História Unbreakable - Capítulo 2


Escrita por: ~

Exibições 4
Palavras 2.190
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Harem, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Super Power, Violência, Visual Novel
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 2 - "E isso é apenas o começo, Cooper."


 


                   

"Agora minha vida mudou de muitas maneiras

Minha independência parece desaparecer na neblina

E cada vez que isso acontece, eu me sinto muito inseguro

Só sei que eu preciso de você

Como eu nunca tinha feito antes" (The beatles - Help)

 

 

 

-  Angelique? - Minha mãe falou em um tom elevado e eu voltei a mim, minha mente estava viajando pelo lugar onde estive ontem, passando pelo rosto de cada pessoa que mora ali. Aquilo realmente aconteceu?

- Hã? - Falei, ainda meio aérea.

- Filha, o que houve? Porque está tão distraída? - Ela estava fazendo ovos mexidos para o café da manhã.

- Eu só estou cansada, mãe... - Falei entre um suspiro e outro, a verdade era que eu estava exausta. Não dormi nada essa noite e eu estava com olheiras bem profundas, parecia mais um panda.

- Ah querida, já te disse que deveria tomar algum remédio para melhorar suas noites de sono. - Ela falava enquanto servia os ovos.

- Não quero remédios... -

- Ange, não vi os livros que você pegou ontem. - Ela disparou do nada, minhas mãos gelaram.

"Não conte nem a sua mãe", foi o que Luna disse. Em quem eu deveria confiar? Na mulher que me criou ou em alguém potencialmente suspeita com quem passei poucas horas? Bem... Não é que eu não confie em minha mãe, mas minha intuição dizia para eu guardar esse segredo.

- Ah... - Vamos Ange, pense em algo - Eu cheguei atrasada... Não tinha livros do meu interesse quando cheguei lá. -

- Poxa querida, que pena... - Ela chegou perto e depositou um beijo em minha testa. - Mas acho que você já tem material suficiente, hm? - E sorriu para mim.

- Mãe, eu vou chamar o Scott hoje... Preciso de ajuda com matemática. - Era mentira. Eu só queria conversar com meu melhor amigo.

- Por mim tudo bem, você sabe que Scott sempre foi bem-vindo aqui. - E era verdade, acho que Scott é a única pessoa que não representa um perigo para mim, segundo a minha mãe.

***

Eu estava esparramada no sofá da sala, perdida nos meus pensamentos quando ouvi algumas batidas na porta.

- Ange! - Scott me cumprimentou com um abraço.

- Hey Scott! - Eu retribui o abraço, mas estou certa que minha cara estava péssima, porque ele mudo seu semblante assim que me fitou.

- Nossa, você tá horrível! - Ele disse sem fazer cerimônia.

- Obrigada! É tudo que uma garota quer ouvir. - Ironizei. Ele riu.

Nós fomos para a mesa da cozinha com alguns livros e um caderno, Scott me explicava tudo pacientemente, mas minha cabeça estava longe.

- Okay, pode ir falando o que tá acontecendo. - Ele disparou depois de fechar o caderno com força para atrair minha atenção.

- O quê? Não tem nada acontecendo! - Rebati, um tanto desconfiada.

- Qual é Ange, aquela ligação estranha ontem e agora parece que sua cabeça tá em Nárnia. - Era tão difícil mentir para ele, mas o que eu poderia fazer? Eu não sabia se acreditava nisso tudo, como poderia fazer Scott acreditar?

- Eu tô bem, Scott! Mas que coisa, eu te liguei sem querer e foi só isso. E minha falta de atenção é graças a uma noite mal dormida. - Cada mentira que eu falava para ele, apertava mais meu coração.

- Pesadelos? - Ele me olhou preocupado. - Ainda sonha com mortes? - Eu assenti. Isso não era mentira.

É algo que me assombra desde que me entendo por gente, eu tenho pesadelos bizarros. Cada vez eu sonho, morro de uma forma diferente e isso é perturbador. Imagina você morrer todas as noites... Isso é demais até para uma pessoa com o psicólogico forte.

- Tá tudo bem, Scott... Não me olha com essa pena toda. - Eu suspirei.

- Talvez você devesse dormir um pouco... Eu vou estar aqui quando acordar, prometo. - A calma de Scott é algo que eu sempre admirei.

Depois de alguns minutos de insistência da parte dele, eu acabei por dormir mesmo. Meu sonho foi tão estranho... Quero dizer, mais do que o normal.

