História Undercover - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alexia Maddox, Jasmine Maddox, Nolan Griffin, Travis Warner, Valerie Parker
Exibições 144
Palavras 5.146
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Famí­lia, Festa, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Good night, Minnie


A primeira semana de aula foi mais legal do que eu esperava e mais realista do que fantasiei em minha cabeça. Eu pensava que as pessoas não dariam a mínima para ajudar a me adaptar, mas eu estava completamente enganada. Noah, Sophie, Nolan, Parker, Leon, Lacey, Melanie foram as pessoas mais legais que conheci aqui e agora Max também estudava pertinho de mim para me fazer companhia além da Valerie. Pensei que Valerie não ia gostar que tivéssemos amigos novos porque sempre foi apenas eu e ela, mas ela adorou todos eles! Não parava de conversar com Nolan, Leon e Parker. Eles se tornaram nossa mesa fixa na hora do intervalo e nos dois primeiros dias Travis sentava conosco, mas parece que Alexia não gostou muito de saber disso e armou um fusuê por causa dessa besteira. 

Não entendia como era possível que todas, repito, todas as garotas desse colégio sejam completamente caidinhas por Travis Warner. Tudo bem, ele era bonito, mas elas não viam que ele era um encosto?! Não viam que ele não via nada além do próprio umbigo? E que ele só queria fortalecer seu próprio ego? Perdi a conta de quantas vezes ouvi garotas falando sobre ele e seus lábios incrivelmente macios no banheiro, no refeitório, na sala de aula. Quer dizer, por que era tão importante saber que Alexia e ele estavam em crise? As garotas estavam soltando fogos de artifício! E a forma que ele sorria enquanto mascava o seu inseparável chiclete de manhã e piscava para as garotas no corredor... elas ficavam suspirando apaixonadas e sonhadoras. Como ele poderia ser mais previsível? Impossível. 

- Jasmine, estou falando com você! O que está acontecendo com você hoje? - ouvi a voz doce da Lacey e a encarei. 

- Estou bem. - dei de ombros. - Então, por que exatamente o professor de história nos deixou juntas nesse trabalho? Você é dois anos mais nova que eu. 

Lacey me olhou feio e eu soltei uma risada. 

- Estou brincando. - falei. - Na verdade, não estou. Você é algum tipo de menina prodígio?

- Mais ou menos. - ela deu de ombros entediada. - Já disseram que eu poderia pular um ano se quisesse, mas eu gosto de onde estou. Só escolhi algumas matérias mais avançadas. 

- Entendi. - assenti. - Então, eu não acho que seja uma boa na minha casa. Meu pai me odeia e a...

- E a sua irmã é Alexia Maddox. A insuportável Alexia Maddox.

- Exatamente.

- Tudo bem, pode ser na minha casa. Semana que vem nós combinamos. 

O sinal bateu e encontrei Noah me esperando do lado de fora da aula de inglês. Dessa vez fui em quem lhe dei um susto, ele sempre fazia isso comigo. 

- Porra, Jazzy! - ele colocou a mão no coração e riu. 

- Me vinguei, há! 

- Quer um prêmio? - revirei os olhos pela sua ironia. - Na verdade, eu tenho um prêmio. Festa hoje na minha casa, não esquece de chamar a Valerie. 

- Tudo bem, estarei lá! - sorri. - Me manda o endereço da sua casa por mensagem, por favor. 

- Pode deixar. 

Eu estava sentada na mesma mesa que Max e pude notar seu maxilar travado, seus punhos cerrados e sua cara feia quando Travis passou pela entrada do refeitório. Max odiava mesmo Travis Warner e isso me deixava com dois pés atrás. Não parecia ser uma simples implicância e sim um ódio mortal. Max mal suportava olhar para ele.

- Ok, Max, me conta! - insisti. - Por que você odeia o Warner?

- Está vendo aquela garota? - ele apontou com o queixo e me surpreendi por saber que ele falaria tão rápido. 

- A ruiva ou a morena?

