História Unidade 731 - Capítulo 1


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Categorias Originais
Exibições 4
Palavras 2.433
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Suspense, Terror e Horror, Violência, Visual Novel
Avisos: Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá queridos! Mais uma one de terror. Esse está sendo o ano mais produtivo que tive até hoje, no quesito terror, nos dois anos que escrevo...
Bom, quem fez essa maravilha acontecer, como já disse, foi a Thay, que me mandou links bem interessantes. Vou deixar alguns dos links nas notas finais.
Obrigada a todos, beijocas e abraços.
Ah, e sim, por incrível que pareça, essas coisas abaixo realmente aconteceram. Não sei se foram exatamente da forma relatada, mas essa one é baseada em fatos reais.
Quero deixar bem claro que não apoio nada do que foi feito dentro dela, na verdade eu repudio. Aliás, a fic foi postada no Nyah!

Capítulo 1 - Capítulo único.


Seus passos eram ouvidos em cada cela, cada um dos presos ali contidos se encolhiam, tentando descobrir o que aconteceria, que tipo de perversidade seria acometida contra eles. O jaleco branco balançava a cada passo, a prancheta era vistoriada e algo era murmurado a cada cela que ele passava.

Os olhos seguiam fixos na prancheta com os prontuários e o histórico médico do tronco, andou pelas portas das salas onde cada experiência era feita; o corredor serpenteava por todo o território da unidade, era o principal dali e todos os outros corredores eram secundários e ligados àquele.

Virou um dos corredores e chegou a uma das salas, aquela onde ocorreria o primeiro experimento do dia. Por detrás da porta de ferro azul, destacado entre o branco do chão, paredes e teto, escondia-se a sala de onde ele observaria o experimento 255.

Ao entrar, uma grande janela de vidro se abria para uma sala, branca igual a todo o resto, com mesa de metal parafusada no chão, mesas do mesmo material com aparatos médicos e paredes acolchoadas. Ali, preso por tiras de couro firmes, um homem de 35 anos e chinês, repousava na grande mesa.

Ao lado dele, circundando o corpo do aflito homem, três médicos de iguais jalecos brancos e máscaras de cirurgia cobrindo as faces. Os três olharam para ele e tiveram o consentimento para o início do procedimento. Da mesa onde os aparatos descansavam, uma injeção foi retirada. A agulha parecia incrivelmente assustadora aos olhos do chinês amarrado.

O corpo dele retesou, tentando afundar-se na mesa de metal, que posteriormente seria utilizada para autopsias. Tentando se livrar, chacoalhou todo o corpo, se livrar das amarras de couro e metal era o objetivo, contudo só conseguiu machucar os pulsos e tornozelos.

As lágrimas corriam dos olhos arregalados até um extremo. Jogou o corpo para cima, arqueando as costas, grunhidos e gemidos saiam dos lábios presos por uma mordaça de couro negro e duro. Inflava as bochechas e até catarro descia das narinas bufadas.

Olhando mais uma vez para o doutor Ishi, buscando autorização, o homem que segurava a agulha teve consentimento, mais uma vez. A agulha vazia foi enfiada na veia principal do braço esquerdo, que era segurado por mais dois pares de braços masculinos de doutores japoneses.

O ar entrou na veia no que parecia ser uma lentidão incrível.

Os três médicos se afastaram, esperando o paciente esboçar alguma reação. Dr. Ishi tomava nota de cada coisa, cada detalhe. O corpo dançava sobre a mesa, ele descrevia como; o corpo soltava bufadas de ar pelo nariz, Ishi descrevia como. Para ajudar em detalhes, uma câmera filmava os experimentos observados pelo doutor.

Em alguns minutos, o paciente revirou os olhos e os fechou. Finalmente, morto. O Dr. Ishi não ficou contente. Balançou a cabeça de um lado a outro, retesando a boca para o lado. Olhou para os três médicos, que tinham olhos banhados em expectativa. Negou. Os três deveriam testar outro depois. Ali, o aspecto apresentado da embolia já havia sido visto em outros dois troncos. Nenhuma novidade.

