História Unexpected Connection - Capítulo 4


Escrita por: ~ e ~MaluBrochu

Postado
Categorias Supergirl
Personagens Alex Danvers, Cat Grant, J'onn J'onzz "John Jones" (Caçador de Marte), Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor, Maggie Sawyer, Personagens Originais, Winslow "Winn" Schott Jr.
Tags Lena Luthor, Reign, Reigncorp
Visualizações 293
Palavras 5.288
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Só da Ellie? Anotado more.

Mais uma vez gostaríamos de agradecer a todos os comentários, todos os surtos, toda a divulgação. Isso deixa nossos coraçãozinhos imensamente felizes, de verdade <3 E um agradecimento especial para o Vitor que fez a melhor capa da Catco Magazine do mundo inteiro. James até pediu demissão depois de ver o excelente trabalho desse menino. Muito, muito obrigada mesmo Vitor <3 (PS: Link da capa nas notas finais).

Ótima leitura!

Capítulo 4 - Eu não tenho planos nenhum de sair da vida da Ellie


Hospital Infantil da L-CORP, 10:13 A.M.

Pela primeira vez durante os últimos dias Reign conseguiu dormir por algumas horas tranquilamente. Ainda não era a noite de sono recomendada para que uma pessoa pudesse seguir durante um dia inteiro, mas já era um avanço levando em consideração o quanto a morena não havia dormido desde o acidente.

O coração de Reign estava mais tranquilo desde o momento que viu os olhos de Ellie abertos, ela sentia-se em paz por causa de todas as horas que passou conversando com sua pequena que, por mais que se cansasse com mais facilidade por ter uma longa recuperação pela frente, ainda continuava a mesma criança curiosa e cheia de energia que poderia passar horas a fio contando histórias ou fazendo diversas perguntas.

Durante a manhã, Alex fez alguns exames necessários para saber se Ellie estava realmente se recuperando da cirurgia como o esperado. A médica não queria nenhuma surpresa que pudesse acabar com o brilho de esperança nos olhos cor de mel de Reign. A mulher havia sofrido o suficiente durante os últimos dias, o despertar da filha fez com que ela renovasse suas forças, portanto não queria tirar isso dela.

- Último teste, prometo. – Alex passou a caneta no pé de Ellie. – Sente isso? – A garota balançou a cabeça positivamente em resposta. – Ótimo! – Passou a caneta no outro pé. – E agora? Sentiu?

- Uhum. – Ellie reforçou a resposta fazendo outro positivo com a cabeça.

- Pode mexer os dedos dos pés para mim, por favor?

Alex abriu um singelo sorriso ao ver os 10 dedos dos pés de Ellie se movimentando perfeitamente.

- Quando que eu vou poder ir para casa? – Ellie perguntou pela milésima vez somente naquela manhã. – Minhas bonecas devem estar morrendo de saudade de mim.

- Eu não vou mentir para você... – Alex sentou na ponta da cama. – Ainda vai demorar um pouquinho para você ir para casa.

- Mas ela está bem, certo? – Reign questionou, apreensiva. – Ela só precisa continuar internada por causa da recuperação?

- Como eu disse para você, Reign... – Alex ajeitou o corpo na cama para que pudesse falar olhando para a mãe de Ellie. - O estado dela ainda é delicado. Ela está se recuperando bem da cirurgia que eu fiz no abdômen para parar a hemorragia interna causada pelo acidente, porém os últimos exames mostraram um acúmulo de fluídos na coluna vertebral dela, portanto vamos ter que agendar outra cirurgia para quando ela tiver forte o suficiente.

O coração de Reign apertou, lhe dando uma tremenda vontade de chorar. Por todos esses dias a coisa que mais fez foi se mostrar forte para as pessoas. Com Ellie acordada, ela teve que mostrar essa força em dobro para não assustar a garota. Entretanto, só de pensar em sua pequena passando por outra cirurgia um desespero tomava conta de si e a vontade que tinha era de sair gritando pelo hospital. A morena não fazia ideia se iria conseguir passar por um segundo inferno daqueles. Ela só queria sua filha bem, correndo de um lado para o outro e inventando dezenas de passeios para elas fazerem.

