História Uma estranha no ninho - Vol. II - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiolia de Leão, Aioros de Sagitário, Camus de Aquário, Kanon de Dragão Marinho, Mu de Áries, Saga de Gêmeos, Shion de Áries
Tags Hentai, Saga De Gêmeos, Saint Seiya, Shoujo
Visualizações 32
Palavras 6.051
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção Científica, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá meu povo e minha pova, como vcs estão? Beleza?! Espero que sim. Bom, como eu havia prometido eu estou tentando manter o ritmo das postagens e até que estou conseguindo manter uma coisa razoável.
Bom, esse capítulo traz mais algumas revelações e mais mistérios. (como eu amo eu suspense). Eu espero que vocês gostem.
Obrigada a todos os leitores pelo carinho. Desculpe os erros de ortografia também. Se tiver algo muito ruim me avisem que eu dou um jeito de ajeitar okay?!
Bjs no kokoro, boa leitura e até!!!!!
**As partes entre aspas em itálico são lembranças.

Capítulo 9 - O doce e amargo das lembranças perdidas.


Fanfic / Fanfiction Uma estranha no ninho - Vol. II - Capítulo 9 - O doce e amargo das lembranças perdidas.

O cheiro bom de café fresco e de laranja guiou um sonolento Mu até a cozinha. Os cabelos longos soltos, deslizaram com facilidade entre os dedos ao ser jogado para trás. A mão esquerda livre, coçou um dos olhos, descendo para o peitoral direito e antes de entrar no cômodo, deu uma ajeitada nada modesta no documento ainda duro pela manhã.

Ume sorriu de lado, espremendo uma laranja, ouvindo os passos arrastados se aproximar. E não demorou para sentir os braços fortes do ariano lhe envolver a cintura, o hálito fresco e quente em seu pescoço e o cutucar involuntário dele em seu bumbum. Não resistiu em não sorrir mais e muito menos esconder o rubor nas bochechas. Mu podia ser muito calmo, paciente e doce, mas quando o assunto era mais embaixo, exatamente entre suas pernas, a coisa esquentava...e MUITO!

—Bom dia, minha flor! – falou rouco.

—Bom dia! Dormiu bem?

—Só até você levantar.

Ume sorriu, pegando um morango e dando na boca do ariano.

—Bom, depois de ontem eu...achei que você merecia descansar.

Ume girou dentro dos braços de Mu, tocando com cuidado o bíceps esquerdo dele com um grande hematoma e o rosto também roxo.

—Eu vou ficar bem, já disse que não precisa se preocupar.

—Eu...senti medo, achei que Hime-sama...achei que ela ia mesmo te matar. – abraçou-o com força. — Você não sentiu medo?

—Eu?! Medo da morte?! Não, não tenho medo, mas...confesso que não gostaria de encara-la outra vez. Mas, não por mim e sim por você e pelo Kiki. E também...eu confio no Saga. Sabia que ele não deixaria Kyoko fazer nenhuma bobagem ainda mais a pedido do seu irmão.

Ume baixou o olhar, se afastando um pouco e voltando aos afazeres. Não que aquilo fosse sua obrigação, mas sim porque queria agradar a Mu e fugir do sentimento triste que a desaprovação de Águia causava em seu coração. Não era boba e muito menos inocente, pois ela, melhor que ninguém sabia dos motivos válidos que seu irmão possuía para temer aquela relação. Ela mesmo temia, mas mesmo assim não conseguia e, sinceramente, não queria evitar. Já havia se apaixonado outras vezes, mas devido ao segredo que ambos os irmãos guardavam, nunca havia seguido seu coração, se tornando tão solitária quanto uma planta venenosa.

A gueixinha sentiu os olhos apurados de Áries sobre seu semblante e sabia que mesmo que quisesse, não conseguiria fingir algo que não existia para Mu. Ele era diferente, inteligente e muito, muito perspicaz. Sua fisionomia bondosa e temperamento sereno era o disfarce perfeito para dotes que só os mais achegados sabiam. E para a doce Ume se desvencilhar daqueles olhos analíticos e experientes era impossível.

—Imagino o quanto essa situação a magoou. A aprovação de Águia é muito importante para você, não é?

Ume se sentou junto com Mu, servindo um pouco de chá para ele e depois para si.

—Eu o amo. Muito! Ele é meu irmão, minha família. E mesmo que Kyoko-sama também seja como uma família para mim, Aniki deu muito duro por nós, aliais, por mim e eu...sinto que devo muito a ele. – fez uma pausa. — Não quero que ele me odeie.

—Ei! Não fique assim. – Mu se aproximou, abraçando-a. — Águia não vai odiar você. Ele te ama, muito. Por isso tentou me matar, para proteger você porque me acha uma ameaça.

Mu suspirou, um tanto relutante. Havia algo em Ume que o intrigava. Como um segredo. Um segredo bem guardado e que instigava sua telepatia a tentação em espiar.

 —Olha, eu não sei o que vocês passaram, mas eu quero que saiba que tanto você quanto seu irmão podem confiar em mim. Eu sei como é estar sozinho. Eu fui criado por Shion, mas houve um tempo em que coisas ruins aconteceram e bem...isso não importa agora. O que eu quero é ser seu amigo, seu companheiro. Alguém que você pode contar, acreditar que sempre vai estar do seu lado e que possa confiar qualquer segredo. – fez uma pausa. —Você confia em mim, não é?! Ume.

