História Undercover Angel - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Hailey Rhode Baldwin, Justin Bieber
Personagens Hailey Baldwin, Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Hailey Baldwin, Jailey, Justin Bieber
Exibições 9
Palavras 3.607
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um cap lindo pra vocês espero que gostem e se divirtam.
Vai ter mais um capitulo hoje \0/
BOA LEITURA

Capítulo 6 - Chapter VI


Hailey ficou muda e quase bateu a porta na cara de Gregory. Controlando-se, forçou um sorriso. Afinal, ele estava lá, e essa era sua grande chance.

— Sr. Gregory?

Hailey gostaria que ele dissesse qualquer coisa, menos que continuasse olhando-a daquele jeito. Sentia-se como um coelho prestes a ser atacado pelas garras de um gavião.

Sombrio e sinistro, Gregory entrou na sala.

Hailey sentiu todos os seus instintos de autoproteção à flor da pele. Tensa, esperou para ver o que ele faria.

A expressão daquele rosto tornara-se estranhamente intensa. A cabeça ia de um lado para o outro, as sobrancelhas estavam franzidas e os olhos se escureceram. De repente, ela percebeu que não olhavam para ela.

— O que é aquilo? — Gregory perguntou, indo direto para o cavalete.

— Oh, isso... — ela gaguejou aliviada. — É o quadro do qual falei à sua secretária. Pelo jeito, recebeu meu recado, não é? É por isso que está aqui?

Ignorando a pergunta, ele se concentrou na tela. Hailey observava, fascinada, os olhos dele correrem avidamente pela pintura.

— Sr. Gregory?  

Ele transferiu o foco de visão para a camisola de florzinhas que ela estava usando.

De repente, Hailey se lembrou de que não tinha vestido o penhoar. Cruzou os braços para se proteger e tentou distraí-lo, apontando com a cabeça para o cavalete.

— O quadro, sr. Gregory. Gostaria imensamente de saber o que está achando.                                                             

— Humm... Ah, sim, claro! — Ele voltou a olhar. Balançou a cabeça e deu um passo para trás. Depois, foi até o canto da sala, deu meia-volta e olhou de um novo ângulo.

Hailey ficava cada vez mais ansiosa.

Depois de um tempo interminável, ele se virou e Hailey já estava preparada para o pior.

— Sente-se, Hailey — ele ordenou e foi até a janela. As unhas esmaltadas bateram no vidro e depois ele olhou por sobre os ombros. — O quadro é... bom.

— Bom? — De alguma maneira ela se sentia aliviada e desapontada ao mesmo tempo.

Depois de muito tempo tamborilando com as unhas sobre o vidro, ele a encarou.

— Tenho que admitir que dessa vez vou quebrar as regras. Jamais me permito mostrar muito entusiasmo com meus novos protegidos. O elogio é pior que a crítica, para os neófitos. — Seus olhos correram do quadro para ela. Com um ar de resignação, ele foi até as almofadas e sentou. — Mas existe algo em você, uma aparente ausência de conhecimento, de pretensão, que me encoraja. Sinto que é capaz de suportar a verdade, que precisa ouvi-la.

Ela esperava sem aguentar mais. A atenção dele tinha se voltado para o elegante smoking negro que estava usando.

— O quadro é, na verdade, mais do que bom. Chega a ser... na falta de outra palavra, extraordinário.

Hailey fechou as mãos com força.

— Extr... extraordinário?

— É, sim, minha querida — ele concordou e, com um gesto teatral, apontou o cavalete. — Existe uma energia vibrante, crua e ao mesmo tempo... — Fez uma pausa, levantou-se e foi até o quadro. — O movimento, as linhas, a transição de tons e valores são ao mesmo tempo sutis e dramáticos. É forte, é maravilhoso. Foi um esforço inspirado. E você... — fitou-a diretamente — receba meus cumprimentos.

Hailey o olhava sem saber o que dizer.

