História Teoria do caos - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Sasuke Uchiha
Tags Hinata, Sasuhina, Sasuke
Exibições 308
Palavras 5.507
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Estupro, Sadomasoquismo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Será que alguém vai tentar me matar após o capítulo??? To apostando nisso hein kkkkk

Capítulo 12 - Two weights, Two measures







     -- So... Socorro...


  O rastejar da voz fraca apenas ressaltava todo o tormento que a afligia até esse momento. Suas pernas bambas por ter de se manter de pé nas longas horas, enquanto seu pescoço preso as correntes da parede apenas clamava para ser liberto ao menos um segundo, já deixando evidente as marcas do aço ao redor da carne. Matsuri, sozinha dentro daquele porão úmido, tremia pelo frio que subia seu corpo já resfriado pela noite enquanto sequer uma luz a auxiliava a visão, somente escuridão para onde olhasse, estava suja, fedia, machucada, apenas repetindo as mesmas palavras por horas, sua esperança apenas sumia a cada vez que sua voz falhava, implorava sem alguém para lhe ouvir, e há essa altura sabia estar suplicando sem qualquer chance de sair de tal situação.

  Toneri sentado na beirada de sua cama estava inerte. Lembrava da situação que ocorrera na tarde do dia anterior, e nessa madrugada às claras, gracas a sua costumeira insônia, conseguia apenas imaginar o quão aprazível seria ter Hinata em sua ilustre coleção. Era uma mulher conhecida, então fatalmente geraria especulação com um sumiço, assim como no Oriente a busca por Matsuri já estava ganhando conhecimento. Mas era inevitável não desejar tê-la, arrogante e tímida, forte e às vezes insegura, era uma mistura de opostos tão delirante que o fazia ter pensamentos castos sobre o que poderia fazer à ela, e como uma criança mimada e egoísta, nada do que tinha sequer fazia um sentido exato senão pudesse tê-la como mais um de seus brinquedos.



     -- Tsunade... por que você insiste em errar?


  Sussurrou com a voz meio debochada ao deslizar as mãos sobre os lençóis até chegar aos seios expostos da loira totalmente amarrada a cada ponta da cama. Suas mãos e pernas esticadas a cada ponta e extremidade das hastes de madeira, as correntes esticadas e a mesma totalmente nua enquanto as únicas coisas que a cobriam eram uma venda e uma mordaça. Tentara se movimentar mas era inútil, e a mesma bem sabia, afinal não era a primeira vez.


     -- Deve adorar isso... não é? -- Sussurrou passando suas mãos pelas coxas dela enquanto lambia de maneira cautelosa os lóbulos vermelhos de tantas mordidas que dera há alguns minutos. -- Não cansa de ser punida.


  Os meios legais da prática eram até saudáveis e relaxantes, mas na mente do Ootsutsuki soavam irritantes e limitadores demais. Gostava dos olhares de desespero, o medo impregnado que as fazia se debater e as lágrimas de terror que exibiam, afinal para ele, horror era excitante. Saber que estava no controle, que estava aterrorizando a mente, era tudo um jogo do qual ele praticava não apenas por esporte, mas por puro prazer de destruir o consciente, e a moral alheia. Criar objetos, troféus, prêmios para guardar e chamá-los de seu. Tsunade era isso, seu melhor troféu que estava nas últimas, afinal cansara de dominá-la, usar e abusar, então talvez Hinata a pudesse substituir, estava não apenas a altura, como visivelmente aparentava ser ainda melhor que a loira de seios enormes e beleza estonteante.

  Suas mãos subiam na perna dela enquanto apertavam cada pedaço da pele com força. Conseguia vê-la mordendo o couro da proteção bucal aos poucos totalmente trêmula, sua boca chegou aos seios dela, eram grandes, e afinal tinham de ser, até porquê era uma escolha particular sua, ela custou tão caro por isso e ele pagou o valor, então sempre acabaria usufruindo dessa parte escultural. Puxou de maneira vagarosa duas pequenas argolas de metal tinindo o som do aço, aquilo era o suficiente para a fazer estremecer conhecendo o barulho com terror. Toneri abriu ambas apertando os mamilos até que o corpo dela tremesse de maneira absurda enrolando as mãos nas correntes agoniada. Seus pulsos ardiam por assim o fazer mas tinha que ser assim, era doloroso, ainda mais com as risadas fracas que ele dava puxando os fios das argolas estimulando seus mamilos na dor e prazer abusivo.

