História Uma história de Naruto: o último Uchiha - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Akamaru, Boruto Uzumaki, Chouchou Akimichi, Chouji Akimichi, Darui, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hashirama Senju, Himawari Uzumaki, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Inojin Yamanaka, Iruka Umino, Itachi Uchiha, Juugo, Kabuto, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kiba Inuzuka, Killer Bee, Konohamaru, Kurama (Kyuubi), Madara Uchiha, Manda, Metal Lee, Minato "Yondaime" Namikaze, Mitsuki, Naruto Uzumaki, Orochimaru, Personagens Originais, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sarada Uchiha, Sasuke Uchiha, Shikadai Nara, Shikamaru Nara, Shin Uchiha, Shinki, Shino Aburame, Shisui Uchiha, Shizune, Suigetsu Hozuki, Temari, TenTen Mitsashi, Toneri Otsutsuki, Tsunade Senju, Yamato
Tags Ação, Comedia, Drama, Kai, Naruto, Uchiha, Yakago
Visualizações 26
Palavras 7.854
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shounen, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nesse capítulo:

Em meio à rivalidade de Kai e Chris, o Time Y sai em uma missão perigosa, ao lado do Time N (Nairi). E assim, eles terão um gosto do que é a vida de um ninja mais velho, a vida de um ninja de verdade.

Capítulo 8 - CAP. 7 - Problema internacional: rola uma junção de equipes?


Fanfic / Fanfiction Uma história de Naruto: o último Uchiha - Capítulo 8 - CAP. 7 - Problema internacional: rola uma junção de equipes?

Uma rivalidade dolorosa, admito. Mas não é dolorosa por eu ser desprezado ou qualquer coisa do tipo, isso ele não fazia. É pelos socos poderosos da manopla de pedra de Chris. O engomadinho não tinha pena de bater forte, o que me deixava todo dolorido onde o golpe conectava. Não pode ser assim... Já perdi várias lutas pra ele, não pode haver mais. Tenho que mostrar que sou melhor que ele! Sempre fomos rivais, só não tínhamos declarado. Mas agora, as coisas são diferentes. Estamos na mesma equipe e somos oficialmente rivais, o que aumenta a competição por sabermos como anda a evolução do outro.

Mas hoje, tive que dar um perdido na missão em equipe, saindo da vila com Hamada, Misa e Hogato, que tinham o dia livre.

- Ei, Kai! Como anda seu treino? - Hamada se pronuncia do nada.

Estávamos todos a beira de um grande lago envolto por floresta e montanhas aos longes. Era extremamente calmo o local, ao som de pássaros voando por aí. E eu estava no meio da água após um salto do alto de uma pedra.

- Não vai responder a pergunta? - Ela insiste. - Por acaso fugiu da sua equipe hoje?

- Tá louca! Não! - Falei rápido, antes que ela desconfiasse e submergir, nadando até a margem deles.

- Fugindo deles ou não, estamos nos divertindo, não é? - Misa corre na pedra e pula, caindo como uma bala de canhão e espirrando água em quem não tinha entrado na água.

- Ah, cara... Eu estava bem seco... - Hogato reclama, enquanto saio e sento ao sol pra me secar e poder por minha roupa.

- Ah, parem de graça, vocês dois. - Ela balança seus cabelos rindo, jogando mais água neles.

Demos mais algumas boas risadas com isso. Hamada não esquentou muito até entrou no lago também, mas Hogato ficou reclamando bastante, enquanto nós zombávamos dele.

Então, a fome bateu e conseguimos uns peixes no lago, acedendo uma fogueira logo na beira da água. Misa puxa uma caixinha de som de dentro de sua bolsa de ferramentas, aumentando até o último volume em uma música chamada "Malibu", com um ótimo ritmo, o qual ela me chama pra dançar. Sem hesitar, entro na brincadeira, trazendo Hamada e Hogato para mais músicas do tipo. Foram muitas risadas e dança.

Eis que decidimos sair dali por estar com sol de meio-dia, queimando bastante. Voltamos andando vagarosamente pelo meio da floresta. Misa vai andando mais a frente, ainda cantando a mesma música que começamos a dançar, junto de Hogato. Enquanto eu ia andando mais atrás com Hamada ao lado.

- Parece que você deixou Misa bem feliz hoje. - Minha amiga diz, com um sorriso no rosto.

- É... Bom, tô tentando me livrar um pouco da minha equipe. Tô com uma vergonha de aparecer por lá, já que ando com uma competição com Chris e tô perdendo feio.

- Mas você consegue ganhar dele. É forte. - Ela me dá um soco no braço, de brincadeira. - Agora voltando ao assunto, ela sempre fica muito animada com você por perto.

- Não entendo isso. Sou só um amigo que ela fez depois que terminou a Academia. Nem falava com ela antes.

- Mas ela gosta de você, é algo diferente. Sempre te observou nessa época, mesmo com esse jeito maluco dela.

- Não entendo mesmo. É um local abandonado pra mim, esse tipo de sentimento.

- Assim como você abandonou a equipe nessa manhã, Kai? - Uma voz que não era de nenhum dos meus amigos se faz presente.

Viro rapidamente para trás, vendo meu sensei ali. Na hora, já entendi que estava encrencado, minha expressão também deve ter retratado isso.

- Não precisa se preocupar, era para vocês se juntarem mesmo para uma missão. - Yakago me olha bem, mas tive certeza que ainda levaria uma bronca pela fuga. - Chris, Elba, apareçam.

Minha equipe pula da árvore em que estavam para o lado do Sensei.

- Na missão de hoje, as duas equipes estarão juntas. Então, Time Y, conheçam a Jounnin que vai nos acompanhar, a líder do esquadrão dos amigos do Kai, Nairi Tsuni.

Uma mulher extremamente linda aparece de trás de uma árvore, com um sorriso angelical. Seus cabelos negros lindos e brilhosos... Ah, perderia muito tempo descrevendo toda essa beleza aqui, fica por conta de quem lê, a partir de agora.

- Oi, Time Y. Oi, meus alunos dedicados. - Ela termina com uma risada que me deixa feliz também.

