História Uma Proposta Sedutora - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Piper Chapman
Tags Alex Vause, Oitnb, Orange Is The New Black, Piper Chapman, Vauseman
Visualizações 716
Palavras 4.540
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Segue aí pra vocês minha nova fanfic. Ela é uma adapção do 1º livro da trilogia The Plus One Chronicles. Dependendo de como ela for recebida pretendo fazer a adaptação dos três livros.
Espero que gostem e desculpem os errinhos

Capítulo 1 - Cap 1


Fanfic / Fanfiction Uma Proposta Sedutora - Capítulo 1 - Cap 1

Determinada a garantir que as fotos do corte do bolo ficassem maravilhosas, Piper trocou algumas flores que estavam ficando murchas por outras frescas.

— Pronto? - A voz impaciente do fotógrafo invadiu sua concentração. Piper lançou um olhar fulminante.

— Eu fico te dizendo como bater as suas fotos? - Ele deu um grunhido irritado, mas manteve a boca fechada até que Piper fechasse a maleta de apetrechos, agarrasse a alça e recuasse. Ele logo entrou em ação, tratando o bolo como uma modelo de capa de revista em roupa de banho, testando ângulos para as melhores fotos. Piper perdoou instantaneamente sua insistência anterior. Se seus bebês de açúcar fossem tratados do jeito certo, ela podia fazer vistas grossas para qualquer coisa. Saindo do caminho, enfiou-se em um dos muitos cantos que o California Opalescent Hotel de La Jolla oferecia e examinou o salão de baile. O tema da noiva, Noites de Diamante, foi trazido à vida com rosas brancas envoltas por metros de fitas de cetim, e uma profusão de cristais muito bem desenhados. A representação da noite foi feita com iluminação dramática cor de lavanda derramando-se do teto abobadado, reluzindo com cristais em forma de estrelas. Um palco perfeito para a noiva em seu vestido branco de corte ajustado, enfeitado com cristais costurados a mão. Ela parecia estar se deliciando com a adoração de seus convidados. Piper estremeceu em pensamento. A idéia daquele tipo de atenção direcionada a ela a deixava um tanto desconfortável. Havia nascido num mundo de riqueza e privilégios, mas não se encaixava nele e nunca se encaixaria. O trabalho de tentar ser algo que ela não era quase a destruiu. Depois de um assalto brutal, há seis anos…

Nem comece.

 Estava ali para fazer o trabalho que amava, não para reviver memórias antigas. Desviando os pensamentos, observou os convidados exibindo vestidos deslumbrantes e smokings que deviam valer o preço de seu carro. Andavam, conversavam e riam enquanto tomavam champanhe Cristal. Os vestidos eram verdadeiras obras de arte; ela gostava de estudar suas linhas, visualizando os arabescos e desenhos que poderia replicar em seus bolos. Piper voltou a atenção para a noiva aproximando-se do bolo, cercada pelas damas de honra, com o noivo tolerante seguindo atrás. Os convidados se reuniam em volta. Ouviu os sussurros. Elogios pelo seu trabalho pairavam ao redor. Era o som mais doce e o que lhe causava mais satisfação. De repente, uma agitação se propagou pelo grupo de pessoas como uma faísca de eletricidade. Os convidados viraram a cabeça, olhando além de onde Piper estava, parcialmente escondida por uma coluna envolta em flores. Mesmo a noiva diminuiu o passo para examinar a recém-chegada. De seu local protegido, Piper vislumbrou o que tinha causado o tumulto. Na porta do salão estava uma mulher. Alcançando praticamente dois metros de altura, elevava-se sobre todos no local. Usava um elegante smoking feminino preto, sem um pingo de outra cor para amenizá-lo. Até a camisa, o óculos e o cabelo eram negros. Parecia a Morte. Uma Morte muito sexy e intrigante. Ansiedade começou a agitar a multidão, crescendo e borbulhando. Tudo isso por uma mulher. Piper era imune ao charme efêmero que sempre enfraquecia e morria rapidamente. No entanto, ela era humana, afinal de contas, e estava curiosa a respeito da mulher que tinha o grupo riqueza-e-poder praticamente vibrando. Ela desviou-se para sair de trás do pilar e se certificar de que não perderia nada. A recém-chegada se moveu com fluidez, depois da sua dramática pausa na porta, se deslocando a passos largos. Movimentava-se com uma leveza surpreendente, seguindo caminho por entre as mesas e se aproximando de onde Piper estava. Todos os olhos no salão seguiram seu percurso. Instintivamente, ela recuou para se proteger no canto. A maleta de apetrechos pendurada em sua mão bateu na parede com uma pancada abafada.

