História Unintended - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Inuyasha
Personagens Rin, Sesshoumaru
Tags Inuyasha, Post-canon, Rin, Romance, Sesshomaru
Exibições 70
Palavras 4.267
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oiii! Então, estamos todas recuperadas do último capítulo?
Nossa eu fiquei muuuuito feliz com os feedbacks, ainda to sem palavras. Nunca escrevi nada por reconhecimento, passei anos escrevendo só pro meu entretenimento (tinha até meio que vergonha que outras pessoas lessem meus devaneios) e mesmo quando comecei a publicar não tive muito retorno mas não ligava muito pra isso, já tava escrito mesmo hahaha
Nunca imaginei que me sentiria tão realizada com essas palavras de apreço de vocês! OBRIGADA!

Agora, prosseguindo:

Capítulo 20 - Sentimentos


Sesshomaru despertou, surpreso ao perceber que acabou desmaiando em algum ponto da madrugada, após Rin ter caído no sono. Ela ainda dormia profundamente, a cabeça descansando sobre o peito dele.

Analisando brevemente suas condições, ele percebeu que seu youki já estava restaurado, a maior parte de seus ferimentos fechados. E as bochechas de Rin tinham voltado ao seu tom corado que ele tanto apreciava. O pior havia passado.

Ele suspirou, aliviado, lembrando-se daqueles momentos terríveis na noite anterior, quando ele pensou que ela poderia morrer e que seria a última vez. A garota abraçada a ele agora emanava seu próprio calor novamente, aquecendo-o tanto quanto ele a aquecia.

Sesshomaru lembrava das coisas que ele dissera à ela na noite anterior, sem entender como tais palavras foram escapar pelos seus lábios. Mais do que apenas isso, havia as coisas que não escaparam, mas cuja mera existência em seus pensamentos o surpreendia completamente. Era como se ele tivesse estado sob efeito de grandes quantidades de álcool, que te fazem agir e pensar de forma totalmente fora do seu comportamento normal. Exceto, é claro, que ele estivera perfeitamente sóbrio naquele momento. Não havia muitas desculpas nas quais ele conseguisse pensar, mas certamente deveria haver um motivo bem racional por trás de tudo aquilo, algo que ele simplesmente não conseguia enxergar.

A forma como ele ficou tão feliz de vê-la respirando quando a tirou da água, que ele sentiu que podia beijá-la, e não tinha muita certeza se teria contentado-se apenas com um beijo em sua testa. Ou como ele se sentiu quando a abraçou, nua, contra ele naquele primeiro momento. Mais do que apenas aquecê-la, ele queria correr os dedos por toda a extensão daquela pele macia, sentir cada centímetro dela. Por um momento de completa insanidade, ele chegara a pensar que podia até fazê-la suar se eles adotassem uma estratégia um pouco mais ousada. Claro, pelo propósito de aquecê-la apenas...

Afinal de contas, aquela menina era Rin. A mesma garotinha que apenas alguns anos atrás mal passava da altura de sua cintura. Os humanos a chamavam de mulher, uma moça. Para ele, ela ainda era uma criança, apenas um pouco mais crescida. Ou, pelo menos, era o que devia ser. Era o que ele devia ver quando olhava para ela ali em seus braços, apenas o sorriso inocente e as bochechas rosadas, não as linhas suaves de suas clavículas abaixo da pele delicada ou até mesmo o colo precariamente coberto pelo lençol, que ele podia ver quase demais e quase o suficiente, dependendo da inclinação.

 A garota que dominava seus pensamentos se mexeu levemente, abrindo os olhos para a clara luz da manhã. O rosto imediatamente corou quando ela lembrou onde estava e em que condições estava.

- Acredito que esteja se sentindo melhor agora. - Sesshomaru supôs, deixando que ela se afastasse, se embrulhando melhor em seu lençol.

- Muito melhor. - Ela respondeu, um sorriso tímido em seu rosto. - E o senhor?

A expressão de Rin rapidamente mudou para preocupação enquanto ela o analisava. Apesar de ter parado de sangrar, alguns ferimentos ainda estavam abertos. Ela tentou tocar delicadamente a abertura na lateral do pescoço dele, mas sua mão foi segurada gentilmente.

