História Under - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescentes, Drama, Romance
Exibições 4
Palavras 3.342
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bem vindos ao segundo capítulo. Um detalhe que vale ser especificado, os capítulos se passam pelo ponto de vista de certo personagem. Então, o eu-lírico de cada capítulo é dito no título deste. Bom, espero que gostem, e até a próxima :)

Capítulo 2 - Capítulo 2 - Tyler


Fanfic / Fanfiction Under - Capítulo 2 - Capítulo 2 - Tyler

“There could be a World War 3 goin' on outside”

Aquele lugar não parecia exatamente o que a minha mãe disse ser o paraíso quando eu tinha 5 anos. A fumaça cheirando a sorvete preencheu meus pulmões assim que as portas se abriram. Da entrada mesmo pude ver o que parecia ser uma boate subterrânea, com luzes psicodélicas dignas de causar uma onda de ataques epiléticos na população inteira de Liverpool. A música Trap ecoando pelo lugar começava a me incomodar levemente pelo seu volume extremo. O ambiente em si consistia do que parecia uma continuação do corredor de antes, com um bar montado na lateral direita, formado por um enorme balcão com banquinhos e uma bartender de cabelo rosa preparando drinks, um pequeno palco para o DJ e canhões de luz, alguns quartos privativos à esquerda deste e a “pista de dança” se estendendo por todo o espaço. O local todo banhado por uma luz negra que não pude identificar a fonte. Joseph deu um tapinha em meu ombro e quando me virei ele já tinha se afastado de mim e Tommy e ido até uma garota que se encontrava sentada em um degrau perto do palco. Agora estávamos abandonados aparentemente. Suspirei e comecei a andar em direção ao bar, quando percebi que Tommy me seguia. Tentei não parecer incomodado, mas caramba, ele não conseguia ficar sozinho? Me sentei em um dos bancos do bar e me apoiei em meus cotovelos no balcão, enquanto o garoto se sentava virado para a pista que agora começava a ser preenchida por mais jovens.

-Vai querer beber alguma coisa? – A garota de cabelo rosa gritou do outro lado. Ela sorria abertamente e suas pupilas pareciam dilatadas. Chapada.

-Não, valeu – Retribui o sorriso e tentei ser bem claro com minhas palavras, pois a música já estava ensurdecedora.

-Tá certo. Qualquer coisa, é só gritar e levantar o braço!

Fiz que sim com a cabeça e a baixei entre minhas mãos enquanto ela foi atender uma outra garota que se encontrava a alguns metros de mim. Eu raramente me encontrava no humor para festas como aquela, e certamente não estava naquela noite. Tinha acabado de ter aquela discussão com meus pais e saí de casa, e tudo que eu queria era um lugar para ficar. A primeira pessoa que eu deveria procurar era meu melhor amigo, ele me ajudaria, certo? É essa a lógica da vida. Se você não tem uma namorada, essa é a pessoa na linha de hierarquia de se importar com você depois dos pais, certo? Mas se nem seus próprios pais se importam, claro que seu melhor amigo muito menos. Às vezes minha mente me prega peças, pois só faço essas devidas reflexões aqui, em uma rave provavelmente ilegal, quando já foi tudo comprometido.

-Você não bebe?

Por um segundo tinha me esquecido que Tommy estava ali. Levantei minha cabeça e o encarei pensando por alguns segundos na pergunta que ele me fizera antes de responder.

-Ah, desculpa. To meio perdido. Não, não bebo.

-Engraçado. Bom, fico feliz em encontrar alguém que partilhe do meu não desejo por drogas.

-É, talvez nem tanto... – Expandi um sorriso amarelo em minha boca e encolhi meus olhos antes de prosseguir. Aquele garoto era bem inocente. - Eu fumo.

-Ah... É, ninguém é perfeito não é mesmo?

-É, somos todos humanos.

-Você também não quer conversar né?

-Não.

-É, obrigado. Me sinto menos mal por ficar quieto.

Eu olhei para o garoto arqueando a sobrancelha e ele já olhava para mim com um sorriso fechado e os olhos meio que pedindo desculpa. Ri alto e ele me acompanhou na risada. Uma garota usando Chanel passou ao nosso lado e o cheiro do perfume acabou dominando minhas narinas. Fechei os olhos tentando aproveitar o aroma, mas fui interrompido pela voz de Joseph. Quando abri os olhos ele tinha o braço ao redor do pescoço da garota com quem fora conversar no início.

