História Um Mergulho na Subjetividade - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Sherlock
Tags Assassinato, Mistério, Sobrenatural
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Palavras 5.341
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Super Power, Terror e Horror, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Dedicado à Ana Ester Calliero, uma amiga brilhante e criativa, e minha inspiração também.

Capítulo 5 - Ato V - Ameaça Patogênica!


- Wow, sério? – Makoto estava sorridente, sentada à mesa circular de madeira, na cozinha. Tinha em mãos uma xícara de café quente, hora ou outra levando à boca e bebendo um gole. O detetive, sentado na outra cadeira, esboçava aquele seu sorriso de sempre, mas seu tom de voz era mais animado, olhando para o rosto da garota.

- Sim, eu sei! Naquele dia me chamaram de louco, porque eu disse que um aparente suicídio era um homicídio! – Soltou uma risada baixa, bebendo um gole de café. Podia até soar engraçado agora, mas na hora que aquilo aconteceu não foi tanto assim. Estava sem a camisa que a garota havia lhe dado, mas era apenas isso que faltava, já estava com os sapatos e a calça, exibindo seu tórax ligeiramente musculoso, e deixando a mostra a mordida de antes, que Makoto olhava constantemente com um pouco de preocupação. Ela evitava olhar para os músculos de Alex, para seu peitoral nu.

- E qual é o desenlace? – A garota perguntou desviando o olhar por um segundo para a xícara de café, mas logo voltando para o rosto do detetive, mais especificamente seus olhos. Estava já toda vestida, com sua calça militar camuflada e sua blusa branca, e através desta podia ser visto o sutiã. Ele repousou a xícara sobre a mesa, inclinando-se um pouco para frente, como se chamasse a atenção de Makoto.

- O assassino era um manipulador de mentes, fazia suas vítimas cometerem suicídio. – Makoto soltou a xícara também, inclinando-se assim como Alex o fazia.

- E como descobriu isso, Sherlock? – Perguntou. Aquilo havia soado inconscientemente carinhoso e baixo, falando a última palavra em um tom ligeiramente sedutor.

- Os dados não batiam. Os suicidas não tinham motivo algum para se matarem. – Disse baixo também, correspondendo ao tom da garota. Logo encostou-se novamente na cadeira, bebendo o restante do café, e então se levantando, indo para a pia, ligando a torneira e lavando o copo. Novamente, Makoto prestou atenção naquelas cicatrizes em suas costas, relembrando a si mesma sobre a história que o rapaz havia lhe contado. Mas o que era estranho, pelo menos para a garota, era que as cicatrizes não tinham volume, mesmo que, para o detetive, fossem até sensíveis. Talvez por causa de Judas, mas afastou aquele pensamento com um gesto, terminando de beber o café.

- Vou voltar para meu apartamento, trocar de roupa para mais um dia de trabalho. Quer vir comigo? – Não havia nenhum tom malicioso em sua voz, mas não se podia dizer o mesmo de sua mente.

- Oh, claro. Gostaria de conhecer seu apartamento, onde vive. – Ela, também, tentou não soar maliciosa, com sucesso. Se levantou, colocando a xícara na pia e abraçando Alex por trás, encostando sua testa nas costas dele.

- Sabe que não tem necessidade de lavar, né? – Sussurrou. O detetive balançou negativamente a cabeça, pegando a xícara de Makoto também, e a lavando.

- Eu faço mesmo assim. – Seu tom de voz era carinhoso, abrindo um sorriso com o abraço. – Vamos ter que manter o que aconteceu entre a gente. O departamento preserva o profissionalismo, e se souberem daquilo... – Não conseguiu terminar a frase, colocando as xícaras ao lado, viradas para baixo. Enxugou sua mão em um pano, logo após tocando as de Makoto, que permaneceu em silêncio até aquele momento, pensativa.

- Será nosso segredo. – Sua voz soou um pouco infantil. Ainda preservava alguns traços de quando tinha doze anos, por acontecimentos que preferia não recordar. Alex afastou as mãos da garota, para se virar, abraçando seu corpo, na altura de sua cintura, e Makoto correspondeu, envolvendo seus braços ao redor da nuca do detetive. Agora que o rapaz notou melhor, a garota tinha uma estatura um pouco menor do que ele.

