História Uma manhã fria de outono. - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 31
Palavras 1.929
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Já faz um bom tempo que escrevi essa one-shot, mas nunca havia a terminado, e hoje eu decidi finalmente acaba-la e posta-la! Eu gostei muito do resultado dela, embora... Eu tenha quase certeza que não haverá muitas visualizações, por ser uma original, mas espero que gostem!

Boa leitura ~!

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Era uma manhã fria de outono, as ruas vazias tinham como única companhia as folhas alaranjadas e secas dançando pelo vento fresco antes de pousarem no asfalto ou nas calçadas, poucos carros passavam por ali, os motoristas dos veículos aparentavam estarem indo para o trabalho, mesmo sendo domingo, afinal eram sete da manhã e ninguém acorda essa hora para ir, por exemplo, a uma festa.

Naquele específico lugar, em frente á aquela rua, havia uma praça. Cheia de árvores e arbustos, em seu centro era decorada com um enorme chafariz que no momento estava desligado e cheio de folhas dentro que caíram das árvores.

Em volta haviam simples bancos de madeira, em um deles, uma ruiva estava sentada olhando uma folha bailar pelo ar até cair no chão, se prendia em pensamentos sobre sua vida, seus problemas, contas que deveria pagar e relacionamentos que precisava acertar.

Vivia uma vida simples, trabalhando em um escritório por horas ao dia para ganhar um baixo salário, mas que era suficiente para pagar o aluguel de seu apartamento e ter comida. Fazia seis anos que havia terminado a faculdade, tinha o sonho de ser arquiteta, todos os dias fazia rascunhos de casas... Mas o que não falta no mundo, é sonhadores. Certo?

Um suspiro preguiçoso escapou de seus lábios ressecados, não sabia o motivo para estar ali, ainda mais essa hora que poderia estar dormindo no quentinho de sua cama. Mas precisava pensar, e aquele momento, em sua mente, parecia perfeito.

Sem barulhos altos, sem pessoas, sem o cheiro forte de fumaça vindo dos veículos ou cigarros, apenas o completo silêncio e calma da manhã. Ah, isso lhe trazia nostalgia de quando era pequena e ficava brincando no jardim da casa de sua avó, tudo que se ouvia era o canto dos passarinhos e o cheiro de café vindo da janela da cozinha.

Inspirou o ar na tentativa de sentir aquele aroma de novo, mas tudo que veio foi o ar gelado para dentro de suas narinas com um leve cheiro de planta. Expirou aquilo com certa frustração, a vida adulta era triste, difícil, se lembrava de quando era pequena e pedia ansiosamente para crescer logo e fugir da “prisão”, chamada escola.

Mas agora, tudo que mais quer é se tornar uma garotinha de seis anos novamente para correr aos braços de sua mãe e receber abraços gentis, ou ir para escola e conversar com suas amiguinhas, as quais hoje em dia nem se sabe o paradeiro. Voltar para casa animada, ou até deprimida, para mostrar aos seus pais suas notas nas provas, como sentia falta disso, mas infelizmente os anos se passam e as pessoas crescem.

Quando era adolescente, o que mais queria era um namorado para beijar, abraçar, sair para passear ou até ficar os dois trancados dentro de casa assistindo filmes debaixo de uma coberta. Mas agora adulta, percebeu o quanto relacionamentos causam estresse, pediu graças a deus por não ter se casado.

Recordou seu último relacionamento, ele era dois anos mais velho, era carinhoso e educado, mas ciumento em excesso, não poderia a ver conversar com qualquer homem e já começava uma discussão.

Outro defeito era a bebida, adorava uma cerveja a noite, resultado: Ficava bêbado quase sempre e sobrava para ela cuidar dele, nunca esqueceu do dia que ele mijou em seu sofá que havia a recém terminado de pagar, quase o agrediu com uma vassoura.

O namoro dos dois durou um ano, pois logo ela não aguentou mais e terminou com o rapaz, por sorte o mesmo aceitou tranquilamente, hoje é casado com uma moça muito simpática e bonita com que teve um filho que atualmente tem nove anos. Um garoto bem agitado e que adora correr por ali, da bastante trabalho para o casal.

