História Um poeta obssesivo e apaixonado. - Capítulo 34


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Categorias Originais
Tags Drama, Obsessão, Perseguição, Romance, Sequestro, Tortura
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Palavras 5.582
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Hentai, Luta, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Genteeeeeyyys!! que saudade! Desculpem memso a demora e já faz eu acho uns vinte dias que não posto nada!!! É que estive meio adoentada de cama e para mim levantar para escrever no PC era muito dificil, mas me esforcei pra caramba e consegui fazer esse baita capitulo para vocês.
Ps; Fortes emoções.
Boa leitura e me perdoem mesmo.

Capítulo 34 - Lembranças marcadas


Fanfic / Fanfiction Um poeta obssesivo e apaixonado. - Capítulo 34 - Lembranças marcadas

 O ataque de psicose de Jonathan a deixou mais alerta que o normal. A garganta seca mostrava sérios sinais de rouquidão e pela chuva fria que pegou, ela queria beber um copo d’agua, mas a culpa a consumia toda vez que ela estreitava os olhos para fora da cama.

 Pelo susto e estado dele ela nem conseguiu ler direito á embalagem do remédio e acabou dando no pescoço bem onde a veia dele estava mais acessível e visível, mas o resultado a estava deixando angustiada. Ela não conseguiu dormir a noite inteira, ele por outro lado estava tão em coma que, deu tempo de sobra para ela refazer os curativos na cabeça dele e os que ele acabou por criar. E por uma louca preocupação ela usou dois cintos grossos de couro cozido para amarrar as mãos dele na cama.

  - Preciso de mais uma. – Ela disse a si mesma se levantando e indo pegar um copo de café frio na cozinha. A cafeína a ajudava a manter acordada, mas o cansaço ainda permanecia no seu corpo que ela podia sentir estar adoentado.

 Desceu devagar as escadas cor de tabaco e tomou cuidado com os cacos de vidro que ainda restavam.

 O telefone tocou chamando a atenção dela, estava perto da lareira já apagada, fora do gancho. Ela foi até lá, pensando se seria prudente atender a ligação, ela estava na casa dele e provavelmente poderiam ser os chefes do hospital ou até mesmo Lydia.

 - Calma... Você vai conseguir. – Ela disse indo devagar na direção do aparelho e o pegou colocando no ouvido e falou com a voz firme. – Alo.

 - A Deus! Ainda bem. – Era uma voz desconhecida para ela, mesmo no telefone. – Jonathan, precisamos conversar. – Ela pode reconhecer o tom feminino claramente, o que fez crescer a angustia. Era uma mulher, que ela não conhecia e ele sim.

 - Aqui é mulher dele. – A voz dela saiu inesperada e mais ríspida do que planejava, por um segundo ela não se reconheceu. Dura, firme e um pouco grossa.

 A mulher da outra linha deve ter ficado um pouco nervosa, ou intimidada. É melhor ela falar alguma coisa ou nossa conversa termina aqui. Ela pensou.

 - Oh... A mulher dele, bom... Você provavelmente não me conhece, meu nome é Catherine. Eu sou a prima dele, a filha da Katrina. – Ela disse um pouco nervosa. – Ofélia nos falou um pouco de você. Bom... Eu posso falar com o Jonathan, é sobre a mãe dele e é muito importante.

 - Ele... – Ela não sabia como dizer, nem como explicar que ela o havia sedado na cama. – Ele não estava se sentindo muito disposto então, ele tomou um remédio para dor de cabeça e disse para não acorda-lo. – Ela disse tentando soar convincente e conseguiu, mas ela não desistiu, pois o caso era demasiado importante.

 - Entendo, mas pode por favor acorda-lo. Precisão da autorização dele ainda hoje para fazer a cirurgia, já que ele é o único de maior idade da família e ele conhece os ris-

 - Como assim cirurgia?! – Ela indagou, colocando a mão na boca tentando reprimir um grito de surpresa.  

 - Ele não te contou? – Tem muitas coisas que ele não me conta. Ela queria falar, mas se conteve e respondeu ainda abismada.

 - não. Aconteceu algo? – ela estava preocupada, gostava mesmo de Ofélia. Ao ponto de vê-la, mais do que uma simples sogra. A senhora, sabia o que ela passava e tentava consola-la ao máximo. Ela ainda pediria uma explicação pelo diário á ela ou á Jonathan, mas nesse instante seu coração estava pulando metros de preocupação.