Minutos depois, todos estávamos sentados em pedras, prontos para ouvir as instruções dos dois capitães da missão. Yakago começou falando:

- Uma pequena vila aqui perto de Konoha anda com problemas com jovens desordeiros.

- Olha só, alguém como Kai. - Chris fez o comentário.

- Ei! - Soquei seu braço, não gostando da piada.

- Como Chris disse, alguém como Kai. - O Estagiário de Sensei entra na piada. - Parece que o jogo virou, pois o trabalho de vocês é fazer esses problemas pararem.

- Não é uma missão longa, passaremos, no máximo, estourando já, uma semana. - Nairi Sensei complementa. - Pelo que sabemos, esses jovens não são propriamente ninjas, mas utilizam chakra em vários tipos de armas, são especializados nisso. Mas cuidado! Eles não tem pena quando entram em batalha, afinal já são tão perdidos no mundo que não tem mais nada a perder.

Todos ficaram em silêncio, absorvendo as informações.

- Alguma pergunta? - Yakago olha a todos. - Não? Então, hora do show, porr... Uhm, por favor.

Segurei uma risada, pois ele estava seguindo uma ótima piada, mas lembrou que não fala palavrões.

Duas horas depois, estávamos todos com nossas mochilas nas costas, pulando pelas árvores em direção a pequena vila que ficava a um dia de viagem. Como fiquei pela metade do grupo, observava o pessoal da frente: Yakago, Nairi, Chris e Hogato. As garotas vinham mais atrás, falando pouco.

O dia se passou e a noite caiu. Levantamos acampamento em uma clareira e partimos cedo. Na maioria da viagem, fiquei em silêncio, cantando músicas que eu gosto mentalmente. Quase escorreguei da árvore quando começaram a descer para a trilha mais abaixo. Então, passamos a andar sem preocupação. Alguns minutos depois, o Sensei fala com todos atrás:

- Estamos quase lá, a partir daqui, vocês vão sozinhos. Nós dois seremos só apoio.

- Ou seja, a missão é só de vocês. Só entraremos em ação se necessário se necessário. - Mais uma vez, um completa a fala do outro.

- Exato.

Ambos retiram suas roupas de Jounnin, mostrando outras por baixo e põem próteses faciais que os deixam com aparência de outras pessoas. E após um aceno, somem, velozes, na frente.

Logo, a pequena vila começa a ser vista mais a frente, após uma enorme clareira. Seus muros eram de uns cinco metros de altura, feitos de madeira. As construções, em sua maioria, eram casas, com exceção de alguns poucos prédios. Paramos de correr assim que avistamos isso, passando a andar lentamente pela trilha de terra batida no meio da clareira.

Quando passamos pelos portões, somos revistados por dois guardas, com lanças e armaduras reluzentes. Parece que há guardas assim pela vila e em cada portão.

Por fim, seguimos a mesma rua em que entramos, até chegar ao que parecia ser o exato centro da vila: uma fonte no meio de uma praça com muitas barracas de comércio em volta. Parecíamos ser os únicos ninjas por aqui, éramos os únicos com bandanas e mochilas de viagem.

Virei para o grupo pra tirar essa dúvida.

- Então? Só eu me sinto um total estrangeiro aqui? - Falei com o grupo, mas olhando em volta.

- Mas nós somos estrangeiros, lerdão. - Elba responde, distraída com os arredores como eu.

- Acho que a gente deve achar um lugar para comer, né... Tô cheio da fome. - Hogato passa a mão na barriga após um alto ronco sair de lá.

- Só vamos logo. - Hamada puxa meu amigo pelo braço.

Então, todos começamos a vagar por ali, procurando algum lugar para comer.

Pelo resto do caminho, vi alguns outros guardas, confirmando o que pensei. Antes que eu fizesse a pergunta em voz alta, Chris fala:

- Pessoal, será que sou o único que está se perguntando isso: por que a cidade precisa da gente pra tirar os criminosos daqui, se tem esses guardas?

- Percebi também. - Misa responde, com uma mão no queixo, como se pensasse.

- Vamos falar sobre isso enquanto comemos? - Hogato apressou, o que me fez rir do tanto que ele estava faminto.

Vinte minutos após, estávamos todos sentados naqueles bancos que fazem um "U" ao redor de uma mesa. Eu bem no meio, com Misa de um lado e Chris do outro.

Hamada olha para um lado e se surpreende com algo.

- Ah, olha! Olha quem está aqui! - Ela aponta para uma mesa do outro lado do restaurante.

Quando todos olhamos, lá estavam nossos senseis, fingindo ser um casal almoçando em uma mesa para dois, nos observando de longe. Yakago pisca para nós, com seu "rosto novo" enquanto Nairi dá um discreto aceno com sorriso. Os dois voltam à encenação logo após.

- Então, acho que devemos falar disso agora. - Chris diz.

- O que vão querer? - Um garçom vem até nós com uma folha para anotar os pedidos.

- Ah, seria ótimo comer aquele grande barco, metade com lámen e a outra com sushi, não acham? - Misa dá a ideia, olhando em volta.

A maioria concordou, então entrei nessa também. Assim que o garçom se afasta, Elba prossegue:

- Hora dos fatos até agora, pessoal.

- Sabemos que nossa missão é retirar o lixo. - Brinquei, com um sorriso.

- É, mas por que querem que façamos isso, se o vilarejo já tem os garis? - Chris olhou em volta.

- Acho que pensamos a mesma coisa. - Hamada fala e olha para o Evans.

- Ah, entendi. - A Hyuuga balança a cabeça positivamente.

- O quê? O que é? - Perguntei, impaciente por ser o único que não entendia.

- Ou isso é um teste... - Hamada responde.

- Ou a vila tem esquema com os bandidos. - Meu companheiro de equipe completa.

Um silêncio se instaurou na mesa logo após, com todos se entreolhando.

- Tá, isso parece bem louco. Vocês tem certeza? - Misa pergunta, com uma sobrancelha​ levantada e se inclinando sobre a mesa.

