História Uma dose violenta de qualquer coisa - Capítulo 33


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Assassinato, Colegial, Drama, Lgbt, Romance, Tragedia
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Palavras 2.209
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 33 - Nada é melhor do que enlouquecer


43 dias antes.

Quando Marina acordou na manhã seguinte, sua cama estava vazia. A loira quase convencera-se de que tudo não passara de um sonho até rolar para o lado e sentir o cheiro de Eli no travesseiro. Ela sorriu sozinha no quarto.

“Ele esteve aqui, eu beijei Eli e foi melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado”, ela pensou.

Ao ouvir o barulho de frigideiras e colheres sendo raspadas em fundos metálicos, a loira desceu até a cozinha. O cheiro inebriante de ovos, bacon e café encheu as narinas dela. Eli estava de costas no fogão, concentrado demais no que estava fazendo para perceber a presença dela e Marina se aproveitou disso para analisa-lo enquanto sorria.

Ele usava a calça de um moletom e estava sem camisa, as costas eram puro músculo. Quando o garoto virou o corpo ligeiramente de lado, ela pôde ver a cicatriz do pescoço e onde terminava, ela se estendia até quase alcançar o peito. Aquilo poderia parecer grotesco para alguns mas para Marina tornava o garoto humano e real e a loira fez uma anotação mental para beijar toda a extensão da cicatriz quando tivesse tempo.

Eli de repente se virou totalmente e pareceu assustado quando a viu parada ali, sem dizer uma palavra. Mas o garoto logo sorriu, os olhos negros brilhando e os cabelos brancos caindo na testa. Marina deixou-se ser abraçada, sentia o calor do peito dele na sua bochecha direita e sorriu.

-Eu já ia te acordar, sei o quanto você adora comer – ele provocou, a loira respondeu com um tapa no ombro dele e se afastou.

-O que você quer dizer com isso? – ela tentava soar irritada mas ria, era impossível não sorrir perto dele.

O garoto esfregava o ombro ainda sorrindo.

-Tudo bem então, já que você não gosta de comer vou dar tudo pra Rafa e pra Luana...

-Eu não disse isso! – ela se sentou na bancada da cozinha e continuou –Pode trazer meu prato mas nunca insinue que eu como muito.

-Prometo nunca mais fazer isso – Eli respondeu colocando um prato de ovos e bacon, um pouco de pão e uma xícara de café na frente dela –Agora tenho que acordar nossas amigas...

Ele roubou um beijo rápido dela e subiu as escadas apressado. Marina ainda sentia os lábios dormentes quando colocou a primeira porção de bacon na boca.

***

Luana estava deitada de bruços na beira da piscina tentando pegar um bronzeado enquanto Rafa mergulhava, ficava longos períodos embaixo d’água e emergia para logo em seguida mergulhar novamente. A loira se divertia com a expressão infantil no rosto da amiga, era a coisa mais pura que já vira na vida.

Marina e Eli estava sentados na espreguiçadeira, conversando distraidamente. O dia fazia muito sol e era perfeito para continuarem ali pelo máximo de tempo antes de queimarem suas peles. Ninguém falava isso em voz alta mas era óbvio que gostariam de passar mais um dia ali se fosse possível.

-Você devia entrar – Rafa emergiu bem ao lado de Luana e assustou a loira, a garota riu um pouco antes de continuar –É sério, ficar tomando sol o dia todo vai estragar sua pele...

-Que linda você cuidando de mim – a loira provocou quando se recuperou do susto, Rafa franziu as sobrancelhas irritada e começou a nadar para longe. Luana riu e mergulhou, nadou rapidamente em direção à amiga –Você é muito mal-humorada, que coisa!

-Você que é muito convencida – rebateu a outra –Da próxima vez vou te deixar desenvolver um câncer de pele...

Luana espirrou água no rosto de Rafa fazendo-a se encolher para evitar que o cloro entrasse nos seus olhos. Ambas começaram a rir. Rafaela entrou na brincadeira e começou a agitar os braços aleatoriamente tentando acertar a amiga visto que não conseguia enxergar direito.

-Para com isso! – a loira gritou.

-Quem começou foi você – Rafa devolveu.

Continuaram rindo e espirrando água para todo canto quando escutaram a voz de Eli ao longe:

-Que absurdo todos estarem na piscina menos nós dois, temos que resolver isso já – ele se levantou e estendeu a mão para Marina com a intenção de ajuda-la a se levantar.

