História Uncover - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camila, Camren, Camren G!p, Fifth Harmony, Lauren
Exibições 3.811
Palavras 9.234
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P), Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu quero começar agradecendo com todo o meu coração a recepção de vocês com Uncover, foi maravilhosa e tirou um peso do meu ombro. Vocês nunca vão fazer ideia do quão importantes são na minha vida, do quão feliz eu sou por vocês que estão sempre conversando comigo e sendo as pessoas que me dão mais suporte e amor em todos esses 21 anos de vida que tenho trilhado. Vocês são os amores da minha vida.

Quero deixar claro que os planos para a fanfic continuarão sendo os mesmos, tudo o que aconteceu no capitulo passado, aconteceria sendo com outra autora ou não. Claro que agora terá o meu toque e coisas do meu gosto, e isso inclui drama sim. Eu sou escritora de drama/tragédia, é meu gênero de escrita, me surpreendo que ainda tenha pessoas que esperem outra coisa de mim.

Capítulo 16 - Neon Lights


Fanfic / Fanfiction Uncover - Capítulo 16 - Neon Lights

(Camila)

– Você está terminando comigo?

Olhei em volta procurando por bisbilhoteiros que pudessem estar ouvindo nossa conversa, mas os poucos alunos em frente à escola estavam mais preocupados com seus celulares e conversas sem sentido algum. Respirei fundo e olhei outra vez para Dominic, que me encarava em choque esperando por uma resposta ou alguma reação ao seu quase grito. É claro que eu não precisava de uma cena em frente a todos os idiotas que, em poucos segundos, fariam um grande telefone sem fio pela escola falando sobre como minha separação com o cara legal da faculdade fora trágica. Não. Eu precisava me manter séria e ainda controlar Dominic e sua repentina surpresa quando eu simplesmente lhe disse que não estava mais satisfeita com nosso namoro.

Agora, encostado em seu carro e com os olhos arregalados, ele esperava que eu dissesse que tudo não passava de uma brincadeira, e que à tarde o estaria esperando para que assim, pudéssemos passar o resto da tarde com sua mãe falando sobre as viagens em família e comendo lasanha.

– Exatamente. – falei, apertando com mais força a alça da minha bolsa de torcida. Não mentiria dizendo que estava feliz com aquela separação, mas nossa relação havia esfriado e meus sentimentos para com ele não passavam de amizade.– Você passa mais tempo com os caras da faculdade, e eu entendo que esteja curtindo sua fase de universitário, mas nossa relação caiu na rotina e eu não preciso disso agora.

Dominic me olhava com espanto e certa tristeza, eu sabia que ele gostava de mim como eu nunca seria capaz de retribuir; não se pode esperar amor de um coração ferido. E o meu estava ferido, trancado e inacessível.

– Olha o que está dizendo, Camila...nós passamos por tantas coisas juntos, você não pode simplesmente desistir de tudo. – ele estava tentando me fazer mudar de ideia, eu sabia disso. Mas eu também sabia que ele sabia que eu não mudaria.

Mantive meu olhar impassível, como o uniforme que eu vestia me obrigava a ser.

– Você é um cara legal, Dom. – fui sincera, com a voz baixa e segurando suas mãos. – Mas somos partes de quebra cabeças diferentes. Você quer um relacionamento sólido e rotineiro; eu não.

No fundo havia um outro grande motivo que se tornara a gota d'Água para o término daquele relacionamento fadado ao fracasso, e ela tinha um nome e endereço. E belos olhos. Ela acabara de entrar no estacionamento com sua caminhonete velha, procurando vaga entre os carros populares. Eu a observei sair da caminhonete e passar a alça da bolsa de lado pelo pescoço, enquanto seus olhos nunca abandonavam o chão. Foi como câmera lenta que a vi atravessar o estacionamento, e como um imã a atraindo para mim, seus olhos ergueram diretamente para os meus, me encarando com a intensidade que só aquelas esmeraldas proporcionavam. Dominic continuava a falar, eu acho, não tenho certeza; mas ela também continuava caminhando com minha atenção presa a ela, porque no fundo ambas sabíamos que eu estava tendo aquela conversa pelo nosso trato. Seu olhar era questionador e surpreso, talvez ela não acreditasse que eu realmente cumprisse com a minha palavra da noite passada, mas eu também esperava que ela cumprisse com a dela e afastasse Amber vadia Heard para então, sermos apenas uma da outra.

Ok, foi estranho. Não uma da outra como um relacionamento, eu gosto apenas de exclusividade. Se vou transar com Lauren, será apenas com ela, o meu pecado mais delicioso; o meu pequeno segredinho.

O meu Michelangelo.

– Você está me escutando? – a voz possessa de Dominic me tirou do mundo de Lauren e chamou minha atenção outra vez para ele. – Eu estou falando sobre nos acertamos e você nem mesmo esta prestando atenção, Camila.

Soltei suas mãos e massageei minha têmpora, me certificando de não perder a paciência com ele. Eu estava dando o meu melhor para ser paciente e cuidadosa com as palavras, mas Dominic estava começando a me tirar do sério.

É pra isso que existe a tal frase clichê:

– Não é você, sou eu, okay? – gesticulei, fingindo estar triste também. – Eu não quero mais namorar, ponto final.

A expressão de Dominic caiu e seus ombros também. Eu poderia ter pena se não soubesse que era o melhor para nós dois.

– Você não me ama mais?

Eu nunca amei, pensei. Como ele não pode ter sido capaz de distinguir meus sentimentos quando tudo o que fazíamos era transar e falar sobre a faculdade e a escola? Não tínhamos encontros porque ele sempre estava ocupado com a faculdade, suas declarações de amor nunca eram retribuídas e o único momento que eu me entregava inteiramente à ele se resumia ao sexo. Como uma pessoa pode viver amando por duas?

– Não. – fria, como foi como minha voz soou.

Ele precisava disso pra saber que não adiantaria insistir em algo que na verdade nunca existiu. Dominic abriu e fechou a boca outra vez, mas desistiu quando não encontrou nenhum tipo de arrependimento em meus olhos.

Ele assentiu, e desencostou-se do carro com um semblante quebrado.

– Tudo bem...eu vou te dar um tempo. Em algumas semanas tento ligar e...eu não sei, talvez possamos conversar.

Concordei, sabendo que, quando ele ligasse, seu número estaria bloqueado.

– Okay.

Uma simples palavra de concordância foi a última trocada entre nós pelo que, eu tinha certeza, seria um término definitivo. Dominic deixou um beijo demorado no topo da minha cabeça e entrou no carro sem me olhar ou dizer qualquer coisa; poucos segundos depois seu carro tinha desaparecido, e eu me sentia melhor como nunca.

Quando entrei na escola procurando por meus amigos e sentindo como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas, encontrei Lauren e Amber conversando próximas aos armários, aos sussurros. Sorri vitoriosa quando Amber deixou um beijo na bochecha de Lauren e lhe estregou alguns livros, que provavelmente havia sido derrubados. Mas...espere! Lauren parecia chateada? Ela realmente estava começando a gostando daquela loira da farmácia? Cerrei os olhos e empurrei um garoto da minha frente, não perderia por nada aquela ceninha estúpida.