 - Sim... Ela foi atingida de surpresa em um assalto á mão armada, ela e minha mãe á dois dias. – A voz da garota estava triste e rouca, como se ela tivesse chorando. – Minha mãe está bem agora, mas terão que mandar a tia Ofélia á uma clinica e eles vão requisitar uma cirurgia muito cara. – Ela disse e Leona começava a entrar em prantos. – Por favor... eu preciso falar com ele.

 Ela se recompôs sentindo uma facada no coração crescer por ele não ter falado com ela sobre isso.

 Mas esse é o problema, ela pensou amargurada. Ele tem muitos segredos... Ele não confia em mim, tanto quanto confio nele.

 Ela se escorou na parede enquanto o peso do seu corpo deslizava sobre ela. Aquela dor de novo, a dor da perda, como um pedaço de chumbo puro tapando suas artérias.

 Ela tentou tomar o café, mas ao bebericar o liquido ela sentiu algo, uma crescente ânsia dominar seu estomago. E correu para o banheiro com a boca cheia.  Ela vomitou todo o café, quente e frio que bebeu. Sentindo-se tonta e de olhos pesados pela noite sem dormir direito.

  Quando terminou de por até as tripas para fora se levantou meio bamba e limpou a boca e escovou os dentes deixando sua boca com o hálito de hortelã e menta refrescantes. E o sabor doce e adocicado da pasta na sua boca aliviou a tontura e a ânsia lhe permitindo ficar mais firme sobre suas pernas. Quando levantou os olhos para o espelho pequeno viu o seu estado. Enormes olheiras de destacavam na pele pálida, os olhos cansados, o cabelo estava grudento e oleoso, com requisitos de sujeira pela chuva e o vento da noite anterior. Resumindo... Uma bagunça total como aquela casa.

 Mas pela primeira vez, seus sentimentos e sua cabeça estavam certos e organizados, mas que nunca. Ela não seria mais assim, a garotinha que todos abusam e elogiam, tinha que se tornar uma mulher e começar a agir como tal.

 E isso incluía principalmente Jonathan.

 - Eu não sou mais uma garotinha...

 Ele não podia mandar e desmandar nela, como se a mesma fosse um cachorrinho, decidindo que horas eles sairiam, que horas ela comeria e como ela devia se comportar.

 - Ele não pode mais fazer isso...

 Tranca-la em casa e ir trabalhar, fazendo sei-la-o-que pelas ruas enquanto ela encarava a porta esperando e rezando para encontra-lo bem e ele estar de bom humor para falar como foi o dia dele e ter compaixão para leva-la para passear.  

 - Ele não é meu dono.

 Eles no mínimos eram noivos, pelo jeito como estavam e quanto avançaram nesse “Relacionamento” complicado para ambos. Mas ela fazia á parte dela, era gentil, se comportava e em cobrava no mínimo duas coisas para ele. Sair um pouco de casa e liberdade de poder conversar com seu irmão... Mas ele não cedia, ele dizia ser complicado e arriscado demais e que ela não compreendia, mas quem não entendia era ele. Ele não via que a cada vez que ela se mantinha longe da família, aquela bola de neve crescia e crescia ao ponto de se tornar uma avalanche que ele não conseguiria conter. E isso prejudicaria ambos os dois.

 - Ele precisa entender... Precisa me escutar.

 E no fim... ambos acabariam separados por um erro de possessão dele, ela não podia deixar isso acontecer.

 - Mas não adianta fazer isso, se ele não aceitar meus termos...

 Não vai adiantar se deixa-lo fazer o que quiser de você também...

 

 Alguns momentos com aquela seringa no seu pescoço já era o suficiente para lhe deixar com náuseas e tontura. Aquele remédio era marcante e apesar de pouco e entrava em suas veias rasgando, feito acido, em seguida os seus sentidos vão falhando e seu corpo amolece, seus olhos formigam e se fecham e em segundos seu celebro se desliga.

 A alta dosagem dentro daqueles frascos o deixava fraco e apagado demais ao ponto de seus sonhos serem mais brancos e vazios do que uma cela de um hospício.

 A respiração já era ouvida com mais frequência, e aos poucos os nervos da pele acordavam, até finalmente e mais preguiçoso sentindo um cafuné nos cabelos sedosos e macios o acordava.