- Não se preocupe. – Disse o inuyoukai, perfeitamente calmo, apesar de todos os acontecimentos da noite anterior.

A humana assentiu, procurando respeitar a vontade dele. Ela sabia bem que seu senhor não era do tipo que apreciava ter pessoas se preocupando com ele. Ele confundia muito facilmente preocupação com pena, por isso tendia a detestar os dois.

Ela tentou parar de pensar nas desgraças da noite anterior e suas consequências, mas a consequência mais marcante estava ali bem em sua frente. A mão de Sesshomaru ainda tocando a dela, os dois ainda próximos demais para que qualquer observador que passasse por ali ficasse realmente constrangido com a visão.

Rin pôs-se de pé, reparando que já havia abusado demais dos cuidados do inuyoukai. O clima ainda era bastante frio, e ela estava ansiosa para vestir algo mais quente do que apenas aquele lençol. Só de lembrar que passara a noite junto a Sesshomaru, usando praticamente nada para cobrir a pele, ela começava a enrubescer de novo.

Com a fraca luz da manhã que penetrava entre as pesadas nuvens escuras no céu, ela podia ver melhor a paisagem ao seu redor. Em meio a todo aquele padrão repetitivo de neve e árvores adormecidas, um objeto colorido facilmente chamou sua atenção. Era tão gritante no meio de todo aquele branco que Rin ficou surpresa de não tê-la visto ali do lado de Sesshomaru até agora.

- Como pode? É uma flor... – Ela disse, agachando de volta ao lado do youkai para analisar as vistosas pétalas azul-real que se abriam para o frio gélido. – Mas nesse clima...

- É uma flor da eternidade. – Sesshomaru explicou. Ele lembrava de ter ouvido falar daquela flor algumas vezes em sua longa vida, apesar de nunca ter dado importância à informação. – Ela floresce o ano inteiro. Aparentemente, as pétalas mudam de cor de acordo com a estação.

Rin sorriu, fascinada. Era óbvio que seu cérebro já estava imediatamente planejando colher aquela planta tão única para si, mas as mãos do youkai foram mais rápidas. Antes que ela pudesse alcançar o caule que suspendia a bela flor, a garra de Sesshomaru já o estava cortando.

Ele ergueu a flor colhida e a ofereceu à humana, que o encarava com tanta surpresa que apenas instintivamente aceitou o pequeno presente, sua mão um pouco trêmula. Ela abaixou os olhos para analisar o vegetal, ainda distraída com o fato de que aquela era a primeira flor de verdade que Sesshomaru dava à ela.

Apesar de ele saber como ela gostava de flores, ele sempre parecera evitar tais presentes, talvez por estarem tão associados ao romantismo e níveis mais profundos de afeto. Dando à ela quimonos e coisas do tipo, ele sempre poderia usar a desculpa de estar apenas provendo à ela itens de necessidade. Uma flor, por outro lado, não permitia tais desculpas. Flores não serviam para muito mais do que simplesmente demonstrar afeto.

Sesshomaru pôs-se de pé e Rin automaticamente desviou o olhar, intimidada pelo peito nu do guerreiro. Apesar de estar coberto de sangue seco, não seria difícil vislumbrar os músculos bem definidos por trás da crosta vermelho-escuro.

Ele rapidamente recolheu seu haori esquecido sob uma pequena pilha de neve, tratando de se cobrir propriamente com a vestimenta. Só então Rin voltou a olhar para ele, embora tentasse manter os olhos baixos só por segurança.

- Senhor Sesshomaru! – Ela exclamou quando seus olhos deram pela falta de um certo objeto característico na cintura dele. – Onde está a Tenseiga?

O inuyoukai vagamente olhou ao redor, primeiramente na região onde eles estavam e, depois, à distância, tentando se lembrar da última vez que vira aquela espada. Por fim, ele recordou como foi obrigado a usá-la para eliminar o cão do inferno que Rin havia invocado, recordando também como simplesmente largara a espada de lado para dar atenção a um assunto muito mais urgente para ele naquele momento, que era a garantia da sobrevivência de Rin.