– Camila? – ouvi uma voz me chama logo atrás, mas eu não dei atenção e continuei parada com as narinas infladas de raiva.

Se Lauren desse para trás com o nosso trato eu faria a vida dela um verdadeiro inferno fora da escola. Ela sabia disso quando aceitou, não entendo o porquê de aparentar tristeza por deixar uma babaca quando poderia ter a mim, a rainha daquela escola. Estou sendo fútil, outra vez. É claro que eu estava, se havia algo do qual eu não me orgulhava, esse algo sempre seria o meu orgulho. Ninguém o fere e não sai ferido, ninguém me faz de boba e sai impune, eu já fui maltratada e enganada o bastante pra deixar que isso se repita.

– Srta. Cabello!

– O que é? – olhei sobre o ombro com raiva.

A professora Eliza me encarava com desdém, os braços cruzados e o olhar intercalando entre a cena patética e eu. O que? Eu estava sendo óbvia demais? Olhei para os lados me certificando de que não estava sendo assistida por mais pessoas, e suspirei aliviada.

– Sinto muito em atrapalhar a sua...programação interessante. – olhou novamente para Lauren. Senti minhas bochechas esquentarem no mesmo instante. – Mas a senhorita é a amiga mais próxima de Jasmine, e eu gostaria de saber se há algo errado com ela?

Há algo errado com ela? O que?

Só então algo fez sentido na minha cabeça e eu procurei em volta outra vez, procurando pelos meus amigos e, principalmente, por Jasmine, que sempre me esperava na entrada da escola. Era a primeira vez no dia em que notava sua ausência, o que me deixou ainda mais confusa.

– Algo errado? – perguntei, virando-me totalmente para Eliza e decidindo ignorar o assunto Lauren no momento.

A professora assentiu comprimindo os lábios, ela provavelmente entendera que eu não fazia ideia sobre o que estava se passando com Jasmine.

– Ela tem faltado mais no último mês que em todo o ano passado. – ela falou de maneira séria. – E como vocês estão sempre juntas, presumi que talvez a senhorita soubesse de algo... - foi então que seus olhos se tornaram mais escuros e decepcionados. – Vejo que pensei errado.

Perdi as palavras por um momento. Era certo que o comportamento de Jasmine vinha causando estranhamento há vários dias, mas minha cabeça esteve ocupada demais para assimilar que havia algo errado acontecendo com ela. De repente, me vi preocupada com uma amiga de escola e me perguntando se ela estaria precisando de ajuda; conclui então, que eu era uma péssima amiga.

– Eu não sei de nada, desculpe. – falei friamente.

Uma característica minha que eu odiava, era a de desviar os olhos quando estava nervosa ou mentindo. Nesse caso, foquei em alguns jogadores de hóquei que conversavam com Bea e Anna do time de torcida.

– Avise-me se souber de algo. – aquilo não foi nem um pedido.

Eliza passou por mim como se eu fosse um ser desprezível e continuou sem caminho, sorrindo amigavelmente para alguns alunos que encontrou no caminho. Virei-me outra vez a procura de Lauren, mas o lugar estava vazio.

Caminhei decidida em direção às garotas de torcida com uma expressão não muito agradável, o que foi notado por elas que engoliram em seco com minha aproximação.

– E aí, Camilinha. – cumprimentou Denny, um dos jogadores.

– Cale a boca. – o ignorei. Olhei para as garotas intimidadas. – Onde estão meus amigos?

As duas garotas se entreolharam amedrontadas, fazendo sinais uma para a outra com olhares. Revirei os olhos com o pingo de paciência que me restava.

– Você, Bea não é? – apontei para a garota loira, a mesma assentiu prendendo a respiração. –Sabe onde estão?

Eu devo ser mesmo um demônio nessa escola para ser tão temida como agora, pelas minhas próprias líderes de torcida. A garota engoliu em seco.

– B-Brad chegou mais cedo, ele chegou gritando e acusando algumas pessoas sobre o carro dele. Você sabe o que aconteceu?

Sorri internamente.

– Não, o que? – perguntei cinicamente.

Os jogadores de hóquei se despediram de Anna e nos deixaram sozinhas no corredor quando o sinal tocou.

– Parece que vandalizaram o carro dele ontem na festa. – disse Anna mais confiante. – Você não estava lá?

– É claro que eu estava lá, só tinha coisas mais interessantes a fazer. – revirei os outros como se não importasse. – E Bob? Jasmine? Hannah?

Bea abriu a boca para responder, mas foi cortada por Anna.

– Bob e Jasmine não apareceram até agora. Hannah também não.

Que porra estava acontecendo?

Tirei meu celular da bolsa e comecei a caminhar para a aula de inglês, procurando por alguma mensagens dos idiotas, mas não havia nada. Não se tratava de apenas um problema, agora eram três que estavam encrencados nas minhas mãos por desaparecerem. E se Bob tivesse ido à polícia e Hannah o acompanhado? E se Jasmine estivesse grávida? Tantas perguntas e nenhuma droga da resposta.

Lauren já estava na aula quando entrei na sala por último, recebendo uma advertência verbal do professor James. Aquela era a única aula de inglês que Lauren e eu compartilhávamos juntas na semana, o que me deixava um pouco nervosa por sentar duas cadeiras à sua frente, com seu olhar compenetrado em cada passo meu. Lauren era a única pessoa no mundo que tinha o poder de me deixar nervosa, ela só não sabia mais disso. Eu não sabia se tratava-se da intensidade do seu olhar ou da maneira amorosa com a qual ela me olhava, mas eu gostava de ter essa sensação. Era estranho e ao mesmo tempo excitante pensar que eu estava em um acordo de sexo com a garota sentada logo atrás, e que seus olhos estavam provavelmente presos em mim agora. Mas eu gostava. Ter Lauren por perto, me beijando como ela fazia, me fodendo ou apenas ao meu lado, me arrastava ao pouco para a realidade, trazia algo bom de mim. Com ela eu me sentia aventureira, liberta e especial. Nós poderíamos ser o que quiséssemos juntas, como sempre fora.

É claro que ela nunca saberia desse lado meu. Lauren precisava pensar eu estava cedendo à ela apenas pelo sexo, nada mais que isso. Não posso imaginar o que aconteceria se ela soubesse que me faz sentir a única garota da terra quando me olha, não mesmo. Talvez seja errado querer estar com alguém pra alimentar o próprio ego, porque Lauren fazia isso com o meu, mas não posso arriscar te-la machucada outra vez por minha causa. Eu era uma bomba prestes a explodir, uma bomba que ninguém sabia manusear e que não vinha com manual de instruções. Ninguém poderia entender os sentimentos conflituosos e inseguros dentro de mim quando nem mesmo eu o fazia. Se eu tivesse uma consciência perfeita, ela diria para afastar Lauren outra vez e voltar a não se importar com ela; é menos confuso pra mim e menos doloroso pra ela. Eu nunca seria a melhor amiga que ela teve um dia, e ela nunca seria a garota por quem me apaixonei perdidamente.