- Vamos indo, logo teremos que estar no departamento. – Makoto ergueu sua cabeça para o detetive, fechando os olhos, fazendo um leve biquinho, como se quisesse beijo. Alex aproximou-se imediatamente, encostando seus lábios nos da garota, beijando-a suavemente, coisa de poucos segundos. Após o beijo, Makoto sorriu e soltou a nuca do detetive, e este fez o mesmo, deslizando suas mãos para a cintura da garota, e então afastando-as.

- Tudo bem. – A garota sorriu para Alex, um sorriso grande, animado. Se virou, girando em seus calcanhares, e foi andando em direção ao seu quarto, deixando a porta entreaberta. O rapaz ficou observando ela se afastar, o seu rebolado, com um sorriso bobo no rosto. Logo voltou à realidade, indo em direção ao sofá, olhando para o chão, onde sua camisa estava, e logo para ele, abrindo novamente aquele sorriso bobo, recordando os acontecimentos de alguns minutos atrás. Se sentou nele, estendendo seu braço para pega a sua camisa, vestindo-a, e abotoando rapidamente. Levou sua mão esquerda para o sofá logo após, deslizando sua mão ali, como se acariciasse. Devia parar de pensar naquelas coisas, e se concentrar no que tinha que fazer: resolver o caso de Jason. Provavelmente a análise do corpo de Gabriel já foi enviada para as Forças Estranhas, sentia que estava muito perto de solucionar o caso. Escutou os passos de Makoto, se levantando logo após, olhando para o corredor. Naquele momento, escutou um estrondo do lado de fora, uma batida de carro, e logo após uma explosão. A garota virou rapidamente sua cabeça em direção à porta, começando a correr em direção a ela, pegando o molho de chaves no armário ao lado, destrancando a porta e abrindo-a. O detetive veio logo atrás, observando por cima da cabeça e ombros de Makoto. Havia chamas, altas e com um imenso calor; no exato momento, o rapaz soube que eram sobrenaturais. Elas pareciam se aproximar da frente dos carros, como se gasolina fosse derramada, e as chamas usavam-na como combustível.

A garota agiu imediatamente, correndo com uma velocidade sobrenatural, saltando o portão, colocando as mãos sobre ele e jogando seu corpo para frente, de lado. Não era muito alto, tinha cerca de um metros de altura, mas a garota alcançou o topo com somente um pulo. Alex veio logo atrás, saltando também, mas escalando pelas grandes horizontais, saltando para o lado de fora logo após. Este olhou para os lados, a procura do responsável por aquilo, e avistou um homem encapuzado, com seu corpo inteiro coberto por um sobretudo, observando à distância, atrás de uma cerca branca de madeira, com um metro de altura. Daquele ângulo, o detetive só conseguiu ver seus olhos vermelhos e brilhantes. Imediatamente iniciou uma corrida em sua direção, e a reação do homem foi caminhar rapidamente para a porta de madeira, empurrando-a com força usando apenas uma das mãos, quebrando a fechadura. Este teve tempo de observar Makoto saltando para cima dos carros, arrancando o teto dos dois, e agarrando um casal e uma criança de um deles, e um homem bêbado do outro, provavelmente já morto. Alex saltou aquela cerca de madeira, colocando as mãos sobre as setas de madeira para cima, jogando seu corpo para o lado oposto, e imediatamente voltando a correr. Quando entrou naquela casa, se deparou com um corredor com várias portas, e uma delas estava aberta. Foi em direção a esta, se apoiando na parede ao lado e esgueirando sua cabeça devagar para dentro, lançando um olhar analítico para aquele quarto simples, com uma cama, armário e um espelho. Nada além de uma janela aberta, com as cortinas esvoaçando. O detetive se aproximou e olhou através dela, tendo a visão da cerca branca. Olhou para os lados, checando se tem algumas marcas no gramado ou qualquer outra coisa. Nada. O suspeito fugiu.

Voltando para onde Makoto estava, observou ela chamando os bombeiros, para resgatar aquelas pessoas e apagar aquele fogo, que havia abaixado, se tornado mais fraco, mas ainda persistindo, engolindo os carros. Desligou a chamada, fechando o celular e o guardando no bolso.