-Achei vocês! – Ele estava extremamente risonho, tanto que suspeitei se ele ainda estava sóbrio. Mas só haviam se passado 5 minutos, não teria como ele já estar alterado. Então supus ser só ânimo e empolgação.- Caramba, eu saio por um segundo e você leva meu nerd pro bar.

-Foi você quem trouxe ele pra uma rave secreta. – Nos encaramos por alguns segundos, mas ele não pôde sustentar meu olhar e desviou seus olhos para o lado. Fiz o mesmo, mas para a garota ao seu lado. – Quem é sua namorada?

A garota tinha um cabelo hipnotizante. Cacheado e chegava até seus ombros, era tingido de azul, em uma tonalidade bebê, mas brilhava intensamente ali na luz negra. Sua pequena franja não alcançava suas sobrancelhas finas e muito menos seus olhos que não pude identificar a cor. Usava um vestido branco tomara que caia colado da cintura para cima, porém que se desenrolava em babados volumosos até os joelhos. Não era uma roupa comum em festas assim. Mas parecia se encaixar perfeitamente na garota.

-Não é minha namorada. – Joseph disse um pouco desconfortável afagando o ombro da menina. – Perdi minhas chances com ela. Porque não se apresenta algodão doce?

A garota se virou para Joseph e revirou os olhos enquanto exibia um meio sorriso e se livrava de seus braços. Quando já estava a uma distância de 30 centímetros dele se voltou para mim.

-Lucy. Bem vindo ao MCE. Joseph me disse que é a sua primeira vez... – E então ela se virou para o garoto ao meu lado, que brincava com a própria franja loira. – A primeira vez de vocês. Bom, se quiserem deixar suas mochilas atrás do balcão, sem problemas. Ninguém vai roubar.

-Lucy, Joseph! – A bartender de cabelos rosas surgiu com a cabeça ao lado da minha, me assustando abruptamente. - Vão querer beber alguma coisa?

-Não Luna, valeu. – Lucy respondeu sorrindo agora de forma um tanto mais aberta. – O que eu e o Dimitri já dissemos sobre trabalhar chapada?

-Eu vou aceitar. – Joseph se aproximou do balcão e só saiu de lá quando a garota voltou com uma batida para ele. –Tá bonita hoje Luna.

-Obrigada... – Ela olhou para Lucy então imediatamente sorrindo e com o olhar estático, mas depois de alguns poucos segundos piscou várias vezes e voltou a falar – Bom, você devia beber alguma coisa.

-Não. Já tive minhas experiências. – Lucy respondeu franzindo os lábios e se virou de costas puxando meu braço e o chamando Tommy com a mão livre. – Venham fazer alguma coisa interessante.

Tommy não se levantou, mas eu não tive escolha. Soltei minha mochila sobre o banco esperando que alguém a guardasse para mim e segui a garota. Quem me seguiu foi Joseph, mas acabou se perdendo no caminho quando uma garota apenas o beijou. Por sorte só precisei presenciar isso no segundo em que aconteceu, pois as pessoas rapidamente preenchiam o espaço que deixávamos ao passar. Lucy tinha quase minha altura naqueles all stars coloridos que ela usava e seus ombros eram delicados ali por trás. Me guiou pelo braço até que chegamos do outro lado da pista e ela me puxou para um nível superior através de uns 3 degraus. Estávamos agora à 1 metro e meio de altura da pista e podíamos ter uma visão mais ampla do local. Tinha enchido rápido, e eu podia ver todo tipo de droga passando pelas mãos das pessoas. Tommy ia morrer com a imperfeição dessas pessoas.

-Tyler certo? – Ela perguntou. Sua voz estava elevada, mas seu timbre era estável.

-Sim.

-Você sabe que lugar é esse?

-Bom... Definitivamente sei que as pessoas não devem saber que lugar é esse. Olha a quantidade de droga que essa gente tá usando.

-É... Verdade. – Ela riu levemente e eu não pude deixar de acompanhar. Seu sorriso era realmente bonito. – Não é sempre assim. Quer dizer, não tem tanta droga normalmente. Normalmente nossas festas são mais privadas. Mas meu irmão resolveu abrir a casa hoje.

-Entendi... Então aqui é uma boate.

