História Um natal mortal - Capítulo 22


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassinato, Crime, Mistério, Pistas, Romance Policial
Exibições 33
Palavras 1.659
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hoje é sexta-feira e diferentemente da passada, eu trago capítulo no dia (pelo menos isso pra me redimir). Hahahahaha
Bom, aqui teremos a continuação do anterior e Flyn vai responder algumas perguntas que Jones ainda tem para serem, como ele gosta de chamar, "esclarecidas".
Enfim, APROVEITEM! :D

Capítulo 22 - Amor nem tanto


 – Eu sei, eu sei – respondeu Flyn com certa simplicidade na voz. Jones identificou, em algum lugar naquele tom, uma súplica por não tirá-la dali. – É que eu vi a ambulância levar a pobre Sra. Deen.

– Deixe-me adivinhar – disse Jones, fitando-a com certa atenção –, foi a senhora quem chamou a tal Olivia, certo? A filha da Sra. Joyce.

Flyn não ficou nada surpresa com a sugestão. Pelo contrário, assentiu singelamente e restrucou:

– Quando eu vi Joyce naquele estado, ontem, imaginei que ela fosse passar mau durante a madrugada, porque ela já teve maus-bocados com esse vício. Então, quando fui dormir, liguei para Olivia e avisei-a.

– Você fez bem. – Jones se virou para a porta que tinha aberto e a fechou. Em seguida, se aproximou de Flyn e a tocou com delicadeza no braça, convidando-a a sair dali. – Vamos conversar ali fora, Sra. Flyn.

Ela o acompanhou sem protestos e os dois saíram da casa. Quando alcançaram a calçada, Jones perguntou:

– Pode me explicar o que quis dizer com aquilo?

– Aquilo o quê? – A testa de Flyn crispou ligeiramente.

– Sobre ser naquela sala-adega onde Arthur fazia “reuniãozinhas”. – Jones simbolizou as aspas com os dedos na altura da cabeça só porque não sabia ao certo se com “reuniãozinhas”, Flyn queria mesmo passar o sentido literal da palavra, levando em conta a cara de nojo que ela fez.

– Ah é isso. – Flyn revirou rapidamente os olhos e embora o tom fosse daqueles que geralmente acompanham um sorriso, ela se manteve séria. – Arthur trabalhava com seguros; contratos de seguradoras; empréstimos e até esses contratos vitalícios. Ele ganhava bem, dependendo da época do ano. Vez ou outra ele trazia os clientes ou os negociantes pra nossa casa e se trancava com eles naquela sala.

– Então o que você chama de “reuniãozinhas” era o trabalho dele, é isso? – Jones só perguntou porque realmente deixou de entender o porquê do tom de repúdio dela.

– Era. Eu não gostava porque Carmen ficava atormentada com muita gente dentro de casa, principalmente homens desconhecidos. Eles falavam alto, riam, bebiam e falavam mais alto; ela ficava estressada. – Flyn fez uma careta de raiva quando compeltou: – Arthur parecia fazer de propósito!

– Entranho, porque pareceu algo mais.

– Como assim?

– Não sei. Eu esperava que a senhora me dissesse. – Jones fez cara de quem pensa, olhou para cima e então para ela de novo. – Por exemplo, nas últimas semanas, com a perna quebrada, ele não vinha fazendo muitas “reuniãozinhas”, vinha?

– Vinha sim – disse Flyn. – Ele se trancava lá e passava horas no telefone. Algumas vezes eu o ouvi falar com Roger.

– O mesmo Roger que estava aqui ontem? – perguntou Jones por questão de esclaricimento apenas.

– Sim, esse Roger.

– Será que seria convidando ele para a noite de ontem? Ou teria algo mais? – Jones tinha que saber onde aquilo ia dar. Parecia um ponto atrativo para ver mais até que ponto a Sra. Parker sabia.

