História Under the Moonlight - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Camila Cabello
Personagens Ariana Grande, Camila Cabello, Personagens Originais
Tags Aceitacao, Ariana Grande, Camariana, Camila Cabello, Crianças, Intersexualidade, Romance
Visualizações 114
Palavras 4.911
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Feliz dia das crianças, meus anjos! Deixo aqui como meu presentinho um capítulo extenso e intenso, vocês logo descobrirão. Deixem os presentinhos de vocês pra mim também.

Boa leitura!

Capítulo 15 - Capítulo 14 (mil ternuras)


Fanfic / Fanfiction Under the Moonlight - Capítulo 15 - Capítulo 14 (mil ternuras)

Camila Pov

A semana foi um verdadeiro paraíso. Nos dias que se seguiram Ariana me mandava mensagens pela manhã e no meio do dia. À noite eu ia a sua casa e distribuía meu tempo com ela e a filha. Quando Luna ia deitar começava a sessão tortura. A cantora não escondia suas vontades e abusava dos toques sensuais e dos carinhos estimulantes em nossas sessões de beijos no sofá.

Eu vinha usando duas cuecas e abusando dos jeans grossos e que faziam aquele volume natural na costura do zíper para evitar qualquer constrangimento, mas ainda assim fugia de todas as investidas mais pesadas. O que parecia deixá-la confusa.

Numa sexta de lua crescente, Luna chegou cansada da recreação e foi pra cama pouco tempo depois que eu cheguei ao apartamento. Dei um beijo de boa noite na baixinha e Ariana foi colocá-la na cama. Quando voltou o sorriso sapeca a entregava. Selecionou alguns títulos e propôs uma maratona de filmes. Afastamos a mesa de centro e nos deitamos sobre o tapete no meio de travesseiros e almofadas.

- Começamos com um clássico. - Anunciou.

- Moulin Rouge? - Perguntei ao ver o título na tela. - É o seu filme favorito?

- Não, meu filme favorito é Breakfast at Tiffany's. - Responde e logo vira de costas e puxa a vasta cabeleira de lado revelando a tatuagem delicada na nuca. 

- Uau! Você tatuou a expressão que Holly usa pra assinar o bilhete.

- Você é incrível. Quando eu penso que você não pode mais me surpreender você vai lá e faz isso da forma mais positiva possível. - Diz por sobre o ombro ainda segurando os cabelos.

- Bonequinha de luxo é dos filmes favoritos da minha mãe e meu pai tem um exemplar do livro de Truman Capote. Aliás, você ainda não conhece a biblioteca de papai, não é? Vou falar com ele para te levar lá algum dia. - Suspiro ao observar as letras delicadas. - Posso tocar? - Ela assente. - "Por favor, perdoe a outra noite. Você foi um anjo. Mille tendresse – Holly. Ps. Não vou incomodar de novo."  - Citei enquanto corria suavemente os dedos pela tatuagem delicada.

- "Por favor, incomode." - Ela respondeu antes de jogar os cabelos para trás e me roubar um selinho. - Precisamos assisti-lo juntas, mas outro dia, porque a programação de hoje já está completa.

Deitei a cabeça na pilha de travesseiros junto ao sofá e ela repousou a cabeça em meu peito passando a ponta dos dedos delicados por meu braço e balbuciando as falas que sabia de cor. Sorri e me concentrei no filme.

Para o segundo ela estourou pipoca e sentou ao meu lado com as costas apoiadas no sofá. Em determinada cena de o Cisne Negro, Mila Kunis investe sobre Natalie Portman e apesar de ser uma cena densa tal ato deu a Ariana o ímpeto de fazer o mesmo. Tive de ter jogo de cintura para retirá-la de cima de mim e convencê-la de que era melhor voltar a ver o filme.

No terceiro título da noite ela descontou sua energia e me trouxe junto. Conformada com a minha esquiva ela levantou-se e me estendeu a mão. Eu não sabia para onde ela iria me levar, mas eu sabia que queria ir. Terminamos dançando o número final de Dirty Dance no meio da sala.

A gargalhada escandalosa que ecoou pela sala do apartamento quando eu quase a derrubei no chão despertou Luna que dormia desde cedo, mas só nos demos conta do fato quando depois de finalizar o beijo já muito entrosado demos de cara com a baixinha coçando os olhos e estampando um sorriso preguiçoso encostada na parede que divide as duas salas.