Droga.

A mulher parou de maneira suave e dirigiu um olhar poderoso na direção dela. Como chocolate misturado com água, ela se viu presa numa bolota imóvel. Os olhos verdes e intensos da desconhecida a despiram do instinto habitual de desaparecimento no pano de fundo. Deixaram-na exposta. Capturam-na. Ela absorveu sua magnitude: cabelos pretos como carvão com uma onda de bad girl e íris de um verde tórrido. Suas mãos coçaram para trilhar a beleza daquele rosto, para memorizar as linhas implacáveis e recriá-las mais tarde, em um de seus bolos. Ela ouvia o próprio coração nos ouvidos. Sua pele formigava, os pelos de seus braços arrepiaram-se numa reação eletrificada. Droga, ela não era tão imune como pensava. Com esforço, Piper desviou o olhar, determinada a recuperar o controle. Não tivera esse tipo de reação a uma mulher em… bem… Nunca. Por reflexo, apertou os dedos da mão esquerda em torno da alça de plástico da maleta de apetrechos e fez uma força enorme para combater a estranha atração faiscando no seu interior. Ela não saía com ninguém. Não podia.

Não olhe. Ela vai continuar caminhando. Estou apenas prestando serviço. Não olhe.

Ela se concentrou no bolo. Sua criação. Isso pareceu ajudar. Só que sua visão periférica estava funcionando perfeitamente bem. A mulher virou para a esquerda. Estava vindo em sua direção. Todos os olhos no salão a acompanharam e recaíram sobre ela.

Ai, merda.

Enquanto o foco estivesse em seus bolos ou nos biscoitos, ou até mesmo no seu ramo de negócios de maneira geral, ela estaria bem. Firme. Totalmente no controle. O olhar atento da recém-chegada queimava sua pele, criando uma sensação de hiperconsciência, fazendo aquele controle se derreter numa poça de nervosismo e preocupação. Esmagando a vontade de correr, ela reuniu toda sua determinação e a encarou. Ela estava a poucos metros de distância, chegando cada vez mais perto, aprisionando-a no canto que momentos antes tinha sido seu refúgio. Ela estudava suas feições com concentração singular e Piper sentiu-se numa prisão. Inspirou fundo, desesperada pelo oxigênio que a acalmaria. Em vez disso, o cheiro de perfume e algo sombrio, doce meio amadeirado, a provocou. Tentou entender o que aquela mulher queria com ela. Ao seu redor, homens e mulheres lindas, maquiadas e penteadas, usando vestidos e jóias magníficos preenchiam o salão, fazendo-a ter uma consciência extrema de seu cabelo loiro, puxado para trás num simples rabo de cavalo, sua camiseta e calças pretas, cobertas pelo avental de trabalho. Então por que ela estava concentrada nela? Ela parou bem na frente dela, e Piper lutou com desespero por uma sensação de calma que simplesmente não vinha. Relaxando os músculos, também tensos demais, da garganta, ela perguntou:

— Posso ajudá-la com alguma coisa? — Esperava que o tom parecesse desinteressado, embora achasse que a voz tinha saído rala e fraca. O olhar da mulher misteriosa percorreu um caminho despreocupado por seu rosto, descendo pela garganta e por todo o corpo até os tênis. Era como se ela a estivesse despindo com os olhos. Piper ergueu a maleta de apetrechos num movimento brusco e a envolveu com os braços para poder segurar algo sólido. Arqueando as sobrancelhas, a mulher perguntou:

— Eu te conheço? - A voz rouca com um toque aveludado e as palavras a pegaram totalmente de surpresa. Não podia imaginar tê-la visto alguma vez e esquecido. Algumas coisas podiam ter sido apagadas de sua memória, mas ela? Ninguém poderia esquecer uma mulher de presença tão marcante.

Responda!

— Não. - Baixando um pouco o queixo, ela a observou atentamente sob as sobrancelhas arqueadas.

