História Undercover - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alexia Maddox, Jasmine Maddox, Nolan Griffin, Travis Warner, Valerie Parker
Exibições 131
Palavras 8.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Famí­lia, Festa, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Arrumei um tempinho para postar agora é amanhã são as minhas ultimas provas uhuuuu! Não vou dizer que já vou estar de férias porque a lista de aprovados vai sair só na semana que vem, e tomara que eu não fique de recuperação em física (odeio), mas a partir da semana (se eu não ficar de recu) que vem voltarei a postar na terça e na sexta.

Boa leitura! ❤️

Capítulo 11 - Falling


Os olhares e cochichos das pessoas do colégio estavam me deixando com um péssimo humor. Travis e eu combinamos muito bem em manter segredo o nosso... olha, não sei qual é a definição para o que nós temos e é exatamente por isso que eu não queria que se espalhasse. Me surpreendeu que Travis conseguiu disfarçar por quase uma semana, mas ele estragou tudo no intervalo de hoje - quinta-feira. Estávamos todos sentados na nossa mesa no refeitório e percebi que ele estava diferente. Me olhando por mais tempo que deveria, com um sorrisinho e quando sentei ao seu lado para perguntar o que estava acontecendo, ele me deu um beijo. Na frente de todos os nossos amigos, na frente de todo o refeitório. Eu me esqueci completamente que estávamos em público, senão nem teria correspondido o beijo. Mas só o afastei quando ouvi a bagunça do Nolan e do Leon. Sophie, Melanie e Lacey ficaram boquiabertas. De verdade. Elas não esperavam por essa e a única que estava rindo de toda a situação era a Valerie - que já sabia. Rezei para que ninguém tivesse visto, mas pela bagunça que os meninos fizeram... qualquer um prestaria atenção em nós. E enquanto Travis deu risada todo descontraído junto com eles, eu escondi o rosto no peito do Noah sentindo minhas bochechas queimarem. Isso era uma droga. Eu não era de ficar envergonhada desse jeito... pelo contrário. Era algo difícil antes, que agora estava se tornando comum. 

- Gente, será que é só por causa do novo casal que estão olhando demais aqui? - Melanie perguntou, mas permaneci com o rosto escondido. Até meu rosto esfriar. 

- Também percebi! Não é só para a Jazzy e para o Warner não. - Sophie disse.

Senti a mão do Noah acariciando meus cabelos e fiquei tensa. Éramos amigos, sim, mas Valerie vive dizendo que ele tem algum interesse a mais em mim. Levantei o rosto e vi Travis me encarando sério demais. Ah, pronto!

Me afastei de Noah e me endireitei no banco. Valerie e eu trocamos olhares - certamente por causa do Noah -, mas todos ficaram intrigados e curiosos ao ver Parker entrando no refeitório correndo. Parecia que tinha visto um fantasma. 

- Caralho, vocês não fazem ideia de quem está aqui! - Parker disse ofegante. 

- Quem?! - eles começaram a falar ao mesmo tempo. - Fala logo, Parker! - Melanie disse. 

Mas nem foi preciso. Todos eles ficaram quietos e quase boquiabertos ao verem a figura de uma garota entrando no refeitório parecendo nervosa, incerta e intrigada. Quis perguntar quem era, mas ao ver o semblante do Travis me dei conta. Katie. Ele foi o primeiro a levantar e Katie saiu correndo na direção dele, o abraçando tão gostoso e tão apertado que me senti mal. Ele tirou os pés dela do chão e tinha um sorriso iluminado no rosto. Todos os meus amigos levantaram também e foram abraçar a Katie, enquanto Valerie e eu fomos as únicas a ficar sentadas na mesa. Será que ela estava sentindo e pensando a mesma coisa que eu? Ou estava sendo uma vaca egoísta?

- É quem eu estou pensando? - Valerie sussurrou. 

- Sim. Pelo menos acho que sim. - murmurei. - Viu o jeito que o Warner olhou pra ela?

- Ai, não! Só agora me dei conta... não acredito que a menina voltou justo quando vocês resolveram admitir que tem sentimentos um pelo outro. E quando todos ficaram sabendo. 

- Normal. - bufei. - O que devemos fazer? Levantar e ir cumprimentar?

- Seremos intrusas se formos até lá. Olha aquilo! - Valerie apontou. - Eles estão venerando a menina. 

- Não é justo ficarmos com ciúmes, Valerie. 

- Sim, mas é inevitável. - disse. - Se eles nos chamarem até lá nós vamos. - assenti. 

Mas eles não chamaram. Mal notaram a nossa existência. Ficaram o resto do intervalo inteiro conversando, rindo e venerando a tal de Katie. Leon voltou para a mesa antes de todos por causa da Valerie e achei bem bonitinho da parte dele... conversamos bastante. Ele disse que gostava da Katie e tudo mais, mas que os amigos dele realmente achavam a garota mais do que ela realmente era. Travis estava entretido e feliz demais com a volta de seu primeiro amor para prestar atenção em mim. Aí, droga, eu não queria mesmo bancar a ciumenta egoísta, mas... poxa! O que custava - qualquer um deles - nos apresentar para a menina? Achei melhor nem ficar pensando nisso. 

- Eu já vou indo, tá? A minha próxima aula é no bloco 5. - avisei Valerie e Leon. 

- Tudo bem.

Passei pela porta mais afastada de onde todos estavam e sorri para Sophie quando nossos olhares se encontraram. Ela sorriu brevemente e voltou a conversar com a Katie. Ótimo. Estava bom demais para ser verdade. Pelo menos hoje era quinta-feira, amanhã não tem aula - abençoado feriado - e eu poderia ficar em casa durante todo o final de semana, porque se Valerie e eu formos para as festas com eles vamos ficar perdidas. Talvez minha melhor amiga não fique tanto, pois Leon é demais e só eu sei o quanto ele realmente gosta dela. Não sei nem se ela mesmo sabe. Com certeza deve perceber. 