- Mamãe, mamãe, mamãe, você estava beijando a tia Mila?

- É... - Ariana e eu ficamos tentando formular uma frase com sentido.

- Tudo bem, mamãe, eu gosto da tia Mila. E já que você ainda tá aqui, tia Mila, será que podemos assistir a patrulha canina? Eu sonhei que nós fazíamos parte com a sua moto azul.

- Claro, baixinha. Vem cá! - A chamei para o sofá e Ariana me piscou um olho.

Depois de assistir a um par de episódios do desenho Luna adormeceu ao meu lado no sofá. Ofereci ajuda para colocá-la na cama e recebi um convite de Ariana para dormir lá. Recusei por motivos que nem preciso mencionar aqui. Além disso, do jeito que ela estava me beijando durante a noite, certamente na madrugada evoluiria para algo que eu não estava preparada e ela muito menos.

E foi com esse pensamento que eu voltei para casa e passei a madrugada inteira pensando no que fazer agora que nós estávamos em outro nível de relação. Eu não poderia chegar para ela logo após a noite da pizza e simplesmente dizer "Então, Ari, eu tenho um pau, beleza? É, tipo uma surpresinha, não tão inha assim. Minha mãe teve um problema na gestação e eu nasci com um amiguinho entre as pernas."

Aaaaaaaaaaa

Pensei em diversas abordagens, mas nenhuma soava bem nem mesmo na minha cabeça. Em voz alta, então... Deveria ser como a maior loucura já dita. Só consegui dormir depois de exaurir meus pensamentos. Na manhã seguinte me recompus e tentei não me culpar por eventuais desilusões futuras.

 E a vida seguiu.

Ariana e eu tínhamos uma convivência cada dia melhor e mais harmoniosa. No fim das contas toda aquela conversa dela sobre signos até que fazia algum sentido. Eu prefiro acreditar que era coincidência, mas o jeito mandão e atrevido dela casava perfeitamente com a minha praticidade e vontade de agradar. Ela mandava e eu fazia. Eu discordava e ela dava um jeito de me convencer.

Sem rótulos, sem cobranças, mas com muita vontade de estar juntas e muito felizes com clima que prevaleceu após o primeiro beijo. Nas semanas seguintes comuns foram nossos passeios noturnos pela praia. Tomávamos água de côco, ela às vezes tomava cerveja, eu levava minha caixinha de som e nós compartilhávamos músicas por bluetooth e muitos beijos sob a luz da lua à beira-mar.

Na volta pra casa ela me atentava o juízo dentro do carro e quando eu conseguia impedi-la de montar no meu colo ela emburrava e roubava todos os meus chicletes que ficavam no console. À essa altura as nossas mãos já encaixam certo e se procuram automaticamente. Nossos lábios se estranham se ficam muito tempo se se tocar e o cheiro dela já marca parte das minhas coisas.

Se eu estou apaixonada?

Parafraseio minha querida mãe.

"Mas de forma alguma."

Termino minha rota de ida da manhã e passo o tempo antes da volta jogando no psp e ouvindo as histórias de Shawn no escritório da central. Juno ria das presepadas de meu primo enquanto eu apenas negava com a cabeça. O telefone toca e na ausência de meu pai e de Angie, a atendente, eu atendo.

- Cabello's transporte escolar, Camila, bom dia.

- Ai, Camila! Graças a Deus. - Reconheço a voz aflita do outro lado da linha como sendo de Jade, uma das 'tias' da escola de Luna.

- O que houve?

- Luna sofreu um acidente. - Meu coração parecia ter recebido uma marretada. - Não foi muito grave, mas estamos tentando ligar para Ariana sem sucesso há algum tempo e como eu sei que você é uma amiga resolvi apelar.

- Eu estou indo aí agora mesmo. Obrigada por entrar em contato, Jade. - Desliguei e recebi olhares de Shawn e Juno, que agora estavam sérios.

- Preciso que me consiga um motorista substituto urgente, Shawn. - Disse enquanto desabotoava a camisa da farda ficando apenas com a branca de algodão.

- O que aconteceu? Aonde você vai? - Juno quis saber.

- Mas tarde eu ligo com notícias.

