História Um pedacinho de mim - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jin, Rap Monster, Suga
Tags Livre, Yoonjin
Visualizações 35
Palavras 1.633
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Slash

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Essa é a minha primeira Oneshot. É bem light, então espero que gostem :)

Boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Seokjin terminava de colocar o seu boné preto em sua cabeça. Naquela tarde ensolarada, decidira fazer uma rápida caminhada como nos velhos tempos, calçou o seu par de tênis guardados no fundo do armário, mas antes, retirando o pouco da poeira acumulada pelo tempo e observando se havia algum aracnídeo na palmilha, não se arriscaria a pôr seus pés dentro e levar uma picada. Tinha pavor de aranhas, ou melhor, de qualquer bicho que tivesse mais de quatro patas.

A princípio estava confiante, dava um nó no último cadarço que restava, partindo logo em seguida com um sorriso singelo que mostrava suas marcas de expressões. Kim Seokjin não era um jovem de vinte e poucos anos, sua aparência deixava claro os anos que já tinha vivido, porém, não que fosse alguém descuidado com a própria pele, sempre procurava cuidar de seu exterior para, assim, se sentir bem consigo mesmo, manter a sua autoestima elevada. Era de se esperar que cuidávamos mais de nós mesmos quando a idade avançava, por isso com Seokjin não seria diferente.

Pegou uma rota compartilhada entre ciclistas e pedestres, caminhando inesperadamente bem, mas ainda sim, sentindo-se estranho por ofegar um pouco — um dos seus sintomas. Mesmo o seu corpo avisando que algo estava errado, continuou a atividade, seu físico e sua mente eram duas coisas opostas, com limitações completamente diferentes e devido a isto, não se harmonizavam. Um lado seu dizia-lhe para parar, enquanto o outro mostrava-se composto por vitalidade, no entanto o desgaste humano não dependia somente do espírito.

Seokjin não aceitava a sua condição, as suas limitações. Para quem fora um jovem ativo, sem qualquer problema de saúde, hoje mantinha uma rotina diferente e controlada, com sua vida à base de medicações prescritos e consultas em médicos. Como odiava ser dependente de algo para viver e se prevenir de coisas que gostava e que antes lhe faziam bem. Tudo havia se transformado, tudo tinha sido retirado de sua essência. Mas uma maneira de voltar com uma vida que sempre quis ainda existia.

Não estava nada bem. Seu corpo suado ficava cada vez mais pesado e sua respiração entrecortada e com falhas obrigava-o a aspirar mais ar para os seus pulmões. Além disso, não demorou para que apercebesse de uma falha em sua visão com imagens um pouco distorcidas. Estalou a língua em insatisfação, sendo contrariado a encerrar a sua caminhada. Ah, impossível lutar contra a sua Cardiomiopatia, descoberta há alguns anos atrás.

Apoiou suas mãos acima dos joelhos, ofegante, atraindo uma pessoa que foi até si pelo seu comportamento suspeito para perguntar se precisava de auxílio.

Seokjin necessitava. Necessitava somente de uma chance para poder fazer as coisas que tanto gostava sem se sentir fadigoso.

 

 

Mas enquanto alguns, assim como Jin, procuravam melhores condições de vida, outros não se importavam com a sua própria maneira de viver.

 

 

O som do vidro despedaçando-se na parede era alto. Uma garrafa fora lançada contra o seu próprio irmão com intenções agressivas. Kim Namjoon mirava-o, não escolhia entre a raiva ou a pena com seus olhos inteiramente tomados por Yoongi, seu irmão mais novo que mais parecia um gato arisco. As brigas aconteciam quase todas as vezes em que o menor trazia problemas para dentro de casa, envolvendo-se com a polícia e pessoas com má índole. Era uma fera indomável, nem mesmo o próprio pai aguentava todas as suas inconsequências, optando pela indiferença como uma maneira mais rígida para enfrentar a situação. Mas Namjoon não faria o igual, não conseguiria ignorar o menor destruindo a própria vida daquele jeito. Yoongi sempre teve de boa educação, uma família estabilizada, tudo o que o mais velho também recebera. Então por que exprimia aquela fúria?

Os gritos ressoavam pela casa, e lá se ia um vaso ao chão. Yoongi encontrava-se alcoolizado, outro motivo para que aumentasse aquela discussão desenfreada e resultasse em um soco desferido no maior. Namjoon, com a mão levada ao rosto e escorado na parede, encarava atônito o irmão que possuía uma expressão em vacilo, não queria lhe desferir um golpe. Se apressou para fora de casa, deixando as portas escancaradas; Nam ainda tentou correr atrás, mas o pequeno corpo do mais novo e o seu jeito desengonçado o impediram de alcançá-lo.

Melhor se tivesse persistido.

Nada do que se passava na cabeça de Yoongi apresentava possíveis conclusões para o que estava sentindo. Seus olhos transbordavam, agora, em tristeza por ter agredido aquele que insistia em ficar ao seu lado mesmo com os problemas que causava. Não aguentava tanto estresse. “Você deve ser o melhor.”, “Ninguem irá aceitá-lo se não for o melhor.” eram as frases que escutava como se fossem simples de serem cumpridas. Quem o perguntou que queria ser o número um? Por que não o aceitariam? Ele não queria viver em função do que os outros pensavam ou falavam.