Nesse ponto, Flyn ficou visivelmente receiosa de falar. Baixou os olhos, depois tornou a olhá-lo, e só então respondeu hesitante:

– Eu acho que tinha algo mais. Ele e Roger estavam cheios de segredinhos nas últimas semanas, depois que Arthur sofreu aquele acidente com Carmen. – Mas Jones sabia que não foi acidente. Carmen com certeza tinha a intenção de matá-lo. – Eu tentei descobrir, mas Arthur sempre foi bom em esconder as coisas quando queria.

– Nem na noite de ontem, quando os dois estavam aqui, a senhora conseguiu saber nada? – Ele insistiu.

– Roger trouxe alguns papéis e eu o vi conversando e entregando a Arthur, mas sobre o que se trata, não, eu não sei – ela concluiu, e concluiu com tanta frieza na resposta quanto estava quando Jones a perguntara se ela sabia algo sobre a carta encontrada na cena. De fato, em relação a carta, ela poderia ou não saber, uma vez que o papel esteve com Arthur. Jones preferia acreditar que ela sabia e mentiu. E outra vez, agora mais do que nunca, ele percebeu que Flyn gostava de guardar as coisas para si.

– Tem certeza que não sabe de nada, Sra. Flyn? – Jones tentou por o máximo de sinceridade e súplica na voz.

Flyn Parker pensou um pouco até que crispou as sobrancelhas e retrucou com um pouco de dúvida:

– O que o senhor está achando, Sr. Jones?

Jones foi incisivo:

– Não sei. Se me lembro bem do seu relato, você nos disse que houve um momento em que ficou sozinha com Arthur, mas não nos disse o que houve entre vocês dois nesse espaço de tempo, nem o que conversaram. Se me permite uma opinião, eu acho que não foi lá uma conversa muito amistosa. – Jones parou e esperou uma reação dela. E veio. As sobrancelhas que estavam crispadas desceram. – Estou certo?

– O senhor está certo – ela assumiu com um suspiro, e antes de prosseguir, assumiu a mesma cara de nojo com que falara “reuniãozinhas”. Jones agradeceu intimamente e escutou. – Eu quis saber sobre os papéis e Arthur me negou. E me chateei e o deixei sozinho na sala, porque Arthur adorava ter domínio sobre os outros. Pouco depois, começou a gritaria.

Jones sabia que tinha algo mais; que possivelmente mais coisas foram ditas entre os dois; e que a ida dela com raiva para a cozinha não foi apenas para não olhar para a cara de Arthur; Flyn tinha feito algo mais que apenas olhar o peru; mas aceitou que naquele momento era tudo que conseguiria de Flyn Parker. Ele olhou bem nos olhos dela – olhos que agora pareciam olhar para dentro de si, assistindo o conflito de ideias e problemas pessoais dela mesma, daquele jeito que Flyn fazia muito bem e inconscientemente.

Aquele era o momento perfeito para perguntar:

– Sra. Flyn – ele baixou levemente o tom de voz e tentou não desviar a atenção dela –, eu gostaria muito que a senhora fosse sincera comigo agora. A Sra. e Arthur Parker se amavam de verdade?

– Por que...

Ele não deixou que ela completasse:

– Me parece que a senhora guarda mais sentimentos do que demonstra, só isso – disse. – Queria muito saber se entre você e Arthur eles eram verdadeiros.

Dessa vez, nem bem Jones fechara a boca ela respondeu, firmemente:

– Arthur era obcecado por mim.

Jones notou sua voz tremendo, então cerrou a boca e tentou de novo:

– Acho que a senhora não entendeu minha pergunta. Não estou falando de obsessão. Eu perguntei amor. Existia AMOR entre vocês?

– Da parte de Arthur, sim. – Flyn foi seca e concisa. – Da minha, nem tanto.

Jones ficou supreso; foi inevitável. Ele esperava uma mentira, que fosse; ou até um rodeio de argumentações antes de ir direto ao ponto. Mas sem dúvidas Flyn era uma mulher imprevisível.