– ...sobre a composição de Leonard Cohen, Hallelujah. Uma das músicas mais polêmicas e da história e interpretada diversas vezes, de diferentes formas, por diferentes especialistas da música. – voltei minha atenção ao professor que terminava de explicar a matéria. As garotas do time de torcida conversavam entre si e os jogadores praticamente dormiam sobre as mesas, já uma pequena parcela da sala, que com toda a certeza incluía Lauren, prestava atenção no professor. Eu não era nem um e nem outro, estava de mau humor e ninguém ousaria falar comigo naquele momento apenas pela minha expressão fechada. O professor foi até o quadro e escreveu "Leonard Cohen, Hallelujah, 1984." – Ela já foi regravada várias vezes e, dependendo do interpreto, a música pode ter entonação depressiva, exultante, sexy. Depende do estado de espírito de quem a executa.

Eu conhecia essa música, era uma das minhas preferidas de todos os tempos. O tipo de música que, não importava quantas vezes eu ouvisse, sempre terminaria chorando como um bebê enrolada no meu edredom.

– Hoje – continuou o professor, encostando-se à mesa e cruzando os braços para a turma. – eu quero ouvir a interpretação de vocês.

Afundei-me na cadeira controlando meus instintos para erguer a mão. Lauren e eu costumávamos ouvir essa música em seu quarto sempre que meus pais discutiam e Sofia e eu passávamos a noite com ela.

O professor James apontou para alguém atrás de mim, e eu tremi em expectativa.

– Fala sobre amor e a imperfeição problemática que é a experiência de amar. – foi impossível conter os arrepios pelo meu corpo quando a voz rouca de Lauren soou. Um jogador começou a caçoar dela chamando-a de nerd, mas foi calado pelo professor. –Ao longo da música nos deparamos com duas histórias bíblicas: Davi de Israel, Betsebá, Sansão e Dalila. – cruzei meus braços contra o corpo e contive a respiração pesada que se instalou em meu peito. Nós costumávamos discutir essa interpretação juntas. – Davi costumava tocar acordes ao Senhor, e é à ele que a primeira estrofe da música se refere. Na frase "a menor cai e a maior sobe", ele não fala apenas sobre os acordes da música; fala também sobre como as pessoas menores caem enquanto os grandes se erguem. – senti como um tapa na cara sua indireta. Agora, mais do que nunca, sabia que seus olhos estavam cravados na minha nuca. – Cohen encerra a estrofe com "o rei desnorteado compondo o Hallelujah" que aborda o episódio em que Davi, já rei, observa do alto do telhado Betsabá, mulher de Urias, se banhando, e é seduzido. Ele então a seduz e comete pecado aos olhos de Deus. Grávida, Betsebá torna-se mulher de David após a morte do marido no campo de batalha, mas seu filho morre por juízo divino. Punição.

– Isso não passa de uma interpretação religiosa. – o garoto sentado ao meu lado a interrompeu. Não me lembrava de seu nome, mas já o tinha visto em algumas aulas. – E pra mim, que sou ateu? E música pode se tratar de um cara que foi seduzido, e enganado. As citações bíblicas servem apenas para embelezar a música aos cristãos na época.

O professor maneou a cabeça.

– Como eu disse, a música serve para muitas interpretações, Sr. Danes. Já ouvi teorias de que os protagonistas da música se tratavam de seres divinos, outras de humanos, não há nada concreto, e é isso que torna a música tão instigante. – ele explicou, e voltou-se para Lauren. – Muito bom, Srta. Jauregui, é uma visão fantástica da interpretação. Alguém mais pode me dizer o que vem na próxima estrofe?

Foi automático: ergui a mão chamando a atenção não só do professor, mas também de toda a classe. Era a primeira vez como popular que eu me pronunciava ao professor em alguma aula, e com certeza seria questionada sobre isso depois, mas no momento eu estava mais preocupada em manter a linha de raciocínio de Lauren sobre minha música.

–Srta. Cabello? – o professor perguntou surpreso, e isso me irritou.

– Conta a história de Dalila, que, após descobrir a força de Sansão, o faz adormecer sobre seu colo para que os filisteus cortem seus cabelos, em troca de moedas de prata. Quando Cohen canta "e dos seus lábios ela desenhou um Hallelujah", encerra um trecho da música que mostra como o amor pode levar a situações trágicas. – devolvi a alfinetada de bom grado. Lauren nunca entenderia que o meu amor por ela há alguns anos fez com que eu a poupasse de tomar minhas dores para ela, fez com que eu a poupasse de me seguir para um mundo sujo e cruel como o que que vivia agora. – Nos versos seguintes, Cohen mostra que sabe como é ser sozinho também, e a próxima é extremamente erótica. Fala de expor sentimentos, mas também de ver o corpo nu, de se entregar ao sexo. Prova disso é o verso seguinte: se lembra quando eu entrei em você? A pomba citada pode significar paz entre esses dois indivíduos, algo que já não há, mas traz um toque de sacrilégio, como se o sexo fosse algo digno de adoração, sagrado. 

Um alfinete poderia se ouvido se caísse nesse exato momento. Exatamente todas as pessoas prestavam atenção em mim quando terminou de falar, algumas com expressões abestadas, outras surpresas, e o professor que parecia muito orgulhoso. Continuei ignorando a todos ao meu redor, me perguntando se Lauren tinha recebido o meu recado subentendido.

– Excelente, Srta. Cabello! – exclamou o professor com um enorme sorriso no rosto, talvez por ter feito a garota popular falar em sua aula. – Alguém mais pode me dizer a que conclusão chegamos com essa música?

– Que o relacionamento claramente desandou, a forma de amar não é mais a mesma. – eu não esperava ouvir a voz de Lauren tão confiante atrás de mim. – Cohen conclui tudo ao falar: "talvez exista mesmo um Deus, mas tudo que aprendi sobre o amor foi como atirar em alguém que desarmou você". Amar não é isso, é apenas um Hallelujah frio e quebrado.

Engoli com dificuldade. Suas últimas palavras foram amargas, e a sensação de estar sendo encarnada se intensificou. O professor esteve impressionada com Lauren e eu, mas não obteve nenhuma palavra de minha boca pelo resto da aula. Meu único pensamento era o por que de Lauren ter aceito nosso trato se ainda estava claramente magoada comigo. Ela não faria isso pelo sexo, mas não tenho certeza. Eu sou a maior prova viva de que pessoas podem perder-se em suas mentes e tornarem-se verdadeiros monstros.

Quando o sinal tocou, Lauren passou por mim em dispara com sua mochila outra o peito, e eu não perdi tempo em segui-la pelo corredor cheio, desviando os baba ovos que tentavam a todo custo chamar minha atenção. Foi quando ela entrou no corredor vazio do laboratório que tive a brilhante ideia de agarrar seu pulso e arrasta-la para a primeira sala vazia que encontrei.

– Você enlouqueceu? Eu tenho esgrima agora, Camila! – ralhou alto, soltando seu pulso em um movimento brusco.

Certifiquei-me de que não havia ninguém passando pelo corredor e fechei a porta, escorando-me na mesma por precaução.

– O que foi aquilo? – ignorei sua pergunta. – Tenho certeza que disse todas aquelas coisas olhando pra mim. Por que? Tem noção que alguém poderia ter notado?

Lauren jogou os braços no ar em desdém e riu amargamente.

