História Um Sonho de Animação (Clexa) - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Lexa, Lincoln, Octavia Blake, Raven Reyes, Roan
Tags Comedia Romantica
Visualizações 138
Palavras 5.374
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oláaaaa rs voltei com mais um capítulo, e olha, tenho que dizer que esse está um pouco mais caliente kkkk
Veremos também um pouco mais de alguns personagens e confirmaremos nossas suspeitas quanto a outros rs.
Espero que gostem.

Capítulo 7 - 7 - Eu sou Clarke Kent


“Não existe nada melhor do que um antigo Poder Smurf!” - Smurf Robusto.

 

Depois do meio dia, Kane aparece na minha baia e dia: - Acho que o Incrível Hulk está te procurando.

            Encontro o meu irmão Lincoln, alto, atlético e bonitão, falando com uma das produtoras, Dawn. O charme dele é irresistível. Dawn é bem séria e, mesmo assim, a encontro rindo.

_ Oi, Lexa – ela diz quando me aproximo. Veja quem eu encontrei.

_ Eu que te encontrei – ele corrige. – E pode apostar que vou voltar para ver você novamente.

            Ela olha envergonhada para baixo. – Ok, foi um prazer conhecê-lo, Lincoln – ela sai apressada.

_ Caramba! Sabia que eu já vi pelo menos umas doze garotas bem bonitinhas desde que cheguei? Você deveria estar tentando pegar todas.

_ Obrigada pelo conselho de irmão – eu respondo tentando disfarçar o meu sarcasmo. – Olha, quer ver meu trabalho antes de sairmos para almoçar?

_ É exatamente por isso que estou aqui – ele responde concordando.

            Levo-o à minha baia e Lincoln começa a admirar todos os desenhos na minha mesa. – Ainda não consigo descobrir como você aprendeu a desenhar tão bem. Que eu saiba, nós não temos nenhum artista na família.

Ligo meu computador. – Olha só este teste que fizemos com a cena em que eu estava trabalhando.

            Uma sequência aparece com Bucky correndo atrás de Bernie numa feira de antiguidades e objetos estranhos, como sombreiros mexicanos e armaduras de ferro caindo sobre os dois.

_ E cadê a cor e por que que parece que eles estão andando no espaço sideral? – ele pergunta, chegando mais perto do monitor.

_ Estou trabalhando na parte de animação. Depois que terminar, os personagens vão ser digitalizados e a outra equipe vai colorir. Só então é que o segundo plano vai ser criado separadamente por um grupo diferente de artistas, e daí o trabalho é compilado.

_ Isso parece complicado – ele diz, coçando o queixo.

_ Sim, e na verdade não é nem a metade. Ainda tem os efeitos sonoros, a música, a edição. Sem contar o roteiro, os esboços das cenas e a gravação das vozes no final. Atualmente, a maioria dos estúdios faz este trabalho fora do país, eu tenho sorte de trabalhar num lugar que ainda mantém a tradição.

_ Tudo isso para uma droga de desenho – ele balança a cabeça incrédulo.

_ Peraí. Eu poderia dizer o mesmo de você, todo aquele papo-furado para conseguir uma porrada de dinheiro.

_ Não fica brava não, minha irmã. Na verdade, estou bem impressionada – ele bate nas minhas costas e diz: - Vamos comer. Estou morto de fome.

 

            Decido leva-lo ao restaurante Mo’s no lago Toluca, pois os hambúrgueres de lá são quase tão grandes quanto a cabeça dele. O grande L ainda se alimenta como se jogasse futebol na universidade.

_ Então, como vão as coisa com Keli? – ele pergunta antes de pegar uma batata frita.

_ Clarke  - corrijo. – Está tudo indo bem, muito melhor do que eu esperava, eu acho.

Ele me olha surpreso como se não acreditasse que uma idiota como eu pudesse ficar com uma garota. – Você ainda está mantendo a fachada, como te expliquei?

Percebo que na visão dele meu plano pode ser até bom e decido fazer um teste.

_ Totalmente. Na verdade, ela acha que eu gosto de outra garota do estúdio e vai me ajudar a conquista-la.

_ Que diabos você está falando? Falei para você bancar a amiga e não a louca.