- A ruiva. 

- Sei. Ela é bonita. 

- Sim. - disse e suspirou. - Eu era apaixonado por ela desde os treze anos e estávamos tendo um lance no começo do ano, pensei que ela era inteligente e racional. - ele balançou a cabeça. - Warner começou a se aproximar dela e eu jurava que ela seria imune aos charmes dele, né? Pensei que ela era diferente dessas outras meninas otárias. 

- Ah, não... o que ele fez?

- Descobri que ele só ia ficar com ela por causa de uma aposta ridícula e contei pra ela, né? Ela disse que nem ligava, que sempre gostou dele e que ele dizia que gostava dela também. - disse e riu com deboche. - Ela deu um pé na minha bunda, ele tirou a virgindade dela e no dia seguinte pensou que andariam de mãos dadas pela escola. Ele nem olhou na cara dela, ela até ficou doente de tão deprimida. 

- Não sei quem é mais otário. Ela por saber da fama dele e ainda cair no papo ou ele por iludir garotas de quinze anos.

- Odeio aquele filho da puta, Jazzy. Você não faz ideia do quanto. 

- Eu imagino. - murmurei e encarei a ruiva que meu irmão mais novo era apaixonado. 

- Não foi só ela não. Ele fez todas aquelas meninas que andam comigo chorarem. - ele balançou a cabeça. 

- Eu fiquei sabendo de mais histórias por aí. - falei. - Antes era pior, né? Fiquei sabendo que todos os dias tinha uma menina tonta chorando no banheiro por conta do babaca do Warner. 

- Era assim mesmo. A única coisa boa é que não dura nem uma semana. - disse. - Pensam que é o fim do mundo e esses dramas de garota, tá ligada?

- Sim. - revirei os olhos. 

Cheguei em casa por volta das quatro e meia e fui direto perguntar para o meu pai se eu poderia ir em uma "reunião" na casa de um amigo que fiz no colégio. 

- Nem pensar. - ele disse curto e grosso. 

- Mas pai... 

- Eu estou trabalhando, Jasmine, não tenho tempo para seus problemas. E eu tenho uma reputação a zelar, acha que não sei da sua fama lá em Paris? Quantas vezes já foi parar nos jornais, Jasmine? Não vou deixar isso acontecer aqui. De vexame já basta Paris, aqui será da escola pra casa e da casa pra escola. Final de semana estudando para sua faculdade de medicina.

- Faculdade de medicina? Até parece que você vai me obrigar a fazer algo que não quero! - falei complemente irritada por ouvi-lo falar daquele jeito comigo. - Nunca paguei vexame em Paris! E mesmo se tivesse pago, nunca afetaria sua vida perfeita, papai! - ironizei. - Seu nome nunca foi citado! 

- Olha o tom que você fala comigo, garota! - ele levantou. - Eu pensei que o internato ia te mudar, mas você continua a mesma menina impertinente, insuportável e marrenta de sempre!

- Tudo que eu sempre quis foi que você me desse atenção do mesmo jeito que sempre deu para a Alexia! - falei amargurada. - Mas não vou mais perder meu tempo. Como ouvi você dizendo ontem... eu não sou sua filha, sou apenas alguém que está morando aqui. Você pensa que eu não ouvi?

E não ver nenhum pingo de remorso em seus olhos fez eu me sentir tão triste, mas não vacilei enquanto o encarava séria e com raiva. 

- Vá para seu quarto e nem pense em sair de casa. Você está sob meu teto e eu mando em você. 

- Agora você liga, não é? Tem medo que eu pague vexame e o nome Maddox esteja estampado em todos os jornais? Interessante...

- Não me provoque, garota. - ele segurou meu braço. - Você sabe que posso te mandar de volta pra França em um piscar de olhos. 

- Tenta, então! - me soltei de seu braço com violência e dei as costas depois de encara-lo com nojo. 

Tranquei a porta do meu quarto e fiquei conversando com Owen por longos minutos. Até que ele me disse que tinha algo pra contar e eu senti tudo gelar.