- Só tem um jeito de descobrir: prestamos atenção, patrulhamos e completamos a missão. - Elba cruza os braços sobre a mesa, fazendo parecer algo fácil, o que não pude deixar passar.

- E vocês acham que vai ser assim, só chegar e fazer? - Me recostei no banco ao dizer isso.

- Ninguém disse que seria, mas vamos fazer ser. - Chris olha bem nos meus olhos ao dizer isso.

Quando ele focou o olhar em mim assim, senti uma maior intensidade nesse olhar. Algo me dizia que tinha mais coisa do que ele deixou transparecer. Não consegui manter o olhar por muito tempo, desviando para as mãos sobre a mesa.

O pessoal começa a conversar, mas eu fico de fora. Estava distraído olhando para a mesa, só saindo desse transe quando Misa toca meu ombro, olhando bem em meus olhos.

- Kai, não vai comer? - Ela estende um par de hashis para mim.

Voltei a prestar atenção no pessoal em volta e percebi como eu também estava cheio de fome. Deixei os pensamentos de lado e ataquei a comida, com bastante gosto.

- Nossa... Hogato e Kai vão acabar tendo uma indigestão. - Hamada comenta, espantada.

Acabei rindo de boca cheia, o que fez Hogato também rir.

- Falando em você, Hogato, não tem nada a dizer sobre a nossa missão? Ficou calado durante toda a conversa. - Ela olha para o garoto a sua frente.

- Ah... Eu tava morrendo de fome. - Ele responde enquanto mastiga.

- Mas não tem nenhuma ideia? - Chris pergunta.

- Tenho uma sim. - Hogato termina de mastigar e engole. - Só eu percebi que somos indesejados nesse vilarejo? Tipo, os olhares dos moradores e dos guardas pra gente desde que entramos?

Ficamos parados, todos olhando incrédulos para o faminto do grupo. Ninguém acreditava que ele tinha percebido isso, pelo jeito como queria tanto comer antes de tudo. Não que ele não seja capaz... Mentira, ele é burro pra porra. Hamada e eu sempre tínhamos que dar uma ajuda nos estudos teóricos, muitas vezes não dando em nada. Não tinha como ele ter feito essa observação.

- Que foi, gente? - Ele pergunta, após engolir mais comida.

- Nada não... - Voltei a comer, ainda sem acreditar.

De repente, uma voz como se vinda do alto fala:

- Uhm... Questionamentos, planejamento... Estão indo na direção certa, mas falta algo. Algo que só o Kai pode providenciar...

- Como assim só eu? - Olhei pra cima, sem entender.

- Oh, bosta. Conexão ativa sem querer. - A voz diz de novo.

- Espera! O que só eu posso providenciar?

Esperei alguns momentos por uma resposta, mas ela não veio. Quando presto atenção em volta, o pessoal me olhava e procurava algo no teto, pra onde olhei. Até que Misa pergunta:

- Não sabia que você falava sozinho, Uchiha.

- Vocês não ouviram essa voz? Parecida com aqueles filmes em um ser superpoderoso fala e a voz vem de todos os lugares em volta? - Não parei de comer pra questionar.

- Acho que você tá pilhado com alguma coisa. - Chris me olha do mesmo jeito de novo.

- É, deve ser...

Pro resto do almoço, permaneci calado. Dessa vez, todos estavam absortos em conversas satisfeitas sobre a comida boa. Mas eu... estava pensando no que Chris queria dizer com esses olhares. O pior de tudo era que eu sabia, mas ainda havia algo a mais. E pra piorar, aquela voz parecia reverberar na cabeça. Eu a conheço, mas não consigo associar a alguém, é como se alguém tivesse mexido com a minha cabeça pra esquecer isso.

Logo ao terminar, pagamos pela comida. Misa se encarregou de procurar algum lugar para dormir, agarrando no meu braço e me puxando junto. Olho pra trás só pra ver Hamada e Hogato piscando pra mim e um olhar de reprovação de Chris. O que há com ele afinal??

- Parece distraído hoje... Aconteceu algo? - Ela vai andando para frente e olhando pra mim.

- Não é nada...

- Não parece ser nada. - Amane segura meu braço, se abraçando a ele.

- É que... - Acabei esbarrando em alguém.

Olhei para a pessoa a fim de pedir desculpas, vendo alguém com uma expressão dura. Um garoto maior e mais velho que eu, com uma cicatriz que passava pela sua bochecha, chegando até seu queixo. Do mesmo lado da cicatriz, havia uma tatuagem tribal cobrindo todo aquele lado. Seus cabelos eram ruivos e os olhos azuis. Dei uma olhada por ele, que usava um colete branco com bordas pretas sobre o peito nu. Já as calças, eram as pretas usuais da maioria dos ninjas, com o suporte de ferramentas em volta de uma das pernas. Era um ninja, com certeza.

Com um físico musculoso pra sua idade, parecia ser mais forte que eu só de olhar. Mas, todos sabem que um ninja não é construído somente em força bruta e um porte físico grande.

Olhei bem em seus olhos azuis e falei, com a mão estendida para um cumprimento:

- Desculpa, cara. Foi mal.

O grandão fica estarrecido ali na minha frente, a multidão para, olhando em silêncio. Dei uma geral em volta, sem entender o porquê disso.

Então, ele dá um passo ameaçador na minha direção, olhando fixamente dentro dos meus olhos.

- Deveria olhar por onde anda... - Ele para perto de mim, me olhando de cima. Pensei que só havia ficado um pouco chateado, mas era mais que isso. Então, ele completa. - moleque.

- Ei, cara! Só esbarrei em você não fiz nada de mais. Isso é motivo pra você ser cuzão?

Da multidão, saem murmúrios que iam de "Iiiiihh" até "Agora fodeu". De repente, recebo um empurrão que me faz dar três passos atrás, a multidão havia aberto um círculo ao redor de nós. Paro com os dois braços levantados em guarda, como um boxeador.

- Vai encarar, otário? - Provoquei.

- Hm. - O cara apenas deu um sorriso desdenhoso, com uma expressão de malícia.