_ Mas você não vê? Agora ela está mais a vontade comigo. E acha que está me ensinando a namorar. Ela já até me mostrou como eu devo beijar a Rae... a outra garota.

_ Não pode ser! Isso é tão bizarro. Então ela te beija para mostrar como você deve beijar a outra e não percebe que você, na verdade, está querendo beijá-la?

_ Exatamente! – exclamo.

_ Você é completamente louca. Então me diga, Einstein, como você acha que isso vai terminar? Ou você nem pensou nisso antes de começar?

_ Não, na verdade tudo meio que aconteceu de repente. Estou tentando entender e improvisar o máximo que posso e, até agora, está tudo indo bem – começo a me irritar com o pessimismo dele. Parece até que uma nuvem negar pousou na nossa mesa.

            Ele balança a cabeça e diz: - Só que, no final, não importa o que aconteça, ela vai descobrir que você mentiu. Você a enganou e a manipulou. De acordo com a minha vasta experiência com mulheres, isso sempre acaba mal.

 

            Passo o resto do almoço vendo-o comer, uma vez que perdi completamente meu apetite. Quando estamos prontos para ir embora, pergunto se ele não se importa em para na Sem Limites. Octavia falou que minha bonequinha de vinil da Arlequina chegou à loja, e ela faz par perfeito na minha coleção do Coringa. Ela só tem uma na loja e não tem mais como segurar dos outros clientes, mesmo tendo sido eu quem fez a encomenda.

            Quando chegamos, Octavia está em pé, perto da porta, arrumando a vitrine da loja. Com a maioria das garotas, você dificilmente notaria esse gesto, mas com alguém durona como a Octavia parece que a Terra inclinou a sua rotação. Lincoln deve estar usando aquele perfume de feromônio ou algo do tipo, pois eu assisto de primeira mão a uma cena de atração instantânea.

_ Oi, Lexa – ela diz sem tirar os olhos dele. – Quem é seu amigo?

Lincoln  me corta e diz: - Oi, sou Lincoln, irmão da Lexa. E você é?

_ Octavia – ela responde sorrindo -, mas pode me chamar de O.

            Vou para  fundo da loja atônita ao perceber que ele demorou menos de dez segundos para dar em cima da Octavia e funcionou! Todo mundo, menos eu, já deu em cima dela e normalmente ela vira os olhos ou dá um soco no braço, literalmente jogando a pessoa para o canto.

            Quando volto para a frente da loja, eu vejo que Octavia está levantando a camisa para mostrar a Lincoln as tatuagens na parte de baixo das costas. Ele já está passando os dedos na pele dela jogando todo o charme para ganhar pontos.

            Lincoln marca mais um gol.

            Fico quieta enquanto ele me dá uma carona até o estúdio, mas não consigo me controlar. Preciso confirmar minhas suspeitas. – Quando? – pergunto.

_ Hoje mais tarde, depois do expediente.

_ Mesmo? – resmungo. Não estou com ciúmes e sim frustrada. Tudo é sempre tão fácil pra Lincoln.

_ Ela disse que quer saber tudo sobre mim... se é que você me entende.

            Respiro fundo. Caramba. Nós não ficamos lá nem vinte minutos.

_ Não acredito em como eu me senti – ele diz. – Não tem nenhuma enrolação com essa garota. Ela já põe todas as cartas  na mesa e isso é tão original comparado a outras mulheres que já conheci. Nossa atração foi instantânea e profunda – ele balança a cabeça admirado.

 

@@@@@@@@@@

 

Mais tarde, quando entro no escritório, Clarke me dá um sorriso enquanto eu entrego a ela minha última criação no copo. – Você sabia que espero ansiosa só para ver o que você criou para mim? – ela diz.

_ Gosto de desenhar para você – respondo. – Espero que você goste deste aqui.

            Ela vira o copo e abre um grande sorriso quando vê que me inspirei na sua coleção de vasinhos com cabeça de bonecas, só que, dessa vez, ela é uma das bonecas com tesouras e lápis saindo do topo da cabeça.

_ Ai, Lexa... Eu amei! Já vou adicionar esse copo a minha coleção.

_ Que bom – respondo. – Me diverti enquanto fazia – dou um suspiro e afundo na cadeira.

