História Uma dose violenta de qualquer coisa - Capítulo 30


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Assassinato, Colegial, Drama, Lgbt, Romance, Tragedia
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Palavras 1.486
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 30 - Posso te amar mais do que isso


60 dias antes.

A batida estava tão alta que a cabeça de Luana doía um pouco e, somado com o efeito que o álcool já provocava na sua mente, exigia que a loira se esforçasse para ficar em pé. Ela estava sentada no bar sozinha pedindo uma dose atrás da outra, era uma noite em que precisava ficar bêbada.

A mãe ligara para seu pai, não conseguira entender muito bem o que dizia mas tinha algo a ver com não achar que ele conseguia lidar com ela sozinha, ela parecia reclamar da liberdade que a loira possuía. Luana ficou com vontade de arrancar o telefone da mão do pai e mandar ela ir se foder. Teria sido bem satisfatório...

Mas ao invés disso, decidira matar aula a semana toda e passar a noite de sexta-feira em uma boate qualquer. Rafa e Marina tentaram ligar algumas vezes mas Luana não atendeu e, depois de alguns dias, as ligações cessaram. As amigas sabiam que ela dava essas sumidas e não havia motivo para se preocupar.

A loira olhou para o barman, inclinou-se para frente com o objetivo de valorizar os seios e deu seu melhor sorriso malicioso.

-Sabe, nunca tomei bebidas como as que você me deu. Pena que meu dinheiro tenha acabado e estou com tanta vontade de continuar bebendo...  Consegue fazer alguma coisa por mim? Quem sabe eu não possa te devolver o favor...

Antes que o barman visivelmente empolgado com a proposta da loira pudesse responder, um cara se aproximou e sentou ao lado dela. Ele colocou umas notas no balcão e falou:

-Pode deixar por minha conta. Seria muita deselegância deixar uma garota como essa sem o que ela quer...

O cara sorriu sedutoramente para a loira. Luana devolveu o sorriso o melhor que pôde. Sob as luzes escuras da boate, ela conseguiu ver que ele era bonito, tinha uma barba por fazer, cabelos bem cuidados e parecia ser um pouco mais velho mas nada que fosse tão alarmante.

“Que mal tem em passar a noite com ele?”, se perguntou enquanto virava o copo assim que o barman colocou na sua frente.

***

Marina sentia o cheiro do brigadeiro vindo da cozinha enquanto Eli cantarolava baixinho. O garoto aparecera na sua casa algumas vezes desde que terminara com Guilherme, ele vinha tentando animá-la apesar de toda a situação e a loira agradecia por isso. Mesmo estando solteira, Marina evitava andar com o amigo pelos lugares onde o ex-namorado ou algumas das pessoas do círculo de amizades dele pudessem estar presentes. Não queria provoca-lo nem nada e também não queria que ele pensasse que mal ela terminara com ele e já tinha ido correndo para perto de Eli, essa não era ela.

-Cuidado, tem uma panela fervendo de brigadeiro vindo na sua direção – Eli se aproximou correndo enquanto segurava a panela com luvas. Marina riu do jeito desajeitado dele, observou quando ele colocou a panela cuidadosamente em cima da mesa de centro. O garoto tirou duas colheres do bolso de trás do seu jeans escuro e ofereceu uma delas para a loira –Pra você.

Marina murmurou um obrigado e começou a soprar o brigadeiro, para esfriar. Ela apreciava muito esses momentos com Eli, quando ele não era o cara sério e durão que todos conheciam. Quando estavam sozinhos o garoto era ele mesmo, um pouco desajeitado, brincalhão e amável e ela adorava esse lado dele. Ele se sentou no chão ao lado da mesinha de centro e colocou a colher na panela sem nem se preocupar se estava quente ou não.

-Vai queimar a língua desse jeito – a loira avisou enquanto o imitava mas parou para deixar o alimento esfriar.

Ele enfiou a colher na boca e não esboçou nenhuma reação, apenas ergueu a sobrancelha em resposta.

-Não tenho medo de uma língua queimada – disse por fim enquanto pegava mais colheradas.

Ficaram comendo em silêncio por alguns minutos, apreciando a companhia um do outro quando Marina parou para pensar por alguns segundos. Eli reparou e a encarou atentamente:

-Tem algo errado com meu brigadeiro?

Ela riu e o garoto relaxou um pouco mas continuava atento.

-Não. Na verdade, é um dos melhores brigadeiros que já comi. Você vai ter que vir aqui sempre pra fazer para mim – a loira respondeu sorrindo.

-Com o maior prazer – devolveu Eli.

