História Um toque de vermelho - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camren, Lauren G!p, Romance, Sobrenatural
Visualizações 97
Palavras 3.788
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Agora só falta 5 caps para fic terminar

Capítulo 20 - Dezenove


 —Eu sabia que eles não iam gostar nada disso—, Camila murmurou para Elijah enquanto via mais e mais Sentinelas aterrissarem no descampado ao lado do galpão de treinamento.

 O sol havia acabado de nascer. Lauren havia insistido para que Elijah levasse Camila de volta ao hotel na noite anterior, sob o argumento de que ela estava cansada demais para dirigir. Como o Prius dela era pequeno demais para ser guiado por um licano, eles foram num dos jipes da Morada. Ela imaginou que deixar seu carro por lá era mais uma forma de acalmar Lauren, de ter certeza de que ela voltaria, então resolveu não discutir. 

—A rotina dos Sentinelas é a mesma há muito tempo—, disse Elijah.—Faz um bom tempo que eles não encaram uma novidade dessas.

 Ela se virou para encará-lo. 

—Você vai ficar bem, El? Com toda essa história de alfa e do seu sangue... Eu posso fazer alguma coisa para ajudar?

Ele olhou para ela. Com os olhos azuis do licano escondidos atrás dos óculos escuros, Camila não tinha a menor pista sobre o que ele poderia estar pensando. 

—Não suma da minha vista. Minha função é proteger você. Se acontecer alguma merda, estou fodido.

—Não imagino que você vá deixar alguma merda acontecer.— Ele soltou um riso de deboche.—Você não quer conversar sobre essa possibilidade?—, ela sugeriu. 

—Não quero nem pensar nessa possibilidade.

—Certo. Precisando de mim é só falar.

Damien chegou. Apesar de a manhã estar fria e o morro, coberto de neblina, ele estava vestido como todos os outros Sentinelas: calças largas e sandálias de couro. As mulheres usavam top de ginástica para não ficar com o peito nu. Só de olhar para elas, Camila estremeceu. Ela usava um agasalho de ginástica completo, e mesmo assim estava quase batendo os dentes.

—Já vi você em ação com facas e uma escopeta.— O Sentinela a mediu dos pés à cabeça com um olho clínico. —E demonstrou uma habilidade razoável em ambos os casos. Como você se sai no combate corpo a corpo?

Ela ergueu as sobrancelhas. 

—Está falando sério? Eu sou humana. É para isso que servem as facas e as armas de fogo, não deixar os inumanos chegar nem perto de mim e me picar em pedacinhos. Além disso, o arremesso de facas e o tiro ao alvo são atividades solitárias, então sempre treinei sozinha e... Ei!

 Camila arqueou as costas para tentar se esquivar do punho de Damien, que se dirigia diretamente para sua cara. O ruído do impacto de osso contra osso preencheu o ar. Ela caiu de bunda no chão e arregalou os olhos.Elijah havia bloqueado o soco de Damien com a palma da mão. Os dois frente a frente, com o braço tremendo pela força exercida por ambos em sentido contrário. 

—Que porra é essa?—, ela gritou. 

Os dois se afastaram, dando um passo atrás cada um. E se viraram ao mesmo tempo, ambos estendendo a mão para ajudá-la a se levantar. Ela usou as mãos dos dois para se pôr de pé. 

—Lauren disse que você era rápida—, Damien falou sem se alterar, como se não tivesse acabado de desferir um soco capaz de arrebentar sua cara inteira. —Não pude ver você em ação lá em Hurricane, então tive que medir sua velocidade eu mesmo.

 Camila o encarou com incredulidade por um tempo, depois olhou para Elijah. Um músculo de seu maxilar estava pulsando. Talvez o teste não tenha sido só para ela. O licano podia estar sendo avaliado também. Os demais Sentinelas, cerca de dez, divididos igualmente entre homens e mulheres, tomavam conta do descampado ao redor, observando-a . Ela se sentiu um pedaço de carne crua lançado para um bando de répteis famintos. Ela remexeu os ombros. 

—Se você me deixar pronta para a luta—, ela falou para Damien,—Lauren vai se preocupar menos comigo e mais com toda a merda com que vocês estão sendo obrigados a lidar. Vai ser melhor para todo mundo.

