História Unfinished Business - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Avenged Sevenfold
Personagens Personagens Originais, Synyster Gates, The Rev
Tags Avenged Sevenfold, Drama, Humor, Suspense
Visualizações 36
Palavras 4.027
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa noite amores!
Mais um capítulo pra vocês.
Esse aqui eu gostei bastante, e é bem importante também xD
Boa leitura!

Capítulo 5 - A Heavy Cross You Bear


Fanfic / Fanfiction Unfinished Business - Capítulo 5 - A Heavy Cross You Bear

 Enquanto esperava Leila atender a porta, Anna só conseguia pensar no quanto aquilo seria estranho. Uma coisa era ir até o IML e pedir a um completo estranho para identificar um corpo, mas pedir a sua melhor amiga ajuda com uma coisa dessas era totalmente diferente.

- Relaxa, é só agir normalmente – Jimmy tentou tranquiliza-la.

- Eu nem sei mais o que normalmente significa, Jimmy! – Anna desabafou e ele riu.

I question all the voices in my head

Antes que qualquer um dos dois pudesse dizer mais algo, a porta foi aberta e Anna foi imediatamente puxada para um abraço apertado, só então percebendo que fazia quase duas semanas que saíra do hospital, e mal havia falado com a amiga desde então.

- Como você está? – Leila perguntou assim que desfez o abraço e permitiu que Anna entrasse no apartamento.

- Bem, na medida do possível – Anna respondeu, olhando ao redor para se certificar de que Jimmy estava ali, e ele sorriu para ela, que reprimiu um sorriso. – Estava com saudades.

- Eu também. Minha vida está uma correria, mas sabe que se precisar de qualquer coisa pode contar comigo, não é?

- Eu sei, obrigada. – Anna respondeu, rezando para que aquilo significasse que podia pedir a ajuda da amiga com aquele problema específico sem medo.

Leila conduziu Anna até a pequena cozinha do apartamento, indicando a pequena mesa de madeira, para que ela ocupasse uma das cadeiras, enquanto a outra preparava um chá. Com a visão periférica, Anna podia ver Jimmy recostado contra a parede lateral, exatamente entre a geladeira e o armário das louças, com um sorriso divertido no rosto, o que a deixava com vontade de rir, mas precisava se conter.

- E aí, como está a caça por emprego? – Leila perguntou enquanto arrumava os saquinhos de chá nas canecas.

- Difícil. Já perdi a conta de quantos currículos entreguei. Amanhã eu tenho uma entrevista, mas não sei o que esperar.

- Isso é bom, Anna! Espero que você consiga. Mas, se não der certo, tenha paciência. Com certeza não vai demorar para encontrar uma oportunidade.

- Espero que não – Anna suspirou. – O dinheiro que minha mãe deixou no banco não vai durar para sempre, não importa o quanto eu economize.

- Se for o caso, eu posso te emprestar.

- Não precisa, Leila...

- Estou falando sério! Eu e o Marcos estamos nos virando bem, não é como se eu fosse deixar você na mão.

- Como anda essa história, afinal? – Anna questionou, ansiosa por mudar de assunto. – Que eu me lembre, há alguns meses você nem tinha certeza se estava feliz com o namoro.

- Muita coisa mudou nesses meses – Leila deu de ombros. – Ele mostrou que amadureceu. Ajudou muito eu e sua mãe enquanto...

Leila deixou a frase morrer no ar assim que viu a expressão da amiga mudar com a menção à mãe. Um silêncio desconfortável se instalou, e Anna realmente não queria falar sobre aquilo naquele momento, então achou melhor insistir no namoro da amiga.

- Vamos lá, quero detalhes – ela pediu, enquanto Leila servia o chá e ocupava a cadeira em frente à sua.

Depois disso, a conversa seguiu com leveza, pois ambas tentavam desviar de assuntos que fossem abalar aquilo, tendo em vista que era a primeira vez após Anna sair do coma que as duas tinham uma conversa de verdade, uma tarde entre amigas.

A única coisa que Leila não sabia era que elas não estavam sozinhas. Anna evitava olhar para o local onde James estava, com uma expressão de curiosidade que não era muito provável em um homem que fosse obrigado a ouvir horas de fofocas entre mulheres.

