História Uma silenciosa Canção - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Naruto Uzumaki
Tags Assassinato, Babá, Hinata, Naruto, Órfã, Romance, Suícidio
Visualizações 113
Palavras 2.754
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Ficção, Josei, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá meus amores!
Espero que gostem do capítulo

Boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo III


Ritmo

"Modo harmônico de dispor os tempos entre uma movimentação e outra; marcação do tempo de um gênero musical". 

 

O olhar altivo, duro e inflexível fulminava a jovem morena que prendeu o ar em seus pulmões os proibindo de sair, sentindo-se ultrajada ela resistia ao pensamento… ou melhor, preferia não acreditar que aquele homem, “lindo, alto como um monumento que mais parecia ter sido esculpido pelo mais talentoso dos artistas”, estava descaradamente a chamando de criança que mau havia deixado as fraldas.

Naruto por outro lado, além de estar intimamente irritado com as loucuras de seu pai, sentia-se em uma arena, ele encorporado com o papel de toureiro mirava o touro que soltava fogo pelas ventas. Uma fagulha de divertimento queria obrigá-lo a curvar os lábios, lutou contra a vontade espantando a imagem que surgia em sua mente, pensar na pequena figura de olhos lilases com chifres na cabeça e avançando para cima dele como um touro bravo não faria a vontade de sorrir sumir. Porém olhar para os olhos que começavam a ficar raivosos, a pele branca das bochechas ganhar tens extremamente vermelhos e ver o nariz dilatar de forma graciosa a cada sugada de ar não era a melhor via de escape. Quase sorriu com a ideia, mas retomou a compostura preparado para espantar mais uma das tantas moças que o pai, com certeza, continuaria a mandar para ele.

Ele não conseguia entender o que se passava na mente do velho Namikaze. A finalidade das moças que iam para sua casa era tão evidentes e discrição era uma qualidade que nem uma delas parecia possuir. Ser atacado durante o sono, ter estimulantes, sim “aqueles” estimulantes, colocados em sua bebida, olhares cobiçosos o devorarem vivo e muitas outras coisas que se o loiro fosse as citar demoraria uma eternidade, eram evidências claras do porque aquelas jovens eram mandadas para cuidar de sua casa. Não que elas fossem cuidar, pois era a última coisas que elas faziam. Elas queriam cuidar de outra coisa e não tinha nada a ver com arrumar a sua casa. Sentia falta de Melinda, a arrumadeira, sua casa por mais que fosse pequena conseguia acumular bastante bagunça.

Suspirou longamente. Mirou Hinata que respirava forte e contava mentalmente com a intenção de tentar se acalmar. Ela era nova, admitia, mas isso não lhe dava o direito de jogar a realidade em sua cara.

— Vamos garotinha, tire esse odor de leite de meu jardim, vai contaminar minhas plantas – balançava a mão para frente e para frente e para trás, repetia o gesto enquanto tinha um olhar indiferente no rosto. — Xô, xô!

Virou-se na direção contrária na esperança de escutar seus passos se afastando da mesma forma graciosa que a havia visto caminhar, indo para bem longe dele.

Hinata mirou-o de forma execrada e ao envés de ar, sentiu a cólera encher seus pulmões. Quase gritou quando se viu tratada como uma galinha. Apertou as mãos em punhos até que as pontas dos dedos ficaram brancas, mordeu os vermelhos lábios na tentativa de conter a vontade de pular naquele pescoço longo e forte. Se desse mais alguns passos poderia se aproximar o bastante para lhe chutar aqueles montes redondos e firmes que a calça apertada insistia em marcar. Engoliu em seco quando observou as costas largas e bem definidas, se a Hyuuga era baixa, ao lado daquele colosso sentia-se uma pulguinha. O corpo alto e com músculos bem distribuídos não a deixava respirar normalmente.

Sentiu um gostinho amargo na garganta e sabia bem o que era. Aquele homem merecia uma lição que jamais pudesse esquecer. E ela sorriu audaciosa, pois seria ela a responsável por aquela árdua missão. Ele a queria fazer desistir, era óbvio, mas ele saberia que aquele pequeno corpo que, como ele dizia, cheirava a leite, era duro na queda.

Afundou as mãos na terra fofa sentindo ela escapulir por entre os dedos. Sorriu de canto quando com todas as suas pequenas forças, atirou o punhado de terra em direção a extensa cabeleira do bonito jardineiro que ao que parecia era a “criança” que teria que cuidar. Seu sorriso se alargou ao ver que havia alcançado seu objetivo.

