História Uma nova vida em Sweet Amoris - Capítulo 101


Escrita por: ~

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Categorias Amor Doce
Personagens Agatha, Alexy, Ambre, Castiel, Charlotte, Iris, Kentin, Letícia, Li, Lysandre, Nathaniel, Rosalya, Viktor Chavalier, Violette
Tags Amor Doce, Drama, Romance Adolescente, Sobrenatural
Exibições 44
Palavras 1.322
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Fantasia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 101 - Dungeons


A poção que meu pai deixara no sótão certamente não resolveria o problema, constatei ao sentir o aroma da mesma. Gotas âmbar flutuavam na mistura de coloração duvidosa. Definitivamente, não era disso que ele precisava. Vasculhei em minha mente atrás de algo útil, que o fizesse apagar até que o Deran estivesse em segurança em casa. E por falar nisso, porque o Lefin estava demorando tanto para encontra-lo? Não sei se meu pai aguentaria muito tempo aquela dor. Eu bem sabia como era e por mais que Ron McMillan quisesse parecer durão não ia demorar muito até que ele começasse a choramingar feito uma criancinha.

Pronto, achei! Lavanda, valeriana e rosas. E mais um pouco de algas marinhas para potencializar o efeito, dizia um velho e surrado grimório que eu achei perto dos utensílios de alquimia do sótão.  Uma poção simples que o faria dormir até que eu providenciasse alguma ajuda. Tenho certeza de que se o Diego me visse aqui manipulando poções, arrancaria o telhado enquanto dizia o quanto é perigoso uma criatura monstruosa como eu mexer com coisas mágicas. Como se eu fosse deixar cair algum muco viscoso e pútrido na infusão do meu pai que ainda contorcia-se de dor no quarto, pensei já começando a me irritar.

Meu preparo era tão forte que seu cheiro inebriante apoderou-se de toda a casa e eu tenho certeza que derrubaria até um cavalo. Meu pai olhou-me com desconfiança:

-Não foi isso que eu preparei. –falou fracamente enquanto segurava o ventre como se isso impedisse suas entranhas de saírem.

-Apenas tome, paizinho! –implorei enquanto colocava o cálice em sua boca. –Eu prometo que isto vai surtir um efeito muito melhor.

-Mas filha... –ele tentou falar, mas começou a engasgar com a poção.

Ao chegar em suas narinas o vapor quente e cheiroso fez com que suas pupilas diminuíssem e sua respiração normalizasse. Eu não sei se aquilo neutralizou a dor, mas percebi que seus músculos relaxaram.

Eu seria uma boa Alquimista se me dedicasse, pensei orgulhosa do meu feito.

-Não... devia colocar açúcar... nas poções. –ele falou já sonolento.

-Não coloquei. –respondi mais aliviada.

-Então deve ter sido você que mergulhou nela. –ele falou sorrindo antes de cair em sono profundo.

Toquei sua testa molhada e percebi que ele estava ardendo em febre. Fiz uma varredura mental e descobri que ele estava entrando em modo REM. Isso significava que por hora a dor não lhe incomodaria. Fui até a janela e tentei me conectar com Lefin, pois podia senti-lo já próximo.

Ele parecia bem apesar do chiado em sua mente me dizer que estava deveras preocupado com o irmão. Sentei-me na cabeceira da cama ao lado do meu pai e lhe tirei os cabelos loiros da testa.

-Então, velho! Seu Familiar resolveu evoluir, não é? –sussurrei em seu ouvido. –Aposto como ele vai virar um bode gordo, preto e chifrudo como naquele filme de terror que uma vez assistimos. Aí vamos cantar “Black Philip” para ele. Mas primeiro você tem que sarar.

Tirei seus sapatos e cobri-o com o cobertor enquanto Lefin entrava pela porta da cozinha com Deran no colo.

-Não sei qual o problema de vocês em querer passar por essas transformações no meio do mato. –esbravejei para um Deran sonolento.

-É para melhor nos conectarmos com a Mãe Gaia. –explicou Lefin pacientemente. –E não esqueçamos que você também adora fazer suas coisinhas no mato.

Deran nos encarou com o máximo de curiosidade que seu corpo aguentava.

-Quanto tempo ainda vai durar? –perguntei olhando preocupada para meu pai que dormia tranquilamente.

-Acredito que bastante tempo. Deran precisa de muita energia e o Ron não é tão forte.