– Sua querida reputação está a salvo, Camila. Ninguém nunca vai suspeitar que a rainha da escola está saindo com a nerd lésbica!

Senti meu peito afundar com a forma que se referiu a si mesma.

– Não fale assim. Só precisamos manter as coisas como estão as vistas dos outros. Tem noção do que fariam com você se soubessem que está transando comigo?

Ela fez uma careta quando mencionei transar, esse termo sempre fora esdrúxulo demais para ela.

– Vamos pular a parte em que você finge que se importa comigo e falar sobre manter olhares, mãos e palavras longe uma da outra na escola, ok? – seu rosto suavizou-se e seus ombros caíram. – Eu conversei com Amber, não temos mais nada.

Um sorriso involuntário nasceu em meus lábios.

– Agora você é só minha? – perguntei, aproximando-me dela.

Um brilho doloroso nasceu em seus olhos, algo que eu não soube interpretar.

– Sim. – respondeu séria.

Envolvi seu pescoço em um abraço e colei seu corpo no meu, fazendo-a fechar os olhos e apreciar o carinho que minhas unhas proporcionaram em sua nuca. Pincelei o nariz no dela e beijei cuidadosamente seus lábios, apenas um encostar de lábios, o suficiente para suas mãos agarrarem minha cintura.

– Ótimo, eu sou sua também. – sorri contra seus lábios, forçando meu quadril contra o dela em provocação. – Tenho uma surpresa hoje à noite, passo na sua casa às nove.

Lauren abriu os olhos, focando-os nos meus lábios que resvalavam contra os seus.

– Outra invasão? Mais carros pra vandalizar?

Sorri abertamente, negando com a cabeça. Levei a mão direita até seu rosto e contornei seus traços perfeitos, o óculos grande e deixei que meus dedos se embrenhassem novamente nos cabelos sedosos.

– Hoje a noite será nossa, babe. – capturei seu lábio inferior com o meu e o chupei, para então morde-lo e afastar alguns centímetros, trazendo-a junto.

Lauren apertou minha cintura com mais força quando apertei ainda mais os dentes em seu lábio, e então me empurrei levemente para soltar.

– Você é louca.

– Bem vinda ao meu mundo.

***

Mais tarde, naquela noite, Sofia me ajudava a escolher uma roupa para a ocasião em especial. Eu queria estar bonita e sexy para Lauren, desejava ter suas esmeraldas medindo as curvas do meu corpo outra vez e ardendo em desejo unicamente por mim. É claro que Sofia não precisava saber disso, ela apenas mandava que eu vestisse o que aparecia na frente. A escolha da noite acabou sendo uma saia rodada preta de cintura alta, blusa branca de mangas longas, salto preto e um colar também branco. Baguncei um pouco meu cabelo e passei uma maquiagem leve, longe de todo o conteúdo pesado que era obrigada a passar no rosto todos os dias para esconder as imperfeições.

– A Lolo vai gostar desse. – Sofia apontou para a minha imagem no espelho. – Ela gosta de qualquer coisa, na verdade.

Nós rimos de seu comentário. Lauren nunca foi ligada à moda ou as roupas que vestia, um exemplo era o seu guarda-roupas lotado de camisas de super heróis, todos os tênis da marca all star e calças.

– Lauren é diferente, Sofi.

E ela realmente era.

Descemos as escadas enquanto eu checava minha caixa de mensagens. Nada. Nem mesmo a mensagem que mandara na escola para Jasmine havia sido respondida, o que estava começando a me preocupar. Meus pais estavam na sala assistindo TV, um em cada sofá, e responderam com um "até logo", quando avisei que estava saindo. Sofia me acompanhou até a garagem, e ficou parada no jardim de casa quando parei o carro em frente a casa de Lauren e toquei campainha. Dessa vez ela atendeu rápido, e tirou o meu fôlego com a calça preta rasgada, o all star preto e branco, e camisa preta do Pink Floyd e uma jaqueta jeans amarrada na cintura, sem contar a bolsa de couro atravessadas em seu pescoço.

– Hey, Sofi! – ela cumprimentou minha irmã, que dava pulinhos do outro lado da cerca. – Vejo você amanha, sim? – acenei para uma Sofia completamente satisfeita, e apaixonada por Lauren, e entrei no carro com a mesma. – Você está toda chique e eu estou parecendo uma rockeira de cidade pequena, devo me preocupar?

Neguei com a cabeça, deixando o braço pra fora do carro e sentindo a brisa gostosa da noite. Não era madrugada como aquela noite, portanto vários carros ainda circulavam pelas ruas de Miami e as pessoas voltavam de seus trabalhos, faculdades, ou simplesmente passeavam. Eu sentia falta desse espírito aventureiro, estava começando a me cansar da rotina de festas em casas de populares.

– Não mesmo, você está ótima.

– E não vão dizer pra onde estamos indo?

– Na-na-ni-na-não. – brinquei, satisfeita por conseguir um sorriso dela.

– Ok.

– Ok.

– Pare de me imitar.

– Pare de me imitar.

– Camila! – resmungou, deitando a cabeça no encosto do banco.

– Lauren! – fingi resmungar também, gargalhando em seguida assim que ela bufou fazendo-se de brava.

O caminho até o destino final foi tranquilo e silencioso. Lauren e eu ainda mantínhamos certos limites de conversa quando um assunto morria, uma sempre esperava que a outra iniciasse algum diálogo ou comentário bobo, mas era um silêncio confortante. Podia sentir seu nervosismo no banco ao lado, sempre que apertava as mãos freneticamente.

Estacionei o carro em uma rua movimentada, com vários carros procurando vagas, e uma enorme fila de pessoas do outro lado da rua, em frente à uma boate muito famosa em Miami. Um cartaz enorme anunciava que o tema da noite seria Pink, a cantora. O nome do lugar era Neon Lights. Lauren observou o lugar pela janela do carro e eu só pude observá-la de perto, enquanto isso. Ela estava realmente linda, mesmo com os óculos de grau que tiravam parcialmente a beleza de seus olhos.

– A surpresa é uma boate cheia de pessoas bêbadas? –ela parecia desapontada.

– Não. A surpresa é ouvir as musicas da nossa cantora preferida, em um lugar onde ninguém nos conhece e ninguém nos julga. – expliquei calma, e Lauren me olhou surpresa.

– O que isso quer dizer? – ela perguntou, ansiosa.

Sorri para a sua reação e desci do carro, dando a volta no mesmo, abrindo a porta do seu e estende-lhe a mão. Quando Lauren fez menção de quebrar o contato entre nossas mãos, eu entrelacei nossos dedos e a puxei para um selinho demorado, sem me importar com quem estivesse em volta.

– Quer dizer que: por mais que tenhamos que nos esconder durante o dia, a noite podemos ser uma da outra, sempre que você quiser.

Era isso, eu não podia evitar ser carinhosa e atenciosa com Lauren, ela causava isso em mim. Tantos sentimentos confusos e esse meu lado até então desaparecido. Eu sentia falta da minha melhor amiga, mas, mais do que isso, eu sentia falta de estar apaixonada pela minha melhor amiga.