Marina pousou a colher na mesinha e concentrou seu olhar no tapete. Respirou fundo e perguntou:

-Acha que a gente pode fugir algum dia desses?

Eli encarou fundo os olhos da garota, ele não conseguiu esconder a confusão e a surpresa e Marina teve medo de ser mal interpretada ou até mesmo ter sido um pouco ousada na sua pergunta.

-Quero dizer... – ela se apressou em se explicar –Eu, você, Rafa e Luana. Sabe... Dar um tempo de todas essas coisas horríveis que estão acontecendo aqui, com a gente... Acha que podemos fazer isso?

Foi a vez de Eli pousar a colher na mesa e respirar fundo.

-O que você quiser, Nina. A gente foge.

A loira sorriu um pouco envergonhada mas feliz com a resposta. Ela pegou a colher novamente e voltou a comer mas reparou com o canto do olho que Eli não voltou mais a comer e não parava de encará-la.

***

Luana cambaleava pela rua escura com o cara que pagara a bebida para ela no bar segurando o seu braço. A loira não prestava atenção no que ele dizia, sentia-se entorpecida e chegou a pensar por um momento que fora um erro ter saído naquela noite.

Logo se deu conta de que ele a levava para uma rua vazia, escura e com pouquíssimos postes de iluminação. Mas não teve medo, já aconteceram coisas ruins demais com ela para que pudesse sentir medo de novo um dia. Na verdade, a última vez que sentira medo foi há não muito tempo naquele fim de semana que ela, Rafa e Marina foram pedalar para fora da cidade. Sentira medo quando Rafa mergulhara naquele lago escuro e estranho e demorara para emergir. Seu coração apertou-se ao lembrar disso...

Mas logo sentiu as costas sendo pressionadas contra uma parede fria e parou de pensar. Sentiu a boca do cara na sua. Era quente, tinha gosto de cigarro e era invasiva demais. A língua não tinha cuidado nem era suave e movimentava-se dentro da boca dela como se não tivesse tempo a perder. As mãos dele eram igualmente apressadas e ásperas, não gostou do jeito que ele a tocou mais correspondeu aos movimentos dele. Queria qualquer coisa para se sentir menos vazia...

Sentiu as mãos dele levantando sua saia e correu para alcançar o cinto dele, não sabia porque estava fazendo isso, não queria transar com um homem aleatório mas é como se estivesse no piloto automático.

A boca dele desceu para seu pescoço e suas mãos apertaram seus seios. Ela teve vontade de afastá-lo, de dizer que tinha mudado de ideia mas sentiu quando ele se colocou dentro dela e permitiu-se esquecer de tudo.

Não se sentiu como um ser humano.

Continuou vazia.

***

59 dias antes.

Rafaela sentiu uma leve sacudida e se assustou quando, ao abrir os olhos, viu Luana agachada ao lado de sua cama. A garota deu um pulo ao reparar no estado da amiga.

Os cabelos loiros sempre tão rebeldes e charmosamente bagunçados estavam emaranhados, o batom borrado, o rímel parecia ter sido esfregado em algumas partes, a saia estava torta e um leve aroma de álcool era perceptível.

Rafa olhou ao redor se perguntando como ela conseguira entrar ali até encontrar a janela encostada. Uma leve luz entrava no quarto, o dia estava começando a clarear.

“Como ela conseguiu subir até minha janela bêbada?”, perguntou-se. Se preparava para falar algo quando a loira disse:

-Sei que não devia ter te acordado a essa hora mas não queria ficar sozinha – a loira deitou na cama, Rafa se afastou para que ela pudesse deitar mais perto dela –Fiz uma merda muito grande ontem, não quero falar sobre isso...

-Tudo bem – Rafa deitou novamente, estava de frente para Luana. Encarou os olhos cinzentos da loira –Desde que não tenha colocado sua vida em risco e a de ninguém mais...

-Não, só minha dignidade mesmo – ela respondeu com uma risada fraca, uma risada de quem estava cansada de tudo –Não precisa ficar preocupada, eu estou bem.

-Você não parece bem – Rafaela confessou. Sem conseguir se conter, ela tirou uma mecha loira dos olhos de Luana enquanto era encarada com uma expressão cheia de angústia.

-Eu vou ficar bem agora, sério – a loira respondeu e se virou ficando de costas para Rafa. A garota interpretou isso como um sinal para não fazer mais perguntas.

Rafaela já se preparava para voltar a dormir quando sentiu a loira puxar seu braço em direção à cintura dela. Rafa a abraçou e deixou-se cair no sono novamente.

-Boa noite, Luana...

-Boa noite, Rafa – a loira sussurrou segurando a mão da amiga.



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