Pensando bem... era mesmo triste demais saber que Travis e eu passamos essa semana inteira mantendo segredo sobre... sobre sei lá o que estávamos tendo, e justo quando ele me da um beijo na frente de todos, a menina aparece. Não acreditava muito naquela história de que ele não sentia nada por ela. Acreditei antes, mas ao ver como ele ficava feliz - e esquecia todos ao seu redor - apareceu uma dúvida enorme dentro de mim. Não queria me sentir desse jeito, sabia o quanto era desgastante sentir ciúmes de quem não era seu. De quem não é nem metade seu... merda, eu não posso deixar essa história se repetir, mas como vou conseguir escapar? Ao menos tem escapatória? Puta merda, eu vou ficar maluca. 

- Cadê o Warner? - Valerie sussurrou para mim ao ver a carteira de Travis vazia. 

- Deve ter saído com a amiguinha. - falei sem esconder a minha irritação. - Você acha que eu tenho motivo para ter ciúmes?

- Tem e muitos. Está óbvio que ele já sentiu algo por ela e vamos combinar... foi muita mancada ele não ter olhando na sua cara desde que a menina apareceu. 

- Quero ir embora. Será que podemos escapar da última aula?

- Podem. - me virei ao ouvir a voz de Noah. - O professor de história não veio hoje. 

- Sério? 

- Aham. 

- Então, podemos ir embora? Sem substituto?

- Emendar com o feriado de amanhã. Maravilha. 

- Maravilha! - repeti e abri um sorriso. 

Pretendia mesmo dormir e assistir séries o final de semana inteiro. 

- Vamos então? - Valerie disse e eu assenti. 

- Obrigada por avisar, Noah!

- Nada. 

Mordi a parte interna da bochecha e resolvi perguntar algo ao Noah. 

- Você viu o Warner? - perguntei como quem não queria nada. 

- Ele saiu com a Katie antes do quinto período. Ele e o Nolan foram. 

- Ah, sim... - pigarreei. - Tchau, Noah. - sorri. 

Valerie estava me olhando com as sobrancelhas levantadas quando saímos da sala e eu revirei os olhos. Ela nunca ia tirar da cabeça a ideia de que Noah me queria. Quer dizer, eu percebi desde o começo que ele queria alguma coisa, mas conforme fomos ficando amigos pensei que ele tinha esquecido isso. Principalmente agora que eu estou envolvida com um dos melhores amigos dele... Travis ficaria muito cismado se soubesse. Não gostaria de ver.

(...)

- Parece que foi só a ex-namoradinha voltar que já te deixou de lado, não é mesmo, Jazzy? - ouvi a voz da Alexia carregada de ironia e parei no corredor para encara-la. Era um saco cruzar com ela, mas eu não podia fazer nada. Morávamos na mesma casa e o quarto dela é ao lado do meu. 

- Por que você insiste tanto em encher a porra do meu saco? Vai encher o saco do Travis. Foi ele quem te largou e não eu. - retruquei irritada. 

- Ah, você acha que ele me largou por sua causa? - gente, essa menina é louca?

- Quando foi que eu falei isso, maluca? Só falei que ele te largou. O motivo? Ai é com você... 

- Uma pena que ele só tenha te usado até alguém melhor aparecer, não é? - ela se aproximou e percebi que ficou séria. - Não seja burra, Jasmine. Ele é assim, ele faz isso. Usa alguém até enjoar e depois descarta como se fosse nada. 

Será que ela estava se preocupando comigo? Parecia tão séria, como se quisesse que eu realmente prestasse atenção nas palavras dela. 

- Você está se importando com o fato de que eu possa acabar machucada nessa história?

- Ninguém mais merece sofrer por algo que o Warner causou. - disse simples e entrou no quarto dela. 

Respirei fundo e entrei no meu quarto também. Fiquei longos minutos olhando a minha conversa com o Travis, mas sabia que não iria mandar nada. Nem eu e muito menos ele. Deve estar ocupado demais com a Katie. Mas caramba, eu estava sentindo uma raiva dentro de mim que eu precisava conter. Se eu encontrasse com ele em alguma festa e ele viesse como se nada tivesse acontecido... ah, ele ia se ver comigo. Me deixou de lado na primeira oportunidade que teve e me perguntei se Alexia estava certa. Travis não se apega. Ele apenas tem suas "gatas" fixas e quando enjoa ou quando alguém melhor aparece, simplesmente descarta. Mas antes de eu estar incluída nessas garotas que ele fica, eu era a melhor amiga dele. Certo? Não tenho mais certeza. O toque do meu celular me despertou dos devaneios. 

- Alô? Quem é? - estranhei ser um número que não tenho salvo no celular. 

- Caramba, me tirou mesmo da sua vida, hein? Até deletou o meu número? - ouvi a voz do Brad e respirei fundo. 

- Oi, Brad. 

- O que Travis te disse pra você me dispensar sem nem dizer nada? 

- Ele não me disse nada. E eu não te dispensei sem dizer nada. Falei que não queria mais me envolver com você e deixei bem claro os motivos. 

- Deixou mesmo, gata? 

- O que você quer, Brad?

- Você deve ter ouvido que terá uma festa hoje na casa de um tal de George, certo? 

- Sim.

- Bom, ele é um amigo meu e quero muito que você venha. Quero conversar. 

- Eu não vou. - tirei seu cavalinho da chuva. 

- Por que não? Amanhã é feriado. 

- Aí, Brad, porque eu não estou afim. - respondi impaciente. - Não estou nos meus melhores dias e você está piorando. Tchau. 

- Espera! - disse e eu bufei. - Não sei que bicho te mordeu, mas todos os seus amigos vão. 

- Ah, os amigos que deixaram Valerie e eu de lado porque uma tal de Katie chegou? - murmurei sem pensar. Rezei para que ele não tivesse ouvido. 

- O que você disse? - ufa. 

- Nada. - dei de ombros. - Vou ver com a Valerie, Brad. Se ela for, eu vou. Tchau. 

- Tchau, prince...