—Eu...sim! – respondeu sem jeito. O coração apertado, quase saindo pela garganta. — Mas...o Águia...

—Relaxa, eu vou dar um jeito de me entender com seu irmão. Eu não vou desistir de você, mesmo que seu irmão não aceite e tente me matar umas mil vezes. Eu não quero e não vou abrir mão de ficar com você.

Ume ficou olhando nos olhos verdes e sinceros do ariano, sentindo o peito se encher de uma emoção tão forte quanto a explosão de um vulcão. Ela também não queria se afastar de Mu. Estava completamente apaixonada. Tão apaixonada que estaria disposta a ir contra qualquer tradição ou até mesmo o destino cruel que os deuses lhe impuseram mesmo antes de existir.

Mu sorriu, erguendo mais o rosto meigo e rubro de Ume para lhe tomar os lábios com carinho, provando a maciez, o gosto doce de morango e mel, a língua cálida; tímida, se enroscando a sua com pouca experiência. Mu não se importava, até gostava, afinal. Sentia-se ainda mais instigado em ensinar a ela tudo que sabia, descobrindo juntos o amor e o prazer que mais agradava a ambos.

Com firmeza, Mu puxou Ume para seu colo, deslizando as mãos pelas coxas, quadris, cintura, puxando o corpo magro para mais perto, buscando o máximo de contato. Os pelos ralos de seu corpo reagindo alegremente; arrepiados. Causando um friozinho bom no estômago e um calor em ambos os sexos. O coração acelerando, bombeando o sangue necessário para fazer crescer o músculo viril; bem dotado e rosado, entre as penas do cavaleiro de Áries.

Ume se agarrou com força nele quando Mu ficou de pé, segurando em suas coxas e saindo consigo até o quarto. Ele até pensou em toma-la ali mesmo, em meio aos quitutes do café da manhã, mas lembrou do jovem adolescente que ainda dormia e que podia acordar na hora errada. Não! Nem pensar em ser flagrado por Kiki daquele jeito.

Com carinho depositou a moça na cama; se despindo; despindo-a; beijando-a; tocando-a com uma mistura de erotismo e amor. Mu até podia ser calmo, e como diziam Máscara e Milo: O lerdo de Áries. Mas de lerdo Mu não tinha absolutamente nada! Principalmente na hora do sexo, coisa que ele sabia fazer bem como ninguém. Ume se contorcia, sentindo a textura dos lábios dele a sugar seus mamilos, mordiscando de leve, a voz macia disparando obscenidades das quais jamais imaginou ouvir assim. As mãos calejadas pelo trabalho ardo tateando sua pele, arranhando de leve tocando seu ventre até sua vagina; brincando com seu clitóris antes de invadir a entrada molhada com dois dedos. As mãos pequenas da gueixa agarradas nos fios longos e cheirosos do amado, puxando mesmo sem querer, mas querendo que ele não parasse. A respiração dele gelava enquanto a língua e os lábios aqueciam ali, causando um contraste delicioso demais para seu corpo e mente suportar. A jovem arqueou sobre o colchão, gemendo alto, convulsionando. Os pensamentos se desfazendo como bolhas de sabão ao vento, delirando naquele prazer impossível de descrever. Era como cavalgar em relâmpagos até a plenitude total; o paraíso. A língua hábil do ariano ainda deslizava por ali, bebendo seu néctar até a última gota, causando vários arrepios e tremores por estar ainda sensível.

Sorrindo Mu se esgueirou pelo corpo avermelhado e abaixo do seu, satisfeito por ter sido o responsável por aquilo e muito orgulhoso de como havia feito. Os lábios tocando de leve a pele arrepiada de Ume, sentindo no ato os batimentos acelerados, o sangue quente subindo até a face e a deixando ainda mais linda e meiga.

—Você é linda! Tão linda quanto as flores e tão gostosa quanto os morangos que adoçam sua boca. – sussurrou.

—Mu...ahnnn...

O gemido delicioso terminou dentro da boca faminta de Mu em um beijo junto a penetração calma e firme. Os corpos em sincronia, se roçavam de leve, sentindo a textura macia de ambos e o calor que lhes aquecia até a alma. Os olhos fixos nas expressões, os lábios entre sorrisos e juras de amor, frases românticas e eróticas que só fazia crescer o amor e cumplicidade que sentiam um pelo outro. Sabiam que se conheciam de pouco, mas ainda assim sabiam que aquele sentimento era tão forte quanto os explosões dos trovões de Zeus e o colisão das ondas poderosas de Poseidon.

—Ah Mu, isso é...tão bom! Está tão...gostoso. Eu te amo!

—Eu também te amo, minha flor!  