Quando a conversa pareceu ter se desenrolado por tempo suficiente, Anna resolveu tocar no assunto que a levou até ali, apesar de ainda estar insegura. Ao ver a mudança em sua postura, indicando a tensão que sentia, Jimmy deixou seu lugar junto à parede e se posicionou de pé ao lado da mesa.

- Le, posso pedir um favor? – Anna começou hesitante, e a amiga se limitou a assentir. – Queria saber se você ainda tem o contato da mãe daquela sua colega de faculdade, a vidente.

- Tenho, por quê? – Leila pareceu desconfiada. – Achei que você não acreditasse nessas coisas.

- Eu não acredito. Não é nada demais, é sério, pode me passar o número, por favor?

Leila estreitou os olhos para o comportamento evasivo da amiga.

- Posso. Se você me disser para o que quer.

- Qual o problema, Leila? É só uma pessoa que alega ler cartas, ver o futuro e coisas assim, não é nada demais.

- O que eu sei é que aquela garota é estranha, e a mãe dela é mais ainda. E apesar de eu não acreditar nessas baboseiras, não quero você metida com essas coisas.

- Achei que isso seria mais fácil – Jimmy disse e Anna o ignorou.

- Não é como se a mulher fosse de uma seita ou algo do tipo – Anna revirou os olhos, mas Leila ignorou o comentário.

- Isso é... sobre a sua mãe?

- Claro que não, Leila! – Anna rebateu, confirmando que a resistência da amiga tinha a ver com sua mãe. - Só me dê a droga do número.

- Não enquanto você não disser por que quer.

Anna suspirou frustrada. Precisava contar a verdade, mas sabia que isso não ajudaria em nada. Gostaria de poder pedir a opinião de Jimmy sobre aquilo, mas não imaginava como. Lançou um olhar de esguelha para ele, que pareceu entender e deu de ombros, sem ver outra solução.

- Tudo bem, eu conto. Mantenha a mente aberta, certo? – Anna disse e Leila não demonstrou nenhum sinal de concordância. – Eu conheci um cara, há alguns dias, e ele precisa de ajuda...

- Que tipo de ajuda?

- Ele... bom... é um fantasma.

You don't have to believe me

- Essa palavra é meio estúpida – Jimmy murmurou, mas Anna o ignorou novamente, concentrada demais na reação da amiga.

- Eu temia que isso fosse acontecer – Leila disse por fim.

- O que?

- O médico disse que você poderia demonstrar efeitos colaterais. Eu achei que não iria, já que até agora não havia nada, mas...

- Não é um efeito colateral, Leila, eu estou bem.

- Bem? Você acabou de me dizer que esta vendo fantasmas! – Leila levantou minimamente a voz, e Anna já se estressava, sem acreditar que a amiga estava duvidando de sua sanidade, não que pudesse culpá-la.

- Fantasma. Só um.

- Acho que espírito é mais forte, não? – Jimmy insistiu.

- Cala a boca, James! – Anna respondeu automaticamente, então cobriu a boca com as mãos, sentindo o olhar surpreso e crítico da amiga sobre si.

- Quer se explicar? Esse suposto fantasma está aqui?

Jimmy fez uma careta ao ouvir o desprezo e a incredulidade na voz de Leila, mas permaneceu quieto enquanto Anna respirava fundo para responder.

- Está...

- Anna. Eu sei que você não quer aceitar isso, mas não faz o menor sentido. O médico disse que isso poderia acontecer. Você passou por um trauma enorme, e se isso não bastasse, sei como deve estar sendo difícil lidar com a perda da sua mãe. É totalmente aceitável que...

- O que? Acha que estou alucinando? Enlouquecendo?

I know you don't believe me

- Não – a outra disse de forma suave. – Talvez sua mente esteja projetando uma forma de ajudar a lidar com a perda, com a solidão...

- Você não sabe do que está falando.

Um silêncio desconfortável se instalou. Anna sabia que não era algo fácil de acreditar, e que a amiga se preocupava com ela, mas era impossível não se abalar com aquela incompreensão. Jimmy, por outro lado, já esperava aquilo, e via o quanto sua nova amiga estava sofrendo, desejando somente poder fazer algo para ajudar.

- Por favor, Leila, pode ao menos escutar? – Anna tentou mais uma vez.

- Muito bem, qual o resto dessa loucura?