Nem o deixei terminar. Finalizei a ligação e joguei o celular no colchão. Eu sabia quem estaria nessa festa e eu estava em um dilema. Quero ir para ver de perto o que está acontecendo e para mostrar que estou super bem, mas não quero ir pelo mesmo motivo. Não sei se quero ver de perto. O que eu vou encontrar? Travis aos beijos com Katie? Não tenho estômago para presenciar isso. Não mesmo. Também sabia que se eu aparecesse na festa com Brad, causaria um desconforto enorme em todos. Katie e Brad já namoraram e Brad é o suposto cara que estava agredindo a Katie. Não sentia pena dela, só me sentia mal pela situação. Sophie me contou que só Deus sabe o quanto eles tentaram ajudá-la, mas que ela era ignorante e ríspida com eles de uma forma desnecessária. Claro que a culpa não era dela, mas ela deixava aquilo acontecer. Ela não procurou por ninguém, ela não pediu ajuda, ela nem ao menos teve coragem de terminar tudo com ele. Só terminaram quando Katie deu a notícia de que iria embora para o outro lado do país. É por isso que eu duvido que Brad seja o cara que a agrediu. Se eu estivesse no lugar dela e alguém levantasse a mão para mim... era o fim no mesmo instante. Me passou pela cabeça que ele poderia ter, sei lá, ameaçado, mas eu conhecia Brad e conhecia sua família. Talvez ele tenha acessos de raiva, mas ameaçar? Não mesmo. A mãe dele acabaria com o menino se ele fosse preso por agressão ou por algo pior, tipo assassinato. O assassinado seria ele, no final das  contas.

- Então, Valerie, o que você me diz? Vamos ou não? - perguntei para Valerie e ela bufou do outro lado da linha.

- O Leon disse que vai. E disse que todos vão. - disse. - E ele me pediu pra te avisar que esse "todos" inclui Travis e Katie. - ótimo. - Espera, ele está falando mais coisas. 

- Da aqui o celular. - ouvi a voz do Leon e soltei uma risada. - Oi, Jazzy.

- Oi, Leon. 

- Então, Warner é um babaca. Não fique triste por causa dele. 

- Mas eu não estou triste. Estou brava. - falei. - Tenho razão para estar brava, né? Porque mesmo se não ter, eu estou. Muito. 

- Olha, se você for... vá sabendo que pode ver coisas que não vai gostar. Tudo bem?

- Tudo bem. Obrigada, Leon, você é um amor. Valerie tem sorte. 

- Ele também tem sorte! - Valerie gritou do outro lado da linha e eu ri. 

- Com certeza, amiga. - falei. - Eu vou, então. Passa aqui pra me pegar, Valerie?

- Eu vou me arrumar aí daqui algumas horinhas. - Valerie disse e eu assenti. - Mas vou pedir para o Leon ir buscar nós duas porque não estou afim de esquecer onde estacionei o carro. 

- E vai estar bem cheio, hein. - Leon disse do outro lado. 

- Tudo bem. Daqui a pouco estou aí. Beijo. 

- Beijos! 

(...)

Quando Leon, Valerie e eu chegamos na festa na casa do tal de George, nenhum dos nossos outros amigos tinham chego. Avistei Brad antes de ele me ver e pensei em fugir, mas quando percebi ele já estava vindo em minha direção. Ai ai... por que tinha que ser tão bonito? 

- Oi, Jazzy. - ele parecia meio sem jeito. - Você está bonita. 

- Obrigada, Brad.

- Vem cá, você se lembra de algumas pessoas que estudavam com a gente? 

- Algumas. Por que? 

- Trish, Toby, Ben e Ivy estão aqui. 

- Como eu poderia esquecer da Ivy e do Ben? Onde eles estão?

- Jazzy! - ouvi uma voz feminina atrás de mim e me virei. 

Não consegui esconder minha surpresa ao ver Ivy. Quando éramos amigas, ela era muito zoada - pelas pessoas escrotas - por ser gordinha, mas o que me surpreendia era que aquilo nunca a abalava. Ela se achava linda - e realmente era - e nunca ligava para os xingamentos alheios. Mas agora eu estava encarando uma garota ainda mais poderosa do que sempre foi. O sorriso dela dizia tudo. Ela estava feliz com ela mesma, antes acima do peso e agora talvez abaixo do peso. Ela nunca quis perder peso por causa daqueles comentários, ela se gostava daquela maneira e eu sempre a incentivei a ignorar mesmo sabendo que eu nunca iria suportar ouvir tantas ofensas se fosse comigo. Ivy foi uma das maiores razões para o meu pai ter a ideia de me mandar para a França. Não literalmente, mas eu já bati em tantas pessoas que falaram mal dela. Tantas pessoas. 

- Meu Deus, eu não acredito que é você! - ela disse e me deu um abraço apertado. - Você está tão linda e tão... - ela me analisou de cima a baixo e fez um barulho com a boca em sinal de aprovação. - E você voltou! 

- Senti sua falta, Cerejinha! - a abracei apertado. 

- Você ainda lembra desse apelido?!

- Como eu poderia esquecer? - ela riu e me abraçou novamente. 

Ivy tinha o cabelo loiro muito claro e a pele branca feito papel. E ela tinha uma paixonite por um garoto dois anos mais velho naquela época e eu estava preparada para contar ao garoto - e ajudar a minha amiga -, mas ela teve um ataque de pânico. Juro, eu já vi pessoas vermelhas antes, mas Ivy literalmente ficou com o rosto inteiro vermelho. Parecia que estava passando mal! E eu falei "Calma, Cerejinha! Não vou dizer nada, era brincadeira!" e o apelido acabou pegando. Pelo menos entre nós duas. 

- Como você está? Brad me disse que você voltou há quase três meses. - Ivy chamou minha atenção. 

- Sim, eu... eu não sabia nem como reaparecer na vida de vocês. - falei. - Sumi sem nem me despedir e anos se passaram... não sabia o que ou quem iria encontrar. 

- Poxa, você deveria ter aparecido lá no colégio. 

- Não era como se tivéssemos vários amigos. - dei de ombros. - Era apenas você, eu, Brad, Ben e Jean. 

- É, você tem razão, masss agora somos só você e eu. Jean se mudou e Brad e Ben estão uns babacas. - disse e entrelaçou nossos braços. 

- Eu imagino. - ri. - Você conseguiu laçar o gato dois anos mais velho? Qual era o nome dele mesmo?

- Vince. - ela falou o nome dele com desdém. - Eu emagreci um ano depois que você foi embora e ele soube da minha paixãozinha antes disso, mas não fez nada. Apareci gata e gostosa depois das férias de verão e todo mundo caiu aos meus pés. Jazzy, você tinha que ver! - ela riu realmente achando graça. Eu teria achado graça também. 

- Não me diz que você ficou com ele! 

- Fiquei para matar minha vontade. Só uma vez. Ele ficou correndo atrás de mim por um tempão. 