Estava quente, muito quente mesmo. Incêndio! O fogo ainda não havia chegado ao meu quarto, eu poderia fugir e ficar bem, mas... Mas algo me impedia... Foi então que ouvi o choro de um bebê, eu precisava salvar o bebê! Eu sai do quarto, a fumaça me sufocava e fazia meus olhos arderem e lagrimarem, mas eu tinha que salvar o meu bebê. Cheguei até o quartinho decorado em rosa e branco, e meu coração se apertou ao ver uma mulher de capa preta com o meu neném nos braços. Não! Solte ela! Solte agora! Esse bebê é meu, por favor, me deixe sair daqui com o meu bebê! Mas a mulher encapuzada apenas foi embora pela janela, me deixando presa ali na casa em chamas, eu poderia tentar correr, mas não consegui mover meus pés do chão e então...

Eu acordei.

Estava deitada na minha cama, o abajur no criado mudo iluminava me quarto e ali havia um bilhete.

"Ange, você capotou mesmo! Eu tive em ir embora, prometi a minha mãe que chegaria em casa antes das 22:30. Espero que descanse bem. 

Um beijo, Scott."

22:30? Mas que horas são? Eu não dormia ininterruptamente assim há tempos, mas a agonia do sonho ainda deixava meu coração disparado.

Peguei o celular e o liguei só para ver que horas eram. 2:47 da manhã. Uau, eu teria que ficar acordada por horas, não conseguiria dormir.

Resolvi ficar deitada na minha cama, na esperança de que o sono tomasse meu corpo outra vez, mas minha cabeça ia em devaneios até a casa misteriosa e cada um de seus moradores, um mais misterioso do que o outro. De repente, fui tomada por uma vontade inexplicável de ir até lá, queria saber mais, poderia parecer loucura, mas aquele lugar me chamava, eu podia sentir.

Talvez eu estivesse muito insana, levantei da minha cama e coloquei uma blusa de moletom roxa , calça jeans e uma touquinha preta. Eu saí pela janela do meu quarto, não era muito alta, mas fez um certo barulho. Fechei os olhos com força e implorei mentalmente para que minha mãe não houvesse acordado, eu estaria com sérios problemas. Fiquei parada alguns momentos, e quando confirmei de que estava tudo bem, eu fui andando pela rua.

Eu não tenho um rumo certo, só estou andando para clarear as ideias, gostaria de ir até o mini castelo, mas era uma caminhada longa demais e eu iria me arrepender no meio do caminho.

- Tsc, tsc, tsc, ouvi dizer que muitas meninas sumiram assim, andando por aí sozinhas no meio da noite. - A voz vinha de trás de mim, me virei e dei de cara com o Aoi de cabelo cacheado, me assustei.

- Você! - Minha voz saiu mais alta do que eu esperava. Ele chegou mais perto, até ficar ao meu lado.

- Luna achou que alguém deveria vir vigiar você para o caso de algo acontecer... - Ele disse calmamente, mas tenho certeza que senti um pontinha de decepção em sua voz - Aoi é muito preguiçoso e por isso o serviço sobrou para mim. - Ele deu de ombros, as orelhas de gato não estavam lá.

- As coisas só ficam mais confusas... - Murmurei - Defina o que quer dizer com "Algo acontecer" - Eu perguntei, mas acho que tenho medo da resposta.

- Bem, qualquer coisa pode acontecer... - Ele começou a andar e eu acompanhei, estranhamente não estava com vontade de sair correndo, ainda que a atitude fria e arrogante me incomodasse um pouco.

- Onde elas estão? - Perguntei, percebendo que ele não iria me explicar o que pedi. - As orelhas de gato. - Falei após notar a confusão que se formou no rosto dele por conta da pergunta vaga.

- Não são orelhas gato, sua tola. - Ele praticamente cuspiu as palavras - São de raposa. Eu sou uma raposa. - Ele explicou, preferi não perguntar mais a respeito, queria evitar aborrecimentos.

- Me desculpe, eu não entendo nada sobre isso. - Ironizei. - Qual... Seu nome?- Claro, eu estava sentindo que viria mais uma resposta mal humorada.

- Shu. - Mas para minha surpresa, isso foi tudo que ele disse.

- Shu... - Repeti. Era um nome tão simples e pequeno, mas ao mesmo tempo passava uma certa força e segurança. - Angelique... Mas acho que você já sabe. - Falei mais para mim do que para ele - Vocês parecem saber mais sobre mim do que eu mesma. - Neguei com a cabeça.