 O Sentinela ficou imóvel por um instante, encarando-a. Ela nem piscou.Por fim, ele acenou com a cabeça. Todos eles queriam dificultar o máximo a vida dela, mas Damien saberia manter as coisas em perspectiva. Era o que ela esperava, pelo menos. Elijah se aproximou dela. 

—Eu vou ficar por aqui o tempo todo—, ele prometeu, e de tal maneira que parecia até uma ameaça. 

Um alerta para os demais.Damien fez um sinal para que ela se juntasse aos demais Sentinelas no descampado. 

—Vamos lá.

Ela percebeu que Lauren não estava brincando quando sugeriu que ela revisse sua noção de dia cansativo. Aquele seria um teste tremendo à sua capacidade física e psicológica, ela sabia. E não tinha nem começado. 

                               *


—O sangue de Elijah foi retirado do banco de amostras da matilha do lago Navajo.

 Lauren desviou os olhos da paisagem em movimento que se descortinava pela janela do banco traseiro do Maybach e encarou seu tenente. 

—Puta que pariu.

—Pois é.—Jason guardou o celular no bolso. —Não a amostra inteira, só uma parte. Precisaram pesar a bolsa para confirmar o roubo.

 O sol iluminava os cabelos loiros do Sentinela através do teto solar, criando a ilusão de que havia um halo em torno de sua cabeça. Por um momento, a saudade de casa comprimiu o peito de Lauren. O período máximo que eles podiam estocar o sangue sem que a qualidade da amostra fosse comprometida pela criopreservação era de dez anos. Alguém havia tido acesso ao sangue de Elijah, retirado o que queria e devolvido a amostra. 

—Assim que chegarmos ao campo de aviação—, falou Lauren,— quero que você vá até o lago Navajo e encontre o responsável. Somente os Sentinelas têm autorização para entrar no depósito criogênico.

—Você acha que foi um de nós?

—Depois de Lana... nada mais é impossível. Preciso ter certeza do que está acontecendo.

 Jason suspirou. 

—Eu nunca imaginei. Nunca consegui entender o que Syre e os Vigias fizeram. Mas parece que, quanto mais ficamos aqui, mais humanos nos tornamos. Começamos a querer certas coisas... a sentir certas coisas... Bom, você sabe como é.

 Lauren ficou observando seu tenente por um bom tempo, olhando para Jason com uma atenção que não lhe dedicava fazia um longo período. Pelo jeito ela andava deixando muita coisa passar despercebida. Estava imersa demais em sua apatia, provocada pela tristeza e pelo sentimento de culpa. 

—Você sente algum desejo, Jason?

—Não tanto quanto você, e não por sexo. Minha inquietação é provocada pela frustração. Estou cansado de continuar me dedicando a uma missão que nunca vai acabar.

—Eu aliviaria esse seu fardo se pudesse.

—Bom, enfim.— Jason ergueu um dos ombros.—Eu sigo vivendo. E espero que essa doença vampiresca seja o início do fim da nossa missão. Se Deus quiser, vai aniquilar todos eles, e assim podemos ir para casa.

Lauren voltou a olhar pela janela. Voltar para casa. Para ela, sua casa era onde Camila estivesse. 

Chegaram a Ontario, ao hangar que a Jauregui Aeronáutica mantinha no local. Esperaram um tempo até que as enormes portas de metais se abrissem antes de entrarem com o Maybach. Jason saiu para providenciar sua viagem a Utah. 

Lauren se dirigiu aos armazéns subterrâneos da construção. Quanto mais descia, com mais facilidade ouvia os grunhidos e os sussurros. Sons ininteligíveis se misturavam às ameaças e obscenidades gritadas pelos prisioneiros que ainda não haviam sido infectados. Era como penetrar as entranhas do inferno. 

—Capitã.

 Uma morena bonita se aproximou com seu ritmo de passada constante e precisa. Com seu visual urbano e moderno e seus cabelos curtinhos e espetados, Siobhán parecia delicada demais para ser perigosa, o que a ajudava imensamente no campo de batalha. 