- Tudo bem. – Reign forçou um sorriso. – Eu sou mãe da garota mais forte que existe, - Deu um beijo na bochecha de Ellie. - então nós vamos tirar essa segunda cirurgia de letra também, não vamos?

Ellie respondeu balançando a cabeça positivamente.

- Já que eu não posso ir para casa, eu posso comer um hambúrguer pelo menos? – a pergunta inocente de Ellie arrancou uma risada das duas mulheres.

- Não, você não pode comer um hambúrguer. – Reign respondeu, depositando um beijo na testa de sua cria. – Você precisa se alimentar direito para ficar forte e sair daqui logo.

- Quando eu sair daqui eu vou poder comer o quanto de hambúrguer eu quiser, então? – Ellie insistiu. Seus olhinhos cor de mel brilhavam somente de imaginar a possibilidade de se empanturrar de hambúrguer.

- Eu vou pensar no seu caso. – Reign bateu com o dedo indicador na ponta do nariz de Ellie, arrancando um sorriso da garota.

- A doutora Danvers pode ir com a gente, não pode? Você vai com a gente, não vai, doutora Danvers?

- Quem sou eu para rejeitar um convite para comer hambúrguer? Eu posso levar a minha esposa? Ela ama um hambúrguer também.

- Não sei. – Ellie desviou a atenção para sua mãe, seus olhos traziam um pouco de receio. - Eu não conheço a sua esposa e minha mãe me ensinou que eu não posso sair com estranhos, não é mamãe?

Reign assentiu, sorrindo.

- Não seja por isso. – Alex tirou o celular do bolso do jaleco e mostrou a tela de bloqueio para Ellie. – Essa aqui é a minha esposa, Maggie.

- Eu conheço ela! – Ellie afirmou, animada. – Ela é a amiga policial do tio Winn, mamãe. Uma vez ela me deu dois pedaços de pizza – gesticulou o número com o dedo. – e um milk-shake de morango.

- Ah então é a esposa da doutora Danvers que te dá um monte de besteira para comer antes do jantar? Bom saber...

- Eu só não gosto dos sorvetes que ela toma. – Ellie fez uma careta. – A Maggie tem muito mal gosto para sorvete.

- Sim, ela tem. – Alex concordou, rindo.

Durante o restante da manhã, Reign e Alex ouviram Ellie contar diversas histórias envolvendo Maggie e Winn, arrancando muitas risadas das duas.

Prédio da L- CORP, 4:32 P.M.

Lena não conseguiu pregar o olho durante a noite pensando em como ela poderia ter assinado aquele contrato sem nem ao menos se dar conta, em sua cabeça aquilo não fazia o menor sentido, ela não era o tipo de profissional que assinava documentos importantes sem ler. Na verdade, ela não assinava absolutamente nada sem ter a certeza que está tudo em ordem. Por ser uma empresária poderosa, ela tinha consciência que o que mais existia no mundo eram pessoas de má fé que só aguardavam uma brecha, por menor que fosse, para derrubá-la, portanto não podia se dar ao luxo de somente colocar sua assinatura em um pedaço de papel.

Outra coisa que também tirou o sono da empresária foi ter omitido para Reign que ela era a verdadeira responsável pelo desabamento do prédio que quase tirou a vida de Ellie. No momento Lena achou que era o certo a fazer. Pela primeira vez, durante os últimos dias, Reign sorria, estava verdadeiramente feliz, tudo isso por causa do despertar de sua filha, portanto não poderia tirar aquela felicidade dela trazendo péssimas notícias. Já havia causado dor demais aquela família.

Cansada de todas as omissões, Lena foi contra as orientações que Kara havia lhe dado pela manhã e resolveu atualizar Clark do que estava acontecendo. A advogada não queria que Lena escondesse a verdade por muito tempo do CEO da Zor-El Industry, afinal ela também representava a empresa de Metropolis, ela só queria que sua chefe aguardasse por informações mais completas.