- Nós só sabemos que você é especial, era possível sentir isso emanar de você. - Enquanto ele falava, não se deu ao trabalho de olhar para mim. Shu era tão imponente...

- Porquê eu sou especial? - Questinei sem me dar ao trabalho de olhar para ele, fixei meus olhos no chão.

- Você deveria saber... No mínimo ter notado algo em todos esses anos. - Sua voz era tão seca que eu me senti diminuída.

- Eu não sei... Não tem nada de incomum em mim, por isso insisto em dizer que vocês erraram de pessoa. - Shu parecia nem estar me ouvindo, seus lábios eram uma linha rígida e sem emoção alguma, assim como seus olhos, a única coisa que passavam era frieza.

- Por mais que eu saiba que Luna nunca erra, a princípio achei que desta vez ela estivesse mesmo errada, mas quando te conheci, quando me aproximei o suficiente, eu pude sentir exatamente o que Luna sentiu. - Eu realmente não era capaz de entender, mas não iria retrucar, Shu tem o pavio curto demais.

- É tão complicado... - Suspirei.

- É complicado porque você ainda acha que isso é impossível, ainda nos julga como loucos. - Enquanto ele falava, o vento frio da madrugada agitava graciosamente os seus cachos.

- Você não pode me condenar por isso... Eu vivi 18 anos em uma realidade totalmente diferente, e vocês querem que eu aceite tudo assim da noite para dia... Não dá. - Eu desabafei, mas Shu não pareceu se importar.

- Isso é apenas o começo, Cooper. Você ainda vai descobrir grandes coisas... - Pude notar um tom sombrio na voz de Shu. - Deveria voltar para casa e dormir. -

- Eu não vou conseguir dormir. - Falei rapidamente.

- Claro que consegue. Apaga as luzes, relaxa na cama, e vai acabar adormecendo. - Ele falava com se fosse a coisa mais simples do mundo... E deveria ser.

- Eu não vou dormir com as luzes apagadas. - Rebati, mas isso foi mais um reflexo.

- O quê? Você tem medo do escuro? - Ele riu em deboche - Porquê será que não estou surpreso?-

- Não ria de mim! Todos têm um medo... Até mesmo você deve ter. - Me defendi, mas sinto que pareci mais uma menina chorona.

- Vá para casa, eu estarei por perto. - Ele parou e eu parei junto, Shu se virou para mim e seus olhos de cores diferentes o deixavam ainda mais assustador. - Estas olheiras entregam que você precisa mesmo dormir, garota.-

- Não! Eu não quero dormir! Dormir significa voltar para os pesadelos! - Admiti, sabendo que isso me deixava mais exposta do que eu gostaria.

- Pesadelos? Que tipo de pesadelos? - Ele questionou, eu mirei o chão.

- Eu sonho com mortes... Você sabe o que é morrer um pouco todas as noites? - Shu voltou a olhar para um ponto aleatório que nao era eu.

- Vamos, você não terá pesadelos. - Ele nem sequer esperou minha resposta, apenas me pegou pelo braço e me levou até em casa. - Entre e ponha o pijama, quando se vestir, avise. -

Eu não tinha certeza do que ele estava planejando, mas não iria contrariar alguém com temperamento tão imprevisível quanto o dele. Assim, pulei a janela, voltando ao meu quarto e coloquei o pijama com estampa de cupcakes e deitei na cama.

- Já estou deitada. Satisfeito? - Falei em um tom que fosse suficientemente alto para que Shu ouvisse e minha mãe não acordasse.

E antes que eu pudesse impedir ou argumentar, vi aquele cara adentrando meu quarto pela janela. Mas o que ele estava pensando?!

- Ei, o que tá fazendo? - Eu sentei na cama em um impulso. Shu, por sua vez, colocou o indicador na minha testa e empurrou minha cabeça até que eu deitasse novamente.

- Shhhh, menina tola, só dorme. - Ele dizia, mal humorado como sempre.

- Mas a minha mãe... - Se ela o visse ali, eu nem podia imaginar o que ia acontecer.

- Sua mãe não vai me ver, dorme! - Eu fiquei olhando para ele, incrédula. - Aqui, segure minha mão - Eu nem pude negar, porque ele já foi logo colocando sua mão sobre a minha.

E eu detesto admitir, mas eu não dormia bem assim há tempos. Sem pesadelos, sem sonhos, apenas um descanso bem aproveitado.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...