História Unbreakable - Capítulo 3


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Harem, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Super Power, Violência, Visual Novel
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 3 - "Basta que a gente deforme a marca"


 


  "Sem esperança, apenas mentiras
E você é ensinado a chorar em seu travesseiro
Mas eu sobrevivi" (Alive - Sia)

 


        

A semana passou em um piscar de olhos! Desde aquela noite eu não encontrei mais com Shu, mas vez ou outra podia sentir que estava sendo observada, isso me incomodava, mas eu não podia apenas sair resmungando para as paredes, iria parecer uma louca.

Minha mãe também colou em mim de uma forma que nunca tinha acontecido até agora. Ela sempre estava em casa e perto de mim, isso começava a me sufocar. Meu pai morreu quando eu ainda era muito novinha, não tinha nem um ano ainda, então eu não consigo me lembrar de nada relacionado a ele, o que pode ser um pouco triste as vezes, mas pelo menos eu tinha uma foto dele. Bem, fisicamente eu não tenho nada da minha mãe, ela é uma mulher alta, loira, olhos azuis, de corpo bem feito, muito bonita! Eu tenho muito do meu pai. Desde as sardinhas no rosto, até os longos cabelos negros, olhos também negros e pele pálida. Resumindo: Sou comum.

Várias vezes desde que eu soube sobre toda a história do sangue de fada e tal, me olhei no espelho, passei longos minutos encarando meu reflexo, tentando encontrar algo... Mágico? Mas, nada. É a Ange de sempre.

Cada vez, mais e mais perguntas vinham à minha cabeça, e eu ansiava por respostas. O que eu posso fazer? O que cada um deles pode fazer? Mas após todos esses questionamentos, eu desacreditava em mim mesma. Eu podia mesmo me apegar a possibilidade disso ser real? Mas, o que mais poderia justificar as orelhas estranhas de Aoi e Shu, e o fato de Doug se tornar um cachorro ameaçador em questão de segundos?

AAAAAH, MINHA CABEÇA ESTÁ DANDO UM NÓ!

Eu me revirava na cama em plena madrugada em meio a todos esses pensamentos, estava prestes a gritar de verdade. Decidi que deveria fazer minhas próprias pesquisas, peguei o celular e busquei por "yokai", nunca tinha ouvido falar sobre eles e imaginei que teria uma ideia do que Shu e Aoi seriam, tendo em base uma pesquisa no grande Google.

"Yōkai (妖怪, lit. demônio, espírito, ou monstro. ), também escrito como youkai, é uma classe de criaturas sobrenaturais do folclore japonês, que inclui o oni (lit. "ogro"), a kitsune (lit. "raposa") e a yuki-onna (lit. "mulher da neve")."

Eu abria várias e várias páginas aleatórias, quando ouvi um barulho vindo da janela e assim que dirigi meu olhar para lá, levei um baita susto ao ver um homem adentrando meu quarto, quase gritei, mas então reconheci os cachos negros e rebeldes e as orelhas de raposa (não são de gatinho) no topo da cabeça, mas ainda sim fiquei surpresa.

- Shu, o que tá fazendo aqui?! Ninguém te ensinou que não se invade o quarto dos outros assim em plena madrugada?! - Falei baixo, mas com intensidade, para que ele percebesse que eu não gostei nada daquilo, mas Shu apenas revirou os olhos e bufou.

- Do que tem medo? Que eu veja você se trocar? Não queria que fosse eu a te dizer isso, mas você não é muito atraente. - Ele falava isso com um sorriso maldoso, me encolhi na cama.

- O que você quer? - Perguntei, sustentando meu olhar acusador.

- Não, não. É o que você quer. - Ele proferiu apontando o dedo para mim. - Você quer ir até Luna, eu vou te levar. - Ele estava certo.

- Como pode afirmar isso, hein? Eu nunca disse tal coisa. - Okay, eu não ia dar razão a ele fácil assim.

- Fala sério, você tá pesquisando no Google, Angelique. - Ele dizia em um tom de tédio.

Me dei por vencida e levantei da cama, estava com uma blusa bem grande e calça de moletom, além das meias (eram de estampas diferentes porque não achei o par de cada uma.). Comecei a enrolar o cabelo em um coque no topo da cabeça, e algo em meu pescoço chamou a atenção de Shu.

- Ei, ei, ei. - Ele dizia alarmado enquanto chegava mais perto. - O que é isso? - Shu apontava para a manchinha de nascença que eu tenho no pescoço, um pouco atrás da orelha, geralmente eu uso o cabelo para esconder.

- É só uma marquinha de nascença. - Falei, me afastando. Shu murmurava algo com ele mesmo, e então pegou meu braço com certa força. - Ai! - Reclamei, mas ele ignorou.