_ Tá tudo bem com você? – Clarke pergunta quando percebe que estou passando a mão no cabelo, ansiosa.

            Não consigo esconder nada dela. – Na verdade, não – admito. Depois do almoço desastroso com Lincoln, decidi contar a ela toda a verdade e esperar para ver como ela vai reagir.

            Clarke se levanta e fecha a porta da sala.

_ O que aconteceu? – ela pergunta sentando no sofá e me convidando para sentar ao seu lado.

_ Eu estou com um ressentimento horrível, parece que tudo está uma bagunça e eu não sei o que fazer para consertar. Você já se sentiu assim?

_ Com mais frequência do que eu gostaria – ela admite.

            Quando olho para ela, percebo que está com uma aparência tensa e pálida.

_ E você? está tudo bem?

_ Não, na verdade não. Aconteceu uma coisa que me incomodou muito mais cedo.

_ Você quer conversar?

            De repente ela se levanta, vai até a mesa, pega a bolsa e diz: - Ok. Vamos sair daqui. Eu preciso de uma bebida e acho que você também precisa de uma.

 

            Abby não fala nada quando Clarke avisa que estamos saindo para resolver um assunto. Tento parecer o mais normal possível, apesar do nervoso de estar saindo correndo com ela para algum lugar. A agitação acaba me distraindo daquele sentimento sombrio e pesado que estava me deixando para baixo.

            Nós ficamos lado a lado no elevador, e quando paramos no sexto andar Monty entra com uma pilha de esboços.

_ Oi, Lexa – ele diz antes de se acomodar.

Lembro-me de uma coisa. – Ei, Monty, você me faz um favor? Eu preciso dar uma fugida para resolver um assunto. Você avisa o Kane? Fala para ele que eu já terminei as revisões.

 

_ Claro. Sem problemas – Monty garante. Eu acho que ele não está associando que eu vou sair com a Clarke, que está bem quieta no outro canto do elevador.

            Naquele momento eu fico muito grata por ter sido ele que encontrei no elevador. Tanto o Jasper quanto o Bell iriam fazer muitas perguntas.

 

            Depois de entrarmos no carro da Clarke eu percebo que nós estamos bem quietas. Depois de um tempo eu finalmente pergunto:

_ Para onde nós vamos?

_ Ao Smokehouse, próximo dos estúdios da Warner.

            Eu sorrio pensando na escolha tão peculiar. É tão diferente e legal. Apesar da decoração tradicional e da clientela cheia de pessoas mais velhas, existe alguma coisa de diferente naquele lugar.  Com certeza milhares de negócios  relacionados a filmes e desenhos já foram feitos ali.

_ Eu vi o Frank e o Ollie tomarem sopa lá uma vez.

_ Os animadores da Disney Frank e Ollie? – eu pergunto com reverência.  - Eles são muito famosos e reconhecidos no mundo da animação como parte de um grupo chamado  Os Nove Anciões, composto por brilhantes animadores que criaram técnicas novas e foram pioneiros na produção de desenhos e longas-metragens da Disney em filmes clássicos.

_ Sim. Eu quase pedi para sentar com eles.

_ Eu aposto que eles iriam adorar, uma mulher tão bonita como você fanzoca deles.

            Ela olha para mim surpresa. Será que é porque eu disse que ela era bonita? Não dá para negar, pois o fato é irrefutável. Talvez ela esteja surpresa por alguém tão lenta ter percebido.

_ Eu deveria ter feito isso – ela responde depois de uma pausa. – Agora ele já não estão mais aqui e eu perdi a chance de contar para eles o quanto o Bambi e o Dumbo foram importantes na minha infância.

 

            Depois de nos acomodarmos numa das cabines no fundo do salão, decidimos começar a beber e a Clarke pede um martíni e eu uns uísques duplos Jameson com gelo. Nós começamos a conversar sobre os desenhos que vimos quando crianças. Os Smurfs aparecem nas nossas listas, e eu começo a rir lembrando de uma caricatura do Robusto fazendo coisas inadequadas com a Smurfette. Clarke quase cospe todo o martíni.

_ Você é terrível – ela ri. – Eu nunca mais vou olhar aquelas criaturas sem lembrar dessa cena na minha cabeça!