- Eu preciso avisar meus colegas de trabalho. As chamas, aquele encapuzado... Tenho quase certeza que está envolvido com os assassinatos. Ele estava nos observando agir, coletando dados. – Olhou com certa seriedade para a garota, agora notando as roupas que ela usava. Uma jeans azul-escura, uma blusa preta, com a estampa do 'Linkin Park' na frente, e uma blusa de frio marrom-escura e aberta, além das botas que sempre usava. Ela olhou para Alex, demonstrando certo desânimo. Havia trazido aquelas pessoas para a calçada. O bêbado já estava, de fato, morto, o casal ainda estava inconsciente, a criança com ferimentos leves e consciente, mas chorando perto dos pais inconscientes, não de uma forma escandalosa, somente soluços eram escutados vindo da criança, que estava com as mãos no rosto.

- Chamei os bombeiros, estão a caminho. Os pais bateram a cabeça, mas não estão mortos nem sangrando. – Disse a garota. Olhou para a criança com um olhar de tristeza. Se lembrava de como chorou durante o experimento com o Vírus V, como foi doloroso. Aqueles braços... Interrompeu os pensamentos ali mesmo, se aproximando da criança. Se abaixou, tocando-lhe os ombros com ambas as mãos.

- Tudo vai ficar bem. Tem pessoas boas a caminho, para ajudar. – Disse de uma maneira carinhosa, demonstrando empatia. Alex observava aquilo, abrindo a boca para falar, mas hesitando. Respirou fundo, reformulou a frase.

- Eu tenho que comunicar o departamento... Vou trocar de roupa, a não ser que precise de ajuda com essas pessoas. – Observou o casal estirado no chão, com certo receio de sair do local, deixar a garota sozinha. Makoto virou sua cabeça para Alex, esboçando um fraco sorriso.

- Tenho tudo sob controle, pode ir. – Demonstrou firmeza no que dizia, e o detetive imediatamente tomou como verdade. Acenou positivamente com a cabeça, e se dirigiu ao seu carro.

Trinta Minutos Depois

Havia se trocado até bem rápido, e já estava a caminho da casa de Makoto, com seu carro. Dobrou a esquina, e percebeu as faixas da polícia, e alguns peritos analisando os carros queimados e destruídos, amassados. Ele estacionou o carro perto da esquina, desligando-o e logo após saindo, fechando a porta e a trancando. O detetive então passou pelas faixas da polícia, ignorando os peritos, como se quisesse evitar conversa com eles, e de fato queria. Abriu o portão da frente da casa da garota, olhando os arredores antes de fecha-lo novamente, e então batendo na porta da garota, quatro batidas. Makoto imediatamente atendeu, abrindo um leve e fraco sorriso para Alex.

- Ah, ei. Entre. – A garota liberou espaço para que o detetive entre. Ele sorriu de volta para Makoto, aquele mesmo sorriso, e andou para dentro de sua casa, de uma forma apressada. Olhou os arredores; nada havia mudado. Por que havia feito isso? Bem, por força de hábito, e paranoia talvez, por conviver bastante com coisas bizarras, sobrenaturais. Ele se virou rapidamente para Makoto, que trancava a porta novamente, e colocava o molho de chaves ao lado, no armário.

- Eu liguei para o departamento, disse o que vi. Tive que inventar algumas mentiras, sobre o motivo de estar aqui naquela hora e coisas do tipo. E, bem, veja o que está acontecendo. – Rapidamente foi em direção ao sofá, ligando a televisão manualmente, e mudando os canais manualmente também, até parar nas notícias locais. Relatava sobre vários acidentes de carro, explosões ígneas e destruição. Makoto olhava para aquilo, demonstrando muita preocupação, se aproximando e se sentando no sofá para ver melhor.

- Ele está fazendo o caos pela cidade. Por que? E ainda tão cedo... – Parou de falar, prestando atenção nas notícias. Se inclinou um pouco para frente, apoiando os antebraços nas pernas. Alex estava estranhamente calmo com aquilo, Makoto sabia o porquê.

- O corpo de Gabriel foi morto antes do assassinato de Jason, o que complica ainda mais a situação. – Disse Alex, encarando a garota, e então começando a andar devagar de um lado para o outro. Continuou. - Temos que descobrir o que o suspeito planeja, e estamos sem tempo. – Makoto prestou bastante atenção no detetive, enquanto ele falava, e então propôs uma solução para a questão de Gabriel.

