História Under - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescentes, Drama, Romance
Exibições 6
Palavras 3.480
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Já faz um tempo que não publico fanfictions autorais no spirit, mas resolvi voltar a produzir já que meu ensino médio se foi. Espero que gostem da história, de verdade. Ela sai do fundo do meu coração, e cada um desses personagens é uma parte importante de mim. Boa leitura, e não desistam, mesmo que a história pareça demorar a engajar. Até mais :)

Capítulo 1 - Capítulo 1 - Joseph


Fanfic / Fanfiction Under - Capítulo 1 - Capítulo 1 - Joseph

 

“To shape and reshape all anew”

Pássaros batendo em sua janela podem ser mais irritantes do que um despertador em alguns dias. Principalmente pelo fato de que não podemos desligar os pássaros e voltar a dormir. O tormento daquela manifestação do encontro entre janela e bico não demonstrava pretensões de acabar tão brevemente, então levantei devagar meu cobertor enquanto a coragem ainda deitava comigo. Assim que descobri minha cabeça, a luz do sol já alto me cegou e a coragem acabou se queimando junto com a minha retina. Fechei os olhos e procurei no fundo de minha mente onde estava minha capacidade de voltar a dormir, mas não demorou para o som do aspirador de pó vindo do lado de fora de meu quarto começar a preenche-lo com dedicação. Suspirei e mordi meu travesseiro me rendendo ao dia que começava. Sentei-me com dificuldade enquanto meu cérebro tentava não me derrubar em complô com a náusea. Ressaca. A manhã não podia começar melhor. Depois de alguns segundos encontrei forças em minhas pernas para me por de pé, mas tive que me apoiar na cômoda ao lado da cama para não me deitar novamente, só que no chão. Apoiando-me de móvel em móvel consegui chegar até a porta já com um pouco de fôlego e equilíbrio. Respirei fundo já com a mão na maçaneta, tentando estar pronto para um barulho ainda mais intenso e outras irritações matinais de casa. Quando abri a porta, Anne estava no topo da escada, aspirando as frestas do piso de madeira. Escorei-me no portal da porta e tentei encontrar a parte do meu cérebro responsável pela fala.

-Bom dia Anne – Minha voz soou rouca, e só aí percebi que minha garganta doía bastante. Limpei a mesma logo em seguida.

-Você tá fedendo pirralho. – A empregada de 38 anos desligou o aspirador e pôs as mãos na cintura só para me encarar com um devido olhar de repreensão. – Vai pro banheiro. Sua vó tá te esperando para o café da manhã já faz 1 hora. Vou limpar seu quarto.

Suspirei e fechei os olhos novamente. Sua voz batia em minha cabeça como um pugilista profissional. Empurrei-me com as costas até o outro lado do corredor, e deslizando nele pelo ombro esquerdo cheguei até o banheiro, onde tirei a roupa e me enfiei debaixo do chuveiro. A água era revigorante, mas sua temperatura congelava até o interior de meus ossos. Depois de alguns minutos sob a água, me sequei e vesti um moletom que já me esperava ali, sem ideia do porquê. Quando saí do banheiro, Anne já estava na metade da escada em sua limpeza. Passei por ela sem dizer nada, mas ela não deixou de dar um tapinha na minha coxa esquerda. Com um meio sorriso no rosto continuei minha descida até me deparar com minha avó lendo uma revista na mesa de café, com o prato a sua frente já com migalhas de pão e sua xícara de café apenas suja de sua bebida. Puxei uma cadeira ao seu lado sem dizer nada e me sentei, não demorando a me servir. Ela não demoraria a falar algo, mas eu não pretendia prolongar a conversa. E realmente não demorou, pois assim que servi um suco de laranja em meu copo, ela baixou a revista e me encarou com seus olhinhos sob aqueles óculos redondos, forçando seus olhos a franzir sua testa.

-Joseph, as férias acabaram de começar.

-Bom dia vó. – Mordisquei meu pão com manteiga enquanto retribuía seu olhar e sorria para tentar acalmar a situação.

-Bom dia meu filho. – Ela tentou manter a expressão dura, mas suspirou e balançou a cabeça olhando pra baixo com a expressão relaxada. – Onde você estava a noite toda?

-Com uns amigos. Seria um mau momento pra dizer também que não são férias e sim minha vida fora do colegial?

