História Uma Proposta Sedutora - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Piper Chapman
Tags Alex Vause, Oitnb, Orange Is The New Black, Piper Chapman, Vauseman
Visualizações 534
Palavras 4.156
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!
Perdoem os errinhos 😊

Capítulo 2 - Cap 2


Fanfic / Fanfiction Uma Proposta Sedutora - Capítulo 2 - Cap 2

Piper estava sentada numa cadeira desconfortável, a perna esquerda dobrada para cima, e o braço em volta do joelho. Um seriado de comédia com uma risada falsa infernal estava passando na TV suspensa num canto. Ela tentou desligar a visão das outras quatro pessoas na sala de espera da emergência do hospital, uma delas com sangue escorrendo de um ferimento na cabeça. As paredes bege e as plantas falsas zombavam dela, esperando que perdesse a cabeça. Manteve o olhar voltado para o próprio pé e ocupou a cabeça com o projeto do bolo da inauguração da casa de Nicky. Ela faria o maldito bolo e depois todos viveriam felizes para sempre. A menos que perdesse a cabeça, bem ali na sala de espera. Liberando a perna, ela apoiou o pé no chão e se levantou. Não conseguia ficar sentada, não conseguia esperar. Tinha que fazer alguma coisa. Não a deixaram entrar na sala de tratamento. Lorna conseguiria entrar usando a cartada de médico, mas ela ainda não estava lá. Tinha ido visitar os pais e demoraria uns quarenta minutos para chegar. Piper precisava saber o que estava acontecendo naquele minuto. Tinha que saber que Nicky ainda estava viva. Foi até a recepção.

— Mais uma vez procurando notícias sobre Nicole Nichols. É o do ferimento a facada entre o tórax e o abdome. - A mulher pegou a caneca que estava em cima da mesa.

— Senhora, como eu disse há dez minutos, não tenho nenhuma informação. Alguém vai procurá-la assim que tiverem algo a dizer. - Besteira. Piper era mais próxima de Nicky do que do próprio irmão.

 — Piper. - A voz profunda e vibrante veio de trás. Piper girou de repente e arregalou os olhos.

— Alex. — Tentando processar sua presença, ela perguntou — O que está fazendo aqui?

— Trouxe a sua bolsa. Seu carro faz parte da cena do crime, mas consegui tirar isso… — ele ergueu a bolsa — para você. - Havia esquecido dela. Nem tinha passado por sua cabeça que estivesse sem. — Seu celular, sua carteira e todo o resto estão aí dentro, menos a chave do carro.

— Ah. Obrigada. Estava usando o celular da Nicky para fazer ligações. — Ela passou a alça da bolsa pela cabeça e pelo ombro.

 — Você já viu o médico?

— Eu? — Tinha visto muitos médicos ao longo dos anos. — Para mim não precisa, mas não consigo ter nenhuma informação sobre ela. — Ela se afastou do balcão da recepção e de Alex. Tentou caminhar para se livrar da ansiedade. No entanto, não queria voltar para aquela sala de espera do tamanho de uma caixa de fósforo, por isso, se apoiou na parede no corredor anexo, em frente aos banheiros.

— Deixe eu ver as suas mãos. - chocada com a exigência, ela olhou para cima.

Droga, que altura aquela mulher tinha?

O paletó havia sumido. Não fazia idéia do que tinha acontecido com ele depois que os paramédicos chegaram ao local e assumiram a situação. Alex estava com os botões de cima da camisa preta abertos, revelando um maravilhoso decote, dando para perceber seus seios fartos. Piper baixou os olhos, focando ainda mais no decote.

Muito íntimo.

Ela se forçou a erguer o olhar e alcançou o verde de seus olhos.

— Oi?

— Suas mãos. Estão cortadas e sangrando, deixe eu ver - surpresa, ela levantou as mãos e virou as palmas para cima. Argh, ela estava certa, estavam arranhadas e sujas. Sem dúvida, de ter sido jogada no chão e de rastejar.

— Isso não é nada. — Era só lavar. Sofria queimaduras piores do que aquilo em sua vida cotidiana.

— Você está mancando. - Ela baixou as mãos. Estava na hora de acabar com aquilo, o que quer que fosse.

— Alex, obrigada por hoje. Pelo resgate, por trazer a minha bolsa. Mas agora já posso cuidar de mim. Está tarde, você deveria ir para casa.