Gregory ergueu uma sobrancelha para Hailey, que estava como que petrificada.

— Mas vejo também que precisa de um treino adicional. Embora a energia implícita nesse quadro supere as falhas, não deve esperar que seus futuros trabalhos possam acontecer sem uma orientação... se quiser ter sucesso.

— Eu quero ter sucesso! — Hailey se levantou, inquieta.

— Ótimo. Então deixe-me lhe dizer qual a minha proposta...

— Ele abriu os braços dramaticamente e caminhou pela sala. — Adiarei minha viagem por alguns dias e faremos uma exposição particular. O mais rápido possível. — Ele olhou o teto. — Amanhã, hein? Por que não? Já tenho todas as pessoas essenciais. Bastarão alguns telefonemas. — Olhou de novo para Hailey. — Quero ver o resto de seus trabalhos. O nu será o ponto focai, é claro, mas completaremos a mostra com os outros... assumindo desde já que são relativamente bons.

Hailey mal podia respirar. Levou-o até um dos quartos onde ele examinou e separou uma aquarela, dois acrílicos e quatro óleos.

— Eles não são do mesmo nível do outro, mas funcionarão muito bem. — Parecia tão surpreso quanto ela. Voltando para a sala, anunciou sua intenção de chamar o chofer da limusine.

— Penso que teremos uma excelente mostra.

Enquanto o homem transportava e acomodava as telas no interior da limusine, Hailey sentia seu coração acelerar diante de tanta excitação.

Ficou no terraço até que Gregory voltasse e dissesse que a tarefa estava terminada e que pedira ao motorista para esperar.

— Posso oferecer-lhe algo para beber? — ela perguntou.

— Não — ele respondeu, olhando-a no fundo dos olhos. — Se vamos fazer negócios juntos, é melhor que eu saiba algumas coisas a seu respeito.

Hailey sentiu um frio na espinha. Deixou que ele a conduzisse até as almofadas e se sentou num dos cantos. Pensou seriamente em escolher a poltrona.

— Primeiro, os dados biográficos de praxe. Teremos que imprimir um papel com seu currículo: escolas em que estudou-as influências no desenvolvimento do seu estilo; artistas que você admira; algumas notas pessoais; uma foto sua, se tiver...

Ela foi escrevendo num papel todas as informações de que ele precisava.

— Isso deve bastar por enquanto. Minha secretária lhe chamará amanhã para dizer a que horas deverá estar na galeria. Como há muita coisa para ser feita, a mostra só acontecerá no final da tarde.

— Sr. Gregory, tem certeza do que está fazendo? — Ela estava tonta; era difícil acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. — Eu nunca expus meus trabalhos...

Ele concordou com um gesto de cabeça e riu.

— Se eu tenho certeza? Minha querida, no maravilhoso mundo da arte, jamais se tem certeza de algo. Ainda bem, pois de outro modo seria tremendamente enfadonho. Por outro lado, caminhar nessa corda bamba pode se tornar depois muito confortável. Sem isso, o que seríamos nós além de infelizes beneficiários dos caprichos do público e da crítica? O amanhã é um jogo; mas, com as minhas cartas e o seu ótimo trabalho, eu acredito que os resultados serão... propícios.

Propícios...  As sílabas ecoaram na cabeça de Hailey. Que palavra maravilhosa!

— E agora, se me permite, entrarei num território mais pessoal.

Os olhos dele a fizeram lembrar que estava apenas de camisola. Com um suspiro rápido, ela concordou:

— Está bem.

— Talvez você hesite em responder às minhas perguntas, mas eu gosto de conhecer meus... protegidos um pouco além do superficial.

"E seus modelos também", ela pensou, lembrando-se de Jacques e Avril.

— Esse seu nu me parece familiar. É um trabalho recente? Hailey concordou.

— Existe um imediatismo na pintura; pode-se dizer, até, uma sensualidade crua. Eu me pergunto se o modelo não seria mais do que isso. — Ele hesitou. — Um amante, talvez?