— E se eu quiser te conhecer? - Um calor traiçoeiro floresceu em sua barriga. Ela o amenizou cravando a maleta de apetrechos no quadril. Aquele punhal de dor fez seu cérebro entrar em ação com um estalo. Ela só podia estar se divertindo à custa dos prestadores de serviço. Era a única explicação que poderia imaginar.

— Precisa de uma dúzia de biscoitos? Um bolo? Talvez um brownie de emergência? - Rugas vincaram o canto dos olhos dela.

— Que tipo de emergência exige um brownie? - Piper levantou a mão em um gesto despreocupado.

— Ah, o de sempre... Rompimentos, sogros e sogras chegando de surpresa, o sempre popular lidar-com-ochefe-idiota, ficar sem vinho e o clássico… — Ela parou, dizendo a si mesma para não continuar. Para calar a boca. Desafio brilhou nos olhos da desconhecida.

— Vamos lá, não seja tímida. Devo conhecer a emergência clássica que exige um brownie. -  Não fale. Mas sua boca já estava em movimento:

— TPM, ou para os desinformados, Tensão do Pretendente Mala. Segundos se passaram. Piper estava ciente, de forma brutal e nauseante, que tinha ido longe demais. Com uma mulher que era claramente poderosa, importante. E com total foco nela. Seu estômago revirou, e a maleta deslizou em suas mãos, de repente, suadas. Ela a apertou mais e apenas esperou. O canto esquerdo da boca dela se curvou.

— Algum confeito especial para a mulher sofrendo com a rejeição cruel de uma confeiteira bonita? - Durante o espaço de um piscar de olhos, tudo em volta se dissipou, exceto a mulher diante dela. Como se fossem as duas únicas pessoas naquele salão. Alguém pigarreou. Realidade penetrou a estranha névoa no cérebro de Piper que a fazia querer acreditar, de forma idiota, em elogios falsos. Porém não era boba, a estranha estava apenas brincando com ela, era uma forma de entretenimento. Hora de acabar com aquilo. Imediatamente. Ela baixou sua maleta de apetrechos e caminhou para o lado da mulher. Ignorando o aperto no peito, ela ergueu os olhos. Bem na cara dela. A desconhecida olhou-a como se ela fosse sua presa. Lembrando-se de que estava perfeitamente segura num salão cheio de pessoas, Piper canalizou confiança fingida em sua resposta.

— Está em falta. Talvez você devesse tentar o bar local. — Sem esperar uma resposta, ela se dirigiu à porta da cozinha do hotel. O peso de cada um dos olhares no salão eriçou suas terminações nervosas. Incluindo o da mulher. Especialmente o dela. Aquele olhar percorreu suas costas, dos ombros até o traseiro, deixando um rastro de arrepios compostos por uma mistura de desejo e medo.

Piper empurrou as portas da cozinha do hotel, atravessando-as e deixou escapar um suspiro de alívio. Havia escapado relativamente ilesa da misteriosa mulher envolvente e poderosa. Antes que pudesse se recuperar por completo, porém, uma nova voz chamou sua atenção.

— Parabéns — cantarolou Nicole Nichols , pegando a maleta de apetrechos da mão dela. — Eu sabia que você conseguiria tirar isso de letra. E todas as imagens da mídia vão trazer ainda mais clientes para a Sugar Dancer Confeitaria. — Seus olhos castanhos brilharam, mas depois se apagaram. — Ei, o que foi? - Piper percebeu que estava ali parada, ainda sentindo o calor do encontro queimando através dela.

— Não sei.

Num estranho estado entorpecido, notou que Nicole era quase o oposto da mulher no salão de baile. Enquanto aquela era morena e rude, com presença forte, Nicole era meio ruiva e gentil. Os portes físicos também eram completamente opostos. A mulher morena era alta, magra, com um corpo perfeito tipo de modelo, enquanto Natasha era mais baixa e largada.

— Você está bem? - Precisava sair dessa.

— Estou, claro. Foi apenas… estranho. — De todas as pessoas no salão, por que ela se concentrou nela? E quem ela era?

— Explique. — Preocupação aguda transparecia no tom de Nicole.