Seus oponentes sempre a subestimavam. Essa era uma das razões por que ela tinha sido encarregada de ir atrás dos vampiros infectados. A outra era seu fascínio pela ciência. Aquela caçada exigia alguém que soubesse que a captura dos vampiros era só o início da jornada. 

Com as mãos enluvadas, ela removeu a máscara cirúrgica que cobria seu rosto. 

—Já perdemos dois dos seis que capturei. Quatro é uma amostra estatística muito pequena, então vou ter que sair para caçar de novo em breve.

—Algum dos não infectados tem informações úteis sobre como a doença surgiu? Ou como se espalhou?

—Um deles está disposto a falar.

Ela enfiou a mão num dos bolsos da calça cargo e tirou de lá uma máscara e um par de luvas, que entregou a ele. 

—Isso é mesmo necessário?

 Os Sentinelas eram imunes a doenças. 

—Não sei.

 Ela fez um gesto para que ela a acompanhasse, conduzindo-a por uma sala ocupada por uma dúzia de jaulas revestidas de prata. 

—Mas você não vai querer os dejetos dele na sua mão ou na sua boca, o que seria bem nojento.

 Ela vestiu o equipamento de proteção sem mais questionamentos. 

—O que já descobrimos?

—A doença apareceu pela primeira vez há uma semana. É infecciosa em níveis variados. Alguns sucumbem imediatamente e morrem em questão de dias. Outros demoram mais para apresentar sintomas e sobrevivem até duas semanas. Este grupo específico não tem informações sobre eventuais infecções em outras localidades, o que me leva a pensar que Syre talvez não saiba de muita coisa.

Lauren passeou na frente das jaulas, examinando os vampiros infectados com um mórbido fascínio. Olhos vermelhos, bocas espumantes, aparente inconsciência. Eles se arremessavam contra as implacáveis barras de metal e esticavam os dedos e as garras para fora, tentando alcançar Lauren ou Siobhán com um desespero malévolo. Seus olhares eram enlouquecidos, apesar de parecerem sem vida. 

—Eles demonstram algum sinal de inteligência?

—Não. São como zumbis de filmes de terror vagabundos. Além da sede de sangue, não demonstram mais nenhum sinal de vida.

Ela soltou o ar com força. 

—Já testamos o sangue deles?

—Colhemos amostras dos infectados e não infectados enquanto ainda estavam sob o efeito de tranquilizantes no avião. Porém...

Aquela pausa chamou sua atenção e o fez desviar os olhos daquele macabro show de horrores para olhá-la. 

—Continue.

Ela cruzou os braços. 

—O metabolismo deles está extremamente acelerado. Os não infectados permaneceram sob o efeito da anestesia durante todo o voo, mas os doentes acordaram logo depois da decolagem. Malachai foi mordido por um deles enquanto colhia o sangue.

—Está tudo bem com ele?

—Por enquanto, sim. Mas eu o pus em quarentena até termos certeza. O vampiro que o mordeu foi a primeira baixa. Tive que sacrificá-lo para tirá-lo de cima de Malachai. —Siobhán voltou a caminhar e parou diante de uma jaula na qual um vampiro estava sentado num canto, abraçando os joelhos. —Esse é o conversador.

—Então você é a famosa Lauren—, disse o vampiro com a voz trêmula. —Não parece muito assustadora com essa máscara. Parece assustada, isso sim.

Lauren se agachou e perguntou: 

—Isso interessa?.

—Para mim, sim.

O vampiro levantou uma das mãos trêmulas para afastar uma mecha de cabelo escuro que havia caído sobre o rosto. 

—Shawn.

—E o que você costuma usar?—, Lauren quis saber, reconhecendo os sinais da crise de abstinência. 

—Cristal.

 Lauren olhou para Siobhán e perguntou: 

—Existe a possibilidade de a droga ter alguma interação com a infecção? De proporcionar certo nível de imunidade, talvez?. 

—A essa altura, não descartamos nenhuma possibilidade.

—Obrigado pela sua ajuda, Shawn.

Lauren se levantou e encarou Siobhán. 

—Me leve até Malachai.—Elas saíram da sala e seguiram pelo corredor.—Tenho uma pergunta para você—, Lauren disse baixinho. 

—Sim, capitã? 