– Então porque se casou com ele quando Edgar sumiu? – Jones foi rápido em retrucar.

Outra vez ela foi curta.

– Eu já disse: Arthur era obcecado por mim, mesmo eu sendo a mulher do primo dele.

– Não me parece uma resposta para minha pergnta. Mas então quer dizer que vocês se casaram porque...

– É – ela o interrompeu. – Eu precisava de alguém para me ajudar a criar os meus filhos.

Jones pensou consigo mesmo por um tempo, ponderando além da afirmação dela, porque aquilo não era o que ele ia dizer se ela não o tivesse interrompido. Mas comentou em seguida:

– Parece que Edgar ter sumido de repente foi uma ótima oportunidade para Arthur, naquela época, já que ele a desejava tanto assim.

– Arthur e Edgar sempre tiveram as disputas deles. Primos que se amavam, mas se divergiam. Não era segredo entre eles dois que Arthur sempre se sentiu atraido por mim, desde muito antes de eu e Edgar nos casarmos. Edgar vivia me falando isso, mas repetia que confiava no primo e que ele já havia prometido muitas vezes não tentar nada.

– … até Edgar sumir e ele ter a oportunidade perfeita sem que o primo visse – Jones completou para si, sem perceber que o fazia em voz alta.

– É. Mais ou menos isso – Flyn confirmou. Ela olhou por sobre os ombros para a casa do Sr. Bart, no típico modo de encerrar uma conversa: olhe para os lados e depois seja amigável. – Eu preciso ir, Sr. Jones. Preciso ficar com John; ele é muito estressado e fica remoendo as coisas. Eu só precisava dizer para o senhor sobre Joyce.

– Tudo bem, Sra. Flyn. Pode ir. Obrigado pelas informações.

Flyn se foi. Jones sacou do bolso o celular, enquanto se dirigia para próximo de onde Floop estava amarrado, e ligou para Will. A chamada não tocou muito para ser atendida.

– Alô! Rick?

– Sou eu sim, Will.

– Eu sei, amigão – ele foi logo falando como se já soubesse o que Jones diria. – Desculpa. Eu acabei te deixando ai sozinho, mas o Cooper já tá voltando.

– Não, Will, não é isso que eu quero falar.

– Ah não?

– Não. Eu acabei de conversar com Flyn e eu preciso que você me repasse o endereço de Roger. Vocês pegaram, não pegaram?

– Pegamos, mas o que você tem pra falar com...

– Ele não deixou de ser suspeito ainda, Will. Estava na noite passada.

– Sim, mas pegamos Edgar e...

– Não seja bobo, Will – Jones o repreendeu. – Apenas saber que Edgar enviou aquela carta não resolve o caso. Esqueceu que, desde o começo da investigação, supomos que fosse mais de uma pessoa: uma de dentro e outra de fora.

– Sim, então com Edgar já temos a de fora.

– De qualquer forma, você sabe que eu gosto de falar com todos antes de tirar minhas conclusões. O endereço de Roger, por favor.

Houve cinco ou mais minutos onde Will mexeu em alguns papéis do outro lado da linha até que sua voz soou de novo repassando o enredeço:

– Ele mora num AP na St John St, em Farrington, perto da Smithfield Market... – e repassou o número.

– Obrigado, Will – agradeceu Jones. Guardou o celular no bolso e tratou de desamarrar a coleira do cachorro, pois o caminho até Farrington seria longo – e ele pretendia passar em casa para deixar Floop para evitar problemas.


Notas Finais


Flyn outra vez foi de muita serventia, ao que parece. Como eu venho dizendo, as coisas estão se aproximando do final, e pelo visto, só falta Roger, a quem ainda não ouvimos o relato. Depois, é torcer para que Jones consiga juntar seja lá o que estiver na cabeça dele.

Espero que vocês tenham gostado do capítulo. Me contem!
Até o próximo! :D


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