História Under Your Tree - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Originais, Romance, Segunda Guerra
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Palavras 1.585
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olááááá
Hoje teremos capitulo mais extenso um pouquinho, ok na verdade é mais que o dobro dos outros (era pra ser o restante do capitulo 2 que eu tive que dividir)
Lembrando sempre que: desculpem qualquer erro!!! huehuehuehue

Boa leitura!!!

Capítulo 3 - Voltando Para Casa


     Quando acordei na manhã seguinte, senti um cheiro de pão de canela invadir o quarto. Me levantei e desci as escadas, percebendo que todos já estavam acordados e envolvidos em alguma atividade. Encontrei Rosalie na cozinha, e meus olhos se arregalaram quando vi a quantidade de pães, bolos, croissants e afins que ela havia preparado para o café da manhã. Tinha o suficiente para alimentar a cidade toda.

     Ela já havia limpado tudo o que sujara e agora estava de pé encostada na janela, observando o jardim com uma expressão serena e segurando uma xícara com alguma bebida que exalava uma fumaça cujo o cheiro eu não conseguia identificar. Rosalie não me viu chegar, e acabou se assustando com minha proximidade.

  - Bom dia, minha querida! – digo, deixando um beijo em seu rosto.

  - Bom dia, papai. – Ela sorriu, enlaçando minhas costas com o seu braço livre. – Estava mesmo precisando voltar para esse lugar. Nem me lembro qual foi a última vez em que dormi tão bem! Acho que nunca quis admitir, mas o meu lugar é aqui.

     Ela deu um riso fraco e voltou a olhar pela janela. Eu acompanhei seu olhar, e vi Elias alimentando algumas aves próximas ao pequeno lago do jardim. Vincent estava no pomar logo ao lado, colhendo amoras, e ia colocando as frutas em um cesto que Emily carregava. Eles pareciam indiscutivelmente mais a vontade agora, ainda mais sem a presença de Elias. Voltei minhas atenções para Rosalie outra vez.

  - Rosie, você sabe que não precisa viver assim. Eu sei que você sempre lutou por seus objetivos, por sua independência. Eu admiro isso! Mas realmente você não precisa levar uma vida cansativa dessas. Tenho uma boa aposentadoria, e mais o dinheiro herança da família; você e as crianças podem vir para cá.

     O rosto dela assumiu uma expressão de puro cansaço enquanto eu falava. Rosalie soltou um suspiro pesado e baixou o olhar; nunca a tinha visto daquele jeito antes. Talvez ela estivesse sofrendo e escondendo há muito tempo. Me senti um pai negligente por não conhecê-la melhor e poder lhe ajudar.

  - Ei, minha querida o que está havendo? – me afastei um pouco para observá-la. – É a escola, seus alunos, Emily e Elias, ou o imbecil do Campbell?

     David Campbell era um advogado de 49 anos, nascido e criado em Oxford. Vinha de uma família tradicional da região e, pelo menos no início, parecia ser um bom homem. Rosie e ele se conheceram na faculdade; enquanto ela iniciava o curso de Magistério, ele estava no último semestre de Direito.

     Aproximadamente dois meses depois que eles se conheceram, Rosalie começou a sentir tonturas, náuseas, entre outros problemas. Em uma tarde, após um repentino desmaio, veio a notícia de que ela estava grávida. A família de Campbell não permitiu que ele se safasse da responsabilidade, e em algumas semanas nossos filhos se casaram. Rosie terminou a faculdade com muito sacrifício e sob o preconceito de muitos.

     Nos últimos 10 anos, após o nascimento de Elias, soube que as coisas entre eles estavam esfriando, mas não interferi pois pensei que fosse algo normal aos casamentos modernos. Enquanto eu sondava qual era o problema, Rosalie murchava mais e mais.

  - Pai, eu precisava conversar com o senhor exatamente sobre isso. – Ela disse baixinho e ergueu os olhos. Seus lindos olhos azuis, herdados da mãe dela, estavam vermelhos e  marejados; eu senti um aperto no peito. – Papai, estou me divorciando do David!

     E então ela desabou chorando nos meus braços.

  - Ei, ei! Rosie, se acalme. O que esse desgraçado te fez? – Eu a abracei o mais apertado que pude enquanto sentia seu corpo estremecer entre soluços.

  - Há alguns meses – ela começou a contar a história, - sentia David definitivamente mais afastado de mim e dos nossos filhos. Raramente estava presente durante as refeições, não conversava conosco, e se lhe perguntávamos algo ele simplesmente não respondia, ou no máximo emitia algum resmungo de uma sílaba em resposta. Se irritava com qualquer coisa que a gente dissesse.  E quase nunca parava em casa.

     Sua voz estava entrecortada pelo choro, então ela fez uma pausa para respirar fundo antes de prosseguir.

  - Ele estava me traindo, papai. Não fui eu quem deduziu isso; não foi ninguém que me contou. Ao contrário, sempre pensei que jamais teria de passar por isso. Mas infelizmente eu vi. Vi ele com uma mulher que reconheci como uma antiga cliente dele, numa tarde quando voltei do trabalho. Ele nem sequer tentou disfarçar, fazer isso fora de casa, ou em um horário que eu estivesse longe. Ele não se importou com o que isso me causaria, após todos esses anos juntos, e isso é o que mais me dói! – ela terminou de contar e voltou a chorar descontroladamente.