No segundo seguinte, ele parte para o ataque. Sem saber onde ele mirava, cruzo os braços em frente ao rosto. Por sorte, era ali seu alvo, mas meus braços doeram bastante com o impacto e derrapei um pouco pra trás. Após isso, vem uma sequência de socos fortes, eu os desviava para os lados com as palmas das mãos, que doíam mais a cada defesa.

Em um desses, abri um pouco de espaço e tentei finalmente um ataque. Pulei também com um soco, mirando certeiro em seu nariz. Com um passo simples para o lado, o cara tira o corpo do caminho, rapidamente contra-atacando com um chute com a sola do pé na barriga. Pulei para trás antes que pegasse, sendo perseguido por mais um chute, dessa vez nas costelas do lado direito. Pus os braços na frente e mais uma vez senti a grande dor com o impacto. Com certeza deixaria marcas.

Aproveitando minha dor, ele me acerta um chute com a outra perna nas costelas do lado esquerdo. Em reação a mais essa dor, recebo um gancho no queixo que me faz ir um metro para trás.

O valentão para para analisar o estrago, pois minha boca sangrava um fino filete pelo canto. Ele tinha satisfação no olhar.

- Só isso que você tem, valentão? Posso fazer isso o dia todo. - Limpei o sangue com a parte superior da mão e levantei a guarda novamente.

- Convencido por demais. - Mais um sorriso desdenhoso pra mim.

O grandão corre, com mais um soco. Abro uma mão e seguro seu punho, derrapando para trás com a sua força, mas concentrei em segurar até conseguir. Quando estou juntando ar após o esforço de parar esse tanque, ganho uma joelhada na barriga que me fez ficar com a vista turva pela falta de ar. Caí ajoelhado e dobrado, com as mãos na barriga e a cabeça apoiada no chão.

- Já aprendeu a ser mais educado, moleque? - Sua voz parecia meio distante por causa da dor que me impedia de puxar o ar para os pulmões. - Fiz uma pergunta a você!

Com a visão periférica, percebo um chute ser preparado. Eis que meu corpo se move sozinho e paro seu golpe segurando com uma mão só, sem dor. Levanto o olhar para ele, com raiva.

- Olha só. Sharingan... Você é um Uchiha, afinal. - Uma falsa surpresa na voz. - Mas, não me interessa. Fique fora do meu caminho, estrangeiro.

- Para! - Uma outra voz se faz presente.

Olhando para o alto, vejo que Misa estava entre o punho do agressor e eu. Ele se afasta um pouco, analisando a situação com expressão de desgosto.

- Você nem deveria ter falado com ele assim, em primeiro lugar. Já deu! - Ela continua falando.

- Você é da mesma laia que...

- FALEI QUE JÁ DEU!

O cara olha com uma leve surpresa no olhar e balança a mão, falando:

- Tá, que seja. - Então, olha para as pessoas ao redor. - Estão sem afazeres hoje? Sigam seus caminhos, enxeridos!

Repentinamente, a movimentação retorna como se não tivesse parado, fazendo o valentão ruivo sumir em meio à multidão.

Misa se agacha ao meu lado, com bastante preocupação.

- Você se machucou muito? - Ela olhava cada canto do meu rosto, quase desesperada.

- Não, tô bem. - Desativei o Sharingan.

- Ah, menos mal. - Recebo um beijo na bochecha e um abraço logo após. - Vem, vamos arranjar um lugar pra você descansar.

Apoiado com um braço sobre os ombros dela, fui levado para algum lugar que não vi qual era. Amane me senta em um sofá e vai até um balcão falar com alguém. Vendo isso, apaguei.

Não sei quanto tempo se passou, mas quando abri os olhos ainda no mesmo lugar, Elba estava na minha frente inclinada na minha direção e com as mãos em seus joelhos. Chris olhava por cima de seu ombro. Ambos levemente preocupados.

- Acordou. - Elba fala para trás, deixando que eu visse o resto do pessoal.

- Você tem um estranho dedo podre pra confusões, Kai. - Chris brinca.

- É, nem fala... - Tentei me levantar, mas ainda faltavam forças. A falta de ar cobrava o preço só agora.

Chris me ajuda a levantar.

- Vou te levar ao seu chalé, vem. - Evans passa meu braço por cima do seu ombro e segura minha mochila com a outra mão.

Saindo com ele para a parte de trás da sala em que estávamos, entramos em um jardim cheio de casinhas por ali, eram os chalés da pousada. Então, Misa me trouxe direto pra cá antes que eu desmaiasse. Há!...

Chris abre a porta de um dos chalés, me pondo sentado na cama. Ele se vira e para na porta antes de sair.

- Temos assuntos a conversar quando for a hora de jantar. É importante, pra nós dois.

Então, fecha a porta.

Com um suspiro pesado, me joguei na cama de costas. Passei alguns minutos olhando pro teto e pensando em nada, até que decidi tomar um banho. Levantei devagar e tirei as roupas, dobrando-as em cima da cama e entrando no chuveiro. Era a hora perfeita pra um banho quente e calmante.

Saí do banho e pus minha roupa, sem demoras. Indo em direção aos jardins em frente aos chalés, percebi que o céu deixava seus últimos resquícios de claridade em um lado do horizonte. Um pequeno número de pessoas passeava pelos jardins com flores e arbustos para decorar. Alguns eram casais, outros eram grupos de amigos. Também havia alguns poucos idosos.

Quando movo o pé para dar o primeiro passo a fim de passear pelos jardins, alguém parece brotar ao meu lado de tão rápido que apareceu.

- Já tá melhor, menino foguento? - Misa falou bem perto do meu rosto, com uma voz animada.

- Fo-fo-fo-foguento eu? Por quê? - Pus alguma distância entre nós, assustado.

- Por que mais seria? Jutsus de Katon, não é? - Seu tom de voz fez parecer que era algo óbvio, mas que eu não havia percebido.

- Pode-se dizer também que é um garoto eletrizante, né, por causa do Raiton? - Chris aparece de um chalé logo ao lado. - Podemos agora, Kai?

Ele me olha de braços cruzados. Misa passa o olhar entre nós e sai andando pra longe com um muxoxo.