- Parece que o jogo virou, não é mesmo?! - brinquei e ela riu. 

- Mas e você? Como foram os anos no colégio interno? E agora aqui? Como está sendo sua adaptação?

- Podemos não falar sobre o colégio interno e sobre o meu pai?

- Como você quiser. 

Ivy e eu ficamos conversando por longos minutos - inclusive a apresentei para Valerie e fiquei feliz que elas se deram bem. Até que Brad me chamou para dançar. Ignorei o sorriso malicioso de Ivy e o semblante de desaprovação da Valerie, mas acabei aceitando e fomos para a pista de dança. Ele estava criando motivos para se aproximar demais e percebi que seus olhos ficaram fixos na porta de entrada. Não olhei, mas sabia quem era. Ele parou de se mover ao ver Katie entrando. De mãos dadas com Travis. Desviei o olhar antes que Travis me visse e passei os braços em volta do pescoço de Brad para ele se acalmar. Seu lábio inferior estava tremendo.

- Se acalma. Eu sei que você não fez nada com ela. - falei baixo e virei seu rosto para mim. Ele finalmente prestou atenção. 

- Sabe mesmo? Não foi por isso que você me deu um pé na bunda?

- Relacionamentos abusivos são graves, Brad. Desde apenas insinuar agressão até uma simples pegada no braço. - falei séria. - Talvez você não tenha essa intenção, mas ainda é algo grave. 

- Eu sei. Lamento se te desrespeitei ou te machuquei em algum momento. 

Por um momento, vi o Brad de antes. Seus olhos azuis continuavam o mesmo e olhar para eles dessa forma, parecia que os anos não tinham se passado. Brad percebeu que dei um sinal verde e tirou meu cabelo do rosto, então me beijou. Lembrei que Travis poderia estar vendo e a última coisa que eu queria era os dois brigando, então me afastei. 

- Não vou te perguntar nada, mas talvez você deve se desculpar com a Katie. E não comigo. - falei baixinho. 

- Eu não fiz nada com ela. Quer dizer, já perdi a cabeça, mas nunca a machuquei de verdade. Mesmo ela sempre me provocando e me traindo...

- Ela te traia?! - perguntei perplexa.

- Eu não quero falar disso. E também não quero que você conte para ninguém, mas quem a machucava era seu irmão postiço. Por isso eles foram embora daqui. 

O encarei boquiaberta. 

- Por que você nunca se defendeu?! Todos acham que foi você! 

- Eu prometi a Katie que não contaria. Os pais dela são separados e esse garoto era filho da nova esposa do pai dela. 

- Mas... como ela ficou quieta?!

- Nenhuma mulher merece isso, claro, mas ela não é a santa que todos pensam. 

- Não é justificativa, Brad. Ela pode ser a pior garota do mundo, mas olha o seu tamanho e olha o meu. Olha o tamanho do seu braço e olha o meu. Você poderia acabar comigo só com um soco. 

- Sim, mas... porra, sabe quantas vezes ela já bateu em mim? Sem motivo nenhum? E não foi só tapa na cara, não. Imagino que deve ter provocado muito o filho da madrastra dela. 

- Não seja machista! 

- Não estou sendo machista, só estou dizendo que ela provocava demais. Muito mesmo. E era preciso contar até 1000 para controlar. Ela ainda dizia "Vai, bate em mim" e ficava falando ainda mais merda. 

- Não a conheço. Não tenho como dizer nada. 

- Parece que Travis gostou da volta dela. - disse e eu me virei para olhar. 

Katie dizia algo toda animada para Travis, que olhava para Brad e eu com uma cara nada boa. Sorri brevemente e ele simplesmente desviou o olhar, me ignorando. Ah, ótimo! Ele podia me esquecer durante o dia inteiro para ficar com Katie e eu não podia estar conversando com Brad. Sinceramente, nem sei no que eu acreditava nessa história toda! Katie parecia ser louca, mas se ela realmente fosse uma má pessoa por que eles eram amigos dela? Nada fazia sentido na minha cabeça. 

- Jazzy, podemos conversar? - Valerie apareceu e segurou meu braço. Achei aquilo estranho, mas me dei conta de que ela não queria que eu olhasse para trás. - Não olha. Eles estão se beijando. 

- Claro que estão. - não olhei mesmo. Não tenho estômago para ver isso. Sabia que deveria ter ficado em casa. - Brad me contou algumas coisas. Disse que a Katie é meio louca e que não foi ele quem a machucou. Não sei em quem acreditar. 

- Jazzy, por favor, vamos embora ou vamos para o andar de cima. Está me dando ânsia de ver isso. Ele está maluco para que você olhe! Abriu os olhos umas três vezes. 

- Tão infantil. - bufei. 

- Você deveria pegar o Brad agora mesmo. Vai lá. 

- Não vou. Não gosto desses joguinhos. - respondi. - Se eu beijar Brad agora, vai ser porque eu quis e não porque quero provocar alguém. 

- Af, por que você tem que ser tão cabeça? 

- Se isso é um elogio... obrigada. - ironizei e ela revirou os olhos. - Vou lá em cima ver se acho uma tomada para colocar meu celular pra carregar. Beleza?

- Ok. 

Subi as escadas e entrei em um dos quartos. Ninguém trepando, ótimo. Fechei a porta e sentei na cama, colocando o carregador na tomada e respirei fundo sem coragem de descer. Eu não deveria mesmo ter vindo. Deveria ter ouvido minha consciência. 

- Jazzy? 

- Estou aqui. - respondi Brad. O que ele queria?

- Você está bem? - ele entrou no quarto e deixou a porta aberta. 

- Sim. Por que? Só vim colocar meu celular para carregar. 

- Sei... - ele sentou ao meu lado. - Você quer ir embora também, não é? Quer carona?

- Não sei... eu ia embora com o namorado da Valerie. Posso ficar aqui até Leon querer ir embora. 

- Tem certeza? 

- Não. - bufei e deitei na cama. Brad deitou ao meu lado. 

- É uma droga estar apaixonado por quem não sente o mesmo, não é? Sei bem como é... 

O encarei. Ele estava dizendo que era apaixonado por mim? Ainda?

- Você está querendo me dizer alguma coisa? - perguntei. 