- Bem, ele pode ter se transformado na pessoa que ele matou, pode ser um Metamorfo. – Observou Alex pensativo, e quando ela terminou de falar, o detetive imediatamente virou sua cabeça na direção dela.

- Sim, eu já pensei nisso. Mas por que se dar todo esse trabalho para somente assassinar Jason? –

- Talvez ele quisesse levar Jason para um lugar seguro sem levantar suspeitas, e fazer... O que quer que seja. – O detetive se aproximou da garota, olhando para ela pensativo, mas ela estava lhe fazendo pensar melhor, pois apesar de parecer bem calmo, estava nervoso com a quantidade de vítimas que aqueles acidentes poderiam fazer.

- Mas no meio do caminho foi interrompido pela fera faminta, que matou Jason antes que ele pudesse fazer algo a mais com a vítima. – Makoto gesticulou para Alex, como quem quisesse acrescentar algo.

- O assassino incinerou a fera, e bebeu o sangue de Jason. Por que ele tentaria fazer algo com a vítima, para começo de conversa? – Mordeu o lábio, pensativa. Ambos ficaram em silêncio por alguns segundos, até Alex quebra-lo.

- Ir tão longe por causa de Jason... Talvez ele seja, de alguma forma, especial. Vampiros buscam garotas virgens para beber seu sangue, mas a intenção do assassino não era beber o sangue. Bebe-lo de pessoas do mesmo sexo é algo raro entre esse tipo de criatura. –

Makoto desviou seu olhar para baixo, escutando atentamente ao que ele tinha a dizer. Aquilo era verdade, e tomou a si mesma como exemplo, mesmo que seja uma espécie de “vampira artificial”.

- Talvez um sacrifício? Isso é algo comum entre seres sombrios. – Disse, levantando o olhar novamente para o detetive, que olhou diretamente para seus olhos. Eles brilhavam com um semblante de quem havia chegado a uma conclusão.

- Faz sentido, Makoto! Mas para quê? Por que não usar o corpo de Jason já morto para isso? A alma dele ainda devia estar no corpo. Mas ele bebeu o sangue de Jason, por qual motivo, se iria usa-lo para sacrifício? – Ambos entraram novamente em um período de silêncio, se encarando. Podia notar o ar pensativo de Makoto, que interrompeu o silêncio dessa vez.

- O sangue é repleto de energia vital, algumas criaturas utilizam isso para identificar o karma de uma pessoa, o reflexo de sua alma. Talvez ele tenha se enganado quanto a Jason, quanto à sua alma. – Novamente o brilho surgiu nos olhos de Alex, ele se aproximou da garota, se agachou, segurando seus ombros, a encarando.

- Você é incrível! – Se aproximou rapidamente e beijou a boca da garota, algo bem rápido, não dando tempo para a garota corresponder. Foi uma surpresa para ela, mas ela abriu um sorriso logo após, lisonjeada com o elogio.

- Obrigada. – Disse. – Mas por quê? Chegou a alguma conclusão sobre o assassino? – Alex se levantou, gesticulando para a garota, como quem descobriu algo.

- Eu sei porque ele está causando tantos estragos. Ele ainda não achou quem procura. Pretende atacar alguém importante, e vai fazer isso quando a polícia estiver ocupada demais com outros casos, como está acontecendo agora. Como você disse, ele é um Metamorfo, pode facilmente se disfarçar de outras pessoas, se infiltrar. Alguém importante corre sérios riscos, mas quem poderia ser? – Alex estava agitado, andava ainda mais rapidamente de um lado para o outro. Makoto imediatamente interrompeu.

- Você mencionou a polícia. Todos os agentes estariam em campo agora, sobraria poucas pessoas no departamento, certo? – A expressão pensativa do detetive mudou para uma aterrorizada, assustada. Ele olhou para Makoto, segurando-a pelo antebraço esquerdo, e a puxando para que se levante, que foi o que a garota fez, de uma forma bem desajeitada.

- Temos que ir para a sede, agora. Mary Irving, ela... – Não terminou a frase, apenas começou a puxar a garota em direção à porta. Ela estava confusa, mas acompanhou o rapaz.

- A garota que lhe visitou enquanto estava inconsciente no hospital? – Ela pensou um pouco, e se lembrou de quem ela era, logo chegando à conclusão de que Alex estava certo.