"Skye: Ah, não. O que?" 

"Owen: Eu meio que estava tentando namorar, mas não está dando certo. A menina é chata pra caralho, nem sei porque estou com ela."

"Alexia: Ué, mas você é burro? Se não gosta dela, por que quer namorar?"

"Owen: Não quero, mas a gente se conhece faz tempo e o meu amigo ficou dizendo que ela era apaixonada por mim e tal."

Odiei aquela sensação estranha e chata no peito. Era o que? Ciúmes? Eu tinha ciúmes de alguém que nunca vi na vida agora?

"Skye: Então, termina com ela." 

"Owen: Tentei hoje, mas ela é bem... chata é insistente." 

"Skye: Para de ser dominado. Se você não quer ficar com alguém, não precisa. Ainda mais se ela for insuportável como você diz."

"Owen: E você, Skye?"

"Skye: O que tem eu?"

"Owen: Como está o colégio interno?"

"Skye: Ah... está uma chatice como sempre." 

"Owen: Não está saindo com ninguém?" 

"Skye: Não. Não mesmo." 

Precisava saber se a falta de interessa na namorada era por causa de outra garota ou se era por... mim. 

"Skye: E você está interessado em alguém?" 

"Owen: Tem uma menina aqui... ela me odeia por algum motivo que eu não faço ideia de qual seja. Me trata mal, sempre na defensiva e, sabe, é estranho." 

Claro que tem uma menina. E ela não é a Skye. 

"Skye: Porra, Owen, não me diz que ficou interessado nela só porque ela te disse não!" 

"Owen: É, basicamente... na verdade, nunca nem demonstrei estar interessado nela de verdade."

"Skye: Ela sabe que você está "namorando"?"

"Owen: Sabe."

"Skye: Então é por isso, né seu otario! Meu Deus, pensei que você fosse mais inteligente."

"Owen: Não, você não está entendendo. Ela realmente não me suporta. Acho que lembro alguém que já fez merda com ela."

"Skye: Previsível."

"Skye: Owen, eu vou sair hoje com a Valerie. Volto bem tarde.

"Owen: Vai aonde?" 

"Skye: Não sei. Alguma balada por aqui. Minha ID está bem a salvo."

"Owen: Não faça merda, Skye" 

"Skye: Não farei. E você vai sair hoje?" 

"Owen: Sim. Na casa de um amigo só." 

"Owen: Entendi..."

(...)

Enquanto estava saindo do banho, vi a Alexia correndo para o quarto e batendo a porta com uma força que não era dela. Pensei se deveria ir atrás ou não, mas acabei indo por curiosidade. 

- Alexia? Está tudo bem? - me assustei ao vê-la cortar algumas fotos com uma tesoura. 

- Está tudo ótimo, Jasmine! Vaza aqui! - disse sem nem me olhar. 

- O que aconteceu? 

- Não é da sua conta, que droga! - disse apontando a tesoura na minha direção. Ok, ela ia me cortar. 

- O Travis terminou com você? - constatei ao ver que as fotos cortadas eram dos dois. 

- Se você não sair do meu quarto em três segundos, eu vou jogar essa tesoura na sua cara. 

Ela não estava chorando e isso era perigoso. Chorar é bem melhor do que ficar furiosa e duvido que ela ao menos chore. Pode fazer loucuras na hora da raiva.

Saí do quarto batendo a porta e fui me arrumar para sair. Sei que meu pai não deixou, mas existem janelas pra que? Única coisa boa do Travis foi ele ter me mostrado que pular a janela era fácil. Ainda bem que os quartos não eram no terceiro andar, tornaria meu trabalho bem mais difícil. E até parece que eu ia obedecer o meu pai enquanto ele nem tinha moral pra me mandar ficar em casa. Se nem aqueles muros enormes do internato não me seguravam, quem dirá janelas de vidro?