Naruto virou-se a olhando com mesclas de incredulidade e depreciação.

— Oh, que ótima forma de conseguir sua atenção – disse ela enquanto limpava resquícios de terra de suas mãos. — agora que a tenho, podemos conversar como adultos – fez questão de destacar bem aquela palavra de forma quase silabada. — que somos. Se bem que sua atitude e a forma que me tratou foram bem infantis.

Naruto assumiu uma postura dura e altiva, Hinata teve a impressão que ele dobrava de tamanho. Quase se arrependeu de ter jogado terra sobre ele. Soube que ele ebulia de raiva quando ele repentinamente jogou a tesoura de poda com toda a força no chão, a morena quase desmontou sobre àquele olhar, mas obrigou-se a retomar a postura dissimulada que havia assumido.

— Olhe aqui garotinha, se você sair imediatamente de minha propriedade, fingirei que jamais esteve aqui e que tive o desprazer de conhecê-la, mas se continuar contaminando a minha terra sagrada com a sua presença, juro pelo ar que respira, você vai se arrepender.

A voz extremamente baixa e grave dava amplos arrepios por todo o corpo de Hinata, ela sentia que amolecia, suas pernas ficaram fracas demais para sustentar seu peso. Tomou bastante ar em seus pulmões esperando pelo momento que a sensação de descargas elétricas deixariam seu corpo, alisou os pelos dos braços na tentativa de fazê-los baixar.

Não levando em conta o tom extremamente ameaçador daquela voz sombria, Hinata tentava entender aquela onda familiar que a sugou e a levou para longe. Quase juntou as sobrancelhas com tamanha nostalgia que não sabia de onde vinha. Espantou aquela sensação chacoalhando levemente a cabeça.

— Não sairei daqui. Fui contratada para trabalhar nesta casa e é isso que farei. Você sendo criança ou não a partir de agora está debaixo de meus cuidados.

— Eu não devia dar minha atenção a essa criança – murmurou para si mesmo tentando não se deixar levar pela suntuosa vontade de colocá-la em seu colo e alvejar sua bunda com palmadas. Suspirou fundo desistindo de continuar com aquela infantilidade.

Começou a andar em direção da morena e por um momento ele viu um brilho de temor em seus olhos. Sorriu. Passou pela pequena criatura observando como ela tinha que levantar a cabeça para olhá-lo, imaginou o pequeno corpo embaixo do seu, as singelas e quentes curvas destilar calor e contorcer-se de forma prazerosa. Bufou inconformado com seus próprios pensamentos, a garota a seu ver tinha acabado de sair da adolescência e definitivamente decidiu que seu desvario era pelo tempo que não tocava em uma mulher.

Hinata prendeu ainda mais a respiração, se é que aquilo era possível, quando o viu marchar em sua direção. Respirou aliviada quando ele ignorou sua presença, não antes de dar um olhar significativo para seus lábios definidos e vermelhos como sangue, Naruto passou por ela com passadas apressadas e se encaminhou para a frente da casa.

— Um minuto senhor, não terminamos de falar. - rapidamente passou a segui-lo.

— Sério? - dissimulou a pergunta carregada de ironia e sarcasmo — acho que não compartilho de sua opinião. Não temos mais nada a dizer um ao outro, volte pelo mesmo caminho que veio e – Naruto deteve seus passos e olhou para Hinata que quase se chocou com suas costas. — não ouse colocar seus pés em minha propriedade novamente.

Soltando pragas e maldições para seu pai que sempre dava um jeito de bagunçar sua vida, abriu a velha porta de madeira e adentrou em sua casa tendo a certeza de que se veria livre da pequena e arteira jovem. Quando fechava a porta, certo de que jamais a veria novamente teve seus planos frustrados. Gemeu com desgosto quando olhou a causa de sua ação mau concluída.

Hinata colocou o pé entre a porta impedindo ela de ser fechada, por mais que se arrependesse disso, já que agora seu pé palpitava com uma dor fina. Pela fresta da porta ele contemplava os olhos desafiadores daquele pequeno ser, admirou sua insistência,admitia que estava um pouco curioso para saber o que motivava tamanha obstinação. Mas ao lembrar-se dos flagelos causados pelas jovens malucas anteriores, repeliu qualquer pensamento de aceitar a pequena.