-Ah não, não ache que vai ser assim todos os dias! – Seu tom de voz demonstrava um espanto cômico. Não pude deixar de rir e cuspir um pouco de suco que tratei de limpar com as costas de minha mão. – Você logo entra na faculdade. Sem farra todos os dias. E cuidado com esse suco, ou faço você limpar no lugar da Anne.

-Aí. Não é como se eu fosse sair todos os dias.  Relaxa.

-Certo... – Ela parecia realmente mais calma depois disso. Endireitou seus ombros e arqueou uma de suas sobrancelhas loiras enquanto se lembrava de falar algo. – Quem te trouxe para casa?

-Nik.

-Hum... Joseph, já disse pra não se envolver com aquele nazista...

-Caramba vó, ele só é alemão. Nós somos ingleses e nem por isso somos todos anglicanos.

-É totalmente diferente! E ele mexe com drogas que eu sei!– Ela subiu o tom de voz nesse momento, mas pareceu perceber, e tentou se recompor, realmente envergonhada. Limpou a garganta e então prosseguiu. – Seu amigo, já acordou? Vai mantê-lo aqui até quando?

-Amigo? – Meu cérebro processou ainda por alguns segundos antes de encontrar a resposta para a própria pergunta. – Ah, Tommy. Claro. Não sei. É complicado vó. Ele foi despejado do apartamento. Não vai ficar por muito tempo, é um menino sensato e bem... Tímido.

-Tudo bem... Seu avô disse que não tem problema cuidar dele por um tempinho. Mas e os pais dele?

-Ele saiu de casa tem uns 2 anos. Provavelmente nem sabem disso.

-Que horrível... Porque ele fez isso?

-Ah vó, ele tem seus motivos. – Bebi os últimos resquícios do suco que ainda preenchia meu copo e o pousei na mesa, já me levantando. – Vou ver se ele já acordou. Até já.

Ela acenou e sorriu e voltou a ler sua revista. Andei até os fundos da casa, um tanto silenciosa. Bati na última porta antes da saída pra área de lazer, e em menos de 5 segundos um garoto 10 centímetros mais baixo aparecesse a minha frente.

-Então já tinha acordado.

-Veio me mandar embora?

-Bom dia Tommy – Levantei uma sobrancelha e entrei no quarto enquanto ele se afastava da porta – Relaxa um pouco. Você pode ficar por mais um tempo.

-Ah. Ok. Certo. Bom dia. – O garoto se levantava nos próprios pés enquanto falava e seus olhos não conseguiam ficar parados. – A noite foi divertida? Eu ouvi quando chegou. Fez um barulhão.

-Ah, fiz? Droga. Posso ter acordado meus avós. Hum. Preciso me cuidar. Mas é, foi legal. Você devia ir comigo às vezes.

-Não, obrigado. O único poço de perdição que eu preciso tá no meu bolso. – Ele tirou um vidro de antidepressivos do bolso de seu casaco e o balançou para que eu pudesse ouvir os remédios lá dentro. – Suficiente pra me manter vivo e seus efeitos não são versáteis como os das pessoas.

-Esse papo devia me assustar. – Me sentei na cama, e então percebi que ou ele dormia como uma pedra ou sequer fechou os olhos durante aquela noite, pois o lençol estava afundado apenas no centro. - Mas tudo bem. Quer comer alguma coisa?

-Não, não como tão cedo.

-Tá... Quer jogar alguma coisa no meu quarto?

-Você tem Last of Us não tem?

-Claramente Tommy Savage.

-Então, claramente quero Joseph Linch.

Sorri para o garoto e me levantei da cama passando por ele enquanto ele me acompanhava até meu quarto. Eu conhecia Tommy há muito tempo e sabia que jogar videogame não era um de seus maiores hábitos por não ter um, mas ele gostava bastante de aproveitar as oportunidades que tinha. E eu era seu único amigo. Tinha que dar algumas oportunidades pra ele.

O sol de fim de tarde batia forte em meu rosto enquanto eu jogava para cima um dos meus exemplares de Morro dos ventos uivantes. Tommy estava deitado no chão transformando uma das páginas desse mesmo livro em um cisne. O tédio não podia estar mais destrutivo do que naquele dia maçante. Será que todo dia fora do colegial seria assim? Estava prestes a perguntar para Tommy, quando meu celular vibrou e uma mensagem brilhou na tela.

[5:37 p.m] Tyler: To na sua porta. Tá quente

Bloqueei a tela do celular e me levantei com um pouco de tontura. A ressaca ainda me assolava mesmo depois de um dia inteiro.

-Tem um amigo meu na porta. Quer que eu abra pra ele. Já volto. Você sobrevive?