  Suas mãos abriram vagarosamente o fecho da mordaça enquanto sofregamente sussurrava aos ouvidos dela o que faria caso a mesma gritasse muito alto. Sua sala de domesticação era a prova de som, e se encontrava do outro lado do porão, mas gostava de usar Tsunade em sua cama, então não seria conveniente que ela gritasse. Enfiou os dedos da mão esquerda na boca dela vendo a mesma tremer engasgada e beirando ao vômito compulsivo, enfiava os dedos na intimidade da mesma até voltar novamente aos lábios a fazendo sentir o próprio gosto, a sufocava o pescoço com a mão direita sentindo o desespero que ela mantinha nos gemidos engasgados e tentativas de o morder, mas era então parada pelo apertar ainda mais forte ao redor do pescoço.



     -- Preciso lembrar que não passa de uma puta? Minha propriedade... minha puta. -- Seus lábios violentaram os dela sem qualquer tentativa aparente da mesma em revidar a troca de língua, somente sentia as mãos dele apertando seu pescoço até que o fôlego sumisse em meio a respiração. Sugava os lábios dela enquanto roçava violentamente seu joelho entre as virilhas da mesma que puxava as correntes geladas mais forte.


  Era desesperador, mesmo que sempre fosse assim, jamais se acostumaria com sua situação, ser tirada dos braços de seus pais quando pequena, posta em um navio e encaminhada como mercadoria sexual até o maior cativeiro de escravas da Noruega. Cada uma ganhava como marca um código de barras, e a loira recebera o seu bem na lateral direita do pescoço. Um objeto, sua virgindade mantida para que seu valor fosse maior, colocada sobre palcos acorrentada como lixo para ser vista entre os mais ricos homens do mundo, aqueles que estampavam famílias felizes e por trás eram tão sádicos quanto os maiores psicopatas da ficção. E entre todos, estava Toneri, sentado em meio aquela platéia de demônios, o pior entre eles, mas isso fora após muitos anos tentando ser barganhada, finalmente alguém pagou o preço da mercadoria, o Ootsutsuki usufruiu de sua virgindade da forma mais caótica e perturbara possível.

  Para o mundo, Tsunade não passava de uma garota que fora desaparecida, que provavelmente estaria morta atualmente. Sussurrava seu nome diariamente tentando não esquecer sua identidade, falava para as paredes os nomes de seus pais em sua agonia, mesmo sabendo que jamais os veria novamente. E enquanto era abusada de maneira violenta diariamente, colocada para circular pela casa vestida das roupas mais vergonhosas e coleiras como uma cadela, apenas tentava fechar os olhos e lembrar das risadas que dava quando pequena, sua primeira paixão, o garoto de cabelos brancos chamado "Dan" que fatalmente estaria casado hoje em dia, e até mesmo a odiaria e teria nojo por não passar de um objeto sexual usado e podre de tanto esperma já adquirido. Seus pais sentiriam apenas vergonha do que se tornou, mas era ao menos seu refúgio criar um mundo perfeito em meio ao caos, sua calmaria, sossego, e o único motivo para ainda respirar.









  " Embriaguez seguida de tragédia ". Todas as capas dos jornais ao longo da avenida mais movimentada tratavam da mesma notícia fatídica que aos olhos de alguns insensíveis soava até mesmo aceitável, até porquê a tal família era um estorvo. Somente as bancas estavam abrindo aos poucos em meio a escuridão daquele fim de madrugada. O motivo da comemoração que os jornais retratavam era desconhecida, mas ainda dita nas folhas impressas, junta a imagem do carro bem deteriorado beirando a perda total. Shisui estava longe de ser uma figura muito evidente entre os Uchiha, não era como Madara ou Sasuke que constantemente eram retratados em revistas e jornais. Porém ainda relacionado ao nome de sua família ele acabava sendo hostilizado.

  O celular que era sustentado por sua mão ainda permanecia aceso, e Hanabi apenas mantinha a postura enrijecida perante a feição abatida do Inuzuka bastante abalado após a longa discussão que tiveram desde muito cedo na madrugada. Era até mesmo melhor assim, afinal Hiaishi essa madrugada estava estranho, permanecera bebendo desde que chegara da questão judicial, apenas sorrindo e falando coisas alheias em seu escritório, e estando bêbado era capaz de intentar algo contra Kiba, não eram muito chegados.



