História Um xote com o demônio - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Comedia, Costumes, Crendices, Humor, Romance, Suspense
Exibições 5
Palavras 1.201
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela

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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Um favor de Judas


Fanfic / Fanfiction Um xote com o demônio - Capítulo 3 - Um favor de Judas

Dizem que a boa fortuna é amiga dos enamorados e tem no acaso seu templo. Não sei em que medida é correto atribuir ao acaso aquilo que o espírito se predispõe a iluminar e enxergar ao que, em uma situação ordinária, chamariam coincidência. De qualquer maneira, três fatos resolveram tudo no espaço de uma hora, como se todo o movimento do mundo não tivesse outro sentido senão o de auferir a Dijibe, os meios de levar adiante o seiu propósito. Uma ida ao armazém, a volta, e a entrega da mercadoria na cozinha... Eis tudo! Neste percurso os artifícios foram aparecendo e, colhidos pelo interesse, foram ajustados até montarem por fim, um único e precioso artefato: a solução. E tudo se deu na rude simplicidade que abarcava a tudo e a todo vivente de Lavras...
Ao correr do dia, o breu do desanimo foi clareando, e dissipado, a coragem outra vez viu-se inflamada.Na manhã do dia seguinte, cedo acordou como de costume e foi tratar de suas obrigações, tinha um mandado d ir ao armazém comprar uma agulha.
A velha Tunica arrumava o quarto, coisa que só fazia de muito em muito tempo, e havia ajustes de costura a serem feitos alem da limpeza do quarto. Encomendaram a Dijibe ir buscar essa agulha. No caminho, passou uma rua onde a meninada corria em torno dum poste onde penduravam um Judas pra queima no sábado. Uma particularidade desses bonecos é o capricho das vestes. Nunca o arrumam em traje de trabalhador simples de roça, colocam como se fosse um cabra bem arrumado e elegante, o desarranjo do corpo de pano é que trai essa expectativa. Talvez isso se deva ao fato de o povo não querer assemelhar a si próprio a imagem do boneco traidor. E mais catártico soa aos pobres bater num sujeito bem vestido...
Entrou no armazém onde o Judas era tema também, lá um homens comentavam uma tal jaqueta marrom de couro que tinham vestido num Judas lá pras bandas da outra banda, e era de fazer pena estruir uma roupa daquela... Ele franzino que era, teve na hora a ideia. Ora, se cabia no Judas, nele haveria de se ajustar também, e picou-se de curiosidade em descobrir a esquina da jaqueta marrom. Mais do que isso, se batesse os arredores procurando de Judas em Judas, no fim do dia ele teria os panos. Problema é que todo mundo, secretamente cobiçava essas roupas, doadas por famílias de condição melhor. Então, não teria como pegar essa roupa sem que ninguém fizesse caso. Além de que ficava feio roubar um Judas e chato com quem tinha se dado o trabalho de costurar o boneco. Saindo do armazém, quebrou caminho por outro rumo, caminhou um bocado e repente, em uma esquina, viu o tal do Judas da jaqueta. Empolgou-se muito com o achado e pensou “’imagine os que tão mais longe e o pessoal não viu...” Tava resolvido, ele ia pegar aquela jaqueta de qualquer maneira. E mais longe iria pra completar o traje... Nesse ínterim, o caminho a frente, um estirão era um convite as outras peças, ele toma esse caminho e sai identificando vários e vários ao longo de uma estrada, já compondo em mente, o traje da festa. E volta pra casa com uma questão, como pegar isso sem que ninguém o veja. Isso, porque era daquelas estradazinhas em que a todo instante passam as mulas transportando carga e gente dos canaviais, mulher com trouxa de roupa no rumo do rio, menino indo pro grupo escolar, ou, o povo com bicicletas, indo e vindo dos mercados, as rurais transportando gente pra mais longe e carroceiros. Então não havia meio de ele fazer aquela tarefa sem ser visto, fosse qual fosse a hora do dia. E toma o caminho de casa vislumbrando um pequeno triunfo “Eu só tenho que fazer num horário que não tenha esse transito nem essa claridade... Vai ser nessa madrugada que eu volto pra casa arrumado!”
Chegou em casa suando como um bicho e urdindo uma maneira de explicar o motivo da demora em voltar do armazém que, por mais longe que ficasse, não cobria o tempo gasto na busca pelos Judas. Mas as atenções estavam dirigidas a outras vias... A velha contava, com alguma cerimônia, já ter escutado passos de alpargata pelos corredores escuros quando era noite. Só ela ouvia.Não pode sair da cozinha. Paralizou-se ali escutando a história do sapato do defunto. Sapato de rico, presente do coronel ao seu finado avô nos tempos em que ele trabalhava pra ele. O avô tinha morrido usando por isso, contavam que os passos visavam pegar de volta o famoso calçado. Desde a infância soava-lhe com o assombro de uma lenda. Desde sempre temera às visitas noturnas do velho morto, transformado em lenda urbana particular... Aliás, lenda rural.

***

Quando foi por volta do ocaso, ele tava todo satisfeito e animado pra resolver problema batucava nas coisas assobiando, fazendo graça, conversando com as pessoas... Nesse dia tinha visita em casa, entre o pessoal, um velho que tinha vindo de São Benedito. Preparava-se o jantar. passou tempo o pessoal jantou recolher os pratos lavar a louça então arrastaram as cadeiras pra calçada e começou aquele conversseiro comum quando a noite cai. E se juntaram mais compadres que estavam por perto e correu frouxa aquela prosa boa de gente antiga de interior, no entanto, para azar do miserável Dijibe, o grande tema era visagem. E tome esse povo entrar noite adentro contando as histórias mais horripilantes possíveis uma após a outra e a conversa se demorando e ele já se apavorando e não conseguia sair de perto pra pastorar quando povo fosse embora. Ansioso pra sair e querendo ao mesmo tempo se entreter com aquela conversa. e lá de perto não saía e a conversa continuava ele bocejava dava dicas para o povo ir embora e, quando muito, ouvia "homem, vá se deitar!" quando não esperou, o velho que tinha vindo de mais longe entrou a contar a história de uma cabra. As histórias a que ele estava acostumado desde menino não incluíam essa. O medo grande que causavam tinha ficado lá naquele passado de criança. Agora, essa história da cabra de encruzilhada na meia-noite, de toco de vela acesa em beira de caminho tava tomando rumos que não ajudavam a quem ia sair na noite apenas na companhia do vento e da lua. E pra completar o engodo, o velho tinha uma maneira de contar que aterrorizava o sujeito E, no entanto, não dava vontade de sair de perto. Assim, julgava por um lado prudente se afastar daquela conversa, mas por outro não conseguia desapegar do tamborete e ir pra longe fascinado pela narração do velho. Depois de um corolário dessas histórias de São Benedito que era o lugar de onde vinham as visitas, tomaram café, guardaram as cadeiras e por fim e conversavam de pé aquelas infinitas despedidas. Na verdade, Dijibe estava com três pequenos problemas desde que a noite caiu. Um, era o povo que não ia embora; o segundo era o receio de ser apanhado saindo na surdina quando não havia motivo nem explicação pra isso e o terceiro estava a caminho de ser percebido por ele... 



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