Ele ficou desconcertado por um momento, sem saber como um guerreiro experiente como ele podia ter cometido um deslize tão amador quanto esquecer uma arma em um momento de desespero. Mas, quando ele parou para relembrar os eventos da noite anterior, era facilmente compreensível. Ele estivera tão aterrorizado, tão completamente tomado pela preocupação e medo e, além de tudo, era apenas a Tenseiga, uma espada que já não tinha muita importância desde o início, muito menos quando colocada em comparação com a vida de Rin.

Por fim, ele deu de ombros, indiferente.

Rin balançou a cabeça em negação, decidida a recuperar aquela arma que, pelo menos para ela, tinha algum significado.

- Temos que encontrá-la, senhor Sesshomaru! Deve estar por aqui em algum lug-

- Eu saberia se estivesse. - O daiyoukai respondeu, segurando-a antes que ela pudesse sair em busca do objeto extraviado.

- Mas-

- Nós já vamos. – Sesshomaru avisou a humana, ainda enrolada no lençol e começando a tremer de novo à medida que se expunha mais ao clima. – Vá se vestir.

xXx

Apesar de Rin ter quase certeza de que estavam cobrindo terreno mais rapidamente na viagem de volta do que haviam feito na de ida, a sensação que ela tinha era de que aquela jornada em particular estava levando uma eternidade.

E o principal responsável por aquela incômoda sensação era o inuyoukai que caminhava à sua frente. Após tudo que eles passaram no território nortenho, Rin não pode evitar pensar, mesmo que por um instante, que eles estariam mais próximos.

Entretanto, suas tentativas de testar a teoria logo se mostraram falhas. Sesshomaru se resumia a responder com acenos de cabeça quando ela falava com ele. Quando ele falava, não passava de uma simples monossílaba. Céus, ele mal olhava para ela!

Não que aquele tipo de comportamento fosse exatamente incomum para o inuyoukai, mas já fazia uns bons anos que ele deixara de agir assim com ela. E pensar que eles passaram uma noite inteira abraçados um contra o outro, vestindo pouca ou nenhuma roupa...

E Rin não conseguia parar de pensar naquilo, não importando o quanto tentasse. Era como se ela ainda pudesse sentir. Garras suaves percorrendo a extensão de sua pele nua, expulsando o frio por onde passavam... Hálito quente sendo soprado contra seu ouvido quando ele sussurrava palavras tão surreais que realmente pareciam pequenos segredos proibidos jogados ao vento... O nariz que deslizava por seu pescoço, bochecha, cabelos... Os músculos proeminentes por baixo da pele, por onde ela passava as pontas dos dedos sem a menor inibição, como se tudo aquilo pertencesse à ela, e somente à ela.

Pare de ser infantil, ela pensou. Ele estava apenas tentando salvar a sua vida. Nada mais.

- O senhor está bravo comigo. – Ela supôs, forçando o silêncio entre eles a se esvair abruptamente, antes que enlouquecesse com os próprios pensamentos.

Ele pareceu pensar por um momento, antes de responder, ainda sem olhar para trás:

- Não estou.

Ela suspirou em derrota, observando, impotente, enquanto ele destruía o que devia ser a milésima tentativa dela de começar algum assunto.

- Eu realmente sinto falta do Hayashi...

Ela havia falado em voz baixa, quase como um sussurro que, no máximo, apenas Ah-Un ouviria ao seu lado. Qual não fora sua surpresa ao ouvir o som grave da voz de Sesshomaru comentar:

- Vocês dois parecem ter ficado muito próximos.

- Anh... e-eu... – Ela gaguejou, não estando preparada para ele decidir dar atenção justamente a um assunto que ela não havia direcionado a ele. – Eu acho que sim... É um pouco difícil não gostar dele.

- Hm. – Ele murmurou, parecendo ter voltado às monossílabas.

- Bem, o senhor disse que eu podia confiar nele. – Rin deu de ombros, se esforçando para mantê-lo falando, sobre qualquer coisa que fosse.

- Aparentemente, você levou isso a sério demais.