_ Eu acho que esse é o propósito, revisar a história da animação, com uma caricatura de cada vez. – Eu percebo, enquanto a observo, que o álcool já está fazendo efeito. Ela parece muito mais feliz e relaxada agora do que naquela hora no escritório.

_ Olha, eu adorei que nós resolvemos fugir – ela diz enquanto alonga as pernas de baixo da mesa e acaba tocando a minha perna. – Eu estava pronta para matar o Roan e agora não ligo a mínima para ele e a tal agenda.

_ Agenda? – eu pergunto, curiosa demais para ficar quieta.

Ela esfrega as mãos no rosto e solta um gemido.

            Eu tomo um bom gole da minha bebida e depois  de colocar o copo na mesa pergunto: - O que foi que ele fez? Deve ter sido alguma coisa séria para deixar você tão chateada.

            Ela joga uma azeitona na boca e fica olhando para mim como tentando decidir se me conta o segredo ou não.

_ Ele tentou me prostituir.

            Eu agarro a mesa com tanta força e meu corpo todo enrijece. – O quê? Será que ouvi certo? Você vai ter que me explicar o que você disse.

_ Sim. Eu já falei pra você que temos um relacionamento aberto, certo?

_ Sim. – Esse é o tipo de informação que eu nunca vou esquecer.

_ Pois é, nós tivemos nossa reunião com uns clientes hoje e eles estão nos pressionando muito, tanto com o conteúdo quanto com o orçamento. E é tão desagradável parecer que estamos sempre de joelhos perante eles... estamos a mercê deles o tempo todo.

            Essa é uma parte dos negócios que eu nunca tinha ouvido, e, pelo que parece, eu prefiro ficar bem longe disso.

_ Então, a pessoa que tem o poder de decisão é o Stephen, um idiota careca que tenta disfarçar penteando o cabelo pro lado. E para a minha sorte ele tem uma queda por mim. Os olhares dele durante a reunião são totalmente inapropriados. Ele já até sugeriu que nos reuníssemos para falar de negócios a sós, mas eu sempre recusei. – As mãos dela se fecham e ela bate na mesa. – O Roan sabe de tudo isso, sabe exatamente como eu tenho nojo desse sujeito.

            Meu estômago fica embrulhado. Eu também já fui assediada por homens nojentos, pra mim todos são mas enfim, nossa garçonete traz a segunda rodada de drinques. Eu tomo mais um gole, e Clarke faz o mesmo.

_ Então, quando a reunião acaba e eu estou arrumando minhas coisas para ir embora, o Stephen chega perto e me convida para almoçar. Eu minto e falo para ele que eu já tenho um compromisso marcado com o Roan e outro diretores. As palavras nem acabaram de sair da mina boca quando o Roan aparece e diz, na frente do Stephen, que não tem problema eu faltar a reunião e deseja um ótimo almoço para nós dois, e fala para eu me divertir com o Stephen.

_ Ele literalmente jogou você debaixo do  ônibus – eu digo baixo, tentando disfarçar a fúria na minha voz.

_ E tirou minha calcinha antes de jogar! – ela concorda enojada.

_ Então, o Stephen me avisa que vai só dar uma parada no banheiro mas me encontra no corredor, enquanto o Roan me puxa para o lado e me diz pra jogar charme pra cima do cara e fechar o negócio.

_ Caraca! E o que você respondeu?

            Ela toma mais um gole, e suspirando diz: - Eu fiquei tão atônita, com tanta raiva e chocada que nem respondi. Eu simplesmente virei e deixei ele falando sozinho. Além do mais eu não poderia começar um escândalo e gritar com ele naquele momento.

_ Eu entendo – eu respondo solidária. – Quando eu fico surpresa ou chocada, tenho a mesma reação na maioria das vezes.

_ E depois disso eu tive que aguentar o Stephen ficar falando sobre ele e evitando as cantadas.

_ E você está bem? – eu pergunto apavorada.

_ Eu estou, mas a situação foi desagradável. Eu tive que abandonar a Clarke educada, e é claro que ele adora desafios. Eu fiz de tudo para me controlar e não chutar as bolas dele. Que bundão persistente. E também eu nem consigo entender como a situação vai ajudar a República do Rabisco. A situação me deu dor de estômago. Eu nunca mais vou deixar alguém me colocar nesse tipo de situação.

