ainda pediu para ficar comigo uns dias depois.

- E você obviamente aceitou, hein. – provocou o Oliver.

- Não, rapazinho. Eu não fico com homens casados.

- Eu sou solteiro.

- Mas é mongol. – respondeu a Rebeca provocando risada em todo mundo.

Coitado do Oliver, sempre dava essas indiretas para a Rebeca, mas ela sempre cortava qualquer investida dele da forma menos sensível possível.

- Pessoal, acho que já deu. Vamos embora? – falei já pegando meu celular em cima da mesa e guardando no bolso da calça.

- Ah, não, Luck. Só mais uma hora. – choramingou a Bia.

- Não, não. Tô caindo de sono aqui. E preciso que alguém me leve, porque estou de carona.

Era tudo mentira. Quer dizer, não a parte da carona. A questão é que eu não aguentava mais ficar exatamente ao lado do Nicholas. De todas as cadeiras eu e ele tínhamos que ficar justamente um ao lado do outro? Seu perfume já tinha invadido minhas narinas faziam horas. E, a beleza, por sua vez, me tomou totalmente a atenção. O projeto de gente tinha vindo todo arrumado e cheiroso, e eu sou fissurado por gente cheirosa.

- Se vocês aceitarem ir daqui a meia hora, eu pago a última rodada de cerveja.

Todos eles exclamaram em afirmação, e em poucos minutos a mesa estava cheia novamente.

- Ok, tu sabe que vai passar uma hora aqui do mesmo jeito né? – disse o André.

- Ahn? – deixei escapar essa declaração de incredulidade.

- Ah, velho. Deixa de chatice. Daqui a uma hora nós vamos.

- Mas vocês disseram que concordavam com o que eu propus.

- Não, nós apenas exclamamos. – complementou Oliver.

- OK. Boa noite pra vocês. – falei ríspido ao me levantar e deixar dinheiro em cima da mesa para ajudar na conta.

- Deixa de coisa, Luck. Fica aqui. – pediu a Beatriz.

- Não dá. Vou pra casa. Valeu.

- Espera, Luck... – insistiu Nicholas fazendo menção de se levantar.

Não sei se o batia por dizer meu apelido, ou se o batia por ser tão cara de pau.

- Não. Fica ai. – falei incisivamente e logo saí do Carlitos.

Respirei fundo quando saí de lá, mas logo retomei a postura e comecei a caminhar na direção da minha casa. Ia levar um bom tempo, tendo em vista que ela ficava em outro bairro. Mas, sem problemas. Eu pegaria um táxi daqui a pouco. Só precisava caminhar um pouco e pensar.

Pensar em coisas do tipo “Porque eu tenho a impressão que sinto algo mais forte pelo Nicholas a cada merda que ele faz?”. Com exceção do dia da bebida, obviamente. Ali eu não senti nada. Eu me refiro ao fato de me beijar no campus da universidade, de soltar risos simpáticos na aula, e de fazer questão de estar no mesmo lugar que eu, sabendo que eu não queria vê-lo de forma alguma. Nem nu. Peraí. Isso eu posso repensar.

A verdade é que eu não sabia como lidar com um sentimento que havia nascido em quase um mesmo. Nascido e se intensificado, para falar a verdade. Eu tinha medo do que poderia acontecer comigo. Eu não aguentava me machucar mais. E, o pior, é que tudo que eu conhecia dele, se resumia a uma conversa que tivemos no dia do trote dele e às duas semanas que passamos colados antes da Gabriela ir embora. Ok, ok. Admito que dá pra ter uma boa noção de quem o Nicholas realmente é.

- Vem, entra. – escutei ele dizer, mas levei alguns segundos para perceber que não era minha mente, mas sim o dito cujo bem ao lado com a porta do carro aberta.

- Não.

- Vem.

- Já disse que não.

- Tem uns caras estranhos vindo ali na frente.

Olhei na direção em que ele apontou e realmente vi uns indivíduos meio suspeitos.

- Eita, merda. Ainda to pagando o celular. – resmunguei e logo entrei dentro do carro.