     -- Estamos aqui há mais de uma hora Kiba, entende de uma vez! Eu já fiz minha escolha! -- Suas mãos subiam de maneira repetitiva até as têmporas enquanto tentava não deixar o celular cair. Falara a mesma coisa tantas vezes que se sentia irritada de apenas pensar em repetir novamente. Mas sabendo que era o Inuzuka, então soava até normal ter de deixar tudo explicado nos mínimos detalhes.

     -- Eu também tenho escolhas! Direitos! Todos quanto você tem eu também tenho! -- Suas ações estavam mais calorosas, cansara de tratar com tanta calma por estar no meio da calçada, mas agora queria apenas terminar esse assunto como se o mesmo fosse uma brincadeira de mal gosto.

     -- Não dessa vez! Não nessa situação! Bota na sua cabeça que nunca seremos uma família!

     -- Hanabi, se pararmos pra pensar um pou...

     -- Some... só isso... só some, tanto pra mim, quanto pra essa criança. -- Sussurrou meio atordoada enquanto suas forças pareciam até mesmo questionáveis. Soaria fraca, seria tão indigna para herdeira como sua irmã desistente. Jamais poderia ser como ela, ainda mais querendo dar o orgulho que seu pai precisava, a força que a família necessitava, e ser a filha que Hiaishi merecia após tanta vergonha dada por Hinata.

     -- Eu nunca. -- Sua voz falhou na primeira tentativa de ser exposta. Somente limpou a garganta com o rosto repleto de olheiras, tais que apenas aumentaram com o excesso de insônia em buscar um novo emprego, mas era ainda pior se unidas a feição decepcionada que ele mantinha. Balançou a cabeça, tinha de ser uma piada. -- Eu nunca pensei que fosse capaz de algo parecido. Sou o pai da criança, é meu direito como pai... vou lutar por isso.

     -- Se enxerga. Nem capacidade de segurar seu emprego medíocre você teve, que dirá assumir paternidade. -- O comentário inundou os ouvidos dele, total bestialidade, era como ser chamado de inútil de uma maneira muito pior, ainda mais vindo da pessoa que tanto amava.

     -- E quem será o pai? O Sasuke?



  Rangeu os dentes cuspindo indiferença. Provavelmente era o plano, sem dúvida ela estaria voltando com o Uchiha, como pensou, como vinha pensando a cada segundo, essa criança seria a ponte de ligação entre ambos novamente, estariam casados de novo, Sasuke seria o pai de sua criança, seria o homem que seu filho chamaria de "pai". Era odioso, ardiloso e totalmente irritante, ainda mais sabendo que seria o caso passageiro a ser esquecido, seu amor seria pisado para dar lugar a família modelo novamente. Cerrava os punhos, olhava a expressão dela totalmente serena como se sequer desse atenção ao que dizia, como se estivesse lidando com um animal. Seu peito batia rápido e nervoso enquanto o pouco movimento ao redor aumentava com o início gradativo da manhã.


     -- Não quero ele perto do meu filho.

     -- Não seja estúpido Kiba. Não tem qualquer capacidade, é um jornalista meia boca, ainda por cima desempregado. Fará um favor pra criança.

     -- Isso não foi problema pra transar comigo...

     -- Que ingênuo. -- Seu comentário prontamente rebatido pelo deboche o fez erguer a cabeça novamente, agora mais enraivecido. Era demais, estava cansado, com vontade apenas de deitar e dormir, sem paciência alguma. Sua semana estava sendo um inferno desde o "escorregão" na festa, o que menos precisava era ser tratado como um lixo, justo por ela. -- Se não fosse essa briga estúpida entre famílias, acha mesmo que trocaria o milionário mais cobiçado do oriente, por um jornalista mequetrefe?



  O tom altivo saiu pretensioso e totalmente livre de qualquer culpa ou remorso, e sucedou ao soco forte que o Inuzuka deu na parede de vidro ao lado da agência bancária onde estavam, bem no meio da calçada que aos poucos ganhava mais pessoas andando para suas rotinas. Seus olhos estavam furiosos, seu corpo cansado apenas pegando fogo enquanto seu emocional permanecia abalado. Usado? Então fora isso. Realmente nunca entendeu a mudança absurda das atitudes de Hanabi, afinal ela nunca lhe fez juras de amor ou algo parecido, mas enquanto ainda era casada com Sasuke cansou de investir em algo extraconjugal sem qualquer motivo. O seduzia, usava de jogos, flertes e coisas afim. Mas agora tudo fazia sentido, dolorosamente fazia sentido. Fora apenas mais uma peça descartável, um mero peão no tabuleiro de xadrez batalhado diariamente entre ambas as famílias. Sua voz travou na garganta, seu corpo meio anestesiado apenas se sentia envergonhado diante da menor de feição fria. Essa era a Hanabi que conhecia, influenciada por Hiaishi, negativa e tão apática quanto o mesmo.