- Então, vamos dar uma volta enquanto conversamos?

- Tenho escolha? - Dei de ombros.

- Na verdade, não. - Então, ele me guia pelo ombro para fora da pousada.

Quando estamos já consideravelmente longe de lá, o papo começa.

- Que coisa foi essa de fugir de uma missão assim? Pelo que te conheço, você não é assim.

- Como se você me conhecesse tão bem. - Tirei sua mão do meu ombro, andando mais na frente.

- Conheço mais do que imagina. Você faz parte da minha equipe, é claro que te observo. - Chris emparelha comigo de novo.

- Então, já sabe porque tentei escapar de vocês hoje. Nem precisa me perguntar.

- Cara, se for o que tô pensando, é um motivo bobo. Somos parceiros, não precisa dessa competição boba. - Ele começa a andar de costas, olhando diretamente pra mim.

- Competição boba? A gente sempre competiu, desde o primeiro dia de aula. Até mesmo nas travessuras, brigávamos pra saber quem fazia melhor. Mas aí, fomos jogados na mesma equipe! Vocês dois, que não se davam muito comigo. Começaram rapidamente a prestar atenção em mim, mas não havia um motivo, não é? Sabe por quê? Estão se forçando a se importar comigo, então quero provar que não preciso de vocês, mas se precisar, que vão se importar comigo de verdade! Poxa... Eu nem tive pais pra me criar...

- Tudo bem, você não precisa mais estar sozinho, tem companheiros ao seu lado.

Nesse momento, olhei bem pra ele, só ouvindo os sons dos grilos em volta. Acabamos chegando a uma parte deserta do vilarejo, em meio à discussão.

- Você não entende. Não preciso de piedade... - Quebrei o silêncio que se instaurou.

- Sim, verdade. Precisa é de um amigo. - Chris estende a mão, com um sorriso.

Nesse momento, não soube o que fazer. Alternava o olhar entre sua mão e seus olhos sinceros. Senti algo bom dentro de mim naquele momento, mas não soube definir o que era. Fiz menção de levantar a mão e apertar, mas algo estranho acontece.

Logo atrás dele, no fim da rua, vejo um grupo de pessoas passarem rápidos como sombras. Aquilo não eram meros aldeões. Deve ser nosso problema entrando em ação. Segurei o braço do meu companheiro de equipe e o puxei para trás de umas caixas empilhadas logo ao lado.

- O que foi? - Ele pergunta, com urgência na voz.

- Shhh. Olha ali. - Apontei para o lugar no momento em que a última sombra passa. - Acho que temos a primeira pista.

- Ok. Vamos lá. Kage Bunshin No Jutsu. - Dois clones dele aparecem, cada um segue em uma direção. - Enquanto os clones ficam de olho, nós seguimos eles.

- Fechou. - Fiz um sinal de ok com o polegar e ativei o Sharingan.

Pulamos pra cima de uma casa, correndo ali por cima e seguindo os vultos, usando caixas d'água e letreiros para esconder deles. Chris ia na frente, então parou quase colado no chão na beirada de um prédio de três andares, olhando para baixo. Parei ao seu lado da mesma maneira.

Os vultos entravam na maior propriedade do vilarejo, que não eram​ os aposentos do líder. Tinham muros de concreto com aquele portões circulares para quatro direções. Haviam mais guardas ali do que por toda a cidade. Jardins e pequenos lagoa ornamentavam a parte de dentro dos muros, em volta de uma construção de seis andares. No último, uma luz estranha saia pelas janelas.

- E agora? - Perguntei com um sussurro.

- Entramos. - Chris responde.

- O quê? Mas como assim? Isso é propriedade particular, não podemos...

- Somos ninjas, agimos nas sombras. É só a gente entrar e sair assim que tá tudo certo.

- Só pra deixar claro que não acho boa ideia. - Falei antes de entrarmos. - Só me dá um impulso.

Andei até o outro lado do telhado. Chris preparou para me dar ajuda com um salto que me deixaria do lado de dentro. Utilizando o chakra Raiton nos pés, corri e pulei em suas mãos juntas. E assim, fiz uma parábola até cair suavemente dentro dos muros, agachado. Assim que levantei o olhar, meu Sharingan prevê que um guarda fazendo a ronda iria me avistar se continuasse parado ali, então rolei para trás de uma moita.

Eis que uma voz sussurra ao meu lado:

- Oi, Kai.

Saquei uma kunai e pus entre mim e a pessoa que falou, vendo Hogato ali, tranquilo como se não fosse nada.

- Aí, cara... Não faz mais isso. - Suspirei, guardando a kunai.

Dez segundos depois, o guarda havia passado e Chris entra atrás da moita também.

- Como pulou pra cá? - Perguntei.

- Clone. - Evans abre espaço entre a moita para analisar o lugar.

- Espera. Cadê as garotas? - Sussurrei pra Hogato.

- Estão lá fora, prestando atenção​ em toda a movimentação de fora, já que vocês dois nos deixaram pra trás.

- Ah, sim.

- Pessoal, - Chris chama nossa atenção com um aceno, ainda olhando pelo buraco na moita. - melhor subirmos por fora do que tentar entrar sem conhecer o lugar. Vamos usar o jutsu de camuflagem, só tenham cuidado pra não cair. Nenhum de nós domina completamente a técnica de andar nas paredes ainda.

- Tudo bem. - Dissemos juntos ao nosso "estrategista".

Chris corre e se prontifica com as duas mãos juntas para o impulso. Hogato corre em primeiro atinge o próximo andar. Quando eu passo, já estendo a mão para baixo, puxando meu colega de equipe. Juntos, fazemos o sinal do Jutsu de Camuflagem e o tecido aparece, nos cobrindo.

Vamos dando a volta pelo andar analisando e procurando uma maneira de entrar, mas só achávamos janelas de recintos onde haviam pessoas dentro. Pareciam ser trabalhadores e moradores do local.

- Ei, pessoal! - Sussurrei aos dois. - Tomem isso, vai ser melhor chegar no topo assim.

Entreguei uma kunai com linha a cada um deles.

- Pra que isso? - Hogato pergunta.