Hailey baixou os olhos. Uma pontada de dor e mágoa a fez levantar-se e andar pela sala. Um amante? Será que uma única noite no banco de trás de um táxi faria de Justin seu amante?

— Não. — Ela balançou a cabeça e olhou o cavalete vazio. — Não é meu amante... só um modelo.

— Mas certamente você tem alguém... ou talvez vários amantes. Uma mulher tão bonita...

— O que importa isso?

— Desculpe. Perguntei no sentido de que as ligações podem interferir nos compromissos de um artista.

— Não há nenhuma ligação desse tipo.

— Entendo.

Será que ela ouvira um leve tremor na voz de Gregory? Percebeu que ele se levantara e estava chegando por trás.

 — Sr. Gregory? — Ela permaneceu no lugar em que estava, sem se virar.

— Hailey! — ele respondeu numa voz baixa e rouca. — Mais uma vez terei que quebrar minhas regras e lhe confessar a verdade. Estou muito satisfeito por tê-la como minha protegida. Acho seu trabalho incrivelmente estimulante. Vamos nos dar bem, minha querida.

Ouviu-o chegar mais perto e sentiu-lhe a respiração na nuca. A mão ossuda agarrou seu ombro.

— Sr. Gregory, já é tarde. Estou muito cansada e também nervosa pelo dia de amanhã.

Ele começou a massagear-lhe os ombros.

— Deixe-me ajudá-la a relaxar.

— Eu prefiro ficar só...

— Você tem um talento poderoso e primitivo. Vi isso no seu trabalho. Essa coisa me excita, Hailey. Você me excita. Quero explorar esse poder interior com você.

— Oh, não...

As palavras dele ficaram mais quentes e rápidas. A respiração queimava-lhe o pescoço.

— Não há necessidade de ser apenas uma "protegida", minha querida. Eu gostaria que fosse muito mais. Poderíamos nos inspirar um no outro. Você seria minha talentosa e bela inamorata.

A mão dele escorregou pelo braço de Hailey e se plantou sobre um dos seios.

— Sr. Gregory, pare!

Seu grito foi abafado pela outra mão que foi por trás e lhe tapou a boca. Apesar de magro, ele era incrivelmente forte. Devia existir uma maneira civilizada de fazê-lo parar com aquilo, Hailey pensou desesperadamente. Afinal, ela tinha muita coisa a perder.

— Minha querida, a sua resistência me excita! Diabos, como quero você... — A mão soltou o seio e começou a tirar-lhe a camisola.

Ela reagiu instintivamente. Com um grito gutural de artes marciais, enfiou um cotovelo no estômago do homem.

Ele a soltou, com um gemido de dor, e, com os olhos faiscando de raiva, se curvou.

Hailey conseguiu se soltar e, enquanto ele ainda estava curvado, aplicou-lhe um chute certeiro no tornozelo. Com um gemido assustador, Tony Gregory caiu no chão. Ficou ali algum tempo, gemendo e esfregando as partes atingidas. Obviamente, ele estava espantado.

Com a respiração presa, Hailey observava a cena, igualmente espantada. O que havia feito? Toda sua carreira artística estava ali, jogada no chão da sala.

Gregory parou de gemer, mas só o suficiente para abrir os olhos e fitá-la, cheio de medo.

— Não, chega... — Ela se ajoelhou tentando ajudá-lo a erguer-se. Aterrorizada, viu-o levantar a cabeça exatamente na direção da quina da mesinha de centro. Era tarde demais para avisar. A pancada repercutiu na sala inteira. Com um gemido abafado, o homem caiu de novo no chão.

— Oh, não! — Hailey tentava virá-lo de costas. Os olhos dele giraram e se fecharam definitivamente. — Ele desmaiou... ou então morreu! — Teve a presença de espírito de tomar-lhe o pulso antes de entrar em pânico e constatou que estava apenas desmaiado.