Mas Lena recordou-se que um dos motivos de Clark ter resolvido engatar naquela parceria era a promessa de um sempre ser transparente com o outro, portanto ela não podia de forma alguma esconder o fato de que a qualquer momento ambas as empresas poderiam estar envolvidas em um escândalo, então durante a tarde Lena fez uma vídeo-chamada ao seu sócio, explicando tudo que ela sabia até o momento sobre o seu envolvimento no desabamento do prédio.

- Você está dizendo que a L-CORP é a responsável pelo desabamento do prédio? – Clark tentava assimilar tudo que acabara de ouvir. – Que a sua assinatura está no contrato que autorizou a obra? – Clark riu de nervoso. – Como isso aconteceu, Lena?

- Eu sinceramente não sei. – Lena soltou um longo suspiro, exausta. Só de pensar naquele assunto seu psicológico ficava acabado. – Eu nunca iria assinar um contrato desses sem ler e muito menos fazer negócio com esse tipo de empresa. Isso é coisa que o Lex faria, mas... Eu não sei.

- A Kara está trabalhando no caso?

- Está. – Lena confirmou, um pouco desanimada ao se lembrar da conversa que tiveram quando descobriu que sua empresa era a principal responsável pelo desabamento. - Ela está fazendo de tudo para descobrir o que aconteceu e evitando que isso se torne público. Me desculpe, Clark, eu não queria colocar sua empresa e muito menos você nessa posição.

- Lena, está tudo bem. – Clark disse, complacente. – Seja lá o que aconteceu, eu sei que você nunca faria uma coisa dessas. E, eu posso não gostar da Kara como pessoa, mas ela é uma excelente advogada. Tenho certeza que “A Garota de Aço” vai descobrir exatamente o que aconteceu.

- Eu espero que sim, mas caso alguma coisa dê errado durante todo o processo, você tem a minha palavra de que a Zor-El Industry não vai sair com o nome manchado. A L-CORP vai tomar total responsabilidade pelo o que aconteceu.

- Nós estamos nessa juntos Lena, então nós vamos lidar com isso juntos também, tudo bem?

- Tudo bem. – Lena esboçou um fraco sorriso. – Eu vou te mantendo atualizado.

- Obrigado.

Lena encerrou a vídeo-chamada, atordoada. Ela odiava ser pega de surpresa em assuntos que envolviam sua empresa por sempre gostar de ter o controle de tudo. Não saber como havia assinado o contrato de uma obra que causou um acidente que custou várias vidas, e quase custou a vida de uma garotinha que em tão pouco tempo ela havia se afeiçoado, era o oposto de estar no controle.

Tentando manter o que restava de sua sanidade, Lena resolveu dar uma volta por National City. Passava tanto tempo presa no escritório que mal conseguia aproveitar um fim de tarde ao ar livre e muito menos as coisas simples que tinham na cidade como pessoas passeando com seus cachorros, adolescente se encontrando com outros adolescentes para comerem algo em alguma lanchonete ou café, pais passeando com os seus filhos, namorados andando de mãos dadas pelas calçadas. Observar isso fez com que Lena esboçasse um sorriso cheio de tristeza por recorda-se que nunca teve isso de verdade e por se dar conta de que dificilmente teria.

Passando por uma loja de brinquedos, logo na vitrine Lena deu de cara com uma boneca da Mulher Maravilha. Sorriu lembrando da história que Reign havia lhe contado na outra noite de como Ellie era apaixonada pela super-heroína. Sem pensar duas vezes a empresária entrou na loja e comprou a boneca.

A presença de Lena Luthor no hospital havia se tornado tão rotineira que ninguém mais a encarava com surpresa quando a viam adentrando o elevador rumo ao andar da UTI. A equipe ainda se sentia um pouco intimidada por ter a dona circulando pelo local, mas não se assustavam sempre que a viam chegando.

- Lena, você veio! – Ellie disse animada, arrancando um sorriso tímido de Lena. A empresária ainda não estava acostumada com toda essa recepção calorosa da criança. – Minha mãe não quis ligar para você vir me ver, ela disse que você é muito ocupada. – Revirou os olhos, fazendo com que Lena risse de seu jeitinho. – Mas eu sabia que você ia vir. Nós ainda temos muito o que conversar.