-Só não traga ele até aqui. – Ele tirou a franja loira dos olhos e me encarou antes de continuar falando - Aí talvez eu me mate.

Revirei os olhos e saí do quarto. Enquanto descia as escadas, pude ver pelas janelas acima da porta um esboço de Tyler andando em círculos em frente à minha casa. Ele podia ser naturalmente ansioso, mas ainda assim não me parecia que estava tudo bem. Abri a porta e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Ele já tinha passado por mim e entrado na minha casa e continuou andando em círculos na sala de visitas.

-Tá tudo bem Tyler?

-Eu pareço bem? – Sua voz suave parecia um tanto nervosa realmente, mas tinha naturalmente uma entonação calma. Mas eu podia perceber que não estava calmo.

-Não muito.

-Então você gosta de fazer perguntas idiotas? – Agora ele tinha parado de frente para mim e segurava com a mão direita na alça de sua mochila, enquanto tamborilava a mesma com os dedos.

-Gosto de tentar fazer perguntas pra quem aparece na minha casa sem avisos nervos. – Fechei a porta. O dia estava chato o suficiente para que eu não ligasse tanto para o sarcasmo onipresente do garoto. – Agora, o que aconteceu?

-Eu saí de casa. Não aguentava mais. Eu te disse quando a gente começou a andar junto, tem 5 anos, nada nunca vai melhorar naquele lugar.

-Espera, calma. Como assim você saiu?

-Eu saí porra, peguei minhas coisas, coloquei na minha mochila, abri a porta e saí caralho. Não é muito difícil.

-Tyler, você tá começando a parar de ser sarcástico e começando a ser um filho da puta grosseiro.

-Desculpa. – Ele fechou os olhos e mordeu os lábios. Com a mão direita ainda na mochila, ele levou a esquerda até a argola em seu nariz e a rodou por alguns segundos até que abriu os olhos novamente. – Ok. Eu saí cara. Não dava mais.

-Ok... E o que veio fazer aqui? Não podia ter só mandado mensagem? Minha vó ainda não gosta muito de você. Tem duas semanas que você quebrou nossa TV.

-Eu já disse que sinto muito pra ela e pra você. Eu vim aqui perguntar se... Sei lá, você me dá o quarto de hóspedes pra ficar um tempo. Só até conseguir um trampo legal, sei lá.

-Ah... Sabe... No momento eu já to acolhendo alguém no quarto de hóspedes.

Nesse momento o garoto olhou para cima e suspirou alto soltando a mochila no chão e gritando por alguns segundos. Depois se sentou no chão e bagunçou o próprio cabelo negro. Aquilo era uma situação tão desconfortável para mim quanto devia ser para ele.

-Qual é ruivo. Você é meu melhor amigo. Posso dormir em qualquer lugar. Por favor.

-Cara, minha avó não quer nem manter o meu outro amigo aqui muito tempo. Ele foi despejado do apartamento dele ontem. Não posso ficar com vocês dois aqui.

-Tá, mano e que porra eu faço? Fico na rua? Eu peso 56 quilos e tenho 1 metro e setenta. Não duro duas noites.

Fechei os olhos e pressionei minha testa. Em parte porque a ressaca me atacava novamente com outra dor de cabeça, e também porque eu não sabia o que fazer. A família de Tyler, fora seus pais não morava em Liverpool. E Tommy... Eu logo teria que me livrar dele também. Mas de forma alguma poderia manter os dois ali, ainda mais por minha avó odiar Tyler Stewart por vários motivos que envolvem “má influência”, mesmo que eu seja seu amigo e colega de classe desde que temos 5 anos de idade. Suspirei e me sentei, enquanto meu celular vibrava mais uma vez. Esperei um tempo e o deslizei para fora do bolso, desbloqueando-o para ver a nova mensagem.

[5:43 p.m]Lucy: Dimitri vai fazer alguma coisa de novo. Apareça se quiser. Vamos ter muitas cores essa noite.

E lendo essa mensagem um choque percorreu todo meu corpo instantaneamente, junto com a ideia mais genial e simultaneamente a mais estúpida que já tive. Me levantei e devo ter demonstrado algum tipo de expressão de “eu tive uma ideia” porque Tyler me entregava uma expressão de “não parece uma boa ideia”.

-Fique aqui. Eu sei onde você vai ficar. Vocês vão ficar.

-Espera, Joseph, sua vó não está aqui né?!