O tom de voz dele era perfeitamente sem emoção, mas Rin começou a achar que havia alguma coisa por baixo, algo que ela não conseguia exatamente identificar. Era sempre difícil de saber ao certo quando se tratava dele.

- Eu tenho que confiar em alguém... Com certeza não vai ser na Mizuno... – Ela respondeu, soando um pouco mais áspera do que pretendia ao pronunciar aquele último nome.

- Compreendo.

Rin rapidamente tomou a dianteira, percebendo que ele pretendia encerrar a conversa ali. Ela apressou o passo, se postando ao lado dele enquanto caminhavam.

- Diga-me, senhor Sesshomaru... Se a decisão fosse apenas sua, e não do conselho, o senhor ainda assim escolheria a ela?

Sesshomaru a encarou pelo canto do olho por um momento, antes de voltar a olhar para frente.

- Provavelmente. – Respondeu. – Se a decisão fosse apenas minha, ela se esforçaria mais para não ser um incômodo tão grande.

A resposta fazia bastante sentido, então Rin não conseguia entender porque parecia que ele havia acabado de dar um soco nela. De repente, ela começou a se arrepender de ter forçado uma conversa até aquele ponto, de ter se atrevido a tocar em um assunto que ela devia saber que tinha um potencial tão grande de ferir a ela mesma.

Ela se calou, inconscientemente passando os braços ao redor do próprio tronco, tentando se sentir um pouco menos miserável.

- E você? – Sesshomaru prosseguiu, ignorando o aparente desconforto da humana. – Se tivesse que escolher, você escolheria o taijya, eu suponho.

- Kohaku? Não... – Ela respondeu em voz baixa, ainda abalada pela pancada da resposta dele. Mal tinha ânimo de ficar constrangida com a pergunta.

- Hayashi?

Ela parou, os olhos se arregalando em surpresa, o rosto adquirindo um inevitável tom rosado que rapidamente evoluiu para o escarlate.

- O quê? – A menina questionou, quase engasgando com as próprias palavras. – Não! Somos apenas amigos!

O youkai também tratou de interromper seus passos, virando-se para olhá-la com uma sobrancelha erguida.

- O taijya também não é apenas um amigo? Por que você reage desse jeito quando eu menciono o Hayashi?

Rin o olhava de volta com incredulidade, sem compreender de onde ele havia tirado aquilo. O tom na voz dele não era brincalhão, como alguém falaria se quisesse apenas constranger a outra pessoa. Ele estava sério, quase acusatório.

- Porque eu... Eu nunca pensei...

- Então, você pensou no exterminador?

- E-eu eu não... – Ela lutou para encontrar as palavras, antes de respirar fundo, fechando os olhos, em uma tentativa de se acalmar. – Eu não quero nenhum deles, eu só quero-

Você, ela pensou, vacilando por um instante.

- Eu só quero viver a minha própria vida. – Rin concluiu, por fim, aliviada por encontrar uma saída daquela confusão onde ela mesma havia se metido.

Sesshomaru sustentou o olhar dela por um longo momento, seus olhos se suavizando gradualmente.

- É o que quero também.

A humana sorriu docemente, os olhos castanhos se desviando para o chão, evitando contato visual.

- Eu acho que é uma coisa boa, então. Que estejamos na vida um do outro.

- Suponho que sim. – A voz dele era macia quando ele falou, e Rin não pôde evitar erguer o olhar de novo, aquele tom a atraindo de forma infalível e irresistível. Era aquele o tom que ela estivera o tempo inteiro esperando ouvir. O tom que ele só usava com ela.

Eles se olharam por apenas um momento, e pareceram perceber ao mesmo tempo que, com a curta conversa sobre assuntos pessoais, eles haviam gradualmente se aproximado, até que o youkai estivesse praticamente encurralando a humana contra uma árvore, os corpos quase se tocando.

Sesshomaru rapidamente deu um passo para trás, seguido de outro e mais outro, antes de se virar e prosseguir com o caminho que eles trilhavam anteriormente.