  - Leona... – Ele sussurrou, sentindo o carinho aos poucos parar e a mão macia dela tocar a maça de seu rosto enquanto os dedos delgados se moviam.

 Ele morreu e foi para o paraíso? Pouco provável, mas possivelmente sortudo.

 - Jonathan... Está acordado? – Ela perguntou com aquela voz macia feito algodão e escorregadia feito veludo, aquela voz que tinha cheiro de menta e batom de cereja. Sentiu os cabelos radiantes tocarem o seu rosto e abriu os olhos por completo observando aqueles olhos azuis como o céu.  Ela estava com o cabelo divido ao meio e uma presilha prateada os prendia no inicio. O vestido azul escuro detalhes na borda dos seios e na aba em renda preta.

 - Estou... Por que está vestida assim? – ele perguntou, ela estava linda. O seu olhar abaixou para os pés calçados com uma sandália prateada. E os dele pararam em uma mala em cima e repousada no fim do colchão. – Para que essa mala? – Perguntou sentindo um arrepio na espinha.

 Ela suspirou fundo enquanto buscava as palavras certas para serem ditas, o semblante dele de confuso estava um ponto certo de nervosismo.

 - Jonathan eu tentei... Eu juro que tentei, mas... – Ela respirou fundo segurando as lagrimas, mesmo depois de horas enquanto arrumava a sala e treinava aquele discurso e pensava na reação mais violenta dele, ela não conseguia simplesmente ser fria e calculista, não com ele. – eu queria poder te entender... – ela acabou perdendo as malditas palavras certas e sem se importar com a reação dele falou de uma vez. – Preciso de um tempo.

A reação dele foi esperada por ela.

- O QUE?! Por que?!

 - Jonathan... Isso tudo é muito sufocante! – Ela falou finalmente como se realmente estivesse sendo sufocada pelos atos dele a cada dia, e estava.  – Eu te amo muito. Como nunca amarei ninguém e nunca amei. Mas não posso mais continuar sobre os seus braços se você me sufoca. – Ela disse derramando algumas lagrimas. – Não posso mais continuar com isso. É demais para mim... Eu posso até conviver com você com um pequeno voto de liberdade e viver com você mesmo sendo controlada por você, pois eu confio em você, mas... Se nós, ou melhor você. Tem segredos que obviamente nos separam... Eu não sei como vou poder levar isso adiante.

Ele estava esbabaçado e mesmo com os músculos ainda sobre o efeito do remédio fortíssimo ele fez força na sua coluna para se levantar e já suplicando.

  - Mas eu te falei! Eu não tenho casos com ninguém, falei como te conheci, falei quem era a Lydia, eu me abri para você! Isso não é o suficiente?! – Ele perguntou chorando e gritando, como uma criança pede para a mãe não ir embora.

 - Quando me falaria da sua mãe? – Ela questionou e no momento que o rosto dele ficou sem uma gota de sangue ela voltou a dialogar. – O que me enche de decepção é isso Jonathan, você não tem coragem! – Ela disparou ele ia retrucar, mas ela foi mais rápida ainda magoada. – Tem coragem para me sequestrar, me prender aqui e envolver sua mãe nisso sabendo que ela pode ser presa por auxilio seu e tentar e implorar para te matar... Mas não tem a mínima coragem de me contar a verdade. Acha que é por isso que eu vou te deixar, mas você não consegue entender que isso só me faz querer ficar longe de você! Eu não tenho segredos que você não saiba... E estou cansada de sempre estar em desvantagem nesse jogo, EU NÃO QUERO MAIS JOGAR!!

 Ela disparou com as lagrimas descendo em enxurradas, colocar tudo para fora em gritos e choros era incrivelmente aliviado. Comparar a relação deles como um jogo que ela estava sempre perdendo era o máximo que ela conseguia enxergar. Sempre em duvida, parada no meio do caminho, inexperiente, sabichona, em duvida, indefesa e encurralada. Sempre perdendo e perdendo, em um jogo que você não pediu para jogar...