- Kai tem razão. É melhor subirmos por fora, já que não sabemos o que vamos encontrar do lado de dentro. Corremos até o risco de sermos vistos assim. Vamos pelo plano dele mesmo.

Então, lançamos as kunais no topo e fomos escalando com auxílio do chakra na planta dos pés, ainda com a camuflagem sobre nós.

Sem dificuldade, chegamos ao andar superior, deixando de lado a camuflagem. Era apenas uma sala quadricular envolta de varandas. Suas paredes e portas eram de tecido, fazendo uma luz estranha sair de lá. Nos agachamos perto da parede, de olho nas escadas para qualquer caso. Os sons que saíam de lá eram abafados, o que era muito estranho, afinal, essas divisórias de tecido não tinham esse efeito sobre o som.

Fiz menção de encostar meu ouvido para poder escutar o que diziam.

- Kai, não! - O sussurro urgente de Chris não conseguiu me parar a tempo.

Uma luz estranha e roxa de propaga por todo o tecido, saindo do ponto onde toquei. As vozes lá dentro cessam imediatamente, o que nos deu a reação de sair dali o mais rápido possível, porém só meus dois amigos conseguem se esconder a tempo. Uma mão escura sai da parede e me segura antes que eu fugisse, envolvendo todo o meu tronco, deixando meus braços igualmente presos e juntos ao corpo.

A porta se abre à minha frente, revelando um grupo de pessoas que me olhavam com desconfiança. Um dos caras ali dentro faz um sinal com uma só mão e esse braço gigante que me segurava some. Logo, o garoto ruivo de mais cedo aparece logo atrás de mim, chutando meu joelho e me fazendo cair, enquanto puxava meus cabelos para trás com uma kunai de prontidão na minha garganta.

- O que faz aqui, criança? - O cara que parecia ser o mais importante na mesa pergunta.

- Só seguindo pistas de canalhas por aqui, você deve ser um pelo visto. - Ao responder assim, recebo um puxão no cabelo do garoto mais atrás.

- Tsuugamaru, leve esse garoto lá pra baixo e descubra do que ele veio atrás. - O cara imponente e mais importante com seu rabo de cavalo castanho novamente dá as ordens. - Dependendo do que seja, o Hokage terá que responder pelos atos dele, ou teremos que matá-lo.

- Tudo bem, Senhor Shindeki. - Meu captor responde.

Com uma força descomunal, o ruivo segura meus dois braços com uma só mão, enquanto fecha a porta e me conduz escada a baixo com uma kunai nas costelas como forma de aviso.

Em silêncio, fomos descendo com o cara chamado Tsuugamaru constantemente me empurrando e cutucando com a kunai. Pelos andares a baixo, as pessoas olhavam de canto de olho e perguntavam o que eu fazia aqui e quem era. A resposta do ruivo era sempre a mesma:

- O Senhor Shindeki me mandou tratar dos assuntos dele enquanto termina as negociações, nada com o que se preocupar.

As respostas pouco foram além disso, mas todos tinham expressões de desprezo ao me encarar, como se já soubessem do que se tratava. Continuamos descendo no mesmo ritmo, até chegarmos ao subsolo. Antes disso, fui vendado por um curto o período de tempo até me liberarem os olhos. Nesse momento, o cenário muda. O que antes parecia ser a residência de alguém tão rico quanto o daimyo do País do Fogo passa rapidamente para uma sala de interrogatório com tortura.

De início, sou jogado do alto da escada, rolando até sua base. Quando me levanto pronto para revidar, um chute entre as pernas me impede. Sem ar e com muita dor, ando à mesa mais próxima e me apoio, procurando ar. Só homens sabem como isso é doloroso e asfixiante.

O ruivo se aproxima de mim, segurando meu queixo com força e fazendo com que eu o encarasse contra a minha vontade.

- Vai chorar, moleque? - Era óbvio o desdém em seu sorriso.

Com raiva, peguei a primeira coisa atrás de mim que consegui alcançar. Era algo usado em laboratório e parecia pesado, mas seu braço bloqueia meu ataque com um forte aperto no pulso, me obrigando a largar o objeto. Logo após, recebo um chute na bunda tão forte que me faz cair perto de uma cadeira. O ruivo me pega pelo pescoço e me joga sentado. E, não sei como, uma corda de água cheia de eletricidade se forma em sua mão e rapidamente ele se põe atrás da cadeira, usando a corda para me enforcar.

A eletricidade na água entrando em contato com a minha nuca parecia impedir que meu corpo revidasse para se soltar.

- Vai, fala! Não tô enforcando o suficiente pra te calar, então desembucha antes que eu perca a minha paciência e chame um colega bem menos paciente. - Pela sua voz, parecia gostar de fazer essas coisas.

- O que você quer que eu fale? - Perguntei de modo rude.

- Que tal... - Ele aperta a corda d'água em resposta ao meu tom de voz. - falar sobre seus amigos que vieram ajudar ou sobre a missão que você recebeu?

- Acha que vou entregar meus amigos?

- Bom, tenho quase certeza. - Sem me soltar, ele estica o braço e pega algo. Então, sinto uma agulhada forte no pescoço. - Quero ver resistir a isso.

Uma dor se espalhava pelo meu corpo junto com o quer que ele tenha injetado em mim. O ruivo desfaz a corda e se afasta até a mesa onde me apoiei antes, pegando algo. Em meio a dor, tento levantar e ir até lá, mas o otário me põe sentado novamente, estendendo fotos pra mim.

- Quero nomes. - Percebo que era eu e meus amigos ali nas fotos, desde que passamos pelos portões até Chris e eu saindo da pousada. - Ainda no estágio da dor? Mas você é resistente pra um Gennin, hein...

Ele troca até uma foto minha com Misa no momento em que saí do chalé.

- Ela parece realmente a fim de você. Mas acho que você, seu merdinha, não percebe, não é? Ou vai ver a situação é diferente, vai ver não é isso que você curte. Talvez, você curta mais o seu namoradinho. - A foto agora era Chris e eu, parados conversando após a saída de Misa. - Quem sabe trazer esses dois aqui faz você dizer.