Apesar de suas cordas vocais estarem em silêncio absoluto, a mente do daiyoukai borbulhava com questionamentos para ele próprio. Ao mesmo tempo em que ele tentava entender por que se dera o trabalho de perguntar todas aquelas coisas à Rin e, pior ainda, porque ele quase sentira raiva quando começou a pensar que ela podia nutrir o desejo de pertencer a qualquer um dos dois homens mencionados, ele também tentava evitar pensar mais a fundo no assunto, sem qualquer sucesso.

Ele realmente tinha qualquer motivo para duvidar de Hayashi? Ele meramente mandara que o vassalo ficasse de olho em Rin, e ele assim o fizera. E mesmo que tivesse motivos para acreditar que havia algo mais, por que parecia tão abominável que o servo tivesse algum interesse nela? A vontade que Sesshomaru tinha só de pensar naquela possibilidade era de pegar sua humana e levá-la para longe, um lugar que só ele conhecesse, onde ninguém mais pudesse tocá-la.

Sesshomaru procurou se acalmar, percebendo que aquela linha de pensamento estava levando-o a lugar nenhum. Ele estava ciente de que seu constante silêncio estava deixando Rin mais inquieta do que o normal, mas depois de todos os acontecimentos no norte, ele apenas havia decidido manter sua distância da humana, se forçando a voltar a prezar por sua paz de espírito.

Ele começava a perceber que quanto mais perto dela ele se permitia ficar, fosse fisicamente ou emocionalmente, mais a situação incerta dos dois se agravava. A noite da batalha era um exemplo perfeito de como tudo aquilo podia ir longe demais, em apenas um instante de deslize, apenas um momento de fraqueza. O daiyoukai não conseguia entender como ela podia mudar tão abruptamente traços de sua personalidade que ele sempre pensou estarem cravados em pedra, perenes.

Bastou uma morte daquela menina para que ele decidisse fazer uso da espada que ele mais desprezava, que ele se recusava a utilizar, por acreditar que feriria seus próprios princípios.

Bastou uma segunda morte para que ele deixasse de lado sua busca por mais poder, esquecendo da arma que planejava tornar mais forte. Bastou aquilo para que ele passasse de todos os seus limites tão impecavelmente auto-impostos, apenas para poder acariciar o pequeno rosto cheio de vida daquela mera criança humana.

Bastou uma quase morte para que ele praticamente se desfizesse em uma poça de desespero. Para que ele dissesse palavras que não deviam ter sido ditas, para que ele a tocasse da forma que não deveria tocar.

Sesshomaru ainda estava surpreso com o quão fácil foi deixar tudo cair aos pedaços, o quão fácil foi abraçá-la e acariciá-la daquela maneira. Ele não entendia como tudo havia saído de seu controle tão rápido naquela noite, mas o mais importante era que agora tudo voltara à normalidade. Os equívocos do passado não podiam ser mudados, mas não era tarde para fazer reparos e recolher a dignidade que ainda lhe restava.

E tudo isso seria mais fácil se ele simplesmente evitasse cometer os mesmos erros de novo, permitindo a si mesmo se envolver nas conversas casuais daquela menina, permitindo a si mesmo admirar o sorriso dela quando ele acidentalmente dissesse algo que a agradava. Tudo aquilo era terreno perigoso, e seria muito melhor para ambos se eles apenas evitassem se aventurar por essas bandas.

Ele sacudiu a cabeça sutilmente, dispersando seus próprios pensamentos caóticos. Era impressionante o tamanho dos problemas onde ele se metia sem nem ao menos perceber.

Mais impressionante ainda era como ele parecia quase gostar de estar tão afundado neles, quando se tratava dela.

xXx

O par realmente retornara ao oeste mais rapidamente do que a viagem de ida. O general daiyoukai estava quase completamente recuperado quando chegaram, mas os pequenos ferimentos que permaneciam e o cheiro de sangue antigo foram o suficiente para que os outros youkais no castelo tivessem uma ideia de que ele estivera em uma batalha difícil.

Questionamentos foram feitos de imediato. Os soldados rodeavam seu senhor, que tentava explicar em poucas palavras o ocorrido no norte, enquanto Rin o seguia, desnorteada com toda a atenção. Sesshomaru não deu muitos detalhes, mas os sinais de batalha e a ausência da Tenseiga deixavam todos em alerta sobre o perigo que o cercara.