 - Leona o que você quer realmente? – Ele interrogou o semblante carregado de irritação e ele estava á um segundo para pular da cama. – Que eu falasse que minha mãe não vai sobreviver e que deixasse você mais de luto que eu?! – Ele berrou, a discussão podia ser claramente ouvida por toda a casa. – Tá eu escondi isso de você, mas só soube ontem quando brigamos, e como se o meu mundo não pudesse ruir mais, VOCÊ NÃO CONSEGUE PUXAR A PORRA DE UMA PEÇA!! – ele esbravejou, já que ambos estavam levando a conversa para o nível novamente e empacado de discussão.

 Leona sentiu vontade de pegar a seringa vazia na bancada e enfiar no olho dele. Seus olhos recusavam-se a lacrimejar, depois dessa, sua única vontade estava mais evidente ainda.

  - ótimo. – Ela deu um sorriso forçado, os lábios rosados curvados perfeitamente sem mostrar os dentes alvos como leite.

 - “ótimo”? – Ele indagou sem entender e a mesma concordou enquanto pegava a mala mediana da cama e se levantava, os saltos a deixavam com pelo menos uns dois centímetros a mais e realçavam suas pernas. – Onde você vai? – Ele perguntou já nervoso, mas a mesma continuou o seu percurso até a porta. – Leona! – ele chamou, ela pôs a mão na maçaneta. Quando ele foi tentar levantar se deu conta que estava com um cinto amarrado em sua cintura o impedindo de mover-se para frente e mexer os braços. – LEONA!! – Ele berrou quando ouviu o som das escadas rangendo, os passos pequenos e firmes de pequenos saltos na madeira cor de tabaco.

 A fivela estava ao lado da cama, ele puxou o cinto até que os dedos alcançaram o frio do metal e com a ponta dos dedos ele desfivelou o cinto com pressa e praticamente pulou para fora da cama, mas ao encostar os pés no chão ouviu a porta da frente bater muito forte, como se fosse se quebrar o que serviu de incentivo para ele correr mais.

 - Leona. – Ele procurou ela com o olhar pela sala e o hall da casa. Ela havia mesmo ido? Ele correu para porta e puxou a maçaneta, mas estava trancada. – LEONA!! – Ele chacoalhou a porta, mas nada. – Ela se foi... – Sussurrou para si mesmo enquanto sua cabeça estava escorada na porta.

 - É bom não é? Saber que algo some da sua vista e pode não voltar mais... – A voz de um tom rígido suave disse atrás de si e foi como se um peso de toneladas fosse retirado de seus ombros. Ele suspirou prendendo as lagrimas nos olhos e se virou. Ela estava encostada na parede, com a mala ao lado.

 Ela queria testa-lo, ir até o limite dele, mesmo ele não sendo bom. Mas é o ditado mais certo: Você nunca vai conhecer o lugar se não ir até o limite dele. E isso valia o mesmo para ele, ela tinha que ver, tinha saber se aquilo terminaria ali e agora ou duraria para sempre. Ela não torcia nem para um nem para o outro, o que aconteceria a deixaria triste ou feliz.

 Ele caminhou até ela, deu para ver os passos pesados ate ela. Quando chegou bem perto dela o seu pulso agiu de forma involuntária e em vez de atingir o rosto dela atingiu em cheio a parede. O rosto dele estava baixo encarava o chão, em um momento ele fechou os olhos puxou o ar junto com a paciência e calma para falar.

  - Pensei que tinha me deixado. – Ele falou a mão dela tocou seu queixo e alisou a barba para fazer e levantou o olhar dele para encarar os dela, ele pensou ver ali frieza ou desgosto, mas apenas viu tristeza.

 - Eu disse que nunca te deixaria não disse? – Ela abriu um mínimo sorriso para ele que concordou com um aceno de cabeça, os olhos marejados não conseguiam mais conter as lagrimas que caiam de enxurrada abaixo. O rosto dele se apoiou na curvatura do pescoço e do ombro dela enquanto a mesma sentia algo escorrendo pelo ombro e o tecido molhado.

 Ela logo soube que o mesmo estava chorando e instantaneamente levou as mãos para os cachos negros dele. Quantas foram as vezes que foi ele quem sustentou o choro dela? Que ouviu ela desabafar e chorar de solidão e consola-la?

 - Agora é minha vez... – Ela pensou em voz alta o arrastando para a sala.

 [...]

 - Já está melhor? – ela perguntou delicada e amorosa.