Mu sorriu devasso, girando na cama com Ume ainda presa em seu corpo, colocando-a para cavalgar. Ume apoiou as mãos no peitoral dele, se apoiando como podia para se movimentar melhor. Os quadris ondulando, rebolando, subindo e descendo, sacudindo a cama que gemia em conjunto com o casal. Os olhos verdes de Mu, nublados de prazer em ver a gana da amada em busca de mais de si. Os seios pequenos, pulando foram aparados na palma das mãos do ariano, aumentando os gemidos de Ume que já não se importava com as “imprescindíveis aparências”. A única coisa que importava naquele momento era dar e receber todo o amor e prazer que o sexo lhe disponibilizava.

Mu fechou os olhos, tentando se concentrar ao máximo para aguentar o ritmo dela. Não queria terminar sem dar a Ume o prazer que ela ansiava tanto e merecia ainda mais em ter, mas estava sendo difícil. Por alguns segundos achou que nem os pensamentos da Guerra Santa seriam capazes de lhe retardar o orgasmo, mas logo sentiu o corpo de Ume tombar sobre o seu, vibrando enquanto gemia alto e movia os quadris com dificuldade. Ela estava gozando, se desmanchando inteira em um orgasmo forte e alucinante. Só aquela simples constatação foi o suficiente para arrebatar o ariano junto, exigindo dele até a última gota de forças e de seu sêmen em jatos e mais jatos dentro do corpo apertado de sua amada Ume.

—Pelos...deuses! Ah! Isso...que delícia! – Mu gemeu louco, se arremetendo um pouco mais ali. As forças se esvaindo, sendo sugadas pelo coração frenético dentro do peito.

E devagar eles foram se acalmando, as respirações normalizando, mas sem deixar o conforto dos braços um do outro. Aquilo era tão bom, tão confortável e aconchegante que lhes dava preguiça até de respirar. A única coisa que Mu conseguiu fazer foi envolver Ume em um abraço apertado. Se pudesse não sairia dali nunca mais.

 

 

♊oOoOo♊

 

 

Cansado, ou melhor dizendo, exausto, o pequeno Luy terminava, enfim, de subir o último degrau de acesso a casa de Gêmeos. Seu primo, também suspirou cansado. Agora entendia bem porque os cavaleiros de ouro treinavam tanto. Só podia ser para também aguentarem aquela escadaria toda.

O mais jovem, olhou ao redor, observando o salão imenso. Estava nervoso e também ansioso. Ele mal havia conseguido falar com Kyoko quando a encontrou na caverna e mesmo com todos os avisos de seu primo sobre ela não lembrar dele, ainda assim, insistiu que queria vê-la e dar a ela os chocolates que sabia tanto gostar.

Segurando o embrulho com força, Luy deu seus primeiros passos, mas a mão de seu primo Dionísio o parou de repente. Luy se assustou, mas antes mesmo de questionar viu por conta própria um homem sair detrás de um dos enormes pilares de Gêmeos. O homem sorriu jocoso, mas também enigmático ao ver os meninos estatelados sem entender. E com a mesma calma ele então começou a caminhar. O menino mais velho segurou Luy ainda mais forte enquanto este segurava o embrulhou entre a mãos como ser sua vida dependesse disso. O brilho intimidador nos olhos do desconhecido estremeceu ambos, mas mesmo amedrontados eles não entendiam o porquê de não conseguirem correr dali. Talvez fosse uma curiosidade anormal em saber quem e porque aquele homem tão...diferente estava na Casa de Gêmeos ao em vez de seu guardião. 

— Ora, ora! Visitas. – sorriu mais, entrelaçando os dedos das mãos.

— Quem é voxe? – perguntou Luy, inocente.

—Luy, acho melhor irmos. O senhor Saga não deve estar em casa agora. – resmungou o outro menino.

—Mas já? – indagou o homem gesticulando, movimentando sua franja lisa sem querer, cobrindo de leve os olhos azuis brilhantes e que assustou ainda mais os pequenos. —Vocês mal chegaram. Ora, não precisam ficar assim...- sorriu mais, mostrando os caninos pontiagudos. —...assustados. Eu sou um amigo da Kyoko, assim como vocês.

— Amigo...da Tyoko? – tornou Luy.

—Sim! Muito amigo... – disse. A voz macia, calma, leve, mas grave, apoiando uma das mãos no joelho para se aproximar mais.

—Eu...- Luy se encolheu. Era estranho, mas algo em sua mente lhe alertava que já havia visto aquele homem em algum lugar e que não era boa coisa. —...onde tá o Sinhô Saga? Eu...vim vê a Tyoko. Ela...ela tava matucada.

—Ah é...sim ela estava, mas agora não está mais. Mas não graças ao Saga. Entretanto...- o homem estendeu a mão. —...ela não está no momento, mas pode deixar que eu entrego o presente a ela.

O olhar perfurante do homem e a mão de unhas pontudas voltadas em sua direção fez o pequeno Luy tremer dos pés à cabeça. Ele havia ido ali para entregar os chocolates pessoalmente a sua amiga mais amada e mesmo que tivesse reunido toda sua coragem para aquele ato, ele jamais imaginou dar de cara com algo, ou melhor, alguém tão intimidador, irônico e falso como aquele homem. E diante de outras qualidades ainda mais assustadoras que ele possuía e que Luy sabia jamais poder ir contra que ele, relutante, entregou o pequeno saquinho na mão do homem.