-Também, se você quiser chamar assim. O MCE é mais um recanto de tranquilidade do que isso.

-MCE?

-É. Abreviação de Mundus Caecus Est. Do latim, “O mundo é cego”. Eu sei. Latim, clichê, bla bla bla bla. Mas é uma boa frase pra definir meu pensamento e o de meu irmão. Nós criamos esse lugar.

-Não, na verdade achei bem legal. Criativo. Não faço a mínima ideia do que vocês querem dizer com o mundo ser cego, mas gostei bastante.

-Bom. Na época que fundamos o MCE, Dimitri enfrentava alguns problemas sérios...

-Quem é Dimitri? Desculpa interromper.

-Meu irmão. Enfim, ele tava em uma barra pesada. Ele tinha acabado de ser adotado  do orfanato em que morávamos, mas fugiu da casa dos pais adotivos e me buscou no orfanato. Não tínhamos onde ficar, e ele precisava de remédios pra não ficar mal. Foi quando conhecemos Joseph, que nos deu alguns remédios. Mas não podíamos depender da hospitalidade dele sabe... Então começamos a trabalhar no metrô. Meu irmão tinha um teclado e o tocava, e esperávamos que alguém deixasse trocados. Um dia, ele teve uma crise existencial, e disse que era um péssimo irmão e não íamos conseguir sobreviver por muito daquele jeito. Disse que falhou em cuidar de mim. Saímos andando pela rede subterrânea de Liverpool para que ele se acalmasse, até que não sei como, chegamos aqui. Era só uma câmara abandonada. Um fim de túnel. E ele disse “se morrermos aqui ninguém vai ver Lucy. Ninguém. Sabe por quê? Porque nós não temos importância. O mundo é cego para aqueles que não brilham o suficiente. Somos invisíveis. Aqui entre essas paredes sujas ou lá fora entre pessoas sujas. Não importa.”. E eu gostei dessa frase. E percebi que esse lugar era legal entende. Mesmo que ele só visse paredes sujas e pichadas... Sei lá. Eu via uma possibilidade. Uma possibilidade de brilhar. E O mundo é cego parecia um bom nome. Moramos aqui desde então.

-Opa. Espera aí, vocês moram aqui?

-Sim. Dois dos quartos aqui do lado são nossos. Os únicos trancados. Não faço a menor ideia do que eram aquelas salas antes de transformarmos em quartos. Mas roubamos tudo que temos lá dentro.

-Ah... Então vocês roubam.

-Sim, não fazemos dinheiro com isso aqui. Mas fazemos amigos. E eles nos ajudam bastante. Mas ninguém vive de ajuda, então precisamos nos render a sujeira.

-Faz sentido. Legal. É uma história legal, digo. Não que roubar seja legal. Você entendeu, desculpa.

-Tudo bem. – Ela riu e balançou a cabeça ainda olhando para as pessoas a sua frente. Seu cabelo tremulava de forma harmoniosa. Era quase uma obra de arte em movimento. – Bom. Espero que você se divirta suficiente pra se tornar um de nós Tyler. Nossa família é bem legal, confia em mim.

-É... Sabe, eu vou tentar socializar um pouco o Tommy.

-O loirinho? Eu faço isso. Vai se divertir. Se precisar se drogar, tem bebidas no bar, e todo tipo de coisa entre as pessoas.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela saltou para a pista novamente e se misturou entre as pessoas indo em direção ao bar. Minhas pernas já tremiam e eu já estava começando a surtar naquele lugar. Muitas pessoas e nada de interessante pra fazer. Eu precisava de um cigarro. Pulei para a pista assim como Lucy tinha feito e comecei a andar entre as pessoas. Algumas pessoas se beijavam, outras só pulavam e gritavam. A maioria com baseados e cigarros nas mãos, mas eu não sabia como conseguir um deles. Até que encontrei Joseph, com um copo cheio na mão falando com um garoto com uma pequena bolsa na cintura. Olhando bem pude perceber que estava recheada de Gudang Garam. A última vez que fumei um daqueles, passei um dia inteiro com náuseas devido ao enjoativo sabor de canela. Mas já era alguma coisa. Me aproximei dos dois e tentei ser o menos invasivo possível.

-Joseph, preciso fumar alguma coisa. Deixei todos os meus em casa.– Não funcionou

-Claro. Tava demorando. – O garoto riu e pude ver em seus olhos que ele já não mais estava sóbrio. – Nik, dá um pra ele.