Eu teria lhe respondido que não, mas já estava correndo escadas acima. Quando cheguei ao meu quarto, Tommy já tinha arrancado 5 páginas do livro de Emily Bronte e transformado outras três em cisnes, mas não liguei apenas lhe puxei pelo braço e o encarei bem de perto.

-Arruma suas coisas. Você vai pra um novo poço de perdição. Hoje. Comigo.

-Como assim?

-Anda logo cara, pra baixo!

Puxei o garoto para trás de mim e me virei já o empurrando para as escadas e depois escada abaixo. Ele acenou para Tyler quando chegou ao piso inferior, que retribuiu balançando a cabeça, ainda com confusão na cara. Tommy não levou mais que 1 minuto para arrumar todas as suas coisas dentro de sua pequena mala. Saímos juntos do quarto de hóspedes e nos encontramos com Tyler no mesmo lugar que o deixei, sentado no assoalho de madeira.

-Quer me explicar o que tá acontecendo? – O garoto no chão parecia bem mais calmo, e sua voz estava normal. Mas seu olhar ainda era interrogativo e ansioso.

-Bom, Tyler esse é o Tommy, Tommy esse é o Tyler. – Disse enquanto apontava para os dois. – Hoje, nós vamos para um lugar legal, que eu nunca levei nenhum de vocês, porque posso ter problemas levando pessoas de fora. Mas tudo bem, eu já fui alguém de fora então eles devem entender.

-Eles quem? – Tommy estava realmente confuso, sua voz quase transmitia desespero para entender o que acontecia – Que lugar. Caralho Joseph, o que você tá fazendo?

-Tentando não deixar vocês dois morrerem na rua por minha culpa.

Empurrei Tommy mais uma vez para a porta e depois puxei Tyler para cima que não se deixou ser empurrado.

-Vai me levar pra uma festa?

-Vou tentar te arrumar uma casa. Calma.

Com os dois garotos do lado de fora, pedi alguns segundos apenas para trocar de roupa e me perfumar. Quando voltei, eles não pareciam ter trocado uma única palavra e encaravam a rua a frente de ambos. Passei entre ambos e continuei andando devagar, enquanto os dois garotos me acompanhavam. O sol baixava devagar e já eram quase 6 da tarde.

-Não vamos pegar um ônibus? Acabamos de passar dois pontos.  – Tyler parecia um tanto desconfiado.

-No próximo ponto pegamos um. Não precisa ter pressa. Só vão deixar que a gente entre depois das 8.

Depois de 5 minutos, alcançamos um outro ponto de ônibus, onde nos sentamos a esperar pelo próximo ônibus passar.

-Então loirinho... Tommy... Você foi despejado? – Tyler estava inclinado sobre seus joelhos olhando para frente e devia estar muito inquieto para estar sociável daquela forma.

-É. – Tommy por outro lado aprecia um tanto desconfortável e indisposto a conversar. - Dois meses sem pagar o aluguel. Gastei com outras coisas.

-Entendi... Drogas?

-Não. – Tommy riu um pouco alto demais para o que eu estava acostumado e apontou para um compartimento em sua mochila. – Não. Um ukulele novo. É uma paixão secreta.

-Porra, um ukulele – Tyler agora parecia realmente interessado em conversar. Aí que me lembrei que os dois compartilhavam de um grande amor musical – Eu já toquei uma vez. Mas nunca tive um pra aprender mais a fundo.

-É bem legal...

-O Tyler toca violão, piano, violino, baixo e um pouco de guitarra. – Eu disse após um pequeno silêncio se formar entre os dois. Aquilo estava servindo bem como um calmante momentâneo. – É um músico praticamente.

-Ok, não é pra tanto. – Tyler levantou a franja escura da testa com sua mão direita e voltou a fitar a rua movimentada a nossa frente. – Gosto muito de música. E fazer música. Mas não é algo profissional.

-Bom, eu não tenho muito talento. – Tommy disse um pouco sem graça, atitude típica do loiro – Mas eu gosto bastante também. Só toco ukulele e violão, mas perdi meu violão.

-Para de ser modesto – Eu disse batendo de leve no ombro do garoto que se encolheu rapidamente. Era incrível sua aversão ao contato humano. Então cuidei para me virar para Tyler– Ele toca muito bem.

Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, o ônibus havia chegado. No andar de cima, vimos as luzes da cidade se acendendo pouco a pouco, enquanto o sol descia naquele passeio de 30 minutos. A lua agora se lançava ao céu, se arriscando na vista das pessoas. Liverpool era uma cidade bonita e seu lago refletia em contraste as luzes urbanas e do céu estrelado. A noite em si, estava muito melhor do que a manhã daquele dia. Olhei para meus dois amigos ao meu lado, ambos apoiados em seus cotovelos apreciando a mesma coisa que eu. Era um daqueles poucos momentos que podemos dizer que temos sorte por vivermos neste mundo.  Quando meu celular marcava 7:15 p.m o ônibus parou pela quinta vez e eu me levantei.

-Aqui já é perto suficiente. Vamos.

Os dois adolescentes me acompanharam para fora do veículo, disparadamente menos nervosos do que estavam mais cedo. Enquanto eu os guiava pelo centro urbano da cidade, Tommy começou a ficar preocupado quando adentrei em terreno desconhecido para ele até então.

-Eu sei que não saio muito... Mas, acho que esse lugar aqui não é muito amigável... Certo? Joseph? Tyler?

-É, ele meio que tem razão Joseph. Isso aqui não é muito escuro não? A gente ta entrando em beco atrás de beco.

-Relaxem

Assim que os respondi, chegamos ao destino. À nossa frente, podíamos ver um enorme viaduto, herdado da era vitoriana e que não havia sido demolido. Trepadeiras subiam por suas paredes e iluminação de natal estava pendurada acesa nele.

-Onde a gente tá? – Tyler olhava para cima com a boca entreaberta antes e depois de falar.

-Bom, isso aqui é uma maravilhosa herança cultural desconhecida. As pessoas não costumam vir aqui por medo mesmo. Que nem vocês. Mas é lindo. De qualquer forma, estamos perto do Cavern Club.

-E...  – Agora ele olhava para mim com o cabelo cobrindo seus olhos - É aqui que nós viemos... Pra que?

-Não é exatamente aqui...

Continuei andando em frente até parar em frente a um bueiro enferrujado. Sentei-me a frente do mesmo e fiquei encarando-o.

-Viemos pro esgoto? – Tommy se sentou ao meu lado enquanto perguntava recheado de ironia.

-Às 8 entramos.

Tyler revirou os olhos, mas logo se sentou ao meu outro lado e afundou o rosto entre suas duas mãos. Com o tempo passando, fechei os olhos e me deixei cochilar um pouco. Sem ver o tempo passar, fui desperto por uma música melódica soando em meus ouvidos. Abri os olhos e me levantei. Olhei por cima do ombro e pude ver um casal se aproximando. Mais gente chegava. Eram 8 horas.

-Bom, vamos.

Me abaixei e puxei a tampa do bueiro para cima. Ela fez um barulho surdo e incômodo ao sair e ao pousar no chão. Saltei para dentro sem cuidado, diferentemente de Tommy que se pendurou nas bordas e desceu de forma calculista. Tyler acabou pulando como eu fiz, mas acabou perdendo o equilíbrio no impacto e caindo de cara no chão, ralando seu queixo. Enquanto ria, ofereci encarecidamente minha mão para sustentar o garoto enquanto ele se levantava. Tommy segurava o riso também, e Tyler apenas limpou sua blusa branca. Guiei os garotos pela frente enquanto ouvia os pés do casal que nos seguia pousarem no chão.

-O bueiro fica aberto? – Tommy parecia realmente preocupado e seu olhar era atento.

-Sim. A casa é aberta pra quem encontra-la.

-Que lugar é esse Joseph? – Tyler parecia indiferente com o que via ao invés de preocupado.

Enquanto andávamos pelo subterrâneo de Liverpool, as paredes sujas e grafitadas, iam dando lugar a paredes limpas (e ainda grafitadas) e iluminadas. A música aumentava a medida que íamos andando, até que alguns poucos minutos depois chegamos a um portal e um muro feitos artesanalmente, cheios de luzes pisca-pisca roxas, e a música já estava em um volume digno e incomodo.  Me aproximei da porta, e me escorei de costas nelas, com as mãos nas maçanetas, inspirei profundamente, expirando apenas para falar.

-Bem vindos... Ao subterrâneo de Liverpool.

As portas se abriram. A música aumentou levemente e uma fumaça pouco densa saiu pelo portal. Os garotos sorriram incrédulos com o que viam. E uma voz masculina gritou atrás de mim em um microfone.

-O MCE tem o prazer de recebe-los. Façam da nossa casa, seu paraíso jovens. 


Notas Finais


O que acharam? O que esperam nos próximos capítulos? Deixem aqui suas críticas e teorias, e não se esqueçam de favoritar. Xx


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