O desconhecido segurou o embrulho, sorrindo zombeteiro, olhando de um para o outro e ficando de pé. Os cabelos negros se movendo de acordo com ele, causando um efeito ainda mais intimidante aos pequenos. Tirando o fato dele ser alto, bem alto para um homem normal.

—Eu entregarei, com certeza!

Sem mais o homem abriu o saquinho, tirando um bombom e enfiando na boca, dando as costas aos meninos e saindo. Os olhinhos de Luy marejaram e ele se odiou por ter sentido medo e cedido aquele estranho. Se fosse forte como o Senhor Saga jamais teria entregado o presente de Kyoko a um estranho.  

—Olha, não fica assim. Você fez bem. Não se preocupe, vamos conseguir mais chocolates para Kyoko.

— Pluquê aqueli homim tava aqui e naum o sinhô Saga?

— Não sei, mas pelo jeito nem o senhor Saga sabe dele. – respondeu pensativo.

— Ele mi deu medu. – resmungou Luy, choroso.

— Eu também. Você viu os olhos dele? Parecia que ele ia nos devorar. – Dinonísio sentiu um arrepio e estremeceu até os ossos.

— Chim Chim! – Luy concordou com os olhos cheios de lágrima.

— Olá meninos!

— Senhora Julieta! – falou o mais velho assustado, virando em direção a voz.

—Como vocês estão? O que vieram fazer aqui a essa hora?

— Estamos bem! Viemos visitar a Kyoko, mas acho que ela não está em casa. – respondeu o jovem Dionísio.

— Ah é! Ela saiu bem cedo com o Saga. Nem sei que horas eles devem voltar.

— Bom, é uma pena. Nós voltamos depois, então.

Julieta, observou o rosto molhado de Luy e imaginou que ele devia estar triste por não ter encontrado Kyoko. Sentiu dó dele. Sabia o quanto aquele menino sofria por Kyoko tanto quanto Saga.

—Não, não! Eu pensei em fazer uma torta de queijo, mas já vi que o Saga não virá, então porque vocês não me ajudam com essas bolsas e almoçam comigo? Quem sabe o Saga e a Kyoko não voltam a tempo?

Os meninos sorriram, aceitando e ajudando a senhora com as bolsas, afinal a esperança é a última que morre.

 

♊oOoOo♊

 

 

— Quê?!

E aquela foi a única palavra que soou no meio deles e esta não veio de Saga e sim de Kanon, que lembrava melhor do que ninguém quem era Hiroaki. Shaka ficou do mesmo jeito, mas mantendo todos os seus outros sentidos e principalmente seu cosmo por todo o lugar. Shion, que vinha logo atrás com Saori, ouviu em claro e bom som o nome balbuciado por Águia.

O shinobi olhou assustado, de um lado para o outro, procurando por algo que já não estava mais lá.

— Águia, onde estão os outros? – Saga perguntou, tentando manter uma calma que não possuía.

— Hiroaki-sama...eu...eu o vi. Ele...era ele! Era ele aqui! – balbuciou confuso. — Hime-sama...

— Águia! – Saga quase berrou, segurando o shinobi. — O que foi que aconteceu? Cadê os outros?

— Eu...eu não sei, foi tão rápido. Eu não vi de onde veio, só vi o rosto.

—Você tem certeza do que viu? – Kanon perguntou sério.

— Sim! Claro que tenho! Ele me tocou, tocou na minha testa e quando eu pisquei vocês estavam aqui. – respondeu olhando os gêmeos.

— Saga! Kanon!

Os gêmeos e Águia ouviram a voz do cavaleiro de virgem e sem demora partiram em direção, a névoa foi se dispersando, revelando a figura de Shaka diante de um Ookami paralisado com olhos arregalados, assim como o outro havia sido encontrado. Mas diferente de Águia, Ookami estava segurando seu katana, ou seja, ele havia pressentido que algo de errado estava acontecendo, mas mesmo assim havia sido pego na armadilha.

Usando seu cosmo, Shaka tocou o lobo, fazendo ele piscar confuso, olhando os rostos presentes sem entender direito o que estava acontecendo ali. Ele podia jurar que eles não estavam ali a um segundo atrás.

— Como vocês chegaram aqui tão rápido? – perguntou ambíguo. — Cadê a Naomi?

Os cavaleiros se entreolharam, já imaginando o que tinha acontecido ali. Saga bufou, meneando a cabeça em negativa e saindo com Kanon, e deixando um confuso Ookami sem entender mais nada ainda.

— O que tá acontecendo?

— Vai ficar tudo bem, venha! – ditou Shaka, saindo com eles.

Os gêmeos, caminharam altivos, passando pelo caminho em meio a neblina. Irritado de tanto esbarrar nos arbustos, Saga acendeu seu cosmo, criando uma explosão inofensiva aos presentes, mas que foi o suficiente para evaporar toda a névoa. E o que não foi surpresa nenhuma para os cavaleiros, lá estava Yamoto; parado, com uma das mãos levemente erguida e o olhar sereno. Kanon se aproximou na frente, analisando a feição do ruivo.

— Ele não parece assustado...

—...e nem surpreso. – completou Saga.