 Eles estavam ambos deitados no sofá, ela estava com o seu amado sobre ela om a cabeça sobre seu colo, completamente largados lá apenas vendo a lareira acesa, enquanto ela fazia cafunés nele e ele brincava com o cabelo dela como uma criança.

 - Já... – Ele respondeu inalando o doce perfume que ela tinha. Ela estava só de lingerie e uma camisa dele que ficou um vestido nela e o mesmo estava só de calça de moletom cinza, o silencio os fazia companhia sem ter o que dizer, era melhor passar o tempo assim: Calados.

 - Quer conversar? – Ela perguntou, ela queria conversar com ele, estava claro que ele precisava disso, mas ela nunca obrigaria ele a fazer nada que não quisesse.

  - Quero... – ele respondeu depois de um tempo cedendo seus pensamentos.

 Ela não sabia o que perguntar primeiro. Então optou por um assunto que não o deixaria muito perturbado.

 - A sua prima Catherine ligou e falou que assim que possível para você fazer um cheque e enviar para ela, sua mãe está bem. Os médicos vão fazer um transplante nela logo. – Ela disse e sentiu o peso do corpo dele se levantar do seu instantaneamente. Por mais que quisesse não o puxou de volta, sabia que ele iria fazer o cheque ara ser enviado assim que possível.

 Não demorou muito e ele voltou e diferente de antes tinha um pequeno sorriso nos lábios, ao saber que sua mãe logo estaria bem, ,mais um motivo para continuar vivo.

 Leona lutava para permanecer acordada no sofá macio com o cobertor como travesseiro, ela ainda sentia frio, a lareira tinha apagado e ela queria o calor do corpo quente dele ali com ela.

 - demorei muito? – Ele perguntou rouco no ouvido dela, os lábios levemente tocando o lóbulo, á fez se arrepiar.

 - Não... – Ela se virou e ele estava na frente dela. – Podemos conversar mais agora? – ela perguntou ele assentiu voltando para o lugar onde estava. – O que aconteceu com o seu pai? – Ela perguntou finalmente. As respostas no diário não eram claras, ela queria ouvir da boca dele, das verdades dele, ouvir a voz dele junto a verdade sobre o destino do demônio que habitava aquelas paredes escuras.

 - Como assim? – Ele perguntou nervoso, deu para ouvir a garganta dele engolir o seco, ela constatou isso quando o pomo de adão dele levemente roçou sobre o pedaço do vão de seus peitos que estava desnudo.

Ela respirou fundo, visto que teria que se abrir com ele, para ter a conversa e os níveis equilibrados. Honestidade. Eram o que precisavam ter no momento, o que ela tinha que dar para receber dele de bom grado. Ela ainda temia é claro por ele e pela saúde dele já que ele se mostrou noite passada ser de porte forte, mas mentalmente fragilizado nos assuntos do passado mais que ela, quando envolvia sua mãe.

 - Eu achei o antigo diário da sua mãe John. Eu lia quando você ia trabalhar ou estava fora de casa... Eu não sei se ela se importaria ou não. Eu só... – Ele a essa altura do campeonato estava segurando tanto o tórax dela que chegava á causar falta de ar, como um super. abraço violento só quem sem a intenção de machucar. – eu só queria... Saber mais sobre o seu passado e... Amor, estou sendo sufocada. – Ela falou e sentiu os braços que pareciam jiboias lentamente afrouxarem o aperto liberando o ar de seus pulmões. – Obrigada... – E tornou á fazer-lhe um cafuné e afogar os dedos naqueles cachos castanhos delicadamente como se acariciasse um gatinho. – Por favor, não fique bravo... Eu só quero que você se abra mais comigo.

 Ela confessou sentindo talvez a tristeza ou decepção dele que emanavam daquele corpo forte de personalidade sensível. Ele era duro e firme, ela nunca pode negar isso, sua rigidez era algo que a mantinha no lugar naquela casa, mas ela só queria uma palavra dele que viesse de dentro, queria um sinal que existia algo dentro dele sem ser aquela personalidade fria e possessiva que falava mais alto nas certas situações e que apenas quando estava a sós com ela conseguia ser carinhoso e fofo.

  - com raiva? Nem um pingo. – Ele respondeu seco e ela fechou com delicadeza os olhos prontos pra um insulto que a faria chorar logo. – Decepção. – Ele deu um tempo analisando a sua cabeça, pensando naquela palavra que Leona teve que baixar o olhar para ver se ele não tinha apagado em seus braços, já ela que estava morta de sono.