_ Eu sinto muito – olho para baixo e me sinto frustrada por não poder fazer nada que apague essa memória. – E o que você vai fazer com o Roan? Vamos pensar num ataque bem ofensivo – eu digo determinada.

_ Algo bem maquiavélico – ela concorda. E, neste exato momento, seu celular vibra anunciando uma nova mensagem de texto e dá para perceber que é de Roan.

            “Onde você está?”, Clarke lê a mensagem para mim. Ela dá uma gargalhada e começa a digitar a resposta: “Estou exatamente onde eu quero estar.” Depois de apertar a tecla de enviar, ela olha para o telefone e xinga: - Vai pro inferno, Roan.

            Sorrio e realmente espero que ela tenha falado de coração. Clarke se vira e olha para mim: - Já te conte que o nome verdadeiro dele não é “Roan”, mas sim “Ronan”?

_ Ronan? – engasgo, quase cuspindo meu drinque.

_ Verdade, isso não é demais? Eu achei um livro dele na época do ginásio e tinha uma foto. Eu chamei de Ronan uma vez enquanto brigávamos e ele saiu emburrado, batendo os és como um bebezão – ela conta rindo.

            Um segundo depois o telefone vibra novamente.

            E ela, mais uma vez, lê alto: “O que você está fazendo?” Seus dedos quase voam no teclado respondendo. Parece até que vejo fumaça sair das orelhas dela como o Eufrazino, quando o Pernalonga o deixava louco.

            “Eu achei que você sabia. Desculpe, mas estou trabalhando. Se ele me foder mais uma vez, acho que consigo fechar o negócio.

            Por que ela leu isso pra mim? Me sinto enojada e excitada ao mesmo tempo. Tomo o resto da minha bebida num gole só para disfarçar a dor, e o salão começa a girar.

            Ela lê a resposta com raiva mórbida: “Isso não é enraçado, Clarke” – Ai meu Deus, o cabeludo está ficando com raiva – ela balbucia.

            “Não, não tem raça nenhuma”, ela digita enquanto e fala e depois desliga o telefone. Clarke acena para a garçonete e pede meio alto: - Mais uma rodada, por favor.

            Muito bem, Docinho!

            Fico quieta pensando no que dizer. Finalmente, eu penso na melhor opção: - Você quer que eu dê uma surra nele? Meu irmão, na verdade parece o Incrível Hulk, pode ajudar e prometo que ele nunca mais vai afazer isso.

_ Você é tão atenciosa, eu realmente aprecio isso.

_ Estou falando sério – eu digo. Quero que ela entenda que esse assunto é sério pra mim.

_ Sei que você está falando a verdade e isso vale muito pra mim. Ainda assim, prefiro dizer não, mas obrigada. Olha, eu já estou meio alta e adorando ficar aqui falando besteiras, mas apesar da mina amargura, no fundo, sei que Roan não queria que eu dormisse com Stephen. Jogasse meu charme sim, transar com ele não.

_ Mesmo assim é nojento – insisto.

_ Sim, concordo – ela abaixa a cabeça e nós ficamos em silêncio por uns minutos antes de ela me olhar e perguntar: - Chega de falar sobre mim. O que aconteceu com você hoje?

            Concluo que é melhor não contar a história estando bêbada, mas sinto uma necessidade de despejar minha frustração.

_ Ah, foi um lance de ciúmes. Eu sou patética.

_ O que aconteceu? – ela pergunta solidária.

_ Almocei com meu irmão hoje. Depois do almoço fomos à minha loja de gibis favorita e eu o apresentei À minha amiga Octavia. Ela é a dona da loja e é extraordinariamente bonita. E é claro que eles se encontraram e foi amor a primeira vista.

_ Mas pensei que você gostasse da Rae. Por que seu irmão gostar da Octavia e ela dele te incomoda tanto?

_ Eu não sei, talvez porque nessa altura os dois já devem estar na cama. As mulheres caem aos pés do Lincoln e o arrastam pra cama. Ele tem a oportunidade de fazer sexo o tempo todo e eu não. As coisas nunca funcionaram assim comigo.

_ Mesmo? – ela pergunta com um olhar decepcionado.

