História Uma flor - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Osomatsu-san
Personagens Chibita, Karamatsu Matsuno
Tags Karabita
Exibições 3
Palavras 787
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Shonen-Ai
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Ele tinha um segredo. Todos tinham, mas este era diferente. Não só por manter-se segredo ao longo dos anos, mas pelo valor que tinha. Todo segredo tem um valor, mas este era especial. Como era especial, cultivava-o toda madrugada. Por que na madrugada saía de fininho para dar a devida atenção ao segredo. Fazia isso já há anos. Era sempre entre às quatro e cinco da madrugada, quando os pássaros começavam a cantar. Subia uma ladeira íngreme que dava para uma encruzilhada, seguia os trilhos do trem até um amplo campo, depois adentrava o bosque e seguia o caminho de uma trilha. No fim da trilha parava no centro de uma clareira, em frente a um banquinho feito de um tronco velho. Sentava no tronco e apoiava a cabeça numa árvore, pensava. Depois erguia-se e se dirigia para um vaso deixado embaixo de outra árvore, no vaso se achava uma única flor, uma flor que crescera tanto que batia no tronco, assim, imitando-o. Passava o dedo em cada pétala, com cuidado e sem pressa, sentindo no tato a sua delicadeza, um macio acolchoado. Depois, tirava da mochila que trouxera consigo um cantil e a regava.

  Retornava para casa e voltava a dormir.

  Só acordava para arrumar a casa, e mais tarde montar a barraca. Era o seu pequeno ritual do dia a dia, e se alegrava com ele, com esses pequenos momentos. Desde criança acreditava que nascera para saciar a fome de outras pessoas. Assim como seu adorado prato mexia com seus sentimentos, acreditava que mexeria com o coração de amigos próximos. Sentia-se realizado quando os seis irmãos vinham de tardinha para a sua barraca, a algazarra que faziam e a felicidade estampada no rosto de cada um deles compensava toda a atenção que dedicava no preparo do oden.

  Por isso, quando qualquer um deles chegava sozinho, sentia-se arrasado, pois sabia que alguma coisa tinha acontecido. Quando foi a vez de ajudar Karamatsu deu o seu melhor, convidou-o para jantar, até mesmo tentou incentivar seus irmãos a recebê-lo outra vez. Quando nada funcionou, voltou desolado para sua barraca. O fracasso ficou consigo até o dia em que conheceu a flor, não era a mesma que ele mantinha em segredo, era uma mágica que se transformou numa bela jovem e o convidou para um encontro. Ela o alegrou como ninguém mais havia feito, e assim como veio se foi. Lembrava como o buraco que ela deixou foi bem maior do que o seu fracasso. O oden tinha gosto de mar.

  Certo dia, Karamatsu aparecera sozinho outra vez em sua barraca, notara o gosto diferente da comida e cheio de si tirara do bolso de trás da calça uma semente. “Para dar boa sorte em sua nova jornada” dissera ele. Chibita contemplou o presente, abriu as duas mãos em concha para recebê-la e ficou olhando bem para ela. Karamatsu havia tirado os óculos escuros e mirava Chibita com um olhar sério, um pouco constrangido.

  Incrédulo, perguntou a Karamatsu qual era a ocasião. “Uma lembrança; para uma bela flor” respondera, suas bochechas estavam rosadas, e foi quando Chibita entendeu. Ele mesmo abaixou a cabeça e ficou observando o caldo borbulhar.

  No final daquele dia, subiu o morro. Adentrou a floresta, plantou a flor dentro de um vaso, e a deixou guardada sob a copa de uma árvore. Quando voltou para casa ficou a imaginar o que levara Karamatsu a lhe dar a semente. Lembrou-se de quando o havia ajudado, mas naquele dia não tivera êxito, então não podia ser isso. Lembrou-se, então, de outra ocasião quando o mesmo Matsuno viera para sua barraca, apenas ele, buscar conselhos de como se tornar um cozinheiro, e de como teve prazer em ajudá-lo. Mas também não tinha como ser aquilo, e então viu novamente a expressão encabulada que dera, e ele próprio sentiu seu rosto queimar.

  No dia seguinte deu outra passada na clareira e fez companhia para a futura planta que nasceria. Contou-lhe do seu dia, dos seis irmãos, das desavenças e amizades, da relação mista que tinha com eles. Nos dias que se seguiram repetiu o ritual, fez companhia para a planta até que um dia desabrochou numa linda flor, assim como a que o deixou. Deu um suspiro de pesar, mas sentiu seu peito aquecer ao mesmo tempo. Visitava-a sempre que podia.

  A flor crescera também dentro dele.

Tempos mais tarde recebeu uma declaração, um buquê de rosas enfeitava o pedido. Karamatsu implorava para que o deixasse morar junto com ele, prometia arranjar um emprego e ajudar nas despesas, e acima de tudo prometia preencher o buraco que fora deixado em seu coração.

“Eu que agradeço por tudo” queria ter dito, e uma lágrima lhe escapou do canto do olho.



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