Rapidamente, abriu o smoking, soltou o colarinho da camisa e apoiou a cabeça do homem numa almofada.

— Sr. Gregory, por favor, acorde! — Ela não queria chamar a ambulância. No dia seguinte, fatalmente as manchetes de jornais alardeariam: "Eminente artista atacado por mulher de camisola".

Ela não sabia mais o que fazer. Correu para a cozinha e pegou uma vasilha com água. Em poucos minutos ele estava molhado da cabeça aos pés e, assim mesmo, não acordou.

Restava-lhe um último recurso: estapear o rosto dele. Embora a idéia lhe parecesse ótima, achou melhor ignorá-la. Água fria era eficiente e indolor. Encheu de novo a vasilha e, dessa vez, despejou inteira na cabeça dele. Ele abriu um pouco os olhos e a boca, tentando protestar. Não deu para distinguir o que quis dizer, pois acabou se engasgando com a água que escorria pelo rosto. Por fim, já sentado e espirrando água para todos os lados, ele se manifestou:

— Você quer me matar?

— Não! É claro que não. Oh, meu Deus, eu sinto muito. Eu não queria que acontecesse isso. Mas você bateu a cabeça na mesinha quando tentava se levantar.

— Não era você que estava tentando me afogar?

— Bem, sim, era eu... mas tinha que fazer isso. Você não , voltava a si. — Sorrindo sem graça, Hailey tirava água da gola do smoking. — De qualquer maneira, funcionou.

Gregory saiu de lado e se esforçou para levantar. Apoiava-se de um lado e de outro, a cada momento descobrindo novos ferimentos. Vendo que ele começava a se recompor, Hailey arriscou:

— Você está bem?

Ele parou de esfregar o "galo" na cabeça e olhou-a incrédulo.

— Quer dizer, além de todas as contusões, de toda a água que tenho dentro dos pulmões e dos músculos da barriga completamente doloridos? Quer mesmo saber se estou bem?

— Oh, sr. Gregory, eu sinto muito. Acredite-me, eu não pretendia machucá-lo, mas você veio por trás...

— Bem, deixemos de formalidades. Chame-me de Tony. Afinal, depois de tudo... — Olhou mais uma vez para o corpo sensual de Hailey, mal disfarçado pela camisola.

Ela, porém, não pareceu notar e continuou:

— Sr. Gregory... Tony, deixe-me ajudá-lo a levantar. Não se sentirá melhor nas almofadas? —- Num salto, ela correu para a cozinha. — Vou buscar uma bolsa de gelo para a cabeça.

— Não! — Ele a olhava como se ela fosse uma lunática. — Uma bolsa de gelo na sua mão pode ser uma arma mortal. Meu corpo está quebrado, mas minha sanidade ainda permanece intacta. — Só então conseguiu ficar em pé. — Existem leis contra pessoas que são um perigo a elas mesmas e aos outros. Você se enquadra nos dois casos.

Pronto, estava feito. O que mais ela podia esperar? Tony Gregory jamais a perdoaria. A carreira fora por água abaixo. E, para se vingar, ainda por cima ele chamaria a polícia.

A um metro de distância, ofereceu-lhe um pano e ficou olhando enquanto ele se enxugava e se punha em ordem outra vez. A cada momento que passava, Hailey ia ficando mais indignada. Afinal, ela não era a única culpada. Quem havia começado tudo?

— Vou pedir ao seu motorista que entre para ajudá-lo. — Correndo até a porta, ela se voltou e perguntou: — E meus quadros? Devo pedir que ele os traga para dentro?

Arrumando os cabelos com a mão, ele a olhou, perplexo.

— Para quê? Mudou de idéia sobre a exposição?

— Eu? É claro que não, mas depois do que acabou de acontecer.

— Eu acho melhor esquecermos esse incidente.

— Eu também acho.

— Não quero perder um artista potencialmente bem-dotado por causa de um... chamemos de um doloroso mal-entendido.