Quando terminei de me arrumar, pulei a janela e encontrei um ponto de táxi meio longe a minha casa. Falei o endereço da Valerie. 

- Valerieeee! O taxista está irritado! - apertei a campainha diversas vezes seguidas. 

- Oi, desculpa! - disse abrindo a porta. - Caramba, está gata! 

- Obrigada! - sorri. - Você também. Agora vamos. 

- Onde nós vamos?

- Em uma casa noturna super maneira. Está com sua ID? - perguntei e ela assentiu. - Mais tarde iremos para a casa do Noah. Tudo bem?

- Sim. 

- Cadê a Jamie?

- Ela saiu. Acho que foi ter um encontro mesmo negando com todas as forças.

- Mentira! Tia Jamie tendo um encontro e nós estamos como? Solteiríssimas. 

- Estou bem assim. - ela deu de ombros e entramos no táxi. 

Mostrei o endereço da casa noturna para o taxista e ele seguiu o caminho. 

- Bem assim? - debochei. - Sei que você está doidinha pra pegar o Leon. 

- Que?!

- Eu percebi, dona Valerie.

- Vai dormir, Jasmine! - disse irritada e eu soltei uma risada. 

Chegamos ao nosso destino às oito e meia e apresentamos nossas identidades para os seguranças antes de entrarmos. A maquiagem nos deixava mais velhas do que realmente éramos... sem tudo isso, parecíamos duas meninas de quinze anos de idade. Era incrível o poder de uma boa maquiagem. 

- É impressão minha ou tem um cara muito gato te olhando? - Valerie me cutucou. 

- Aonde? 

Meu olhar se encontrou com de um garoto e franzi o cenho. Ele não estava me olhando com malícia e sim como se me conhecesse de algum lugar. 

- Jasmine? - ele se aproximou totalmente. 

- Desculpa, quem é você? - perguntei. 

- Como você não lembra de mim? - ele se aproximou um pouco mais e reconheci seus inconfundíveis olhos azuis. 

- Brad... - sorri um pouco desconfortável. 

- Quando você voltou da França?

- Faz uma semana. 

- Caralho, você está muito diferente. Cresceu, né?

- "Cresceu, né?" é igual a "tá gostosa". - Valerie sussurrou no meu ouvido e eu gargalhei. 

Brad era um dos meus melhores amigos de infância, até que ele me beijou no meu aniversário de onze anos. Não mudou muita coisa entre a gente porque éramos crianças, mas nossa ligação sempre foi muito forte. Até que fui embora sem nem conseguir me despedir dele. 

- Então, quer beber alguma coisa? - ele perguntou. Olhei para Valerie. 

- Vai lá. Eu vou dançar. - e Valerie foi toda animada para a pista de dança. 

Brad e eu fomos até o bar e ele me indicou uma bebida rosa fluorescente com um gosto extremamente exótico. Mas era bom. Bem diferente de tudo que já tinha bebido e gosto do diferente, gosto quando as coisas me surpreendem e Brad estava me surpreendendo só pelo modo de falar. 

- Porra, mano, nem acredito que faz quatro anos que a gente não se vê. - ele balançou a cabeça. Já estava no meu terceiro copo de bebida rosa fluorescente. - Você está bem mesmo? Seu pai está te tratando bem?

- Não podemos voltar a falar em como foi lá na França? - perguntei sem nenhuma vontade de conversar sobre meu pai. 

- Então, você escapava e entrava em boates com uma ID falsa? - sorri culpada e Brad riu inclinando a cabeça pra trás.

- Quem diria que aquela menina de treze anos ia fazer isso, não é mesmo?

- Eu diria. - disse e arrastou o banco pra mais perto do meu. - Você sempre foi levada. Nunca abaixou a cabeça para o seu pai e sempre fez o que queria... até me surpreende você ter aceitado voltar.

- Eu só queria a minha liberdade de volta. E esse processo está uma droga. - bufei. - Adivinha só? Sai escondido. Se fosse pra ser mantida em cárcere privado era melhor ter ficado lá em Paris!