     -- O que eu sou pra você, Hanabi?


  Todo o ódio que sentia, ressentimento, tudo explodia internamente, mas seu exterior apenas se mantinha paralisado e fraco. Sem reação, fora sem dúvida alguma o pior golpe que poderia receber. O silêncio fora sua resposta, a menor parada apenas abaixou os olhos quieta e pensativa, não sabia de fato o que dizer, sentia algo pelo Inuzuka, mas nada que pudesse confrontar sua vontade em subir na vida, como seu pai dizia diariamente desde a renúncia egoísta ao nome feita por sua irmã. " Nossa família é forte, não existe espaço para o elo fraco ". Sua frase de motivação, tinha que ser como o pai, dar orgulho à ele e a toda a família. E admitir sentir algo por Kiba, seria de longe a maior fraqueza que pudesse vislumbrar.

  Não havia espaço para ele em sua vida, mesmo que atualmente sua presença fosse bastante especial, o plano a ser seguido era voltar para os braços de Sasuke, reatar o casamento, e fazer com que ele assumisse o filho do Inuzuka. Era mais verdade do que nunca, realmente como Hiaishi falara, sentimentos são fraquezas, e admitir isso ao moreno a sua frente era entregar a chance de sua nova empreitada. Não conseguira chegar ao topo, ser como Hiaishi, ser incomparável e poderosa, não sendo como todas as pessoas fracas, sentindo.










  Enquanto vagarosamente o céu cinza deixava os rastros da gélida manhã que se tornava fixa, os olhares mais que destruídos permaneciam dentro daquele âmbito entristecedor. Onze da manhã, mas a escuridão que afetava a cada um era mais presente que qualquer noite de outono. Sentado a cadeira do saguão, Obito permanecia com a feição cabisbaixa sustentando Kagami que após tantas horas de choro, conseguia apenas se manter trêmulo e vidrado com o olhar ao piso branco daquele hospital iluminado. Como isso aconteceu? Tanta dor carregava seu peito que conseguia apenas tremular em silêncio negando qualquer palavra de condolência, afinal Shisui não morreria, não poderia morrer, era seu filho, seu único filho.

  Era uma noite alegre, e como um ladrão esse incidente se apresentou, em meio a felicidade se apresentando com o caos iminente que quebrantou cada coração ao longo dessa madrugada extensa, e logo eles, os Uchiha, homens frios, sem coração, isso é claro, para a população alheia ao amor que corria dentro de tal família.

  O automóvel de Shisui acabara ficando irreconhecível. Por sorte, ou como alguns diriam milagre, o moreno acabara por ter danos fortes na região craniana, e acabou passando rente a morte naquele acidente. Nove horas na mesa de operação, a cirurgia fora longa enquanto nenhum neurocirurgião cruzava a porta para relatar algo, e isso aos poucos estava matando cada presente naquela sala. Madara ao canto conversava com a clínica geral alertando que nenhuma informação de Shisui deveria ser vazada, afinal a imprensa poderia acabar chegando no ambiente.



     -- Senhor Uchiha.


  O tom de voz fizera cada um deles levantar de imediato. Eram todos eles presentes enquanto o homem ligeiramente mais baixo que todos eles uniu as mãos que seguravam a máscara que estivera usando ao longos das últimas horas. Finalmente Kagami saira no meio deles ganhando a atenção do médico que ordenara a cirurgia, o mesmo o saudou de pronto e apenas mandou que o seguisse, mas parando quando todos também tentaram. Porém somente o pai deveria entrar.


     -- Está em coma induzido, os traumas cerebrais foram um tanto agudos eu diria. Ele estava acordado assim que iniciamos a operação, então o sadamos com ramsey três, mas nada que o traga consequências pelas drogas medicinais... -- O doutor respirou fundo enquanto Kagami se aproximava da cama chorando com a situação do filho. O que daria para estar no lugar dele. Olhava a lateral do rosto meio inchada e roxa pela queda das grades de contenção da avenida, os olhos machucados e algumas partes do corpo em carne viva pelos arranhões. -- Seu filho é um rapaz forte. Contudo, como havia dito, ele sofreu uma lesão no sistema nervoso central, não sabemos se ele sofrerá consequências ou não, mas é certo que devido a isso, o coma dele acabe demorando um tanto mais do que os outros induzidos.