Saí correndo em direção à garagem de casa e dei graças a Deus e um sorriso abatido ao perceber que a cadeirinha já estava presa ao banco de trás do meu carro. Mandei alguns áudios e até mensagens de texto para Ariana no caminho para a escola, mas ao que tudo indicava o celular dela estava desligado, o que era muito estranho já que ela sempre o mantinha ligado por conta da filha.

- Bom dia, eu vim por Luna Sykes Grande. - Disse na portaria e logo Jade apareceu e me levou à enfermaria. - Oi baixinha. - Disse mordendo as laterais internas das minhas bochechas ao ver a menina com um curativo no queixo alguns arranhões pelo ombro e uma tala no braço. Era de cortar o coração.

- Tia Mila, eu caí. - Disse com voz de choro.

- Tudo bem, meu anjo. Você vai ficar bem. - Passei a mão por seus cabelinhos.

- Luna é forte, não é? Vai precisar ir ao médico e isso deve lhe render alguns pontos. - Disse a enfermeira para mim.

A diretora adentrou o local e avaliou a situação da pequena. Conversou com Jade e logo voltou seus olhos para mim.

- Eu vou levá-la ao hospital. - Disse e ela me encarou.

- E você quem é?

Pedi para que fôssemos conversar no corredor e antes de sair dei um beijo na testa de Luna.

- Sou namorada da mãe dela. - Falei com firmeza logo que ganhamos o corredor.

- Olha, eu não sei o que está acontecendo com Ariana, mas está fora de comunicação. Isso não é comum, mas 80% do meu corpo docente afirma te conhecer e a transportadora para a qual você trabalha está listada nos contatos de emergência, que também não atenderam e... Bem, vou confiar em você. - Sentenciou olhando no fundo dos meus olhos.

[...]

Levei Luna à emergência do hospital conveniado ao seu plano mais próximo da escola acompanhada de Jade e segurei a mão da baixinha durante o atendimento. A educadora explicou que a menina tropeçou na superfície de madeira do escorregador e caiu abrindo um corte no queixo, deixando algumas escoriações e provocando uma torção em seu pulso direito.

- Você pode, por favor, ser cuidadoso. - Pedi enquanto preparavam a sutura para o queixo da menina. - Como pode ver ela está assustada. - Intercedi junto ao médico.

- Não estou nada. - Protestou uma Luna sonolenta pelo efeito dos remédios.

- Pode deixar que eu vou cuidar bem da sua filha. Ela é muito novinha ainda, não vai ficar cicatriz permanente, mas eu vou usar uma técnica ainda menos invasiva. - O jovem médico disse para mim com um sorriso de lado.

- Tia Mila, não é minha mãe. Ela é namolada' da minha mamãe. - Luna logo esclareceu.

- Oh... - O médico parecia desapontado(?) - De qualquer forma, o rostinho lindo da sua enteada não vai ficar marcado por muito tempo. - Bagunçou os cabelos de Luna e piscou para mim.

- Penteada? Eu sou sua penteada, Tia Mila? - Luna indagou confusa e me arrancou um sorriso.

- Fica quietinha, meu anjo. Deixa o tio Harry cuidar do seu queixo, tá bom? - Ela concordou.

Substituíram a tala de seu pulso e me deram uma receita para comprar os remédios que auxiliariam em sua recuperação. Deixei Jade na escola e segui com Luna para a casa de Sam que já me esperava. A loira havia me mandado mensagens durante todo o trajeto escola-hospital-casa. Busquei a babá em sua casa e deixei Luna em sua companhia no apartamento enquanto fui até a farmácia comprar os medicamentos.

Agora a tarde Luna já estava banhada, alimentada e com os curativos trocados assistindo ao que em minha contagem era o quinto episódio de patrulha canina. Nada de Ariana. Nenhuma mensagem visualizada, nenhuma chamada recebida. Celular desligado. A diretora já havia ligado no estúdio e eles disseram que passariam o recado quando ela saísse da cabine de gravação. E nada.

- Por que a mamãe não veio me ver, Tia Mila? Ela tá com raiva porque eu caí do brinquedo?

- Não, Lu. Ela ainda não sabe que você se machucou, se soubesse viria correndo te ver. Você não teve culpa, baixinha. - Faço um carinho em sua bochecha.

- Então eu vou assistir desenho até a mamãe chegar. - Se aconchegou melhor entre as almofadas e voltou os olhos para a tv.