Saiu decepcionado da primeira experiência do dia, caminhando até a próxima sala. Ali era a Unidade 731, a divisão japonesa responsável pelo programa de Guerra Biológica do Japão. E aquele, caminhando no longo corredor branco com tantas portas azuis enfileiradas, era o doutor Shiro Ishi, o responsável pela unidade.

Ele virou o prontuário enquanto andava para a próxima sala, parou diante da porta e arrumou os óculos. Uma sala de observação idêntica se abriu para ele. Dessa vez, uma enfermeira estava sentada numa das poltronas, com sua roupa branca e cruz vermelha, esperando ele com um carrinho de comidas e bebidas.

—Doutor, o senhor ainda não comeu hoje —ela serviu chá preto a ele. Ele a dispensou com um aceno e, depois de uma reverencia, ela se retirou com o carrinho, deixando na mesa de vidro a garrafa térmica de chá.

Bebericou o chá e olhou por cima dos óculos redondos para a saleta a sua frente. Diferente da outra, a sala tinha paredes de azulejo branco e três troncos presos em mesas de autopsias iguais a anterior. Ambos os três tinham sexos e idades diferentes. Era uma fêmea de 15 anos, um macho de 55 e um macho de 23. Dentro da sala, era ouvido somente o ressoar mecânico das aparelhagens ligadas aos três e as respirações dos doutores, trajando iguais jalecos e máscaras cirúrgicas.

Ele levantou a mão esquerda num pedido para que o esperassem. Terminou os históricos. A fêmea havia sido contaminada com sífilis há dois anos, por um estupro coletivo de outros troncos. O tronco de 55 anos tinha diabetes e o de 23, aids.

Bebericou o chá novamente. Assentiu e observou o primeiro a ser cortado. O macho de 55 anos. Resignado, o homem deixou ser cortado sem fazer movimentos bruscos. Ele, pelas cicatrizes e prontuário, passou por outras experiências, duas exatamente. Havia desistido da vida.

O sangue saia, as mãos dele estavam apertadas e brancas, os pés encolhidos e numa posição incomoda. As lágrimas desciam pelos olhos, a cabeça careca erguida, de forma que o queixo tocava uma das clavículas.

A menina chorava e o outro virava o rosto. Ishi, anotava.

O jovem de 23 tentou se libertar, sacudindo o corpo de forma que a mesa sacudisse junto dos movimentos, os parafusos frouxos ameaçavam arrebentar. Era robusto o jovem, em seus 1,80m, 90kg e rígidos músculos. Os cinco médicos dali seguiram para o prender com mais tiras de couro. Ele se desesperava e, como o anterior, dançava sobre a mesa para tentar se livrar de seu cárcere.

A menina fixou os olhos puxados e lacrimejantes no doutor. Ele anotou isso diante no número dela, 300. Negou com a cabeça e rabiscou os kanjis que, traduzidos, diziam: tentativa, inconsciente, de criar vinculo ou empatia mantendo contato visual. Acrescentou: Típica atitude de troncos com menos de 20 anos.

Mudou para a folha do macho mais velho, fixando os olhos no sangue que escorria do corpo e era guiado para um balde. Ele já respirava com mais dificuldade, os batimentos cardíacos, que ali eram acompanhados, aumentavam. O Y não estava feito, era um risco que ia de um peito a perto umbigo. Anotou.

O macho mais novo foi contido e tomou notas especiais sobre isso. Retirou os óculos da face e um pano de dentro do bolso interno do jaleco, limpando os óculos metodicamente. Recolou os óculos e viu os médicos retornarem ao posto do primeiro.

O corte Y foi concluído e o tronco fechou os olhos com força, jogando a cabeça para trás. Doutor Ishi tomou notas. Como numa autopsia, a parte entre os mamilos foi erguida e o tórax totalmente aberto. Os órgãos, em perfeito funcionamento, eram visualizados. O primeiro tronco a atingir tal resultado sem desmaio ou morte.

Apoiou o cotovelo num dos apoios e a mão na cocha, jogando o corpo para frente. Rim esquerdo retirado, colocado na balança, pesado e mostrado ao doutor, que tomou notas, assentindo com veemência, feliz com o resultado. Depois dos rins, o baço seguiu o exemplo.