     -- O que quer dizer, doutor?

     -- Não temos uma certeza de quando seu filho irá acordar, é possível que o coma se mentenha pelos próximos dias, ou até mesmo semanas, e também não conseguimos prever as consequências. Suas costelas também sofreram fortes agravos pelo uso do cinto, fora que os ferros do banco por pouco não perfuraram os pulmões dele, e podemos julgá-lo sortudo, afinal os danos não tocaram sua coluna vertebral. Sendo assim, sugiro que esperemos ele acordar, para então tirarmos as conclusões. Enfim, lhe deixarei um tempo a sós. Sinto muito, Uchiha-sama.

     -- Não diga isso... -- Sussurrou apertando o tecido da camisa social que usava, as lágrimas caíam enquanto instintivamente apertava os dedos do filho deitado e sedado.



  Estando agora sozinho, seu olhar caía aos poucos totalmente banhados pelo choro, sua respiração meio acelerada e as unhas totalmente roídas já afligindo a carne nas laterais dos dedos, era devastador. Puxou uma cadeira sentando ao lado do moreno enquanto sua mão sustentou a dele ainda na maca. O relógio da sala em que encontrava gritava a cada bater de ponteiros enquanto ele afrouxava a gola da camisa totalmente exaurido.










     -- Preciso do número de celular do paciente Uchiha Sasuke.


  O jornal permanecia largado sobre a mesa de madeira do consultório, apenas retratava o que era discutido ao longo de todos os programas televisivos e canais de rádio. Tudo comprovava que Shisui dirigia embriagado, garrafas de bebida largadas pelo automóvel e cigarros lançados pelos bancos, coisa que diferia da versão de Obito, o mesmo alegara não ter visto o mais novo bebendo durante toda a noite, fora que também afirmara que o primo era alguém ausente de vícios. O teste de bafômetro não fora executado, afinal o moreno estava inconsciente e levado de imediato para o hospital.

  Mídia impressa era sinônimo de exageros e parcialidades jornalísticas, sendo assim, Hinata acabava por ignorar diariamente os deixados em sua mesa. Porém essa manhã fora diferente, acordar com o noticiário local cravando imagens e pautas sobre a família de Sasuke, de certo ele estaria sofrendo bastante, e apenas imaginar isso fazia seu estômago esquentar aos poucos. Seus olhos corriam por toda a sala fechada, essa manhã sequer tivera o trabalho de abrir as janelas, pensava em Sasuke, em como deveria estar, afinal era passível de depressão, isso acabaria o deixando ainda pior, mas sabia consigo mesma que não era apenas esse o motivo.

  Lembrava do encontro que tivera com Toneri se martirizando um pouco, seu paciente sofrendo e ela em um almoço estúpido com um pretendente dezenas de vezes ainda mais. Talvez houvesse agido um tanto exaltada no dia anterior, e até mesmo era ponderada essa situação, mas não mentiria para si mesma, estava realmente irritada com as coisas ditas por ele, as insinuações que fizera sobre Sasuke, todo mal dito. Típicas atitudes de uma pessoa que pensa saber sobre tudo.



     -- Vamos... atende.


  Era inútil. Sussurrava sozinha como se fosse resolver alguma coisa, mas as chamadas insistentes logo foram substituídas pela queda seguida da voz eletrônica alertando a falha de cobertura para o celular do mesmo. Batia suas unhas freneticamente na mesa enquanto olhava o jornal como se uma das páginas fosse mudar se não olhasse. Bufou tentando a ligação pelo próprio celular, era pouco profissional de sua parte, mas os telefones dos pacientes eram obrigatórios nas fichas, para casos extremos, e mesmo que não fosse, nesse instante ela nem se importava, e se fingia um pouco cega para questões de trabalho.

  Como seria possível? Ganhar da noite pro dia esse senso de compaixão, ridículo. Em uma manhã sua aversão por Sasuke era enorme, e agora só de imaginá-lo sofrendo causava reações estranhas por todo seu corpo, como quando soubera sobre o repentino acidente, sua mente fora rápida e imediata até o Uchiha e seu estado quando ao novo baque emocional. Sua garganta meio embolada, o silêncio que a falta de pacientes nessa manhã ocasionava, sozinha e pensativa.