Sentei no banco de madeira da mesa da cozinha e suspirei. Sam, que lavava a louça que eu havia sujado com a preparação de uma vitamina, me olhou e torceu o lábio.

- O que será que aconteceu, Sam? Eu tô quase pra sair por aí em busca de notícias.

- A patroinha não é de faltar com a pestinha. Se eu pudesse chutar a causa desse sumiço eu dava uma bicuda naquele estúdio sanguessuga. Não é de hoje que ela reclama do volume de trabalho e da cobrança.

- É, ela não entrou em detalhes, mas comentou comigo também.

- De qualquer maneira, o pior já passou. Daqui a pouco ela sai de lá e vai saber o que houve. Quer que eu fique aqui pra quando ela chegar?

- Não, eu acho que posso dar conta. Vou pagar sua jornada e você pode ir quando quiser. Obrigada.

- Que isso, Camila. Não precisa me pagar nada. E eu posso ficar se você quiser.

Ficamos conversando sobre futebol e outras coisas enquanto a baixinha maratona o desenho. Depois que ela dorme a levo para o quarto e volto para a sala me juntando a Sam no sofá.

- Você falava sério sobre ter medo de Ariana brava? - Retomo o assunto enquanto pego um dos salgadinhos de sua tigela e ela me olha com as sobrancelhas franzidas para depois sorrir.

- Ariana brava é um pequeno demônio, acho que você ainda não está preparada para lidar com essa fase.

- É como um chefão? - Brinquei.

- Lembra da final do ano retrasado quando a gente enfrentou o Nacional com aquela tríade de atacantes de fora? - Pergunta fazendo referência a uma goleada horrenda que o nosso time levou.

- Como aquilo? - Pergunto espantada.

Ela apenas acena afirmativamente com a cabeça. Segundos depois uma Ariana furiosa e com o rosto vermelho abre a porta abruptamente arrastando nosso olhar  para a entrada do apartamento.

- Eu te falei. - Sam dá de ombros.

Ariana Pov

Sabe esses dias em que a gente pensa que é melhor nem existir? Estou vivendo um desses. Depois que mandei Luna para a escola e desejei um bom dia para Camila corri pro estúdio a fim de adiantar parte do trabalho que se acumulou para mim com a licença médica de Rosie, que era o que chamávamos de cantora de base. Ela era responsável por gravar canções inteiras provenientes de demos de compositores não-cantores para que o material fosse repassado aos cantores não-compositores. Uma confusão não é?

- Aria, bom dia, aqui estão as letras. - Fred me estendeu um calhamaço de folhas. - Aí estão as letras e os direcionamentos para as gravações. Acho bom você fazer um baita aquecimento porque o dia hoje vai ser longo.

- 10 faixas? - Pergunto ao conferir as folhas. - Só pode ser brincadeira. Isso é impossível. Devo te lembrar que tenho uma filha e não posso ficar além do meu horário estabelecido?

- Não, não precisa. Vamos dar uma apertadinha no almoço e concentrar aqui que vai dar tudo certo. - Pegou o celular da minha mão. - Isso aqui fica comigo.

- Frederic, você sabe que é uma das minhas exigências... Eu não posso ficar incomunicável. Luna pode precisar de mim.

- Pode ter certeza que eu repassarei caso seja algo relacionado a ela. Agora vamos lá, garota. Você tem muito o que gravar.

- Vou ficar sem voz desse jeito.

- Coloca esse gogó de ouro pra trabalhar, menina! - Fingia animação.

[...]

- Não acredito que você vai me fazer comer aqui dentro e não vai me devolver meu celular. Isso é trabalho escravo ou quê?

- O adicional vai cair bonitinho na sua conta.

Já passava das 14h quando me trouxeram o almoço dentro do aquário mesmo e mal me deixaram descansar. Eu estava cansada, chateada e desejando o colo de Camila. Luna estava na escola hoje o dia inteiro e por isso eu estava mais despreocupada. Tentei pegar meu celular apenas para conferir as redes e chamadas, mas Frederic me garantiu que me avisaria caso algo acontecesse e eu acabei usando meu escasso descanso para ir ao banheiro.

Depois de finalizar a 7 faixa eu já não pensava em mais nada que não fosse chegar em casa tomar um banho e dormir. Retiro os fones e me preparo para sair da cabine de gravação quando o áudio de comunicação entre a cabine e o aquário é aberto. 