— Deveria — ela murmurou, passando a mão pelo cabelo longo e escuro. Ela afastou os pensamentos para longe da constatação de como os fios longos contrastavam com o terno de corte primoroso. Cautela percorreu sua espinha. Alex a havia tocado aquela noite. Mesmo depois que a soltara, a mulher parecia criar um campo de força em volta dela que, de alguma forma, a mantivera ancorada quando estava rodopiando em pânico. Alex já tinha visto mais de Piper do que ela gostaria. Afastou-se da parede, com a necessidade de conseguir alguma distância entre as duas. Alex se mexeu, um movimento sutil que colocou seu corpo na frente de Piper, em seguida, levantou a mão, encostando-a na parede acima da cabeça dela.

 — Você parece ter o hábito de fugir, Piper Chapman. No salão de festas e agora - ela sentiu a pele ficar tensa. Os nervos trepidaram. O que estava fazendo? Alex dominava todo o espaço, o dela e o de Piper. Segurando a bolsa na frente do corpo como um escudo, Piper se obrigou a responder

 — Você parece ter o hábito de conseguir tudo do seu jeito. — A mulher a deixava nervosa de um modo que nem conseguia começar a compreender.

— Raramente perco uma batalha. — Alex abaixou levemente a cabeça. — Mas neste caso, proponho um acordo de paz. Ela estava muito perto, e Piper captou aquele perfume de novo: perigo, doce amadeirado. Não apenas a encarava, mas a perfurava, invadia, enterrando-se fundo o bastante para descobrir todos os seus segredos. A intensidade era demais. Piper mudou a linha de visão para acima do ombro da mulher. Agarrou a bolsa com mais força.

— Você é implacável, não é? — Ela não era como as outras mulheres, tratando-a como se pudesse quebrar. Ou como se já tivesse quebrado. Alex não se moveu, não recuou um milímetro.

— Se você concordar em ver um médico, consigo informações sobre Nicole imediatamente - agora tinha sua atenção. Ela esqueceu-se de se manter à distância.

— Pode fazer isso? - Alex pegou o celular, discou e apertou o botão de ligar, o tempo todo inclinada sobre Piper, com a mão na parede. Os olhos mudaram de cor sob as luzes do hospital, assumindo um tom mais claro. Colocando o telefone no ouvido, ela disse:

— Há uma Nicole… - ela ergueu uma sobrancelha numa pergunta silenciosa. Piper agarrou a chance de obter informações.

— Nichols. Vinte e seis anos de idade - Alex repetiu.

— Ferida à faca no peito. Provável pneumotórax. Preciso de uma atualização. Vou ficar aguardando enquanto você a consegue - Piper se encolheu com o termo pneumotórax, embora o tivesse ouvido na ambulância.

 Por favor, Deus, rezou.

Nicky tinha sofrido o suficiente; que ao menos ela estivesse bem. O tempo corria enquanto ela continuava ali sob a potente proteção, o braço de Alex esticado acima de sua cabeça. Segundos. Um minuto, dois, três...

— Entendo - o que estava sendo dito? Piper se forçou a ficar parada e esperou, mas a impaciência contorcia os músculos de seu pescoço e ombros. — Entendi. — a morena balançou a cabeça para cima e para baixo e continuou a conversa. — Também vou precisar de um médico para examinar uma amiga. Parecem ser ferimentos leves, mas quero que ela seja examinada imediatamente. — E desligou. O coração de Piper batia forte.

— Nicole? - ela deslizou o telefone para dentro do bolso.

— Concorde em ver o médico antes. - concordaria com qualquer coisa.

— Sim, está bem. Me conte, droga. - a expressão dura suavizou quando as suas íris azuis se encontraram com as verdes da mulher a sua frente.

— Pequena perfuração no pulmão, parece estar se fechando. Sinais vitais fortes, ela é jovem e está em boa forma. Eles têm esperanças de que não precise de cirurgia e acreditam que ela vai superar tudo isso. As próximas horas são as mais críticas. – a garganta de Piper ficou embargada com absoluto alívio. Largou o corpo contra a parede. A amiga iria sobreviver, se recuperar. Poderia lhe dizer o quanto lamentava ter ficado sem ação, por ter deixado que a esfaqueassem.