— Nada demais — ela a acalmou. Piper iniciou a história da entrada dramática da mulher rica e importante. Os ombros de Nicole relaxaram. Ela atravessou a enorme cozinha industrial até uma pia funda de aço inox e colocou a maleta de apetrechos em cima do balcão próximo. Outros empregados corriam para dentro e para fora, transportando garrafas de café e jarros d’água. Estavam muito ocupados com os afazeres para prestar atenção em Piper  e Nicole. Já se sentindo mais equilibrada apenas estando perto da melhor amiga e colega de apartamento, Piper foi até ela. Com cuidado para não tropeçar no tapete preto com a perna ruim, tirou o relógio e terminou de explicar o encontro com a mulher enérgica

 — Talvez seja uma daquelas executivas pomposas que gostam de usar o poder para forçar as empregadas a transarem com ela. — Se bem que Piper duvidava. Ela usava o poder com muita naturalidade. Nicole entregou-lhe os sacos de confeitar, os adaptadores e os bicos usados.

— Ou talvez esteja interessada em você. Ela pegou os itens e riu para se livrar do pesar.

— Não estou interessada nela.

Mentirosa.

Como poderia desejar tocá-la, e ao mesmo tempo ter medo disso? Droga, ela era patética. Mas Piper não pensaria a respeito.

— Esqueça-a. — Ela ergueu o queixo e forçou um sorriso.

— Meu bolo está uma obra-prima. Ficou demais. — Apesar de ter sido ofuscado pela entrada dramática da mulher misteriosa. Nicole mostrou seu sorriso perfeito.

— Como eu sabia que ficaria, Pipes. Aliás, trouxe o carro para o beco. Assim que limparmos essa última parte, estamos prontas para nos mandar daqui. Mergulhando as mãos na água com sabão, Piper lavou com cuidado todas as fendas dos bicos de confeitar.

— Obrigada, Nicky. - Nicole pegou um pano de prato e começou a enxugar a louça.

— Vi o convite para a festa de noivado do seu irmão no porta-luvas. Percebi que você ainda não tem um acompanhante. - Ela ergueu cabeça de repente.

— O que você estava fazendo no meu porta-luvas?

— Verificando se seu seguro estava em dia. - Ela piscou algumas vezes diante mentira deslavada.

— E estava? - Ela mostrou um sorriso de gato de cheshire

— Fui pega. Eu estava bisbilhotando. Olhando suas coisas. Então, e o seu convidado? Preciso marcar na minha agenda? - Ansiedade queimou o esôfago de Piper, irritando-a. Tinha assinalado automaticamente o quadradinho indicando que levaria um acompanhante, pois não queria ir sozinha. Não era apenas por causa da família, embora por mais que Piper tivesse tentado se afastar nos últimos anos, mais eles tinham tentado controlá-la. Porém o problema verdadeiro seria a presença de seu ex-noivo.

— Tenho que ir — lembrou a si mesma com firmeza. Não havia muitas desculpas aceitáveis para faltar à festa de noivado do irmão.

— Então, sou a sua acompanhante?

Ganhando tempo, ela respondeu — O seu status de acompanhante já tem dono. Lembra da Morello? A mulher com quem você está comprando uma casa? - Ela fez um gesto como quem não dava importância.

— Ela não vai se importar, desde que eu garanta para ela alguns dos seus biscoitos. — Ficando séria, acrescentou: — Estou sempre disponível para você, Piper, especialmente em situações do tipo “Lidando com a família” e “Noite do ex”.

Em situações normais ela teria aceitado a oferta de cara. Queria aceitar. Ter Nicky ao seu lado era muito fácil, e ela sempre a fazia se sentir bem com todas as suas piadas. Porém, ultimamente, ela estava tentando se desfazer da dependência que tinha da amiga. Precisava se desfazer. Sua melhor amiga se mudaria assim que a casa dela e de Lorna Morello estivesse pronta.

— Quer saber? Acho que eu passo. Senão, você vai dar um jeito de andar pela casa e vasculhar meu antigo quarto para satisfazer sua necessidade compulsiva de bisbilhotar. — Piper enxaguou os últimos apetrechos, entregou-os para Nicole secar e acrescentou: — Mas agradeço tanto a oferta, quanto você ter vindo me ajudar hoje.

Ela sorriu. — O prazer é meu. Sabe que eu adoro quando você fica me devendo favor.