- Nós temos, não temos? – Lena concordou, adentrando mais no quarto. – E onde está a sua mãe? – Olhou para os lados a procura de Reign somente por mania, não havia visto a mãe da garota pelos corredores.

- Foi ligar para o chefe dela. Essa é a terceira conversa de adulto que ela tem hoje. – Ellie balançou a cabeça em negativo, mostrando toda a sua indignação por causa daquilo. – Até parece que eu não entendo de coisas de adulto.

- Você não acha que é muito nova para entender de coisas de adulto?

- Minha mãe acha que sim, mas eu acho que não. Eu sei que quando ela conversa com o chefe dela longe de mim é porque ele está bravo com alguma coisa. Eu também sei que ela está preocupada com a outra cirurgia que eu vou fazer porque ela tem medo de eu ficar dormindo por vários dias de novo, mas eu não falo nada pra ela não ficar mais preocupada, sabe? Ela fala que crianças da minha idade não precisam se preocupar com nada.

- Ela está certa. – Lena sentou ao lado de Ellie na cama. – Deixe que os adultos fiquem preocupados por você, tudo bem? – Ellie assentiu, concordando.

- Sabe o que eu queria? – Lena encarou a menina atentamente, aguardando que ela prosseguisse. – Que existisse super-heroínas de verdade. Eu sei que a mamãe é a maior super-heroína que existe, mas ela não tem os superpoderes das super-heroínas dos quadrinhos, então é mais difícil para ela descobrir por que o prédio que me machucou caiu. – Lena mostrou-se surpresa ao ouvir aquilo. - Pois é, - Ellie disse em tom de tédio por achar que Lena estava a julgando por causa da forma que a olhava. - eu fingi que estava dormindo pra ouvir a conversa dela com o tio Winn.

A verdade era que Lena se sentiu extremamente mal por ouvir aquilo. Se ela tivesse sido sincera com Reign desde o começo, Ellie não precisaria desejar que super-heroínas existissem de verdade somente para que sua mãe parasse de procurar pistas sobre o que havia causado o acidente.

Lena limpou a garganta com o intuito de espantar aqueles pensamentos que faziam com que o seu coração doesse. Ela contaria a verdade para a família Reid quando as duas garotas tivessem fortes o suficiente para ouvi-la.

- Sabe o que torna sua mãe diferente das outras super-heroínas? É que mesmo sem nenhum superpoder ela ainda consegue salvar o dia.

Ellie sorriu, concordando com um balançar de cabeça. Sua mãe derrotaria muitas super-heroínas no clube da luta mesmo.

- Isso ai é pra mim? – Apontou para a sacola na mão de Lena. Estava curiosa sobre o que tinha dentro da sacola desde o momento que Lena entrou no quarto. Esperou pacientemente para que a empresária tocasse no assunto, mas como ela não havia tocado, Ellie sentiu-se na obrigação de trazê-lo em pauta.

- Isso aqui? – Lena ergueu a sacola, misteriosa. – Será que é para você? – Ellie ergueu os ombros, em dúvida. – Claro que é para você. – Entregou a sacola para a garota. – Eu espero que goste.

Esquecendo tudo que Reign havia lhe ensinado sobre boas maneiras, Ellie tirou o embrulho de dentro da sacola e o rasgou, ansiosa para descobrir o que tinha por trás daquele papel de presente.

- Eu não acredito nisso! – Ellie abriu um enorme sorriso, ainda sem acreditar no presente que os seus olhos estavam vendo. – É a Mulher Maravilha. – Virou a caixa para Lena, como se a empresária não soubesse o que tinha dentro dela. – Eu amei, amei, amei muito. Muito obrigada, Lena!

Ellie abriu os braços, convidando Lena para um abraço. Pularia no pescoço da morena caso conseguisse, mas estava impossibilitada devido aos vários aparelhos que ainda estava ligada e as incisões que a impediam de se mover muito. Sem jeito, Lena abraçou a garota, recebendo vários beijos na bochecha em agradecimento. Foi impossível Lena não abrir um largo sorriso por causa do gesto. Ela sentiu seu coração ficar do tamanho daquele hospital de tanto amor e seus olhos umedecendo por tamanha emoção. Não estava acostumada a receber aquele tipo de afeto tão inocente e sincero.