—Camila Cabello mencionou que o sangue dela tem efeito negativo em determinadas criaturas que caça. Como ela costuma ir atrás tanto de vampiros como de demônios, suponho que o segundo grupo seja o mais suscetível.

Ela se lembrou da vampira que tinha interrogado em Hurricane. Ela estava com o sangue de Camila nas mãos, mas não houve nenhum tipo de reação, nem adversa nem favorável. 

—Você sabe me explicar por que o sangue dela seria capaz de fazer uma faca atravessar a carapaça de um dragão?

Ela franziu a testa. 

—Que interessante. Preciso pensar um pouco a respeito. E adoraria ter uma amostra para examinar.

—O fato de haver duas almas dentro dela poderia ser a causa?

Siobhán diminuiu o passo diante de uma porta de metal com janela. 

—Sim, é possível. Você sabe o poder que têm as almas. A presença de duas delas no mesmo receptáculo pode resultar num poder de caráter único, que provavelmente nunca poderemos compreender por inteiro.

Olhando através do vidro, Lauran viu Malachai se remexendo numa cama com o celular na mão. Ela bateu. Malachai ergueu a cabeça e abriu um sorriso ao reconhecer sua visitante. 

—Estou bem, capitã—, gritou o Sentinela. 

—Fico feliz em saber.

Lauren estava prestes a dar prosseguimento na conversa quando o som de um impacto fortíssimo foi ouvido do outro lado do corredor. Ela olhou para trás. 

—O que foi isso?

 Siobhán franziu a testa. 

—Não sei. E não estou gostando nada.

Alguns outros Sentinelas apareceram no corredor ao perceber que o som das pancadas persistia. Voltaram-se todos para Lauren, que logo se dirigiu para o lugar de onde parecia vir o som. Quando a localização do ruído tornou-se identificável, Siobhán informou: 

—Aí é onde fica o necrotério.

—Quem está lá dentro?

—Além dos cadáveres dos dois vampiros infectados? Ninguém.

Ouviu-se o barulho de vidro se partindo, e depois um grito. 

—Me tirem daqui!

Eles entraram num pequeno corredor que terminava numa porta. Um rosto masculino os olhava através da janela quebrada, com os olhos cor de âmbar faiscando de fúria. 

—Vão se foder, Sentinelas—, ele grunhiu.—Ou me tirem daqui, ou me matem de uma vez. Não me deixem aqui com um cadáver apodrecendo, caralho!

—Ele era um cadáver—, sussurrou Siobhán. —Dei um tiro nele depois que mordeu Malachai.

 Lauren não tirou os olhos do vampiro. 

—E ele conseguiu se recuperar milagrosamente.

—Mas o outro ainda está morto...?

—Assim como o que eu capturei. Virou um punhado de óleo queimado, segundo me disseram.

 Ela observou o aparentemente curado vampiro e estreitou os olhos, sentindo seu coração se acelerar à medida que considerava diferentes possibilidades. 

—Uma dessas criaturas não é como as outras—, ela murmurou. 

—E a única diferença é... qual? O fato dele ter ingerido sangue de um Sentinela?—Siobhán prendeu a respiração. —Puta merda.

Puta merda mesmo. 


                              *


—Está melhor?—, perguntou Elijah ao ver Camila passar pela porta que ligava os dois quartos. 

O licano estava sentado na escrivaninha de sua suíte, mexendo no laptop e tentando esquecer que o cerco estava se fechando sobre ele. O que não era nada fácil, considerando a desconfiança com que os Sentinelas o vigiavam e a expectativa nos olhos de cada licano que cruzava seu caminho. Estavam todos à espera de que ele fizesse alguma coisa, algo que destruiria o sistema quase perfeito que mantinha os mortais numa benéfica ignorância da real situação do mundo.

 Uma parte dele desejava se livrar de uma vez desse poder, enquanto a outra parecia querer explodir como um barril de pólvora. Ambos os casos seriam catastróficos para ele. 

—Cara.— Camila sacudiu os cabelos molhados com as mãos. —Você pegou aquele isotônico que eu pedi?

—Está no seu frigobar, alteza.

—Minha nossa.— Ela o encarou, fingindo estar em choque. —Você fez uma piada?

 Ele teve que segurar o riso. 

—Não.

—Acho que fez, sim.