No momento seguinte, um pensamento surgiu na cabeça de Hailey. O mesmo que se formara desde que ele decidira aceitar seu trabalho.

— Tony, sei que a hora não é nada apropriada para lhe dizer, mas... bem, eu prefiro que você não venda o nu antes de falar comigo. Combinado?

Ele olhou-a um tanto confuso. Era óbvio que queria discutir sobre isso mas não encontrou forças,

— Está bem. — Cambaleando em direção à porta, ele murmurou: — Não precisa chamar o motorista. Eu mesmo faço isso.

— Tem certeza de que pode ir sozinho? Deixe-me ajudá-lo. — Saindo de lado para lhe dar passagem, sorriu. — Desculpe.

Foi atrás dele, mantendo uma distância segura. Surpreendeu-se ao vê-lo parar no degrau, virar-se com dificuldade e pedir-lhe que se aproximasse. Hailey atendeu e recebeu um respeitoso beijo na testa.

— Quando nos encontrarmos, se um de nós tiver que estar no chão, prefiro que seja você. — Com um sorriso de dor ele acenou com os dedos e foi para o carro.

Encostada no batente da porta, Hailey também sorriu. Um homem com aquele senso de humor não devia ser tão mau.

Entrou em casa e começou a imaginar onde estaria Justin. Queria contar a ele o que acabara de lhe acontecer e o que aconteceria no dia seguinte.

Não era fácil respirar com tantos olhos em cima dela. A pequena exposição para poucos convidados inexplicavelmente superlotara. Hailey olhava a multidão da pequena plataforma de madeira que dividia com o quadro de Justin. Tony estava a seu lado, tentando acalmá-la.

— Eu estou bem — ela sussurrava no ouvido dele. — Contanto que você fale com eles.

Tony afastou-se para tomar algumas providências e voltou quinze minutos depois. Ordenou que as portas da galeria fossem fechadas e pediu a atenção de todos. Apesar do curativo atrás da cabeça, ele a apresentou com elegância e eloqüência.

—  ...e eu posso prever que esta jovem está prestes a ingressar com sucesso no mundo das artes — finalizou o discurso, com um olhar caloroso para Hailey. — Mas julguem os senhores mesmos. Seu trabalho está aqui diante de vocês e aguarda para ser apreciado. — Conduziu-a pelo braço e apresentou-a aos ricos investidores, aos artistas de renome e aos críticos.

Hailey apenas sorria e movia a cabeça enquanto Tony se ocupava de responder às perguntas dos presentes. Duas horas depois, as pessoas começaram a sair. Simplesmente exausta, Hailey acabava de descobrir o resultado do sucesso: um belo torcicolo de tanto cumprimentar e agradecer as pessoas. Quando um crítico se aproximou para elogiar a "força" de sua obra, ela mal conseguiu registrar a cena em sua mente. Tudo aquilo era para ela? Seria possível? Sentiu uma tontura.

De repente, de algum ponto da galeria, um olhar prateado atraiu-lhe a atenção. Seria ele? Estaria mesmo ali?

Por entre os convidados, o viu. Estava encostado na parede, do outro lado. O olhar era duro e frio como aço. Apenas confirmou que fora visto, deu as costas e saiu.

Assustada com tanta fúria, Hailey não conseguiu chamá-lo ou ir atrás dele. Quando se deu conta do que estava acontecendo, deixou as pessoas com quem falava e correu para a porta. Ele tinha desaparecido.

Hailey entrou de novo e uma estranha sensação percorreu-lhe o corpo. Estaria vendo coisas? Correu os olhos pelo espaço quase vazio e tudo tinha perdido a cor. Vislumbrou Tony agradecendo e se despedindo das pessoas. Parecia um boneco que mexia os pés e as mãos. Todos ali eram bonecos! Será que nada ali era real? Sentiu outra vez a mesma tontura.

Procurou um lugar para se sentar e fechou os olhos. De repente, tudo parecia tão completamente absurdo que começou a rir histericamente.