Parada na entrada do quarto, encostada no batente da porta, Reign assistia toda a cena com um enorme sorriso no rosto. Mais uma vez seu coração bateu algumas vezes fora do ritmo. Isso estava se tornando algo normal sempre que Lena e Ellie estavam envolvidas. Não ia cansar nunca de ver as duas interagindo.

- Mamãe, olha! – Ellie despertou a morena de seus devaneios totalmente encantados por causa da cena. - A Lena me deu uma boneca da Mulher Maravilha.

- Sério? – Reign adentrou no quarto, compartilhando do tom de voz animada da filha. – Eu posso ver? – Ellie assentiu e entregou a caixa com a boneca para a mãe. – Agora você nunca mais vai precisar se preocupar com os monstros debaixo da sua cama, ela vai te proteger.

- Ela vai ajudar você a me proteger. – Ellie corrigiu a mãe. – Você gosta de super-heroínas também, Lena? Qual é a sua favorita?

- Eu posso te contar um segredo? – Ellie assentiu, curiosa. – Minha mãe nunca me apresentou as super-heroínas, então eu não conheço muita coisa sobre elas, mas eu estou começando a gostar muito da Mulher Maravilha. – Lena olhou rapidamente para Reign. As duas trocaram um singelo sorriso antes de voltarem a atenção para Ellie.

- Você e sua mãe não brincavam de super-heroínas? – Lena fez um negativo com a cabeça, chocando a garota com aquela nova informação. – Vocês brincavam do que então?

- Nós duas jogávamos xadrez.

- Xadrez? Você sabe jogar xadrez, mamãe?

- Não, ninguém nunca me ensinou.

- Pronto! Você vai ensinar eu e a minha mãe a jogar xadrez, Lena. Que tal?

- Quantas vezes eu vou ter que te dizer que a Lena é muito ocupada? – Reign questionou, acariciando os cabelos castanhos da filha. – Ela não tem tempo...

- Amanhã quando eu vier te visitar eu vou trazer o tabuleiro, tudo bem? – Lena adiantou-se, interrompendo a desculpa que Reign daria em seu nome. – Eu sempre tenho tempo para jogar xadrez.

- Viu, mamãe? Ela sempre tem tempo para jogar xadrez. – Ellie repetiu o que Lena acabara de dizer, arrancando uma risada das duas mulheres. – Lena é verdade que você é dona desse hospital? Isso quer dizer que você é médica também? Você vai ajudar a doutora Danvers na minha outra cirurgia?

- Sim, eu sou dona desse hospital, mas eu não sou médica. Construir esse hospital foi o jeito que eu encontrei de ajudar a curar crianças como você.

- Você nunca teve vontade de ser médica?

- Não. – Lena reforçou sua resposta balançando a cabeça me negativo. – Eu não sou muito fã de machucados.

- Eu também não. Por isso que a mamãe sempre enche os meus machucados de beijos para sarar logo, não é mamãe? – Reign somente assentiu, sabia que não teria tempo de responder com palavras por Ellie logo emendar em outra pergunta. – Sua mãe também enchia os seus machucados de beijos para sarar, Lena?

- Minha mãe nunca encheu os meus machucados de beijos. – Lena respondeu com um pouco tristeza. Ultimamente estava imaginando mais do que o normal como seria a relação com sua mãe caso tivesse tido uma infância completamente diferente da que teve.

- Acho que Lena está ficando um pouco tonta com as suas perguntas. – Reign interveio. Conseguiu ver nos olhos verdes da empresária o quanto ela não se sentia confortável e muito menos animada quando o assunto família era abordado e ela não tirava a razão de Lena. – Por que você não conta para ela como você está? Tenho certeza que ela fugiu do trabalho somente para saber sobre isso.

Da atualização sobre o seu estado, Ellie passou por dezenas de histórias que Lena ouviu atentamente, se divertindo com cada uma. Cada minuto que passava com a garota ela se encantava mais e mais. Era estranho o fato de ter criado uma conexão tão forte com Ellie em tão pouco tempo, mas ela não se importava. Sentia-se feliz na presença da menina, amava ouvir suas histórias e suas perguntas.