 Ele suspirou fundo antes de responder o que a fez abrir os olhos de surpresa e indignação.

 - Lena... Eu nasci para essa palavra. – Ele respondeu abaixando o olhar e encarando o nada, ainda no colo dela. Agora que sua mãe estava longe ele bem que precisava de um ombro para chorar, só nunca imaginou o de Leona. – Meu pai me definia assim, a cada tentativa de faze-lo sorrir ou de orgulha-lo, por mais que minha mãe discordasse eu sabia que ele estava certo. Tentar me convencer do contrario era muita hipocrisia para aguentar. – Ele disse de olhos fechados, pois pequenas lagrimas estavam guardadas neles como a chuva nas nuvens. – Eu sempre tive medo disso sabia? De me apaixonar loucamente por alguém... Me prender a mulher mais bonita do mundo e saber que ela não vai me suportar... – Ele riu desdenhoso, uma risada com graça e amargura, triste e melancólica no final. – Que vai me querer mais não vai me desejar como eu a amo. Que quando vivemos juntos se isso chegar a acontecer... Você me olhe com aquele olhar antes da tempestade quando cheguei em casa, um olhar tão profundo e perigoso como uma tempestade tropical, que me olhe todos os dias com esse olhar, mesmo quando eu não fizesse nada. Eu não aguentaria... eu posso vê-la com raiva ou tristeza, mas não com aquele olhar sobre mim... Me sentir um inútil, uma decepção um fardo, foi quando me dei conta de que eu sou realmente isso eu te deixei ir... Mesmo que só de pensar nisso me arda e deslacre a alma, mas é a verdade. Você é boa demais para mim eu não presto para você.

  Leona antes sentia uma culpa em seus ombros, mas agora sentia uma tonelada nas suas costas e em si mesma, como pode? Ela sendo tão gentil e observadora não conseguir o entender antes? Nessa historia que desenrolava com os acontecimentos e ela o julgava de fora a fora, nunca parou para se julgar antes de pontuar nele os erros.

 A tornando a principal vilã que tormenta o coração solitário de um rapaz problemático que a amou o bastante para protege-la, rapta-la e manter com ela um romance secreto sem se importar com que o mundo acharia deles.

 - Mas... O meu pai nunca se foi uma flor que se cheira. Pelo menos não com a família nessas quatro paredes. – Ele tomou ar para falar enquanto os olhos vazios nas lembranças do passado pareciam distorcer o presente do passado e aquela casa escurecer como antes e por mais que pareça mentira, ficar mais silenciosa como antes.

                                               (Lembranças)

 Uma mansão gótica e sinistra, era onde os meninos comentavam onde ele morava com medo, mais medo ainda do garoto de olhos de lince. Os olhos azulados e nebulosos como um dia frio em que você prefere ficar em casa mesmo sabendo que a chuva já passou. O Estranho era como o chamavam e boatos corriam pelos corredores da escola privilegiada e rígida demais que ele estudava pelo pai, que ele havia nascido de um estrupo coletivo, que ele colecionava os lábios das meninas que beijava, que ele matou o próprio professor particular e foi mandado para o instituto para aprender a se socializar.

 Mas eram apenas boatos, que de mal gosto o faziam se tornar de a piada, o pesadelo da escola, sendo excluído e evitado de todos os jeitos possíveis dos grupos de amizades. Quando ele chegou em casa mais cedo pela professora de química que havia faltado e ele e mais uns garotos foram liberados aquele dia.

 Se ele pudesse escolher entre ir para casa e ficar depois da hora copiando cem vezes no quadro negro, ele escolheria mil vezes a escola. Lá as pessoas riam e caçoavam dele, mas ele era temido por ser relativamente estranho e peculiar aos olhos dos outros, não sorria, nem brincava, raras eram as vezes que seus pensamentos davam atenção a sua volta no momento, mesmo ele sendo extremamente inteligente e conseguia acertar todas as questões dos professores. Ele, oque o tornava mais estranho e tentador ainda, era perfeito. Uma criança com um amadurecimento precoce e compreensão relativa do lugar em que estudava, isso o destacava para os psicólogos escolares que ficavam abismados com a personalidade do rapaz, o que eles viam em um corpo pequeno e alegre, era visto interiormente como um homem já formado que cai de tão maduro. Eles simplesmente podiam-se dar o garoto por demasiada inteligência ser o motivo pelas extremas poucas amizades que tinha.

