História Uma Razão Para Respirar - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Ana, Anorexia, Barbie, corpo, Depressão, Mia, Mutilação, Perfeição, Peso, Superação
Exibições 4
Palavras 1.259
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Saga, Visual Novel
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Mutilação
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Novo capítulo. Se gostar, por favor, curta ou comente. Ajuda muito a continuar escrevendo! Obrigada ☺

Capítulo 2 - 2


Virei-me de lado, esquecendo meu ombro por um momento, até que a dor me fez lembrar. Desliguei a luz e deixei que a música embalasse o meu sono.
~~~~
Peguei uma barra de cereal enquanto passava pela cozinha com minha bolsa em uma mão e a mochila pendurada no ombro. Os olhos de Leyla brilharam quando me viu. Fui até ela e beijei o topo de sua cabeça, me esforçando para ignorar o olhar dardejante que recebia do outro lado do cômodo. Jack estava sentado ao lado de Leyla, na bancada, comendo seu cereal – ele me passou um pedaço de papel sem me olhar.
Estava escrito “Boa sorte!” com um giz de cera roxo e com uma tentativa adorável de desenhar uma bola de futebol do lado. Ele me olhou de soslaio para ver minha reação, e eu lhe dei rapidamente um meio sorriso, para que ela não percebesse nossa interação.
– Tchau, pessoal – disse, me
dirigindo para a porta.
Antes que chegasse à porta, sua mão gelada agarrou meu punho:
– Largue.
Virei-me para ela. Sua posição não permitia que as crianças testemunhassem seu olhar venenoso.
– Você não pediu por isso em sua
lista. Então não comprei para você. Largue. – Ela estendeu a mão.
Coloquei a barra de cereal em sua mão e imediatamente fui liberta de seu aperto.
– Desculpe – murmurei ao sair da
casa, antes que acontecesse mais alguma coisa pela qual eu tivesse que me desculpar.
– Então... O que aconteceu quando você chegou em casa? – Sara perguntou, baixando o volume da música punk de rápida batida quando entrei em seu conversível vermelho.
– Hum? – respondi, ainda esfregando meu punho.
– Ontem à noite, quando você chegou em casa – Sara disse impacientemente.
– Nada demais, apenas os gritos de costume – retruquei, diminuindo o drama que me esperava quando cheguei em casa após o treino de ontem. Decidi não contar mais enquanto esfregava casualmente meu braço machucado. Por mais que amasse Sara e por mais que eu soubesse que ela faria de tudo por mim, havia coisas que preferia esconder dela.
– Então foram só gritos, né? – Sabia que ela não acreditava completamente.
Eu não era uma boa mentirosa, mas era convincente o suficiente.
– Sim – murmurei, esfregando minhas mãos, ainda trêmulas pelo toque dela.
Fixei meu olhar do lado de fora, olhando as árvores passarem, em contraste com as grandes casas e seus gramados, sentindo o frio ar de final de setembro açoitar meu rosto.
– Sorte sua, eu acho. – Podia sentir seu olhar sobre mim, esperando minha confissão.
Sara subiu o volume da música,
percebendo que eu não revelaria mais nada e começou a cantar alto, enquanto balançava a cabeça ao som de uma banda punk britânica.
Paramos o carro no estacionamento da escola, recebendo os costumeiros olhares dos alunos e o balançar de cabeça reticente dos professores. Sara não percebeu, ou pelo menos agia como se não pudesse se importar menos. Eu ignorava, porque eu realmente não podia me importar menos.
Pendurei minha mochila em meu ombro esquerdo e caminhei pelo
estacionamento com Sara. Seu rosto irradiava um sorriso luminoso, conforme as pessoas a cumprimentavam. Eu praticamente não era notada, mas a falta de reconhecimento não me incomodava.
Era fácil ser obliterada pela presença carismática de Sara, com sua linda juba dourada que caía em camadas até o meio das costas.