Outro fator que também a deixava feliz era desfrutar da presença de Reign. Amava observar a forma cheia de ternura que a morena olhava para a sua cria. Era como se ela fosse explodir a qualquer momento de tanto amor por aquela criaturinha faladeira. Quando estava com as duas, Lena sentia o vazio dentro de si ser preenchido como nunca havia sido durante a sua vida inteira.

- Será que eu posso estudá-la? – Lena perguntou em um sussurro para não acordar Ellie que dormia após muito relutar. – Eu tenho quase certeza que ela é a resposta para criar uma bateria de celular infinita.

Reign riu.

- Isso não é nada. – Reign disse, direcionando-se para fora do quarto acompanhada de Lena. – Um dia no parque com ela é caso para passar um fim de semana inteiro dormindo.

- Eu fico muito feliz que ela esteja se recuperando bem. Daqui a pouco ela estará correndo pelo parque novamente.

- Assim eu espero. – Reign abriu um sorriso afetado.

- Eu te conheço o suficiente para saber que você não jantou ainda, então aproveitando que ela dormiu, o que você acha de irmos jantar? Eu conheço um restaurante aqui perto...

- Lena, desculpa, mas... – Reign fez um gesto mostrando a calça jeans e a blusa preta bem simples que estava usando. – Eu acho que não estou apropriada para jantar em nenhum restaurante com você.

- Deixe de bobagem. Se até a Ellie está cansada da comida desse hospital, você deve estar também. Então o que me diz? – Reign voltou sua atenção para a filha, que continuava dormindo tranquilamente, receosa. – O restaurante é bem perto daqui, eu juro. Qualquer novidade nós chegamos aqui correndo.

- Eu gostaria de ver você correndo nesses saltos, Luthor. – Reign disse em tom de brincadeira.

- Pode apostar que eu consigo ser mais rápida do que você, Reid. – Lena retrucou no mesmo tom.

Restaurante, 9:05 P.M.

- Você está preocupada com alguma coisa. – Lena observou. Era a terceira vez que Reign se perdia em pensamentos enquanto brincava com a comida em seu prato. – O que aconteceu? Ou a comida daqui que não é uma das melhores?

- Desculpe. – Reign saiu de seus devaneios. – Isso não tem nada a ver com a comida, a comida daqui é ótima. – Disse sinceramente. – Eu só estou com alguns problemas no trabalho, somente isso.

- Isso tem a ver com a “conversa de adulto” que você teve com o seu chefe mais cedo? – Reign a encarou com confusa. Como ela sabia daquilo? – Ellie. – Lena tirou a dúvida estampada no olhar da morena. Reign assentiu. Já era de se esperar por aquilo. – O que aconteceu?

- Ele disse que não tem a menor condição de adiantar as minhas férias e que o máximo que pode fazer é me dar mais alguns dias para ficar integralmente no hospital com a Ellie, todos esses dias descontados do meu salário. – Reign escondeu o rosto nas mãos, visivelmente estressada com aquele assunto. – Eu não sei o que fazer. Eu não posso perder esse emprego, - Voltou a olhar para Lena. - mas eu também não posso sair do lado da minha filha.

- Desculpa a pergunta, mas... E o pai da Ellie?

- Nós estávamos juntos a pouco tempo quando eu descobri que estava grávida. Eu sabia que ele não era do tipo que assumia a responsabilidade das coisas que faz, então eu dei a opção dele pular fora caso quisesse, mas ele quis provar que eu estava errada só que eu não estava. Quando faltavam duas semanas para a Ellie nascer, ele disse que não nasceu para ser pai, que nós duas estaríamos melhores sem ele e foi embora.

- Eu sinto muito.

- Eu não. Foi melhor ele ter ido embora antes da Ellie nascer do que ir embora depois quebrando o coração da minha pequena. – Reign riu, lembrando de uma momento com a filha. – Ela disse que não precisa de homem nenhum na vida dela a não ser o Winn. Ele é ótimo com ela e é um ótimo amigo para mim também.

Amigo.

Lena nunca havia parado para pensar na verdadeira relação que Reign e Winn tinham, mas seu coração bateu de uma forma diferente ao descobrir que não passava de amizade.