Tocou no braço do youkai, usando seu cosmo e o despertando. Para sua surpresa Yamoto sorriu de leve, sem nenhuma surpresa, medo ou precaução, disse:

— Saga! Até que enfim! Ela já estava ficando cansada de e... – Yamoto virou e, agora sim, levou um susto, quase pulando, arregalando os olhos e procurando de um lado para o outro, começando a caminhar sem rumo. —...Hime-Sama?! Hime-sama?! – voltou até Saga, olhando sério. —Onde ela está?

— Boa pergunta, ruivo, pensamos que talvez você pudesse nos dizer. – proferi Águia, se aproximando com os outros.

—Eu... eu não sei, ela...ela estava aqui, sentada, observando os peixes. Eu ouvi passos e quando eu virei você estava aqui. – apontou para Saga.

— Hummm...parece que temos um enigma aqui. – falou Kanon, cruzando os braços. — Águia viu Hiroaki, provavelmente o mesmo que Athena viu; Ookami viu Naomi e o ruivo aqui viu o Saga.

—Parece que alguém está querendo brincar com nossas mentes...

— Cheshire! – disparou Saga, interrompendo Shaka e surpreendendo os outros.

— Cheshire?! Isso não faz sentido. Por que ele iria querer nos enganar só para se aproximar da Kyoko? Ou melhor, levar a Kyoko. – Ookami perguntou se aproximando mais.

—Porque é como o Shaka disse: ele gosta de brincar. Principalmente comigo. – Saga suspirou. —Ele sabia que se assustasse a Saori nós viríamos.  

— Mas a Saori viu um homem e o Cheshire é só um garoto. – Kanon comentou.

— Ela viu o Seiya primeiro.

Shion falou ao se aproximar com Saori. A moça ostentava um belo nariz vermelho e olhos inchados por conta do choro forte.

—Mas porque ele se transformaria em Hiroaki justo para Saori? – Yamoto ficou pensativo.

—Para assustá-la, assim como fez com o Águia. Ele sabia que primeiro o encontraríamos e que ele diria o que tinha visto, e isso iria mexer não só comigo, mas sim com todos nós.

—Então, não temos que nos preocupar tanto. Se é o Cheshire quem está com Kyoko-sama ela está segura. – falou Ookami.

— O problema, Ookami é que não fazemos a menor ideia para onde ele a levou e eu não tenho tempo para ficar procurando. Não que eu não queria procurar, mas sim pelo fato de um deus achar que tem o direito de transar com a MINHA namorada!!! – Saga quase berrou, irritado. Saindo a passos duros. — Droga!

— Acalme-se, Saga! Você ainda tem tempo. – Shion falou, fazendo o gêmeo mais velho parar.

—Quanto?

—Uma semana.

— Ahh que ótimo! – retrucou irônico.

— É melhor do que nada. – Shaka repreendeu.

— Shion, eu ainda estou preocupada com o Seiya. Eu consigo sentir o cosmo dele, mas mesmo que seja o tal shinobi da Kyoko, meu coração está aflito. Por favor...

— Tudo bem, eu já entendi! Vou pedir a Milo e Aiolia para subirem.

— Obrigada, Shion! – Saori enfim sorriu.

Um pouco mais afastado Saga tentava pensar, imaginar para onde Cheshire poderia ter levado Kyoko. Talvez para o Makai ou quem sabe para a boate de Guilhermo na Finlândia. Era difícil dizer, difícil pensar. Cheshire era imprevisível e a unido a furtividade absurda de Kyoko tornava-se ainda mais insuportável. Começou a se arrepender de não tê-lo matado junto com seu pai, clone, irmão! Ah! Foda-se o que quer que ele fosse de Hiroaki.

— Não adianta ficar irritado irmãozinho, não vai ter jeito: vamos ter de procurar. – Kanon falou, olhando o rosto sério de Saga.

—Faz ideia do que é procurar Hime-sama quando ela não quer ser encontrada? – Ookami ponderou, cruzando os braços.

—Você tem uma ideia melhor?! Porque se você tiver eu estou pronto pra ouvir, meu caro. – rebateu o marina.

—Ei! Calminha aí, cara! Eu não disse que não ia procurar e nem que era uma má ideia, eu só fiz um comentário, falou?!

Saga passou a mão nos cabelos, mal conseguia pensar. Mas que inferno! Por que Kyoko tinha de ser tão inconsequente? Por que ela tinha de ter ido com Cheshire? Será que ela não poderia ter esperado ou pelo menos AVISADO?

Ahh que porcaria! A quem estou querendo culpar? Ela confia em Cheshire, não há motivos para que ela não fosse com ele até porque, ela nem sabe ainda de Dionísio e Poseidon. Eu mesmo disse a ela que ninguém iria machucá-la aqui. Droga! Não devia tê-la deixado sozinha. Até quando cometerei os mesmos erros? ”

Ela não estava sozinha e a culpa não é sua.

—Eu não lembro de ter lhe dado o aval para invadir minha mente agora, Shaka. – reclamou Saga.

—Se isso lhe conforta eu não preciso fazer isso para adivinhar o que está pensando, Gêmeos.