Lauren nada disse, apenas assentiu e apertou minha mão. Nós fomos até o final da fila como um jovem casal em uma noite de encontro, e eu sinceramente não me importei com isso, aquela noite se tratava de aproveitar a vida ao máximo ao lado da pessoa que instigava esse sentimento em mim.

– Aqui. – Lauren desamarrou a jaqueta da cintura e a acomodou em meus ombros. – Está ventando.

Algumas simples atitudes podem mudar tantas coisas. Ela sempre fora atenciosa e romântica, um dos principais motivos por ter me apaixonado por ela, mas te-la me tratando como uma frágil garota depois de tudo o que acontecera entre nós...não havia explicação. Lauren me desintoxicava de uma vida de mentiras.

– Obrigada. – agradeci com um sorriso tímido. Lauren concordou com a cabeça e deixou que eu encostasse meu corpo ao dela de lado, rodando minha cintura com seus braços.

– Nós estamos parecendo um casal. – ela riu próxima ao meu ouvido, causando o tão conhecido arrepio na espinha.

– Pra eles, talvez. Nós somos apenas nós.

– Apenas nós. – ela concordou me apertando contra isso. – Isso me soa legal.

Foi bom saber que ela gostava de nós como estávamos. Um acordo selado de sexo, mas uma troca mútua de carinho; duas garotas solitárias buscando companhia uma na outra.

Esperamos até a nossa vez e recebemos carimbos nas costas das mãos escrito "Neon Lights" em roxo. O homem careca sorriu amigavelmente e abriu espaço para que entrássemos. A boate era um verdadeiro show psicodélico por dentro, várias luzes de neon em azul, amarelo, verdes, vermelho, jogos de fumaça e pessoas - na sua maioria adolescentes -, por toda a parte. Havia um bar no canto direito, sofás espalhados ao longo da pista, um corredor com salas para fumante e quarto escuro, e, por fim, um grande palco com telão no fundo.

– Eu sempre quis vir aqui! – falei em seu ouvido. O show ainda não tinha começado e uma música eletrônica tocava animando o pessoal. – Mas os meus amigos acham banal demais.

– Você está sempre fazendo o que eles querem? – ela perguntou, seus olhos curiosos analisando o lugar atentamente.

– É o que parece, não é? – caminhamos até o bar, onde algumas pessoas faziam seus pedidos em uma pequena fila.

– E quando vai começar a fazer o que quer?

Cravei meus olhos nos seus procurando algum tipo de advertência, mas ela estava apenas curiosidade, me olhando com o cenho franzido.

– Eu já estou. – pisquei em sua direção, e voltei-me para o bar. – Dois shots de tequila.

Lauren puxou minha mão chamando minha atenção.

– Camila, eu não bebo! – exclamou, vendo meu sorrisinho cínico. – Uma de nós precisa voltar dirigindo, não precisamos disso.

– Babe – segurei seu rosto com as duas mãos e forcei meus olhos a se acostumarem com o escuro do ambiente. As luzes coloridas misturando-se no rosto perfeito de Lauren não foi a melhor solução para a minha sanidade. – nós não precisamos dirigir, confie em mim, ok? Relaxa essa noite, você está comigo e eu vou cuidar de nós.

Lauren riu.

– Você?

Cerrei os olhos empurrando seu ombro com o dedo.

– Eu posso ser muito consciente quando quero, bobinha.

Os shots de tequila foram servidos e eu voltei-me toda feliz para Lauren, erguendo os copos com um sorriso enorme e vendo-a sorrir pela minha reação.

– Eu não sei tomar isso. – ela disse, e deixou-se ser guiada por mim até uma mesinha alta. – O que eu faço com o limão?

– Você chupa, beem gostoso.

Lauren engasgou com a saliva e me olhou assustada como se eu tivesse dito algo aterrorizante. Foi impossível não rir da sua expressão assustada e envergonhada, aquela cena era simplesmente adorável.

– Estou brincando, Lauren. Olha! – apontei para um funcionário que andava entre as pessoas distribuindo tintas de neon. – Ei!

O cara caminhou até a nossa mesa e me ofereceu a bandeja para que escolhe as cores. Verde, vermelho e laranja serviriam. Distribui as tintas e o pequeno pincel pela mesa ao lado do shot de tequila e me aproximei de Lauren, que observava tudo atentamente. Nesse momento, as pessoas começaram a gritar pela boate e os jogos de luz focaram no palco com uma cortina azul escuro, de onde saiu uma mulher de camisa e calça rasgada, cabelo curto e platinado, braços tatuados e pose de bad girl. O show foi indicado com a música Who Knew, o que causou certo impacto entre Lauren e eu pela letra, mas decidi fingir que não havia sido atingida.

You took my hand, you showed me how

Você pegou minha mão, você me mostrou como

You promised me you'd be around

Você me prometeu que ficaria por perto 

Uh huh, that's right 

Aham, tá certo

I took your words and I believed

Eu peguei as suas palavras e eu acreditei 

In everything you said to me

Em tudo que você me disse 

Yeah huh, that's righ 

Aham, tá certo

Aproximei-me de Lauren e segurei seu queixo pensando no que poderia desenhar em seu rosto enquanto cantarolava junto à cantora e deixava a música dizer por mim coisas das quais nunca tive coragem de dizer à ela. Eu esperava que Lauren entendesse o recado, esperava que ela soubesse que, em uma época diferente, eu fora loucamente apaixonada por ela.

– Feche seus olhos! –pedi, um pouco alto pela música alta.

Lauren hesitou, mas acabou fechando seus olhos e me deixando sem a luz das esmeraldas perfeitas. Suspirei em frustração, seria apenas por alguns segundos. Molhei o picel na tinta verde, e o aproximei do rosto de Lauren, passando o dedo pelo mesmo e espalhando vários pontinhos verdes pelo rosto de porcelana. Sorri satisfeita com meu trabalho, e continuei a espalhar a tinta verde até que seu rosto se tornasse um céu estrelado.

If someone said: "Three years from now

Se alguém dissesse: "Daqui a três anos 

You'd be long gone."

Que você iria embora" 

I'd stand up and punch them out

Eu me levantaria e socaria todos eles 

'Cause they're all wrong

Porque eles estariam enganados 

I know better

Eu sei melhor que eles

'Cause you said "forever and ever"

Porque você disse "para sempre" 

Who knew? 

Quem diria? 

Contornei seus olhos com tinta laranja delicadamente, tomando cuidado para não borrar a tinta ou machucar o lindo rosto a minha frente. Lauren não tinha a mínima noção do quão linda era, e do quanto eu desejei poder ser dela enquanto chorava no meu quarto, todos os dias, antes de dormir. Olhando para o seu rosto agora, com os olhos fechados de maneira serena, eu me perguntava o que ela diria se soubesse que eu levava a maior parte do peso do bullying para protegê-la; perguntava-me se isso a faria me odiar menos.