Mais tarde.

Por enquanto ela disse: — Obrigada.

— O médico vai estar aqui num minuto. - hora de estabelecer os limites.

 — Alex° - a mulher olhou para ela.

— Sim?

— Obrigada. Vou ver o médico. — Piper estava agradecida, de verdade. Ela assentiu. Depois acrescentou: — Agora, tire o braço e saia do meu espaço pessoal. - horas mais tarde, Piper estava rígida e dolorida, sentada ao lado da cama de Nicky. Um pouco depois da meia-noite, o médico tinha declarado que ela estava fora de perigo, e fora levada a um quarto particular. Ela olhou para Lorna à direita, a Dar. Lorna Morello, uma pediatra que lembrava um boneca. Cabelos castanhos alinhados, olhar meigo, corpo delicado e um espírito gentil. Normalmente, ela era de sorriso fácil, entretanto, naquela noite, seu rosto estava marcado por uma tensa preocupação. Um ronco suave vindo da cama trouxe a atenção de Pipr outra vez para Nicole. Ela agradecia pela amiga estar dormindo. Sua pele tinha uma cor boa, a respiração estava ficando cada vez mais fácil. Descanso era exatamente o que ela precisava. Porém, cada tique-taque do relógio na parede aumentava a necessidade que Piper tinha de se mexer, de fazer algo mais para ajudar.

— Quer um café? Um refrigerante? Alguma coisa para comer? – Lorna apenas sacudiu a cabeça. Piper deixou transbordar sua culpa — Fiquei paralisada, não consegui nem gritar. — A imagem passou mais uma vez em sua mente. — Eu vi a faca. Se eu a tivesse apenas alertado, ela poderia ter pulado para trás. Lorna sustentou um olhar sombrio na direção dela. — Você já passou por muita coisa esta noite sem precisar acrescentar uma culpa inútil.

Certo. Era egoísta esperar ser absolvida da culpa quando Lorna estava devastado por causa do ferimento de Nicky. Jesus, quando havia se tornado tão patética? Tão fraca?

Piper recuperou o controle e pensou em outra forma de ser útil. — Vou dar uma corrida em casa e pegar algumas coisas para Nicky. Também posso passar na sua casa, pegar o que você precisar. - Lorna segurou a mão dela.

— Por esta noite não precisamos de nada, mas você precisa ir para casa e dormir. Tome um comprimido para dor. - Piper sacudiu a cabeça.

— Estou bem. Aquele médico que Alex forçou a me examinar disse que eu estava. — Ela realmente não queria ir para casa sozinha, com medo, perdida em seus próprios pensamentos.

 — Sei que você caiu sobre a perna ruim quando aquele idiota te arrancou para fora do carro. Você está com dor. Vá para casa e tome a merda do comprimido analgésico. Durma. Traga as coisas da Nicky amanhã. - Ela fez uma careta e ganhou tempo

 — Pediatras não devem falar palavrão.

— Que se foda, Pipes. Vá para casa. - sentindo um momento de pausa de sua rotina normal, ela lhe mostrou um sorriso suave. Lorna falou o palavrão como uma marinheira, mas Piper presumiu que ela não o fazia no trabalho, com as crianças. Levantando-se, ela se inclinou e a abraçou. Em seguida, foi até a cama e beijou Nicky no rosto. Ela mal se mexeu. Piper resistiu ao impulso de mexer com as cobertas ou colocar o cabelo da amiga para trás. Descanso era o que Nicky precisava para que seu corpo pudesse fazer o árduo trabalho de se curar. Piscando para afastar o ardor dos olhos provocado pelas lágrimas, ela voltou para a cadeira e pegou a bolsa pendurada no encosto. Olhando para Lorna, disse:

— Posso passar na sua casa de manhã, se você precisar de alguma coisa. É só me mandar uma mensagem. — Estava mexendo dentro da bolsa, procurando as chaves do carro, quando se lembrou de um pequeno detalhe. — Droga, estou sem carro. — estava com a polícia. Alex tinha dito. Sua mente divagou até a mulher outra vez,  a mulher que havia aparecido, a salvado e continuado a ajudar. Alex só foi embora depois que Piper foi examinada pelo médico e de ficar sabendo que a condição de Nicky estava melhorando.

— Pegue o meu.