Atrás dele, vejo pessoas descendo as escadas com os dois. Chris estava espancado e com o rosto inchado e Misa sangrava na cabeça. Quando estão amarrando os dois a cadeiras ao meu lado, uma explosão sacode a sala e poeira misturada com fumaça impede minha visão. Sons de luta são ouvidos por um minuto, até que Hogato aparece na minha frente. Empunhava duas pequenas espadas com lâminas de chakra maiores, deixando-as do tamanho de espadas normais.

- Chocado? Meu pai me ensinou isso. Disse que muito usado por um cara que era colega de equipe dele e membro do Clã Sarutobi, que foi morto por um lixo qualquer da Akatsuki. - Ele usa suas armas pra me soltar, nem percebi que estava amarrado com cordas normais.

- Mas e Chris e Misa? - Perguntei, desesperado.

- Estão lutando lá fora.

Olhei em volta. Não havia nenhuma cadeira ao meu lado, muito menos amigos espancados e sangrando. Levantei e corri para a saída junto com ele. Na escada, cambaleei e quase caí de volta para baixo. Hogato percebe e pergunta, preocupado:

- Você tá bem?

- Tô, é só que... - Balancei a cabeça, afastando a tontura. - injetaram algo em mim. Tive umas alucinações.

- Você acha que pode...?

- Podendo ou não, eu vou. - Cortei sua fala antes que terminasse.

- Ok, se você diz...

Correndo pelas salas, várias shurikens voam em nossa direção. Ficamos de costas um pro outro, desviando todas com kunais, enquanto Hogato usava duas lâminas de chakra. Bom, nem todas. Segundos depois, percebi cortes pelo meu corpo que começavam a sangrar, meus reflexos não estavam tão bons. E tudo por causa daquilo que o ruivo me injetou.

- Kai, olha só pra você. - Hogato retira algumas shurikens fincadas em mim. - Não pode lutar nesse estado.

- Já disse que vou, vamos logo. - Tive que fazer uma força pra falar sem demonstrar nada.

Assim que pisamos nos jardins, várias explosões são ouvidas. Olhamos em volta, e nesse tempo, um grupo de guardas vem correndo em nossa direção, justamente de onde viemos. Acendo e colo o papel-bomba na parede, fazendo a explosão desmoronar aquela saída.

De repente, alguém inicia uma batalha veloz com Hogato. Golpes repelidos e defendidos velozmente. Seu oponente era Tsuugamaru. Mais para frente, um grupo de guardas cercam meus outros amigos. Era um grupo para cada companheiro meu. Elba repele todos de uma vez com o Kaiten. Chris cria paredes de terra na diagonal, jogando os caras pra longe. Misa cria vários seres de pedra negra parecendo ter lava em suas juntas. Os seres de pedra vão criando armas variadas e lançando lava contra os atacantes. Por último, Hamada derruba alguns à sua frente com uma onda de água que ela cuspiu e corre, sendo perseguida pelo restante.

Enquanto observo as lutas, ouço um zumbido agudo e levo um golpe que me joga no chão. Levanto olhando para quem me atacou: era uma garota com o que pareciam ser duas armas, uma em cada braço. Eram grandes e pareciam ser multifuncionais.

- Ficou impressionado, lindinho? - Ela tinha um sorriso de escárnio em seus olhos quase amarelos e cabelos azuis e volumosos como algodão doce. Mas era linda, de rosto e de corpo, a roupa também ajudava a enxergar isso.

- Um desperdício de beleza do lado errado... Que pena, hein, gata. - Parti para o ataque com uma kunai em cada mão.

Ela começa a atirar rapidamente, eram projéteis de chakra puro. Continuei correndo, desviando os ataques com kunais, mas sentindo uma grande força desses tiros. Porém, antes que eu chegasse até ela, os tiros conseguem me desarmar e me jogam longe após acertar. Não só doíam, mas também queimavam como produtos químicos. Levanto, correndo agora em ziguezague. Ela parece mudar as configurações da arma e lança uma simples esfera de chakra na minha frente.

- Acho que errou. - Provoquei.

- Pense de novo. - Ela pisca e assopra um beijo, o que me deixou confuso e por isso parei.

A esfera brilha mais forte e explode, me lançando longe inesperadamente e fazendo meu corpo todo doer e arder com a explosão.

- Puta que pariu, garota! Essa foi foda. - Rolei de uma lado para o outro no chão, agoniado com a dor.

- Aí, como isso quebra meu coração, ter que machucar um gato como você. - Ela senta em cima de mim e me beija.

Não sei porque, retribuí o beijo de uma forma que nem achava que eu poderia fazer. Enquanto isso, ela encosta a arma na minha barriga, que fazia um zumbido que parecia juntar muito poder.

De repente, algo passa acertando ela com muita força. Quando levanto e olho, Misa estava ali com uma expressão de raiva. Sua mão estava coberta por uma manopla das mesmas pedras dos seres que ela criou. A manopla vai se transformando em uma armadura que mais parecia um golem negro com filetes vermelhos de lava. Apenas seu rosto ficou a mostra, com algumas mechas do seu cabelo loiro. Então, ela diz:

- Nunca mais encosta nele, SUA PIRANHA!!!

Fiquei surpreso com a reação dela. E apenas com uma troca de olhares, percebo que essa luta não é mais minha.

Saí de lado no momento em que vários guardas começam a lutar contra Misa, junto com a garota das armas. Ela teve que se dobrar pra não sofrer danos, tantos eram os ataques. Enquanto isso, Hogato estava agachado, parecendo se recuperar da luta, com sangue pingando da boca em grande quantidade. Elba batia muito nos oponentes, mas também levava muitas porradas, enquanto Hamada estava sendo amarrada por um grupo de guardas. Chris, por sua vez, levava uma surra do ruivo Tsuugamaru. Todos estávamos perdendo.

Então, após um forte golpe do ruivo, Chris para rolando aos meus pés. Ele tinha um sorriso no rosto e, apesar da surra, não sangrava, nem parecia perto disso. Como esse desgraçado engomadinho resiste tanto? Que merda... Ele volta correndo pra cima do ruivo, mas leva um soco rápido de um braço coberto de relâmpago, sumindo da minha visão.