_ Me desculpe – digo, deixando meu rosto cair nas minhas mãos.

_ Você não faz? O que quer dizer com isso? Até parece que você nunca experimentou um bom sexo ou coisa do tipo.

            Olho para ela pálida e consigo até ver o sangue se esvair do seu rosto.

_ Ai, meu Deus – ela suspira. – Você não pode ser virgem, por favor, me fala que você não é virgem.

            Já me sinto tão derrotada que nem me importo mais com o que pareça. Arrasada, pego meu copo e dou um bom gole. – Bem, tecnicamente eu posso até ser, pois nunca consegui curtir.

_ Eu não entendo. Você tem algum tipo de problema físico? Acho que não, uma vez que você parecia bem saudável enquanto nos abraçávamos ontem à noite.

            Fico horrorizada e em choque. Nem consigo olhar para ela. – Eu não me sinto à vontade falando com você sobre sexo, aliás, falta de bom sexo, Clarke. É muito humilhante.

_ Primeiramente, Lexa, eu adoro falar de sexo. É meu assunto favorito, então não fique com vergonha.

            Ela chega perto, coloca a mão no meu joelho e diz: - Você precisa entender que eu fui criada num ambiente de amor livre, meus pais não eram nada convencionais, eram hippies mesmo. Quando eu tinha idade para ir pro colegial, minha mão colocou um vidro cheio de camisinhas na porta de casa e ainda, para completar o show de horror, ela tentou me ensinar a fazer boquete com uma banana. Tudo que falava era sobre sexo. Então, nada do que você me disser vai mudar a maneira como eu te vejo. Esse é um assunto com o qual me sinto muito confortável. Além do mais, talvez eu até possa ajudar.

            Olho para minha bebida e concordo: - ok.

_ Vamos voltar um pouco. Eu sei que você se sentia estranha com relação ao beijo, essa coisa com o sexo é igual? Você já tento e não gostou?

_ Eu nem sei por onde começar – respondo, puxando meus cabelos frustrada.

_ Que tal pelo começo? – ela sugere gentilmente.

_ Bom, eu acho que á te contei que eu era muito tímida no colégio com as meninas. No último ano eu até comecei a sair com a irmã de um amigo por uns tempos. Nós até tentamos e fizemos algumas coisas, mas tudo foi tão desconfortável que não tinha como aproveitar. Não tínhamos nada em comum, nem a química necessária. Nós finalmente desistimos. Depois, quando eu fui para a faculdade, na CalArts, eu conheci a Costia, uma outra estudante de animação, e depois de algumas semanas nós já estávamos juntas.

_ Ela é quem não gostava de te beijar?

Confirmo. – Sim, mas ela era maravilhosa em muitos outros aspectos. Nós adorávamos animação e falávamos disso o tempo todo. Antes mesmo de perceber, parecia que estávamos grudadas uma com a outra. Eu estava tão feliz por finalmente ter encontrado alguém.

_ Parece que era tudo ótimo.

_ Era mesmo. Além do mais, Costia era a pessoa que mais me apoiava, dizendo sempre que eu era a mais talentosa da turma e que minha carreira seria brilhante.

_ Que coisa boa de ouvir – Clarke, concorda, me encorajando a falar mais.

_ Tudo acabou meio confuso com o sexo. Ela me tocava o tempo todo, segurava minha mão, sentava no meu colo, mas na hora em que eu começava a fazer algo mais, ela congelava. Começou com o beijo. Ela odiava os beijos. Então eu finalmente desisti. Só que eu tinha necessidade, você entende. Eu a amava e queria ficar com ela... realmente ficar com ela. Então insisti, ela finalmente cedeu e concordou em fazermos amor.

_ Então deu tudo certo? – ela diz sorrindo.

_ Honestamente, eu não sei o que deu errado. Achei que por estarmos apaixonadas seria diferente da experiência do colégio. Mas não deu certo. Não importava quantas vezes ou como eu a tocava, ela não reagia da maneira esperada, da forma como agente vê nos filmes ou lê nos livros. Ela ficava lá parada, sem fazer nada.

            Percebo que minhas mãos estão rígidas, então começo a movê-las e a flexionar os dedos enquanto respiro fundo.

_ Eu gostava tanto dela. Levei semanas para me recuperar dessa primeira vez.