Fígado, pâncreas e estomago, todos retirados sem mais problemas. Mas quando chegou a tentativa de retirada do intestino delgado, o macho veio a óbito. Os pulmões pararam junto do coração. Negando, o doutor voltou a se recostar na cadeira. Mais uma vez, tomou notas e olhou por cima dos óculos. Indicou o tronco de 23 anos. Nele iria ser feita uma incisão que iria do fim de uma sobrancelha ao começo da outra.

Contudo, quando o bisturi se aproximou da testa dele, um guincho de dor e lamento saiu da boca amordaçada. A fêmea soltou um barulho molhado e se encolheu, virando a cara para o outro lado. O suor escorria da cabeça raspada do homem e atrapalhava o procedimento. Limparam o rosto úmido do jovem espécime e reiniciaram o processo.

O corte preciso foi feito, o crânio ficou exposto. O grito preso no couro ameaçou sair. Ele mordeu o couro e o lábio sangrou. A fêmea expressa extremo pavor e medo, urinando na mesa. Os pés pequenos batiam contra a mesa, calcanhares ficando roxos.

A cabeça do macho restante foi cortada em 360°, passando o corte por cima de cada orelha até terminar. Tirou a pele e o tecido que cobria o crânio e, enquanto o tronco mordia com força a tira de couro que prendia sua boca, uma espécie de broca cortou a parte de cima de seu crânio em uma rodela considerável de osso. E então, surgiu a coisa mais fascinante para o doutor Ishi: o cérebro deles.

Acreditando piamente em que o cérebro deles, chineses (que por ele não eram considerados humanos) era totalmente diferente, o doutor Shiro Ishi iniciou uma incansável buscar para descobrir qual era a modificação que tornava aquele ser a sua frente, tão distinto dos espécimes humanos japoneses aos quais o doutor convivia. Aquele macho foi descrito como Macaco Pelado, ao lado o número que substituía o nome dele.

Entre parênteses, ressaltou que tal criatura não morreu ao ser submetida a tal experimento. Seus batimentos se elevaram um pouco, mas se mantiveram. Buscando autorização, o médico com o bisturi olhou para o doutor, buscando os olhos ofuscados pelo brilho dos óculos contra a luz. Ishi maneou a cabeça, entrando de acordo com a continuidade do processo.

Dessa vez, um pedaço do cérebro foi retirado. Para ter absoluta exatidão, 20% do cérebro foi retirado. Um arquejo de dor gutural tentou escapar pela mordaça. Surpreendentemente, o tronco ainda estava vivo e, aparentemente, bem e com condições de sobrevivência.

—Doutor, devemos fechar? —O médico que cuidava dos aparatos tecnológicos ligado ao corpo do macho, perguntou. A voz baixa do doutor soou pelo interfone:

—Sim, Tanaka-san, por favor —aquela parte não estava em mente de Ishi quando pensou no experimento submetido ao tronco de número 406, aquele macho surpreendeu o doutor. Mais notas foram tomadas. Tocando novamente o botão grande do painel a sua frente, Shiro Ishi continuou com uma ideia inusitada: —Submeta o 406 a um coma induzido e o leve para o teste de congelamento e descongelamento quando acabar, por favor.

A voz calma e profissional era tudo o que a menina ouvia. Ela não entendia uma palavra em japonês, mas entendia a gravidade da situação e sabia que aquele tom de voz não condizia com o tom que um ser humano normal teria num momento como aquele. Diziam, lá fora, que Hitler era um monstro, mas algum deles sabia o que acontecia entre as paredes daquele lugar?

Se sim, como deixavam aquilo continuar? Será que o tal ditador nazista era igual ou pior que aquele outro médico ali?

Ela viu que os cinco médicos que dividiam oxigênio com ela estavam nervosos e um tanto relutantes, mas o outro manteve uma fachada tão fria quanto um iceberg.

Tentou fazer contato visual mais uma vez, porém o doutor parecia maravilhado com a situação do outro ao seu lado. Relutante, ela olhou para o outro e viu a cabeça dele ser costurada de volta, ao que pareceu a ela. Chorou copiosamente diante disso. Que horror era guardado a ela?