Junto a Saori, Shion sentiu o cosmo agitado de Saga e ficou pensativo. Ele ainda não havia terminado de dizer a Saga tudo que havia descoberto sobre Kyoko e agora, se questionava se devia ou não fazer no momento. Pensava que se Cheshire queria provocar Saga talvez poderia ficar sumido com Kyoko por dias, ou quem sabe meses?! Brincando de pique-esconde e deixando Saga ainda mais desesperado. Mas pensando por outro lado, talvez o cavaleiro de gêmeos não tivesse outra oportunidade de saber daqueles detalhes antes da chegada dos deuses.

— Saga!

Shion chamou, se aproximando enfim. Confessou internamente que estava receoso, mas sabia que não adiantava prolongar mais as coisas. Era melhor que Saga soubesse de uma vez. Ele melhor do que ninguém sabia que esperar pelo amanhã era algo instável demais.

— Sei que está preocupado, mas ainda não terminamos a conversa.

Saga suspirou. Sabia que viria mais uma chuva de más notícias.

—Saga, eu tenho uma ideia. – Yamoto se pronunciou. — Eu, Águia e Ookami iremos retornar ao Makai e procurar Kyoko-sama por lá. Se Cheshire a levou para casa nós a encontraremos. Somos melhores lá do que aqui.

—Sim, sim! É uma ótima ideia, Yamoto! Vá! Acione todos que puder, eu resolverei do lado de cá, mas por favor, qualquer novidade, seja boa ou ruim, me avise. Okay?!

Hai!(Sim!) Saga-sama!

Os três fizeram uma reverência e sem mais saíram. Kanon ergueu uma sobrancelha. Pensou em tirar uma com o irmão, mas achou por bem deixar para outra hora. Saga já estava com problemas demais naquele dia.

 

 

♊oOoOo♊

 

Dentro da biblioteca Saga achou por bem sentar dessa vez. A preocupação mal disfarçada não enganaria nem uma criança, deixando o rosto ainda mais sério do que ele normalmente já era. Dessa vez Saori resolveu que também ficaria ali, até porque Shion e Shaka ainda tentariam restaurar as memórias de Saga. Ela até pensou que talvez fosse um pouco demais para ele em um único dia, mas diante dos acontecimentos era melhor não deixar nada para o amanhã. Dionísio e Poseidon haviam dito que dariam uma semana para prepararem o santuário e principalmente Kyoko, para recebe-los, pois, o primeiro não fazia a menor questão de esconder o que ali lhe interessava. Mas vai se saber se ambos cumpririam o prazo...

— E então Shion?! – Saga falou, mostrando estar preparado. Shion então suspirou.

— Quando você estava no Makai eu procurei por muitas coisas, mas confesso que não foi fácil. Com a destruição de StarHill, muitos documentos antigos se perderam e os que ficaram não me deram nenhuma resposta, então...eu pensei, pensei e tive uma ideia. Confesso que não foi muito honesto, mas...levando em conta tudo que estava acontecendo, eu...não tinha como pensar sobre isso.

Shion suspirou outra vez. Não havia dito aquilo nem para Athena. Somente Shaka sabia daquela informação e nem sabia o porquê havia dito aquilo a ele. Talvez para desabafar, quem sabe.

—Saga, você não foi o primeiro homem que a Kyoko se relacionou. – disparou de uma vez. Saga empalideceu. — Antes de você...antes de você existir, veio outro alguém...

Um silêncio estranho pairou pelo ambiente, até Saga ter coragem de indagar em um fio de voz:

—Quem?

—Minos! Minos de Griffon.

— Quê??? – Kanon e Saori disseram ao mesmo tempo, em choque.  

Saga levou um baque tão grande que mal se aguentou sentado, ficando de pé num salto. Aquilo era um absurdo! Não era possível! Shion devia estar enganado! Como Kyoko podia ter se relacionado com um Juiz?! Um Juiz do submundo? Como ela podia ter se deitado, trocado afagos com alguém tão cruel e desprezível com Minos?!

—Isso...isso é...um absurdo! – falou num fio de voz.

—Saga, a Kyoko, ela é muito mais velha do que todos nós juntos. E não sabemos de todas as coisas pelas quais ela já passou.

— Deus! Um Juiz! – sussurrou.

— Isso, isso é...muito grave! – Saori falou sem perceber.

— Ela é...uma espiã de Hades?! – Kanon mais afirmou do que perguntou, para o desespero de seu irmão.

— Não foi isso que eu disse. – repreendeu Shion.

— Como descobriu isso? – Saga indagou confuso.

— Na mente da Kyoko não tinha nada, então eu... – fez uma pausa. —...Saga, o Aiolos, ele, não sabe disso e nem deve saber.

— Keiko...

 — Sim! Eu entrei na mente da Keiko e uma conversa descontraída entre irmãs...

— Me mostra! Eu quero ver! – Saga se aproximou de Shion, olhando bem fundo nos olhos dele. Shion suspirou. Sabia que aquilo aconteceria.

Usando seu cosmo e sua telepatia, Shion encostou sua testa na de Saga, dando a ele acesso as visões que havia visto nas lembranças de Keiko...

