História Um natal mortal - Capítulo 27


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassinato, Crime, Mistério, Pistas, Romance Policial
Exibições 15
Palavras 2.039
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sem atraso dessa vez, aqui estou eu. Bem sei que esse momento de revelações é delicado e que vocês querem saber de tudo (afinal, esperaram até aqui).
Enfim, aqui Jones já fala uma parcela da verdade, porque como vocês sabem, ele é detalhista.

APROVEITEM! :D

Capítulo 27 - Parker reunidos


 – … eu não posso deixar de assumir que isso foi um ato de extrema rebeldia e inconsequência, e não poderá se repetir de maneira nenhuma. Caso contrário, terei que tomar medidas um tanto desconfortáveis – concluiu Will depois de um longo discurso.

– Não fale assim com ela! – repreendeu Flyn Parker quase no mesmo instante, com as mãos entrelaçadas nos ombros da filha. – Não vê que ela ainda está mau?

Agora eles estavam na sala-adega que somente a poucas horas Jones tinha tomado conhecimento de para quê era usada. Já estavam em casa. Flyn e Edgar estavam sentados no sofás, com Carmen no meio deles. Ela estava encolhida e enrolada numa toalha de pano grosso, toda molhada.

– Eu entendo – prosseguiu Will –, mas que fique claro o que quis dizer. Por sorte não aconteceu algo pior. Na verdade, foi graças aos salva-vidas que estavam posicionados lá em baixo; bendita hora que resolvi chamar o bote a motor. Sua filha podia ter tido fraturas, afinal, é uma queda alta para uma menina da estatura dela.

Flyn ainda preferia que ele se calasse, mas isso por causa da filha, que ouvia tudo e de certa forma ainda estava perturbada com tudo: o susto da queda a fez ficar em silêncio de lá até em casa. No fundo, Flyn entendia muito bem o que Will queria dizer com tudo aquilo, por isso ela o encarou com certa inexpressividade nos olhos e lentamente tornou a admirar e acalentar a filha, acariciando-lhe os cabelos.

Pela terceira vez desde que tinham chegado, houve um silêncio na sala. Era palpável e um pouco desconfortável. Quando Carmen caiu, diante do desespero de ver os pais sendo separados dela novamente, o que se seguiu foi basicamente uma correria desesperada, berros de pânico e lamentações impensadas achando que o pior tinha acontecido. Mas eles resgataram ela da água (porque os salva-vidas pareciam já esperar aquilo) entre o desesperado choro de Flyn e os gritos roucos de Edgar; e depois de checarem tudo, Jones sugeriu que Will os deixasse soltos (“Eu posso garantir que eles não são um perigo, você vai ver” – Jones fez questão de afirmar com convicção) e trouxesse todos para onde tudo começou. Era melhor.

E assim foi feito.

Agora, diante do silêncio, Jones achou melhor tomar a frente:

– Bom... é... eu sinto muito ter que interromper isso aqui, mas nós precisamos conversar sobre a real razão de tudo isso.

Todos o encaram com indiferença, como se o que ele quisse falar fosse algo questionável e nem um pouco necessário. Algo adiável. Nesse instante, John entrou na sala, e de mãos dadas a ele, Linda Davy Salt. Jones também pedira que o rapaz a chamasse porque queria tudo às claras. Os dois sentaram em silêncio em pufs perto da janela, mas antes disso, John passou por Carmen e a beijou na testa (ele já a tinha visto desde que voltaram da City).

– Ótimo, já que estão todos aqui, posso esclarecer tudo de uma vez – ele olhou para cada um dos rostos. – Primeiro, sinto muito, Sr. e Sra. Parker, mas gostaria de repetir que a confissão de vocês não é suficiente para inocentar Carmen de nada.

– Mas o que queremos que entenda – disse Edgar, num tom passífico –, é que se Carmen fez alguma coisa, não foi planejado... ele é especial... eu e Flyn sim planejamos.

Jones assentiu, mas não concordou de fato:

– E o que eu quero que vocês entendam, é que a lei, e a justiça, trabalham com fatos consumados, não com planos hipotéticos.

– Então o que senhor quer é culpar minha irmã, agora, é isso? – inquiriu John, inclinando-se para a frente e encarando Jones com certa raiva. Linda o puxou levemente para trás. Agora ela já não tinha certeza da passividade do namorado. – É como tentou fazer comigo?

Dessa vez, Jones meneou a cabeça e não conteu um sorriso de canto:

– Você ainda acha mesmo que minha intenção era te prejudicar?

John deu de ombro com desdém:

– Só pode! Até agora, nenhuma daquelas suas acusação fazem sentido.