-Ah mano. – O garoto loiro a sua frente reclamou com um sotaque forte e bateu o pé no chão, mas com um sorriso travesso no rosto – Não gosto de dar de graça pra quem é de fora.

-Ele não é de fora, é meu melhor amigo.

O loiro então se virou pra mim e fez que sim com a cabeça, tirando um maço de sua bolsa e atirando para mim.

-Obrigado.

-É de canela. Direto da Indonésia. Contrabando de qualidade.

Fiz que sim com a cabeça. Ótimo. Canela de novo. Por que fazer um cigarro tão doce? Coloquei um cigarro na boca e acendi com meu isqueiro já puxando. A fumaça rapidamente queimou minhas vias aéreas e ocupou meus pulmões. Fechei os olhos e esperei alguns segundos antes de expirar a densa cortina branca. Quando os abri novamente, minhas pernas já estavam um tanto mais quietas. O alívio para a ansiedade me atingiu logo, o que foi reconfortante. Continuei tragando o cigarro e andando pela festa, e quando acabava, acendia outro. E assim a noite foi passando, apenas observando as pessoas ao meu redor.

Ao fim da festa, eu estava sentado no balcão do bar ao lado de Tommy e Lucy. Tommy cochilava sobre seus braços enquanto Lucy lia algo em seu celular. As luzes do local já estavam apagadas, então estava tudo escuro, mas meu celular marcava 6 da manhã. A minha frente, Joseph estava sentado no chão com a cabeça apoiada sobre as duas mãos e as outras pessoas iam deixando o local, exceto o garoto do cigarro, a bartender e o DJ. O último se abaixou ao lado de Joseph e gritou bem perto do seu ouvido.

-Bebeu de novo Linch?!

-Ah, inferno Dimitri, não faz isso porra. – Choramingou o ruivo que quase caiu com o grito.

O outro então se levantou radiante e olhou para Tommy e depois para mim. Nos encaramos por pouco tempo e então ele se voltou para Lucy, ainda sorrindo.

-Quem são esses?

-Convidados do Joseph.

-Ah... Bem vindos... Ou bem vindo – Ele olhou para Tommy desacordado ao meu lado mas logo se voltou a mim. – Meu nome é Dimitri, e sou um dos anfitriões.

-Lucy me falou sobre você... É um dos fundadores.

-Ah, sim. Sou. – Ele sorriu para a irmã, mas depois olhou para o chão e desfez a face alegre. – Bom, Joseph, hora de ir pra casa. Você e seus amigos.

Joseph então levantou o rosto com os olhos esbugalhados e uma expressão quase que de espanto e gemeu alto suficiente para que Tommy acordasse assustado e quase caísse da cadeira, se não fosse pela mão da bartender.

-Não, calma, calma. Eu trouxe os dois aqui... Com uma proposta pra vocês.

O silêncio se fez entre todos então. Eu não podia acreditar que ele realmente ia falar sobre isso.

-Então faça – Lucy disse demonstrando um leve interesse misturado com sono em sua voz.

-Bom... Eu sei que pode ser pedir demais. Mas vocês sempre disseram que me devem muito. Bom... Eu não queria ter que cobrar isso – Ele tossiu e vomitou um pouco na própria calça, mas se fez de indiferente e prosseguiu limpando a boca com as costas da mão – Mas... Esses dois eles estão sem onde ficar. Por tempo indeterminado. E não posso mantê-los na minha casa, e são meus melhores amigos, não posso só jogá-los na rua. Então... Queria saber se não tem como eles ficarem no MCE.

O silêncio voltou a se instaurar no local. O garoto dos cigarros ergueu uma sobrancelha e riu baixo, enquanto Tommy olhava incrédulo para Joseph. E eu devia ter o mesmo olhar. Como ele poderia sugerir que eles abrigassem duas pessoas que mal conheciam na casa deles? E o pior, sequer nos contar sobre esse plano maluco? Peguei minha mochila atrás do balcão, a pus nas costas e me levantei. A rua parecia ser o único lugar para onde eu poderia ir. Não voltaria para a casa dos meus pais. Nunca. E ninguém mais iria me acolher. Suspirei e estava prestes a agradecer por tudo quando Dimitri pôs a mão em meu peito.

-Onde vai?