- Ari, eu sei que já deu o seu horário e que você está cansada, mas ouça a minha proposta. - Suspirei. - Termine as 10 faixas e eu deposito 50% a mais que o combinado. - Fred propõe com os olhos grandes.

- Frederic, não plante essa semente. Minha filha deve estar chegando da escola nesse momento e eu preciso ir para casa.

- Dobre o turno da babá que eu faço a transferência agora. - Ele pega o celular.

- Então me dê o meu para que eu possa falar com ela. - Rebato. Ele vira a tela do aparelho para me mostrar a transação de transferência e eu murcho os ombros derrotada.

- Pode continuar gravando para ganhar tempo. Eu falo com a sua babá. - Solta o botão do microfone e eu volto a colocar os fones.

Minha filha vai me perdoar pela ausência. Vou recompensá-la. Quem sabe depois de finalizar essas faixas todas eu consiga uma folga para sair com ela. Volto a gravar e logo que termino o primeiro verso Frederic surge no aquário fazendo sinal de positivo e eu entendo que Sam aceitou a proposta.

[...]

Enfim termino o trabalho e me apresso para sair dali de pressa, mas ao receber meu celular e checar que o mundo parecia cair ao meu redor enquanto eu era feita de mercadoria naquele estúdio não seguro a onda e parto pra cima de Frederic.

- Como você pôde fazer isso? - O engenheiro de som e o técnico de áudio tentam me segurar para impedir que eu desça a mão na cara de pau do produtor executivo.

- Ariana, por favor, a menina está bem e sendo bem cuidada. Não foi nada grave e você faturou uma boa grana aqui. - Responde.

- Cala a sua boca! Não fale sobre a minha filha. Eu confiei em você, seu idiota. - Olhei rapidamente a caralhada de mensagens e chamadas perdidas da escola, de Camila, de Sam e até de Liz. Ah, meu Deus, a minha bebê precisava de mim. - Espero que você saiba que eu não piso aqui tão cedo e que isso não vai ficar assim. - Aponto meu dedo em seu rosto e os dois homens voltam a me conter.

- Está me ameaçando, Ariana Grande?

- Não mexe comigo, Frederic. - Digo antes de agarrar minha bolsa e sair correndo dali.

Só quero ver minha filha. Abraçar seu corpinho pequeno e cheirar sua cabecinha cheirosa. A angustia de não ter estado ao lado dela hoje me consome e eu confiro rapidamente as últimas mensagens. A maioria de Camila preocupada com a minha falta de resposta e avisando que Luna estava em casa com ela e Sam.

A última me pedia pra ficar tranquila e dar notícias assim que pudesse. Sorri triste. Me preparei para responder quando o sinal abriu e eu fui obrigada a seguir com o carro. Mas a minha direção nervosa e  pouco segura durou pouco. Meu telefone tocou e quando meus olhos visualizaram o contato eu resolvi encostar o carro.

- Irresponsável! Que tipo de mãe é você Ariana? - A voz de Nathan era ríspida e alta. - Eu quase cancelei meus compromissos e peguei um vôo de emergência até aí de tanta preocupação.

- Fala baixo comigo que eu não te dei essa confiança. Ainda nem cheguei em casa e eu estou tão preocupada quanto você. Fiquei presa no estúdio e o filho da puta do Frederic confiscou meu celular.

- Não quero saber! A minha filha sofreu um acidente e até essa hora está sendo amparada por estranhos. Não te pago uma fortuna de pensão para ter que sair as pressas de uma coletiva porque a diretora da escola queria saber notícias dos pais da aluna que sofreu um acidente e a mãe está incomunicável.

- Quer saber, Nathan? Pau no seu cu! Não sou obrigada a ouvir essas merdas vindas de você. Logo você que é um exemplo de pai, que se vira em dez, em mil, pra educar, amar e cuidar da sua filha pequena, manter um emprego exigente e a casa em ordem e que às vezes deixa de fazer coisas que queria pra priorizar o bem estar dela. Opa, desculpa... Essa sou eu, né? A mãe. Mas bom mesmo é o pai! Bom é o pai, que não liga faz uma cara, que não perde o sono, que não precisa fazer malabarismo pra ficar duas horas a mais no trabalho e que nunca levou a filha na tal escola que agora liga pra ele e lhe enche o peito para ligar pra mim e cobrar o que nunca deu. Me esquece, embuste! - Desligo o telefone sem chance para réplica.