– Aquilo não eram acusações – argumentou. – Você que escolheu mentir para nós. Eu só estava fazendo você se arrepender. Eu gosto disso.

John Parker olhou Jones com ira nos olhos e nojo na expressão. Parecia querer se levantar para bater nele, mas não o fez porque Linda o prendia. Jones prosseguiu fingindo não notar aquilo:

– Façamos o seguinte. Vamos começar bem do começo. O plano de Flyn e Edgar, como vocês já devem ter notado que existia. – Ele olhou de uma para o outro, e eles apenas o encaravam. Jones fixou-se em Flyn Parker: – Uma mulher interessante, a senhora, Sra. Flyn – comentou com os olhos um pouco brilhosos, até. – Introspectiva o suficiente pra não deixar transparecer nada do que se passava por essa mente aí... esse tempo todo... não pense que suas confissões na Millenium Bridge foram levadas por aquele vento forte... não, elas ainda estão aqui – e apontou para própria cabeça.

Flyn encheu o peito e não hesitou em dizer:

– Eu não esperava mesmo que o senhor fosse esquecer. Mas ontem a noite, inicialmente, tudo que eu queria de Arthur era a carta.

A carta – Jones repetiu no instante seguinte, fechando os olhos com certo prazer. – Finalmente eu consigo entender essa bendita carta e o porquê você tanto a queria. – Ele olhou para Will e estendeu a mão. – Will, por favor... – Este retirou dos bolso a carta, já fora do envelope de pistas, e estendeu ao amigo, que abriu para ler: – Aqui diz: “Terá que ser na noite de Natal. Não temos como adiar mais isso, você sabe que não, e eu não vou voltar atrás. Já se passou tempo demais e precisamos dar um freio em Arthur: tudo tem que acabar nesse Natal.” – Jones baixou o papel e os encarou. John fitava os pais, e estes, por sua vez, tentava não se olharem. – Essa carta foi trocada por vocês dois, isso agora é incontestável, mas – e aqui ele olhou para Will também – nosso erro começou quando achamos que isso se tratava da confirmação de um plano. Mas nunca foi. Por mais que essas palavras sejam dúbias, Edgar não queria dizer nada mais do que “VOU VOLTAR”.

Houve uma pausa, então Will franziu os cenhos e indagou voltando-se para Edgar:

– Estranho... porque você não escreveu simplesmente que voltaria? Por que todos esse termos sugestivos?

Essa Jones se encarregou de responder antes de mais ninguém:

– Porque não era tão simples, meu caro amigo. Edgar sumiu da noite para o dia, e passou anos sem dar notícias. Só bem recentemente ele tornou a se comunicar com Flyn porque queria voltar para a família. Contudo, tinha um porém... um sádico e arrogante porém: Arthur! – Ele os encarou. – Estou certo? Ou ele não era um empasse pra vocês?

Edgar fez questão de responder, com os olhos baixos:

– É verdade. Arthur era a grande pedra que me separava da minha família... eu queria voltar, mas ele... ele não deixaria barato. Eu e Flyn nos empenhamos em conseguir algo contra ele também, sabe, pra eu poder voltar em segurança.

– Isso porque Arthur era esperto e chantagista, ou ao contrário, ele nunca teria casado com Flyn, não é? – dessa vez Jones olhou para ela, que sacudiu veementemente a cabeça em negativa.

– Jamais – ela respondeu com aversão. – Ele me chantageou pra casarmos, mas senão fosse isso, eu nunca me daria a isso. Eu tinha nojo dele todos os dias, só disfarçava bem.

– Por isso digo que a senhora tem uma introspectividade incrível – comentou. E olhou para Will: – Ele a chantageou porque sabia os motivos do sumiço de Edgar. Na época, Edgar bebia bastante, como fiquei sabendo...

Ainda perdido em seus próprios pensamentos, Edgar comentou interrompendo:

– … às vezes eu virava noites sem vir para casa...

– … pois bem, e foi numa dessas noites que aconteceu o acidente, estou certo? – Jones encarou ele, esperando a resposta de sobrancelhas em pé.

– Foi – assumiu Edgar com pesar, de uma vez por todas, e Jones viu alívio em seus olhos. Ele os fechou e alisou a cabeça, ainda em conflito quanto a prosseguir ou não. – Eu acabei matando, por acidente, o Sr. Hernest Deen, é outra verdade. – Uma pausa e ele começou a chorar. Logo seus ombros acompanharam o ritmo dos suspiros. – Foi um acidente, eu juro... eu nunca quis matar o marido de Joyce... eu estava bêbado, e achava que tinha entrado nos fundos daqui de casa, mas era na deles... ele saiu e veio até mim, não sei, talvez achando que fosse gatos... eu achei que fosse, sei lá, alguém querendo roubar minha casa, então acertei sua cabeça com a garrafa em que bebia... e o chutei... mas eu não sabia que era ele, juro... só depois cai em si... tudo que me veio e mente foi fugir. Eu me arrependi, e me arrependo amargamente.