— Não, nós não terminamos de falar e muito menos vou embora daqui. Agora faça o favor de abrir a porta, meu pé vai se partir em dois. - quase implorou. Seus olhos lacrimaram quando sentiu o aperto da porta ficar ainda mais forte. — Maldição homem! Pare já com isso.

— Claro! Mas somente quando tiver a sua palavra de que não pisará mais em minhas terras.

A sobrancelha loura arqueou em espera. Hinata mordeu o lábio inferior contendo um gemido. Ela se perguntava o porque de fazer aquilo, sentia-se enganada pelo senhor Minato. Agora entendia porque ele havia omitido a idade de seu filho, ela estava confusa e sem entender qual era a razão para o velho contratar alguém para cuidar de um homem-feito, e que homem, ela pensava. A morena começou a acreditar que ele era o ser mais bonito que havia visto em seus dezenove anos de vida. Se fosse Ino ali em seu lugar, tinha certeza, a amiga se comportaria como uma cadela no cio. Outro gemido rasgou sua garganta quando a dor aumentou gradativamente, ele forçava ainda mais a porta em seu pé.

— Tudo bem, tudo bem, dou minha palavra. - assim que terminou de falar sentiu um alívio imediato. A fresta da porta alargou-se e seu orgulho gritou mais alto a impedindo de ceder. — Oh meu Deus! O que é aquilo?

Naruto franziu as sobrancelhas mirando com desconfiança o rosto da morena que estava retorcido em um desespero dissimulado. O que a garota tinha em mente? Pensava ele. O delicado dedo indicador apontava para algo atrás dele. Sabia que podia ser um blefe, mas ao ver que a feição dela ganhava alguns tons amedrontados a curiosidade foi mais forte e se recriminou quando olhou para trás dando a oportunidade perfeita para ela se esgueirar e se enfiar dentro de sua casa.

— Porque ainda confio nas mulheres? - disse em tom reprovativo e agonizado. — Garotinha mentirosa. - acusou-a. Na defensiva, Hinata levantou as duas mãos na altura dos ombros.

— Você disso que eu não poderia pisar mais em suas terras e tecnicamente – apontou para o chão. — não é em terra que estou pisando. Apontou para o chão de madeira lisa e encerada. 

Sorriu triunfante.

— Você entendeu o que quis dizer moleca. Agora saia da minha casa.

— Moleca? É assim que trata a sua babá senhor…

Hinata alçou as sobrancelhas esperando que ele completasse sua fala. Naruto olhava-a não acreditando em tamanha audácia e se perguntando aonde havia ido parar a garotinha ruborizada e que gaguejava pelo nervosismo. Pelo que via, havia sumido e dado lugar a uma outra pessoa.

— Naruto – disse por fim. — E você não é minha babá. - disse ele sentindo-se ridículo, imaginou Sasuke gargalhando, essa era uma das situações que ele pagaria para ver. O Uchiha não tinha um senso de humor saudável como todas as pessoas normais tinham, sabia que se essa história chegasse a aos ouvidos de Sasuke poderia dar adeus a sua frágil e inconstante paz. Amaldiçoava o compositor, ele não era talentoso somente nas horas de compor músicas, mas como também era um excelente piadista. Não duvidava que a sua situação serviria como inspiração para que ele tripudiasse e risse as suas custas.

— De acordo com este contrato aqui – Hinata remexeu em sua bolsa e retirou dali um papel. Ofereceu para o loiro que praticamente o arrancou de sua mão. — sou sua babá… acho que cuidadora seria um termo mais aceitável tanto pra mim quanto para você, já que…

Seus olhos rolaram novamente pelo corpo do "deus nórdico" como havia começado o chamar internamente.

Naruto amassou o papel e jogou-o de lado não se importando com o olhar reprovador que ela lhe lançava.

— Olha aqui garotinha…

— Não sou uma garotinha, já tenho dezenove e agradeceria se parasse de me chamar assim. - interrompeu-o.