 

“Em uma casa simples, pela janela aberta, a brisa fresca da noite primaveril fazia as cortinas dançarem calmamente, elegantes. Keiko, jazia sentada no chão entre almofadas, lendo um livro de poema antigo. A sombra de uma raposa desviou a atenção da moça, arrancando-lhe um sorriso doce de felicidade.

— Kyoko!

— Keiko!

Kyoko pulou a janela, indo até a irmã e a abraçando forte. Fazia mais de um ano que não via Keiko. Sentia tanta saudade e não conseguiu conter uma lágrima de satisfação.

— Senti tanta sua falta! – disse a mais nova.

— Eu também. Sinto muito não ter vindo antes, mas é que...- Kyoko fez uma pausa.

— O que houve? Você parece tensa.

— Não é nada, quer dizer, há algumas coisas, sabe?! Mas não quero preocupa-la. Não vim aqui para isso. Eu trouxe presentes!

—Olha, eu adoro ganhar presentes, mas...eu não quero saber deles agora, eu quero saber de você. Eu te conheço, você é péssima com mentiras. – Keiko cruzou os braços. Kyoko bufou sentando nas almofadas. —Vai, desembucha de uma vez.

—Eu não devia te dizer isso. – fez uma pausa. —Keiko...eu encontrei alguém. – a mais nova sorriu ansiosa. Kyoko apaixonada?! Aquilo era uma novidade.

— Quem?

— Um Juiz! – falou baixo, temerosa.

— Um Juiz? – Keiko riu, sem entender o drama. — Ah, Kyoko. Existem milhares de Juízes pelo mundo e isso...

— Um Juiz do submundo.

Keiko parou na hora. Estatelada. Boquiaberta. Assustada. Será que tinha ouvido direito?

— Keiko, você não pode dizer isso pra ninguém, nunca! Jamais!

—Kyoko, um...Juiz?! Um Juiz do submundo?! Ah meu...deus! Você está transando com um espectro?

—E daí com quem eu transo ou deixo de transar? Isso não é da sua conta! Você transa com humanos e eu nunca reclamei! – Kyoko rebateu, incomodada.

—Kyoko, isso é perigoso demais! Não devemos nos misturar com espectros, você sabe disso! São contagiosos, doentes, maníacos e...um Juiz?! AH MEU DEUS!! Se Hiroaki descobrir você ta morta!

—Ele não vai me matar. – sorriu vitoriosa. —Agora quanto ao Minos?! Aí já não é um problema meu.

—Aí que cruel, Kyoko! – resmungou Keiko.

— Ora, pra quem acabou de dizer que espectros são doentes, contagiosos, etc...até que você está se importando muito com ele. – Kyoko sorriu mais, deitando nas almofadas.

— Eu não me importo. – fez uma pausa, deitando e abraçando a irmã. — Eu só não quero que você se machuque mais.

Kyoko beijou o topo da cabeça de Keiko, acariciando os fios negros e abraçando a irmã.

—Eu sei. Relaxa tá bom?! Eu sei o que estou fazendo.

— Se você diz. Mas, e aí?! Como ele é? – indagou Keiko, sorrindo safada. Kyoko retribuiu, olhando o teto e pensando.

— Até que ele é gostosinho, vale o sacrifício...é o suficiente! – respondeu sem emoção.”

 

Saga se afastou de Shion, abrindo os olhos com calma, sentido um frio na espinha e uma dor forte no peito como se uma espada o atravessasse sem misericórdia. Sentia um misto de emoções tão estranho que era difícil demais até respirar. Voltou a se sentar; pensativo.

—Saga, eu não consegui achar mais nada na mente da Keiko. Acredito que a Kyoko fez isso de propósito, não contando a ela detalhes para que ninguém descobrisse. – falou Shion.

— Ela protegeu a Keiko. – fez uma pausa. —Ela não parecia muito...amável. – olhou para o grande mestre, preocupado.

— Você não está enganado. Ela não parecia muito preocupada com o bem-estar de Minos. Era como se ela...esperasse alguma coisa dele que não fosse...

— Afeição. Era como uma troca de favores. – completou Saga.

Shaka então se aproximou, tocando o ombro de Gêmeos. Saga o olhou, desviando a atenção de seus milhares de pensamentos e suposições. Tinha que admitir; saber que Kyoko havia dormido com um Juiz de Hades não era nada saudável! Mas o pior era que ao em vez daquela descoberta dar-lhes respostas ela só causou ainda mais intriga em todos os seus pensamentos que pareciam que dariam um nó. Kyoko havia perdido a memória duas vezes e com toda certeza, Minos havia ido embora em uma dessas duas ocasiões. Mas...e se ela recobrasse a memória e o que sentia por Minos não fosse tão fraco assim?! Algo leviano como ela demonstrou ou pelo menos, tentou demonstrar a Keiko?  Será que fazer Kyoko recobrar suas memórias seria mesmo uma boa ideia agora?!

Saga não fazia a menor ideia, mas de uma coisa ele tinha total e absoluta certeza: amava Kyoko e queria as suas memórias com ela de volta. E foi tentando se focar nisso que o imponente cavaleiro de gêmeos se deixou levar pela mão de Shaka em seu ombro, se recostando na poltrona e fechando os olhos. Saori ficou apreensiva e Kanon ansioso, e tenso.