 Mas ainda sim... Era bom. A paz de ouvir apenas o professor ditando as perguntas e ele nunca levantava a mão, ouvir as crianças correndo de um lado para o outro e ficar no ônibus vendo os momentos de paz ficarem para trás ao reconhecer o caminho de partida.

 Foi naquela tarde que ele chegou em casa e o caldo que estava no fogo estava queimando, apesar de sua mãe nunca deixar a comida queimar ele sabia que havia algo de estranho. O som do vinil não estava tocando aquela hora, não havia algum assunto sendo discutido, apenas o silencio e a panela com o cheiro ficando estranho e azedo. Ele desligou o fogo e da cozinha conseguiu ouvir melhor o que não ouvia antes.

 - Pare... Por favor. NÃÃÃOOOO!! – Alguém com a voz assustadoramente familiar berrou no final. Ele reconheceu aquela voz doce que lhe ninava e o ensinou a ler desde que se entendia por gente.

 Ele correu até onde vinha os gritos que eram o porão da casa, onde seu pai fazia experimentos e guardava suas coisas que não podia guardar no escritório. Quando chegou no andar de baixo os viu.

 Ele estava sobre ela dessa vez completamente vestido de um terno caro e a mesma estava se contorcendo em baixo dele, sufocada com as mãos dele em seu pescoço e os olhos ficando vermelhos em contraste com os dele, perdidos em psicose e loucura, com as garras fincadas no pescoço dela podendo rasga-lo com os dedos nus.

 Jonathan via aquela cena apavorado, não é como se ele não visse todos os dias coisa parecida, seu pai era um monstro essa era a verdade, que ele via claro em sua cabeça, mas ele não podia deixar aquilo acontecer.

 Seus olhos pousaram no pé de cabra em cima da mesa entre alguns papéis de divorcio. Ele o pegou suas mãos firmes mas os braços magrelos e pálidos. Quando chegou perto do seu pai, deu apenas um golpe forte na cabeça do mesmo, o que foi suficiente para o derrubar para longe da sua mãe e cair no chão com a cabeça sangrando, mas isso não o impediu de golpear de novo, pois se havia um medo pior do que ele o matar era dele acordar e o castigar por aquilo, então ele bateu, de novo, de novo e de novo.

 Apenas quando ele viu um buraco bem fundo no que antes era o rosto do seu pai e viu o sangue espirrando par fora manchando suas roupas, mãos e o rosto ele parou. Ficou estático no lugar processando o que tinha feito. Ele tinha matado alguém! Alguém não, SEU PROPRIO PAI!!! Ele iria para cadeia, separariam ele da sua mãe por isso e ele se arrependeria pelo resto da vida por isso.

 Antes me prendam que a machuquem... - Ele pensou olhando sua mãe que estava espantada com o estado do seu filho, mas por um motivo rancoroso ela nem ligava para o cadáver. Ela engatinhou até ele cuidadosamente com o rosto pálido feito a face da lua, as mãos tremulas, como as dele tremiam com a arma na mão.

 - Me dê... Calma... – Ela disse pondo as mãos geladas em torno das dele que estavam sujas de sangue morno da poça que se formava no chão. – Isso... – Ela disse quando tomou cuidadosamente a barra de ferro pesada das mãos dele, as mãos dele agora tremiam livremente pela adrenalina em seu sangue e o medo livre de ser condenado pelo crime brutal. Ofélia jogou a barra para longe e abraçou seu menino, com que ela sentiu a mais dilacerante e divina dor ao trazer ao mundo. Ela chorou tanto de alegria ao segura-lo que nunca conseguiu dizer depois se amou tanto Nicolai como aquele garoto.

 - Vai ficar tudo bem meu amor... – Ela sussurrava em seu ouvido enquanto ele choramingava com as mãos ao redor do pescoço da mãe manchando seu cabelo castanho de sangue.  

  - Eu matei. Eu matei o pa-pa-pai. – Ele choramingou gaguejando pelo choro forte. – Vão nos separar mamãe... Eu vou ficar sozinho? – ele perguntou tentando fazer as lagrimas pararem de escorrer, mas a dor era bem maior.