— O quê? — tentou arrastar a mente de volta para a conversa com Lorna.

 — Eu disse que você pode pegar o meu carro para ir embora. — Lorna a observou. — Está tão cansada assim, ou está distraída? - havia sido pega sonhando acordada. Com uma mulher. Devia estar cansada.

— Não distraída o suficiente para esquecer que não consigo dirigir um carro de câmbio manual como o seu — ela apontou.

— Isso é um problema. — Lorna soltou sua mão e esfregou o espaço entre os olhos. — Não quero que a Nicky acorde sozinha, senão te levaria em casa. Deixe eu pensar. - ela também não queria que a amiga acordasse sozinha. Podia chamar o pai para vir buscá-la, mas seus pais surtariam se soubessem o que tinha acontecido aquela noite. Eles se convenceriam de que a tentativa de roubo era mais uma prova de que ela não era inteligente ou competente o bastante para cuidar de si mesma sozinha. Agora não podia lidar com aquele tipo de dúvidas. Mas podia lidar com a situação.

— Vou ligar para um táxi vinte e quatro horas. — eram seguros, as pessoas usavam o tempo todo. Isso ela poderia fazer. Já era hora de fazer esse tipo de coisa. Lorna deixou a mão cair.

— Não sei, Piper. -  ela olhou para Nicky, pensou em como tinha ficado paralisada quando precisava fazer alguma coisa, qualquer coisa, para tentar impedi-la de ser esfaqueado. Não queria mais ser aquela mulher. Não queria mais ser tão fraca. Voltando-se a Lorna, disse:

— Vai dar tudo certo. Mando mensagem quando chegar em casa. - ela conseguiria.

                                                                                                     **********

 Alex olhou pela janela para a escuridão. Na cama do hospital atrás dela, a respiração de Joe Caputo era irregular, a de um homem mais velho do que seus cinquenta e poucos anos. Alex tinha trazido especialistas de todo o país, e todos diziam a mesma coisa. De três a seis meses. Seu mentor estava perdendo a maior luta de sua vida. Toda a riqueza e o poder de Alex eram inúteis.

— São quase duas da manhã. Você está aí parado há uma hora. - Alex se virou e olhou para o homem encolhido na cama. Caputo tinha chutado os lençóis, ficando coberto apenas por uma camisola de hospital, revelando coxas que haviam se encolhido e pareciam gravetos.

— A pergunta correta é por que você está acordado. — Alex tinha feito vigília naquele quarto meia dúzia de vezes e Caputo nunca tinha acordado.

 — Reunindo energia para sair desta cama e te fazer cair de bunda no chão quantas vezes forem necessárias até você desembuchar o que está te perturbando. - Alex se aproximou e largou o corpo numa cadeira. Esticando as pernas, entrelaçou os dedos atrás da cabeça.

— Estou pronta quando você estiver, velho. — Nostalgia a invadiu, adentrando seu peito e causando uma maldita dor. Não o tipo de dor com que poderia lidar, do tipo que sentia quando se exercitava até que os músculos gritassem. Sim, aquela dor ela poderia suportar. Esta dor? Não ia senti-la. Não ficaria se lamentando em cima disso. Apenas encontraria mais médicos. Tinha que existir um, em algum lugar, que tivesse uma resposta. Pessoas superavam o câncer o tempo todo.

— Pode apostar — disse Caputo. — Mas me deixaram preso a todos estes fios. Alex fez um ruído de desdém com o nariz.

— Desculpa… - Alex moveu a mão até encontrar o controle remoto, apertou num botão e a luz na cabeceira acendeu. Ela levantou a cama.

— Desembucha, Vause. - Sabia que ele era um homem doente, a contar pela magreza devorando seu rosto e pelas sombras expulsando a vitalidade de seus olhos. No entanto, às vezes, num olhar de soslaio, tinha um vislumbre do homem que quatorze anos antes levantara uma pessoa

de 1,97 m do chão e o arremessara contra uma parede. Muitas vezes arrastava Alex ao tatame e a forçara a extravasar a raiva violenta que fervia dentro dela. Segurando-a numa poça do próprio suor e sangue, Caputo a olhou bem na cara dele e disse: “Ou você controla a violência ou ela controla você. A escolha é sua”. Alex vivia segundo aquelas palavras desde então. Porém, no momento, precisava acalmar o homem que esperava sua resposta. Recusando-se ainda a mencionar Piper,escolheu um tema mais próximo do coração do homem a sua frente.