Anna olhou de relance para James, de repente querendo um pouco de privacidade para conversar com a amiga. Falar sobre ele como se ele não estivesse ali era estranho, então precisava tentar facilitar as coisas. Leila percebeu a distração da amiga, e ainda achava aquilo tudo insano, mas não disse nada.

- Pode dar licença? – Anna sussurrou para Jimmy, como se de alguma forma aquilo fosse impedir a outra de ouvir.

- Por quê? É sobre mim que você está falando.

- Exatamente por isso, Jimmy. Isso já está bem desconfortável. Por favor?

Ele respirou fundo, claramente não gostando da ideia, mas assentiu brevemente antes de deixar a cozinha. Anna voltou seus olhos para a amiga com uma expressão de quem se desculpava, e resolveu não falar sobre a pequena conversa que acabara de ocorrer.

- Eu conheci Jimmy há quase uma semana. Eu sou a única que pode vê-lo e ouvi-lo. Ele não se lembra de nada, e acho que é isso que o está mantendo aqui. Não podia simplesmente deixá-lo sozinho.

- Quero acreditar em você, Anna, de verdade. Mas isso tudo é tão estranho. Quer dizer, quais as chances?

- Eu sei. Se alguém me contasse, eu não acreditaria – Anna suspirou. – Mas ele é uma pessoa tão boa, não consigo sequer pensar no quanto ele está sofrendo.

- Tudo bem, digamos que isso seja verdade. Como você pretende ajudá-lo?

- Sinceramente? Não sei. Pensei que talvez pudesse ajudá-lo a recuperar as memórias, e que isso fosse ajudar, mas até agora ele somente se lembrou de pequenos pedaços, nada que fosse realmente um progresso.

- Entendi. E essa história da vidente, cartomante, ou seja lá o que ela se denomina?

- Você sabe que eu não acredito em nada disso. Mas não sei mais o que fazer. Quem sabe ela não consegue ajudar de alguma forma? – Anna disse sem muita vontade. – De qualquer forma, acho que pelo menos isso vai nos manter ocupados, é melhor do que esperar que a resposta venha sozinha.

- Vou te dar o cartão dela – Leila disse como se pedisse desculpas. – Não sei se realmente posso dizer que acredito nessa história, por mais que eu queira, mas se for o caso, quero ajudar.

- Obrigada – Anna sorriu e a outra retribuiu.

- Então, você disse que faz quase uma semana que conheceu esse cara.

- É. Sei que você vai achar estranho, mas ele está ficando lá em casa, e temos nos dado muito bem. Fico triste por não tê-lo conhecido antes.

- Espero que consigam resolver isso.

- Eu também – Anna respondeu, então se lembrou de algo que precisava perguntar. – Le, você sabe onde está o carro da minha mãe?

- Meu Deus! Esqueci completamente. Ela o havia levado para a oficina, mas com tudo o que aconteceu... Imagino que ainda esteja lá.

- Bom, preciso ir atrás disso então. Mas agora acho que já vou, você deve ter suas coisas para resolver e não quero atrapalhar.

- Você não atrapalha, Annie. Se precisar de qualquer coisa pode contar comigo.

- Eu sei. Obrigada. Mas realmente preciso ir.

Sabendo que não adiantaria insistir, Leila apenas assentiu, então foi até o quarto buscar o cartão da suposta vidente. Anna e Jimmy não trocaram mais nenhuma palavra dentro do apartamento, mas depois que ela se despediu da amiga e ambos saíram do prédio, ele pareceu ficar mais a vontade.

- Acho que sua amiga não gostou muito de mim.

- É impossível não gostar de você, Jim – Anna riu. – São só as circunstâncias. Mas o importante é que temos o número e o endereço da mulher. O que acha de irmos até lá?

- Agora?

- Por que não? Não é como se algum de nós tivesse algo para fazer...

- Eu sei lá, não me sinto preparado.

See, I'm trying to find my place

But it might not be here where I feel safe

- Não precisa se preocupar. O pior que pode acontecer é não conseguirmos nada.

- Tudo bem – ele deu de ombros, mas ainda não parecia seguro.

- Não é muito longe daqui, podemos ir andando. Amanhã vou até a oficina tentar encontrar o carro, Leila disse que ele ainda deve estar lá.

Jimmy assentiu, então ambos começaram a caminhar em silêncio. Anna se sentia mal por ter que ignorá-lo daquela forma na rua, mas sabia que era necessário, pois já estava cansada dos olhares tortos que recebia cada vez que alguém pensava que ela era louca.