Elijah voltou a olhar para a tela do computador. Ele gostava dela. E, depois das várias vezes em que ela fez questão de se arriscar para salvar a pele dele, passou a vê-la como uma amiga. 

Ele não era de muitas amizades, por isso não soube o que dizer quando ela falou que eles eram amigos. Em algum momento nos dias em que estava atuando como seu segurança, ele parou de vê-la como um alvo a ser protegido e começou a encará-la apenas como Camila. 

Ao lado dela conseguia relaxar completamente, o que para ele era raríssimo, porque a amizade entre eles tinha surgido sem nenhuma cobrança ou expectativa. Ela era maluca e divertida, e sem nenhum freio na língua. Não demonstrou o menor pudor ao dizer que tinha sido uma menina meio reclusa. Assim como ele, devia conviver apenas com um grupo reduzido de pessoas, em que confiava plenamente. 

Ele se perguntou se ela já havia revelado seus dons para alguém. E por que ela possuía aqueles dons, para começo de conversa? Ela era um enorme ponto de interrogação, e parecia despertar o interesse de muita gente. 

A função dele era garantir que apenas o de Lauren fosse correspondido. Ela reapareceu logo depois, com uma garrafa com algum líquido fluorescente colorido que aparentemente tinha propriedades nutricionais. 

—Imagina só... Parece que eu fui atropelada por um trem enquanto estava de ressaca.

Os Sentinelas pegaram pesado com ela a manhã toda, o que obrigou Elijah a intervir algumas vezes. Eles não gostaram nem um pouco, mas Lauren com certeza o apoiaria. 

Quanto a Camila, suportou o ritmo brutal das atividades sem reclamar, e quando caía logo levantava e sacudia a poeira.Os Sentinelas claramente não tinham entendido a demarcação de território que Lauren havia feito no dia anterior, caso contrário pegariam mais leve com ela. 

Talvez nem mesmo a própria Lauren compreendesse direito a necessidade que sentia de demonstrar a todos que ela era sua, uma necessidade que foi agravada pela tentativa de fuga de Camila. 

As fêmeas licanas sabiam que não adiantava fugir. E despertar o lado selvagem de um indivíduo afastando-o de sua parceira não era uma boa ideia. Elijah sempre pensou que fosse o sangue de demônio na linhagem dos licanos que tornava sua ligação com seus parceiros tão carnal, mas mesmo assim resolveu ser cuidadoso com relação a Camila desde o início. E não se arrependia disso. E

stava na cara que os anjos eram capazes das mesmas demonstrações de possessividade e irracionalidade. Talvez a contribuição genética dos anjos para a formatação genética dos licanos fosse mais forte na sua impetuosidade desmedida e quase violenta com relação ao sexo. Fosse como fosse, os licanos haviam entendido muito bem o recado de Lauren.

 Infelizmente. Elijah temia que a importância de Camila para a líder dos Sentinelas a transformasse num alvo fácil. Aqueles que cochichavam pelos cantos tramando uma rebelião estavam sempre à procura do ponto fraco de Lauren, segundo Elijah tinha percebido, e ela havia acabado de se materializar em Camila. 

Caralho. Ele esfregou o rosto com as duas mãos. Como ele tinha demorado tanto tempo para perceber que os demais haviam se transformado num bando de fanáticos? Por quanto tempo Ed havia enchido a cabeça dos outros com aquele sonho maluco de liberdade? 

—Estou ouvindo as engrenagens funcionando dentro da sua cabeça—, brincou Camila, deixando a garrafa vazia sobre a penteadeira para que a camareira a encaminhasse para a reciclagem. 

Ela era meio obcecada por ecologia, ele percebeu. Elijah precisava encontrar quem havia tramado contra ele, mas não podia deixar Camila sozinha, e não confiava em mais ninguém para a tarefa de protegê-la. 

Ela foi até o armário e apanhou sua bolsa de lona, a peça ideal para sair por aí armada de um arsenal de lâminas cortantes junto ao corpo. 

—Eu preciso sair.

 Ele se levantou da mesa. 

—Para quê?

—Para comprar lembranças turísticas ridículas da Disney e da Califórnia. Chapéus, camisetas, copos etc.