Como consequência, tudo que Rin ouvia pelos corredores durantes as semanas que se sucederam eram conversas sobre o casamento iminente de Sesshomaru e Mizuno. Por mais que ela tentasse não ouvir, ou ao menos não dar atenção, visto que o próprio Sesshomaru já havia garantido à ela que aquilo jamais aconteceria, a humana se via incapaz de ignorar os cochichos.

Às vezes, os youkais falavam até mesmo sobre ela, quando pensavam que ela não conseguia ouvir, com sua patética audição humana. Os comentários a deixavam nauseada e, ao mesmo tempo decepcionada. Quando diziam que ela não era nada mais que um outro passatempo insignificante, Rin desejava que estivessem errados. Quando diziam que ela dividia lençóis com o senhor do castelo na calada da noite, Rin se pegava desejando que estivessem corretos.

Em uma tarde, quando Asai se ocupava de lavar seus cabelos como fazia periodicamente, Rin teve mais uma amostra das fofocas que não a deixavam mais em paz.

- Eu me pergunto porque o senhor Sesshomaru está demorando tanto, sabe? – A criada comentou, passando óleo de lavanda entre as madeixas negras de sua ama.

- Desculpe, como dizia? – Rin perguntou, estando distraída com seus próprios pensamentos até Asai mencionar aquele nome.

- A consumar o casamento. O pai dele o fez no dia em que assumiu o posto... Eu também estou começando a ficar impaciente.

Rin se virou para olhar a youkai lontra, a expressão no rosto da humana era de indignação.

- E o que você tem a ver com a vida dele?

Asai imediatamente se afastou, deixando as espessas mechas molhadas caírem de volta sobre os ombros de sua proprietária.

- E-eu não quis ofendê-la, senhorita.

As linhas de expressão na testa de Rin se suavizaram quando ela percebeu que Asai havia voltado a chamá-la de senhorita quase automaticamente, devido ao tom rígido e grosso que ela havia usado.

- Eu... me desculpe, Asai. - Rin pediu, envergonhada com a própria atitude. - Eu quis dizer... Por que você está impaciente com isso?

- Bom... – A lontra começou, acalmada pelo tom amigável familiar que retornou à voz da humana. – Parece que o nosso senhor está começando a perder apoio. Em tempos violentos, isso é um pouco desconcertante. Eu ficaria mais tranquila se ele decidisse fazer alguns filhotes em breve e eu acho que você também ficaria, Rin. Muitas dessas pessoas que podem se voltar contra ele não gostam muito de você, infelizmente.

Rin ficou em silêncio por um longo tempo, voltando-se para frente de novo e correndo os dedos distraidamente pela água na banheira, a cabeça abaixada. Ela não sabia o que dizer, não sem entregar o jogo.

- Você parece ser tão próxima dele... Talvez se você falasse com ele, o senhor Sesshomaru tomaria uma providência, não acha?

Silêncio.

- Rin?

- Asai, eu posso te pedir para me deixar sozinha um pouco? – Ela pediu em uma voz fraca, a cabeça ainda abaixada, tentando impedir que sua expressão facial fosse vista. Sentia seu rosto úmido e não tinha certeza se era devido à água do banho.

A criada obedientemente assentiu, pondo-se de pé e se retirando do cômodo.

Uma vez sozinha, Rin encolheu as pernas, abraçando seus joelhos. Sem dúvidas, as gotas cristalinas que escorriam por suas bochechas não vinham da água da banheira.

Sesshomaru havia dito que não haveria casamento, não havia motivos para ela estar naquele estado deplorável. Mas parecia inevitável, a sensação era sufocante.

Além do mais, havia os argumentos razoáveis que Asai acabara de lhe oferecer, e Rin, supreendementemente, não se importava. Ela era realmente uma pessoa tão horrível a ponto de não se importar se o oeste todo desmoronasse, se traidores começassem a surgir, se quisessem até mesmo matá-la... Tudo isso valia o preço de não ver Sesshomaru casado com outra?