– Você procurou Arthur, certo?

– Procurei sim. Ele quem me deu a sugestão de sumir.

– E depois disso – Flyn entrou na história, com a voz trêmula também por causa da eminência de um choro –, ele me chantageou pra que casasse com ele. Era seu preço. Como eu já disse ao senhor, Arthur sempre gostou de mim, e Edgar sempre soube disso – ela olhou para o ex-marido. – Ele me disse que se não casasse com ele, ele entregaria Edgar para a polícia. Embora eu fingisse não saber porquê Edgar sumira, eu ainda o queria bem, por isso me prestei. – Flyn fez uma pausa para um suspiro profundo. – E aí, ele passou a me chantagear com isso por tudo, tudo mesmo. Dia e noite ele me lembrava o porquê que eu tinha que ficar com ele, e porque eu tinha que fazer o que ele quisesse, inclusive permitir que minha filha fosse para aquela clínica horrível.

– Bem recentemente, como disse, nós começamos a nos comunicar – disse Edgar, já de choro controlado. – Por cartas, claro. E na semana passada, eu sugeri voltar. Vinhamos conversando sobre isso – agora foi ele quem olhou para a ex-mulher –, mas Flyn não queria. Ela achava que Arthur ainda usaria isso contra a gente. Essa carta ai – ele apontou para as mãos de Jones – foi a última que entreguei, ainda ontem. Mas pelo visto, Flyn nunca chegou a ler.

Ela sacudiu a cabeça confirmando.

– Não, porque Arthur a pegou.

– Fico me perguntando como? – inquiriu Will de forma curiosa, entre os relatos.

Tanto Flyn como Edgar olharam para Jones, como se dessem a ele a oportunidade explicar. Entendendo, ele começou estalando a língua e voltando-se para Will:

– É simples. Lembra que Flyn disse que Roger encontrou Joyce Deen assim que vinha chegando, e que a acompanhou até a entrada. Pois bem, aposto que Arthur pediu ao amigo que, ao vir para a ceia, passasse na caixa de correio e a checasse antes de tocar a campainha. Roger assim fez e encontrou a carta na caixa e a entregou a Arthur enquanto os dois conversavam sobre os papéis ilegais para Carmen. Simples assim. Claro que Roger pegou na inocência, sem saber do que se tratava, mas foi ele. Acho que Arthur a leu disfarçadamente enquanto Flyn enganava Roger com aquele chá forte de dente-de-leão. – Will assentiu ao entender. – Mas como eu disse, Edgar só queria dizer que ia voltar na noite de Natal; pra por um fim na chantagem de Arthur, que já durava tempo demais. Só isso. Até porque, Flyn já sabia das armações dele quanto aos papéis ilegais de um seguro pra Carmen. Vocês usariam isso contra ele estou certo?

– Sim. Eu descobri isso pouco depois que ele começou a se reunir com Roger aqui nessa sala-adega... – Ela agarrou com mais força o ombro da filha, a olhou rapidamente e sorriu para ela. – Carmen me contou o que ouviu e eu resolvi tentar descobrir. Graças a Deus eu ouvi também.

Jones assentiu pensante. Estava intimamente considerando os fatos antes tão encobertos, recapitulando o que até então era superficial. Enquanto isso, Will, de braços cruzados, se adiantou:

– Certo, tudo isso parece claro, e agora entendemos muita coisa, mas ainda não é tudo. E o crime, como aconteceu? Se mesmo depois de tudo isso, o Sr. e a Sra. Parker não cometeram nada, me parece um pouco absurdo que Carmen o tenha conseguido.

Jones suspirou antes de começar a parte que ele mais queria chegar.


Notas Finais


Eita, eita, eita... Até aqui, já sabemos que Flyn e Edgar tinham lá seus planos, e agora entende-se todo o comportamento indiferente de Flyn no começo. Mas ainda falta mais, e isso nós teremos no próximo.
Espero sinceramente que vocês tenham gostado do capítulo (sei que esperaram muito pelas verdades), estou muito feliz de ter chegado até aqui com todos! :D Digam-me o que estão achando, por favor!
Até o próximo!
Abraço! :D


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