- Vamos logo, não dá tempo de você se trocar. - Ele dizia, praticamente me jogando pela janela.

- Ei, vai com calma! - Estava reclamando furiosa.

Já lá fora, nós andamos um pouco (Ou melhor, eu fui arrastada por ele), até que paramos bem no meio da rua. Shu largou minha mão e me fitou com os olhos em chamas.

- Assim vai demorar demais. - Ele falava mais consigo do que comigo - Anda, sobe nas minhas costas. - Ele ordenou e eu corei.

- O quê? Será que pode me explicar o que está acontecendo?! - Perguntei já sem paciência.

- Não temos tempo, quando chegarmos Luna vai te explicar tudo. Anda, garota! Sobe nas minhas costas. - Ele quase gritou. Eu fiquei imóvel por um momento, mas achei melhor obedecer. Subi nas costas de Shu e segurei em seus ombros.

Ele segurou minhas pernas que estavam em volta do seu tronco, eu podia sentir o cheiro dele, terra molhada. E então, Shu começou a correr. Ele correu de uma forma tão veloz que eu tive que segurar ele com mais força, o mundo a minha volta tornou-se um borrão. Em determinado momento ele virou um pouco o rosto e eu pude ver seu olho verde brilhando. Sim, os olhos de Shu estavam brilhando como chamas azul e verde sobre a escuridão da noite, aquilo sem dúvidas o deixava ainda mais fascinante, eu também notei que suas orelhas pareciam um pouco mais pontudas e os cabelos cacheados se agitavam com o vento.

Em questão de minutos, ele parou em frente ao mini castelo, eu desci das costas de Shu, estava com as pernas bambas, mas consegui me equilibrar. Quando ele virou - se de frente para mim, eu pude vê-lo melhor. Seus olhos realmente brilhavam, em suas mãos, as unhas se tornaram maiores e mais afiadas, seu rosto mais voraz e ao mesmo tempo mais instigante. "Shu parece tão selvagem... Então é assim que é um yokai." Pensei.

- O que está esperando? Entra! - Como sempre, um amor.

- Você é um poço de gentileza, Shu. - Ironizei e adentrei a casa.

Assim que pus os pés lá, Doug veio me receber, brincando e latindo de forma divertida para mim, mas eu dei um passo para trás e neguei com a cabeça.

- Você não vai me enganar duas vezes. - Resmunguei para o cachorro e virei o rosto a tempo de ver Aoi sentado no sofá, rindo de mim. Seus cabelos estavam impecavelmente liso e azul.

- Doug é sensível, não fale assim com ele. - Aoi falava de forma brincalhona, mas eu não pude responder porque Shu passou por mim e pegou outra vez no meu braço, me arrastando para o que eu podia dizer que era a sala de jantar.

- Mas você adora arrastar os outros por aí, hein? - Reclamei e então vi Luna sentada a mesa junto a uma criança. A menina deveria ter uns 9 anos, ela usava uma camisola rosa e cheia de babados, parecia uma princesa. De longe, pude ver que ela tem cabelos cor de mel e ondulados, não era branquela como eu, a garota é coradinha e fofa.

- Boa noite, Ange. - Luna me recebeu com um sorriso e eu sorri de forma forçada de volta.

- Shuuuuuuuu - A menininha pulou da cadeira e foi correndo até Shu, com um enorme sorriso e braços abertos. Ele por sua vez, recebeu o abraço dela e a pegou no colo.

- Lovely, não deveria estar dormindo? - Ele perguntou de uma forma carinhosa, por um momento achei que estava tendo uma alucinação.

- Eu não quero dormir, Shu. Dormir é chato, eu quero brincar! - Ela falava de forma elétrica. - Shu, quem é essa moça? - Desta vez, a menina cochichou, mas eu ouvi.

- Ela se chama Angelique. - Ele proferiu calmamente.

- Ela é como eu? - Os olhos da menina eram azuis como o oceano e cintilavam.

- Sim, ela é como você. -Shu dizia, sorrindo para a criança. Ela foi para o chão a caminhou até onde eu estava.

- Olá - Eu disse e sorri.

- Olá, eu me chamo Lovely. Qual seu poder? - Nossa, que direta. Eu olhei para Luna e depois para Shu, esperando que eles tivessem alguma respostas, mas nada.

- Ér... Eu não sei. - Admiti.

- Tudo bem. Você só tem que se concentrar e vai descobrir. - Ela sorria animadamente.

- Lovely, porque não vai brincar com o Doug, hm? Luna e eu precisamos conversar com Angelique. - Shu sugeriu e a menina foi saltitando atrás do cachorro.

- Você parece tenso, Shu. - Luna falava, sem dirigir o olhar para ele.