Logo após isso, ele foi retirado junto da mesa para longe, pela porta pela qual entraram mais cedo.

O médico com as luvas ensanguentadas do primeiro, arrancou-as, jogou no lixo e pôs outras. Chegou até a olhar nos olhos dela, dizendo em silencio que se ela se mexesse, seria pior. O estudo com ela iria ser diferente, iriam tentar ver como funcionava um útero durante a menstruação.

Com ela, não pretendiam descobrir não só o funcionamento de tal órgão, como também visava a vida dela após a cirurgia, assim buscando ver a reação psicológica dela a isso quando de volta a seu “ambiente natural”, quando soltassem ela num ambiente controlado onde antes ela vivia para assim analisar as mudanças, pretendendo visar um controle de população e interação social em fêmeas e machos castrados.

Nela, uma incisão parecida com a de uma cesariana foi feita, a fêmea corajosamente resistiu a dor como o primeiro macho, o útero foi retirado com sucesso, a tronco permaneceu viva, foi fechada e o órgão foi pesado. Todo o procedimento foi anotado e Ishi consentiu a retirada dela para a ala hospitalar onde eles eram tratados.

Como eram experimentos, todos comiam, bebiam e eram cuidados como humanos, visando assim o perfeito estado de todos os espécimes.

Olhou para o relógio em seu pulso e constatou que ambos os experimentos tomaram toda uma manhã. Agora, ele almoçaria e passaria para as experiências com o congelamento e descongelamento de troncos, na tentativa de descongela-los e os trazer a vida.

Mais tarde, iria ver como se saiam os submetidos a doenças biológicas e várias formas de utilizar tais doenças em campos de batalha.

(...)

 

O final da 2ª Guerra Mundial veio, trazendo a paz armada. As ocorrências da Unidade 731 foram mantidas sigilosas (com a ajuda dos EUA) até o ano de 1989. Operários japoneses construíam um túnel que, futuramente, seria parte de um metrô, quando descobriram cadáveres.

Estudando melhor os corpos, descobriu-se as torturas e assim a infame Unidade 731 foi descoberta e levada a público.

Os acontecidos entre as paredes da unidade são considerados um dos maiores crimes de guerra já cometidos (sendo o maior que o Japão já cometeu), e até hoje sua história se mantem um show de horrores pouco conhecido.

Dentre as várias experiências acometidas contra os chineses, estava o teste de armas biológicas que mais tarde seriam usadas contra os chineses que não haviam sido capturados ou em qualquer parte do mundo, em futuras guerras. Peste bubônica e outras doenças foram dispersadas nas populações controladas que viviam dentro dos presídios e “hospitais” do complexo que formava a unidade.

Legistas anônimos diziam que um dos procedimentos padrão e rotineiro, era fazer autopsias em seres humanos vivos e, em seus laudos, as vítimas eram chamadas de “troncos” ou macacos. O próprio complexo havia sido construído por mão-de-obra chinesa escravizada e os mesmos que as construíram, foram as primeiras cobaias, inicialmente conhecido como “Campo de Prisão Zhong Ma”. O prédio com o complexo de laboratórios era chamado de “Castelo Zhong Ma”.

Por 40 anos, a Unidade 731 foi o segredo mais bem guardado do Japão.

As notas do doutor Ishi foram a mãos especializadas depois de serem encontradas em uma biblioteca, todas foram analisadas. O mais incrível foi que, mesmo tendo grandes e incontestáveis provas de sua culpa, nenhum dos envolvidos foram autuados por seus crimes e a maioria permaneceram anônimos. Ishi morreu em 1959 — antes de seus crimes serem descobertos— de câncer aos 67, no Japão.


Notas Finais


Bem, acho que disse tudo nas notas iniciais. Vou me despedir, sobrinhos queridos e amantes de terror, e deixarei aqui os links prometidos:
http://hypescience.com/ja-ouviu-falar-da-unidade-731-isso-e-bom-e-ruim-ao-mesmo-tempo/
http://www.assombrado.com.br/2013/05/campo-731-bacterias-maldade-humana.html
Obrigada!


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