- Sim. Que é uma droga não ser correspondido. - soltei uma risada pelo modo que ele falou. - Travis não merece você. Nem mesmo eu mereço você. 

- Eu sei disso... mas a gente não manda no coração, certo? Isso é uma droga! O coração é meu, está dentro de mim e eu não posso ter controle sobre ele? Palhaçada. 

- O que seu coração te mandar fazer agora? 

Boa pergunta... o que meu coração está me mandando fazer agora? Descer as escadas e ir atrás de Travis? Ficar aqui nesse quarto com Brad? Sinceramente, eu sabia muito bem o que meu coração queria. Mas o meu cérebro não queria me deixar fazer algo estúpido, como sair desse quarto e tentar dizer algo ao Travis. O que eu poderia dizer? Tudo bem, eu poderia dizer muitas coisas, mas se eu o encontrasse na minha frente agora só conseguiria xinga-lo. E com certeza blefaria dizendo que não queria e que não ia mais perder meu tempo sendo sua amiga. Melhor amiga.

- Jazzy? - Brad chamou minha atenção. 

- Oi? - o encarei. 

- Por que você não me dá mais uma chance? De verdade? Prometo que tudo vai correr no seu tempo e do seu jeito. 

- Eu quero ficar com o Travis, Brad. - me dei conta do que tinha falado ao ver a expressão de Brad. - Puta merda! - coloquei a mão na testa.

Está mais grave do que eu pensei! Como consegui admitir aquilo em voz alta e com tanta tranquilidade? Foi tão... automático

- Eu sei disso. Mas ele está sabendo aproveitar isso, Jasmine? Ah, se eu soubesse que você é apaixonada por mim... 

- O que você faria?

- Tudo. 

- O que seria tudo?

- Tudo para te fazer feliz. - ele tirou meu cabelo do rosto, se virando mais para o meu lado. 

Ok, eu acabei de admitir que estava apaixonada por um cara e agora estava beijando outro. Em cima da cama de alguém que eu não faço ideia de quem seja. Eu não queria que ele pensasse que íamos avançar, então insinuei que queria levantar da cama e assim ele fez. Sem descolar nossos lábios. Sabia que a porta estava aberta, não me lembrei de fecha-la, mas sabia que deveria ter feito isso. Interrompi o beijo ao ouvir um barulho no corredor. 

- Foi mal. Não é nada com você. - falei baixo. 

- Nunca é. 

- Ah, é claro! - alguém exclamou com a voz irônica. Não precisei nem me virar para saber quem era. - Sério, Jasmine? Sério? Está querendo se vingar? Beleza, faça isso. Mas não com ele. 

- Não tente me fazer ficar culpada por estar ficando com outra pessoa. - retruquei, encarando Travis. - Você não vai me fazer sentir culpada por ficar com o Brad. Porque você é o culpado por estarmos nesse situação de hoje. Você é um cretino. 

Os olhos de Travis suavizaram no mesmo instante. Não literalmente, mas antes ele poderia me matar com o olhar e agora parecia estar se sentindo culpado. Talvez os meus sentimentos estavam estampados ali. 

- Cai fora, filho da puta. - Travis se dirigiu ao Brad. 

- Eu não...

- Você não vai querer arrumar briga comigo agora, cara. - Warner o interrompeu e senti meu sangue ferver. 

- Está tudo bem, Brad. - sorri brevemente e ele assentiu, então saiu. Travis fechou a porta e me encarou. 

- "Está tudo bem, Brad." - disse com desdém e uma ridícula voz aguda. Infantil. 

- Você é inacreditável! - levantei as mãos. Queria sair dali. - Antes que eu comece a falar e você continue com esse sorriso ridículo nos lábios, saiba que você estará pensando errado. - não queria que ele pensasse que era ciúmes, porque não era. Era indignação. - O que eu sou pra você, Travis? Realmente quero entender. Eu pensei que você só fugia daquele assunto de sentimentos porque realmente não sentia, mas você tem medo, não é mesmo? Você mentiu pra mim em relação a Katie. Você era sim apaixonado por ela e eu consegui ver isso na forma que a olhou no colégio mais cedo. Eu sabia que não podia ser uma vaca egoísta, afinal, eu sei que não sou a única garota da sua vida, mas... você pensa o que?! Você pensa que eu sou o seu brinquedo que você usa, brinca e depois deixa de lado? Ou melhor, deixa de lado quando um brinquedo novo aparece ou um antigo que você costumava gostar muito? 

- Minnie... 

- Não se atreva a me interromper. Depois que eu terminar você fala o que quiser. - falei com os olhos fechados, mas os abri para encara-lo. - Sinceramente, Travis, eu sinto que estou fazendo um drama na minha cabeça, mas no meu coração não. O que custava você simplesmente ter falado comigo? Agido normalmente? Por que fingir que não existo e venerar tanto aquela garota? Antes de toda essa merda que estamos agora, você era o meu melhor amigo. Você não tem noção do quanto me magoou. 

Ele parecia surpreso quando terminei. Aí, será que eu falei a palavra paixão no impulso e não percebi?! O pânico tomou conta de mim.

- Eu não sabia que você tinha ficado tão magoada...

- Como poderia saber, não é mesmo? Me ignorou o dia inteiro. E ainda saiu com aquela... com aquela... - cerrei os punhos e respirei fundo. 

- Aquela o que, Jasmine? Você ao menos conhece a Katie para ter um xingamento na ponta da língua? 

- Tem razão, eu não conheço. Mas posso garantir que você também não. Pelo menos não seu lado não perfeito e não santa. - gesticulei sentindo meu rosto quente de raiva. 

- O que você está insinuando? O que você sabe sobre ela? Você não sabe nada! Não a ofenda sem que ela esteja aqui para se defender. 

Soltei uma risada incrédula e sarcástica. Eu não acredito nisso. Ele estava defendendo a garota de mim? Por Deus, eu nem havia pensado em nada! Agora ele seria capaz de me ofender para defender a melhor amiguinha de infância? Legal, Travis! Show! 