Saga respirou fundo, tentando relaxar, sentindo o cosmo de Shaka e Shion o envolver, invadindo sua mente como um tiro. Suas memórias sendo remexidas como uma caixa de brinquedo nas mãos de duas crianças afoitas, despertando sensações que já não sentia a tempos. Sua maior idade, a transição para o homem que se tornara, o romance. Saga sorriu sem perceber ao ver a si mesmo flertando sem jeito, mas mesmo assim derretendo a jovem serva como manteiga na frigideira. A juventude; seus autos e baixos da depressão e luta contra seu eu maldito. Saga apertou os olhos, chorando convulso ao ter de rever o pior ato de toda sua vida.

Sentida, Saori segurou sua mão, emanando seu cosmo e relaxando o cavaleiro. Dizendo em silêncio que Saga não estava só.

— Está tudo bem, Saga! – ela disse

Ele respirava ofegante, as lágrimas descendo por seu rosto. E o retorno de tudo; a adolescência perturbada, a infância solitária. O golpe! E tudo se tornou escuro, vazio. E lá estava o buraco que Hiroaki havia deixado em sua vida. Um vazio que fora preenchido pelo demônio Ares. Saga respirou fundo, se acalmando com o silêncio da própria mente. Shion e Shaka se concentraram mais, buscando em cada canto da mente de Saga as lembranças guardadas em algum lugar. Alguma caixinha imaginária.

De repente Saga soltou um gemido, voltando a ofegar. Saori segurou sua mão ainda mais forte. Shion se concentrou mais junto a Shaka, causando uma dor forte na cabeça de Saga, mas que fora suficiente para destrancar as memórias que ele achava ter perdido.

Cansados, Shion e Shaka se afastaram, deixando Saga respirar; se acostumar. O cavaleiro se encolheu, gemendo; sentindo as memórias remexerem seu coração de um jeito fora do comum.

— O que há com ele? – perguntou Kanon amparando o irmão junto a Athena.

— É normal! Os sentimentos dele estão reagindo as memórias. É como lembrar que se tem medo de altura diante de um penhasco. – falou Shaka, calmamente.

—Kyoko! – Saga gemeu, chorando. —Pelos...deuses! Ah! Athena!!!! – gritou tremendo.

—Eu estou aqui, Saga! Vai ficar tudo bem! – falou Saori, compadecida.

Saga tremia, chorando sem controle. Suas emoções reagindo de forma avassaladora com as novas lembranças. E não eram poucas, não eram bobas. Não eram ilusão! Era real! Tão real que doía na carne e principalmente no coração. Ele sentia-se muito mexido com as poucas memórias que Cheshire havia lhe devolvido, mas aquilo que Shion e Shaka haviam lhe dado ia além de tudo que imaginou. Kyoko não havia ficado consigo por alguns dias e sim por um ano e meio, todos os dias! Todos os dias sem exceção, assim como, agora, se recordava que havia pedido a ela para fazer. Para não lhe deixar nunca, não lhe abandonar como todos faziam; seus amigos, seu irmão, seus pais. Kyoko estava sempre a seu lado, dizendo-lhe que ele jamais seria mal e que sempre iria acreditar nele, em seu potencial. Que acreditava que cresceria e teria sim pernas fortes e seria um homem incrível como nenhum outro jamais fora. E que quando ele caísse no chão grosso e ralasse os joelhos ou apanhasse do irmão e dos outros meninos, ela estaria lá para lamber suas feridas mesmo que isso lhe custasse a própria vida.

“ —Nunca mais deixe alguém lhe chamar de fracassado ou dizer que você não pode fazer alguma coisa, você me ouviu?! Me ouviu, Saga? NUNCA MAIS! – Kyoko bradou, sacudindo o menino.

— Sim! – balbuciou o menino, chorando com um olho roxo e a boca cortada.

— Você é melhor do que imagina e será um grande homem, eu sei disso. Então, não deixa nunca mais ninguém dizer que você é amaldiçoado porque nem você e nem seu irmão são, tá bom?

....e ela sorriu. Aquele sorriso lindo em meio a covinhas, bagunçando seus cabelos antes de arrasta-lo a força para o banho e lamber suas feridas, fechando-as como mágica...

...era sempre assim. ”

Saga se agarrou em Kanon. Pensando nas incontáveis vezes que ela havia feito aquilo, em quantas vezes ela havia dado de si mesma para que ele ficasse bem...e não só ele, seu irmão também, mesmo que Kanon não lembrasse.

Shaka não disse nada, saindo da biblioteca. Seu trabalho ali havia terminado. Deixaria para receber os agradecimentos de Saga em outra hora. Já Shion se aproximou de Gêmeos, tocando seu ombro. Saga respirou fundo, sentindo-se envergonhado, mas também aliviado. Era bom ter suas memórias de volta.

— Shion, eu preciso encontrá-la de qualquer jeito.  – falou

— Sim! Vamos encontra-la, Saga!

E dessa vez quem respondeu foi Saori, sorrindo. Estava feliz por sentir o alívio no cosmo sempre tão aflito de Saga.

 

Continua...


Notas Finais


ありがとうみなさん。またね! =3


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