Não demorou para que chegassem ao local, e Anna encarou a pequena loja a sua frente. Era como qualquer outro estabelecimento similar, que existia a cada esquina ali, mas pensar que realmente esperavam encontrar algo ali a deixava ansiosa. Havia escolhido aquela mulher por lembrar-se da filha dela dizendo que a mãe realmente era boa, e tinha uma boa reputação no ramo, então era bom que valesse a pena. O nome “Madame Helena”, gravado em um tom estranho de verde na vitrine da loja, também não ajudava a melhorar a impressão.

Assim que adentrou o lugar, ouviu o sino da porta apitar e permitiu que ela se fechasse, sabendo que Jimmy a atravessaria, o que de fato aconteceu logo em seguida. O ambiente era pequeno, com um forte e enjoativo cheiro de incenso, com prateleiras mal organizadas, abarrotadas de baralhos de tarô, bolas de cristal, bonecos de voo doo, caixas e mais caixas de incenso, além de outras coisas que Anna não prestou muita atenção.

Ao se aproximar do balcão, Anna reconheceu a garota que ocupava o lugar do atendente. Ela era da turma de Leila, na faculdade, e deviam ter trocado no máximo duas palavras desde que se conheceram, mas ela se lembrava de ouvir a amiga falar sobre como a garota parecia estar o tempo todo prestes a fazer uma premonição ou algo do gênero.

Ali, em um ambiente em que tudo apontava naquele sentido, era difícil não ter aquela impressão, mas Anna se esforçou para agir normalmente, se apressando em ler o nome no crachá pendurado na camiseta da outra.

- Bom dia, Marjorie. A Madame Helena está atendendo?

- Você tem horário marcado? – a outra perguntou sem muita vontade.

- Não... Acabaram de me indicar o trabalho dela, na verdade, e como eu estava por perto...

- Sei. Só um minuto.

Marjorie não esperou por resposta ante de dar as costas e desaparecer pela cortina de miçangas que separava a frente da loja do outro cômodo. Anna olhou para Jimmy, querendo perguntar o que ele achava do lugar, mas ele parecia entretido demais em um folheto que dizia algo sobre signos.

- A Madame disse que pode atendê-la – a voz de Marjorie disse de repente, mas Anna não havia notado seu retorno, e acabou se assustando.

- Certo. Quanto é a consulta? – Anna perguntou, já imaginando quanto dinheiro gastaria somente com a expectativa de conseguir alguma ajuda.

- Você pode acertar na saída.

Anna ia questionar aquilo, mas a garota deu as costas e andou até a porta, afastando a cortina de miçangas e indicando o caminho para que ela entrasse. Hesitante, ela olhou de relance para Jimmy, para que ele a seguisse, então ambos adentraram o corredor escuro, que levou a um cômodo pequeno, e que transmitia a mesma impressão que a loja.

A sala tinha iluminação fraca, o que Anna supôs que era intencional. A mobília se resumia a uma mesa redonda de madeira centralizada no lugar, com uma cadeira de estofado vermelho de um lado e outra, mais simples, do outro, além de um armário também de madeira no canto da sala, com vários objetos similares aos que estavam expostos na loja, mas que pareciam de qualidade superior. O aroma de incenso ali era mais suave, quase tornando o ambiente aconchegante, não fosse o desconforto que os amigos sentiam.

A cadeira estofada estava ocupada por quem Anna imaginou ser Madame Helena. Ela trajava uma espécie de quimono cinza-chumbo, tinha os cabelos pretos presos em um coque caprichado e escondia os olhos azuis atrás de óculos de armação grossa.  Ela não disse nada, apenas indicou a cadeira, que logo foi ocupada por Anna, enquanto Jimmy ficou parado ao seu lado.

- Como posso ajudá-los? – Madame Helena perguntou, e Anna sentiu o coração acelerar ao ouvi-la pronunciar as palavras no plural.

- Você pode me ver? – Jimmy perguntou, mas a mulher não respondeu, então Anna interveio:

- A senhora sabe que não estou sozinha?

- Não consigo ver ou ouvir seu acompanhante, se é o que está perguntando. Mas posso sentir sua presença. Imagino que seja por causa dele que vieram até aqui.