Ele sorriu enquanto me analisava. 

- Você cresceu. Não é mais a minha menina.

- Nunca fui a sua menina, Brad. 

- Você foi sim. - ele tirou meu cabelo do rosto. - Fiquei arrasado quando Max me contou que você foi embora. 

- Ficou? - mal ouvi minha própria voz. 

- Muito. - ele assentiu enquanto se aproximava. 

Ia recuar, mas ele me beijou antes que eu conseguisse protestar. Sabia que ele estava se deixando levar pelo que sentia pela Jasmine de quatro anos atrás e ao sentir aqueles lábios que eu costumava conhecer tão bem... me deixei levar. Não nos conhecíamos mais, disso eu sabia, mas a quantidade de álcool no nosso organismo também era bem alto. 

Fomos interrompidos pelo meu celular vibrando no meu bolso. 

- Pode atender. - Brad disse e eu assenti. 

- Oi, Noah. - tampei o ouvido esquerdo e coloquei o celular colado na orelha direita. 

- Você vai vir? Onde você está? 

- Eu estou... - balancei a cabeça. - Estou indo pra aí. Posso levar um amigo? - Brad abriu um sorriso ao ouvir. 

- Que amigo?

- Um amigo. 

- Pode. 

- Tudo bem, tchau! - cantarolei e guardei meu celular novamente. - Vamos, então?

- Quem é Noah?

- Um amigo do colégio. - dei de ombros. 

Encontrei Valerie dançando com um garoto qualquer e a chamei para irmos embora. Percebi que ela nem estava gostando de dançar com o menino porque veio na nossa direção no mesmo momento.

(...)

Chegamos na casa de Noah exatamente a meia noite e encontrei vários rostos conhecidos no momento que pisamos lá. Leon, Parker, Nolan, Sophie, Melanie, Ethan e... Travis. Nossos olhares se encontrarem por um momento e ignorei o friozinho na barriga que senti ao vê-lo me olhando daquela forma, ainda mais enquanto tomava um gole de sua bebida. Me surpreendi de vê-lo aqui embaixo, pensei que estaria em um dos quartos da casa de Noah.

- Vocês chegaram! - ouvi a voz da Melanie e ela abraçou a Valerie e eu. - Pensei que não viriam. 

- Fomos em outro lugar antes. - falei. 

- E aí, Brad? - estranhei quando vi Noah cumprimentando Brad. Eles se conheciam agora? Desde quando?

- Noah.

Bom, por um lado foi bom porque eu odeio apresentar pessoas. 

Travis Warner

- Pensei que ia aproveitar agora que está livre. - ouvi Nolan dizendo. 

Duas garotas passaram sorrindo pra mim e uma delas piscou. 

- Já aproveitei, Griffin. - falei e tomei mais um gole da minha bebida. - Cadê a Summer?

- Me irritando. Não quero falar sobre isso agora. 

- Você quem decide. 

- Entendi porque ficou parado aqui. - disse sorrindo malicioso e olhou pra onde eu estava olhando. - Você quer mesmo pegar a ex-cunhadinha?

- Aposto que até você quer. 

- É, eu até pegaria, mas vou deixar pra você.

- Deveria agradecer, então. - debochei. Até parece que uma garota não ia ficar comigo por causa do Griffin. 

Jasmine começou a dançar junto com a melhor amiga, a Melanie, a Sophie e outras garotas que ela fez amizade e queria cair fora com algumas das garotas me dando mole, mas fiquei preso ali. Segurei firme meu copo e tomei mais um gole tentando afastar esses pensamentos inapropriados para o momento, mas foi impossível quando nossos olhares se encontraram e vi um quase imperceptível sorriso no canto de seus lábios. Ela olhava a cada minuto enquanto dançava aquela música que dizia "quero te sentir embaixo do meu corpo". Puta que pariu. 

- Está tudo certo aí, cara? - ouvi a voz do Nolan novamente. 