_ Deve ter sido horrível – ela diz.

_ A próxima vez que tentei, nós tínhamos bebido um pouco e eu achei que ela fosse relaxar. Em vez disso, ela ficou superemotiva e começou a chorar.

_ Caraca – ela murmura.

Concordo. – Dá para você imaginar como eu me senti? Depois disso, comecei a pesquisar todas as maneiras possíveis de satisfazer uma mulher. Eu precisa descobrir o que estava fazendo de errado. Fiquei obcecada. Era quase como descobrir um código secreto. Preparei um verdadeiro arsenal de técnicas e um plano de sedução... só que a única coisa que funcionou foi quando... você sabe... – senti meu rosto pegar fogo.

_ Quando você fazia sexo oral nela? – ela pergunta gentilmente.

            Balanço a cabeça concordando, completamente envergonhada. – Ela gostava bastante e virei uma verdadeira profissional.

_ Mas e você? – não posso deixar de notar o olhar triste de Clarke, e meu coração fica ainda mais apertado.

_ Eu adorava fazer com que ela se sentisse amada, mesmo que quando era vez dela de fazer alguma coisa, não dava certo, acho que ela não se sentia a vontade, então não foi o fim do mundo. Claro que eu queria mais, no entanto, não sabia o que fazer. E foi aí que finalmente aceitei que não iria acontecer comigo, que, provavelmente, eu não tinha aquele dom natural para ser desejada por outras mulheres.

            De repente, o humor de Clarke muda, e parece até que ela está com raiva.

_ Por que você pensa que o problema está em você? No que você fez ou deixou de fazer. Por algum momento passou na sua cabeça que ela provavelmente era frígida e não gostava do ato sexual propriamente dito?

_ Na verdade não, ela me disse que tinha tido um namorado e uma namorada no colégio e eles tinham feito sexo. Ela deixou bem claro que eu era o problema, minha falta de habilidade. Além do mais, as experiências que tive no colégio também não ajudaram.

            Clarke começa a bufar, cruza os braços no peito e diz: - Verdade? Talvez ela estivesse mentindo sobre o namorado ou namorada. Ela inventou tudo apenas para disfarçar os problemas e as dúvidas. Você já pensou nisso?

_ Não. Costia nunca faria isso comigo. Ela me amava, eu sentia. Nós ainda ficamos próximas apesar dos problemas que enfrentamos.

_ Você ainda se encontra com ela?

_ Não muito. Apesar de tê-la visto uma vez no ano passado, continuamos nos falando. Ela está trabalhando na Pixar e se mudou.

_ E ela tem um namorada ou namorado?

_ Não que eu saiba, mas isso não prova nada. Eu também não tenho namorada.

_ Você é surreal, Lexa – ela balança a cabeça incrédula. Consigo perceber que é o martíni falando, e não ela. – Talvez eu tenha que dormir com você para provar que você é capaz. Você precisa de alguém que saiba o que é sexo bom.

            Ai, meu Deus!  Meu coração dá pulos de alegria com a ideia. E, apesar de deseja-la com tudo o que existe em mim, esta não é a maneira que eu quero que aconteça. Quero que ela me deseje... não apenas fazer sexo comigo para me ajudar.

_ Você acha que essa é uma boa ideia? – pergunto com cautela. – Quer dizer, é uma oferta muito generosa, mas você quer mesmo fazer isso? Você nem sente atração por mim.

_ E como é que você pode saber? Talvez eu esteja tremendamente atraída. Quem sabe eu não vou para a cama todas as noites pensando no que gostaria de fazer com você.

            Ok... agora é oficial. Ela está muito bêbada.

            Sei que estou vermelha como um pimentão. Nem preciso de espelho para confirmar. Sei também que estou tão excitada que me ajeito na cabine para despistar. – Clarke... – gaguejo.

_ Tá legal, sinto muito... fui grosseira. Meu ponto, mesmo que mal colocado, é que queria muito te ajudar. E, se mostrar para você como se divertir na cama vai ajudar, eu faria com prazer. Eu te acho uma mulher incrível, Lexa. Queria que você entendesse o quão bom e bonito fazer sexo realmente é. Não quero que esses pensamentos negativos fiquem te assombrando. Você não vai conseguir ser feliz até que supere isso de verdade.