Dou um grito alto e agudo dentro do carro e bato as mãos no volante. Algumas pessoas na rua olham assustados e eu ligo o carro outra vez.

- Que é? Nunca viu? - Arranco com o veículo.

Nathan volta a chamar e dessa vez eu o ignoro, mas ele está mesmo disposto a me infernizar e não para de chamar. Estico a mão para pegar o celular e num segundo de distração bato na traseira do carro a minha frente que brecou para um cachorro passar.

- Merda! - Bato no volante e desço avaliando o estrago.

- Ei, você não olha pr... - O Jovem alto e com o braço tatuado vem em direção ao carro irritado, mas logo que ele se aproxima sua fisionomia muda. - Tudo bem, moça? Você se machucou? - Nego com a cabeça e só então percebo que estou chorando. - Calma, vai ficar tudo bem. O estrago nem foi tão grande assim. Você tem seguro? - Faço que sim. - Você fala? - Fungo.

- Me desculpa. Minha filha sofreu um acidente pela manhã e eu ainda não a vi. - Digo limpando as lágrimas.

- Calma, meu nome é Liam. Você pode me dar seu número e nós resolvemos isso depois.

- Eu posso contatar a seguradora pelo telefone e você pode esperar aqui, por favor?

- Vá ver sua filha, eu espero aqui e te ligo se precisar de algo mais.

Trocamos telefone e eu tranco meu carro antes de pegar um táxi. Eu só queria chegar em casa. Será que é pedir muito?

No banco de trás do carro guiado por um senhor converso com um atendente da seguradora por mensagem quando sou interrompida por Nathan outra vez. Pago ao motorista sem nem esperar por troco e passo reto pela portaria. Dentro do elevador discuto com Nathan por telefone outra vez e cansada demais pra continuar desligo em sua cara antes de abrir a porta exausta.

- Cadê minha filha? Eu preciso ver minha filha. - Camila se coloca em minha frente.

- Calma, ela tá dormindo. Coloquei ela na cama há pouco. - Tento passar por ela, mas seu aperto gentil em meu quadril se intensifica e ela procura meus olhos com os seus. - Não vá acordá-la.

- É a minha filha, porra! - Esbravejo antes de cair num choro desesperado e sou amparada por ela. - Meu bebezinho precisou de mim e eu não estava lá. - Bato nos ombros de Camila com os punhos fechados e ela suspira. - Por que eles fizeram isso comigo, Camila? Por quê?

- Calma, Ari. Ela tá bem. - Aos poucos ela vai me conduzindo ao sofá e eu vou me aninhando ao seu peito. - Ela fez exames, foi medicada e agora está dormindo. Eu estive com ela o tempo inteiro. Posso te garantir que ela está bem. - Camila me passa tranquilidade em suas palavras.

- Bem, eu vou indo. - Diz Sam ao me fazer um carinho no ombro. - Não fica assim não, mulher perigosa. Não foi culpa sua.

- Tá mais calma? - Camila checa. - Então vamos vê-la.

Acendo a luz do abajur ao lado da cama e seguro o choro ao ver minha pequena Luna com arranhões em seu corpinho, uma tala no braço e um curativo no queixo dormindo. Camila fica na porta me observando enquanto eu velo o sono da minha filha.

Beijo sua testa na parte livre de arranhões e volto a chorar. Minha filha é o meu ponto de equilíbrio no mundo, meu bem mais precioso, minha razão para continuar.

- A mamãe te ama muito, filha. Perdoa a mamãe! - Sussurro contra a mãozinha que levo aos meus lábios. - Eu te amo tanto, minha lua. - Encosto a cabeça no colchão.

Depois de um tempo sinto mãos em meus ombros e me deixo ser conduzida a sala. Camila me dá colo no sofá enquanto me conta o ocorrido desde a manhã até a chegada em casa.

- Quer dizer que eu sou sua namorada, é? - Me refiro à mensagem que recebi da diretora da escola.

- Eu precisava ser convincente. - Ela justifica.

- Estou muito convencida.

- Sério? - Ela vira o pescoço para me encarar.

- Acho que tá mais do que na hora da gente estragar essa amizade. Eu quero muito mais do que isso com você, Camila. - Selo nossos lábios e encosto minha cabeça em seu ombro novamente.