- Sim. Por que está me perguntando isso de novo? 

Nolan seguiu meu olhar e Jasmine mordia o lábio inferior enquanto dançava e me olhava, mas desviou o olhar voltando a falar com Sophie. 

- Por que não chega nela?

- Você acha mesmo que ela vai querer, cara? 

- Bom, ou eu estou com álcool demais no meu organismo ou ela estava olhando pra você. 

Poderia até ter considerado a ideia, mas quando olhei novamente ela estava se agarrando ao moleque que chegou com ela. Brad. Olhei para Noah e percebi que ele também estava querendo ficar com ela, uma pena que quem conseguiu foi um filho da puta da pior espécie. 

- Joga a real, você não foi fiel a Alexia. Foi? 

- Caralho, cara, vai atrás da Summer! - me irritei com o Nolan fazendo pergunta demais. 

- Você continuou ficando com as garotas na sala abandonada do Sr. Benny. 

- Continuei, cara. Nunca nem foi um namoro, nunca gostei da Alexia. - falei. - Nunca gostei de ninguém, você sabe disso. 

- A Skye ainda não saiu do colégio interno? - pude ouvi-lo perguntar e isso me deixou meio puto, meio incomodado. 

- Não. Não fala dela, cara. 

- Como você quiser. 

Cansei de ficar só observando Jasmine e fui arrumar uma das garotas disponíveis que estavam por aqui. E estava subindo as escadas com a Ally, mas vi uma cena bem hilária na sala de estar.

Jasmine estava com uma garrafa de whisky e subiu na mesa de centro, enquanto dançava no ritmo de música. Ela quase caiu e eu desci as escadas, indo até ela e tirei a garrafa de sua mão. 

- Sai! Eu preciso de liberdade! - ela disse me empurrando, mas quase caiu. A segurei pela cintura e a coloquei no chão. 

Me dei conta do que era que me chamava atenção nela. Eu não sabia literalmente nada sobre ela e pessoas misteriosas sempre me deixavam interessados por um simples fato: sou curioso. E não saber nada sobre ela enquanto seus olhos querem dizer tudo... era tentador e provocante demais. Queria saber todo pensamento que já se passou por sua cabeça, queria saber de todos os seus segredos e porque ela era excluída da família Maddox, queria saber de tudo e não fazia ideia da porra do motivo de estar assim.

- Acho melhor você ir embora, né? - falei. 

- Não! Eu não posso ir embora. - ela levantou o dedo. - Vou ter que voltar só amanhã. Meu pai não deixou eu sair, eu pulei pela janela igual você fez e preciso ir pra casa da Valerie. 

- Valerie? - franzi o cenho. Esse nome era tão familiar. 

- Sim. Minha melhor amiga Valerie. - disse. - Você sabe quem ela é! 

- Ela parece estar bem ocupada. - apontei para a tal de Valerie beijando o Leon.

- É... - ela suspirou triste. - Cadê o Brad? Braaaad!

- Eu vou te levar pra casa. Vem. 

Não queria que ela fosse embora com Brad. Conheço muito bem o tipo de cara que ele é e o quero bem longe das garotas que me cercam. E do jeito que Jasmine consegue ser irritante... é fácil ele simplesmente perder a cabeça e fazer com ela o mesmo que fazia com Katie. 

- Não mesmo! Você é um idiota galinha, mesquinho, superficial e só quer me levar pra cama! Você pensa que eu não saquei seu joguinho? Também sei jogar, Warner! - disse tudo enrolado, mas entendi cada palavra. 

- Não quero te levar pra cama. 

- Duvido! 

- Deixa eu te provar, então. Vou te levar em casa e não vou te induzir a fazer nada. 

- Eu já disse que não vou pra casa. 

- Pra minha casa. 

- Pra sua casa? Ouvi a Alexia dizendo que nem ela nunca foi na sua casa. Por que você me levaria?

- Porque você precisa. E eu não gosto mesmo de levar as pessoas na minha casa.