 

            A garçonete se aproxima e pergunta: - Vocês não querem nada para comer? O especial de hoje é costela com batata assada, o que acham?

            Nós duas concordamos ao mesmo tempo. Enquanto ela se fasta para fazer o pedido, Clarke estende a mão e segura no meu braço.

_ Não se preocupe, nós vamos bem devagar... um passo de cada vez, ok?

            Concordo, absolutamente confusa com o que acabei de aceitar. Será que eu vou comer uma batata assada e Clarke vai para a cama comigo? O uísque deve estar pregando peças na minha cabeça. Eu nem me lembro se contei para ela que era mentira que eu gostava da Rae e que na verdade eu gosto dela.

 

            Depois de devorar a comida e ficarmos bem mais sóbrias, acabamos brigando no estacionamento disputando quem deveria dirigir. Ela finalmente me deixa guiar o carro dela. De volta ao estacionamento da República do Rabisco, completamente vazio a não ser pelo meu Mini Cooper vermelho, tento desesperadamente disfarçar, pois não quero dizer adeus. Parece até que nunca vou me cansar dela.

            Eu já estou certa disso.

            Depois de estacionar seu carro do lado do meu, nós nos olhamos. Ela dá um passo ara frente e eu, um para trás até me encostar no carro.

_ Você está bem? – ela chega perto e toca meu pulso. É um toque bem sutil, como se uma borboleta tivesse pousado em mim. E, ainda sim, quase me queima.

_ Vamos praticar? – ela chega ainda mais perto. Não tem lugar para eu me mover.

_ Praticar? – pergunto, com a voz um pouco insegura.

_ Nosso beijo, somente o beijo – ela sussurra, e, um segundo depois, seu corpo já está grudado no meu. Quando nosso lábio se tocam, esqueço de tudo, todas as regras, os ângulos geométricos, e começo a sentir o quão maravilhoso é sentir a língua dela misturada à minha. A próxima coisa que percebo é minha mão nos cabelos dela e meus quadris pressionando o corpo dela. Ai, assim.

_ Viu? – ela sussurra enquanto toma fôlego. – Isto é absolutamente certo... da maneira como tem que ser.

            Eu a beijo mais uma vez e outra.

_ Posso tocar você? – ela pergunta baixinho.

            Respiro fundo. Não dá para dizer não, eu quero tanto. Acho que concordo balançando a cabeça, mas não tenho certeza.

A próxima coisa que sinto é ela passando a mão em meus seios por de baixo da minha camisa.

_ Tudo bem? – ela pergunta olhando para mim.

Engulo em seco e concordo.

_ Deixa eu falar uma coisa... você é incrível, tão perfeita. Você me entende? – O desejo nos olhos dela acende o meu fogo. Ela me aperta por um longo momento antes de tirar a mão devagar.

            Meu corpo todo está suplicando por mais, mas sei que terminamos. Ela já está se afastando de mim. – Isto foi tão bom –murmuro.

_ Quando você se tocar em casa mais tarde, lembre-se de como você se sentiu aqui, combinado?

 

            Concordo com um belo sorriso enquanto Clarke entra no carro e sai. Ela parece também um pouco perturbada. Será que também ficou excitada?

            Enquanto a vejo sair pelo portão, preciso controlar meu impulso de sair correndo atrás dela. Como o Super-Homem indo atrás da Lois e arrancando-a do carro ara seus braços. Mas, na realidade, me sinto como Clark  Kent, desajeitado e lento, e agora ela já entrou na estrada e saiu do meu alcance.

            Entro rápido no carro, ansiosa para chegar em casa e deitar na minha cama. A imagem vívida das mãos de Clarke me tocando, sussurrando palavras sedutoras, se repete na minha cabeça o caminho inteiro até em casa.

            Com certeza vou me lembrar de cada momento enquanto eu me tocar, Clarke. E você?


Notas Finais


E aí, o que acharam da atitude do Roan? O que vocês fariam no lugar da Clarke nessa situação? Me contem nos comentários em!

Cada vez entendo menos essa Costia, e vocês?

E essa Clarke pra frente em gente, cheia das declarações e mãozinhas kkkk

Até a próxima e baaay!!!


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