- A capitã da divisão? Puta merda... Faz sentindo. – Ficou com uma expressão muito séria, enquanto se apressava na frente, destrancando a porta para o detetive, que soltou seu antebraço.

Enquanto isso...

Um policial adentrava no departamento, de uma forma bastante natural, com seu uniforme da divisão e tudo, se passando por um detetive, mais precisamente Alex, um dos melhores da divisão. Não levantou suspeitas, olhou para a mulher na recepção, e acenou com a cabeça, seguindo reto para o elevador. O lugar estava bastante vazio, mesmo que ainda tivesse algumas pessoas andando depressa, agitadas, de um lado para o outro, e uma delas entrou no elevador junto com o policial, segurando um bocado de papéis com as duas mãos. Ele olhou para o policial, erguendo uma das sobrancelhas, notando seus olhos verdes, um tanto estranhos, algo que nunca havia percebido antes, mesmo que Alex não tentasse oculta-los. Por que será? Não lhe pareceu tão menos familiar, no entanto. Ignorou aquela sensação, já que sabia que, de fato, aquele era Alex. Ou talvez não.

- Segundo andar, por favor. – Sua voz era grossa, era um agente de idade um pouco mais avançada entre os agentes, mesmo que desempenhasse muito bem suas funções. Vestia o uniforme da divisão, com um terno sobre a camisa branca e a gravata. Alex fez que sim com a cabeça, e apertou o botão do segundo andar. Assim que a porta se fechou, ele bateu com a mão esquerda no peito do homem, que foi surpreendido, mas instantaneamente incinerado por uma chama que surgiu de dentro para fora no corpo do rapaz, com uma intensidade muito alta, por estar concentrada no corpo do homem. Ele não gritou, não gemeu, não emitiu som algum, mas nenhum resíduo havia sobrado daquele homem, nem mesmo cinzas e fumaça. É como se ele tivesse sido simplesmente apagado da existência. “Alex” ajeitou sua gravata melhor no sobretudo, abrindo um sorriso psicótico, que durou somente um segundo, e então a porta do elevador se abriu.

E de volta à dupla...

O carro de Alex dobrava a esquina, derrapando e emitindo um som bem alto por conta daquilo. Logo o carro se estabilizou, voltando a estar em alta velocidade. O detetive invadia a contramão, desviando de carros, mas parecia dirigir com tamanha perfeição de como quem previa a localização dos veículos, mais uma das estranhas habilidades do rapaz. Ele estava extremamente concentrado na direção, e parecia bastante pensativo. Ambos Makoto e Alex estavam usando cinto de segurança, mesmo que a garota parecia muito preocupada com o jeito irresponsável que ele dirigia, temendo que algum acidente ocorra no meio do caminho.

- Alex, eu sei que está com pressa, mas vá mais devagar! –

- Não temos tempo, Makoto! É uma emergência, e eu sou um policial, tudo vai estar resolvido no final. – O rapaz estendeu sua mão direita para um rádio que estava apoiado num espaço dentro do carro. Apesar de ser um veículo do cotidiano, possuía alguns elementos da polícia, como aquele rádio. Pegou o comunicador, ligado ao aparelho por um fio preto enrolado, levando até perto da boca, apertando um botão na lateral para emitir sua voz.

- Aqui é o detetive Esposito, da Quarta Divisão. Todas as unidades disponíveis voltem para a sede. Repetindo: Unidades disponíveis voltem para a sede. Mary corre sério perigo. – Soltou o botão, colocando novamente no suporte para o comunicador ao lado do rádio, sem tirar os olhos da direção. Makoto permaneceu em silêncio, constantemente encarando a rua, e as ultrapassagens perigosas de Alex.

E de volta ao assassino...

“Alex” saía do elevador, e a passos rápidos foi andando por aquela sala cheia de computadores, e alguns funcionários andando de um lado para o outro, vários deles falando no telefone. Ele esbarrava propositalmente em vários deles, mesmo que pedisse desculpas logo após, indo em direção às sala da capitã, dando quatro batidas na porta.

Mary estava concentrada em alguns papéis em sua mesa, lendo rapidamente e assinando cada um deles com uma caneta preta, até ser interrompida pelas batidas inesperadas na porta. Olhou através da janela, percebendo que era Alex, abrindo um leve sorriso com a presença dele.