- E os seus pais?

- Eu nunca conheci o meu pai e minha mãe era uma alcóolatra que morreu em um acidente de carro quando eu tinha 16 anos. Só sou eu e a Ellie mesmo.

Lena olhou Reign de uma forma complacente. Passou a admirar mais ainda a morena após ouvir toda aquela história. Por causa da negligencia dos pais, Reign poderia ter se tornado completamente o oposto da grande mulher que era, entretanto ela permitiu-se ser o que sua mãe nunca foi a ela.

- Me desculpa! Você me chamou para jantar e eu só fico te enchendo com os meus problemas como se você não tivesse problemas familiares o suficiente.

- É sempre bom ouvir problemas familiares que não sejam o da minha família. – Lena brincou, conseguindo uma fraca risada de Reign. – Eu não sei como posso te ajudar nesse problema com o seu chefe, mas se você pensar em alguma coisa pode me dizer.

- Você já me ajudou o suficiente. – Em um gesto involuntário, Reign pousou sua mão em cima da mão de Lena. – Obrigada. – Disse com um singelo sorriso.

O toque fez com que uma corrente elétrica percorresse o corpo de ambas. Lena voltou sua atenção para as duas mãos juntas em cima da mesa e subiu o olhar encontrando os olhos cor de mel de Reign. Elas sorriram timidamente uma para outra e, delicadamente, Reign desfez o gesto. Estava incomodada com algumas coisas que vinha sentindo quando o assunto era Lena Luthor, mas isso nem de longe significava que o sentimento era ruim. Ela só não era muito fã do frio que sentia na barriga sempre que estava na presença da empresária.

Ruas de National City, 10:10 P.M.

- Ela não fez isso. – Lena ria de mais uma história que Reign havia contado sobre a filha. – Ela só é uma criança.

- Minha criança. – Reign disse com um sorrisinho orgulho. – Ela gosta de muito de você.

- Eu também gosto muito dela. – Lena respondeu desviando o olhar, totalmente sem jeito. Era muito difícil admitir que gostava de alguém porque a pessoa quase nunca durava tempo o suficiente em sua vida.

- Promete para mim que não vai magoá-la? Que não vai sair da vida dela simplesmente do nada? Eu tento convencê-la de que você é uma pessoa muito ocupada, mas você sempre diz o oposto, então eu espero que seja para valer.

Lena sentiu-se mal com aquele pedido por ver toda a seriedade no olhar de Reign. A última coisa que ela queria era magoar Ellie ou a mãe dela, entretanto ela se recordou do grande segredo que guardava e chegou à conclusão que se não fosse sincera sobre a causa do acidente, seria inevitável não magoá-las. Se continuasse levando aquele omissão mais longe acabaria se apegando muito mais aquela família e todas sairiam machucas e magoadas.

- Reign, eu preciso... – Lena soltou um longo suspiro e passou a mão pelos cabelos, visivelmente nervosa. – Tem algo que você precisa saber.

- Lena Luthor se a Mulher Maravilha foi um presente de despedida, nós teremos sérios problemas. – Reign adiantou-se, fazendo com que Lena começasse a perder a pouca coragem que juntou para contar toda a verdade. – Você prometeu para aquela garota que a ensinaria a jogar xadrez amanhã.

- Eu prometi que ensinaria vocês duas a jogar xadrez amanhã. – Lena disse, fazendo com que Reign esboçasse um sorriso. – A Mulher Maravilha não foi um presente de despedida.

- Então o que é que eu preciso saber?

Novamente Lena entrou em uma luta entre sua razão e a emoção. A razão dizia para ela contar logo a verdade, Reign merecia isso, independente do quanto fosse doer. Por outro lado, a emoção dizia que era melhor continuar poupando a morena. Pela primeira vez durante dias, Reign soltou o mundo que carregava nas costas, estava mais leve, estava rindo com mais facilidade, como ela poderia destruir isso com más notícias?

- Que eu não tenho planos nenhum de sair da vida da Ellie.

Reign sorriu, aliviada por ouvir aquilo. Isso significa que Lena também não tinha planos nenhum de sair de sua vida, afinal ela e a filha eram um grande pacote.