— Menina olhe aqui, vamos olhe para mim – Naruto capturou o olhar da morena que mirava seus olhos de forma interrogativa, percebeu quando os olhos perolados desceram por todo seu corpo e viu de forma inocente ela molhar os lábios, o loiro se perguntava se aquelas eram reações inconscientes ou feitas com a única finalidade de o enlouquecer, sentiu um arrepio corroer sua espinha, pigarreou espantando aquela sensação. — Você acha que eu, um homem desse tamanho precise de uma babá? Essa ideia é estupidamente ridícula, sinto lhe dizer mas você foi enganada por meu pai, ele é um homem inescrupuloso e você não foi a única a cair nas ardis do velho Namikaze. Aquele lunático enviou três mulheres no período de quatro semanas – o que era para ser uma repreensão acabou se transformando em um monólogo, pois ele passou a falar consigo mesmo esquecendo-se por um momento de Hinata enquanto colocava pra fora a raiva e frustração que sentia pelas ações inconsequentes de Minato. — a desculpa da vez era que eram arrumadeiras, mas acredite, a única coisa que elas queriam de mim era arrumar uma forma de me deixar acabado – parou de caminhar em círculos e a olhou rapidamente. — se é que você me entende garotinha. Aquelas ninfomaníacas arrumavam formas curiosas e inacreditáveis para poderem me atacar, e dessa vez a desculpa é uma babá, uma babá. - Naruto quase gritou de exaspero.

Ele continuava a divagar sobre como independente era e como desde novo havia trabalhado por si mesmo não dependendo de ninguém, nem mesmo do pai, para qualquer coisa que fosse. Citou rapidamente que com seu trabalho duro e sem usar um centavo do pai comprou um apartamento simples e foi morar sozinho e de como superou as dificuldades que se colocaram em seu caminho.

O Uzumaki nem percebeu quando Hinata tomou assento na poltrona que ficava ao lado de uma estante repleta de livros, os olhos pérolas vasculhavam a sala de estar. Admirou o bom gosto e o estilo rústico e bastante masculino, ela acrescentou. A televisão ficava acima da lareira que parecia não ser usada, pois não tinha sinais de carvão e muito menos madeira. Notava certa desarrumação o que era normal para um homem que morava sozinho sem o auxilio de nenhuma mulher, pensou que depois que o convencesse dariam um jeito naquela bagunça. A primeira coisa que iria mudar seriam aquelas cortinas que tapavam a entrada de luz, os móveis eram empoeirados e tinha algumas teias de aranhas nas quinas do forro de madeira. Haviam muitos papeis espalhados na pequena mesa de centro, alguns estavam amassados e as bolinhas de papel se espalhavam por toda a sala. Estirou as pernas e as depositou sobre uma almofada gorda e fofa aos posta aos pés da poltrona. Imaginou as longas e definidas pernas de Naruto naquela mesma posição, sentiu suas pálpebras pesadas enquanto observava o loiro puxar suas madeixas longas para trás, mas elas voltavam a cair sobre seus olhos e novamente ele repetia a ação.

Não escapava dos olhos da morena a forma sensual que ele mexia seus lábios, concentrou-se no movimento que ele fazia ao o abrir e fechar, e já não conseguia ouvir uma palavra sequer que saia daqueles lábios que lhe prometiam a perdição. Suas pálpebras pesavam, havia acordado de madrugada quando estava tudo escuro. Estava nervosa e ansiosa para começar a trabalhar. Deixou-se ser levada pela inconsciência e dormiu.

Naruto percebendo o silencio e a falta da morena calou-se, seu rosto estava vermelho por ter falado demais e sem pausas, ficou um tanto perturbado por seu deslise, mas a raiva que sentia pelas interferências de seu pai lhe tiravam do prumo. Pigarreou incomodado e a procurou pela sala. Quando a encontrou não impediu o riso rouco que saiu de seus lábios, livrou-se das madeixas loiras que caíram sobre seus olhos enquanto a observava dormir calmamente em sua poltrona, ela ressonava. Sentiu-se um idiota, respirou fundo e soltou um pigarro. Sua garganta ardia como o inferno e a lembrança importuna de como ela havia ficado assim o assaltou.

Mas esqueceu-se do passado para observar as pernas esguias e esbeltas estiradas no pufe, seus dedos formigavam com intenções nada puras de tocá-las. E ele prendeu o ar quando em busca de uma posição confortável Hinata se mexeu fazendo o tecido do vestido subir deixando uma generosa porção de pele amostra, tragou a saliva que acumulava em sua boca. Gemeu de forma torturada.

— Deus todo-poderoso, estou perdido.


Notas Finais


Por hoje é isso pessoal!
Espero que tenham gostado. Deixem nos comentários qualquer dúvida que tiverem. Grande beijuu e até a próxima!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...