- Entre! – Pronunciou a mulher, olhando em direção à porta. O assassino entrou, olhou bem para o corpo da mulher, o que vestia e a forma que agia. Seus cabelos eram longos, estavam soltos, indo até quase metade de suas costas, seus olhos eram castanho-escuros, da mesma cor que os cabelos, demonstrando certa felicidade em ver o rapaz. Eram amigos desde muito tempo. Vestia uma blusa azul, por baixo de um sobretudo preto um pouco amarrotado, o que deixava evidente a falta de tempo que tinha para cuidar daquilo. Calças pretas e uma bota preta feminina, demonstrando bastante estilo. Aparentava estar na casa dos vinte e cinco anos, tão jovem e já capitã daquela divisão, pois assim como Alex era uma prodígio.

- Descobriu algo sobre o nosso assassino? – Ele sorriu, encarando diretamente os olhos da mulher, que começou a se sentir tonta, sentir enjoo, e sua consciência se esvaindo rapidamente. Estava tendo, também, algumas alucinações, e percebeu naquele momento que não era Alex, e sim um invasor.

- Bem na sua frente. – Disse o invasor, com a voz igual a do detetive. Mary caiu debruçada sobre a mesa, inconsciente, e o rapaz revelou sua verdadeira forma, estralando os dedos logo após. Todas as outras pessoas do lado de fora começavam a tossir, a cair no chão, algumas até começando a sangrar. Havia liberado uma praga através do ar e através do toque, de forma que as pessoas do andar inferior começassem a apresentar os mesmo sintomas, ficando a agonizar no chão. O assassino se aproximou de Mary, passando delicadamente as mãos por seus cabelos, juntando a maioria em uma mecha que repousou do lado contrário, deixando seu pescoço a mostra. Ele se abaixou, perfurando suas presas afiadas na carne da mulher, mesmo que parecesse receoso quanto a aquilo, como quem tivesse um imenso carinho pela garota. Bebeu somente um pouco do sangue dela, passando a língua pelos dois furos, ingerindo as gotas que haviam escorrido, enquanto a garota nem sequer gemia de dor. Ele encostou sua testa na cabeça de Mary, abrindo um grande sorriso de felicidade, fechando os olhos marejados.

- É você... Minha amada Mary. – Acariciou devagar os cabelos da garota, mas logo se afastando, pegando uma pistola por dentre as roupas uniformizadas, destravando-a e apontando para ela.

- Logo estaremos juntos, querida. –

A dupla, novamente...

O detetive havia, por algum motivo, estacionado na esquina da rua anterior. A garota resolver não perguntar, simplesmente saindo do carro, abaixando o pino da porta e fechando-a rapidamente. Alex pegou uma pistola no porta-luvas, que sempre deixava ali para caso de emergência, e então do carro, trancando-a com a chave, e então iniciando uma caminhada rápida em direção ao departamento. Makoto o acompanhou na mesma velocidade, logo atrás, atenta aos seus arredores, por algum motivo. Parecia uma caçadora, silenciosa e analítica, como quem possuísse um instinto selvagem para situações de tensão.

Logo estavam na frente da sede, e Alex notou alguns copos caídos no chão através do vidro, alguns apresentando escurecimento na ponta dos dedos e extremidades do corpo, provavelmente já estavam mortos. Naquele momento, o peito de Alex se encheu de tristeza e preocupação com Mary, e ele percebeu a fragilidade do ser humano perante aquelas criaturas sobrenaturais. Será que algum dia os mortais conseguiriam ser superiores aos estranhos? Essa era uma pergunta da qual temia a resposta. Ele se virou rapidamente para Makoto, abaixando-se um pouco, e a olhando naqueles olhos aguçados e atentos.

- Olhe... Ali dentro é uma verdadeira área radioativa. Sabe-se lá quais e quantas doenças podem estar pelo ar, e eu não quero que corra o risco se pegar alguma delas. – A garota permanecia séria, mas no momento que ele terminou de falar, franziu a testa.

- Eu sou conta, Alex! E também é perigoso para você, eu não posso deixar que vá sozinho. – O detetive tocou nos ombros da garota, e abriu um leve sorriso para ela, fraco e melancólico.