Sara fazia parte da fantasia de todo garoto do colégio, e tenho certeza de que de alguns dos professores, também. Ela era extremamente atraente e tinha o corpo de uma modelo de biquíni, com as proporções adequadas nos lugares corretos. Mas o que eu realmente amava em Sara era o seu eu verdadeiro. Ela poderia ser a garota mais desejada da
escola, mas isso não subia à sua cabeça.
“Bom dia, Sara”, podia ser ouvido de quase todo mundo por quem
passávamos, enquanto ela caminhava com sua energia eletrizante pelos corredores. Ela respondia aos cumprimentos com um sorriso e uma saudação similar em retorno.
Havia alguns cumprimentos para mim, também, para os quais eu respondia com um rápido olhar e um aceno. Sabia que a única razão pela qual eles me notavam era por causa de Sara. Preferia nem ser notada, enquanto me arrastava pelos corredores à sombra de Sara.
– Acredito que Jason finalmente está se dando conta que eu existo – Sara declarou enquanto pegávamos de nossos armários vizinhos o que era preciso para nossa primeira aula. Por algum milagre, estávamos nas mesmas aulas, o que nos tornava praticamente inseparáveis. Bem, exceto em nossa primeira aula, quando eu vou para Inglês Avançado e ela para Álgebra II.
– Todos sabem que você existe, Sara – respondi com um sorriso torto.
“Alguns muito bem”, pensei, segurando o sorriso.
– Bem, é diferente com ele. Ele
praticamente não me olha, mesmo quando me sento ao seu lado. É tão frustrante. – Ela se jogou contra o armário. – Você sabe que os caras também a olham – ela completou, zombando de minha ênfase –, mas você não pode tirar o olho de seus livros tempo suficiente para os notar.
Fiquei vermelha e a encarei com o semblante interrogativo:
– Do que você está falando? Eles só me notam porque estou com você.
Sara riu, seus dentes brancos e
perfeitos brilhando.
– Você não tem ideia – ela zombou, ainda sorrindo.
– Já chega. Não importa – retruquei com desdém, meu rosto ainda queimando. – O que você vai fazer a respeito de Jason?
Sara suspirou, segurando seus livros contra o peito, enquanto corria seus olhos azuis pelo teto, perdida em seus pensamentos.
– Ainda não sei – ela disse perdida em pensamentos que mantinham sua boca curvada em um sorriso. Era evidente que ela o imaginava com seu cabelo loiro-escuro, olhos azuis intensos e um sorriso de matar. Jason era o capitão e quarterback do time de futebol americano. Tinha como ser mais clichê?
– O que isso quer dizer? Você sempre tem um plano.
– Esse é diferente. Ele nem olha para mim. Preciso ter mais cuidado.
– Você não disse que ele finalmente a notou? – perguntei, confusa.
Sara virou a cabeça e me olhou, seus olhos ainda brilhando pelos pensamentos que relutava em abandonar, mas o sorriso se perdeu.
– Não entendo, sério. Fiz questão de me sentar ao seu lado na aula de Administração ontem, e ele disse “oi”, mas foi só isso. Então ele sabe que existo. Ponto. – O tom exasperado em sua voz era palpável.
– Tenho certeza que você pensará em algo. Ou talvez ele seja gay – zombei.
– Emma! – Sara retrucou com os olhos arregalados, batendo na lateral de meu braço direito. Forcei um sorriso, enquanto trincava os dentes, esperando que ela não notasse a tensão nos meus ombros com o impacto de seu toque. – Não diga isso. Isso seria horrível, pelo menos para mim.
– Não para Kevin Bartlett. – Dou risada, fazendo com que ela feche o semblante.
Ver Sara tão distraída por esse cara era divertido e cativante ao mesmo tempo. Ela tinha jeito com as pessoas – o resultado quase sempre era favorável a ela, especialmente com garotos. Não importava quem ela tentasse convencer, ela colocava tanto afinco em seu objetivo que a pessoa ficava realmente feliz em recebê-la.
Sara estava obviamente perturbada por Jason Stark. Era um lado dela que quase não via. Sabia que isso era um território desbravado para ela e ficava curiosa em saber o que ela faria a seguir.



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