- Eu deveria ter me ouvido esse tempo todo. Desde que eu coloquei meus olhos em você, uma voz gritava na minha cabeça para eu me manter longe, que você era uma pessoa ruim, que você era exatamente como um fantasma do meu passado e eu te conheci. Conheci de verdade. Mudei todos os meus conceitos, Warner. - não desviei meus olhos dos seus nem um por segundo e acho que eu estava um pouco exaltada. - Eu não suporto ser jogada para escanteio. Principalmente por uma pessoa que está no topo da minha lista de prioridades e você é um otário por achar que pode brincar comigo desse jeito. Não temos nenhum relacionamento sério e nunca teremos, mas eu quero tanto acertar a porra da minha mão na sua cara e... 

Quase não acreditei quando ele simplesmente me beijou. No meio da nossa discussão! Tudo bem, só eu estava discutindo, mas...

- Você é mesmo inacreditável! - o empurrei com uma força que o fez cambalear para trás. Do tamanho da minha raiva. - Você não serve para nenhum tipo de relacionamento. Você não sabe como lidar com os sentimentos de uma garota, você não serve nem para lidar com os seus próprios sentimentos! Vou te dar um conselho, Travis: não iluda ninguém. Não iluda a mim, não iluda a Katie, não iluda a Alexia. Você vai acabar destruindo tudo o que toca. 

Passei reto por ele e saí do quarto, batendo a porta. Seu olhar não saiu da minha cabeça. Sabia que eu havia o magoado. Sabia que eu tinha tocado seu ponto fraco: sua incapacidade de amar alguém que não seja ele mesmo. Travis também sabia disso. Ele não era acostumado com sentimentos vindo das garotas que ele costuma trepar. Talvez algumas tenham se apaixonado por ele, mas ele nunca se importou com nenhuma delas para ligar para esse drama. Odiava ter feito drama, mas eu também odiava guardar aquilo para mim. Eu precisava colocar para fora. E bom... coloquei. 

- Estou indo embora, Leon. Se encontrar a Valerie, avise por favor. - puxei Leon para um canto. 

- Brigou com ele? 

- Sim... - suspirei. - Estou com medo de ter exagerado, mas... sei lá. Desabafei.

Antes que Leon respondesse, Katie parou na frente dele parecendo nem notar minha presença. 

- Leon, você viu o Travis? - ela perguntou. Leon me olhou e, automaticamente, Katie também. 

Ela me mediu de cima a baixo e empinou o nariz com desdém antes de se voltar para Leon novamente. 

- Prazer em te conhecer também, querida. - sorri falsa e dei um beijo estalado na bochecha dela. 

Leon segurou a risada. 

- Ah, você deve ser a Jasmine. - disse, ainda com aquele olhar e me olhou de cima a baixo mais uma vez. 

- Nossa, então meu nome está sendo falado por aí? - continuei com meu sarcasmo. - Bom saber. E aliás... Travis está lá em cima. Deve estar precisando de você. - coloquei a mão em seu ombro sendo ainda mais irônica e dei as costas. 

Encontrei Valerie perto da porta da frente e me aliviei. 

- Estou indo embora. 

- Como? O que aconteceu? Brigou com Travis? 

- Sim. - suspirei. - Amanhã eu te conto. - avistei Brad me observando preocupado. - Amo você. - beijei a bochecha da Valerie. 

- Também te amo. 

Sorri e caminhei até Brad.

- Eu aceito sua carona para casa. 

- Tudo bem. - ele sorriu e nós saímos, indo em direção ao seu carro. 

Claro que não deixei acontecer nada. Conversamos sobre assuntos aleatórios, sem que fosse Travis ou Katie, e ele percebeu que eu não queria nada, nem tentou me dar um beijo de despedida ou insistir aquele assunto de "tentar com ele". Eu só esperava conseguir dormir o resto da noite.

(...)

Pensei que estava alucinando quando ouvi meu celular tocar freneticamente no criado mudo. 04h45. Lacey. Entrei em pânico e pensei em Travis instantaneamente. Será que algo tinha acontecido com ele? São quase cinco horas da manhã! 

- Lacey? Está tudo bem? 

- Jazzy, sei que você estava dormindo, mas eu estou desesperada. A minha mãe disse para eu te ligar. 

- O que aconteceu?! Foi o seu pai, né? O que aconteceu? 

- Travis e ele estão trancados no escritório há longos minutos. Acho que meu pai bateu no Travis e vice versa. A minha mãe sabe que você consegue acalmar o Travis e também sabe que meu pai tem medo de te enfrentar por você ser filha do Maddox. 

É... a mãe de Travis me disse que já tentou descobrir várias vezes qual era o interesse da família Maddox na família Warner e vice versa, mas nenhuma de nós duas chegamos a uma conclusão. 

- E além de tudo... Travis está descontrolado e acho que se ele ver você vai parar de provocar

- Estou indo, Lacey.

- Obrigada.

Coloquei uma calça jeans, um moletom maior que eu e amarrei o cabelo em um coque. Escovei os dentes e fiquei tirando as pelinhas dos lábios com os dentes até o táxi chegar. Eu precisava tirar carteira de motorista e precisava arrumar um carro. Urgente. Imagina se não tivesse táxis disponíveis nessa hora da madrugada? 

Fiquei nervosa durante o caminho inteiro. Sabia que Travis deveria estar com raiva de mim e resolveu provocar seu pai. Isso já aconteceu antes. O pai dele era um babaca, isso é um fato, mas ele ficava pianinho quando eu chegava. Por que tantos segredos em nossas famílias? Ficava enjoada só de imaginar ou formular hipóteses. 

- Ah, e você se acha a porra de um homem?! - ouvi gritos no momento em que pisei na casa. - Você é um moleque, Travis! Não sabe nada da vida!

Eles estavam fora do escritório agora. Lacey estava assustada, Lissa - mãe de Travis - estava chorando e eu estava com medo por saber que se eles resolvessem brigar de verdade, ninguém conseguiria separa-los. 

- Você se acha homem mesmo batendo daquele jeito na sua esposa?! Me poupe de um sermão, seu hipócrita filho da puta! - Travis rosnou.

E o Sr. Warner acertou um soco em seu rosto que o fez cair no chão. Lacey gritou de susto e Lissa segurou o braço do marido. Ou melhor, tentou, porque também levou um tapa. Levei as mãos a boca e eu não pensei duas vezes em entrar. 

- Eu vou chamar a porra da polícia se você não soltar o braço dela! - ameacei e todos os olhares pararam em mim. Eu estava mesmo pronta para ligar. 