- Lembre-se do meu segredo. Eu dou conta, não se preocupe. – Colocou a mão direita no pescoço da garota, se aproximando e a beijando suavemente, fechando os olhos, coisa de poucos segundos. A garota correspondeu, levando a mão à lateral do rosto do rapaz, de olhos fechados. Logo que os abriu, depois do beijo, viu ele se afastando, e então falou em um tom que ele escute, cruzando os braços.

- Eu estarei de olho! – Alex não respondeu, adentrando na construção. Se deparou com aquele cenário bizarro, com algumas pessoas agonizando no chão e outras já inconscientes, talvez mortas. A coloração da atmosfera ali dentro era mais amarelada, tornando a respiração difícil para o detetive, que mostrava-se perfeitamente funcional perante aquele ambiente hostil, não apresentando nenhum dos sintomas daqueles que estavam no chão. Ele manteve-se focado, mesmo que tenha sido difícil, subindo rapidamente as escadas para o segundo andar, preferindo ela aos elevadores, já que o assassino possa ter mexido na parte de locomoção e sustentação do elevador. Estava pensando em várias coisas ao mesmo tempo. Segurava sua pistola com as duas mãos, já desbloqueada, se deparando novamente com o mesmo cenário bizarro no segundo andar. Se perguntava quais eram as dimensões dos poderes do assassino, e principalmente sua identidade. Se aproximou da porta do escritório de Mary, chegando no impulso e chutando a porta com muita força, fazendo com que os suportes se rompam, e ela caia no chão, fazendo um estrondo bem grande. Apontou imediatamente sua pistola para o assassino.

- Parado! – Demandou. Ele observava bem o rosto do assassino. Aqueles olhos vermelhos, aquela expressão psicodélica, a pele pálida e a fisionomia esguia... Soube exatamente quem era, no exato momento.

- Francis Morris. – Falou o detetive, atento a aquele rapaz, apontando a arma para sua cabeça. Ele também estava armado, e usava Mary de refém, mesmo que estivesse totalmente à mostra para balas. O detetive se lembrou das habilidades do Revenant. Pirocinese, Ilusionismo, Teletransporte, Emissão de Doenças, Fisiologia Mórbida. Um tiro na cabeça não resolveria, tinha certeza disso, nem em qualquer outra parte do corpo. Era uma espécie de morto-vivo melhorado, não possuindo nenhuma das fraquezas humanas, o que complicava e muito a vida de Alex. Morris ergueu sua mão aberta, com a palma para cima, para o detetive, como quem o parabenizasse.

- Bravo, Sherlock! Uma pena não ter chegado mais cedo para a diversão! – Abaixou o braço, com aquele sorriso psicótico que nunca abandonava.

- Coloque a arma no chão, Francis, nada impede que eu lhe mate agora mesmo. – Falava de uma maneira muito séria, evitando olhar diretamente para os olhos do rapaz.

- Não, não, não... Você não vai conseguir. Essas coisinhas não conseguem nem me ferir. Agora, Alex, coloque a SUA arma no chão, ou eu mato Mary. – Soltou uma baixa risada psicodélica, forçando um pouco o cano da arma contra a cabeça da mulher. Alex pensou bem. Merda... Não estava equipado o suficiente para entrar em um combate direto com ele. Tentou falar mais algumas coisas, mas ver uma velha amiga naquele estado, nas mãos de um assassino cruel... Tomou a opção que julgou melhor no momento: relutantemente soltar a arma, e tentar conversar com Francis. E assim o fez, soltou a arma no chão, deixando as mãos à frente do corpo, na altura da cabeça, a mostra. Respirou fundo, tentando iniciar um diálogo com ele.

- Morris, você não precisa fazer isso, pens-- - O barulho do tiro interrompeu sua fala. Viu a bala atravessar o crânio de sua amiga de infância, criando aos poucos uma poça de sangue sobre a mesa. Não teve sequer tempo de sentir raiva, ou tristeza.

- Oh, desculpe Sherlock! O meu dedo escorregou! – Falou em um tom bem irônico, começando a rir descontroladamente, apontando a arma diretamente para a cabeça do detetive, ainda com aquele sorriso psicodélico no rosto.

- Agora é a sua vez... – Makoto surgiu rapidamente de uma sombra atrás do homem, e somente Alex podia ver isso, pelo menos na mente da garota. Tinha uma faca em mãos, bem afiada e ornamentada, como as ritualísticas. Ela colocou a faca sobre o pescoço de Francis, erguendo-a, fazendo um leve corte em seu pescoço, mas não o suficiente para mata-lo. A garota abriu um sorriso inocente, olhando para o detetive.