- Tudo bem, mas você me leva embora amanhã cedinho! Combinado?

- Sim. 

- Promessa de dedinho. - ela estendeu o mindinho na minha direção e eu gargalhei inclinando a cabeça pra trás. 

- Vai!

Enlacei meu mindinho no dela e ela bateu continência. 

- Podemos ir, Sr. Enxerido. 

- Ótimo, Minnie. 

- Não me chama de Minnie!

- Eu sei que você adora quando te chamo de Minnie. 

- Eu nem sei porque você gostou tanto desse apelido ridículo! - ela murmurou parecendo irritada. - Preciso avisar a Valerie.

Ela se desvencilhou de mim e foi correndo gritando "Valerieeee". A tal de Valerie e Leon pararam de se beijar, e Jasmine puxou a amiga para o canto. Percebi que Valerie também não gostava de mim pela expressão de reprovação e logo ela me olhou e fez um sinal de "Estou de olho em você". Foi impossível não rir, mas bati continência, o que a fez rir também. 

Jasmine estava cambaleando em minha direção novamente, mas se distraiu com a estampa da cortina e ficou simplesmente parada olhando. 

- Vem logo, Minnie! - falei a segurando pela cintura e ela me olhou feio. 

- Você disse que não ia tentar me levar pra cama! Você me prometeu de mindinho!

- Você mal consegue se aguentar em pé. Quer ir pro meu carro assim?

- Tudo bem. Vira de costas.

Franzi o cenho, mas virei. Logo senti ela pulando nas minhas costas. 

- Ao infinito e além! 

- Fã de Toy Story também? - debochei e a olhei por cima do ombro. Seus olhos se reviraram. 

- Eu sou uma garota crescida. Você não precisa bancar meu babá. - disse. - Aliás, nem sei porque está fazendo isso. Se Max me visse saindo com você ia me matar, ele te odeia e...

- Quem é Max? 

- Qual o seu problema que não sabe dos irmãos da sua namorada?! - ela perguntou, indignada. 

Ah... Max era o irmão mais novo. 

- Só não sabia quem era você. Max só conheço de vista mesmo. - falei. - Por que ele me odeia?

- Porque você transou com a garota que ele é apaixonado e depois a fez chorar. Você é uma pessoa horrível! Sabia disso, né?

- É, eu sei...

- Então, por que não muda?

- Porque gosto do jeito que vivo minha vida.

- Poxa, então você é mesmo uma pessoa horrível. - disse. - Me coloca no chão. - ela tentou sair, mas segurei suas coxas com mais força. 

- Para com isso. 

- Me coloca no chão, Warner! - ela tentou se debater, mas nem fez cócegas. Ela era muito pequena. - Eu odeio me sentir presa, Travis! - percebi que ela entrou em desespero. - Me solta! - ela gritou e eu a soltei com cuidado senão ela cairia. 

Ela saltou das minhas costas e começou a andar pelo lado oposto do meu. Por que ela ficou tão desesperada? Por que começou a gritar?

- Jasmine, espera... - fui atrás dela e segurei seu braço. Fiquei ainda mais curioso quando vi lágrimas em seus olhos. - O que foi?

- Não é da sua conta! Me deixa em paz! 

- Me conta porque te deixou tão assustada. - falei com a voz calma e ela limpou os olhos. 

- Não é da sua conta. - retrucou e me deu as costas novamente. 

Será que ela tinha algum trauma? Era a única opção que se passava pela minha cabeça. 

- Jasmine! Conversa comigo. - fiquei na frente dela novamente. 

- Por que? - ela cruzou os braços. - Pra tirar sua curiosidade? 

Pensei que era só isso, mas realmente fiquei preocupado. Pensei no pior. Será que alguém já a segurou desse jeito e fez algo de ruim? Talvez lá na França? 

- Segue seu caminho e me deixa em paz. Só quero minha liberdade de volta. 

- Sua liberdade? 

- Sou uma pessoa ruim por odiar o próprio pai? 