— É o Isaac, do nosso programa De Lutadores a Mentores. Um dos outros garotos do programa foi até a academia e me disse que o Isaac anda matando aula, procurando formas de ganhar dinheiro. — Joe era o tutor de Isaac, mas desde que ficou muito doente, Alex estava o substituindo, treinando o menino junto com seus outros dois pupilos. Isaac não estava lidando bem com a mudança. O rosto de Caputo ficou sombrio.

— O que aconteceu? Ele se machucou?

— Não — Alex assegurou, embora estivesse sendo arrastada de volta ao passado. Tinha menos do que os 13 anos de Isaac quando começou a buscar maneiras de ganhar dinheiro. Para sustentar a familia até que sua mãe encontrasse o próximo Maldito Príncipe Encantado. Alex ignorou o bolo de raiva alojado na boca do estômago. Raiva não era produtiva; ação era. Voltando ao momento presente, ela disse:

— O menino está bem por enquanto, mas acontece que ele e a avó estão em vias de serem despejados.

— Dê um jeito.

— Já estou resolvendo isso. Pedi a um dos meus assistentes para levantar o histórico. Vamos pagar o aluguel até o final do ano. Mas, porra — ela quase rosnou. — Não estou conseguindo contato com o garoto. Ele ou a avó deveriam ter me procurado.

— Pare de olhar para o próprio rabo. Tudo o que esses meninos conhecem é rejeição, medo constante e desespero. Não acreditam em palavras, só em ações. — Caputo travou o maxilar e acrescentou: — Por ter ficado doente, eu também o abandonei. Assim como todas as outras pessoas. - a feia realidade nas palavras do mentor e sua própria impotência faziam retorcer as entranhas da morena.

— Olha, vou trazer o garoto aqui amanhã. Você fala com ele. Mantenha o traseiro dele na escola e longe das ruas. - Alex conhecia as ruas muito bem, conhecia a degradação e a fome que desprovia um garoto de sua alma. Era parte do que a tinha levado ao trabalho incansável. Ela nunca seria tão impotente outra vez. Caputo assentiu.

— Preciso manter contato com o menino. — Seu olhar ficou mais aguçado. — Agora me diga o verdadeiro motivo que faz você estar aqui assombrando meu quarto, quando eu deveria estar sonhando com enfermeiras gostosas e banhos de esponja. Abaixando o queixo, Alex fez cara feia.

— Cara, não preciso saber que tipo de merda doentia você sonha. O outro homem deu um sorriso impiedoso.

— Se você não começar a falar, vou descrever os sonhos. Em detalhes que vão te deixar com tesão. – Alex fez uma careta e suspirou. Tinha sido encurralado e sabia disso.

— Uma mulher e a amiga dela foram atacadas por dois ladrões de carro há algumas horas. Um deles tinha uma faca. – Caputo estendeu a mão para a mesa de cabeceira, pegou um jarro cor de vômito e derramou um pouco de água num copo de plástico.

— Ainda não estou vendo o problema. Dois bandidos, uma faca. Isso não é nem treino pra você. — Tomou um gole da água.

— A mulher. Eu a tinha reconhecido no começo da noite, mas não consegui saber de onde até que ela me disse seu nome. Eu a vi uma vez há doze anos, quando lavava louça num clube de campo. Era sua festa de debutante. - Devagar, Caputo baixou o copo até apoiá-lo numa coxa. Não disse nada. Alex respirou fundo. — Ela tinha tudo. Pais ricos que a adoravam. Uma festa enorme. Eu a odiei. — Sabia que tinha sido irracional. Ainda se lembrava de observá-la da cozinha. Não se lembrava do vestido ou de qualquer uma daquelas baboseiras, mas se lembrava dos olhos: azuiz, tão cristalinos, enormes em seu rosto, e completamente desprovidos de culpa. — Eu a odiei por estar viva e ter uma vida perfeita.