- Angelique tem um selo. - Ele falou de uma vez só, e eu estava perdida igual cego em tiroteio em meio a conversa. Eu vi a expressão de Luna ficar surpresa, os cabelos dela continuavam uma enorme bagunça e as roupas ainda pareciam trapos.

- Bom, isso explicaria muita coisa... - Ela refletiu.

- Como o porquê de não a termos notado antes. O selo deve estar enfraquecendo, mas ainda a limita. - Shu parecia concentrado.

- Angelique, me deixe ver. - Luna pediu, e eu fui até ela.

- Acho que ele deve estar falando disso... - Eu mostrei o pescoço para ela. Vi os olhos negros de Luna se surpreenderem diante daquilo.

- De fato, isto limita seus poderes, por isso ainda não os manifestou. - A voz de Luna era calma e tranquila como a de uma mãe - Mas o selo não está mais tão forte a ponto de conter sua essência. -

-Desculpe... Eu ainda não sou capaz de entender. - Suspirei.

- Alguém colocou um selo em você. Alguém que sabe que você é especial. - Shu dizia sem muita paciência.

- O quê? Quem faria isso? - Questionei, espantada.

- Você está selada, deveria saber quem o fez. - Ele falava em tom de deboche.

- Está bem, acho que podemos anular isso. Basta que a gente deforme a marca. - Luna disse por fim, mas algo me incomodou na parte do "deformar" a marca.

- Opa, opa, o que estão querendo deformar? É do meu pescoço que estão falando! - Eu recuei.

- Nós temos muitas questões a serem resolvidas, Shu. - Luna me ignorou completamente. - Precisamos sentar e conversar. Eu, você, Aoi e Angelique. - E então ela virou-se para mim - Não se preocupe, hm? Ninguém aqui quer te fazer mal. - Luna disse, e sorriu. Isso não me deixou nem um pouco mais calma.

Shu então se retirou e foi chamar Aoi. Luna me observava com aqueles olhos negros e profundos e eu sentia meu estômago revirar pela ansiedade.

- Shu é alguém de bom coração. - Ela disse - Talvez ele seja um pouco hostil no começo, mas vai ver que ele e todos os outros aqui são pessoas ótimas, com histórias trágicas. - Luna sorriu e eu acenei em positivo com a cabeça, sem saber exatamente o que deveria falar.

Pouco tempo depois, Shu e Aoi entraram e se sentaram a mesa conosco. Aoi sorriu e deu uma piscadela para mim e eu só virei o rosto fingindo não ver.

- Shu já me falou sobre o selo. - Aoi começou a falar - Mas e então, como vamos quebra-lo? -

- Eu acho que devemos nos preocupar com quem colocou esse selo aí - Shu interferiu, parecia que eles falavam sobre algo que eu não entendia ou não deveria saber, típico. - Se foi uma pessoa próxima a Angelique, vai ver que o selo foi rompido e isso vai levantar desconfiança. Temos que analisar de todos os pontos. - De fato, Shu tinha muitas faces. A face raivosa, de quando eu puxei sua orelha, a de tédio, da noite em que passeamos, de surpresa, ao ver o suposto selo, de cuidado, que apareceu enquanto ele segurava a Lovely e agora eu via sua face séria, que parecia tratar de um assunto muito delicado.

- Está dizendo para deixar ela assim? Shu, o selo não está mais tão forte, qualquer um vai notar que ela tem sangue de fada, e você sabe que nem todas as criaturas são pacíficas. - Aoi dizia em um tom casual, me pareceu que não fazia muita diferença para ele, mas não pude deixar de sentir uma pontinha de medo.

- Os dois estão certos, mas temos que ver o que será melhor para Angelique. - Luna dizia calmamente.

- Luna, você é um yokai? - Perguntei, tentando tirar o foco da conversa de mim, Aoi riu.

- Yokai? Luna é uma deusa. - Aoi falava claramente debochando de mim.

- Deusa...? - Repeti, sem ter certeza se ele estava me tirando ou falando sério.

- Deusa da lua, Luna. - Shu entrou na conversa. Luna apenas sorriu docemente.

- Depois explicaremos tudo sobre nosso mundo, Ange. - Ela proferiu, eu acenei em positivo. - Então, acredito que a melhor coisa que faríamos seria acabar com o selo. Ange está vulnerável sem seus poderes e não terá como se defender caso algo aconteça, ainda mais se a pessoa que a selou resolver atacar. - Desta vez, Luna assumiu um tom sério, e eu estava sentindo que a remoção do tal selo seria bem desconfortável só por ver a expressão de Shu.

- Mas Luna... - Shu tentou argumentar mas foi interrompido por Aoi.

- Shu, ela está certa, você sabe. - Ele dizia, passando a mão pelos fios azuis. - Angelique, você precisa ser corajosa. - Ele proferiu, e eu senti um frio correr pela minha espinha.


Notas Finais


Obrigada por ler!


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