     -- Sasuke. Você está bem?









  Sasuke permanecia quieto apenas olhando a feição cabisbaixa de seu pai, era evidente que Shisui era como um filho para ele, afinal de contas crescera ao lado de Itachi. Porém era estranho ver um homem tão frio com a aparência sofrida, mas ultimamente ele vinha agindo mais diferente, poupava seus comentários banais e invencíveis, se mantinha em silêncio na maior parte do tempo, e constantemente era visto com o rosto meio entristecido pelas manhãs na empresa.

  Mas dentre todos os presentes, o caçula era o mais quieto. Se mantinha somente pensando na situação, afinal Obito acabara de relatar, aos presentes na sala de espera, toda a situação. Fora dito pelo médico que o cinto de segurança acabara quebrando duas costelas, mas era estranho uma pessoa bêbada se precaver a ponto de colocar o cinto, ainda mais Shisui, que das vezes que andaram de automóvel juntos, sempre se mantinha sem a proteção, até mesmo estando sóbrio. Logicamente outro fator o incomodava, a maneira como o encontraram, cigarros, garrafas de bebida, isso estava aquém de seu primo, além de ser o mais sensato e animado boa parte do tempo, Shisui entre todos eles era o único sem qualquer vício ou queda para bebedeiras. Salvo algumas situações casuais de festividades, onde ele acabava tomando quantidades ínfimas de álcool. Nada fazia sentido.



     -- Tem muita coragem de aparecer aqui!


  Seus olhos subiram instintivamente saindo dos pensamentos ao escutar a voz grossa e imponente de Madara. O patriarca da família permanecia parado com a postura rígida e inflexível. Praticamente toda a ala de entrada parou pelo clima pesado, e em contrapartida apenas silêncio por parte da mulher trêmula e de mãos apertadas rente ao corpo. Hikari olhava para todos os lados como se procurasse o local onde ele estava.


     -- Não tire conclusões precipitadas. O que deseja, Hikari-san? -- Sasuke quase caíra da cadeira com a visão de seu pai intervindo tal situação. Quem era esse homem? Fugaku que não seria.

     -- Onde ele está?



  O tom falho saía pelos lábios finos enquanto as lágrimas já escorriam pelos mesmos. Todos os comentários maldodos, as notícias sensacionalistas e tentativas a todo custo de incriminar o moreno. Seu peito batia acelerado enquanto suas pernas tremiam pelos calcanhares fartos e nervosos. Tudo em seu corpo era fogo, tudo despedaçado, não sabia o que era verdade, o que era mentira, somente queria que ele estivesse bem. Obito apenas apontou finalmente para o fim do corredor enquanto o silêncio acompanhava os baques de seus sapatos até o fim de sua jornada curta.

  Seus dedos suavam enquanto empurrou a porta de maneira brusca e forte, por um segundo esqueceu como se respirar, como andar, permaneceu parada, quieta, até que seus pés foram ávidos até a maca aos poucos perdendo a força dos tornozelos. Joelhos ao chão, lábios pressionados pelos próprios dentes, lágrimas rolando enquanto apenas o barulho dos aparelhos eram escutados. Suas mãos seguraram as dele enquanto Kagami do outro lado da sala permaneceu em silêncio, então era isso, então era por isso que Shisui vinha andando estranho, apreensivo, ansioso e receoso.



     -- O que acabou de acontecer? -- Do lado de fora, Sasuke ainda recuado pelo que acabara de acontecer, apenas perguntou permanecendo sentado. Era a mulher daquela noite, isso era óbvio, além de ser sua antiga sogra, coisa nada importante pelo fato do casamento ser totalmente destratado para ambas as famílias. Mas algo lhe chamara a atenção agora, conseguira manter a visão por pouco tempo nos olhos dela, graças a iluminação do ambiente. Perolados. Eram praticamente como espelhos d'água, e lhe trazia na mente ninguém menos que Hinata.

     -- Hikari tem um relacionamento com Shisui, há mais ou menos dois meses, desde a exposição de Jiraya-sama na biblioteca do centro. Ela planejava se divorciar de Hiaishi após os eventos da licitação de akibagahara, até onde sei.