Anna olhou para James, que tinha uma expressão ilegível, e apenas assentiu, indicando que ela devia prosseguir.

- Sim. Não sei ao certo como explicar. Acho que James está preso aqui, incapaz de prosseguir, e não sei como ajudá-lo.

- Provavelmente algo em seu passado o está mantendo ligado a este plano – Madame Helena refletiu. – Alguma questão familiar, amorosa, ou até mesmo material, quem sabe?

Jimmy entendeu que a pergunta era direcionada a ele, e era frustrante não poder conversar com a mulher que aparentemente tinha as respostas que ele queria sem um intermediário. Por outro lado, ele era imensamente grato por ter Anna ao seu lado e poder contar com a ajuda dela.

- Esse é o problema – Anna esclareceu. – Ele não se lembra de nada sobre sua vida. Penso que isso está atrapalhando a resolução de qualquer que seja seu assunto inacabado aqui.

- Entendo.

- Também não sabemos porque somente eu consigo vê-lo.

Madame Helena fechou os olhos e respirou profundamente. Anna teve a impressão de que as luzes reduziram ainda mais quando ela tornou a abrir os olhos, mas imaginou que era somente seu cérebro lhe pregando uma peça. A mulher focou sua atenção na bola de cristal reluzente no centro da mesa e Anna observou curiosamente.

Ela não podia ver nada, a única impressão que tinha era de que o objeto estava preenchido por uma névoa espessa e perolada, e se limitou a analisar a Madame enquanto ela fazia movimentos estranhos sobre a esfera, e se perguntava se ela realmente via algo ali, ou se estava somente fazendo aquilo para impressioná-los.

Yeah, how could that be logical?

- Muito bem – Madame Helena disse por fim, voltando-se novamente para Anna com uma expressão séria. – De fato, o problema de James está relacionado com suas lembranças.

- Certo. A senhora pode ajudá-lo a recuperá-las?

- Ah, não, minha querida. Temo que seja uma questão extremamente pessoal.

- Como assim? A senhora sabe o que está causando o bloqueio?

- Sim.

- Não entendo, por que não pode ajudar?

- Estou ajudando, Anna – ela respondeu sobriamente, e Anna lembrou-se de não ter dito seu nome a ela.

- Explique – ela pediu e a mulher acenou teatralmente com a cabeça.

- Há um motivo pelo qual James foi privado de suas memórias, e pelo qual ele ainda não as recuperou. Não cabe a mim devolvê-las. Ele deve não somente se esforçar para isso, mas também aceitar sua situação.

- Mas...

- Tudo acontece por uma razão – ela disse de forma solene, quase como se recitasse algo decorado. – As lembranças são fundamentais para que seja possível prosseguir, mas também podem causar muita dor. No final, uma escolha definirá tudo.

- Escolha? – Anna perguntou em um sussurro. – De quem?

A sala caiu em silêncio absoluto, e Anna ficou com medo de quebrá-lo, então lançou um olhar ansioso a James, mas ele parecia perdido em pensamentos. O olhar de Madame Helena sobre si parecia querer enxergar através de sua superfície, e isso a perturbava, por isso ficou grata quando a mulher piscou brevemente, parecendo sair de um transe, e voltou a falar normalmente.

- Espero ter ajudado – ela disse e Anna demorou a perceber que a consulta havia terminado.

- Quanto devo?

- Considere uma cortesia – Madame respondeu, e Anna a encarou perplexa. – Não acho que preciso explicar meus motivos, mas considero que seja merecedora desta ajuda benevolente.

- Obrigada – Anna assentiu.

Madame Helena acenou com a cabeça, então indicou a porta de forma teatral, e Anna levantou abruptamente da cadeira, ansiosa por sair dali. Ela olhou para James, que parecia ter voltado a prestar atenção ao que acontecia ao seu redor, e se prontificou a segui-la para fora.

Uma vez de volta à loja, Anna quase se sentiu grata por sentir o forte cheiro de incenso e ver a fraca luz do sol adentrar as vidraças escurecidas, pois seus sentidos pareciam ter ficado amortecidos dentro da pequena sala.

- Ahn... Madame Helena disse que a consulta seria cortesia – ela disse timidamente a Marjorie, que lhe lançou um olhar curioso.

- Isso é raro – ela refletiu.

- Se quiser pode ir conferir com ela, eu espero.