A situação me deixou muito tenso, olhar para os lados e ver os companheiros caídos piorou tudo. Uma raiva diferente do que já senti surge em mim, me fazendo correr pra cima de um grupo de guardas com o Sharingan ativado.

Agarrei a lança de um para pegar e usar, mas o cara não soltou, então, com uma força descomunal que eu desconhecia ter, giro a arma e o guarda, acertando todo o grupo. Assim, todos caem e fico com o item afiado. Atrás de mim, ouço o zumbido da arma de energia da garota de cabelos azuis novamente. Salto com um mortal pra trás na hora certa. Um rajada sólida dela nocauteia mais um grupo de guardas. Ainda pleno salto, disparo um jutsu certeiro na boca do estômago, o Ningugan, liberando a carga elétrica por seu corpo e dando curto nas armas. Ela cai com gritos de dor pelo choque.

É nesse momento em que um grupo de cinco guardas partem pra cima de mim, todos querendo me empalar ao mesmo tempo com suas lanças. Usando a mesma arma que eles, desvio seus golpes com um único movimento, já lançando um jutsu sobre os mesmos:

- Katon: Housenka no Jutsu (Estilo Fogo: Jutsu Flor de Fênix)!

Cada bola de fogo nocauteou um.

Parti para cima de mais um grupo, desferindo cortes e chutes em suas armaduras, parecia extremamente fácil desviar desses "capangas".

Ofegando, olhei para frente e vi uma fileira de guardas vindo como um esquadrão em minha direção, mas não era hora de recuar, era? Fiz os sinais de mãos e estendi o braço direito para o lado, ouvindo já o chiado de mil pássaros. E com aquele grito que chega a fazer eco, avancei:

- Haaaaaaa!!! CHIDORI! - Rapidamente, desviava dos ataques inimigos e golpeava com o meu. Eram muitos que caiam.

Parti para cima de mais um grupo, ainda com o Chidori, mas não cheguei lá. Sou jogado longe quando uma espécie de lança de ar me acerta. Caio rolando por alguns metros até parar derrapando com uma mão no chão. Era Tsuugamaru e ele corria pra cima de mim, criando um machado de terra coberto de vento. Estendi a lança em defesa na minha frente, o ruivo quebra a mesma e me lançando contra uma parede de concreto dessa vez.

Balancei a cabeça afastando rapidamente a tontura. Meu Sharingan já me faz perceber a nova aproximação do ruivo. Saltei para o lado assim que ele faz a parede explodir onde eu estava um segundo antes com uma poderosa machadada. Pulei em sua direção com uma voadora, da qual ele se defende com os braços cruzados. Em contra-ataque, recebo um chute com a sola do pé no joelho. Quando me dobro após o ataque, o ruivo golpeia com o cabo do machado bem no meio do rosto. Finalizando a sequência, Tsuugamaru gira com um chute bem certeiro na boca estômago.

Levantei o olhar para o grande inimigo que estava me surrando pela segunda vez hoje. Chris lutava contra vários guardas do outro lado. E nesse momento de distração, dei brecha pro oponente me agarrar pelo pescoço e iniciar uma sequência de socos na minha cara, quebrando meu nariz logo no primeiro. Nem senti dor, meu corpo parecia estar anestesiado e ficando mole por causa adoro que tinha naquela seringa. Ele não parava, ouço até o grito de Chris me chamando de longe. Isso foi o suficiente para um contra-ataque. Repentinamente, conectei um gancho que fez Tsuugamaru rodopiar pra longe.

Corri cambaleando até meu amigo depois dessa, três clones dele seguravam meus amigos desmaiados, o real segurava Elba quando paro ao seu lado, ele diz:

- Belo soco ali atrás.

- Nem vi direito. - Pus a mão na cabeça, sentindo mais tontura.

A calmaria pouco durou, fomos cercados por todos os guardas, a garota dos cabelos azuis, Tsuugamaru e mais do pessoal dele.

- Acho que é hora de recuar. - Mais um clone de Chris aparece, me ajudando a ficar em pé quando perdi as forças nas pernas.

- Ei, posso andar sozinho ainda. - Protestei.

- Para, você precisa de ajuda. - Ele não me soltou.

Os inimigos avançam, vindos de todos os lados com armas afiadas ou de chakra, o ruivo entre eles. Chris e seus clones saltam alto com a gente, mas não o suficiente para ir direto para fora da propriedade. Os que eram ninjas pularam para nos seguir e não havia nada que o meu amigo pudesse fazer, então só poderia ser comigo. Juntando uma grande quantidade de chakra, liberei o jutsu mais básico para qualquer Uchiha:

- Katon: Goukakyou no Jutsu (Estilo Fogo: Jutsu Bola de Fogo)!!!

Meu jutsu pegou todos os ninjas que quase nos alcançavam, jogando-os de volta ao chão, em chamas. Foram mais de dez pegos, ainda mais pela minha estranha força extra que estava quase no fim. Conseguimos nos afastar com sucesso. Então, sinto meu corpo começar a relaxar mais do que deveria, meu Sharingan sumindo e dando lugar aos olhos negros, o calor do sangue escorrendo do nariz e dos cortes pelo corpo.

- Ei, Kai! Não é hora pra isso, continua acordado! - A voz do meu colega de equipe já parecia distante quando meus olhos começaram a pesar. - Vamos lá, eu te salvei então atende ao meu pedido ao menos.

Fiquei bem acomodado ali, permitindo meus olhos fecharem.

- Nem vem, te salvei primeiro, Senhor Perfeitinho...

- O quê? "Perfeitinho"? Mas que merda?... Kai. Kai! - Foi a última coisa que ouvi, com um sorriso por deixar ele confuso, antes de sucumbir à exaustão.


Notas Finais


No próximo capítulo:

A situação se intensifica durante a missão, culminando em mais brigas. Enquanto isso, Kai se depara no meio de situações que estavam evoluindo rápido demais pro seu gosto.

Até a próxima!


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