     -- O que? E ele acha que Hiaishi iria abrir mão do casamento assim tão fácil? -- Madara cortou prontamente Obito quase saltando da cadeira de metal. -- Shisui é realmente um garot...

     -- Qual a sua moral para julgar? Não pode falar dele. Não enquanto mantém esse caso de amor proibido e extraconjugal, Madara.

     -- Obi...

     -- Não me olha assim, devem pensar que sou muito tolo.

 

 

  O mais novo comentou enquanto Sasuke apenas olhava para os dois meio alheio ao assunto. Que Madara possuía seus cacos, isso era óbvio, mas a palavra " amor " e " Madara " sendo utilizadas na mesma frase, isso era quase uma utopia poética. E a feição preocupada do mais velho comprovou tudo, estava suando frio. Era não apenas revoltante saber que seus esforços foram inúteis, mas também constrangedor estar na própria pele. Subestimou Obito, não faria isso novamente. Então ele sabia, sabia que era homossexual, que possuía um caso com seu melhor amigo de infância, avermelhou, talvez jamais outro homem senão Hashirama o vira ruborizado, mas agora se sentiu um completo inútil por assim estar diante dos próprios familiares.


  Seu celular vibrava a cada segundo, provavelmente seu amante estava sabendo a essa altura do que acontecera, o que fazia estranhamento sua barriha gelar um tanto, afinal mesmo dizendo ao mundo que odiava melosidade e afins, era engraçado e estranhamente gostoso saber da preocupação e atenciosidade do mais velho. Tentaria entender mais os sentimentos dele, mas no momento não era hora de pensar nessas coisas, soava egoísta, pensaria em Hashirama mais tarde.

  Por pedido de Madara, Fugaku e Mikoto se despediram do sobrinho acamado e partiram para o Centro da cidade, resolveriam os assuntos da compra efetuada ainda ontem, Izuna estava sozinho desde cedo cuidando da burocracia, certamente estaria precisando de ajuda, e o casal de negociantes não era apenas respeitado, mas fazia jus por serem tão conhecidos. Entraram no automóvel e seguiram, deixando na entrada da clínica Sasuke. O moreno permanecera parado com o celular em mãos, o frio era absurdo, até mesmo o fazia se encolher sozinho frente as grades de ferro da entrada. Estranhou com o número de chamadas desconhecidas, certamente se soubesse ser Hinata, acabaria sorrindo de orelha a orelha. Mas apenas guardou o aparelho tentando lembrar de onde eram tais números, afinal as únicas pessoas que lhe telefonavam tanto eram Naruto, seu melhor amigo, e Gaara, seu detetive particular.

  Bufou devidamente cansado, debruçou nos ferros da entrada passando as mãos pelos cabelos. Saíra de casa no meio da madrugada com pressa. Sua cabeça pesava um pouco pela fome, afinal eram quase sete da noite e nem tomara café da manhã ou almoçara, seria melhor passar no restaurante, afinal a comida deixada na clínica era horrível. Parecia egoísmo com seu primo, mas não diria que gostou de passar todo o dia naquele ambiente. Como teria sido o encontro de Hinata com o ator? Realmente não era dos mais agradáveis, mas não possuía algo que o fizesse ter aversão.



     -- Sasuke.


  Um choque elétrico o tomou desde os ombros aos tornozelos. Escutar aquela voz, o tom melódico e doce que exalava daqueles lábios. Seus braços arrepiaram instintivamente mesmo estando cobertos pelo blazer que usava, e talvez se ela houvesse visto, provavelmente se aproveitaria de sua fraqueza.


     -- Sasuke-kun! -- Era uma utopia. Uma ilusão que sua mente estava criando. Durante os meses que passaram, as horas, tudo o que desejou era isso. Porém agora soava tão comum, mesmo causando surpresa, não era como antes, não era o sonho que sua mente o torturava todas as noites e madrugadas, era apenas normal.


  Os cabelos negros beirando ao tom fosco balançavam pelo tamho grande e exagerado que possuíam. O abraço em suas costas era apertado enquanto sentia os seios da mesma espremendo os músculos e os braços suas costelas. Suspirou fundo antes de virar automaticamente querendo ao menos fitar a linda face de Hanabi mais uma vez, e acreditar que aquilo não era mais uma ilusão que o atormentava. Desde o dia do divórcio formal tudo mudara, a mansão absurda situada na melhor zona de Tokyo, hoje se mantinha abandonada, as noites regadas ao sexo que desfrutavam, foram substituídas pelo silêncio, e falta da presença. Sequer se falavam, e quando se viam, eram como dois estranhos.