-Por que você não entra? Acho que vou ficar um pouco mais aqui fora, aproveitando o sol... – ela tentou convencê-lo mas o garoto não cedera.

De repente, Eli se inclinara e pegara ela no colo rapidamente, tirando-a da espreguiçadeira e derrubando tudo que estava na mesa ao lado no chão incluindo roupas, protetores solares e celulares. A loira tentou se debater mas o garoto era forte demais e a segurava com firmeza. Rafa e Luana pararam a cena para assistir à cena e rirem junto com Eli.

Ele se aproximou da beira da piscina com a garota nos braços e pulou, sem dar tempo para ela fechar a boca ou prender a respiração. Marina sentiu grandes quantidades de água entrarem na sua boca e no seu nariz mas logo Eli a puxou pelo braço e a trouxe de volta para a superfície. A loira se segurou nos ombros dele enquanto tossia e tentava recuperar o fôlego.

-Você é um puta babaca – ela reclamou batendo no peito dele mas, ao ver que o garoto sorria com os cabelos pintados de branco grudados na testa, a loira acabou sorrindo também.

-Estou fazendo você passar um tempo bom com suas amigas – ele retrucou –Ficar na beira da piscina tomando sol é coisa de madame e menina fresca e você não é nenhum dos dois...

Marina revirou os olhos mas não conseguia parar de sorrir. Ela logo se afastou do garoto e nadou em direção à Rafa e Luana com Eli a seguindo, foram recebidos com água e muita risada.

Com o passar das horas, a fome foi batendo e a consciência de que teriam que arrumar as coisas para ir embora também. Todos saíram da piscina para comer uma última refeição e arrumar as coisas que precisavam ser arrumadas mas ninguém pareceu muito feliz com isso. Era como se tivessem encontrado o paraíso naquele final de semana e ninguém queria deixar isso pra trás.

***

40 dias antes.

-Vocês nem sabem! – Luana sentou na carteira de Marina assim que entrara na sala de aula, Rafa estava em pé ao lado dela e assustou-se com a animação da amiga –Vai ter uma puta festa amanhã e temos que ir!

Marina arqueou uma sobrancelha antes de perguntar:

-Você vai a milhões de festas todos os dias, o que tem de tão especial nessa?

-Festa de faculdade é bem diferente dessas festinhas do ensino médio e você sabe disso, Marina... – Luana respondeu maliciosamente.

-Sim, lembro da última vez que fomos à uma festa de faculdade – a outra loira relembrou –Você acabou brigando com o Gabriel, arrumou um corte no braço e todas tivemos que fugir correndo dali.

-Eu sei! – Luana começou –Não foi demais?

Rafa não conseguiu segurar uma risada, Marina a olhou com uma cara não muito feliz e a garota fingiu uma tosse mas Luana olhava para ela sorrindo enquanto dizia:

-Viu? Até a Rafa achou divertido...

-Ei! – ela tentou reclamar.

-A questão é... – Marina interrompeu as duas –Que tipo de riscos você quer correr dessa vez? Tudo tem estado tão tranquilo no que diz respeito a essas coisas, por que não continuar assim?

-Já esqueceu da nossa promessa? – Luana fez uma cara séria e se inclinou para frente, os olhos cinzentos brilhavam de excitação –Da nossa dose violenta de qualquer coisa? Já estamos chegando na metade do ano e não encontramos nada que chegasse nem perto disso!

“Talvez você e Rafa não, mas eu encontrei. Encontrei Eli”, pensou Marina mas não deu voz a esses pensamentos. Decidira não contar nada sobre Eli ainda para as amigas, não até ter certeza do que iria acontecer entre os dois.

-Eu só vou concordar com isso por causa da promessa – a loira enfim cedeu fazendo Luana dar pulinhos e abraçar Rafaela apertado –E porque eu sei que se não formos você vai de qualquer jeito e temos que estar por perto quando você fizer alguma merda ou se colocar em risco...

-Não me importam seus motivos, o que importa é que nós vamos! – Luana interrompeu Marina puxando-a para o abraço.

***

39 dias antes.

Marina segurava o volante distraidamente enquanto Luana tamborilava o vidro com os dedos. Estavam esperando Rafa descer e ir até o carro para poderem ir a tal festa. Não era muito longe, alguns quarteirões mais para frente e estariam lá, o carro era apenas para o caso de algo dar errado e precisarem ir embora rápido.

Luana parou de tamborilar quando ouviu Marina dar a partida no carro.

-Aí vem ela...