— Sim, eu sei. Do mesmo jeito que eu sei o que você estava procurando quando fuçou no meu porta-luvas. — Ela deu-lhe um tapinha no braço. — Mas não está lá, nem em nenhum lugar que você possa encontrar. Não vou te mostrar o projeto do bolo para a inauguração da sua casa. — Vinha trabalhando nele desde que Nicole e Lorna tinham feito uma oferta pela casa. Quando não conseguia dormir ela desenhava, querendo demonstrar todo o seu amor pelas duas mulheres através da criação. Morava com Nicole há cinco anos. Agora ela estava concluindo o doutorado em fisioterapia e montando casa com sua companheira. Ela se esforçava para manter os humores leves e guardar bem fundo os medos de ficar sozinha. Depois de secar as mãos, tirou o avental da Sugar Dancer Confeitaria e sacudiu a cabeça. — Você vai ver o bolo na sua casa no dia da festa.

— Como você é má — ela resmungou, fechando e prendendo a maleta de apetrechos. — Talvez, a Lorna e eu, possamos ter alguma preferência a respeito do bolo. A festa é nossa. - Piper trocou o apoio de uma perna para a outra, tentando aliviar a dor na perna direita, enquanto percorria com os olhos a cozinha enorme do hotel para ver se não estava esquecendo nada. Todos os instrumentos estavam guardados. Os garçons cuidariam das sobras e dos pratos. Trabalho oficialmente encerrado. Voltando-se para Nicole, ela revirou os olhos.

— Talvez você seja uma maníaca por controle bisbilhoteiro. A Lorna confia em mim. — O que era outro motivo pelo qual ela estava determinada a deixar de contar tanto com Nicky. As duas mulheres estavam construindo uma vida juntas. Piper estava sobrando.

— Lorna é um cachorrinho pidão no que diz respeito aos seus biscoitos. Isso é injusto demais. — Ela ergueu a maleta de apetrechos. — Vamos para casa comemorarmos o seu sucesso com uma taça de vinho.

— Isso sim que é descaramento. — Piper pegou as chaves e a bolsa de cima do balcão e tentou livrar o rosto das rugas de preocupação ao ir até a amiga.— Você está tentando me embebedar para olhar os meus rascunhos.

 — Uma taça de vinho mais uma massagem nas pernas e você pode me dar qualquer coisa que eu quiser. — Ela abriu a porta e deu um sorriso espertalhão para Piper. — Você é facinha.

— Se liga. — Piper saiu em direção a seu utilitário Santa Fe verde-claro da Hyundai e destravou as portas. Enquanto Nicky colocava a maleta na parte de trás, ela abriu a porta do lado do motorista e notou o pulso nu.

 — Droga, esqueci meu relógio. — Ela se virou para voltar e pegá-lo de cima do balcão, onde o tinha deixado para lavar os instrumentos.

— Vou buscar. — Nicole fechou o porta-malas, caminhou até a porta da cozinha e desapareceu dentro dela. Piper entrou, jogou a bolsa no banco de trás e, segurando as chaves, estendeu a mão para a porta, que foi arrancada de seu alcance. As chaves escorregaram de sua outra mão. Ela virou a cabeça com tudo, esperando Nicky. Em vez disso, o clarão da luz de segurança revelou dois homens vestindo camisas escuras e pura ameaça. Um estava tão perto que a prendeu contra o carro. O outro estava a poucos metros, girando a cabeça de um lado para o outro, como um cão de caça farejando o alvo. Piper sentiu os lábios e os dedos ficarem dormentes. Suor frio brotou de sua pele. Um rugido começou a crescer em seus ouvidos, e tudo ao redor ficou difuso. Cinzento. O homem moveu a mão depressa, pegando seu rabo de cavalo e puxando-o para si. Piper fechou os dedos ao redor do volante. Não conseguia movê-los para revidar. O medo paralisou seus músculos de uma maneira familiar demais. Oh, Deus. Será que desta vez eu vou morrer?