-Ainda bem que você está aqui. –falei enquanto apertava sua mão.

Parece que eu pesei um pouco a mão nas algas. Meu pai e Deran dormiram o restante do dia, a noite inteira e já passava das nove da manhã e eles ainda não tinham feito nenhum movimento.

A Rosa me ligou preocupada pois eu nem tinha aparecido na escola e muito menos dado qualquer justificativa.

-Desculpe por preocupa-la tanto, Rosa! Mas não vou arredar o pé de casa enquanto meu pai não melhorar.

-E como ele está?

-Ainda dormindo graças a uma poção que eu acho que saiu forte demais. O Lefin acha que o dalek do Deran está se manifestando enquanto ambos dormem.

-Dalek é aquilo que o Lefin fez para virar garoto, não é? Caramba! Mais um garoto para você chamar de primo, então?

-Não tenho certeza. Nem todos os Familiares assumem uma forma humana. –expliquei. –Depende muito do quão forte ele seja.

-Certo. Então o que eu devo dizer aos que perguntam por você? Não vai demorar até que todo mundo queira te visitar. –ela falou preocupada.

-Diga que meu pai adoeceu e precisamos viajar para a casa de alguns parentes. –falei após pensar em algo mais convincente. –Embora eu não ache que hajam tantas pessoas querendo me visitar.

-Você que pensa. Bryhanny, você realmente não faz ideia do sucesso que faz com os garotos? Por favor, me diga que você tem uns parafusos a menos. –ela falou séria.

-Não tenho ideia do que você está falando. –desconversei.

-Tirando o Alexy que é naturalmente preocupado com todas as garotas da sala, todos os outros não podem ficar muito tempo longe de você que já ficam me enchendo de perguntas. Foi alguma dessas poções? Não vai demorar muito até que as garotas se sintam ameaçadas com isso.

-Que loucura! Eu não brincaria com algo tão sério. –falei em um tom propositalmente ofendido.

-Mas você sabe que uma hora vai ter que se decidir por um, não é? E partir o coração dos demais.

-Rosa, eu não vou escolher nenhum e já deixei bem claro para todos. –respondi já me irritando com o rumo daquela conversa.

-Você que sabe. Preciso ir. Qualquer coisa não deixe de me ligar.

Mais uma noite chegou e a única novidade que eu recebi foram inúmeros recados na caixa postal. Por fim, decidi desligar o celular.

Enquanto Lefin arrumava o colchão inflável no quarto do meu pai para que nos revezássemos na vigília eu preparava algo para comermos, embora eu não tivesse apetite algum. Diversas vezes cogitei em ligar para alguém, mas todos os que podiam me ajudar estavam longe demais para fazer qualquer coisa. Meu único consolo era Lefin que agia como um verdadeiro adulto apesar de ainda não ter nem um ano de idade.

Sentamo-nos no colchão enquanto vigiávamos nossa família. O primeiro turno seria do Lefin, mas eu não conseguia pregar o olho por um instante sequer mesmo deitada ali sentindo a maciez do ursinho do Ken.

Senti Lefin aconchegar-se ao meu lado e me abraçar. Ficamos ali de conchinha como quando ele era apenas um filhotinho e eu dormia abraçada com ele. Isso antes de o meu pai lhe comprar uma cestinha de vime com um acolchoado fofinho.

-Dessa vez você não esqueceu o seu ursinho. –falou o Lefin no meu ouvido.

-Era o que ele sempre dizia quando eu lhe pedia colo. –sorri ante a lembrança.

-Esse é certamente o cheiro do seu amigo. –sua voz fazia cócegas no meu pescoço.

-Você também sente? –fechei os olhos e inalei o cheiro já fraco que vinha do ursinho.

Aconcheguei-me mais perto e deixei que o calor do seu corpo atraísse o sono para mim. Um sono que teria sido tranquilo se aquele abraço quente aos poucos não tivesse se transformado em algo quase macabro. Eu podia sentir aquilo me sufocando e tirando todas as minhas forças.

O ursinho havia sumido. O quarto havia sumido. Lefin havia sumido. Eu estava sozinha em uma espécie de calabouço úmido e pútrido, acorrentada a uma decadente e fria parede de pedra. A pouca iluminação vinha de uma tocha que tremeluzia no fim de um corredor longo e abafado.

-Senti saudades de você, minha querida.

Tentei descobrir de onde vinha aquela voz, embora eu soubesse a quem pertencia.



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