Deixou um pequeno sorriso surgir em seu rosto, sempre desejava felicidades ao casal, eles ficam lindos juntos. Sempre mantinha contato com o rapaz para saber as novidades, as vezes ele fazia brincadeiras perguntando dos “namoradinhos”, e a dava sermões quando a mesma dizia que não se relacionava com ninguém. Ele parecia um irmão mais velho para ela, mesmo sendo seu ex-namorado.

No máximo ela ia em algumas festas a noite, ficava com alguém, mas nada muito sério. Não queria relacionamentos, pelo menos não tão cedo. E se fosse ficar com alguém, que não fosse ciumento e muito menos viciado em cerveja, o que menos desejava era um bêbado dentro de sua casa.

De repente, um calafrio lhe percorreu o corpo com o contato da brisa fria em seu pescoço, encolheu seus ombros e puxou o capuz de sua jaqueta para cima, tapando assim sua cabeça. Pensou se havia sido uma boa ideia ter saído sem colocar pelo menos um lenço no pescoço.

Massageou suas mãos geladas em busca de calor, logo voltaria para o quente de sua casa, ficaria apenas mais alguns minutos. Logo, a ruiva pôde escutar o som de passos, virou a cabeça para o lado e trocou olhares com um rapaz que se aproximava do banco com um cigarro.

Bufou discretamente, era só o que lhe faltava, um fumante sentado ao seu lado. Se tinha uma coisa que achava insuportável era cheiro de cigarro, herdou isso de seu falecido avô, sempre que o velho via alguém fumando perto de si, levantava a bengala e acertava a fuça do sem vergonha.

Riu sem notar lembrando das brigas que seu avô fizera por culpa de fumantes, o rapaz já sentado ao seu lado no banco, a olhou de canto estranho, mas não disse uma palavra sequer, apenas deu uma tragada em seu cigarro e assoprou a fumaça após alguns segundos.

A ruiva trancou a respiração para não inalar o cheiro daquilo, mas foi impossível segurar por muito tempo, e com a falta de ar veio a respirar profundamente, quase tossindo ao sentir aquela fumaça entrando em seu nariz abruptamente.

Engoliu a saliva e pensou em se afastar do rapaz, mas o mesmo fez-lhe o favor de jogar o cigarro fora, agradeceu internamente por isso. Encostou as costas no encosto do banco, relaxando os músculos e soltando um suspiro, o homem tornou a olha-la, mordendo o lábio, aparentando estar indeciso de alguma coisa.

Mas então, o silêncio foi quebrado: − Tem horas? – A jovem levou um susto com a fala inesperada do rapaz, sentindo seu coração se acelerar, o olhou quando mais calma e sorriu sem jeito.

− Desculpe, esqueci meu celular em casa... – Desconversou numa tentativa de voltar a apreciar o silêncio, o homem soltou um resmungo e desviou o olhar para baixo vendo no pulso da jovem um relógio, arqueou a sobrancelha.

− E quanto ao seu relógio? – A ruiva enrubesceu-se, havia esquecido desse pequeno detalhe, o olhou nervosa e passou a mão pelo pulso sentindo o pequeno relógio gélido.

− E- Ele está sem funcionar, faz um tempo que tentei ver as horas nele e não consegui. – Inventou uma desculpa rápida sem saber outro modo de sair daquela situação, o rapaz observou bem a mulher ao seu lado dos pés a cabeça e umedeceu os lábios.

Então, se levantou, deixando a ruiva na expectativa de que ele fosse embora. Mas infelizmente, foi apenas acender outros cigarro, a jovem o olhou por alguns segundos pensando em diversas coisas para dizer a ele, mas especialmente que enfiaria aquele cigarro em outro buraco.

O rapaz notando o olhar, a fitou de volta e estendeu outro cigarro. – Quer? – A ruiva travou no lugar embasbacada, negou rápido com a cabeça e virou o rosto, o fazendo dar de ombros e pegar o isqueiro para assim acender a ponta do cigarro, guardando o outro novamente.