Passava pelas pessoas, esbarrando em algumas e suando com o sol em cima de seu rosto. O barulho do trânsito era insuportável naquele momento, sua cabeça parecia explodir com o seu arrependimento, com as palavras que saiam das bocas dos que o deixavam perturbado, e escutou uma sirene de ambulância vir e ir rapidamente, sendo uma cantada de pneus o que extinguiu toda aquela confusão que nunca parecia ter fim.

 

 

 

— Estamos quase lá... Essa será a última chance dele. — Disse um médico, fazendo o procedimento no paciente com o tórax aberto.

 

 

 

Suas pálpebras dificilmente foram abertas. A primeira coisa que viu foi um ambiente branco apesar de sentir-se meio zonzo, com uma sensação estranha, e não conseguia se mover, seu corpo não deixava. Então, como uma alternativa para entender o que estava se passando, começou a relembrar do que acontecera antes de não enxergar mais nada. Não conseguia respirar direito, sentiu tonturas... “Eu desmaiei”, pensou, como se tivesse resolvido uma equação bastante fácil que nem dava para se surpreender. Só que as coisas não eram simples, pois já aconteceu de desmaiar, mas nunca ao ponto de seu estado chegar como se encontrava agora — e percebeu isso.

— Seokjin... — Sua mãe entrava no quarto junto com uma enfermeira, emocionada. Se não fosse pela sua voz, não a reconheceria de imediato. — Tudo vai ficar bem, meu filho. — Disse, afagando sua mão. — Você está ótimo a partir de hoje.

— Me desculpe por essa demora que tivemos, senhora. — A mulher se desculpou.

— Tudo bem, acontece. — Secou os olhos. — Poderia nos deixar sozinhos? — Acatou o pedido da mãe, saindo do quarto.

A partir daquele dia, houve uma longa recuperação para que voltasse novamente para a casa. Com os mimos de sua mãe que queria ficar perto de si o tempo inteiro, cozinhavam juntos e isto fez com que acrescentasse essa atividade como um novo hobby além dos esportes, que ainda não poderia praticá-los. Descobriu que tinha mãos para a coisa.

 

Fechava os botões da camisa, mirando a cicatriz no meio de seu tórax pelo reflexo do espelho. Pensou se não seria uma boa ideia cobri-la com uma tatuagem, algo que sempre quis fazer, porém morria de medo de agulhas. De qualquer forma, já passara por procedimentos mais incisivos e dolorosos assim que havia feito o transplante de coração meses atrás, então achava que isso não era mais um problema, sua coragem aumentara. De repente, a campainha da residência ecoou pela casa inteira, logo ouvindo o chamado de sua mãe para uma possível visita.

Terminou de se vestir e procurou pela sala, porém não havia ninguém. Sua mãe então, avisou que a tal pessoa não aceitara o seu convite para entrar e que esperava-o no lado de fora para vê-lo. Jin não sabia quem poderia ser, mas seguiu para a rua, abrindo o portão e notando um rapaz de cabelos negros encostado na parede de uma casa no outro lado da calçada. Acercou-se e imediatamente seus olhares se encontraram, com os do jovem sofrendo uma brusca mudança de expressão. Isso o impressionou, pensava até se o desconhecido iria chorar naquele instante.

— Você é... Kim Seokjin? — Indagou.

— Sim, e você é?... — Deixou uma pergunta em aberto, puxando da memória se havia ou não encontrado com ele antes.

— Kim Namjoon... — Se apresentou, aproximando-se do outro e tocando-lhe delicadamente o tórax. A seguir, o que segurava o tempo inteiro começava a sair pelos seus olhos em lágrimas sutis. O coração pulsava, era palpável, quente, e movia uma vida. — e irmão dele.

Seokjin, surpreso o bastante para não mover um músculo, não acreditava que um parente de seu doador realmente tomaria coragem para o visitar. Mesmo que tivesse sumido com sua ficha até que a enfermeira a encontrasse enquanto ainda estava de cama, Jin não imaginaria que alguém que perdera uma pessoa em um acontecimento tão fatídico pudesse vir a encontrá-lo. Contudo, não que Namjoon estivesse em boas condições para realizar esse encontro, a cada palpitação do órgão suas emoções faziam o seu choro se intensificar ainda mais.

— Obrigado... por não deixá-lo... morrer. — Falou em soluços, tapando a face com a mão. Seokjin afagou os cabelos negros e curtos do jovem, com um olhar cheio de sentimento e agradecimento.

— Foi ele quem me salvou. — Seus olhos se umedeciam.

Aquelas foram as palavras de alguém que teve uma segunda chance, suficientes para arrancar um pequeno sorriso daquele que se sentia culpado por não ter conseguido ajudar o próprio irmão. Apesar de todas as dores guardadas dentro de si, entendia o quanto fora importante para Seokjin ter aquele coração dentro de seu peito pronto para tomar conta de uma nova vida, como também lembrava do sonho de seu irmão e de suas palavras que demonstravam mais empatia pelos outros, mostrando que os problemas que o preocupavam, e que tanto batalhava para contê-los, não deveriam ser ignorados ao afligirem alguém.

"Quero salvar vidas, Hyung. Ainda terei uma função importante nesse mundo, não somente trazer problemas a você."

 

 

"Você salvou uma."

— Kim Namjoon.

 

Fim



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