  Permaneceu calado a olhando enquanto lentamente sentiu as unhas dela correndo por seu blazer, as unhas grandes, como ela sempre fazia. Afagou os fios negros dele afundando as unhas no couro cabeludo quando enfim pressionou os lábios dele iniciando o beijo selado e cavado sem direito a espaço. Inevitável não sentir o sabor da baunilha misturada ao aroma de creme da pele suave que roçava na sua, maciez, língua quente, saliva carregada de maldade e lascívia, um veveno demoníaco. Os seios medianos dela roçando devagar na sua camisa enquanto a língua da mesma acelarava e ditava o ritimo, desalinhava até mesmo sua camisa aos poucos pelo esfregar constante que ela insistia manter no corpo dele. Puxou os fios dele e empurrou a nuca, queria sentir mais da língua grossa e a saliva quente quando enfim o transe acabara dando lugar as mãos dele em sua barriga a afastando bruscamente.



     -- O que faz aqui? -- Sasuke limpou os lábios recuperando o fôlego. Se amaldiçoava por ter caído na armadilha que era aquele corpo que ele tão bem conhecia. Era um demônio que o seduzia com facilidade, mas era hora de deixar de cair em tais feitiços.

     -- Não é maneira de tratar a pessoa que acabou de beijar.

     -- Me responde! -- Seu tom aumentou. -- O que veio fazer aqui?

     -- Sasuke-kun. -- Sussurrou tentando de maneira frustrante o abraçar, o mesmo negara o contato. -- Você...você será papai. -- Um baque, seus olhos turvaram sentindo o peso das palavras enquanto o sorriso dela apenas aumentava. -- Eu estou grávida! Grávida de você, Sasuke!



  Seu coração batia rápido. Constantes arrepios enquanto não sabia estar quente ou frio, apenas com o olhar perdido em meio ao olhar que ela dava totalmente feliz puxando sua mão até a barriga. Não poderia ser verdade, impossível, tinha que ser. Seu olhar e feição estampavam seu estado de espanto. Enquanto ela sorria seus pés apenas recuaram lentamente com o movimentar negativo da cabeça, embalo na garganta, outro arrepio. Sua cabeça doía e sua visão turvava pela fome e medo que se apossara de seu corpo, puxou as próprias mãos com força escondendo as mesmas no próprio corpo. Hanabi estava mentindo, tinha que ser uma brincadeira. Ser pai de um filho dela, seria seu fim. Logo agora que se enxergava livre dela aos poucos surgiam mais grilhões para o acorrentar até o fundo do poço. Seu celular tocou novamente enquanto fechou as grades do portão totalmente anestesiado e aéreo.


     __ Sasuke! -- O tom inundou seus ouvidos como se nem mesmo acreditasse que ele havia atendido. Sasuke se trancou no carro ao lado da calçada agarrando o volante enquanto escutou de pronto a doce voz de Hinata. Talvez, não, com toda certeza era tudo o que precisava após aquilo. __ Não quero incomodar, apenas...

     __ Não incomoda. -- Cortou a perolada rapidamente rodando a chave na ignição enquanto dera partida cantando pneus. Seus dedos tremiam, seu coração estava acelerado. __ Está no consultório?

     __ Não. -- Frisou estranhando a voz dele, a pressa que falava, até mesmo o tom meio abalado. Não era como se conhecesse Sasuke com a palma da mão, mas tinha um exímio dom em ler e gravar os trejeitos pessoais. -- Por quê?

     __ Preciso de você! -- Seu tom não beirou ao sussurro, mas também não saíra alto, fora quase uma súplica. E para sorte da Hyuuga era apenas uma ligação, pois somente isso fora o suficiente para ruborizar toda sua face. __ Quer dizer, preciso conversar.

     __ Não estou no consultório, mas se quiser nós podemos marcar pra amanhã bem ce... -- Parou de falar logo que recebera um sonoro " não " do outro lado da linha.

 

     __ Chego na sua casa em dez minutos. --Sasuke pontuou acelerando o automóvel na pista alternativa quase vazia. Nem mesmo deu atenção as palavras da Hyuuga, sendo o típico hóspede não desejado. Mas estava pouco se importando, não poderia ser diferente, tinha apenas uma certeza, teria que ver Hinata nesse exato momento.



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