- Quem você pensa que é para sempre se intrometer nos assuntos da minha família, garota? Você pensa que eu tenho medo de você? Acho melhor você cair fora antes que leve também.

- Eu não estou brincando. Agressão é crime. Agredir sua esposa, uma mulher, tem punição três vezes pior. Você deve saber disso, certo? 

Travis ajudou a mãe a levantar e o pai dele saiu da sala batendo à porta. Ouvimos barulho do carro arrancando. Por que ele sempre abaixava a guarda quando eu estava por perto? Isso me deixava tão pilhada. 

Por um momento esqueci que Travis e eu estávamos brigados. 

- Você está bem? - perguntei preocupada e coloquei as mãos em seu rosto. 

Ele pigarreou e olhou para a mãe e para Lacey. Tirei as mãos na mesma hora, sentindo minhas bochechas quentes. 

- Eu sinto muito... você está bem? - perguntei para a mãe dele. 

- Sim. Estou acostumada. - ela disse. 

- Não deveria estar, senh... - ela me repreendeu com o olhar e lembrei que ela me pediu para chamá-la de Lissa. - Você não deveria estar acostumada, Lissa. 

- Eu sei... - ela suspirou. - Obrigada, Jazzy.

- Você está bem mesmo? O seu olho não está doendo?

- Não, foi um tapa. O olho do Travis deve estar doendo. - ela olhou para Travis, que ainda me encarava intensa e fixamente. 

Seu nariz sangrava, assim como o canto de seu lábio. Com certeza houve outro soco antes de eu chegar. 

- Vem, mãe. Vem tomar uma água com açúcar. - Lacey puxou a mãe para a cozinha. 

- Você está bem? - perguntei ao Travis. - Claro que não. Seu nariz e sua boca estão sangrando! Seu olho roxo... ele é um filho da puta. 

- É, você não faz ideia. - ele murmurou. 

- Vem, vou cuidar disso aí. - segurei sua mão e o puxei até as escadas.

- Por que? Você mesma queria ter feito isso há menos de quatro horas atrás. - resmungou e nós entramos em seu quarto. 

- Não quero mais. - respondi e peguei o kit de primeiros socorros no banheiro. 

Travis sentou na cama e eu me agachei para cuidar dos machucados em seu rosto. Sentia seu olhar sobre mim a todo momento.

- Para com isso. - murmurei ainda sem olhá-lo. Ele estava me olhando demais. 

- Não consigo. - balancei a cabeça e sua mão parou em minha nuca, levantando meu rosto para encara-lo. - Não consigo parar de olhar pra você. 

- Bom, é uma pena. A Katie deve estar maluca para ter sua atenção desse jeito. 

Ele abriu um sorriso e mordeu o lábio inferior. 

- Você fica linda com ciúmes.

- Não estou com ciúmes. Você quer ficar com ela? Vai fundo. Não ligo. 

- Não liga?

- Não. Eu também fiquei com Brad hoje. Duas vezes. - dei de ombros e levantei. - Aliás, ele disse que queria tentar comigo de novo. 

- Ele o que?! - e seu tom de voz mudou completamente. - Você ficou com ele de novo dentro daquele quarto?! E ele ainda teve coragem de...

- Fiquei! - o interrompi. - Você queria que eu ficasse fazendo o que? Olhando você dançando e beijando outra garota sem fazer nada? 

- Eu não quero ficar com a Katie, caralho! Ela tentou várias vezes e eu só fiz para te atingir, admito, mas desde que... porra, você estragou tudo! 

- Eu?! 

- Você! Não consigo mais querer ficar com outras garotas. E antes era tão fácil. Era a única coisa que eu sabia fazer, na verdade. Eu... você me deixa maluco, Jasmine.

- Eu não tenho culpa! Se você quer ficar só comigo então fica, caralho! Pelo que está esperando? 

Estava ofegante quando o silêncio tomou conta do quarto. Nossos olhares presos um no outro. Até o momento em que ele deu um passo na minha direção e me puxou pela cintura, colando nossos lábios. Pensei em fazer birra, pensei em me afastar, mas tudo que fiz foi colocar os braços em volta de seu pescoço e diminuir ainda mais a distância entre nós. Ainda não tínhamos avançado aquele passo por minha causa. Sempre que esquentava, eu me esquivava por motivos de: conheço Travis com as garotas. Tinha medo de que ele me chutasse depois do sexo. Mas agora? Agora eu só estava ligando para o quanto eu o desejava. E para o quanto eu sabia que ele também me desejava. Travis voltou do banheiro com uma camisinha e quase ri ao ver seu rosto todo ferrado. Não literalmente, mas mesmo desse jeito, o menino ainda queria sexo. Mas podia julga-lo, eu também queria. 

Travis sabia que eu não era virgem e por isso não interrompeu em nenhum momento com aquelas perguntas de quando se tem a primeira vez. Eu só conseguia ficar mais inquieta e excitada com as sacanagens que ele sussurrava com a boca colada na minha ou no meu ouvido, seguido por uma mordida no lóbulo. Um beijo no pescoço enquanto minha calcinha descia lentamente pelas minhas pernas trêmulas de tanto... tesão. Percebi que ele tentava ser delicado, mas acho que estava esperando isso por tanto tempo que não se importou com isso. Muito menos eu. Eu não era de porcelana e queria que ele me tocasse como mulher. Do jeito que ele queria, do jeito que eu esperava. Seus olhos se encontraram nos meus no primeiro contato. 

Puta que pariu, Warner. 

Pele com pele e coração com coração. Clichê, mas verdadeiro. Mordi o lábio inferior me movendo em sincronia com o seu corpo e enquanto sua mão direita passava pelo meu corpo, parando em meus seios, a mão esquerda tampou minha boca. 

- Você quer que alguém nos escute, Minnie? - abri um sorriso e ele aumentou ainda mais o ritmo. 

Fiquei mordendo o lábio inferior para comprimir qualquer gemido que queira escapar alto demais dos meus lábios. Corei só de imaginar Lacey e Lissa escutando alguma coisa. Minha nossa... 

Travis me beijou intensa e carinhosamente no intervalo entre nossos clímax e após um beijo na testa, se deitou ao meu lado. 

- Porra...

- Eu sei. - o interrompi e suspirei. - Não diga nada. Sério. 