     O mundo dela parecia estar ruindo, e o meu veio abaixo também, não suportava vê-la tão desolada. Aquilo não poderia estar acontecendo com uma pessoa tão boa quanto Rosalie, não era possível. Aliás, era possível sim. Maldito Campbell, e maldita hora que permiti que ele se casasse com minha filha! Não sentia tanto ódio assim desde a morte de Anne, e por mais que Rosie fosse adulta e não me coubesse escolher seus caminhos, eu sempre cuidaria dela.

  - Papai, eu sempre recusei essa oferta quando o senhor a fazia. Mas agora não vejo outra saída – ela continuou, me arrancando do meu debate mental de qual seria a melhor maneira de matar aquele “homem” pelo que ele havia feito – David me disse na minha cara, diante daquela mulher e na nossa cama, que nos queria “fora da casa dele”. Que “daria aos filhos tudo que a lei estipulasse, mas que nunca mais queria ver a nenhum de nós três”, por que ele não tinha nada a ver conosco.

  - Então por isso dessa vez trouxeram tantas malas – falei baixinho, mais para mim do que para ela.

  - Sim, todas as nossas coisas, que eu tirei de lá chorando enquanto ouvia David me insultar e me rebaixando perante aquela mulher mesquinha! – ela disse abalada – Eu mesma fiz todas as malas e coloquei no carro, tudo isso naquela mesma tarde, para que Emily e Elias não desconfiassem de nada. E o pior foi que quando eu terminei de juntar nossas coisas, David atirou os papeis do divórcio na minha frente ordenando que eu assinasse, ele já tinha tudo pronto para se livrar de mim!  Nem sequer deixei que as crianças entrassem em casa quando chegaram de um passeio.  Só fiz a cara mais alegre que consegui e disse que viríamos passar uns dias aqui. Não quero que eles saibam o quanto o pai deles me humilhou e...

  - Mas eu quero! – eu a interrompo furioso com aquilo. – Esse sujeito desprezou não somente minha única filha, mas como também desprezou meus netos. Eu me encarrego de esclarecer tudo com eles sem escandalizá-los, é claro. E então eles mesmos podem decidir se perdoam esse verme; ou se me ajudarão a vingar o que ele fez!

  - Pai, Elias é muito pequeno ainda. Emily já vem passando pelo próprio turbilhão de conflitos, e hormônios. Eu não queria que eles tivessem de encarar mais isso.

  - Eles são inteligentes, e seguirão em frente – respondi. – Assim como você. Você é forte e vai superar isso, minha filha, até por que eu não te criei para sofrer. Você é uma mulher maravilhosa, Rosalie. Algum dia um homem que realmente valha a pena e seja digno de você vai aparecer, vai te fazer entender isso, e também vai te fazer superar seus receios  e te ensinar a amar outra vez. Quanto a David, ele vai perceber que errou com você e com os filhos, mas eu não pretendo permitir que vocês voltem para ele, pelo menos não tão fácil!

     Ela secou o restante das lágrimas e sorriu para mim, segurando em minha mão.

  - Muito obrigado, pai. Por tudo. Só não se quero ou vou conseguir amar outra vez. E acho que já não acredito mais em Príncipe Encantado assim, não! – ela riu.

  - Pode acreditar em mim! Deus não iria mandar ninguém aqui à toa. Tenha paciência, Rosie, e saiba apreciar tudo que a vida mandar para você; porque o que não te destruir vai acabar te tornando mais forte, ou mais sábia. Mas então está decidido. Você e meus netos vão morar aqui comigo. Bem, isso é ótimo! – Sorri. Não gostava de admitir, mas ás vezes me sentia muito sozinho.

  - Obrigado novamente. – Rosie apertou os braços ao meu redor, com o rosto apoiado em meu ombro.

  - Eu sempre estarei aqui para vocês, minha querida. Você sabe disso. E você verá o quanto os ares do campo vão te fazer bem!

     Ela foi em direção ao forno para retirar os pães de canela, que pareciam deliciosos. Eu olhei novamente para fora, mas pensei que meus olhos estavam me pregando uma peça. Elias ainda alimentava as aves. Emily ainda estava no pomar segurando o cesto de amoras, mas agora tinha uma expressão confusa. E Vincent correu do pomar para abraçar um homem que era muito parecido com ele, porém mais alto, mais musculoso, de pele bronzeada, barba por fazer e cabelos negros que começavam a ser mesclado por fios brancos e no auge de seus quarenta e poucos anos.

     Ao vê-lo, pensei que a frase “quem é vivo sempre aparece” nunca antes fizera tanto sentido. E pensei também no que a volta dele, principalmente somada à volta de Rosalie, iria causar na vida de muita gente em Painswick.


Notas Finais


Espero que estejam gostando. Na semana que vem eu volto, então até lá!!!

Bjoss


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