A voz de Tony chegou-lhe aos ouvidos como se viesse de muito longe.

— Hailey? Qual é o problema? Não se sente bem?

— Eu não sei... — Dominada pela fadiga, ela tentava explicar, mas só conseguia dizer: — Eu não sei...

Hailey acordou entorpecida e, num salto, se sentou. O ambiente pouco conhecido estimulou-lhe o raciocínio. Uma lâmpada fraca iluminava o quarto. Seria de Tony? Sim, lá estava ele adormecido numa poltrona ao lado da lareira. Levou um tempo até que conseguiu pôr em ordem os pensamentos.

Um dos convidados da exposição, que era médico, diagnosticara seu estado de nervos e a exaustão. Dera-lhe um sedativo e recomendara repouso e silêncio. Tony providenciara tudo o que fora necessário e insistira para que fosse com ele à sua casa em Malibu.

O relógio ao lado da cama indicava três e quinze. Lá fora estava escuro. A menos que tivesse dormido por vinte e quatro horas, era madrugada.

Deitou-se outra vez na cama confortável e se lembrou. Tudo acontecera realmente, não tinha sido um sonho. As coisas voltavam a ser tangíveis, materiais e reais. Mesmo Justin... Com um tremor involuntário, lembrou-se das janelas embaçadas do táxi de Justin, os sussurros sensuais, os corpos desejando um ao outro.

— Você está acordada? — A voz de Tony chegou do outro lado do quarto.

— Hum-hum. — Sentou-se na cama e se cobriu com o lençol. Só então percebeu que ainda estava vestida.

Ele se aproximou.

— Sente-se melhor?

— Acho que foi muita excitação — ela concordou, sorrindo.

— Tony, como foi a exposição? Por favor, diga a verdade.

— O médico disse que você tinha que ficar em silêncio. Basta de excitação.

Os olhos de Hailey eram suplicantes.

— Eu ainda não sei. A primeira resposta, mesmo que seja favorável, não significa muito em termos de vendas. O tempo dirá se eles gostaram mesmo e pretendem comprar ou se apenas elogiaram da boca para fora.

— Mas houve quem gostasse? Os críticos apreciaram?

— Sim! Houve algumas exceções, mas acredito que você terá boa aceitação.

Hailey mal acreditava no que ouvia. As pessoas haviam gostado de seu trabalho! Saltou da cama, abraçou Tony e começou a procurar os sapatos.

— Por favor, Tony, leve-me para casa.

— Não. Você precisa repousar.

— Farei isso em casa. — Precisava ficar sozinha, saborear tudo o que lhe acontecera e poder se lembrar quantas vezes quisesse. Era uma artista e seu trabalho fora aceito!

Ao chegarem ao chalé de Hailey, Tony ajudou-a a descer do carro e acompanhou-a até a porta.

— Vamos nos despedir aqui. — Ele preferiu deixá-la no terraço.

— Eu gostaria de convidá-lo a entrar, mas realmente preciso ficar sozinha.

Tony estendeu-lhe a mão e apontou o curativo na cabeça.

— Eu também. Esqueci de trazer o meu capacete...

— Tenho tanto para lhe agradecer que nem sei por onde começar.

— Da próxima vez que eu chegar por trás de você, não bata com tanta força.

— Da próxima vez, não chegue por trás de mim.  — Ela deu um passo para trás, desencorajando o sorriso malicioso. — Telefone-me assim que tiver notícias.

Retomando sua típica compostura, Tony assegurou-lhe que faria isso e deixou-a.

Desfrutando por antecipação a abençoada solidão, Hailey colocou a chave na fechadura e girou. Sentiu-se surpresa ao perceber que a porta estava destrancada. Com o coração batendo acelerado, abriu devagar. Cuidadosamente, olhou em torno e entrou.

No canto, próximo ao cavalete vazio, Justin a esperava. De pernas abertas e braços cruzados, ele a olhava como um tigre enraivecido.



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