Lena odiou-se por mais uma vez não ter coragem de contar a verdade para Reign. Teria que continuar convivendo com isso durante mais alguns dias. Não queria tirar toda aquela leveza de Reign. A morena merecia mais alguns dias de paz antes dela destruir o seu mundo mais uma vez.

Hospital Infantil da L-CORP, 10:17 PM.

As duas desceram do elevador rindo por causa de algo engraçado que Lena havia dito. A cada segundo que passava ao lado de Lena, Reign sentia-se feliz por ter dado uma oportunidade de conhecer a empresária por quem era ela não pelas coisas que saiam na mídia.

A risada de Lena cessou e ela parou no meio do caminho no momento que viu Kara parada próxima ao balcão da enfermaria, checando alguma coisa no celular com uma pose de quem era dona do lugar.

- Srta. Luthor. – Kara pronunciou o nome da chefe em seu tom mais cínico caminhando em direção as duas. – Aconteceu alguma coisa com o seu celular? Vamos ter que trocar de operadora? Eu estou tentando falar com você o dia inteiro e não consigo.

- Kara, essa aqui é a...

- Eu sei quem ela é. – Kara fez um gesto de desdém para combinar com seu tom de voz. – Todo mundo sabe quem ela é. – Lena a encarou com repreensão por causa da total falta de educação, mas ela não se importou. - Todo mundo sabe quem a menina ali é. – Apontou com a cabeça para o quarto de Ellie. – Será que podemos ir agora? Você pode ter se esquecido esses últimos dias, mas você ainda tem uma empresa para comandar.

- Reign, me desculpa por isso. – Lena pediu, bastante envergonhada. – A Alex herdou toda a educação da família Danvers. – Reign a encarou com dúvida, não sabia ao certo se havia entendido a referência. – Quando a Ellie acordar fala para ela não esquecer que eu vou ensiná-la a jogar xadrez.

- Claro que vai. – Kara murmurou ironicamente para si mesma. – Srta. Luthor. – Fez um gesto pedindo para que Lena começasse a andar. – Será que podemos? Chega de caridade por hoje.

Lena murmurou um último “me desculpa” e virou-se seguindo até o elevador. Reign acompanhou as duas com o olhar, sem entender absolutamente nada que tinha acabado de acontecer ali. A única certeza que tinha era de que não havia ido com a cara de Kara.

- Tem algum motivo em especial que você me paga para te dar conselhos sendo que você não os ouve, Lena?

- Eu não te pago para me dar conselhos, eu te pago para defender a minha empresa.

- O conselho que eu te dei para ficar longe dessa família era eu fazendo o meu trabalho de defender a sua empresa. Lena, eu entendo. As duas são a família de comercial de margarina que você sempre sonhou. – Kara fez uma breve pausa. – Aliás, já fizeram um comercial de margarina com duas mulheres como casal? – Gesticulou um “deixa pra lá” e prosseguiu. – Eu não me importo de você querer preencher esse enorme vazio que sua família deixou, mas não precisa ser com a família que você quase matou, elas são um risco para você e para a sua empresa. Se você quiser eu posso fazer uma listinha de famílias que precisam da sua caridade, mas deixa essas duas pra lá.

- Como eu disse, eu te pago para defender a minha empresa. Elas são a minha vida pessoal.

Kara riu, sarcástica.

- É isso que você diz a si mesma para conseguir dormir à noite? Você quer continuar se envolvendo com essa família achando que está em uma grande história de amor? – Kara ergueu as mãos, isentando-se. – Por mim tudo bem. Só não diga que eu não avisei quando as coisas derem errado. – Kara entrou no elevador acompanhada de Lena. Abriu um sorrisinho cínico e acenou ao perceber que Reign continuava parada no meio do corredor do hospital olhando para as duas. – Por que elas sempre dão. – Completou sem tirar o sorrisinho do rosto enquanto a porta do elevador fechava.


Notas Finais


KARA DANVERS EU TE ABOMINO (e te amo secretamente).

Catco Magazine BR https://twitter.com/twxlfth/status/893631716501409792

Até o próximo capítulo <3


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