Remember when we were such fool

Lembra-se quando nós éramos tão bobos 

And so convinced and just too cool

E tão convencidos e tão, tão legais 

Oh no, no no

Oh não, não não 

I wish I could touch you again

Eu queria poder te tocar de novo 

I wish I could still call you friend

Eu queria poder ainda te chamar de amigo 

I'd give anything

Eu daria qualquer coisa 

Lauren abriu os olhos, imagino que ela soubesse que eu a estava encarando como uma boba. Estive preocupada de que talvez estivesse ultrapassando barreiras com ela ao trazê-la até aqui, mas seu olhar me transmitiu tranquilidade, e seu sorriso de lado acalmou o meu coração confuso. Foi como se, apenas por aquela noite, eu pudesse ter paz de todos os meus demônios porque ela estava lá para afugentá-los.

When someone said: "Count your blessings now

Quando alguém disse "seja agradecido 

For they're long gone."

Para aqueles que já não estão por perto" 

I guess I just didn't know how

Eu acho que eu não sabia como mesmo  

I was all wrong

Eu estava totalmente errada

They knew better

Eles sabiam melhor que eu 

Still you said "forever and ever"

Ainda sim você disse "para sempre" 

Who knew?

Quem diria? 

Yeah, yeah

Ela tomou as tintas das minhas mãos e usou a sua mão direita para fechar os meus olhos com os dedos. Aceitei de bom grado que ela pintasse o meu rosto, usando o mesmo método do pincel, deixando que suas mãos trabalhassem em mim e cuidassem de todo o processo, porque eu era dela; ao menos naquele momento. Senti seus lábios macios pressionarem contra os meus, pegando-me de surpresa no inicio, mas eu aceitei o beijo de muito bom grado e pousei minhas mãos em seus ombros procurando por apoio. Foi um beijo calmo e sem língua, apenas saboreando os lábios uma da outra, causando os arrepios involuntários pelo meu corpo e empurrando-me emocionalmente para mais perto dela.

I'll keep you locked in my head

Eu te manterei trancado na minha cabeça 

Until we meet again

Até nós nos encontrarmos novamente 

Until we, until we meet again

Até nós, até nós nos encontrarmos novamente 

And I won't forget you, my friend

E eu não te esquecerei, meu amigo 

What happened? 

O que aconteceu?

Quando nos separamos, abri os olhos procurando pelas minhas esmeraldas preferidas, e as encontrei brilhantes pra mim. Tomei aquilo como um incentivo e peguei nossas tequilas, caminhando até o sofá vazio mais próximo e empurrando Lauren para sentar com a cintura. Ela caiu desengonçada e surpresa, e eu não perdi tempo em sentar em seu colo, com as pernas de cada lado no sofá vermelho, um dos copos de tequila sendo deixado de lado.

– Eu vou te ensinar a tomar tequila, agora. – sussurrei em seu ouvido, mordendo o lóbulo de sua orelha e sentindo-a arrepiar-se em baixo de mim.

A música acabou e Sober foi a próxima, para a minha grande sorte. Joguei o cabelo de Lauren para o lado e inclinei sua cabeça, expondo seu pescoço branquinho e pronto para ser meu. Aproveitando o momento, inclinei-me e lambi seu pescoço, da clavícula até o maxilar, próximo a sua orelha. As mãos ansiosas de Lauren pousaram nas minhas ancas sem saber muito bem se deveriam estar ali, ela estava insegura. Peguei o potinho com sal que trouxera e espalhei um pouco sobre a zona molhada com minha saliva.

I don't wanna be the girl who laughs the loudest

Não quero ser a garota que ri mais alto

Or the girl who never wants to be alone

Ou a garota que nunca quer estar sozinha

I don't wanna be there call at 4 o'clock in the morning

Não quero ser aquela que liga às 4 da manhã

Cause I'm the only one you know in the world that won't be home

Pois sou a única que você conhece no mundo que não estará em casa

– Agora você vai ser uma menina obediente –falei contra seus lábios, roubando-lhe um beijo antes de levar o limão até sua boca.

Lauren fez uma careta, provavelmente pelo gosto do limão, mas não reclamou ou me empurrou. Tomei aquilo como um passe para prosseguir, então voltei a chupar seu pescoço por cima do sal, certificando-me de lamber e chupar cada pequena parte daquela área, provocando-a e ajudando-a a se soltar.

Aah, the sun is blinding

Aah, o sol está me cegando

I stayed up again

Virei a noite de novo

Oh, I am finding

Oh, estou descobrindo

That that's not the way I want my story to end

Que não quero que minha história termine assim

As mãos ansiosas me apertaram com ainda mais força e vontade, causando uma sensação gostosa no meu corpo e me fazendo gemer contra seu pescoço. Assim que me dei por vencida, tomei um rápido gole da tequila e mordi a rodela de limão em sua boca, controlando-me ao máximo para não ser agressiva e machucá-la.

Tirei a rodela de limão de sua boca ainda com a sensação de queimação na garganta. Lauren respirou fundo, fechando os olhos e suavizando o aperto na minha cintura.

I'm safe

Estou a salvo

Up high

Aqui em cima

Nothing can touch me

Nada pode me tocar

But why do I feel this party's over?

Então por que eu sinto que essa festa acabou?

No pain

Sem dor

Inside

Por dentro

You're my protection

Você é a minha proteção

So how do I feel this good sober?

Então como me sinto bem assim sóbria?

– Você está se contendo. – reclamei, pousando as mãos em seu peito. – Você pode colocar as mãos onde quiser, assim como a boca...e o Michelangelo.

Ela bufou com a pronuncia do último e eu ri, sempre seria bom irritá-la. Movi meu corpo sobre o seu, aproximando-me um pouco mais de seu tronco, e senti seu membro ereto na calça contra a minha boceta por cima da calcinha. Lauren gemeu com o meu movimento, e eu não me contive em rebolar sobre ela, apreciando cada movimento de seu pau duro em atrito com meu clitóris.

I don't wanna be the girl that has to fill the silence

Não quero ser aquela que vai preencher o silêncio

The quiet scares me, cause it screams the truth

O silêncio me assusta, porque grita a verdade

Please, don't tell me that we had that conversation (I know we did)

Por favor, não me diga que tivemos essa conversa (eu sei que tivemos)

I won't remember, save your breath, 'cos what's the use?

Não vou lembrar, poupe suas palavras, pois não vai adiantar

– Minha vez. – ela disse com a voz tão rouca que eu poderia ter gozado por isso.

Suas mãos afastaram meus cabelos e eu me inclinei à ela dando livre acesso ao meu pescoço. Lauren fez o mesmo processo de lamber a área sensível, espalhar o sal, e encaixar o limão na minha boca. Eu já estava tão excitada que só desejava poder sair daquela tortura de uma vez por todas e foder com ela a noite toda.

– Eu amo o seu pau. –sussurrei em seu ouvido, alto o suficiente para que ela ouvisse.

Aumentei a velocidade, forçando meu quadril contra a sua pélvis, para cima e para baixo, para frente e para trás freneticamente. As mãos antes inseguras de Lauren, pousaram na minha bunda e ajudaram os movimentos, ora lentos e ora rápidos, seus olhos verdes cravados nos meus e sugando toda a minha luxuria para ela.

Segurei com rosto com as duas mãos e levei minha boca ao seu ouvido, cantando a próxima estrofe única e exclusivamente à ela:

Aah, the night is calling

Aah, a noite está chamando

And it whispers to me softly: Come and play

E ela sussurra para mim baixinho: Vem brincar

I, I am falling

Eu, eu estou caindo

And If I let myself go I'm the only one to blame!