Por Deus, ela precisava sair dali, seu pulmão iria se demitir do cargo caso se enchesse daquela fumaça uma segunda vez. Se levantou e tratou de andar em passos rápidos para ir embora, o homem a seguiu com os olhos dando uma tragada no cigarro.

− O que veio fazer aqui? – A pergunta fez a ruiva parar no lugar e virar o rosto devagar, olhando o rapaz por cima do ombro, um tanto quanto... Surpresa.

− Por que a pergunta? – Respondeu-lhe com outra pergunta, o homem deu de ombros colocando uma mão no bolso da calça, soltando a fumaça do cigarro para cima.

− Curiosidade, geralmente eu sempre estou sozinho aqui de manhã, é surpreendente ver outra figura por aqui. – Disse calmo a olhando nos olhos, a jovem se arrepiou pela falta de expressão no rosto dele enquanto fala.

Se recompôs e voltou a olhar para frente. – Eu apenas... Vim pensar. – Explicou calma, o rapaz arqueou a sobrancelha.

− Pensar? No que, exatamente? – Tornou a perguntar se encostando no banco, a ruiva suspirou e se virou para ele.

− Olhe, eu não te conheço, não sei nem porque estou falando com você. Não se preocupe, não voltaria aqui esse horário novamente, eu apenas precisava colocar minha mente no lugar então... – Não teve tempo de terminar sua fala, pois o homem a sua frente levantou a mãos em forma de rendição, segurando o cigarro no meio dos dedos.

− Calminha senhorita, não estou falando nada, apenas perguntei o que tanto pensavas. Mas se não quer dizer, tudo bem, queria apenas puxar assunto. – Seu tom de leve deboche fez a jovem se irritar um pouco, mas seguiu o mais calma possível.

A ruiva cruzou os braços e o olhou com um olhar sugestivo, o deixando calado. – Pois bem, então agora que falhou em puxar assunto, adeus. – Deu-lhe as costas e seguiu seus passos rápidos.

O rapaz a olhou se afastando cada vez mais e sorriu e canto, jogando o cigarro fora. – Não quer ir tomar um café comigo? – Sugeriu em tom alto para ela ouvir, a jovem parou novamente de andar e o olhou desacreditava.

− O- Oi?

− C-a-f-é, conhece? É uma bebida, mas a palavra também pode ser usada para representar uma refeição, por isso a expressão “café da manhã”. – Debochou deixando a ruiva mais brava que antes, o rapaz riu ao notar isso. – Mas então, aceita?

− Recuso. – Respondeu rápida pela raiva, o deixando surpreso, mas o sorriso surgiu de novo em seu rosto.

− Recusa? Mesmo se eu pagar? Posso até te dar um docinho se for uma boa garota. – Seu sorriso se tornou malicioso, deixando a jovem indignada, havia ultrapassado os limites.

− Agora chega, já foi o suficiente para mim. – Esbravejou indo embora de vez, não viraria para trás de novo, não daria assunto para aquele fumante idiota. O homem gargalhou vendo a jovem indo embora, deslizou seu olhar pelo corpo dela até sua bunda e mordeu o lábio com aquela visão.

− Bela bunda em! – Gritou para ela.

− Vá para o inferno! – Gritou para ele de volta.

− Só se você for junto, ruivinha. – Provocou-a mais ainda, a ruiva grunhiu de raiva andando mais rápido, só faltava sair correndo, qualquer coisa para sair de perto daquele homem. Como o seu momento de nostalgia se tornou em algo tão estressante?

O rapaz viu a jovem se afastar cada vez mais com um sorrisinho, suspirou leve e olhou em volta, vendo-se sozinho novamente. – Pois é, não foi dessa vez... – Pensou alto, pegou outro cigarro no bolso e o acendeu com seu isqueiro, dando uma longa tragada antes de soltar a fumaça no ar.

Olhou de canto para as folhas no chão e prestou atenção em uma avermelhada, sorriu leve a pegando e olhou de perto, umedecendo os lábios mais uma vez. − Bom, até um próximo dia, ruivinha... – Murmurou, dando mais uma tragada em seu cigarro, se sentou no banco e aproveitou o silêncio enquanto fumava.



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