- Prefere que eu mate devagar ou rápido? – Estranhamente, Morris não reagiu, largou a arma no chão, soltando baixas risadas, mesmo sentindo a faca em seu pescoço, percebendo que ela realmente podia mata-lo, afinal estava imbuída com magia. Alex abaixou as mãos, e suspirou, saindo daquela sala.

- Faça como quiser. – Disse antes ao se retirar, percebendo a atmosfera daquele local melhorando, ficando mais natural, mesmo com aqueles corpos no chão. Do bolso de seu sobretudo, retirou uma caixa de cigarro, tirando um deles de dentro, levando à boca, segurando-o entre os lábios e acendendo com um isqueiro que puxou no mesmo lugar, tragando lentamente, para tentar se acalmar. Escutava aqueles gemidos de dor, mas ao mesmo tempo de prazer, levando o dedo indicador e o do meio para o cigarro, segurando-o entre eles é afastando da boca, para que possa falar.

- Ele está gostando disso, pelo amor dos deuses! – Falou meio alto, com a fumaça que ainda estava em seus pulmões saindo com cada palavra que saía de sua boca, não prestando atenção no que Makoto fazia com o homem, e nem sequer queria olhar para a cara dele. Levou o cigarro novamente à boca, tragando mais uma vez, abaixando a cabeça e fechando os olhos. Quando não escutou mais nada, percebeu Makoto saindo da sala, bastante ensanguentada, mas de cabeça baixa, como se estivesse triste por Alex, ou por ter feito aquilo. Queria abraça-lo, mas não queria o sujar com aquilo.

- Alex, eu... – Não conseguiu terminar, olhou novamente para dentro da sala, percebendo que o corpo de ambos começavam a pegar fogo, e então se jogou sobre Alex, entrando dentro de uma escuridão profunda que acabava de sair do chão, enquanto a sala irrompia em chamas atrás deles. Novamente a luz, e eles estavam perto do carro. Makoto se levantou rapidamente, já que tinha até nojo daquele sangue que estava sobre seu corpo, mesmo que não em quantidades massivas, apenas vários respingos. Alex se sentou na calçada, erguendo sua cabeça para a garota, suspirando mais uma vez.

- Eu não pude salva-la, Makoto. Ela estava por mim, no hospital, sempre esteve, e quando ela mais precisava, eu não... – Não estava chorando, estava somente bastante triste, e isso era visível em seus olhos, que já não apresentavam aquele brilho que emanava animação, que iluminava a alma de Makoto. Sentiu uma imensa tristeza também, vê-lo triste lhe deixava muito para baixo. Segurou seu antebraço, puxando-o para cima, ajudando-o a se levantar.

- Eu dirijo, Alex. Ela está em um lugar melhor agora, junto das outras pessoas boas. Como me disse antes... – Ela retirou as luvas que usava, que só agora foram notadas pelo detetive. Até entendia aquilo, não querer sujar suas mãos, mas não queria pensar nisso agora. As colocou no bolso da blusa de frio. Ela se aproximou de Alex, tocando-lhe suavemente o rosto e pescoço com suas mãos gélidas, mas que mesmo assim traziam conforto para o detetive.

- ... Esteja feliz pelas coisas que viveu, e não triste pelos trágicos acontecimentos. – Sorriu levemente, um sorriso forçado, com os olhos visivelmente marejados. Ao fundo, se escutava as sirenes da polícia, ficando cada vez mais próximas daquela construção onde aconteceu tudo aquilo. Alex levou uma das mãos à da garota, deslizando os dedos do pulso até as costas da mão, como uma forma de acariciar.

- Sim. Vamos para casa. – Forçou um sorriso, assim como a garota o fazia. Dessa vez, Makoto que havia sido quem compartilhou, como Alex, os fardos das tragédias, havia sido a guia do detetive através da escuridão, lhe salvado das torturas que sua própria mente lhe impunha.


Notas Finais


Lembre-se que nunca está sozinho, não importa o que aconteça. Sempre terá aquela pessoa que tanto lhe ama ao seu lado, seja amigo ou familiar, esposo ou esposa.


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