— Cai fora, vadia. — Ele puxou mais forte, sem brincadeira, tentando arrastá-la para fora do carro pelos cabelos. O outro cara deu um passo na direção deles. Algo brilhou em sua mão. Antes que ela pudesse identificar o objeto, a porta da cozinha se abriu e Nicky estava lá. Seu rosto se transformou de confuso em furioso num instante. O segundo homem levantou o braço e Piper viu exatamente o que estava em sua mão. Faca. Horror explodiu. Ela lutou para se mexer, para gritar. Para alertar Nicole. Porém, um ataque de pânico poderoso paralisou seu controle muscular. Borrou sua visão periférica. Nicole não sabia muito o que fazer, mas foi andando vagarosamente em sua direção sem tentar chamar muita atenção, mas foi em vão. O segundo homem se virou e enfiou a faca nela. O rosto de Nicole se contorceu. A boca se abriu. Nada saiu. As pernas desabaram e ela despencou numa confusão frouxa de braços e pernas. Um grito encheu a cabeça de Piper, mas ficou preso na garganta. O agressor agarrou seus braços, puxando as mãos dormentes do volante, e a jogou no chão. Piper atingiu o asfalto com as mãos e joelhos. De cabeça baixa, ela fez um esforço tremendo para conseguir ar nos pulmões. Lutou contra a necessidade de largar o corpo e ficar em posição fetal. Nicky. Ela tinha que chegar até ela.

— Vamos embora! — gritou o homem perto do carro. As pernas do homem armado com faca golpearam o chão ao redor de Piper e seguiram para a parte traseira do carro. Forçando mais ar para dentro e para fora, ela sentiu a sensibilidade pinicando os dedos. Levantou uma das mãos e a colocou para a frente, pousando-a no chão adiante. Em seguida, um joelho. Arrastou-se decidida pelo asfalto, olhando para Nicky estatelada no chão, com sangue escurecendo a área no centro de seu abdome.

— Vou pegar as chaves da vadia. - Piper arriscou um olhar para trás, em direção à voz. O bandido saiu do banco do motorista. Ai, merda, tinha deixado as chaves caírem. Terror apertou sua garganta. Iam matá-la e a Nicky também se ela não fizesse alguma coisa. A porta da cozinha se abriu. Desesperada por ajuda, Piper virou a cabeça. Ela. A mulher que por último entrara na festa. Seu olhar severo captou a cena, transformando-se de intenso a furioso num piscar de olhos. As maçãs do rosto eram proeminentes, os olhos faiscavam. Ela entrou em ação de repente, arrancando o paletó e jogando-o para Piper.

 — Pressione a ferida e ligue para o 190. - O paletó a atingiu como um balde de água gelada, dissipando a névoa. Piper agarrou a peça de roupa e disparou para a frente, ficando ao lado de Nicole. A camiseta estava encharcada de sangue. Seus lábios começaram a adormecer outra vez. Não!

Ela ergueu a blusa dela para ver o estrago. Sentiu o estômago revirar ao ver a ferida. Engoliu em seco e apertou o casaco sobre o corte horrível. Foi preciso todo o seu esforço para pronunciar as palavras:

— Você vai ficar bem. - A expressão dela estava contrita pela dor. Pálida. Pânico dilatava suas pupilas.

— Não consigo.

— O quê? — Ela se inclinou para frente.

— Respirar — ela sussurrou.

Oh, Deus. Tinha que fazer alguma coisa. Então lembrou-se das ordens de sua salvadra. Mantendo a pressão sobre a ferida, procurou nos bolsos de Nicky, encontrou o celular e ligou para o 190 com uma das mãos. Olhou para a mulher que tinha saído e assumido o controle, e o telefone quase escorregou de sua mão. Ela estava bem agachada, de frente para o homem da faca. O outro, o que a tinha atacado, estava no chão, imóvel. Como aquela mulher conseguiu fazer aquilo?

— 190, qual é a sua emergência? — uma voz falou ao telefone. Piper forçou-se a responder com calma.

— Estamos sendo atacados. Uma mulher esfaqueada entre o abdome e o tórax. Não consegue respirar. Outra mulher está tentando tirar faca de um bandido. Depressa! — Ela deixou o telefone cair. — Está chegando ajuda — ela tranquilizou Nicole. — Respire comigo. Puxe o ar, devagar, com calma. Um, dois… — Piper ficou com ela, desesperada para mantê-la respirando. Ouvindo um grunhido atrás de si, ela virou a cabeça. O cara da faca estava atacando sua salvadora. A mulher se moveu num borrão e segurou o braço do atacante. Torceu-o. Piper ouviu o som do osso quebrando. Ouviu. E depois o cara gritando. Bile subiu por sua garganta. Forçou-se a se concentrar em Nicky. Seus olhos frenéticos imploravam ajuda.