- Eu disse que é raro, não mentira – Marjorie disse simplesmente. – Boa sorte.

- Obrigada – Anna respondeu, apesar de não entender o motivo, então se despediu brevemente da garota antes de dar as costas e rumar para a porta.

Foi mais do que gratificante sair da pequena loja. Mesmo do lado de fora, ainda sentia uma tensão tomar conta de seu corpo somente por se lembrar das palavras da Madame. Queria saber o que aquilo significava, mas também temia não gostar da resposta. James logo surgiu ao seu lado, e também parecia desconfortável.

- Você está estranhamente quieto – ela disse. – O que achou?

- Sinceramente? – a voz dele não passava de um sussurro. – Aquela mulher me dá arrepios.

- Bom, você não é o único...

- Ela não nos disse muito além do que já sabíamos, apenas confirmou nossas suspeitas de que recuperar minha memória é a chave.

- É – Anna respirou fundo. – E aquela história sobre uma escolha definir tudo? E sobre as lembranças causarem dor?

- Assustador – Jimmy disse prontamente e Anna concordou. – Mas da forma como ela disse, não acho que vamos descobrir antes que a hora chegue.

- Ela estava falando sobre você? – Anna perguntou, de repente preocupada com o quão sério era o problema do amigo, e se ele enfrentava alguma espécie de sofrimento que ela desconhecia.

- Eu estou bem, Anna – Jimmy sorriu. – Acho que estamos um passo mais perto, espero que realmente tenha servido para algo.

- É, eu também.

Anna e Jimmy resolveram ir para casa, e passaram o resto do caminho em silêncio. Estava claro que a consulta com Madame Helena havia afetado a ambos, e preferiam não tocar no assunto, pois a final de contas, deviam estar animados com o progresso.

Já sozinha em seu quarto, preparando-se para dormir, Anna permitiu que o sentimento que a incomodava desde a consulta a preenchesse. É claro que estava feliz por Jimmy, e queria o melhor para ele, então, se seguir em frente era o que precisava para ficar bem, estava disposta a ajudá-lo. Mas também era impossível ser ao menos um pouco egoísta.

Eles se conheciam há pouquíssimo tempo, mas James era uma pessoa incrível e a ajudava tanto que tornava fácil esquecer a tristeza que sentia quando pensava em sua mãe, ou a culpa que a assolava por pensar que sua doença havia se agravado por ter que visitar a filha no hospital. Ela já havia se afeiçoado a ele, o que era doloroso sabendo que ele não ficaria ali para sempre. As palavras de Madame Helena ressoavam em sua mente, e ela sentia que aquele avanço era real, o que significava que estava cada vez mais próxima da hora em que James a deixaria, e não conseguia ficar feliz por isso.

As palavras da Madame martelavam em seus ouvidos, e ela sabia que podiam significar mil coisas, mas também sentia que havia uma parte daquilo que dizia respeito a si mesma. Era uma espécie de sexto sentido, e ela não sabia explicar de onde vinha, ou o que significava, mas imaginava que não fosse demorar para descobrir.

Em meio a tantos pensamentos, Anna demorou a pegar no sono, mas, quando o fez, teve uma noite repleta de sonhos. Sonhos onde sua mãe ainda era viva, e estava ali com ela. Sonhos onde James ainda estava vivo, e ela podia apreciar a amizade dele sem se preocupar em quanto tempo lhes restava.


Notas Finais


E aí?
O que acharam dessa consulta com Madame Helena? Será que agora vai? hahaha
Deixem suas opiniões aí, quero saber o que estou achando.
Quero agradecer a todos que estão acompanhando, vocês fazem essa autora feliz xD

Agora, como eu havia dito no capítulo passado, esse aqui era o último que eu tinha pronto. O próximo já está começado, mas com todas as coisas que tenho pra resolver da formatura (que é semana que vem) e com minha pós começando amanhã, estou praticamente sem tempo nem pra pensar.
Já adianto que é bem provável que semana que vem eu não poste, porque vou receber visitas por causa da formatura e tem ensaio e etc.
Mas se o Santo Poe quiser a partir da formatura eu já vou estar mais calma e com um pouquinho mais de tempo pra escrever e postar pra vocês :)

As músicas desse capítulo foram Playing God e Misguided Ghosts do Paramore, e Simulation, do Avenged.

Beijos <3


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