E se eu me entregar, serei a única culpada

Minha cabeça tombou contra seu pescoço, sentindo meu corpo ser preenchido pelo prazer do meu melhor pecado; eu estava tremendo de tesão por Lauren. Curiosa, deixei que minhas mãos deslizasse em seu torso e parassem em seus seios, apertando-os com delicadeza, conhecendo aquela área feminina de outra garota. Macios e médios, o tamanho perfeito para as minhas mãos. Lauren grunhiu quando iniciei uma massagem gostosa em cada seio, meus movimentos com o quadril agora lentos, mas precisos contra seu pau rígido.

Coming down, coming down, coming down

Descendo, descendo, descendo

Spinning 'round, spinning 'round, spinning 'round

Girando, girando, girando

I'm looking for myself

Estou procurando a mim mesma

Sober

Sóbria

Lauren ergueu meu quadril com as duas mãos mantendo-me parada enquanto o seu quadril chocava-se contra o meu, com força e rápido, perdendo completamente o controle. Ela estava tão perto, podia ver isso pelos seus olhos apertados com força, os gemidos roucos e a boca entreaberta. Sorri orgulhosa, e forcei meu corpo para baixo, obrigando-a a parar os movimentos e abrir os olhos

When it's good, then it's good, it's so good till it goes bad

Quando é bom, é tão bom até que estraga

Till you're trying to find the you that you once had

Até você tentar encontrar aquele que você uma vez teve

I have heard myself cry, never again

Ouvi a mim mesma chorar, nunca mais

Broken down in agony, just trying to find a friend, oh

Angustiada, apenas tentando encontrar um amigo, oh

Agarrei a gola da camiseta de Lauren e a puxei contra mim com um pouco de violência, cola do nossos peitos ofegantes. E, quando falei, meus lábios estavam colados aos dela:

– Você vai gozar ainda hoje...mas vai ser dentro de mim, babe.

Foi frustrante nos separarmos depois disso. Lauren não ficou nem um pouco feliz com a minha pequena provocação, e precisou ir ao banheiro, provavelmente para se aliviar do incômodo. Mas eu estava satisfeita, amava provoca-la e saber que suas reações eram por mim, amava ainda mais explorar seu corpo feminino e conhecer melhor sobre sua anatomia.

Ficamos na boate por mais duas horas. Nós dançamos ao som de So What, Lauren estando mais solta pelas doses de tequila que tomamos, e menos reclamona. Dançamos coladas uma na outra, e ignorávamos as pessoas que tentavam entre no meio ou nos dividir, estávamos presas em nossa bolha  e não sairíamos de lá. Cantamos em plenos pulmões, bebemos mais um pouco, e nos beijamos como se aquele fosse o último dia na terra. Eu preciso frisar o qual viciante e gostoso é o beijo de Lauren.

Saímos da boates era quase meia noite. A rua ainda estava abarrotada de pessoas vomitando, conversando e aos amassos. Decidimos que nenhuma das duas estava em condições de dirigir, então optamos por pegar nossas bolsas no carro e caminhar até o parque no próximo quarteirão.

– Nós podemos dançar até o mundo acabar... – cantarolei alegre, meu sistema trabalhando mais rápido e minha coordenação uma verdadeira tragédia.

Decidi que seria uma ótima ideia me equilibrar no meio fio porque, é claro, as chances de cair de cara no chão eram de dez em dez. Mas quem liga? Eu não.

– Você parece outra pessoa assim, toda leve. – disse Lauren, a menos bêbada entre as duas. Ela caminhava ao meu lado com as mãos nos bolsos da jaqueta jeans.

– Eu estou bêbada, você quis dizer. – brinquei, tropeçando e desequilibrando-me alguns passos para frente. – Ops.

– É, talvez.

– É, talvez. – a imitei, recebendo um revirar de olhos em troca.

– Você definitivamente vai para o inferno. – ela riu.

– Nah! Eu não acredito no céu ou no inferno, apenas no silêncio.

Ela me olhou curiosa.

– Como? No estilo de "morreu, acabou"?

Balancei a cabeça positivamente, firmando meus pés no meio fio e usando meus braços para equilíbrio.

– Eu não acho em Deus, não mais. – contei à ela. Quando éramos pequenas, costumávamos acompanhar nossas famílias à igreja católica todos os sábados; depois de um tempo minha família e eu simplesmente paramos. – Acho que, se existe um cara lá em cima olhando por nós, ele não deve gostar muito de mim.

Lauren não tirou os olhos de mim nem por um segundo. Eu estava novamente de baixa guarda e sequer tinha notado, até então.

– Eu tenho a impressão de que você esconde coisas de mim, coisas das quais eu não gostaria de saber, mas sinto que preciso.

Nós entramos no pequeno parque infantil, o mesmo que nos conhecemos aos sete anos. As coisas ainda eram as mesmas: os mesmos brinquedos, os mesmos desenhos, os mesmos bancos, as mesmas árvores. Apesar do escuro, um poste de luz amarela iluminava o suficiente para que caminhássemos na grama mal cuidada até o balanço. Do outro lado da enorme cerca de madeira, onde havia uma casa com piscina aos fundos, e uma luz fraca emanava da janela da sala, podia-se ouvir uma música suave que, pelo estilo, me parecia ser flashback.

You, with the sad eyes

Você, com os olhos tristes  

Don't be discouraged

Não fique desanimada  

Oh, I realize

Oh, eu sei  

It's hard to take courage

É difícil criar coragem  

In a world full of people

Num mundo cheio de pessoas  

You can lose sight of it all

Você pode perder tudo de vista  

And the darkness it's inside you

E a escuridão que está dentro de você  

Can make you feel so small  

Pode te fazer sentir tão insignificante  

Sentamo-nos no balanço, lado a lado, e meus pés deram um leve impulso para trás, fazendo o velho balanço ranger e deslizar suavemente para frente e para trás.

– Algumas coisas devem ser deixadas no passado, Lauren. E apenas lá. – conclui, encostando minha cabeça na corrente o observando o movimentos dos meus pés.

– Você não pode simplesmente me dizer que já passou por coisas das quais não sei, e achar que vai estar tudo bem. Podemos não ser mais melhores amigas, mas, infelizmente, eu ainda me importo.

But I see your true colors

Mas eu vejo suas cores reais

Shining through

Brilhando por dentro  

I see your true colors

Eu vejo suas cores reais  

And that's why I love you

E é por isso que eu te amo  

So don't be afraid to let them show

Então não tenha medo de deixá-las aparecerem  

Your true colors

Suas cores reais  

True colors are beautiful

Cores reais são lindas

Like a rainbow  

Como um arco íris 

Não sei se foi o choque da frase ou da pessoa que a disse, mas algo em meu peito gritou e espancou meu coração. A olhei procurando algum tipo de desdém, mas tudo o que encontrei foram seus olhos carregando a verdade. Há quanto tempo eu não ouvia isso de alguém?