  - Não. Ninguém vai nos separar. – Ela prometeu abraçando o mais forte se possível o filho, como se pudesse faze-lo entrar dentro de si novamente e deixa-lo guardado para sempre dentro de si. Ela odiava Nicolai por ser um monstro tão lúgubre ao ponto de assustar mesmo na morte o próprio filho, odiava seu pai por ter lhe prometido á ele sem mais nem menos a condenando a viver com o diabo sem ela saber, mas principalmente se odiava, por não ter conseguido proteger tanto o sangue do seu sangue, deixa-lo sofrer como ela, não por amor, mas por medo e deixa-lo se danificar ao ponto dele acabar com o sofrimento de ambos a golpes de ferro. Esse era o dever dela, ela deveria por um fim naquilo, não ele.

 Mas ela fora fraca demais, tolerante demais e ainda sim ingênua demais, mas nunca mais.

 - Ele me salvou... – ela explicou ao delegado toda a historia que estava abismado com a confissão.

 - Mesmo assim minha senhora... no mínimo terei que leva-lo ao reformatório ou á um orfanato, vocês não poderão manter contato a partir diante, nos vemos no tribunal. Sinto muito... – Ele estava para levar Jonathan, mas ela propôs.

 - Delegado... – Ela chamou e o homem uniformizado se virou a encarando persistente. – Meu marido tem ou tinha dinheiro. Muito... – Ela disse como se fosse e era a sua única salvação. Os olhos verdes do homem faiscaram em direção á ela com pensamento do dinheiro envolvido nisso. – Se recebermos a herança...

 - Quero 50%, todas provas e indícios do “Homicídio” somem. – Ele disse com um sorriso malicioso.

 - 10 e eu não quero que eles “Sumam” quero que meu marido seja visto como é: Um monstro. – Ela disse firme. Ofélia podia ser apenas uma jovem prendada, mas entendia muito bem de negócios quando se tratava de homens humildes, dinheiro e corrupção. Não era orgulhoso esse dom, mas ela não iria perder o seu filho por um cadáver que ela nem compareceria no enterro. – não vão tirar meu filho de mim.

 - Madame, se eu ganhar 13 eu- Ela o interrompeu na hora.

 - Fechado. Meu filho e eu iremos viajar, meu marido ficou em casa com alguma puta e um ladrão entrou, ele tentou impedir e acabou com a cabeça espatifada pelo marginal que fugiu, os alarmes soaram e você chegou bem á tempo de prende-lo, mas não de salvar meu marido. – ela disse sorrindo maldosa, nunca duvide de uma mulher com belo sorriso e uma atitude suspeita.

 O guarda ficou espantado com a frieza da mulher, como se o homem não passasse de um vaso quebrado ou mercadoria barata. Ele não duvidaria se negasse após levar o filho dela para o reformatório, ela contratasse uma gangue para espanca-lo até a morte. Então apenas confirmou com a cabeça e quando a mulher ia entrar com seu filho nos braços ele a chamou.

 - Senhora Winkis. Por que nunca o denunciou antes? Poderia poupar muito esforço e sofrimento o deixando atrás das grades. – Ele disse sincero a mulher riu pelo nariz antes de responder.

 - Atrás das grades? Eu ofereço o dinheiro do meu filho que pagara a faculdade dele e você baba atrás, concordando em cobrir um assassinato. Se meu marido lhe oferecesse metade você mataria a mim e meu menino sem hesitar. O que eu precisava era uma razão e um motivo para me libertar desse jeito e pode apostar que agora que eu estou jogando, não vou perder nada para um cadáver. – Ela disse fria a dura como nunca foi, mas para milagres, sempre tem que haver mudanças. – Venha John. – Ela pegou na mão do menino que encarava tudo mais calado que nunca com sangue do pai seco no rosto e nas roupas. – Ah e... é senhora Mc Granth agora...

  Eles entraram na casa e fecharam a porta atrás de si. John estava mudado, mais estranho e peculiar e isso foi a seis meses antes de conhecer Leona.

                                               (Fim da lembrança)


Notas Finais


Eu sei, eusei, desculpem por parar aqui, mas prometo que logo tem mais, eu pretendia deixar esse capitulo maior, tipo contando mais sobre os dois, mas estou agora realmente sem tempo. Bjs deixem sua opnião do que vai acontecer depois e farei o possivel para responder logo.


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