- Com certeza não. - falei sincero. - Também não sou um dos maiores fãs do meu. 

- Por que não?

Sorri com as sobrancelhas levantadas e ela revirou os olhos. 

- Não quero saber nada sobre sua vida. Só pra constar. - disse. 

- Mas eu quero saber sobre a sua. Quero saber tudo. 

- Mas não vai! - ela se soltou de mim novamente. - Sério, só... não quero falar. Nem mesmo a Valerie sabe de tudo. 

- Tudo bem, como você quiser. - falei. - Ainda posso te levar em casa?

- Fiquei sóbria de repente. Apesar de que seu perfume esteja quase me embriagando. - disse fechando os olhos e eu franzi o cenho. - No bom sentido. Você cheira muito bem. - soltei uma risada. 

- Certo. - sorri de canto e vi suas bochechas corarem. - Podemos ir?

- Não sei. Quero dormir. 

- Meu carro está ali. - apontei. 

- Tudo bem, então.

Peguei o meu carro e Jasmine entrou no banco passageiro ainda um pouco tonta. 

- Adorei o Mustang. Clássico, mas moderno. - ela disse e a encarei surpresa. - Você é rico, né?

- Meu pai é. - respondi. - Não tanto quanto o seu, mas é rico. 

- Meu pai não é rico. Minha mãe era. - ela respondeu baixo.

Me surpreendia muito Alexia nunca falar sobre sua mãe. Ela nunca falava sobre a morte de sua mãe, nem se sentia falta dela, nem ficava longos minutos olhando as fotos... ou melhor, ela nem tinha fotos com a mãe no quarto. Sempre achei isso muito estranho, principalmente porque no quarto de Jasmine o que mais tinha era fotos dela e da mãe. 

Estacionei o carro na garagem da minha casa e percebi que a Jasmine dormiu com a cabeça encostada na janela. 

- Ei. - tirei seu cabelo do rosto, mas ela nem se moveu. - Minnie. 

Ela tinha mesmo o sono pesado, nem ao menos se moveu. 

Sai do carro, abri a porta do lado passageiro e a peguei no colo tomando cuidado pra ela não acordar. 

Não entendia o motivo de estar fazendo isso, mas eu não podia deixá-la simplesmente dormindo no meu carro. E olha que já fiz isso antes com tantas garotas. Não me orgulho disso, não mesmo, mas eu não ligava mesmo para o que elas iam pensar de mim. Ainda mais porque todas sabem que não me apego, que não me apaixono e que não vou ligar no dia seguinte. Não faço do tipo que coleciona corações partidos. Tudo bem, talvez eu fazia, mas não intencionalmente. Sinceramente, acho bem otário da parte delas pensarem que íamos namorar e viver juntos o resto da vida e o pior: ainda sofrerem quando descobrem que não vai ser assim. Isso até chegava a ser cômico. 

- Travis? - Jasmine murmurou antes que eu saísse do quarto e a olhei por cima do ombro. - Onde você vai? 

- Prometi que não ia tentar transar com você, lembra?

- Aqui é seu quarto? - assenti. - Você não precisa dormir fora do seu quarto. Vou fazer uma barreira de travesseiros. - ela sorriu com os olhos fechados e acabei sorrindo também. 

- Você está bêbada. 

- Eu sei. E você prometeu que não ia se aproveitar disso. 

- Eu não me aproveitaria de uma garota bêbada. Tenho meus valores, Minnie. 

- Vai dizer que é cavalheiro agora?

- Eu sou cavalheiro. 

- Não é não. - disse. - Agora da aqueles travesseiros e vem deitar. 

Peguei os travesseiros e foi impossível não rir enquanto ela formava uma barreira com eles, separando o meu lado do lado dela. 

- Pronto. - ela suspirou. - Boa noite, Warner.

- Boa noite, Minnie.


Notas Finais


Já to shippaaaando! Gente é tão engraçado ver a Jasmine com ciúmes dela mesma ajsjdjskskk bjs bjs


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