– Você não poderia simplesmente me odiar? Me empurrar pra longe e dizer o quão desprezível me tornei? – olhei para o céu, procurando algum tipo de calma. Abaixar a guardar com Lauren sempre me tornava vulnerável, sensível... – Eu já pensei muitas vezes em desistir dessa vida. Mas, se eu o fizesse, passaria o resto do ano sendo-

– Uma ninguém? – ela me cortou, olhando-me com intensidade.

Entendi então que ela se referi a si mesma como ninguém, e que eu não gostaria de me tornar como ela outra vez. O problema é que em muitos momentos eu desejava ser exatamente assim.

– Sim. – respondi envergonhada.

Show me a smile, then

Mostre-me um sorriso, então  

Don't be unhappy, can't remember

Não fique infeliz, não me lembro  

When I last saw you laughing

Quando foi a última vez que vi você sorrindo  

If this world makes you crazy

Se este mundo te deixa louca  

And you've taken all you can bear

E você aguentou tudo que consegue tolerar  

You call me up

Me chame  

Because you know I'll be there  

Porque você sabe que estarei lá  

Lauren negou com a cabeça, e puxou sua bolsa para o colo, procurando por algo nela. Eu esperei pacientemente, apreciando a melodia suave da música na casa ao lado, dessa vez eu conhecia a letra. Senti sua mão segurar a minha sobre a minha coxa e deslizar uma caneta nas costas dela, desenhando várias linhas cruzadas.

– O que está fazendo? – perguntei curiosa.

– É um átomo, ou o universo, ou... – terminou o riscos. – o colegial.

– Então é assim que deve parecer um? – tentei brincar, mas ela se manteve séria, desenhando pequenos pontos nas linhas do átomo. – Não queira ser os pontos na órbita, porque eles se misturam no começo ou no final das coisas...você bate contra os outros pontos.

Terminou de explicar, lançando suas esferas verdes direto para mim.

– E qual deles você quer ser? – minha curiosidade falava mais alto, instigava por aquela garota nerd que tanto se escondia do mundo.

– O centro. – ela disse, voltando a desenhar um ponto no centro do átomo. – Focado e vigilante, imutável. – voltou a me olhar, tornando minha respiração quase nula. Meu coração não deveria estar tão acelerado com o momento, não mesmo. – E quando os corpos saem do campo gravitacional do corpo maior, torna-se o seu próprio centro.

But I see your true colors

Mas eu vejo suas cores reais

Shining through

Brilhando por dentro

I see your true colors

Eu vejo suas cores reais

And that's why I love you

E é por isso que eu te amo

So don't be afraid to let them show

Então não tenha medo de deixá-las aparecerem

Your true colors

Suas cores reais

True colors are beautiful

Cores reais são lindas

Like a rainbow

Como um arco íris

Ela finalmente terminou o desenho, mas manteve sua mão na minha. Nos olhamos pelo que pareceram horas e dias ensolarados; eu buscava entender o porquê da magnificência do coração de Lauren. Como ela conseguia trazer a antiga Camila de volta tão facilmente, sem nem ao menos pedir ou lutar por isso.

– Isso funciona?

Ela assentiu, a boca entreaberta e os olhos focados sempre nos meus.

– Às vezes pode ser solitário. – respondeu.

– Acha que dois centros podem ser amigos?

Lauren sabia que estava falando novamente com sua ex melhor amiga, eu sabia diferenciar aquele olhar encantado em qualquer lugar.

Eu não sabia que estava chorando até seus dedos enxugarem minhas lágrimas. Lauren levantou-se e segurou minha mão, me levando até o escorregador alto em formato de castelo, e me ajudar a subir as escadas de madeira. Nós chegamos ao topo que nos dava uma boa visão da rua, agora vazia e solitária. Ela sentou com as pernas pendendo no escorredor e deu espaço para que eu me acomodasse entre suas pernas, abraçando meu corpo com carinho e repousando a cabeça no meu ombro. Nós não precisávamos de palavras para aquele momento, de repente eu podia ver que éramos Camila e Lauren outra vez; via claramente as crianças brincando ao nosso redor, nossas mães sentadas no banco próximo ao balanço, mamãe com Sofia no carrinho dormindo serenamente. Não havia medo de um futuro, não havia medo de julgamentos, não havia bullying ou pessoas dizendo que eu era feia e uma intrusa em seu país; não havia nada além do meu espírito inocente, nos braços da minha melhor amiga.

****

Jasmine: encontre-me na quadra em dez minutos.

Estranhei a mensagem. Jasmine não tinha aparecido na aula outra vez e a sineta havia tocaria em dez minutos, onde eu correria para a aula de espanhol. Olhei para Brad que discutia com Bob sobre os carros, os filhos da mãe resolveram aparecer hoje e prestaram queixa na polícia, mas como não havia câmeras de segurança em nenhuma das casas no bairro, as investigações tornaram-se nulas. Hannah também conversava com os dois, e ela parecia nervosa com algo para o divertimento deles. Mas eu não tinha tempo para descobrir sobre as brincadeirinhas idiotas deles, eu precisava descobrir o que estava acontecendo com Jasmine. 

Sentindo-me uma das três espiãs demais, esgueirei-me pelos armários fingindo ter esquecido algo em uma das salas, e sai atropelando em estivesse no meu caminho até a quadra. Abri a porta dupla com violência pronta para xingar quando a encontrasse, mas a cena que encontrei foi no mínimo estranha. 

Jasmine estava parada no centro da quadra, ela usava uma calça jeans, camiseta da adidas e sapatenis. Franzi o cenho para o tipo de roupa que ela usava, e só então notei a bolsa do time de torcida que ela carregava, com parte do uniforme para fora. Ela estava com a mão livre enfiada no bolso da calça, seus olhos colados na arquibancada vazia da quadra. 

– Eu passei anos da minha vida acreditando que isso era tudo o que eu sempre quis. – ela disse sem ao menos se virar. – Andei por esses corredores, usei esse uniforme, tornei-me uma das garotas mais respeitadas da escola. 

– Jasmine...o que aconteceu? – minha voz saiu baixa enquanto me aproximava dela, até parar um pouco atrás, dando espaço necessário à ela. 

– Eu menti, Camila. Isso aconteceu! – respondeu, ainda sem me olhar. – Menti pra você, para todos no colégio, para a minha família, e, principalmente, menti pra mim. Tenho suportado todos esses anos com a esperança de que um dia esse inferno acabasse, que meus pensamentos mudassem, que eu me tornasse normal como meus pais tanto querem. Mas eu não posso mais, não posso ser alguém que não sou!

Eu estava nervosa com sua atitude brusca, e tive minha resposta quando ela se virou para mim mostrando-me sua expressão quebrada, suas lágrimas banhando a face e vários roxos espalhados na região da garganta e braços. Assustei com a visão e imaginei que haviam muito mais como aqueles por trás da pele coberta; quando minha respiração travou, ela falou algo que mudaria não só a vida dela, mas também a minha:

– Eu sou transgênero, Camila. – largou a bolsa no chão, e meu coração saltou. – A partir da semana que vem serei James Mcfield. 

 


Notas Finais


Jasmine é uma homenagem à dois amigos maravilhosos e transgênero que conheci esse ano, me levando a conhecer mais sobre o assunto. Obrigada, Neco e Ethan, vocês são maravilhosos.


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