-Embora? – Eu disse olhando para cima para poder fazer encontro ocular com o garoto. Ele era enorme. – Eu não tinha ideia disso. Não quero incomodar nem ser um peso a mais. Desculpem, mas o Joseph é meio louco as vezes.

-Não, não. Você fica. Não vai ser incômodo algum e sem essa de “peso”. Vocês dois ficam – Ele agora pousou a mão no ombro de Tommy que ainda estava confuso com o que acontecia. Eu ainda não sabia se ele já tinha realmente acordado ou se ainda tentava recobrar seus sentidos – Vão ser parte do MCE. Mas essa hospitalidade não é de graça, vão nos ajudar a cuidar e manter o lugar. Entendido?

Olhei para ele com ainda menos entendimento do que olhei para Joseph. Como ele estava aceitando aquilo? Balancei a cabeça e tentei afrontar a decisão do garoto, mas não encontrei palavras. Foi Tommy quem falou então.

-Bom... Eu realmente gostaria de recusar. Não nasci pra festas e nem pra conviver com pessoas. Odeio ambos. Mas... Eu preciso de algum lugar pra ficar. Não consigo viver nas ruas. Então obrigado. Vou ser útil para o que quiserem que eu seja, não se preocupem.

Olhei para o garoto pronto para dar um tiro em sua boca. Mas ele tinha razão. Nem ele, nem eu sobreviveríamos um dia lá fora sozinhos. Sem comida, dinheiro ou sequer proteção. Suspirei e deixei minha mochila pousar no balcão novamente.

-Ok. Eu digo o mesmo que ele. Mas prometo não ficar aqui para sempre.

-Eu faço questão que fique. – Lucy disse com o queixo pousado em meu ombro. – Bom, porque não apresentamos vocês. Aquele – Ela apontou para o garoto dos cigarros – É Niklaus. Alemão, traz nossas drogas. Essa aqui atrás de mim – Ela virou minha cabeça para a menina de cabelo rosa que agora parecia concentrada para não desmaiar – É a Luna. Ele tá um pouco mal por causa da heroína. Enfim. Eu e meu irmão vocês já conhecem. E o Joseph também. Logo vocês devem conhecer a Janna e a Kat. Mas elas viajaram. Voltam logo. E na verdade... – Agora ela desviou o olhar para Dimitri – Katherine disse que vai trazer uma amiga nova.

-Parece que vamos receber muita gente então – O garoto disse suspirando e sorrindo. – Bom. Temos que limpar isso tudo. Hoje não vamos abrir pro exterior. Então sem publicidade Nik. Quem quiser aparecer manda mensagem. Eu, minha irmã e os novatos cuidamos de tudo.

Joseph se levantou com enorme dificuldade e me abraçou.

-Eu disse que ia te arrumar uma casa.

-Disse?

-Eu pensei... Boa sorte irmão.

E então ele abraçou ainda desengonçado Tommy e sussurrou algumas palavras em seu ouvido. Se afastou e cambaleou até enlaçar o pescoço de Niklaus com um de seus braços.

-Bom, eu vou levar ele pra casa e depois dormir. Apareço aqui depois. Vai querer carona também Luna?

-Vou... Mas não me deixa em casa. Vou ficar na sua. Ainda tenho que trabalhar hoje, e meus pais estão em casa.

A garota saiu de trás do balcão e acenou para todos enquanto seguia Niklaus e Joseph porta a fora. Dimitri pôs as duas mãos na cintura e avaliou o local ao seu redor enquanto a irmã o abraçava pelas costas.

-Isso vai dar trabalho... – Virou o olhar em minha direção e do loiro ao meu lado – Prontos pra começar sua vida aqui?

Suspirei e revirei os olhos enquanto fazia que sim com a cabeça. Tommy apenas se levantou e comigo seguiu os dois irmãos até os quartos, onde pegaram esfregões e baldes e nos entregaram. E ali começamos a limpar o lugar. Era incrível como as pessoas conseguiam ser imundas. E enquanto eu batia aquele esfregão no chão, fui percebendo com os ecos que aquele lugar realmente, era vazio. Era escondido e diferente. O som ecoava para chegar a lugar nenhum. Era tudo... Invisível.


Notas Finais


O que acharam do capítulo? O que esperam do próximo. Espero que tenham gostado da história. Deixem suas críticas e comentários aqui e não se esqueçam de favoritar. Xx


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...