O Nicholas acelerou e logo estávamos em outra rua. Por um momento me senti mais seguro. Não sei como reagiria a um assalto.

- Está bem?

- Sim. – falei mais calmo.

- Então, quer dizer que está tudo bem?

- Claro. – falei já pensando tipo “...”. Tipo isso aí.

- É isso aê, porraaaaa! – gritou ele colocando a cabeça pra fora da janela.

- Quê que é isso, doido?! – perguntei puxando ele pela camisa.

- Tu me perdoou, velho.

- Oi?

- Tu disse que estava tudo bem.

- Sim, eu disse que estava tudo bem com relação ao quase assalto. O quase tudo bem significa que eu não me borrei todo.

- Ah. – disse ele por fim, mudando totalmente de expressão. – E agora? – perguntou ele depois de alguns segundos? Você pode me perdoar? – insistiu ele com um sorriso enorme de esperança e expectativa no rosto.

Sorriso do meu ódio. Argh!!!!

- Nicholas...

- Não, Luciano. Chega. Me escuta. – disse ele freando o carro no meio fio de uma rua qualquer.

- Não dá pra você parar em uma rua mais --

- Me escuta, caramba! – exclamou ele, que logo segurou no volante e respirou fundo algumas vezes. – Cara, eu não sei como, mas eu me acostumei a te ter como amigo. – falava ele sem olhar para mim. – De início eu queria ser teu amigo por causa da sua simpatia com todos. Tratava todo mundo da mesma forma, e sempre era divertido e engraçado em qualquer situação propícia. Nós nos tornamos amigos, mesmo eu tendo que driblar tua marra. E confesso que gostei do jeito que nos chegamos. Naquelas semanas que antecederam a sessão de filmes, eu me senti super bem estando contigo, saindo para nos divertirmos, contando coisas da minha vida em conversas que se estendiam durante horas e tudo mais. Mas, eu confesso que fui um idiota quando a Gabriela foi embora. Eu não minto quando digo que não sei o que houve comigo. Eu gostava dela, e era só. Acho que foi mais pelo choque de saber que havia ficado sozinho de uma hora para outra. Eu estava pirando, e acho que foi quando despejei tudo em cima de você. Você disse que tudo que saiu da minha boca estava no meu subconsciente, mas até onde sei, nem nós sabemos o que há lá. Eu posso ter percebido algum olhar seu, mas isso não significa que eu entendi o que ele queria dizer. Não sabia o sentimento que estava envolvido ali. Hoje quando conversamos, eu não planejava de dar o beijo. Juro. Mas, também confesso que depois dele, eu realmente pensei que você me perdoaria. Eu nunca fiquei com homens na vida, e nunca cogitei beijar algum. Porém, depois que cheguei em casa, fiquei remoendo aquilo e percebi que não foi ruim.

- Vai se lascar.

- Não que você não beije bem. – ele se apressou em dizer segurando meu braço com medo de que eu saísse do carro. – O que eu estou querendo dizer é que quero repetir.

- Então, você quer ficar comigo? – eu já ouvia pássaros cantando.

- Não é isso. – um caçador matou todos os pássaros. – Caramba, é complicado. Eu gosto pra caramba de ser seu amigo. Você pode me odiar, mas ainda vou tê-lo como o amigo mais importante na minha vida. Mas, por outro lado, eu gostei do que rolou hoje, mas eu gosto de mulher mesmo. Ainda sinto falta de algumas coisas com a Gabriela, que eu sei que você não entende.

- Entendo sim. Eu já estudei a estrutura muscular de uma vagina no ensino médio. – falei já com raiva.

- Deixa disso. – riu o infeliz. – Eu quero provar coisas novas. Somente. Sem compromisso. E porque não fazer isso com o melhor amigo que eu tenho? Uma coisa de camaradas. Sei que posso confiar em você. Além do mais, ambos vamos sair ganhando. Você vai me curtir, e eu vou estar experimentando as tais coisas novas.

- Fala logo a merda que tu tá pensando.


Notas Finais


Ai ai sabia que aquele beijo era falso... E nossa como se o Luck não soubesse o que o Nicholas esta pensando, o que vcs responderiam se fossem o Luck?


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