- Você não comeu nada, né? - Ela pergunta com aqueles olhos doces. - Vou fazer alguma coisa rápida pra você. - Levanta e vai até a cozinha comigo em seu encalço.

- Fica lá, eu levo pra você.

- Gosto de ter ver cozinhar.

- Gosto de cozinhar pra quem eu gosto. - Dá de ombros ao fechar a porta da geladeira.

- Obrigada, Camila. - Ela volta seu olhar para mim. - Pelo que fez hoje, pelo que faz sempre. Eu não tenho como te agradecer. Você largou seu emprego pra socorrer a minha filha enquanto eu estava trancafiada naquele maldito estúdio.

- Ariana, você...

- Não, eu tenho culpa sim. Eu fui gananciosa, fui negligente e..- Suspiro. - Nathan, me ligou, me falou um monte e eu fiquei nervosa. - Mordo o lábio. - Acabei batendo o carro.

Nesse momento Camila faz um malabarismo engraçado para não derrubar a frigideira que escapou de sua mão e acabar acordando Luna. Ela me olha assustada e eu garanto que está tudo bem.

- Cadê seu carro? Você quer que eu resolva junto ao seguro.

- Tudo bem, Camis, eu resolvi pelo aplicativo. Eles rebocaram e eu vou ter que buscar um substituto lá na sede amanhã, mas está tudo sob controle e eu não me machuquei. Pode ficar tranquila.

- Tranquila, tranquila eu não posso ficar, mas fico aliviada. - Colocou o sanduíche de pão sírio no prato e o estendeu para mim. - Agora coma.

Depois de terminar a delícia que Camila me preparou voltamos para a sala e ficamos apenas curtindo a presença uma da outra. O carinho gostoso de minha namorada quase me fez dormir ali mesmo, mas eu ainda precisava de um banho.

- Me espera tomar banho e... Não, melhor, dorme aqui comigo?

- Meus pais já me dispensaram do trabalho hoje, acho melhor não abusar. - Ela disse contida.

- Tudo bem, desculpa.

- Não se desculpe. Eu adoraria ficar, mas você me entende, não entende? - Assinto e selo nossos lábios. - Vá tomar seu banho e descansar. Eu também vou fazer o mesmo. Qualquer coisa não hesite em me ligar, certo?

- Eu não sei o que eu faria sem você. - Admito.

- Conta comigo, Ari. Nós estamos juntas há um tempo e somos namoradas agora. - Abre um sorriso lindo e me beija as costas das mãos. - Vou indo. As instruções dos remédios da baixinha estão anotadas junto as caixas na penteadeira, fui eu mesma quem as escreveu, se não conseguir entender alguma anotação, me ligue. Boa noite.

- Boa noite, amor. - Me despeço agarrada em seu pescoço onde planto um beijo.

- Do que você me chamou? - Com delicadeza ela me afasta de seu corpo para ver meu rosto.

- Do que eu vou te chamar pra sempre a partir de agora. - Pincelo seu nariz e a beijo com um pouco mais de intensidade.

- Me deixe ir antes que eu arrume uma desculpa pra ficar. - Ela protesta contra os meus lábios.

- Você sabe que não precisa de desculpas pra ficar. - Respondo contra seus lábios.

- Preciso mesmo ir. - Se distancia para me olhar nos olhos.

- Então vai, mas me manda uma mensagem quando chegar. Não quero ter mais surpresas hoje.

Camila chama o elevador enquanto eu espero encostada na porta a observando e me dando conta de que aquela mulher ali de pé a poucos metros de mim é minha namorada e alguém que se torna mais especial em minha vida a cada dia que passa.

Sem pensar muito corro até ela e reivindico um beijo intenso mantendo seu corpo bem junto ao meu. Nunca tínhamos trocado um beijo tão intenso assim de forma inesperada e isso parece deixar minha namorada nervosa. Encerro o beijo e a encaro antes de puxar a porta do elevador para que ela entre.

- Boa noite. - Sussurro e ela sorri antes de abaixar a cabeça.

Fecho a porta e o elevador desce. Entro no apartamento e passo pelo quarto de Luna, onde fico mais algum tempo observando-a antes de seguir para o meu tão merecido banho. Já pronta para dormir apanho meu celular e abro a janela de mensagens com Camila.

"Every look, every touch makes me wanna give you my heart."

Digito e envio, mas não consigo esperar pela resposta e acabo dormindo.



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