 — Quando Boo estava morta — Caputo concluiu. Recusando-se a se afastar da verdade, Alex disse:

— É. — Era uma mulher fria, uma mulher dura. Não sabia ser de outra forma, nem queria ser. Naquela noite, Piper tinha transformado algo dentro dela, mas o quê? E por que agora?  — Ela está diferente. — Uma dúzia de anos faz isso com a pessoa, a vida também. A mulher que tinha visto aquela noite estava a anos-luz de distância da garota de quem se lembrava. Odiara a menina, mas e a mulher? Ela a intrigava. Despertava algo nela. Acendia a necessidade de saber mais sobre ela. Tentou explicar: — Naquela época, eu era a lavadora de pratos que ninguém nunca notava. Ela era a princesa, a estrela. Mas hoje… —Ela deixou a frase no ar, ainda tentando compreendê-la.

— Você dominou o salão como sempre faz. E ela?

— Trouxe o bolo. Estava encostada numa parede, parcialmente escondida por um pilar. Observando. Talvez se escondendo. Depois desapareceu dentro da cozinha. — O que havia acontecido para transformá-la?

— Escondendo? – Alex arqueou uma sobrancelha.

— Ela é uma contradição. Escondendo — ela confirmou. Ela tinha gostado do jeito acanhado da mulher loira.

Droga

Como tinha adorado. Queria ter tirado o elástico que prendia os cabelos para trás num rabo de cavalo e passado os dedos pelos fios loiros. O desejo tinha sido forte. Visceral. Piper propagava mensagens conflitantes. Mulheres tímidas não lhe diziam para sair de seu espaço. Ainda assim, ela havia mantido a bolsa na frente do corpo como se pudesse se proteger. Tinha feito a mesma coisa no salão de baile com a maleta de confeitaria. Alex acrescentou o óbvio: — Problema, ela vai ser um problema para mim. Justo agora, que preciso me concentrar.

— Uma distração é exatamente o que você precisa. – Alex tirou as mãos de trás da cabeça e sentou-se mais para a frente na cadeira, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Stella vai ser libertada em poucos dias. Esperei quatorze anos. Não vou desviar do caminho. — Nem mesmo por um par de olhos azuis e cabelo loiro. E aquelas curvas… É, ela precisava ficar longe daquilo. Piper era tentadora demais. Caputo sustentou seu olhar.

— Tirar uma vida tem um preço, Alex. - seus pensamentos se solidificaram em pura vingança.

— Pode crer. É hora de Stella Carlin pagar.

— Olhe ao seu redor, filha, é assim que vou terminar meus dias. Sozinho

 — Não vou deixar você morrer. — Havia dito aquelas cinco palavras com a mesma determinação fria com que tinha vencido lutas de campeonato e construído sua empresa.

— A morte não precisa da sua permissão. Além do mais, você está deixando de ver o que importa. Está vendo alguma mulher aqui derramando lágrimas? Alguém dando a mínima? - Alex cruzou os braços sobre o peito.

— Cara, você é um garanhão. Nenhuma mulher podia confiar em você. — Não estava dizendo aquilo para demonstrar que sua situação era pior. Só era chato. Ok, o deixava louco da vida. Caputo sacudiu a cabeça e estendeu a mão para colocar o copo de água sobre a mesinha.

— Tive tempo de olhar para trás e refletir sobre o que fiz com a minha vida, e a visão que tive foi uma porcaria. Fiz uma escolha, matei um homem, e esse único ato envenenou cada maldito elemento na minha vida a partir daquele instante. — Batendo a mão sobre as coxas finas, ele disse: — Vai te envenenar também.

Alex não vacilou:

— Não é assassinato se ela entrar no ringue comigo por vontade própria. — Caputo segurou o tecido da camisola de hospital em seus punhos cerrados.

— Uma vez você parou uma luta, sacrificando a vitória, porque se recusou a ferir gravemente o seu adversário. - Alex deu de ombros. — Conheço uma concussão quando vejo uma. O árbitro estava dormindo em serviço.

— Você não está pensando em parar essa luta. É assassinato. Não importa como vai encená-la, continua sendo um assassinato. - a morte de Boo havia sido um assassinato. A morte de Stella seria justiça.

— Naquele dia, você me impediu de matar Stella, me disse que se eu quisesse vingança, tinha que fazer do jeito certo. Agora sou essa pessoa. - Caputo suspirou.

— Essa culpa é minha. Tentei te dar um motivo para viver. Em vez disso, te dei um motivo para matar.


Notas Finais


E aí... Estão gostando??
Até o próximo 😘😘


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