Luana olhou para a entrada e sentiu como se tivesse sido pega totalmente de surpresa. Rafa estava com um vestido curto preto e saltos altos, parecia equilibrar-se perfeitamente bem em cima deles como se fizesse isso o tempo todo. A maquiagem estava bem leve mas destacava as partes que sempre foram mais bonitas em Rafaela: os lábios carnudos, o nariz afilado e a leve covinha que tinha no queixo que a maioria das pessoas sequer notava. Era desconcertante o quanto a garota parecia diferente. Luana sorriu internamente e virou o rosto para o outro lado.

Ouviu a amiga abrir a porta de trás e entrar. Marina e ela logo começaram a conversar enquanto a loira limitava-se a ficar quieta, não queria ter que olhar para trás. Estava com uma sensação estranha no peito.

Antes que a loira se desse conta, Marina estacionou alguns metros antes de uma casa em que vários carros estavam parados e de onde uma música bem alta tocava. Muitas pessoas passavam pelos jardins, algumas mal se aguentando em pé e outras com os braços dados com alguém em direção a algum lugar escuro onde pudessem fazer as coisas que queriam fazer sem serem vistos.

-Vou pegar alguma coisa pra gente beber – Luana anunciou e sumiu na multidão, nem se dera o trabalho de olhar para trás para ver se as amigas a haviam escutado.

Andou pelos vários cômodos da casa enorme, todos repletos de pessoas. Quando chegou na cozinha, viu que haviam dois freezers repletos de bebidas alcoólicas, tudo que uma pessoa podia imaginar: cerveja, vodka, uísque, tequila, cachaça... Inclinou-se para ver o que iria tomar quando sentiu uma mão se apoiar na sua cintura.

-Incrível como eu tento te esquecer mas você insiste em voltar para mim – a loira virou-se assustada e deu de cara com Gabriel. Fazia um tempo que não pensava nele, o garoto parecia não ter mudado nada.

-O que posso fazer? Você me atrai como um ímã – ela brincou e viu a expressão dele permanecer inalterada. O garoto balançou a cabeça e virou as costas, Luana não pôde se livrar da sensação de que algo iria dar muito errado.

“Que se foda, é só encher a cara que isso passa”, pensou e pegou uma garrafa lacrada de vodka.

***

Luana sentia as costas doerem e a cabeça girar mas não queria parar de dançar, sentia-se livre quando dançava, como se o mundo fosse dela e gostava imensamente dessa sensação. Via Marina conversando com algumas conhecidas dela em um canto, parou no meio da pista de dança quando notou a ausência de Rafaela. Olhou em volta desesperadamente, como se encontrar a amiga fosse questão de vida ou morte. Viu a garota sentada em um sofá parecendo extremamente desconfortável enquanto um cara mais velho e bêbado dava em cima dela.

A loira caminhou naquela direção tentando cambalear o menos possível, a bebida já começara a fazer efeito nos movimentos dela, e puxou a amiga pelo braço.

-Vem dançar comigo – a loira pediu, o sorriso que Rafa deu foi genuíno e sincero e fez um calor subir pelo peito de Luana.

As duas foram até o meio da sala onde fora improvisada a pista de dança e começaram a movimentar seus corpos juntos. Luana sentia Rafa segurá-la e agradeceu mentalmente por isso, estava tonta demais para continuar em pé sozinha e a amiga parecia ter percebido. As pessoas em volta não ligava para elas e Luana se perguntou como seria possível ninguém parar para olhar Rafaela. Ela parecia tão brilhante, tão alegre, tão cheia de vida... A loira sentia que a amiga devia ser admirada sempre, o tempo todo.

Luana colocou os braços ao redor do pescoço da garota e a puxou para perto. Sua boca ficou colada no ouvido dela e sentiu Rafaela congelar.

-Você é minha pessoa favorita no mundo – a loira sussurrou no ouvido dela. Talvez fosse a bebida falando mas Luana queria dizer aquilo com sinceridade.

-Você também é a minha – Rafa respondeu rindo nervosamente, Luana sorriu como uma boba. Nunca sentira como se fosse a favorita de alguém antes.

O momento foi cortado quando alguém desligou a música e gritou:

-A polícia está vindo!

Todos começaram a correr e a jogar as bebidas fora. Luana segurou Rafa com força para não perder a amiga no meio da multidão. As duas logo foram puxadas por Marina que as levou para a saída por um caminho com menor fluxo de pessoas.

As três entraram no carro rindo e continuaram rindo muito depois de passarem bem ao lado das sirenes e das luzes piscando da viatura da polícia.



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