A falta de ânimo dele deve ter ficado visível em seu rosto, porque ela caiu na risada. 

—Preciso comprar umas coisinhas para agradar o meu pai—, ela explicou. —Mas, para sua sorte, não vamos demorar muito. Tenho que entrevistar uma pessoa às três horas. 

Elijah olhou para o relógio e viu que já passava da uma. Ele precisava dar o braço a torcer — ela tinha dado duro a manhã toda e ainda queria mais. 

—Você tem planos para hoje à noite? 

—Preciso ir buscar meu carro na Morada, mas de resto você está liberado.

Ele balançou a cabeça. 

—Ótimo. Obrigado.

Quando a levasse para o hotel à noite, ele poderia ligar para Rachel. Elijah precisava saber da extensão dos planos de rebelião de Ed. Ele sabia que era necessário cortar aquele mal pela raiz o quanto antes — uma tarefa quase impossível ficando afastado da matilha a maior parte do tempo.

—Por que você não tem namorada?—Camila perguntou quando saíram do elevador no térreo. 

Geralmente desciam de escada — todos os dezessete andares —, mas ela já tinha se exercitado mais do que o suficiente naquele dia. 

—Complicação demais, dor de cabeça demais e tempo de menos.

—Mas você gosta de mulher, né? Ou não?—Ele a encarou, mas então percebeu que ela estava rindo. —Assustou, hein?—, ela provocou.

 Ele bufou em vez de rir, mas isso não significava que não tinha achado graça. Camila parou de repente do lado de fora da porta giratória que levava à área em que ficavam os porteiros e manobristas. 

Os porteiros estavam sendo treinados ali em frente, enquanto os jardineiros davam os retoques finais no canteiro de flores que ornamentava a entrada para carros. 

A vida dos mortais parecia seguir como sempre, mas a postura de Camila e seus olhos vidrados como os de um cão de caça assinalavam a proximidade de um predador. Os sentidos de Elijah entraram em alerta. Ele percorreu com os olhos o perímetro ao redor, assim como havia feito de maneira quase automática antes de saírem do saguão.

 O inexplicável vento que parecia seguir Camila soprou sobre ele, carregando o odor forte de sangue de um vampiro. Seu lado selvagem se pôs em prontidão, fazendo-o rosnar baixinho à espera da ordem para atacar. 

A criatura responsável por atiçar o instinto de ambos apareceu pouco depois, caminhando pela calçada e depois atravessando o estacionamento, sem saber que estava monopolizando as atenções de dois caçadores. 

O visual dela causou um impacto tremendo sobre Elijah. Era alta e voluptuosa, com quadris curvilíneos e seios grandes e firmes. Os cabelos iam até a cintura, lisos e vermelhos como sangue. Estava vestida como uma dominatrix, com botas com tachas afiadas, calças pretas bem justas e um colete de couro com um decote bem profundo. 

Elijah ficou enlouquecido de vontade de deitá-la sobre o capô do Mercedes pelo qual estava passando, enrolar os cabelos dela em seu antebraço e penetrar seu corpo luxurioso até gozar com vontade. 

Ele detestava vampiros, principalmente as fêmeas, que eram ainda mais ferozes que os machos. Ainda assim, sentiu seu pau inchar e pulsar de desejo ao vê-la. 

A vampira fez um movimento súbito, que o trouxe de volta à realidade. Ela se encolheu violentamente, como se tivesse recebido um golpe, e quando se mostrou de novo estava com as presas à mostra.

 Só quando viu o brilho metálico de algo encravado em seu ombro e refletindo a luz do sol ele se deu conta do que havia acontecido. 

—Puta merda—, ele murmurou, conseguindo agarrar Camila pelo ombro por muito pouco antes que ela continuasse avançando. 

—Me larga, El—, ela gritou, sacudindo o corpo para se desvencilhar dele. 

—O que você está fazendo, porra?—, ele rosnou. —Estamos em plena luz do dia. Ela é um dos Caídos.

Camila cortou o antebraço dele com a lâmina, fazendo-o soltar um rugido e dor e obrigando-o a soltá-la. Ela já estava a meio caminho da vampira quando respondeu: 

—Essa vadia matou a minha mãe.


Notas Finais


O que acharam comentem!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...