— Deixe o ar sair, um, dois… — Piper agarrou  a mão da amiga, desejando que ela estivesse bem. Rezou em silêncio e continuou respirando com ela, em meio a sons de sirenes, caos e vozes falando com ela. Nada disso importava, apenas manter Nicole respirando. Viva.

— Senhora, vamos cuidar dela. - Percebeu que a mulher falando com ela era uma paramédica. Seu parceiro já estava atendendo Nicole.

— Ela não consegue respirar. — Não podia deixá-la. Alguém se agachou ao lado dela.

— Eles podem ajudá-la a respirar. - Piper levantou a cabeça, e seu peito pareceu ficar oco diante daquela magnitude. Sua salvadora se agachou ao seu lado, muito perto. Exercendo calma controlada. Enquanto isso, suas entranhas reviravam como o ciclo de centrifugação da máquina de lavar.

— Quem é você?

— Alex Vause. Qual o seu nome?

— Piper...Piper Chapman.

Estendeu-lhe as duas mãos. — Me deixe te ajudar, Piper. -  Ignorando as mãos estendidas, ela se virou para Nicky. Os paramédicos rasgavam embalagens plásticas, colocando acesso intravenoso e fazendo várias coisas com rápida eficiência. Porém Nicky não estava se mexendo. Por que ela não estava se mexendo? — Não, olhe para mim. — Alex pegou seus braços, puxando-a até ficar de pé. Para levá-la para longe de Nicky. Raiva rugiu em sua cabeça. Ela recuou, puxando os braços do domínio da estranha.

— Me solte. - Ela a soltou no mesmo instante, mas manteve as mãos levantadas na altura dos ombros dela, sem chegar a tocá-la.

— Precisa entender que eles estão trabalhando para estabilizá-lo. Você não pode ficar no caminho.

Ela estava certa, mas o medo a estava inundando, tentando afogar seus pulmões num lodo esverdeado e lamacento, pesado. Podia sentir o gosto da lama rançosa na boca. Nicky não podia morrer. Seu coração batia frenético na lama grossa.

— Fale comigo — Alex disse gentilmente colocando seu óculos encima de sua cabeça — Me diga o nome dela. Devagar, ela percebeu que o rosto da mulher estava muito perto. Os olhos verdes  ardiam com autoridade.

— Nicole — conseguiu dizer.

— Ótimo. — Ela assentiu com um leve movimento de cabeça, ainda sustentando as mãos perto dos braços de Piper. Não a estava tocando, mas se ela tentasse entrar no caminho, ela ia detê-la. Piper não conseguia decidir o que sentia a respeito disso. — Nicole é sua amiga? Namorada? — perguntou. A palavra namorado girou em sua mente por um segundo. Algo importante. Um segundo depois, ela lembrou.

— Tenho que ligar para Lorna. A namorada dela. As duas estão comprando uma casa juntas. Ele não pode morrer. — Por que estava dizendo isso? Não importava. Naquele momento, Piper era a única ali que conhecia Nicole. Precisava se controlar e ajudar. Usando o atalho da dor, ela mordeu o interior da boca para ajudar a clarear as idéias. Alex desviou os olhos dela e em seguida voltou.

— Os paramédicos a estabilizaram. — Ela abaixou as mãos. Piper respirou fundo e foi até onde estavam colocando sua amiga em uma maca, preparando-se para transportá-la. As luzes vermelhas e azuis lançavam um brilho estranho sobre sua pele pálida e doentia, mas ela estava respirando. Graças a Deus ela ainda estava respirando. Piper se aproximou.

— Eu vou com ela — anunciou aos paramédicos. A mulher negou com a cabeça.

— Não podemos permitir. A senhora pode encontrá-la no hospital. — Levantando a maca, eles começaram empurrar Nicky para a ambulância. Piper não lembrava da própria viagem ao hospital, mas se lembrou de acordar sob as luzes ofuscantes; pessoas que não conhecia gritando com ela, perguntando seu nome, que dia era ... E a dor. Oh, Cristo, a dor. E o medo, pois estava cercada de rostos estranhos e não sabia o que tinha acontecido com ela. Não deixaria Nicole passar por isso sozinha. Estendendo o braço, ela pegou a mão da amiga, apertando-a para que Nicky soubesse que ela estava ali. Piper olhou para a mulher na ambulância.

— Eu vou junto.


Notas Finais


E aí, o que acharam? Devo continuar??


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