Ela tentou se acalmar, lembrando-se de que, de qualquer forma, a decisão estava longe de ser dela. Mesmo que Asai acreditasse que ela era próxima o suficiente de Sesshomaru para sugerir que ele agisse, ele dificilmente daria ouvidos. E se ele sabia o que era melhor para o Oeste, certamente não seria Rin a duvidar dele. Claro, era fácil demais confiar nele quando a decisão dele era tão favorável à ela... O que Rin faria caso ele decidisse voltar atrás?

Apenas a possibilidade a assombrava toda vez que pensava nela, como um pesadelo que se materializa sempre que ela fechava os olhos. Como se ela pudesse ver bem na frente dela: Mizuno nos braços de Sesshomaru, as mãos dela sobre ele, tocando-o, sentindo-o, beijando-o. Fazendo todas as coisas que apenas a youkai tinha o direito de fazer.

Ela fechou os olhos com mais força, tentando apagar aquela imagem terrível. Como o ciúme era um sentimento irracional, era quase enlouquecedor. E o que era pior era que a cena parecia certa, era que eles se encaixavam tão bem juntos, eram tão perfeitos um para o outro, a ponto de todo um conselho concordar que não poderia jamais haver opção melhor.

Mizuno havia, literalmente, nascido para ele.

E Rin era absolutamente ninguém.

Ainda assim, semanas atrás, quando ele a abraçara contra o corpo no meio da neve, ela se sentiu em casa. Quando ela adormeceu sobre o peito dele, sentindo o rosto dele contra o dela, os braços fortes dele ao redor dela, era como se nada daquilo pudesse ser errado.

Mas, durante toda a viagem de retorno, Sesshomaru havia sido perfeitamente frio com ela, muito mais do que o normal. Era como se ela tivesse voltado no tempo, todos aqueles anos atrás, onde ele apenas fazia o melhor possível para ignorá-la. Ela tentara tanto entender o que havia feito de errado, mas todas as suas perguntas permaneceram sem respostas. E, quando ele finalmente decidira falar com ela, era apenas para acusá-la de estar apaixonada por algum outro homem.

Como se aquilo sequer importasse para ele! E fazê-la pensar que importava era uma crueldade tão grande que Rin mal conseguia começar a mensurar.

E, quanto mais ele a ignorava, mais desespero ela sentia. Todos aqueles sentimentos que o ciúme havia despertado cresceram ainda mais depois daquela sangrenta e congelante batalha, e Rin tinha cada vez mais dificuldades para segurá-los dentro de si.

Quanto mais ele dava a ela, mais ela queria. E quanto mais ele a negava, mais doía.

Em um dia, ele a presenteava com uma flor belíssima e, no outro, ele mal dirigia a palavra à ela. No próximo, ele discutia seus supostos pretendentes e depois, voltava a ignorá-la. Tudo aquilo a confundia.

Rin suspirou em lamento, se afundando na água até o nariz.

Por que eu tenho que amá-lo tanto assim, se eu não posso tê-lo, senhor Sesshomaru?


Notas Finais


Bom, sem tempo MESMO pra fanart dessa vez.
Sem tempo pra nada, na verdade. Mês de dezembro vou ter quase uma prova por dia, o horror.
Eu escrevi boa parte dessa fanfiction durante minhas férias em julho/agosto, de forma que pude passar aí boa parte do período tranquila tendo o que postar, sem muita pressão. Meu estoque ta acabando e eu tenho muuuuitos retoques pra fazer nos próximos capítulos que não ficaram do jeito que eu quero.
Dito isso, não sei se vou ter tempo pra continuar postando às segundas, MAS NÃO VOU DEIXAR DE POSTARRRR. Meu período acaba dia 20 e aí tenho todo o tempo do mundo de novo.

Agora, sobre o capítulo, sei que um monte de gente (inclusive eu) estava esperando mais ~coisas~ depois do capítulo arrebatador da semana passada, mas eu precisava dessa transição aqui, os personagens precisam pensar um pouco. Prometo que mais ~coisas~ estão vindo bem, bem breve. Continuem comigo <3

No mais, me desculpem qualquer coisa aí e volto aqui assim que puder. Enquanto isso, deixem seus pensamentos abaixo ;)
BEIJOS E OBRIGADA DE NOVO!


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