Eu morreria de vergonha se ele fizesse algum comentário sobre. Eu sabia que tinha sido... porra, eu sabia que tinha sido fantástico. Busquei em minha mente se alguma outra foi melhor do que essa, mas me repreendo na mesma hora. Travis levantou para jogar a camisinha, mas logo se jogou na cama e me puxou para perto de si. Seu coração estava acelerado, seu tronco meio suado e sua respiração desregulada. Eu estava da mesma forma.

- Sabia que não deveríamos ter feito isso, né? Eu ainda estou putassa com você. 

- Olha, Minnie, você poderia estar qualquer coisa naquele momento... menos raiva. - um sorriso descarado brincou em seus lábios e eu revirei os olhos. 

- Sinto que estou tão ferrada, Warner. 

- Eu também. Muito para falar a verdade. 

- E você ainda vai me zoar por ter negado sexo a você com medo de que você caísse fora? - brinquei. Ele enchia o meu saco, brincando que estava ofendido por eu pensar nisso. 

- Não, até porque você estava certa. 

Levantei na mesma hora. 

- O que?! 

- Espera, Minnie. Estava certa há algumas semanas atrás. - disse. - Você é minha melhor amiga, e eu queria muito co...

- Não se atreva a dizer que queria me comer. 

- Ok. - ele soltou uma risadinha. - Você era minha melhor amiga e sexo com você era inalcançável. Mas... porra, eu quero isso desde a primeira vez que coloquei meus olhos em você. 

- Você ia só transar comigo e depois dizer "Acho melhor nós nos afastarmos"?! Legal! Show

- Não! Não mesmo. Quer dizer, nós íamos continuar sendo amigos, mas também não acredito que esse lance de amizade colorida funciona. 

- Então você sugeriu a porra da amizade colorida porque queria me comer?! Legal! Show! - levantei da cama a procura do meu sutiã. 

- Não! Minnie, olha pra mim. - ele segurou meu braço. - Isso foi antes de você mudar minha cabeça. Foi só ver o seu sorriso, sentir seu perfume e tocar em você... que mudou o que eu pensava. A sua boca, o seu corpo e a sua companhia valem o preço para perder o sossego que eu tinha. 

Meu coração estava a mil quando ele terminou de falar. Havia sido um tipo de declaração?! Do jeito complicado e torto de Travis Warner, mas ainda uma declaração. 

- O que você está tentando me dizer?

- Que eu quero ficar com você, Minnie. - ele também levantou, após vestir a cueca. - Da pra você colocar só o sutiã para eu conseguir conversar com você direito?

Corei ao sentir seu olhar sobre meus seios e deitei na cama novamente, me cobrindo com o lençol. 

- Você não vai dizer nada? 

- Você não está me pedindo em namoro. 

- Não, eu só... eu só quero ficar perto de você. Quero ficar junto, apenas eu e você. 

- Sem mais ninguém? 

Ele se aproximou e deu um pequeno sorriso ao tirar meu cabelo do rosto, me olhar nos olhos e garantir: 

- Sem mais ninguém. 

- Nem mesmo a Katie? Você sentia sim algo por ela, né? Você ficou com um sorriso tão iluminado quando ela chegou e simplesmente esqueceu a minha existência, como se tudo que importasse fosse ela e...

- Eu não menti pra você. Nunca senti nada por ela além de carinho. - disse. - E sobre hoje no colégio... Noah quer ficar com você. 

- Você é tão imaturo. - revirei os olhos ao me dar conta. 

- Eu sei. Não sou acostumado com isso... com sentir ciúmes. É uma merda, Jazzy. É por isso que ninguém gosta de se apaixonar. 

Agora sim minha garganta fechou. Paixão. Ele usou a palavra paixão. O conquistador, o cafajeste e o galanteador estava apaixonado. Por mim. E ainda teve coragem de admitir isso. 

Tudo bem, de uma forma bem indireta, mas... merda, eu já vi esse filme antes. Aaron também era o cafajeste, também disse que estava apaixonado por mim e... e acabou com o meu coração. Tudo bem, Travis não é Aaron, mas tudo neles é tão parecido que me assusta. 

- Acredite, eu sei bem o que é sentir ciúmes. E me apaixonar também. - respondi e dei um beijinho em seu peitoral, ainda acomodada nele. 

- Sabe? - seus dedos faziam linhas imaginárias em minha pele, me causando arrepios. 

- Sei... 

O silêncio se instalou no quarto e em menos de vinte minutos, percebi que Travis tinha dormido. Fiquei um bom tempo tentando pegar no sono, mas não consegui. Peguei meu celular para ver as horas. 06h20. Levantei da cama com cuidado para não acorda-lo e encontrei meu sutiã quase embaixo da cama.

Sentei na beirada da cama para vestir o sutiã e levantei para vestir a calcinha. Virei para pegar a calça, mas travei ao ver Travis me observando com um sorrisinho safado e um olhar de admiração. Minhas bochechas queimaram na mesma hora. 

- Para de me olhar assim. 

- Você é tão linda... 

- Cala a boca. - joguei um travesseiro nele. 

- Você ainda não aprendeu o que responder quando alguém te elogia? 

Abri um sorriso e deitei em cima de Travis. 

- Obrigada. Você também é lindo. Mas a minha blusa sumiu e eu preciso dela. 

- Pode vestir a minha. Você não vai embora agora mesmo. - ele me puxou para mais perto. 

- Vou sim. 

- Não vai, não. São mais de seis horas da manhã. 

- Tudo bem, então. 

Vesti a camiseta dele, que ficou como um vestido para mim e fechei os olhos com um sorriso ao sentir seu perfume impregnado na camisa. Ele deu um sorriso preguiçoso e fez um sinal para que eu me deitasse com ele novamente. 

- Boa noite, Minnie. 

- Você... você quer conversar sobre o aconteceu? - perguntei. Me referi ao seu pai. 

- Não. - curto e grosso. 

- Tudo bem... como você quiser. - me afastei para olha-lo e lhe dei um selinho. - Estou aqui por você. Sempre. 

- Sempre, Minnie. 

E ele me beijou mais uma vez.


Notas Finais


Travine sempre amorzinho ❤️ Travis irá descobrir sobre Skye alguns capítulos, seguuuuura coração.


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